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Jornal Folha Regional

Governo inclui tilápia em lista de espécies invasoras; setor teme impacto econômico

Governo inclui tilápia em lista de espécies invasoras; setor teme impacto econômico – Foto: reprodução

A inclusão da tilápia na Lista Nacional Oficial de Espécies Exóticas Invasoras tem gerado preocupação entre produtores brasileiros, que temem restrições à criação do peixe, uma das atividades mais importantes da aquicultura nacional. A decisão foi tomada pela Comissão Nacional de Biodiversidade (Conabio).

Segundo o portal G1, a tilápia tem sido encontrada em rios e lagos fora das áreas de produção, o que indica desequilíbrios ambientais em alguns ecossistemas. A espécie, originária da bacia do Rio Nilo, é considerada exótica por não ser nativa do Brasil.

Apesar da inclusão na lista, o Ministério do Meio Ambiente (MMA) afirmou que a medida não deve afetar o cultivo comercial da tilápia, atividade que segue autorizada pelo Ibama e tem grande importância econômica para o país.

“Não há, portanto, qualquer proposta ou planejamento para interromper essa atividade”, disse o ministério em nota.

Preocupação entre produtores com possíveis impactos econômicos

A decisão de incluir a tilápia na lista de espécies exóticas invasoras causou apreensão entre criadores e associações do setor aquícola. Produtores temem que a medida abra caminho para futuras restrições ou aumento da burocracia na concessão de licenças ambientais, o que poderia afetar diretamente a produção e o comércio do peixe. A tilápia é atualmente a espécie mais cultivada no Brasil, responsável por mais de 60% da produção de peixes de cultivo no país, segundo dados da Embrapa.

Representantes do setor afirmam que o peixe é essencial para a segurança alimentar e para a economia de diversas regiões, especialmente no Nordeste e no Centro-Oeste, onde gera milhares de empregos diretos e indiretos. A preocupação é de que a classificação como espécie invasora seja interpretada de forma equivocada por órgãos estaduais ou municipais e leve à suspensão de novos empreendimentos.

Entidades ligadas à aquicultura defendem que, em vez de restringir a atividade, o governo deve investir em programas de manejo sustentável e fiscalização adequada para evitar o escape dos peixes para rios e lagos. Para os produtores, a inclusão na lista deve servir como incentivo para aprimorar as práticas ambientais, sem comprometer o desenvolvimento econômico do setor.

A Comissão de Agricultura da Câmara aprovou no último dia 30 um convite à ministra Marina Silva para esclarecer a entrada da tilápia na lista.

O que muda com a inclusão da tilápia na lista

Segundo o MMA, a inclusão da tilápia tem caráter técnico e preventivo. A classificação serve como referência para políticas públicas e ações de controle ambiental, sem impor restrições diretas à produção.

“O reconhecimento de espécies exóticas com potencial de impacto sobre a biodiversidade nativa serve como referência técnica para políticas públicas e ações de prevenção e controle”, explicou o ministério.

A Conabio informou que o objetivo é evitar o escape de peixes de criadouros para rios e reservatórios naturais, onde podem competir com espécies nativas.

Entre as práticas de controle estão a reversão sexual dos peixes — processo que transforma fêmeas em machos por meio de hormônios, impedindo a reprodução em caso de fuga — e o uso de gaiolas em reservatórios ou tanques escavados no solo com barreiras físicas.

A comissão também deve discutir ações de detecção precoce e um plano de resposta nacional para casos de novas invasões biológicas.

A Comissão Nacional de Biodiversidade (Conabio) é formada por onze ministérios, além de representantes do setor produtivo, órgãos ambientais estaduais e municipais e membros da sociedade civil. O colegiado é responsável por formular estratégias de proteção à biodiversidade e uso sustentável dos recursos naturais.

Nova espécie de inseto é descoberta em território mineiro

Nova espécie de inseto é descoberta em território mineiro – Foto: Frederico Falcão

A biodiversidade de Minas Gerais acaba de ganhar mais um capítulo importante com a descoberta de uma nova espécie de inseto no Parque Estadual da Serra do Brigadeiro, na Zona da Mata. Batizada de Guaranyperla puri, a nova espécie pertence à família Gripopterygidae e foi nomeada em homenagem ao povo indígena Puri, tradicional habitante da região onde foi encontrada.

A identificação da nova espécie é resultado de análises morfológicas detalhadas de exemplares coletados no parque, com destaque para os padrões de coloração, a estrutura das asas e, também, a terminália do adulto — o sistema reprodutivo —, que a diferencia de outras espécies conhecidas. O adulto da Guaranyperla puri mede cerca de 12 milímetros, enquanto a ninfa (o estágio imaturo) possui aproximadamente 8 milímetros de comprimento.

Trata-se de um inseto com ciclo de vida peculiar: na fase imatura, a ninfa vive dentro da água, passando por transformações até o momento da muda, quando desenvolve asas, sistema reprodutivo e migra para o ambiente terrestre, iniciando então sua fase adulta. Esse tipo de metamorfose ressalta a complexidade dos ecossistemas aquáticos e terrestres presentes na Serra do Brigadeiro.

A descrição científica da espécie seguiu os critérios da nomenclatura zoológica internacional, consolidando a descoberta como uma importante contribuição para o conhecimento da fauna brasileira.

Para a secretária de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável de Minas Gerais, Marília Melo, a descoberta da nova espécie reforça o papel das unidades de conservação: trazer o desenvolvimento científico a favor da política pública, da preservação ambiental e do entendimento da biodiversidade ampla que temos no estado.

“Continuaremos investindo em pesquisa nas nossas unidades para que isso gere conhecimento em prol do desenvolvimento sustentável e da conservação ambiental em Minas Gerais”, destaca Marília Melo.

O gerente do Parque Estadual da Serra do Brigadeiro, Luís Henrique de Mattos Lopes reforça que a descoberta de novas espécies em áreas protegidas, como o Parque da Serra do Brigadeiro, é essencial para o entendimento dos ecossistemas e suas interações. “Isso pode influenciar diretamente estratégias de conservação, priorizando habitats ameaçados, além de abrir caminhos para inovações na ciência, agricultura e medicina”, afirma.

Guaranyperla puri foi identificada em estudos de doutorado conduzidos pela pesquisadora Mellis Layra Soares Rippel, no Programa de Pós-Graduação em Entomologia da Universidade Federal de Viçosa (UFV), com pesquisas realizadas pelo Laboratório do Museu de Entomologia da instituição. Mellis é uma das autoras do artigo científico sobre a espécie e relembra o momento da descoberta com entusiasmo.

“Quando analisamos os exemplares, tanto do ponto de vista morfológico quanto molecular, percebemos que estávamos diante de uma espécie nova. Isso indica que o parque ainda mantém um grau elevado de preservação ambiental e reforça sua importância científica”, relata Mellis Rippel.

O artigo pode ser acessado clicando aqui.

Refúgio da biodiversidade

Parque Estadual da Serra do Brigadeiro é uma das principais Unidades de Conservação de Minas Gerais. Situado na região da Serra da Mantiqueira, entre os vales do Carangola, Glória e Rio Doce, o parque abriga um mosaico de ecossistemas, incluindo Florestas Atlânticas de encosta e Campos de Altitude.

A área é estratégica para a preservação de nascentes que alimentam duas das maiores bacias hidrográficas do estado: a do Rio Doce e a do Paraíba do Sul.

A Serra é reconhecida por sua riqueza botânica e pela presença de espécies raras, muitas das quais ainda não foram descritas pela ciência.

Nova espécie de inseto é descoberta em território mineiro – Foto: Frederico Falcão
Nova espécie de inseto é descoberta em território mineiro – Foto: Frederico Falcão

Nova espécie de libélula é descoberta em área de proteção no Sul de Minas

Nova espécie de libélula é descoberta em área de proteção no Sul de Minas – Foto: divulgação

Uma nova espécie de libélula acaba de ser descoberta no Sul de Minas Gerais, trazendo à tona a importância ecológica dos insetos e os impactos da altitude sobre a biodiversidade. A identificação da espécie inédita, batizada de Brechmorhoga goncalvensis sp. nov., ocorreu durante uma pesquisa conduzida pelo professor e pesquisador  Marcos Magalhães de Souza, do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Sul de Minas Gerais (IFSULDEMINAS), em áreas de campos de altitude no município de Gonçalves e dentro da Área de Proteção Ambiental (APA) Fernão Dias, unidade de conservação administrada pelo Instituto Estadual de Florestas (IEF).

A nova libélula foi encontrada entre 1.250 e 1.670 metros de altitude, sempre próxima a riachos de águas corrente e em meio à vegetação da mata mista da Mata Atlântica — um bioma que, embora rico em biodiversidade, ainda é pouco explorado do ponto de vista entomológico.
 
A descoberta faz parte do projeto de pesquisa “Ecologia e Diversidade de Insecta (Lepidoptera e Odonata) e Arachnida (Opilione) em Floresta Mista na Área de Proteção Ambiental Fernão Dias”. O estudo tem como objetivos principais o inventário da fauna local de borboletas, libélulas e opiliões, a produção de um acervo fotográfico científico e a análise dos efeitos da altitude sobre a biota da região.
 
Conservação e turismo aliados
 
Para o professor  Marcos Magalhães de Souza, a descoberta da nova espécie não apenas contribui com a ciência, como também pode impulsionar o turismo sustentável. “Essa libélula se torna, simbolicamente, um mascote para o município de Gonçalves. Isso fortalece o valor conservacionista do local e sua atratividade como destino de ecoturismo”, afirma o pesquisador.
 
A pesquisa também reforça o papel das parcerias entre instituições públicas de ensino e pesquisa, sociedade civil e órgãos ambientais na conservação da biodiversidade. “É um exemplo de como o conhecimento científico pode se integrar à gestão das áreas protegidas e ao desenvolvimento sustentável das comunidades locais”, completa.
 
Libélulas: sentinelas dos ecossistemas
 
As libélulas são consideradas bioindicadores ambientais de excelência. Suas ninfas, que vivem na água, são predadoras de outros organismos aquáticos, enquanto os adultos ajudam a controlar populações de insetos em ambientes terrestres. Essas características fazem das libélulas componentes-chave nas cadeias alimentares e na manutenção do equilíbrio ecológico.
 
Apesar de sua importância, os estudos sobre a diversidade e distribuição de libélulas no Brasil ainda são escassos. Por isso, pesquisas como esta são fundamentais para ampliar o conhecimento científico, guiar políticas de conservação e assegurar a proteção de habitats sensíveis como os ambientes de altitude.
 
Com a revelação da Brechmorhoga goncalvensis sp. nov., as montanhas do Sul de Minas se consolidam como um importante refúgio da biodiversidade brasileira — e lembram que ainda há muito a ser descoberto sobre os pequenos grandes habitantes de nossos ecossistemas. Saiba mais neste link.

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