Trabalhadores lotam Assembleia contra privatização da Copasa – Foto: reprodução
Cerca de 1,5 mil trabalhadores da Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) participaram, nesta quarta-feira (24/9), de audiência pública na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) contra a proposta do governo Romeu Zema (Novo) de privatizar a estatal. O número foi fornecido pelo Sindágua (Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Purificação e Distribuição de Água e em Serviços de Esgotos do Estado de Minas Gerais). O Auditório José Alencar ficou lotado, e o Espaço Democrático precisou ser aberto e foi tomado pelos manifestantes.
Antes da audiência, os trabalhadores ocuparam a entrada da ALMG, na Rua Rodrigues Caldas, na região Centro-Sul da capital, com um trio elétrico e palavras de ordem contra a venda da empresa. A audiência, realizada pela Comissão de Trabalho, teve presença em peso de deputados de oposição, como Bella Gonçalves (PSOL) e Betão (PT).
A mobilização pressiona diretamente o Palácio Tiradentes e os parlamentares em torno da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 24/2023, enviada por Zema, que tramita na Casa. A PEC pretende retirar da Constituição mineira a exigência de consulta popular para a venda da estatal. Atualmente, empresas públicas como a Copasa, Cemig e Codemig só podem ser privatizadas após aprovação em referendo.
Na semana passada, a PEC avançou na Assembleia ao ser aprovada pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Agora, será analisada por uma comissão especial antes de ir a plenário.
Do lado do governo, a justificativa é que a privatização abriria espaço para investimentos privados, melhorando a eficiência do setor. A proposta, no entanto, enfrenta resistência entre sindicatos, servidores e parte dos deputados estaduais.
Copasa investe e moderniza sistema de abastecimento de água em Ibiraci – Foto: reprodução
Ibiraci (MG) foi contemplado pela Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) com investimentos para modernizar a Estação de Tratamento de Água (ETA). As melhorias, realizadas entre o final de julho e início de agosto, proporcionaram mais eficiência na qualidade da água tratada, beneficiando toda a população.
As intervenções consistiram na substituição das placas antigas de fibrocimento por lamelas do decantador. As peças são responsáveis por ampliar a capacidade de sedimentação da estrutura. O objetivo é levar para o fundo do tanque as partículas sólidas suspensas na água durante a decantação, um dos processos pelo qual o líquido passa até se tornar potável.
A medida otimizou a operação do sistema de abastecimento, conforme explicou o gerente de Produção e Tratamento de Água da Copasa, Lázaro Oliveira. “A ação proporciona maior eficiência no processo de decantação, possibilitando que a água passe pelos filtros sem causar sua sobrecarga, assegurando a qualidade e os padrões exigidos pelo Ministério da Saúde”, disse.
Os moradores comemoraram a iniciativa, conforme afirmou o agricultor Tiago Rodrigues, que vive há 39 anos em Ibiraci. “Considero importante o investimento em melhorias, porque água e esgoto são serviços essenciais para a população. Esse aprimoramento, com certeza, trará benefícios para a saúde e bem-estar de todos”, afirmou.
Entenda o processo
Depois de ser captada no córrego do Ouro e no Ribeirão Massaranduba, a água consumida pela população de Ibiraci segue para a ETA, onde é submetida ao tratamento convencional. A técnica química de produção da Copasa, Aline Barbosa, explicou o passo a passo do processo.
“Primeiro, é realizada a coagulação, que consiste na adição das substâncias capazes de reunir os pontos de sujeira. Já o agrupamento das partículas sólidas é o estágio da floculação. Em seguida vem a decantação, quando esses flocos ganham consistência, afundam e se solidificam no fundo do tanque”, pontuou.
O ciclo seguinte é a filtração, quando a água passa para tanques que contêm camadas de areia, antracito, cascalho, entre outros diferentes agentes naturais, que retêm a sujeira ainda presente. “Esse passo é precedido pela desinfecção, ponto em que cloro é adicionado aos tanques com intuito de exterminar quaisquer microrganismos que possam prejudicar a saúde”, completou Aline.
A ETA de Ibiraci tem capacidade para tratar até 32 litros de água por segundo. Em média, diariamente, são fornecidos cerca de 1,6 milhão de litros aos 3.508 imóveis, por meio dos cinco reservatórios que que asseguram a eficiência no abastecimento da população.
Após protesto inusitado, Copasa emite nota e explica situação do abastecimento em Teófilo Otoni – Foto: reprodução
Após a repercussão de um vídeo que mostra uma mulher tomando banho com água do bebedouro em uma loja da Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa), em Teófilo Otoni, a empresa se pronunciou oficialmente sobre o episódio nesta sexta-feira (1º). A cena, gravada na tarde da última terça-feira (29), viralizou nas redes sociais e chamou atenção para a insatisfação de moradores com a instabilidade no abastecimento de água na região.
Na nota enviada ao jornal Folha Regional, a Copasa esclareceu que reconhece e apoia manifestações pacíficas, “desde que o ato não desrespeite os outros clientes em busca de atendimento ou de funcionários que estejam no exercício de sua função”. A Companhia também afirmou que a mulher “em momento algum procurou atendimento na agência”, alegando que, segundo relatos de testemunhas, ela teria entrado no local com o objetivo de ser gravada enquanto fazia a manifestação.
A manifestante aparece nas imagens visivelmente irritada, segurando um caneco e uma barra de sabão, enquanto se banha com a água do bebedouro. “Eu preciso tomar banho, lá em casa não tem água. Tô desde sábado sem água. Tem água pra nada lá, nem pra tomar um café”, disse ela, em um ato de protesto que gerou aplausos, risos e também críticas por parte de quem assistia à cena.
Diante da repercussão, a Copasa também detalhou os motivos da interrupção no serviço e afirmou que a situação já foi normalizada. “A Copasa entende a preocupação e revolta dos moradores de Teófilo Otoni afetados pelo desabastecimento na região Sul da cidade, mas esclarece que trabalhou incansavelmente desde domingo (27/07), quando uma obra registrou a necessidade de intervenções mais complexas que o esperado”, diz a nota.
A Companhia informou ainda que diversas frentes de trabalho atuaram para minimizar os impactos e que caminhões-pipa foram utilizados para abastecer moradores das áreas mais vulneráveis durante o período de intermitência. “O abastecimento foi normalizado no início da noite de terça-feira (29/07) em toda região sul da cidade”, conclui a empresa.
O protesto da mulher continua dividindo opiniões: enquanto alguns usuários das redes sociais consideraram o ato uma forma legítima de chamar atenção para a precariedade dos serviços, outros apontaram a atitude como inadequada por ter ocorrido dentro de uma unidade de atendimento ao público.
CONFIRA A NOTA COMPLETA
A respeito da manifestação de uma cliente na agência de atendimento da Copasa na última terça-feira (29/07), em Teófilo Otoni, a Companhia esclarece que:
1 – Apoia qualquer manifestação pacífica desde que o ato não desrespeite os outros clientes em busca de atendimento ou de funcionários que estejam no exercício de sua função, que é auxiliar as pessoas a conseguirem os serviços.
2 – A cliente em questão em momento algum procurou atendimento na agência. Segundo relatos das testemunhas, ela entrou com o objetivo de ser gravada fazendo a manifestação.
3 – Por fim, a Copasa entende a preocupação e revolta dos moradores de Teófilo Otoni afetados pelo desabastecimento na região Sul da cidade, mas esclarece que trabalhou incansavelmente desde domingo (27/07), quando uma obra registrou a necessidade de intervenções mais complexas que o esperado. Diversas frentes de trabalho atuaram para minimizar os impactos e normalizar o abastecimento o mais breve possível.
4 – Durante o período de intermitência, caminhões-pipa abasteceram moradores das áreas mais vulneráveis da região.
A Companhia reforça que o abastecimento foi normalizado no início da noite de terça-feira (29/07) em toda região sul da cidade.
Após protesto inusitado, Copasa emite nota e explica situação do abastecimento em Teófilo Otoni – Foto: reprodução
Um protesto inusitado chamou a atenção de moradores de Teófilo Otoni, no interior de Minas Gerais, na tarde desta terça-feira (29). Revoltada com a falta de água em casa, uma mulher decidiu tomar banho usando o bebedouro de uma loja da Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa), localizada no município.
A cena foi registrada por populares e circula nas redes sociais, gerando debate e indignação. No vídeo, a mulher aparece visivelmente irritada, segurando um caneco e uma barra de sabão, enquanto se banha com a água do bebedouro. “Eu preciso tomar banho, lá em casa não tem água. Tô desde sábado sem água. Tem água pra nada lá, nem pra tomar um café”, desabafou, enquanto se jogava água no corpo, sob olhares de espanto e risos de quem estava no local.
O gesto, além de protesto, expôs um problema recorrente relatado por moradores da cidade: o fornecimento irregular de água. Segundo relatos, diversas regiões de Teófilo Otoni enfrentam cortes frequentes no abastecimento, sem explicações claras da Copasa.
Até o momento, a Companhia de Saneamento de Minas Gerais não se manifestou oficialmente sobre o episódio, nem sobre os motivos da instabilidade no serviço. A população cobra respostas e medidas urgentes para restabelecer o fornecimento.
A atitude da mulher gerou repercussão e dividiu opiniões nas redes sociais. Enquanto alguns consideraram o ato uma forma legítima de protesto diante da precariedade dos serviços públicos, outros criticaram o uso do espaço da empresa para manifestações individuais.
Foi necessário esgotar todo volume do reator, cerca de 600 metros cúbicos de dejetos, para resgate da vítima – Foto: divulgação/CBMMG
Um operário da Copasa, de 52 anos, morreu após ser atingido por uma explosão dentro de uma estação de tratamento na cidade de Cabo Verde, no Sul de Minas, na última quarta-feira (15). Com o impacto, o trabalhador foi ejetado para dentro de um reservatório de dejetos.
Segundo o Corpo de Bombeiros, o acidente aconteceu por volta de 18h. No local, funcionários contaram que a vítima estava trabalhando sobre um reator anaeróbio de fluxo ascendente – sistema que trata esgotos sanitários e efluentes industriais – quando houve uma explosão. Com o impacto, uma placa de aço foi arremessada e atingiu o funcionário, que acabou projetado para o interior do reservatório de dejetos.
Os militares iniciaram trabalhos, em conjunto com uma equipe da Copasa, para esgotar todo volume do reator, cerca de 600 metros cúbicos de dejetos. Após cerca de cinco horas o corpo do operário foi visualizado. Os bombeiros utilizaram equipamentos de proteção individual, roupas de proteção, iluminação e equipamentos de respiração autônoma para entrar no reservatório e retirar o corpo através de um duto.
Os trabalhos de resgate foram acompanhados pela perícia da Polícia Civil (PCMG). Após o resgate, o corpo foi encaminhado para o Instituto Médico Legal em Poços de Caldas.
Em nota, a Copasa lamentou a morte do empregado Cláudio Cardoso de Oliveira e garantiu que, imediatamente após o acidente, a equipe da Copasa sediada no Sul de Minas foi mobilizada para prestar assistência e fazer o acolhimento à família do empregado. “A prefeitura também prestou apoio enviando um psicólogo para acompanhar os parentes. Também todo o corpo técnico da Companhia foi destacado para investigar a fundo as causas da tragédia e prestar os esclarecimentos necessários às polícias Militar e Civil, que acompanham o caso”, afirmou.
Segundo a empresa, o funcionário utilizava corretamente o equipamento de proteção individual. A Companhia reforçou ainda que preza pela transparência das informações e que prestará todos os esclarecimentos necessários assim que os trabalhos de investigação forem concluídos. “Cláudio Cardoso de Oliveira deixa dois filhos e esposa, que receberão toda a assistência por parte da Copasa”, disse.
Após a aprovação do projeto que permite a renegociação das dívidas dos Estados com a União, o Propag, o governador Romeu Zema (Novo) afirmou, nessa terça-feira (17/12), que pretende transferir para o governo federal a participação de Minas Gerais em três estatais: a Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig), a Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) e a Companhia de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais (Codemig). A medida teria como objetivo abater parte do valor da dívida de Minas Gerais com a União, hoje estimada em R$ 165 bilhões. No último mês, o Governo de Minas enviou à ALMG propostas para privatizar as estatais.
“O que nós queremos é que a União considere os ativos do Estado, que serão transferidos à mesma e o valor abatido. No caso de Copasa e Cemig, esse valor é de mais fácil definição, porque são empresas abertas, cotadas em bolsa de valor, então você tem um valor muito mais objetivo”, afirmou o governador mineiro em coletiva de imprensa.
Zema também mencionou a Codemig, que não é listada na bolsa de valores, mas que, segundo ele, o valor poderia ser mensurado com base nos resultados financeiros dos últimos anos.
“No caso da Cemig, muito provavelmente ela seria transformada numa ‘corporation’, até porque a União não pode assumir riscos com essa transferência, de mecanismo de ‘tag along’ e outros semelhantes. Então a transformação numa ‘corporation’ eliminaria esse risco e a União ficaria com as ações que hoje pertencem ao Estado, recebendo os dividendos de uma empresa que hoje está estruturada, é lucrativa e tendo em posse as ações”, finalizou.
Aprovação do Propag
O Projeto de Lei Complementar (PLP 121/2024), que institui o Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag), foi aprovado ontem pelo Senado. De autoria do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), a proposta foi aprovada com apoio dos 73 senadores presentes, sem nenhum voto contrário e sem abstenções, e segue agora para sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
O texto prevê, entre outras coisas, que as dívidas sejam parceladas em prazos de 30 anos, com taxas menores, reversão de 1% dos juros em investimentos nos estados, em infraestrutura, segurança pública e educação, por exemplo, e que os estados possam entregar ativos, créditos e participações acionárias em empresas para abatimento dos juros.
Servidores de Copasa e Cemig temem demissões com desestatização – Foto: reprodução
Os projetos de privatização da Cemig e da Copasa foram protocolados no último dia 14 pelo governo na Assembleia Legislativa (ALMG) e já causam incertezas entre funcionários quanto à manutenção dos empregos. O receio de representantes das categorias é que passar as estatais para a iniciativa privada possa resultar em cortes nos quadros.
Enquanto a Copasa conta com pouco mais de 9.600 funcionários, conforme a própria companhia, a Cemig tem cerca de 4.700 no Estado, como informado pelo Sindicato Intermunicipal dos Trabalhadores na Indústria Energética (Sindieletro-MG). Para conseguir levar os projetos adiante, o governador Romeu Zema (Novo) tenta, primeiro, a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 24/2023, que põe fim à obrigatoriedade de referendos para privatizar as estatais.
Conforme o presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Purificação e Distribuição de Água e em Serviços de Esgotos (Sindágua-MG), Eduardo Pereira, que representa os trabalhadores da Copasa, a categoria vem tentando barrar o projeto de privatização da companhia desde o primeiro mandato de Zema. Entre os principais temores estão a não manutenção dos empregos, o aumento de tarifas e a perda da qualidade dos serviços.
Pereira cita, como exemplo, os casos da Cedae, no Rio de Janeiro, e da Sabesp, em São Paulo, que abriram programas de demissão voluntária no processo de privatização. “Caso a Copasa seja privatizada, sabemos que, para justificar um possível lucro, o privado vai ter que demitir o trabalhador”, disse.
A reportagem questionou o governo de Minas sobre esse temor dos funcionários em relação a possíveis demissões. Até o fechamento desta edição, não tinha havido resposta. Entretanto, o vice-governador Mateus Simões (Novo), responsável por protocolar os projetos na Assembleia, publicou um vídeo em seu Instagram, no dia 21, no qual reforça que os empregados das companhias são celetistas e não podem perder benefícios com a desestatização. Ele nega, ainda, a possibilidade de aumento das contas, considerando que a Cemig é regulada pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), enquanto a Copasa, pela Agência Reguladora de Serviços de Abastecimento de Água e de Esgotamento Sanitário (Arsae).
Questionamento
De qualquer forma, para tentar conter o projeto de privatização, o presidente do Sindágua-MG informou que a categoria tem uma reunião marcada para o dia 28 deste mês na ALMG, além de ter formalizado um encontro com o BNDES, responsável por conduzir o processo de concessões e desestatização de ativos.
Os trabalhadores da Cemig, representados pelo Sindieletro-MG, receberam com “apreensão” a proposta em relação à companhia energética. Conforme o coordenador geral da categoria, Emerson Andrada, o temor também se direciona à possibilidade de “precarização” dos serviços com possível diminuição do quadro de funcionários. “Não temos dúvidas de que esses empregos serão ameaçados, porque o procedimento-padrão é o de substituir trabalhadores do quadro próprio por terceirizados”, afirma.
Andrada aponta, ainda, que o projeto da Cemig, que pretende transformar a companhia em corporação, não traz grandes novidades em relação ao que Zema já vinha defendendo, mas considera um movimento político para colocar Simões, pré-candidato a governador em 2026, em evidência. Relatos de funcionários da Copasa dão conta de que, apesar do temor com a privatização, eles acreditam que o projeto não deve ir adiante.
Entre as principais corretoras de investimentos no Brasil, a XP emitiu uma nota técnica ao mercado, no dia 15 deste mês, dizendo considerar improvável a aprovação dos projetos de privatização da Cemig e da Copasa. Entre as ponderações, a corretora aponta o prazo curto, tendo em vista que as próximas eleições para governador ocorrem em 2026, e que o Executivo não teria um relacionamento “sólido o suficiente” com a ALMG para obter os votos necessários.
Alguns municípios mineiros têm outros modelos de serviço
Em Minas Gerais, dos 853 municípios, a Cemig atua em 774, enquanto a Copasa, em 638. Algumas cidades, como Juiz de Fora, possuem modelos próprios para realização de tratamento de água e esgoto. Em outras, como Ouro Preto, os serviços foram concedidos para a iniciativa privada. Essa troca, entretanto, não agradou à população da cidade, que chegou a cogitar a remunicipalização dos serviços em audiência pública na ALMG, em março do ano passado. O questionamento se referia a supostas tarifas abusivas e cortes no fornecimento de água por causa do não pagamento das contas.
No caso da energia elétrica, Leopoldina e Cataguases, na Zona da Mata, por exemplo, são atendidas pela Energisa, grupo empresarial privado. Já em Poço de Caldas, no Sul de Minas, 60% da energia é fornecida pelo Departamento Municipal de Eletricidade (DME), e o restante, pela Cemig.
Tarifa não deve sofrer alteração
Conforme o advogado Paulo Henrique Studart, especialista em direito público, a privatização das empresas públicas muda, na prática, apenas quem está no comando.
Dessa forma, alterações nas tarifas são uma possibilidade “remota”, na avaliação do especialista, considerando que são fixadas e amparadas pela legislação, pelo eventual edital de concessão e pelos órgãos reguladores. Por outro lado, a mudança na gestão pode ter reflexo nos vínculos trabalhistas, segundo ele. No caso de empresas estatais, os empregados são regidos pela CLT, ou seja, não têm a mesma garantia de estabilidade dos servidores públicos.
“O que existe é uma garantia de que eles não sejam demitidos de forma desmotivada, isso ocorre por parte dessas empresas estatais atualmente. Com a privatização, caberá uma decisão gerencial das empresas de manter ou demitir eventuais empregados”, diz.
O governo de Romeu Zema (Novo) enviou à Assembleia Legislativa de Minas Gerais as propostas para privatização de Cemig e Copasa.| Foto: Pedro Gontijo/Governo de Minas Gerais
As propostas de privatização da Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) e da Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) do governo de Romeu Zema (Novo), enviadas à Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) na última quinta-feira (14), trazem modelos distintos para o futuro das estatais. Em conjunto, os projetos das duas empresas valem mais de R$ 15 bilhões, de acordo com o Executivo mineiro.
Protocolados pelo vice-governador então em exercício, Mateus Simões (Novo), os projetos de lei delineiam como o estado pretende transferir a gestão das empresas para o setor privado, com a proposta de aumentar eficiência e competitividade. Na ocasião, o governador Romeu Zema estava em agenda internacional no Arzebaijão, participando da Conferência das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima, onde o presidente da Cemig, Reinaldo Passanezi Filho, estava entre os palestrantes.
As propostas de privatização dependem de articulação política para avançarem no Legislativo estadual. Embora o governo conte com uma base favorável, a resistência de sindicatos, movimentos sociais e parte da oposição deve intensificar o debate nos próximos meses.
Em outubro do ano passado, Zema enviou à ALMG uma proposta de alteração da Constituição do Estado com a exclusão da exigência de consulta pública para a privatização. A proposta encontra-se na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) aguardando parecer. “Para nós, fazer o refendo não é um problema, mas uma burocracia”, disse Simões.
Privatização da Cemig passa por modelo de “corporation” com veto estatal
O modelo proposto para a privatização da Cemig é o de “corporation”. Trata-se da disponibilização das ações da companhia ao mercado financeiro, resultando em uma estrutura sem controlador definido.
No entanto, o governo de Minas Gerais manteria uma participação de 17,04% das ações totais, junto à chamada “golden share“, ação especial que garante poder de veto em decisões estratégicas. Essa estrutura visa preservar o interesse público em temas essenciais, como segurança energética e investimentos no estado.
A proposta surge no momento em que a Cemig anuncia mudanças significativas na gestão. Andrea Marques de Almeida, ex-executiva de empresas como Vale e Petrobras, assumirá a vice-presidência de Finanças e Relações com Investidores em dezembro, em um movimento interpretado como parte da preparação para a privatização da companhia.
Copasa tem proposta de privatização tradicional com promessa de redução tarifária
Para a Copasa, o governo de Minas Gerais propõe um modelo mais direto, no qual o controle acionário seria transferido integralmente à iniciativa privada. Segundo o vice-governador Mateus Simões, a regulação continuará sob responsabilidade da Agência Reguladora de Serviços de Abastecimento de Água e Esgotamento Sanitário (Arsae-MG), o que, segundo ele, asseguraria tarifas justas e serviços de qualidade.
O governo argumenta que a privatização da Copasa pode reduzir custos ao consumidor, uma vez que a regulação estadual e o acompanhamento pelo Ministério Público e pela sociedade garantiriam transparência. Além disso, Simões defende que a eficiência da gestão privada poderá atrair mais investimentos e expandir a cobertura de saneamento no estado.
Sindicato alerta para perda de trabalho e governo rebate
A transição preocupa sindicatos de trabalhadores das categorias envolvidas. O Sindieletro, que representa trabalhadores da Cemig, alerta para potenciais perdas de postos de trabalho e aumento das tarifas. O governo, por sua vez, alega que os direitos trabalhistas dos funcionários serão preservados e que a privatização pode abrir novas vagas, especialmente em áreas técnicas.
O argumento é que o setor privado teria mais flexibilidade para contratar diretamente, reduzindo a dependência de terceirizações. “Eles não vão sofrer nenhum rebaixamento salarial. Continuam tendo os mesmos acordos e convenções coletivos (de trabalho) respeitados”, disse Simões em entrevista coletiva após a entrega dos projetos de lei à Assembleia Legislativa.
Um dos principais pontos de defesa do governo é que as tarifas de energia e água não serão impactadas diretamente pela privatização, pois continuam sendo definidas por agências reguladoras. No caso da Cemig, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) é responsável por fiscalizar as operações e definir os preços, enquanto no caso da Copasa, a Arsae-MG tem papel semelhante.
“No caso da Copasa, quem faz a regulação é a Arsae, uma agência estadual. Mesmo que ela seja privatizada, o controle das tarifas continua sendo nosso, auditado pelo Ministério Público e pela população, para ser acompanhado para não ter nenhuma cobrança por serviço que não esteja sendo prestado”, disse Simões.
O vice-governador também destacou que a privatização promete ganhos de eficiência operacional, com expectativas de redução de custos ao longo do tempo. “Uma empresa mais ágil e eficiente tende a oferecer tarifas mais competitivas, beneficiando o consumidor final”, argumentou.
Um morador de Vazante (MG), apareceu indignado em vídeo divulgado nas redes sociais, após ter a casa invadida por esgoto na última segunda-feira (28). Como parte da revolta, ele registrou sua “vingança” ao se filmar jogando um balde de esgoto na sede da Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa), no município.
À princípio, o homem aparece em vídeo mostrando como ficou a casa após ser invadida pela água. “Vou perder um dia de serviço para limpar a casa toda. Molhou a casa inteira. Os brinquedos da minha filha que estavam no chão, os pés do berço, guarda-roupa. A água subiu tanto que molhou os móveis todos”, disse.
Em seguida, as imagens o mostram na sede da companhia enquanto ele deixa o recado: “Aí Copasa, você achou que eu estava brincando? Eu trouxe a situação para você avaliar. Você não pôde ir na minha casa ver os móveis que eu perdi e agora a situação está aqui para você avaliar. Agora, você pode avaliar a vontade, ficou até mais fácil”, diz na gravação. Depois, o morador aparece com um balde, derramando todo o líquido de esgoto no chão.
Procurada pela reportagem, a Copasa lamentou o ato de vandalismo ocorrido na segunda (28), na agência de atendimento ao público da Companhia do município de Vazante, e afirmou que um Boletim de Ocorrência foi registrado junto à Polícia Militar contra o morador.
Além disso, o órgão informou que “houve um refluxo do esgoto na residência do cliente, causado pelo mau uso da rede, ou seja, quando moradores canalizam a água da chuva para os canos de esgoto, o que sobrecarrega a estrutura, ou quando são jogados lixos nos vasos sanitários, ou ocorre descarte de comida, óleo e outros tipos de gorduras nos ralos das pias”, diz em nota.
A Companhia disse ainda que, assim que acionada, uma equipe foi à residência do cliente e solucionou a ocorrência.
Cleitinho Azevedo divulga vídeo da Copasa descartando esgoto no Lago de Furnas, em Alfenas – Foto: reprodução/Instagram
Nesta quinta-feira (16), o senador Cleitinho Azevedo, divulgou um vídeo em suas redes sociais, mostrando o descarte de esgoto no Lago de Furnas, em Alfenas (MG). A Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa), é a empresa responsável pelo tratamento de água e esgoto no município. Assista ao vídeo aqui.
Nas imagens, é possível ver um grande cano despejando um líquido denso e escuro nas águas no Mar de Minas. Em determinado momento, o senador enche uma garrafa transparente com o líquido, nitidamente turvo e de cor amarronzada.
Ainda no vídeo, sem sucesso, Cleitinho tenta entrar em contato com o presidente da Copasa, Guilherme Augusto Duarte de Faria.
O senador diz que a empresa tem ”obrigação de cancelar a taxa de tratamento e coleta de esgoto”. Cleitinho diz que a Copada pratica crime ambiental e que enviará uma denúncia ao Ministério Público.
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