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Jornal Folha Regional

Sistema de pagamentos do governo é invadido, e há suspeita de desvio de recursos

Sistema de pagamentos do governo é invadido, e há suspeita de desvio de recursos – Foto: reprodução

O Sistema Integrado de Administração Financeira (Siafi), do Tesouro Nacional, sofreu um ataque hacker em abril e, supostamente, os invasores teriam conseguido emitir ordens bancárias e desviar recursos da União. A informação é do jornal Folha de S.Paulo.

A Polícia Federal (PF) e a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) investigam o caso e tentam rastrear os suspeitos por trás da invasão.

Investigações indicam que os hackers teriam acessado o Siafi por meio do CPF e da senha do gov.br dos gestores e ordenadores de despesas para utilizar a plataforma de pagamentos.

O Siafi consiste no principal instrumento utilizado para registro, acompanhamento e controle da execução orçamentária, financeira e patrimonial do governo federal.

Ainda de acordo com a Folha, há a suspeita de que os invasores teriam coletado os dados sem autorização por meio de “pesca de senhas” — links falsos para instalar programas mal-intencionados no dispositivo.

Além disso, é possível que essa coleta de senhas e de usuários teria ocorrido durante meses até os criminosos obterem um número significativo de logins para ter acesso à plataforma e colocar o plano em prática.

Segundo informações preliminares, as tentativas de acesso foram identificadas após os hackers usarem o CPF de um gestor para emitir uma ordem bancária via Pix. Esse usuário teria sido o mesmo que fez a liquidação da despesa, o que vai contra as regras de administração financeira federal, que determina que a liquidação e o pagamento precisam ser autorizados por gestores diferentes.

Funcionária é suspeita de desviar mais de R$ 250 mil de instituição social em Poços de Caldas

Casa do Caminho em Poços de Caldas (MG) — Foto: Prefeitura de Poços de Caldas
Casa do Caminho em Poços de Caldas (MG) — Foto: Prefeitura de Poços de Caldas

A Casa do Caminho, em Poços de Caldas (MG), terá pelo menos dois projetos sociais impactados após um suposto desvio de mais de R$ 250 mil que teria sido feito por uma funcionária. O desfalque também afetará uma obra que aconteceria no local. A Polícia Civil investiga o caso.

A instituição trabalha com moradores em situação de vulnerabilidade na Zona Sul. O desfalque na reserva financeira foi descoberto no dia 8 de janeiro, após o banco entrar em contato informando sobre um saldo negativo de mais de R$ 130 mil.

Ao saber da situação, a direção da Casa do Caminho foi até a agência bancária, onde descobriu alguns desvios em diferentes contas, inclusive, de outros bancos. Até então, os extratos apresentados mostravam sempre o saldo positivo.

“[A verba] estava sendo destinada para um projeto que é o nosso muro, que a gente já vem aí há um longo tempo tentando fazer, é uma obra muito cara. […] Então, era uma conta que para nós era sagrado, não saía ali valores para pagamentos de despesas da Casa”, explicou Sandra Marques, coordenadora de projetos da Casa do Caminho.

Atividades suspensas

A Casa do Caminho completa de 40 anos em 2024. A instituição possui diversos projetos, além de convênios com o Estado de Minas Gerais e o município. Por lá, são atendidas mais de 90 crianças e adolescentes, além de 40 pessoas com mais de 50 anos.

Dentre as atividades oferecidas no local, pelo menos duas serão afetadas. Um dos projetos, que atende as pessoas com mais de 50 anos, já foi suspenso.

“Essas atividades, no momento, elas estão paralisadas, até a gente conseguir achar uma saída”, afirmou a coordenadora.

Segundo a Casa, enquanto as apurações estão em andamento, outras ocupações da instituição seguem normalmente. “A gente sabe da importância desse trabalho aqui e a gente entende que ele não pode parar”, completa.

Investigação

Polícia Civil abriu inquérito para apurar o caso. A suspeita é de que uma funcionária, de 33 anos, tenha realizado os desvios desde maio de 2023 até janeiro de 2024.

1ª Delegacia Regional de Polícia Civil de Poços de Caldas — Foto: Júlia Reis/g1
1ª Delegacia Regional de Polícia Civil de Poços de Caldas — Foto: Júlia Reis

Conforme a instituição, a funcionária seria responsável pelas contas e aplicativos bancários. Ela foi questionada e teria dito que não estava conseguindo ter acesso às contas.

Naquele mesmo dia, segunda-feira (8), a mulher deveria fazer o pagamento dos funcionários. Porém, ela foi almoçar e não voltou mais. Quando questionada, informou que não retornaria e pediu demissão.

A Casa do Caminho segue fazendo levantamentos de informações sobre as verbas e as prestações de conta. Os desvios podem chegar a mais de R$ 250 mil.

Grupo desvia R$ 50 milhões em mensalidades de unidade de ensino mineira

A Polícia Federal cumpriu na última terça-feira (8) 28 mandados judicias em Minas Gerais para combater crimes de desvio e lavagem de dinheiro em instituição de ensino e da mantenedora, em Três Corações, no Sul de Minas. A operação J’Adoube apurou que a fundação possuía cerca de 92 milhões em débitos tributários e previdenciários com a União, e grupo desviou R$ 50 milhões.

De acordo com a Polícia Federal, a operação J’Adoube combate crimes de desvio e lavagem de dinheiro da Universidade Vale do Rio Verde (Unincor) e de sua mantenedora, a Fundação Comunitária Tricordiana de Educação (FCTE), com sede em Três Corações.

“As investigações começaram em 2017 e seguiram até 2021. Constatou-se que as empresas de cobranças não direcionavam os valores para a fundação, mas migravam para conta de outras empresas e pessoas dessas empresas. Estima-se que o valor desviado da Unicor chegou a 50 milhões nesse período da investigação”, afirma João Carlos Girotto, delegado da Polícia Federal.

O nome da operação é referência ao termo utilizado no jogo do xadrez que significa “eu arrumo”, para indicar que os investigados, segundo a polícia, criavam empresas para desvio de valores e consequente lavagem de ativos. O grupo teria movimentado R$ 92 milhões.

Esquema

 A polícia informou que os crimes foram cometidos ao longo de mais de três anos de forma premeditada e de acordo com empresas criadas para tal finalidade. Na prática, os responsáveis desviavam valores das mensalidades dos cursos oferecidos, os quais deveriam ingressar nas contas da FCTE para o pagamento de encargos correntes e dívidas.

“A Polícia Federal apurou que a FCTE possuía grande volume de débitos tributários e previdenciários com a União, já vencidos, na monta de cerca de R$ 92 milhões. Além disso, havia também dívidas trabalhistas de processos judiciais com trânsito em julgado, que não foram pagos”, informa João Carlos Girotto. 

Segundo a PF, os investigados devem responder por crimes de lavagem de dinheiro, apropriação indébita e organização criminosa, cujas penas, somadas, podem chegar a 22 anos de reclusão, se condenados.

“O panorama geral detectou que um grupo criminoso, na modalidade empresarial,  assumiu o comando da Unincor em 2017 e, com a utilização de empresas de fachadas, desviou quantia de recursos, que deveriam migrar para os cofres da Unincor, para beneficio próprio. Utilizando operações complexas e sucessivas de remessas de dinheiro a inúmeras contas com o objetivo de apagar a rastreabilidade”, ressalta.

“Essas empresas, duas delas, constataram ser de fachada. A terceira havia sociedade comercial com um dos dirigentes. Foram realizadas diversas diligências, análises documentais e movimentações financeiras”, complementa.

Continua…

 Ainda segundo o delegado, as investigações continuam. “Foi constituída uma empresa específica, cujo os dirigentes eram integrantes da fundação, que se revezavam na gerência e diretoria. Essa pessoa recebia uma quantia significativa e depois direcionava valores para outras pessoas investigadas. Na operação de hoje não encontramos a sede dessa empresa, ou seja, trata-se de mais uma empresa criada para recepcionar valores desviados”, finaliza. 

Ao todo, 28 mandados judicias foram cumpridos hoje (8/3), sendo 16 mandados de busca e apreensão nas cidades mineiras de Varginha, Três Corações, Conceição do Rio Verde, Contagem, Nova Lima e Belo Horizonte, além outras ordens judiciais de apreensão específicas em desfavor de pessoas físicas e jurídicas.  

‘Gestões anteriores’

A Fundação Comunitária Tricordiana de Educação (FCTE) afirmou que a “visita da Polícia Federal” ocorreu “devido a débitos trabalhistas e tributários deixados pelas gestões anteriores, os quais a gestão atual vem, há mais de 10 anos, buscando sanar”, disse, por nota (leia a íntegra abaixo).

“Gostaríamos de tranquilizar toda a comunicado acadêmica e a comunidade em geral. As matrículas neste início de 2022 estão sendo um sucesso, já somamos quase mil novos alunos e nos orgulhamos de continuar a nossa história e nossa missão”, complementou, em trechos do posicionamento.

Nota da FCTE: 

“A FUNDAÇÃO COMUNITÁRIA TRICORDIANA DE EDUCAÇÃO – FCTE, MANTENEDORA DA UNINCOR RECEBEU NESTA MANHÃ A VISITA DA POLÍCIA FEDERAL, CONFORME DIVULGADO NA MÍDIA LOCAL.

A OPERAÇÃO OCORRE DEVIDO A DÉBITOS TRABALHISTAS E TRIBUTÁRIOS DEIXADOS PELAS GESTÕES ANTERIORES, OS QUAIS A GESTÃO ATUAL VEM, HÁ MAIS DE 10 ANOS, BUSCANDO SANAR.

GOSTARÍAMOS DE TRANQUILIZAR TODA A COMUNIDADE ACADÊMICA E A COMUNIDADE EM GERAL, E DIZER QUE A PRESIDÊNCIA DA FCTE E A DIREÇÃO DA UNINCOR ESTÃO À DISPOSIÇÃO DA SOCIEDADE E DA MÍDIA PARA COLABORAR COM QUAISQUER ESCLARECIMENTOS NECESSÁRIOS, POIS PREZAMOS PELA TRANSPARÊNCIA SEMPRE.

A FCTE, UNINCOR E COLÉGIO DE APLICAÇÃO ESTÃO EM EXCELENTE MOMENTO, AS MATRÍCULAS NESTE INÍCIO DE 2022 ESTÃO SENDO UM SUCESSO, JÁ SOMAMOS QUASE MIL NOVOS ALUNOS E NOS ORGULHAMOS DE CONTINUAR A NOSSA HISTÓRIA E NOSSA MISSÃO, QUE SEMPRE FOI REALIZAR SONHOS E FORMAR CONQUISTAS”.

Polícia Civil investiga suspeita de desvio de R$ 520 mil em cooperativa agropecuária de Passos

A Polícia Civil de Passos investiga suspeita de desvio de pelo menos R$ 520 mil de uma cooperativa agropecuária da cidade. Na tarde desta quinta-feira (15) uma operação da polícia cumpriu mandados de busca e apreensão no local e na casa dos investigados. A investigação da Polícia Civil é para apurar possíveis crimes de apropriação indébita, estelionato e associação criminosa.

De acordo com a Polícia Civil, as primeiras apurações apontam que os atuais diretores da Cooperativa Agropecuária do Sudoeste Mineiro (Casmil) teriam negociado com uma indústria de alimentos o repasse de duplicatas da empresa a título de crédito, decorrentes da venda de leite cru. A diretoria, conforme destaca a polícia, teria cedido esses créditos a um fundo de investidores.

Ainda segundo a Polícia Civil, levantamentos apontam que o termo de cessão foi de aproximadamente R$ 526 mil e, depois, a indústria de alimentos pagou os débitos das duplicatas. De acordo com as investigações, a polícia aponta que os gestores teriam recebido indevidamente os valores dos títulos, que não foram repassados em pagamento à cessão firmada anteriormente.

Durante a operação, celulares, computadores e documentos foram recolhidos. Até o momento ninguém foi preso. O delegado regional adjunto Danilo Tobias de Oliveira Fernandes é o responsável pela investigação, assim como o delegado Felipe de Souza Capute.

Fonte: G1.

Operações da Polícia Federal investiga desvios no SUS de mais de R$ 2 milhões

R$ 2 milhões de recursos do Sistema Único de Saúde (SUS) destinados a Santa Casa de Santana de Livramento (RS) é alvo da Operação Sem Misericórdia, da Polícia Federal (PF), deflagrada na manhã dessa quarta-feira (23). A apuração investiga o desvio de verbas públicas a partir de contratos feitos entre a Santa Casa de Misericórdia através da Prefeitura Municipal de Santana do Livramento, e uma instituição responsável pela gestão do hospital durante o período de maio a novembro de 2019.

Nas datas do contrato, a organização subcontratou duas empresas que pertencem ao mesmo grupo criminoso, para executar as atividades de assessoria e consultoria, em valor global acima de R$ 1 milhão, como forma de esclarecer o desvio de recursos feito através de várias transferências bancárias ao longo de todo período, bem como autorizar a contabilização nas companhias de destinos como se as verbas fossem lícitas. As notas fiscais e contratos com empresas de fachada foram adulterados com a finalidade de assegurar as transferências feitas anteriormente sem o adequado lastro contábil.

De acordo com a PF, mais de R$ 1,5 milhão foram repassados para diversas pessoas investigadas, entre eles o diretor da instituição contratada pela prefeitura. Apenas ele, fez no período do contrato saques em espécie que resultaram em mais de R$ 500 mil.

Os agentes realizaram 10 mandados de busca e apreensão. A PF fez o sequestro de bens e bloqueou todas as contas bancárias e cumpriu medidas cautelares, expedidos pela 22° Vara Federal de Porto Alegre.

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