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Jornal Folha Regional

Orçamento de Minas é aprovado com déficit de R$ 8,6 bilhões

Orçamento de Minas é aprovado com déficit de R$ 8,6 bilhões - Foto: Alexandre Netto
Orçamento de Minas é aprovado com déficit de R$ 8,6 bilhões – Foto: Alexandre Netto

O orçamento de Minas Gerais para 2025 foi aprovado pelos deputados estaduais na manhã desta quarta-feira (18 de dezembro) por 61 votos a favor e 1 contra. A proposta prevê um déficit de R$ 8,6 bilhões, ou seja, o governo mineiro já começa 2025 no vermelho, com previsão de gastar mais do que vai receber ao longo do ano.

A proposta original previa um déficit de R$ 7,1 bilhões, mas em uma reunião realizada na noite desta terça-feira (17 de dezembro), na Comissão de Fiscalização Orçamentária, foi aprovado um substituto que atendeu demandas pontuais e aumentaram os gastos públicos de Minas em R$ 1,5 bilhão, com previsão de despesas maiores com o poder judiciário, Ministério Público, Defensoria Pública e previdência dos militares, além da incorporação de emendas de deputados.

A previsão de receita foi de R$ 126,7 bilhões para R$ 128,9 bilhões e a de despesa de R$ 133,8 bilhões para R$ 137,5 bilhões. Dessa forma, a perspectiva é de um rombo superior ao de R$ 8 bilhões orçado no exercício fiscal de 2024.

O presidente da Assembleia, deputado estadual Tadeu Martins Leite (MDB), comemorou como os debates foram realizados.

De novo

Não é o primeiro ano que Minas Gerais é obrigado a trabalhar com as contas no vermelho. Minas Gerais tem uma dívida de R$ 165 bilhões com a União e a situação de déficit tem sido recorrente. Em 2024, o buraco nas contas do orçamento sancionado pelo governador Romeu Zema (Novo) foi de R$ 8,1 bilhões. 

Havia a expectativa de que, em 2025, esse déficit poderia diminuir, mas mo fim das discussões o texto final terminou com um déficit maior que no ano anterior. 

Gasto com pessoal

O orçamento de Minas Gerais prevê gastos de 51,05% das receitas correntes líquidas, acima do teto de 49% definido pela Lei de Responsabilidade Fiscal.

De acordo com levantamento da Assembleia Legislativa, As despesas com pessoal do Judiciário, de 6,4%, também ultrapassam o limite de 6% definido na LRF. Dessa forma, a despesa total com pessoal equivale a 61,6% da RCL para o exercício, acima do limite de 60%.

Esse limite também foi ultrapassado em 2024, de acordo com relatório do Tesouro Nacional.

Governo Zema projeta gastos maiores e déficit bilionário em 2025

Governo Zema projeta gastos maiores e déficit bilionário em 2025 - Foto: reprodução
Governo Zema projeta gastos maiores e déficit bilionário em 2025 – Foto: reprodução

O Governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), encaminhou à Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), na última terça-feira (15), a proposta de Lei Orçamentária Anual (LOA) – o Projeto de Lei (PL) nº 2.905/2024 –, que estima receitas e despesas do Estado para o próximo ano. Conforme o texto, a gestão prevê um déficit orçamentário para o Estado de R$ 7,1 bilhões. A receita total estimada para 2025 é de R$ 126,7 bilhões.

O Governo de Minas também projeta um aumento de R$ 11,3 bilhões nas despesas públicas em 2025 em relação ao previsto para este ano. Segundo o texto encaminhado aos parlamentares, os gastos são estimados em R$ 133,8 bilhões, ante os R$ 122,4 bilhões estimados para 2024.

Ao justificar o aumento nas despesas previstas para o próximo ano, o governador Romeu Zema destacou que a projeção levou em conta a adesão de Minas Gerais ao Regime de Recuperação Fiscal (RRF). Segundo o governador mineiro, parte significativa do incremento está relacionada ao pagamento de juros e amortização da dívida pública com a União, que deve totalizar R$ 1,1 bilhão no próximo ano.

O governador também atribuiu o aumento nas despesas públicas à elevação dos investimentos obrigatórios nas áreas de saúde, educação e fomento à pesquisa científica. Ainda segundo o texto, os gastos públicos levam em consideração o crescimento da folha de pessoal e garante o pagamento do piso salarial do magistério.

Segundo a estimativa, as despesas com pessoal representarão 51,05% da Receita Corrente Líquida do Estado, percentual acima do limite de 49% estabelecido pela Lei de Responsabilidade Fiscal.

Zema afirmou aos parlamentares que o governo de Minas Gerais enfrenta pouca flexibilidade para reduzir significativamente os gastos públicos porque uma grande parte da receita estadual já está “vinculada” a despesas obrigatórias, como as previstas pela Constituição. No entanto, o governador destaca que, apesar dessa limitação, o governo está se esforçando para alcançar o equilíbrio fiscal.

“Mas é certo que estão sendo envidados todos os esforços no sentido de se atingir o equilíbrio fiscal, o que se reflete na progressiva melhoria dos resultados financeiros de Minas Gerais”, afirma.

Zema também defende um esforço coletivo para melhorar a situação fiscal de Minas Gerais. “É indispensável, para tanto, a participação dos Poderes Legislativo e Judiciário na discussão e aprovação de medidas estruturais, legislativas e administrativas com esse objetivo”, argumenta.

O governador também informou que está em negociações entre os Poderes Executivo e Judiciário para melhorar as condições nas unidades prisionais e reduzir o déficit de vagas. Por conta desse acordo, o governador sinalizou que pode enviar um substitutivo ao Projeto de Lei 2.905/24 para incluir os custos dessa iniciativa.

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