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Jornal Folha Regional

Privatização da Copasa deve ser concluída nesta terça-feira (16)

Privatização da Copasa deve ser concluída nesta terça-feira (16) – Foto: divulgação/Copasa

Nesta terça-feira (16/6), o governo de Minas deve concluir a privatização da Copasa, com a liquidação na Bolsa de Valores – processo de entrega do ativo ao comprador e pagamento ao vendedor. O Grupo Equatorial será o investidor de referência e ficará responsável por 30% da fatia de ações que pertencia ao Executivo estadual. A expectativa é que o governador de Minas, Mateus Simões (PSD), participe da cerimônia de “toque da campainha” referente à oferta pública da Copasa na Bolsa de Valores de São Paulo (B3).

Ao todo, o Grupo Equatorial fez a aquisição de 114.075.920 ações da Copasa, movimentando um montante de R$ 5,593 milhões. Cada ação foi negociada a R$ 49,03. Na transação, o estado ainda manterá 5% de ações na Copasa, na chamada ‘Golden Share’. O modelo prevê um poder de veto do governo sobre ações estratégicas na companhia. 

A Equatorial Energia é uma das maiores holdings multissetoriais (multi-utilities) do Brasil, com foco principal nos setores de energia elétrica e saneamento básico. No setor de energia, ela controla concessionárias em sete estados. Ela também foi a empresa vencedora do processo de privatização da Sabesp, assumindo 15% da companhia de saneamento paulista.

Em entrevista na semana passada, o governador Mateus Simões relembrou que o recurso arrecadado com a venda da Copasa será usado dentro do Programa de Pleno Pagamento das Dívidas dos Estados (Propag), que determina investimentos em infraestrutura, segurança e educação.

A expectativa é de que, 48 horas após o fim do leilão, o recurso esteja liberado, conforme prevê o chefe do Executivo.

“Eu já fiz a programação de desembolso de todo o recurso para cinco ou seis anos, dependendo do valor que a gente alcançar, porque não combina nem com o ex-governador nem comigo ficar gastando dinheiro por causa de campanha. O dinheiro vai ser gasto na velocidade do que a gente tenha de propostas estruturadas de projetos que mudem a realidade regional.”

Na mesma entrevista, Simões afirmou que a regulação do serviço prestado pela companhia não será alterada, o que não deve ter reflexos na tarifa. Além disso, afirmou que os municípios terão um prazo de seis meses para fechar novos contratos com a Copasa após o processo de privatização.

“Não muda a tarifa, não muda a regulação, não mudam as obrigações de investimento. Para os prefeitos ficarem tranquilos, que eles vão ter seis meses ainda para aderirem à nova Copasa. Então ninguém vai ser deixado para trás. Só se quiser. Quem não quiser entrar não vai ser obrigado”, afirmou.

O ex-governador Romeu Zema (Novo), que encabeçou o projeto de lei para venda da companhia de saneamento, chegou a comentar sobre o processo nesta segunda-feira (15/6), durante participação em um evento da revista Veja em São Paulo. Ele celebrou a medida, mas lamentou não ter conseguido o mesmo feito com a Cemig.

“Tanto é que está aí, agora na B3, a privatização da Copasa, que vai a leilão, que é a nossa empresa de saneamento básico. Eu diria que o único grande projeto que nós não levamos adiante a Minas, mas que o próximo governador, Mateus Simões, vai levar, é a privatização da companhia de energia, que é a Cemig”, disse Zema.

Relembre o processo de privatização

O projeto para privatização da Copasa foi protocolado na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) pela gestão de Zema em novembro de 2024. O texto, posteriormente, foi integrado a um “pacote” de 12 propostas para adesão de Minas ao Propag, apresentado em maio do ano passado.

Nesse conjunto de matérias, havia também uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que retirava a obrigatoriedade de uma consulta popular para a privatização das estatais mineiras – ponto que resultou em grande embate entre oposição e base de governo na Assembleia.

A PEC era a primeira aprovação que o governo precisava para caminhar com a privatização da Copasa. A votação, em novembro, ocorreu entre discussões, brigas e até mesmo “VAR”. Para ser aprovada, a proposta precisava de, ao menos, 48 votos. No segundo turno, quando a votação foi encerrada, o painel eletrônico da Assembleia mostrava apenas 47 votos a favor.

A galeria foi tomada por servidores da Copasa e os deputados da oposição vibraram, pois esse placar rejeitava a PEC. No entanto, o deputado Bruno Engler (PL) começou a gritar para o presidente da Casa, Tadeu Leite (MDB), que faltava registrar o voto. Com o “sim” do parlamentar, a proposta chegou aos 48 votos necessários para aprovação em segundo turno.

A oposição questionou se Engler estaria em plenário na hora da votação e se a escolha dele poderia ser considerada. A reunião foi temporariamente suspensa, e o presidente “chamou o VAR”. As imagens das câmeras foram analisadas e o voto de último segundo do deputado foi computado.

Já o projeto de lei que autorizava, em si, a venda da companhia foi aprovado em dezembro pelos deputados estaduais e colocou fim à novela que se estendeu por meses no Legislativo. O texto teve 53 votos favoráveis e 19 contrários, em uma votação que durou aproximadamente 9 horas.

O modelo de venda foi aprovado pelos acionistas da Copasa em assembleia realizada em fevereiro deste ano. Com isso, o governo ficou autorizado a avançar com a venda das ações no mercado.

Em abril, a Copasa divulgou as regras que os investidores interessados em adquirir o controle acionário da companhia deveriam seguir para entrar na disputa.

Pelo menos dois grandes grupos apresentaram proposta para compra da companhia: Aegea e Equatorial. Por fim, o Grupo Equatorial foi o vencedor do processo e escolhido como investidor de referência para a privatização da Copasa, como divulgado no início deste mês.

Sindicato vê falhas no credenciamento da Aegea e Sabesp e pede suspensão da privatização da Copasa

Sede da Copasa – Foto: Foto: Divulgação/Copasa

O Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Purificação e Distribuição de Água e em Serviços de Esgotos do Estado de Minas Gerais (Sindágua-MG) enviou uma denúncia ao Tribunal de Contas do Estado (TCE-MG) pedindo a suspensão de todos os atos relacionados à privatização da Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa). O pedido leva em consideração irregularidades que teriam sido cometidas no processo de credenciamento das empresas Aegea e Sabesp para o leilão das ações da estatal.

A denúncia foi enviada ao TCE nesta segunda-feira (11/5), após a confirmação dos dois grupos como os participantes do certame.  Sobre a escolha da Aegea e da Sabesp, o sindicato cita que houve falhas no processo de convocação para credenciamento. A Aegea, inclusive, é alvo de uma Comissão Processante, na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul, que vai apurar denúncias relacionadas à qualidade da água. 

Segundo a documento, o Manual de Participação na Etapa Prévia do Processo de Seleção do Investidor de Referência na B3, que foi publicado pelo governo de Minas, tinha “barreiras de acesso de extraordinária severidade”. A entidade sindical critica que o período de cadastramento, de apenas 14 dias corridos – entre 24 de abril e 8 de maio – era “manifestamente insuficiente para que potenciais compradores internacionais realizem a due diligence mínima necessária, obtenham as autorizações corporativas internas de seus respectivos conselhos de administração, estruturem consórcios e providenciem a volumosa documentação exigida”. 

Conforme o sindicato, além do prazo considerado aquém, a necessidade de apresentação de carta de fiança bancária no valor de R$ 7 bilhões é um instrumento de obtenção “extraordinariamente difícil” no atual ambiente de restrição de crédito no país. Outro ponto considerado irregular é a comprovação de um histórico de investimentos em infraestrutura na casa dos R$ 6,3 bilhões, que teria de ser realizado por cinco anos consecutivos em um intervalo de 20 anos. 

“Requisito que, pela concentração temporal exigida, restringe na prática a participação a um número muito reduzido de grupos no cenário nacional e internacional. A combinação desses três elementos não opera como filtro de qualidade dos participantes: opera como barreira de exclusão que, ao reduzir artificialmente o universo de concorrentes elegíveis, compromete o mecanismo de formação de preço pelo qual o Estado poderia obter o valor justo pelo seu patrimônio”, diz a denúncia. 

Diante dos argumentos, o sindicato diz que o modelo escolhido para a privatização da Copasa foi estruturado em “fragilidades institucionais e financeiras” que comprometem a legitimidade do processo. A denúncia se dá horas depois de o governador Mateus Simões (PSD) ter dito, em entrevista, que a escolha da Aegea e da Sabesp traziam tranquilidade ao Executivo. Ele falou sobre o assunto na manhã desta segunda, após ser questionado pela reportagem. 

“São as duas maiores operadoras de infraestrutura de saneamento do Brasil. Se somar as operações picadas, elas são maiores que a Copasa. A Sabesp está junto com a Equatorial e tem uma operação enorme. A Aegea coordena mais consumidores do que a Copasa tem, então isso nos deu muita tranquilidade”, comentou.

Outros problemas 

Na petição, o sindicato ainda citou um risco aos Fundos Estadual e Municipal de Saneamento. De acordo com a denúncia, não há, até então, “salvaguardas jurídicas” que garantem a manutenção dos mecanismos. A preocupação, inclusive, se arrasta desde as discussões sobre a privatização da Copasa durante a tramitação do projeto de lei na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG). 

À época, inclusive, a reportagem mostrou que prefeitos temiam perder acesso aos recursos e pediam mais diálogo com o governo do estado sobre o assunto. Na denúncia, o sindicato diz que o fundo, em alguns casos, é a única alternativa dos municípios para financiamento de obras de saneamento. Pela regra atual, mensalmente a Copasa repassa às prefeituras 4% da receita operacional líquida apurada na cidade para intervenções envolvendo abastecimento de água, esgotamento sanitário e gestão de resíduos sólidos. 

“Sem cláusula expressa nos novos contratos de concessão que obrigue a operadora privada a manter o repasse de 4% da Receita Operacional Líquida municipal ao FMS, a obrigação deixa de ter caráter vinculante e passa a depender da boa vontade do concessionário ou de litígio judicial — inversão inaceitável para uma política pública de direitos fundamentais”, critica o sindicato na petição.

O sindicato ainda alerta para um risco de “irreversibilidade” das falhas apontadas, caso a privatização avance. “A irreversibilidade da operação de desestatização, uma vez consumada, torna essas garantias condição jurídica inafastável, e não mero protocolo de boa vontade. Não há mecanismo jurídico ordinário que permita ao Estado de Minas Gerais, após a transferência do controle acionário, impor retroativamente ao adquirente privado obrigações que não foram pactuadas como condição do processo”, diz trecho da denúncia. 

O que dizem TCE e Copasa?

A reportagem pediu esclarecimentos sobre os pontos apresentados pelo Sindágua-MG à Copasa. A companhia reafirmou compromisso com a legalidade, transparência e governança e disse estar à disposição de órgãos de controle para prestar os esclarecimentos necessários.

“Ressaltamos que a Copasa não comenta rumores de mercado sobre potenciais interessados no processo de desestatização. Ressaltamos que todas as informações oficiais sobre o cronograma da oferta e as etapas relacionadas ao Tribunal de Contas (TCE) são divulgadas tempestivamente por meio dos canais oficiais de Relações com Investidores e comunicados ao mercado, em estrita observância às normas da CVM e às regras de governança aplicáveis”, diz posicionamento enviado à reportagem.

Em nota, o Tribunal de Contas do Estado informou que recebeu o pedido. A admissibilidade da denúncia está sendo analisada pela presidência do órgão.

Copasa aceita pagar multa e não permite transição em Alpinópolis

Copasa aceita pagar multa e não permite transição em Alpinópolis – Foto: reprodução

A Polícia Militar foi acionada na manhã desta terça-feira (17) após representantes da Prefeitura de Alpinópolis (MG) e técnicos do Consórcio SAALPI (Serviço de Saneamento de Alpinópolis) serem impedidos de entrar na unidade da Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa), no bairro Poço das Andorinhas, onde teria início o processo de transição dos serviços de água e esgoto no município.

De acordo com informações, um secretário municipal acionou os militares ao relatar que a entrada estava previamente autorizada por meio de notificação oficial, que estabelecia o início dos trabalhos às 8h. Apesar disso, os funcionários da nova concessionária não conseguiram acessar as dependências.

Ainda conforme a ocorrência, o responsável pela unidade da Copasa informou que recebeu orientação da empresa para não permitir o acesso da equipe da SAALPI. Ele afirmou que a companhia estaria disposta a arcar com a multa diária de R$ 100 mil, prevista em decisão judicial, limitada ao teto de R$ 3 milhões. Também destacou que a transição seguiria um cronograma próprio da empresa e dependeria de autorização superior.

Diante da situação, as partes foram orientadas pela Polícia Militar a adotar as medidas cabíveis e acionar o setor jurídico.

Transição já havia sido iniciada

O impasse ocorre poucos dias após o início oficial do processo de transição dos serviços de água e esgoto no município. Na última quinta-feira (12), representantes da prefeitura, da Copasa e do Consórcio SAALPI participaram de uma reunião de alinhamento na sede da administração municipal, dando início às tratativas técnicas e administrativas.

Na ocasião, foi lavrada uma ata formal registrando os compromissos assumidos entre as partes, com o objetivo de garantir uma transição organizada e sem prejuízos à população.

Decisão judicial determina saída da Copasa

A mudança na operação dos serviços ocorre após uma decisão liminar do Tribunal de Justiça de Minas Gerais, que determinou a interrupção das atividades da Copasa em Alpinópolis.

Segundo a prefeitura, a saída da concessionária deve acontecer de forma gradual, justamente para evitar interrupções no abastecimento de água e no tratamento de esgoto, considerados serviços essenciais.

Para assegurar o cumprimento da decisão, o município encaminhou um ofício à companhia exigindo providências imediatas. Além disso, foi publicado um decreto estabelecendo que a própria administração municipal assumirá a responsabilidade pelos serviços, que passarão a ser operados pelo Consórcio SAALPI.

Histórico do contrato

O contrato entre o município e a Copasa previa a atuação da empresa até 2046. No entanto, ele foi anulado em 2020, dando início ao processo de licitação para escolha de uma nova prestadora de serviços.

Desde então, a companhia permaneceu operando na cidade por meio de um acordo provisório firmado durante o rompimento contratual.

Com a nova decisão judicial em vigor, a Copasa deverá encerrar suas atividades. Em caso de descumprimento, poderá ser aplicada multa diária de R$ 100 mil, com limite de até R$ 3 milhões.

Justiça determina que Copasa encerre serviços de água e esgoto em Alpinópolis

Justiça determina que Copasa encerre serviços de água e esgoto em Alpinópolis – Foto: reprodução

Uma decisão liminar do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) determinou que a Copasa interrompa as atividades de abastecimento de água e saneamento básico no município de Alpinópolis (MG).

De acordo com a prefeitura, a saída da concessionária deverá ocorrer de forma gradual para evitar qualquer interrupção em serviços considerados essenciais para a população.

Para garantir o cumprimento da decisão, um ofício foi enviado à companhia exigindo a adoção das providências determinadas pela Justiça. Ainda nesta quarta-feira (11), a administração municipal publicou um decreto estabelecendo que o próprio município passará a assumir a responsabilidade pelo abastecimento de água e pelo tratamento de esgoto.

O documento também define que o Consórcio SAALPI – Saneamento Alpinópolis será a nova empresa responsável pela operação dos serviços na cidade.

O contrato firmado com a Copasa previa atuação da empresa até 2046. No entanto, ele foi anulado em 2020, quando teve início o processo para contratação de uma nova prestadora de serviços. Desde então, a companhia permaneceu atuando no município com base em um acordo firmado durante o rompimento do contrato.

Com a nova decisão judicial, a Copasa deverá encerrar as operações imediatamente. Caso a determinação não seja cumprida, poderá ser aplicada uma multa diária de R$ 100 mil, limitada ao valor máximo de R$ 3 milhões.

Posicionamento da Copasa

Em nota, a Copasa informou que ainda não foi formalmente notificada sobre a decisão judicial mencionada. A empresa afirmou também que, embora não comente processos em andamento, irá avaliar a situação e adotar as medidas jurídicas cabíveis no momento oportuno.

A companhia acrescentou que, até o momento, os serviços de abastecimento de água e saneamento em Alpinópolis seguem sendo prestados normalmente.

Governo de Minas trabalha para arrecadar cerca de R$ 4 bilhões com privatização da Copasa

Governo de Minas trabalha para arrecadar cerca de R$ 4 bilhões com privatização da Copasa – Foto: reprodução

A privatização da Copasa deve render cerca de R$ 4 bilhões aos cofres públicos de Minas, de acordo com o vice-governador Mateus Simões (PSD). O formato para venda da companhia de saneamento ainda está sendo analisado, entretanto, Simões afirma que o Executivo mineiro pretende manter participação societária, com cadeira no conselho da empresa. A projeção foi feita durante entrevista ao programa Café com Política, exibido nesta quarta-feira (21).

Atualmente, a Copasa está avaliada em quase R$ 17 bilhões. Minas Gerais possui 51% das ações da companhia. Em meio ao processo de privatização, a empresa encerrou 2025 com um salto de 124,42% no valor das ações. Os papéis da Copasa iniciaram o ano sendo negociados por R$ 19,50, mas encerraram em 2025 ao custo de R$ 43,92.

A expectativa do governo de Minas é que o valor da privatização da companhia seja investido em educação profissionalizante, infraestrutura e segurança – contrapartidas previstas no Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag).

“Eu preciso arrecadar o dinheiro para os primeiros anos de investimento. A gente tem que investir R$ 1,8 bilhão por ano. Então, o compromisso que eu fiz com os deputados era tentar arrecadar mais de R$ 4 bilhões, vender participação suficiente para que, no mínimo, R$ 4 bilhões fossem arrecadados nessa operação que nós vamos fazer”, projeta o vice-governador.

Para isso, não seria necessária a venda total das ações do estado, algo que o governo de Minas não pretende fazer para garantir o cumprimento de metas de universalização, conforme Mateus Simões.

“A privatização da Copasa só pode ser feita com a garantia de que nós não teremos impacto na tarifa. Então, para deixar todas as pessoas tranquilas, quem regula o preço do esgoto e da água não é a empresa. É a Arsae”, pontua. “Para isso, o governo vai permanecer dentro da companhia, com presença em conselho, com participação societária”, garante.

O Executivo mineiro está em fase de consulta com bancos para definir o melhor formato para venda da Copasa. A expectativa é que ela se torne uma corporação, alterando a forma societária da empresa.

“A venda que vai ser feita não é do controle da companhia, é da maior participação acionária possível para a gente levantar o maior valor para esses investimentos que os mineiros estão esperando”, reforça Simões.

Contrapartidas do Propag

Dentro das contrapartidas previstas no Propag, a área da educação é a que está mais avançada, de acordo com o vice-governador. O Estado já vinha realizando investimentos por meio do projeto Trilhas do Futuro.

Pela infraestrutura, o governo de Minas pretende usar os recursos da Copasa para adiantar obras que já estão em andamento e reduzir o tempo de entrega. Ele cita, como exemplo, a melhoria nas estradas estaduais, considerando que 25% delas estão em péssimo estado de rodagem – o parâmetro nacional está abaixo de 7%.

“Eu vou conseguir fazer essa redução em três anos com o valor da Copasa. Neste momento, os investimentos estão só esperando a venda da companhia, que deve acontecer até o final do primeiro trimestre”, prospecta.

Já na área de segurança pública, os investimentos ainda estão em discussão. Entretanto, a expectativa do vice-governador é que sejam voltados para soluções tecnológicas, considerando experiências do próprio Executivo, como o uso de inteligência artificial em câmeras para identificação facial de foragidos.

“Nos parece que ter mais câmeras e um sistema melhor, mais ágil de identificação e ação sobre os identificados, seja a prioridade com o recurso do Propag.”

Justiça decide que açougueiro que fraturou o punho após sofrer acidente em calçada deve receber R$ 30 mil de indenização da Copasa, no Sul de Minas

Justiça decide que açougueiro que fraturou o punho após sofrer acidente em calçada deve receber R$ 30 mil de indenização da Copasa – Foto: EPTV

A Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) teve confirmada, em segunda instância, a obrigação de indenizar um açougueiro que se feriu após o rompimento de uma tubulação em Guaxupé, no Sul de Minas. A decisão foi tomada pela 1ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), que rejeitou o recurso apresentado pela concessionária.

O colegiado manteve a sentença da 1ª Vara Cível e da Infância e da Juventude da Comarca de Guaxupé, que fixou o pagamento de R$ 15 mil por danos morais e R$ 14.768,40 por danos materiais, totalizando quase R$ 30 mil.

O acidente ocorreu em agosto de 2023. Conforme o processo, o trabalhador seguia pela calçada a caminho do serviço quando uma tubulação se rompeu repentinamente. A forte pressão da água o derrubou, causando fratura no punho direito. Um comerciante que presenciou a situação prestou os primeiros socorros.

Em razão das lesões, o açougueiro precisou passar por cirurgia, ficou afastado das atividades profissionais e realizou cerca de 20 sessões de fisioterapia. Diante das despesas médicas e do impacto causado pelo acidente, ele acionou a Justiça para obter ressarcimento dos gastos hospitalares e indenização por danos morais.

Embora tenha sido condenada em primeira instância, a Copasa recorreu, sustentando que o acidente teria ocorrido por culpa exclusiva da vítima, que, segundo a empresa, não teria adotado os cuidados necessários para evitar o vazamento. O argumento, no entanto, não foi acolhido pelos desembargadores.

Relator do caso, o desembargador Alberto Vilas Boas afirmou que as provas reunidas nos autos demonstram claramente a responsabilidade da concessionária, além do nexo de causalidade entre o rompimento da tubulação e a queda do trabalhador. Ele também afastou a tese de vazamento pré-existente, por falta de comprovação.

O magistrado destacou ainda a gravidade das consequências enfrentadas pela vítima, que é idosa, precisou se submeter a procedimento cirúrgico e ficou afastada do trabalho, o que caracteriza de forma consistente o dano moral indenizável.

Os desembargadores Márcio Idalmo Santos Miranda e Manoel dos Reis Morais acompanharam integralmente o voto do relator. Procurada para comentar o caso, a Copasa informou que não se manifesta sobre processos judiciais em andamento.

Venda da Copasa é aprovada em definitivo na Assembleia

Venda da Copasa é aprovada em definitivo na Assembleia – Foto: reprodução

Após pouco mais de nove horas de obstrução da oposição, a Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) aprovou em definitivo, na noite desta quarta-feira (17/12), o Projeto de Lei (PL) 4.380/2025, que autoriza a venda da Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa). A proposta foi aprovada por 53 votos favoráveis e 19 contrários.

O texto segue agora para sanção do governador Romeu Zema (Novo), autor da proposta, que deve confirmar o aval à medida defendida por ele como meio para captação de recursos na adesão de Minas Gerais ao Programa de Pleno Pagamento das Dívidas dos Estados (Propag). A privatização da Copasa, assim como a desestatização da Cemig e da Gasmig, integra a agenda do governador desde o primeiro mandato.

A deliberação foi precedida por tentativas da oposição de retardar o avanço da pauta. Deputados contrários à privatização apresentaram sucessivos requerimentos e utilizaram o tempo de fala para criticar o projeto. A sessão ocorreu sob protestos de servidores da companhia, que acompanharam a votação das galerias do plenário e manifestaram em gritos de “vergonha” contrariedade à venda da empresa.

Por volta das 13h30, a reunião chegou a ser suspensa após uma questão de ordem apresentada pela deputada Beatriz Cerqueira (PT). A parlamentar questionou a não conferência de quórum solicitada pela oposição, estratégia adotada ao longo da tramitação para tentar surpreender a base governista em momentos em que ela não reuniria os 48 votos mínimos exigidos para a aprovação da matéria.

Protestos

Desde o início da discussão do PL, todos os encontros destinados ao debate do tema foram marcados por protestos de trabalhadores da Copasa, organizados pelo Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Purificação e Distribuição de Água e em Serviços de Esgotos (Sindágua).

Depois da votação do texto principal, o plenário analisaou ainda uma a uma as emendas apresentadas pela oposição. Uma delas propunha ampliar de 18 para 60 meses o período de estabilidade dos trabalhadores da Copasa, já aprovado no primeiro turno.

Os oposicionistas também sugeriram emenda para garantir a realocação dos funcionários da Copanor, subsidiária criada em 2007 para atuar nas regiões Norte e Nordeste do estado, além de assegurar a lotação de servidores em entes municipais. Outra emenda previa que 30% do total arrecadado com a privatização fosse destinado ao Fundo Estadual de Saneamento, a ser criado em até 180 dias após a aprovação da lei.

O bloco Democracia e Luta apresentou ainda duas outras emendas. Uma delas buscava proibir a venda da Copasa para empresas cujos dirigentes tenham tido atuação prévia na companhia. A outra impedia a alienação do controle para empresas que já tenham adquirido mais de 5% das ações da estatal.

Realocação de trabalhadores

O texto aprovado estabelece, entre outros pontos, a manutenção de cláusulas de tarifa social, a obrigatoriedade do cumprimento das metas de universalização do saneamento previstas no Marco Legal do setor e a garantia de estabilidade por 18 meses aos servidores da Copasa. Após esse período, o projeto prevê a possibilidade de realocação dos trabalhadores em outras empresas públicas ou sociedades de economia mista controladas pelo Estado.

Apresentado pelo governador, o PL  estabelece que a Copasa passará a operar no modelo de corporation, o qual nenhum acionista individual concentra poder decisório. A mudança de controle pode ser implantada pelo governo meio da venda de ações ou de um aumento de capital que dilua sua participação acionária. O texto mantém ainda a chamada golden share, ação especial que assegura ao estado o poder de veto em decisões consideradas estratégicas para a companhia.

Para que a venda pudesse ser analisada, a Assembleia precisou, anteriormente, aprovar a extinção do referendo que exigia consulta popular para a privatização de qualquer estatal. A exigência havia sido incluída na Constituição mineira em 2001, durante o governo de Itamar Franco, como reação ao ciclo de privatizações da década de 1990, período em que a então estatal Vale do Rio Doce foi vendida.

A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 24/2023, enviada por Zema dois anos antes de a privatização da Copasa entrar na discussão no âmbito do Propag, foi aprovada pelo quórum mínimo necessário em 5 de novembro. O processo, desde a entrada da PEC na pauta da Assembleia, em 9 de setembro, e a aprovação do projeto de privatização, levou pouco mais de três meses.

De acordo com o governo, a maior parte dos recursos obtidos com a negociação das ações da Copasa será destinada ao financiamento de políticas públicas previstas pelo Propag. A legislação obriga os estados a investirem um percentual entre 0,5% e 2% do valor de suas dívidas em áreas como infraestrutura e ensino profissionalizante. O Executivo também sustenta que a privatização está alinhada ao Marco Legal do Saneamento, que estabeleceu o prazo de 2033 para a universalização dos serviços de água e esgoto no país.

Emendas da AMM

Sugerida pela Associação Mineira de Municípios (AMM), a emenda que garantiria às prefeituras o direito de romper seus contratos com a Copasa em caso de privatização não chegou a ser apreciada em plenário. A proposta não entrou na pauta por falta de acordo com o governo e, para ser analisada, precisaria ter sido aprovada previamente pelo colégio de líderes.

Na véspera da votação definitiva, o presidente da ALMG, Tadeu Martins Leite (MDB), afirmou que, sem consenso entre as lideranças, nenhuma nova emenda seria submetida ao plenário durante a tramitação em segundo turno. “Não há, até o momento, emendas que contemplem o pleito apresentado pela AMM, até porque a apresentação de emendas é prerrogativa exclusiva dos deputados”, declarou.

O consultor jurídico da AMM, Wederson Advincula Siqueira, afirmou que a associação ainda aposta na possibilidade de obter aval do Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCE-MG) para que os municípios possam rescindir os contratos. Uma consulta pública com esse objetivo foi encaminhada recentemente ao TCE-MG, que já convocou uma mesa de negociação para discutir o tema. A primeira reunião para o início dessas tratativas está marcada apenas para fevereiro.

Nas últimas semanas, a AMM passou a atuar de forma mais incisiva no debate público sobre a privatização da Copasa. O presidente da associação e prefeito de Patos de Minas, no Triângulo Mineiro, Luís Eduardo Falcão Ferreira (sem partido), tem afirmado reiteradamente que os municípios não foram convidados a participar das discussões sobre a venda da companhia.

Durante evento realizado na última quinta-feira (11/12), ele criticou a condução do processo pelo governo estadual. “Nós não podemos aceitar que os municípios não sejam ouvidos”, disse. Na ocasião, Falcão voltou a se posicionar contra a renovação antecipada dos contratos com a Copasa antes da conclusão da votação do projeto de lei. “Recomendo a todos os prefeitos que estão recebendo cartilha da Copasa para renovar contrato: não assinem”, afirmou.

Após 7 meses de debates acalorados, ALMG inicia votação final da privatização da Copasa

Após 7 meses de debates acalorados, privatização da Copasa será definida – Foto: Alex de Jesus

Após sete meses de longos e acalorados debates sobre o uso de estatais para pagar dívidas com a União, o projeto que autoriza a privatização da Copasa será votado nesta quarta-feira (17) de forma definitiva no plenário da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG). Os líderes da base governista evitam adotar um discurso de vitória antes da hora, mas a expectativa geral é a de êxito do governo Romeu Zema (Novo), que já planeja a realização do leilão nos primeiros meses do próximo ano.

O deputado Gustavo Valadares (PSD), que atua como um dos principais interlocutores nesse processo, defende que a desestatização da companhia é o grande passo para resolver os problemas de saneamento no estado. “Não há mais espaço para uma gestão estatal que enterra, que atrasa, que traz burocracia e, enfim, que não deixa chegar maior qualidade de vida na porta do cidadão mineiro”, disse.

A proposta do governo para privatizar a Copasa retomou a tramitação em maio, junto com os demais projetos do chamado “Pacote Propag”, defendidos pelo governo como forma de adesão ao programa de renegociação das dívidas do estado com a União, que hoje está próximo de R$ 180 bilhões. Em setembro, após pressões de parlamentares, a administração estadual apresentou um novo projeto com adequações exigidas pela Assembleia; é este texto que será votado amanhã.A oposição já trabalha com o cenário de derrota em plenário, mas faz o discurso deixando claro que “a luta ainda não terminou”. A deputada Beatriz Cerqueira (PT) destaca que a votação em plenário é apenas mais uma etapa e que a judicialização do tema já foi feita com ações para que a Justiça se manifeste sobre o processo.

“Esse projeto tem uma insegurança jurídica tremenda. Temos vários questionamentos ao Judiciário, que estão lá no STF, a fiscalização do próprio Tribunal de Contas do Estado, com todos os problemas que já foram apontados. É preciso frisar algo que a gente destacou muito na tramitação: esse projeto continua sem um estudo técnico”, ressaltou a parlamentar. “Não há segurança jurídica nessa privatização, mesmo que a Assembleia aprove esse projeto”.

Mas, no que depender da vontade do governador, os processos devem ser breves. “No primeiro trimestre (de 2026), esse processo deve estar bem agilizado e, talvez, em março ou abril já tenha condições de ter o leilão”, disse Zema em entrevista a jornalistas na semana passada.

Sem sustos

Uma grande mobilização de parlamentares foi realizada para evitar sustos entre os deputados governistas, que têm maioria na Assembleia, mas precisam de um quórum alto para aprovar o texto. 

A amostra de envolvimento dos parlamentares foi dada ontem, quando o projeto entrou em pauta para discussões. Mesmo estando nos últimos dias antes do início do recesso parlamentar, marcado para 20 de dezembro, e sem outros projetos polêmicos na pauta, a Assembleia registrou 70 deputados presentes. A expectativa é a de que o cenário se repita nesta quarta-feira.

São necessários 48 votos a favor para aprovar o texto. Na votação em primeiro turno, no final de outubro, o governo conseguiu 50 votos favoráveis à privatização, num plenário com 68 presentes. A expectativa para hoje é a de que o governo possa alcançar até 52 votos favoráveis.

Último lance

A aposta final da oposição para tentar “virar votos” são as manifestações recentes vindas do presidente da Associação Mineira de Municípios (AMM), Luís Eduardo Falcão, que tem alertado para o risco que os pequenos municípios correm com a privatização da empresa. Na avaliação da entidade existe o risco de “abandono” dos pequenos municípios que dão prejuízo à empresa.

O problema, de acordo com a vice-presidente da Assembleia, deputada Leninha (PT), é que esse posicionamento chegou tarde demais. “Se tivesse entrado antes, a gente imagina que o resultado teria sido outro”, diz a parlamentar. “A movimentação dos prefeitos e das prefeitas pode colocar em risco também esse plano do Zema e os seus investidores de comprarem a Copasa”, avalia.

Em greve, trabalhadores da Copasa se mobilizam na Assembleia contra PEC do referendo

Em greve, trabalhadores da Copasa se mobilizam na Assembleia contra PEC do referendo – Foto: Letícya Bernadete

Os servidores da Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) iniciam, nesta terça-feira (21/10), uma greve contra a PEC que retira a obrigatoriedade do referendo popular. O texto voltou a tramitar na Assembleia Legislativa, onde o Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Purificação e Distribuição de Água e em Serviços de Esgotos do Estado de Minas Gerais (Sindágua-MG) se reúne para acompanhar a votação na Casa e como ato dentro das mobilizações. A greve acontece até quinta-feira (23/10).

A concentração na Assembleia acontece todos os dias durante a paralisação, por conta das votações envolvendo a PEC. Nesta quarta-feira (22/10), haverá uma audiência pública na Casa para tratar do tema, e a expectativa é que a mobilização reúna entre quatro e seis mil trabalhadores na Assembleia Legislativa.

A categoria questiona a “PEC do referendo”, que retira a obrigatoriedade de consulta popular para privatização da Copasa. O diretor e coordenador de campanha do Sindágua, Milton Costa, destaca que a greve não irá afetar os serviços essenciais prestados pela Copasa, como de abastecimento de água e tratamento de esgoto. Há escala mínima de funcionamento.

“A gente tem que manter um contingente mínimo para que a população não seja afetada, porque a população é a nossa maior interessada nisso tudo”, reforça.

Conforme Costa, a presença na Assembleia vem como uma pressão da categoria para que a PEC do referendo não avance na Casa e, consequentemente, a privatização da estatal seja barrada.

“Nós estamos aqui para lutar e para forçar que os deputados não votem essa PEC, que tira o direito da população de opinar se quer ou não a venda das estatais através do referendo popular.”

O temor da categoria é que a privatização da Copasa possa interferir no serviço prestado, em especial, nas cidades mineiras com Índice de Desenvolvimento Humano menor. Conforme o diretor do Sindágua, a estatal está presente em 640 municípios em Minas Gerais.

“Como o capital privado visa lucro, com certeza as tarifas de água vão aumentar, porque vai ter que ter um investimento para levar a água para a população carente, não vai ser com um subsídio cruzado. A precarização do serviço vai aumentar, o serviço vai ficar pior, porque vai acabar com o serviço de qualidade, com os trabalhadores que têm expertise nisso, porque a contratação do privado visa a economia”, pontua.

O Sindicato Intermunicipal dos Trabalhadores na Indústria Energética de Minas Gerais (Sindieletro-MG) também apoia as mobilizações contra a PEC do referendo. Conforme o coordenador geral da categoria, Emerson Andrada, a mobilização ocorre em defesa das empresas públicas mineiras.

“Onde houve privatização das empresas de água e energia, as tarifas subiram e os serviços pioraram. Nossa luta é pela soberania popular, o direito do povo decidir o futuro das suas empresas públicas”, diz.

Funcionários da Copasa anunciam greve contra privatização

Funcionários da Copasa anunciam greve contra privatização – Foto: reprodução

Os funcionários da Companhia de Saneamento Básico de Minas Gerais (Copasa) marcaram uma greve na próxima semana para protestar contra a privatização da empresa, que tramita na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG).

A mobilização será nos dias 21, 22 e 23 de outubro – entre terça e quinta da próxima semana. No primeiro dia, a Assembleia deve votar, em primeiro turno, a retirada de consulta popular para a privatização da Copasa e de sua subsidiária Copanor, e funcionários vão protestar em frente à Casa, em Belo Horizonte. No interior, servidores vão se manifestar em frente às unidades da companhia.

No dia 22, a ALMG recebe uma audiência pública para discutir a privatização. Conforme Eduardo Pereira, presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Purificação e Distribuição de Água e em Serviços de Esgotos (Sindágua), são esperados cerca de 5 mil manifestantes na Casa, que vão caminhar desde a sede da Copasa, no Bairro Santo Antônio.

A reportagem procurou a Copasa para um posicionamento sobre a mobilização, mas, até a última atualização desta matéria, não obteve retorno. O espaço segue aberto.

Paralisação?

A greve não deve afetar os serviços essenciais da empresa. “A mobilização vai ser fracionada, não vamos interromper o tratamento de água nem o tratamento de esgoto, porque a greve não é contra a população, mas sim contra o governo e parte dos deputados da Assembleia”, explicou o presidente do Sindágua.

Ele defende que a população deve ser consultada para a venda de um bem público. Além disso, diz que a privatização deve trazer ampla demissão de servidores da Copasa e cita os exemplos das alienações da Sabesp, em São Paulo; da Cedae, no Rio de Janeiro; e da Corsan, no Rio Grande do Sul.

“Mas a gente tem uma preocupação maior do que isso. Além da demissão dos trabalhadores, nos preocupamos com a qualidade do serviço. Com a privatização, priorizam-se os centros urbanos e as regiões mais ricas dos municípios. As periferias ficam afetadas e vulneráveis à falta de abastecimento”, disse.

Privatização da Copasa

A retirada de referendo para a privatização de estatais foi pautada pelo governo Romeu Zema pela Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 24 de 2023. A proposição, que ainda previa a retirada do quórum qualificado para alienações, passou por modificações e, caso aprovada com o texto atual, só valerá para a privatização da Copasa e com a manutenção do quórum qualificado.

Já o Projeto de Lei (PL) 4.380/2025, também do governo estadual, trata propriamente da privatização da empresa. A proposta aguarda aprovação na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), mas só deve caminhar após a questão da consulta popular ser resolvida.

Zema pretende usar os recursos obtidos com a alienação da Copasa para amortizar a dívida de Minas Gerais com a União, de R$ 172 bilhões, no âmbito do Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag).

Jornal Folha Regional
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