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Jornal Folha Regional

Café do Sul de Minas impulsiona exportações, cresce 41,6% e avança US$ 3 bilhões no ano

Café do Sul de Minas impulsiona exportações, cresce 41,6% e avança US$ 3 bilhões no ano – Foto: reprodução

A recuperação da força exportadora de Minas Gerais em 2025 tem um protagonista bem definido: o café produzido no Sul do estado. Entre janeiro e novembro, o produto apresentou um avanço robusto de 41,6% nas vendas ao exterior, o que representa US$ 3 bilhões a mais que no mesmo período de 2024. Em seguida aparecem o ouro, com incremento de US$ 1,2 bilhão, e as ferro-ligas, que registraram alta de US$ 241,2 milhões.

Municípios tradicionalmente ligados à cafeicultura, como Varginha, Guaxupé, Três Pontas e Alfenas, puxaram o ritmo do setor e recolocaram a região sul-mineira no centro da agenda exportadora estadual. Esse movimento contribuiu diretamente para o desempenho expressivo de novembro.

Exportações em alta e superávit histórico

Com o impulso do café, Minas Gerais acumulou, de janeiro a novembro, US$ 41,4 bilhões exportados, crescimento de 6,4% em relação ao ano anterior. Somente em novembro, o estado alcançou US$ 3,9 bilhões em exportações e se firmou como o segundo maior exportador do país no mês, além de registrar pelo terceiro mês seguido o maior superávit nacional, somando US$ 2,3 bilhões.

No recorte mensal, o café respondeu por 30,4% das vendas mineiras ao exterior, seguido pelos minérios de ferro (26,8%) e pelo ouro (8,2%). Varginha se destacou como o município com maior participação nas exportações de novembro, responsável por 9% do total estadual — desempenho diretamente ligado ao setor cafeeiro. Guaxupé também teve relevância, representando 6% das vendas externas.

A ampliação da presença mineira no comércio internacional também se refletiu na diversificação de destinos: em 2025, Minas passou a exportar para dez novos mercados em comparação com 2024 e apresentou crescimento nas vendas para 105 países, incluindo Canadá, Argentina, Reino Unido, Japão e Itália.

Importações também crescem

No campo das importações, Minas Gerais registrou US$ 17 bilhões entre janeiro e novembro, alta de 9,1% frente ao período anterior. Em novembro, Extrema liderou as compras internacionais, seguida por Betim, Uberaba, Belo Horizonte e Varginha. Entre os produtos mais adquiridos pelo estado estão turborreatores, automóveis, produtos imunológicos e fertilizantes.

Governo de Minas lança guia de exportação para produtores de queijo

Governo de Minas lança guia de exportação para produtores de queijo – Foto: reprodução

Governo de Minas, por meio da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais (Sede-MG), lançou nesta sexta-feira (5/12), o “Guia Abrindo Fronteiras: Oportunidades de Exportação para o Queijo Mineiro”, que visa impulsionar ainda mais a internacionalização do produto. 

O evento de lançamento foi realizado no auditório principal do Instituto de Laticínios Cândido Tostes (ILCT) , em Juiz de Fora. Na ocasião, também foram celebrados os 90 anos do ILCT, instituição vinculada à Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig).

Produzido em parceria com a Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa-MG), o guia contempla desde informações técnicas e regulatórias do queijo até análises de mercados internacionais. 

O documento pode ser acessado no link.

Por meio do Guia, os produtores de queijo e entidades que atuam no setor de laticínios, podem se informar sobre regras dos mercados internacionais, o perfil de consumo de cada país, além de outras informações para facilitar na exportação dos produtos. 

O Superintendente de Atração de Investimentos e Estímulo à Exportação, Gustavo Costa de Souza da Sede-MG, e a diretora de Promoção de Exportações e Comércio Exterior, Laís Ione Araújo Fagundes, participaram do lançamento do guia.

Vendas internacionais de queijo no estado

As exportações de queijos de Minas Gerais, em 2024, totalizaram US$ 7,9 milhões e o estado foi o principal exportador nacional do produto. O produto alcançou 10 mercados, com destaque para os Estados Unidos, Taiwan e Chile. 

Ao todo, 13 municípios mineiros realizaram exportações de queijos, sendo Pará de Minas o principal exportador, seguido de Arapuá, São Vicente de Minas, Moema e Vazante.

Documento alinhado às ações do estado

O guia está ligado à Política de Promoção de Exportações e Comércio Exterior de Minas Gerais, cuja frente de atuação trabalha com a inserção internacional dos setores produtivos mineiros, a identificação de oportunidades de mercado e o apoio qualificado às exportações.

Neste sentido, o documento é importante para expandir a presença do queijo mineiro em novos mercados, dessa forma, aumentando a competitividade mineira em outros países, por meio da valorização global de marcas associadas a regiões específicas no estado, também chamado de regional branding.

Carne, mel, madeira, peixe e mais: as vendas brasileiras já prejudicadas por anúncio de tarifa dos EUA

Carne, mel, madeira, peixe e mais: as vendas brasileiras já prejudicadas por anúncio de tarifa dos EUA – Foto: reprodução

A decisão de Donald Trump de impor tarifas de 50% ao Brasil já prejudica a economia do país, mesmo antes da data prevista, 1º de agosto.

Como as encomendas podem demorar a ser preparadas e transportadas, alguns importadores nos EUA já cancelam, por temerem que cheguem em agosto e sejam taxadas. Em outros casos, os próprios empresários brasileiros estão segurando a produção para evitar o prejuízo.

A incerteza não se restringe aos setores já afetados e já atinge outras regiões e produtos do país, que enxergam na medida uma ameaça à estabilidade econômica local. Da indústria de aviões à lavoura de laranja, a preocupação é grande.

Carne em Mato Grosso do Sul (MS)

Frigoríficos de MS paralisaram a produção de carne destinada aos EUA após o anúncio das tarifas, afirmou o Sindicato das Indústrias de Frios, Carnes e Derivados de Mato Grosso do Sul e o governo do estado.

Ainda segundo o sindicato, pelo menos quatro frigoríficos no estado interromperam a produção voltada ao mercado americano:

  • JBS
  • Naturafrig
  • Minerva Foods
  • Agroindustrial Iguatemi

Depois da China, os Estados Unidos são o maior comprador da carne nacional. O país importa 12% de todo o volume de carne que o Brasil vende para o exterior, enquanto os chineses levam praticamente metade (48%), segundo o Ministério da Agricultura. O preço da carne brasileira era o mais barato do mercado externo até então.

A suspensão das exportações visa evitar formação de estoques e prejuízos imediatos, já que as vendas se tornariam inviáveis economicamente com a tarifa extra de 50%.

Isso não significa que os frigoríficos brasileiros vão colocar mais carne no mercado nacional, é o que afirma Fernando Henrique Iglesias, analista do Safras & Mercados.

“Os frigoríficos vão tentar redirecionar esse produto para o mercado internacional para não gerar um efeito tão negativo. […] A nossa sorte é que tem mais 100 países comprando carne do Brasil”, diz.

Além da carne, o Mato Grosso do Sul também pode enfrentar prejuízos com pescados, uma vez que 99,6% da tilápia produzida no estado é exportada para os Estados Unidos. De acordo com o relatório do Anuário da Piscicultura 2024, da Peixe BR., o estado é o 5º maior produtor de tilápia do país.

Mel no Piauí (PI)

O tarifaço de Trump causou o cancelamento imediato de grandes encomendas de mel orgânico do Piauí ainda no dia 9 de julho, data em que o presidente americano anunciou a decisão.

O Brasil é um dos maiores produtores de mel do mundo. E o Piauí é um dos líderes da produção nacional.

Os compradores temem que o mel chegue aos EUA após a entrada em vigor da nova tarifa, gerando impacto em pelo menos 500 toneladas do produto. A decisão afetou uma das maiores exportadoras do mundo, o Grupo Sama, que compra o produto de pelo menos 12 mil pequenos produtores do Nordeste Brasileiro.

Os Estados Unidos consomem 80% do mel produzido no Brasil. Com o cancelamento, o produto precisa ser armazenado em câmaras refrigeradas, o que gera custos adicionais para as empresas.

Madeira no Paraná (PR)

Devido ao tarifaço de Trump, a indústria madeireira paranaense BrasPine anunciou férias coletivas para 700 funcionários da fábrica de Jaguariaíva, nos Campos Gerais do Paraná.

Os Estados Unidos recebem 42,4% das exportações de madeira do Brasil, sendo um dos principais mercados internacionais do setor paranaense.

De acordo com estimativas da Associação Paranaense de Empresas de Base Florestal (Apre), o Paraná é um dos principais exportadores de produtos de madeira para os Estados Unidos.

O setor madeireiro gera cerca de 400 mil empregos diretos e indiretos no estado, considerando os trabalhadores florestais e os que atuam em indústrias do segmento, aponta a associação.

A madeira está entre os dez produtos mais exportados para os Estados Unidos e já foi alvo de um outro tarifaço de Trump em abril, taxada em 25%.

No Rio Grande do Sul (RS), as exportações de móveis também foram interrompidas nesta quarta.

Pescados do Nordeste (Bahia, Ceará e Pernambuco)

Apenas 24 horas após o anúncio de Trump, empresários norte-americanos suspenderam a compra de pescados brasileiros.

A decisão fez com que pelo menos 58 contêineres de peixes, lagostas e camarões fossem desembarcados de três dos principais portos do Nordeste, os de Salvador (BA), Pecém (CE) e Suape (PE).

O Brasil exporta peixes para os Estados Unidos há mais de cem anos. Segundo o presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Pescados (Abipesca), Eduardo Lobo, 70% das exportações feitas pelo setor têm como destino os EUA, o que torna os produtores vulneráveis.

Pedras (Rochas Naturais) no Espírito Santo (ES)

Compradores dos Estados Unidos suspenderam imediatamente o embarque de rochas naturais do Espírito Santo nesta quarta-feira (16), dias após o anúncio do tarifaço de Trump. O estado é potência no setor de mármore e granito.

Segundo empresas que exportam rochas naturais, os pedidos não foram cancelados, ainda que os norte-americanos tenham pedido a suspensão imediata dos embarques.

O Espírito Santo é líder nacional em exportação de rochas naturais, como granito e mármore, e 82% da receita do setor vêm do estado.

Até junho deste ano, os Estados Unidos compraram, em média, 66% das rochas naturais do Espírito Santo. O governo federal decidiu criar um comitê para ouvir os setores mais atingidos pela tarifa.

Na segunda-feira (14), o governador do Espírito Santo, Renato Casagrande (PSB), se reuniu com o vice-presidente Geraldo Alckmin, que também é ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, pasta que trata da política de exportações do país.

Incerteza geral, mesmo em setores sem vendas canceladas

No Vale do Paraíba, a Embraer estima perdas de até R$ 20 bilhões até 2030 se a tarifa entrar em vigor. Os EUA representam 45% das vendas de jatos comerciais da empresa e 70% dos jatos executivos.

O CEO da companhia, Francisco Gomes Net, alerta para cortes de investimento e até demissões em massa.

No setor de laranja, espalhado por várias regiões do Brasil, o temor é generalizado. O Brasil é líder mundial na exportação de suco de laranja, e a taxação pode comprometer uma cadeia produtiva que emprega cerca de 200 mil pessoas, deixando pequenos produtores mais vulneráveis.

A esperança, segundo empresários do setor, é que a própria indústria americana pressione por um recuo da medida, dado o impacto também para consumidores nos EUA.

O estado de São Paulo deve ser o mais afetado pelas tarifas de Trump. É o que aponta uma pesquisa do Núcleo de Estudos em Modelagem Econômica e Ambiental (Nemea-UFMG). No interior paulista, cidades como Piracicaba e Sorocaba já contabilizam os possíveis efeitos sobre a agroindústria, o setor metalmecânico e a indústria automotiva.

Em Sorocaba, 8,5% de tudo o que se exporta vai para os EUA, e a cidade teme ruptura de contratos e aumento do desemprego. Itapetininga, com forte presença do agronegócio, teme tanto a perda de mercado quanto o aumento dos custos de produção devido à alta do dólar.

No Porto de Santos, por onde escoam 35% das exportações de café para os EUA, o alerta é de queda na movimentação de cargas e perda de até R$ 145 milhões em receita, além de centenas de empregos diretos e indiretos em risco. Já no Sul de Minas e no litoral paulista, o setor cafeeiro também teme uma retração drástica.

O café brasileiro, que hoje paga 10% de tarifa, pode sofrer um aumento de até 400% no imposto, tornando o produto inviável para o mercado americano, principal destino da produção nacional.

Em Pernambuco, a preocupação gira em torno da indústria da cana-de-açúcar, das uvas frescas e das estruturas metálicas, uma vez que os Estados Unidos ocupam o 2º lugar no ranking de compradores dos produtos pernambucanos.

Via: G1

Exportações do agronegócio mantêm Minas Gerais em destaque no cenário global

Exportações do agronegócio mantêm Minas Gerais em destaque no cenário global – Foto: reprodução

Minas Gerais segue como uma das principais potências do agronegócio brasileiro. Entre janeiro e maio de 2025, o estado registrou exportações no valor de US$ 8,4 bilhões, um crescimento expressivo de 24% em relação ao mesmo período de 2024, quando o total alcançou US$ 6,7 bilhões. Apesar de o volume exportado ter recuado 5,2%, somando 6,9 milhões de toneladas, o resultado financeiro revela uma importante valorização dos preços médios internacionais.

“O desempenho das exportações mineiras no agronegócio, especialmente com a forte valorização do café e a diversificação de destinos, demonstra a capacidade de adaptação do setor frente aos desafios logísticos e ao cenário internacional instável. Conseguimos ampliar a receita e abrir novos mercados estratégicos, o que é fundamental para manter a competitividade do estado no comércio global”, avalia a assessora Técnica da Secretaria de Estado de Agricultura (Seapa), Manoela Teixeira. 

Líderes de exportação

O principal motor dessa expansão foi o café, que manteve a liderança nas exportações estaduais. O produto atingiu US$ 4,8 bilhões em vendas externas, o que representa um crescimento de 67,2%. Mesmo com uma queda de 5,5% no volume embarcado, causada por menor oferta interna e gargalos logísticos, os preços praticamente dobraram no mercado internacional, compensando a redução na quantidade exportada.

Outro setor de destaque foi o de carnes, com crescimento de 17,1% em valor, totalizando US$ 680,4 milhões e o volume exportado subiu 7,1%. A carne bovina foi a principal responsável por esse desempenho, com alta de 17,2% em valor e 5,1% em volume. A carne de frango, que respondeu por 23,5% da receita das carnes exportadas, somou US$ 159,7 milhões, com alta de 8,6% no valor e 3,9% no volume.

O complexo soja teve um desempenho misto. As exportações atingiram US$ 1,6 bilhão, um recuo de 9,2% em valor, enquanto o volume permaneceu estável em 4 milhões de toneladas. A queda nos preços da soja foi influenciada pelo aumento global dos estoques e pela redução dos prêmios de exportação. A oferta mundial vem crescendo mais rápido que a demanda, o que pressiona as cotações.

Entre os produtos que mais cresceram estão os ovos, cujas exportações subiram 674,8% em valor, seguidos por produtos apícolas (crescimento de 90,5%), cereais (aumento de 89,4%, com destaque para o milho) e queijos (mais 25,4%). Esses números evidenciam tanto a valorização de preços, quanto a ampliação da presença de Minas Gerais em novos mercados consumidores.

Quedas

Já o setor sucroalcooleiro enfrentou uma retração significativa. As exportações somaram US$ 487,1 milhões, com queda de 35,4% em valor e de 29,7% em volume. O açúcar de cana respondeu por US$ 461,2 milhões (recuo de 36,1%), enquanto o álcool caiu 22,3% em receita. Já os produtos florestais fecharam o período com US$ 465,7 milhões exportados, queda de 3% em valor.

Novos destinos importadores  

A diversificação de destinos também foi um fator-chave para o bom desempenho do agronegócio mineiro. Com perdas nos mercados tradicionais, como China e México, o estado encontrou alternativas e ampliou significativamente suas exportações para países como Rússia (crescimento de 232% em valor e 200% em volume), Iêmen (aumento de 143% e 128%, respectivamente), Líbia (aumento de 77% em valor) e Guiné, que registrou um crescimento expressivo de 1.021% em valor e 653% em volume.

Brasil anuncia abertura de mercado agropecuário para 6 países

Brasil anuncia abertura de mercado agropecuário para 6 países - Foto: reprodução
Brasil anuncia abertura de mercado agropecuário para 6 países – Foto: reprodução

O governo brasileiro concluiu nesta semana dez negociações na área agrícola com seis parceiros comerciais: Bahamas, Camarões, Coreia do Sul, Costa Rica, Japão e Peru.

Segundo o Ministério a Agricultura e Pecuária (Mapa), nas Bahamas, as autoridades locais aprovaram o certificado sanitário para que o Brasil exporte carne bovina, carne suína, carne de aves e seus produtos.

Já em Camarões, foram chanceladas as compras de bois vivos para reprodução e material genético bovino pelo Brasil. De acordo com a pasta, o objetivo é que o acordo permita o fortalecimento da pecuária local, além de oferecer aos produtores brasileiros oportunidades futuras para ampliação de negócios na África.

Para a Coreia do Sul, por sua vez, foi autorizado o embarque de material genético avícola (ovos férteis e pintos de um dia). “[Essa abertura de mercado] reforça a liderança do Brasil nessa área e o reconhecimento internacional sobre a qualidade, a sanidade e a rastreabilidade do plantel brasileiro”, diz o Mapa, em nota.

Na Costa Rica, as autoridades locais autorizaram as exportações brasileiras de grãos secos de destilaria (DDG e DDGS, na sigla em inglês). Trata-se de um subproduto do etanol de milho que constitui fonte valiosa de proteína para alimentação animal.

Já para o Japão, o Brasil passará a exportar óleo de peixe e para o Peru, filé de tilápia refrigerado ou congelado. “Essa abertura poderá ampliar as oportunidades de negócio para a piscicultura brasileira, uma vez que o país andino é grande importador de pescados.”

Exportações de produtos agropecuários atingem 46,8% do total de MG

Exportações de produtos agropecuários atingem 46,8% do total de MG - Foto: reprodução
Exportações de produtos agropecuários atingem 46,8% do total de MG – Foto: reprodução

As exportações do agronegócio de Minas Gerais continuam registrando recordes e mantendo o setor cada vez mais à frente da mineração em termos de vendas para o exterior. No primeiro quadrimestre deste ano, o agro representou 46,8% do total das exportações do estado.

A receita gerada pela comercialização de produtos agropecuários atingiu US$ 6,5 bilhões, com um volume exportado de 5 milhões de toneladas, conforme levantamento organizado pela Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Minas Gerais (Seapa).

Esse resultado consolida o melhor resultado para o período da série histórica, iniciada em 1997. Em comparação com o mesmo período do ano anterior, observou-se um crescimento de 26% na receita, embora o volume tenha registrado uma leve redução de 6,2%.

O governador em exercício, Mateus Simões, destaca que o desempenho do agro demonstra o tamanho do papel do campo no desenvolvimento da economia mineira e do apoio do Governo de Minas ao setor.

“Fechar o primeiro quadrimestre de 2025 com quase 47% do total das exportações vindas do setor agropecuário é um marco muito relevante para o estado, que reforça o papel do campo na geração de emprego, renda e oportunidades”, disse Mateus Simões.

Projeções em 2025

Com base nos dados do primeiro quadrimestre, e considerando o comportamento sazonal e as tendências de preço, Minas Gerais pode encerrar 2025 com exportações entre US$ 19,5 e US$ 20,5 bilhões, o que consolida o estado como um dos maiores pólos agroexportadores do Brasil. 

“Teremos uma melhor estimativa a partir do fechamento do primeiro semestre, em julho. Esse ponto de inflexão do calendário agrícola é decisivo para avaliar o comportamento das culturas durante a entressafra, bem como os impactos de variações climáticas extremas, logística portuária, conflitos geopolíticos e oscilações nos preços de insumos e de fretes internacionais”, detalhou o secretário de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Thales Fernandes.

Minas segue como o terceiro maior estado exportador de produtos agropecuários do Brasil, atrás apenas de Mato Grosso e São Paulo. A produção mineira foi embarcada para 160 países, com destaque para China (23%), Estados Unidos (13%), Alemanha (9%), Itália (6%) e Japão (5%).

Destaques

O café segue como o principal ator das exportações, alcançando US$ 3,9 bilhões em receita e um volume de 10 milhões de sacas comercializadas. Houve um aumento de 70% no valor e redução de 3% no volume, em relação ao quadrimestre do ano anterior. A commodity foi responsável por 60% da receita total do agronegócio mineiro.

A soja, representada pelos grãos, farelo e óleo, registrou receita de US$ 1,1 bilhão e volume de 2,9 milhão de toneladas.

As carnes tiveram aumento de receita e de volume de exportação nas três frentes: bovina, suína e de frango. Ao todo, houve um aumento de 21,4% na receita, totalizando US$ 533 milhões e 158 mil toneladas enviadas para o exterior.

A carne bovina somou US$ 374 milhões e 78 mil toneladas embarcadas, com acréscimos de 19% e 8%, na receita e volume, respectivamente. As vendas de carne suína somaram US$ 24 milhões, com um volume de 11 mil toneladas, sendo que todos os países aumentaram suas compras. O frango totalizou US$ 128 milhões, com um volume de 66 mil toneladas.

Outros produtos

Nesse quadrimestre, os produtos florestais (composto por celulose, papel e madeira) ultrapassaram a receita do complexo sucroalcooleiro e firmaram-se como o quarto principal grupo de produtos exportados do agronegócio.

A receita foi de US$ 339 milhões e volume de 559 mil toneladas. A mudança se deu pela retração dos produtos sucroalcooleiros no período, com queda de 42,5% na receita e de 38% no volume embarcado, totalizando US$ 334 milhões e 711 mil toneladas. 

Gripe aviária: exportação de frango do Brasil está suspensa para 16 países e União Europeia

Gripe aviária: exportação de frango do Brasil está suspensa para 16 países e União Europeia - Foto: reprodução
Gripe aviária: exportação de frango do Brasil está suspensa para 16 países e União Europeia – Foto: reprodução

As exportações de frango e derivados do Brasil estão suspensas para 16 países e a União Europeia após a confirmação de foco da gripe aviária em uma granja comercial no Rio Grande do Sul. A informação foi divulgada pelo Ministério da Agricultura e Pecuária nesta segunda-feira (19/5) após entrevista coletiva na qual disse que três dos sete outros casos suspeitos da doença no país foram descartados.

Na lista estão países que suspenderam todas as importações da categoria de origem brasileira e os que tiveram as certificações das exportações interrompidas pelo Brasil, conforme previsto em acordos sanitários.

Países como México, Coreia do Sul, Chile, Canadá, Uruguai, Malásia e Argentina pediram a suspensão da importação da carne de aves de todo o Brasil. Já para China, União Europeia (que soma 27 países), África do Sul, Rússia, Peru, República Dominicana, Bolívia, Marrocos, Paquistão e Sri Lanka a suspensão para todo o território nacional foi aplicada em atendimento aos requisitos sanitários em protocolos assinados com esses países parceiros.

Cuba, Bahrein e Reino Unido paralisaram a importação somente do estado do Rio Grande do Sul. Segundo o ministério, diversos outros países aplicam a restrição apenas à área afetada, em Montenegro (RS), o que não gera impactos comerciais porque não há estabelecimentos exportadores localizados no raio do foco. É o caso de territórios como Singapura, Filipinas, Jordânia, Hong Kong, Índia, Paraguai e Vietnã. Ao todo, o Brasil exporta frango para cerca de 160 países.

Gripe aviária abre portas para exportação de ovos mineiros aos EUA

Gripe aviária abre portas para exportação de ovos mineiros aos EUA - Foto: reprodução
Gripe aviária abre portas para exportação de ovos mineiros aos EUA – Foto: reprodução

No balanço das exportações do agronegócio mineiro em março deste ano, um dado em especial chama a atenção: o crescimento notável das vendas para o exterior de ovos de galinha, especialmente para os Estados Unidos. O que está por trás das características é o surto de Influenza Aviária que atingiu as aves americanas e gerou um efeito cascata que mostrou uma excelente oportunidade para as vendas brasileiras – e Minas Gerais é um grande protagonista nesse cenário.

Os Estados Unidos são o segundo maior produtor global de ovos. No entanto, com a doença, eles precisaram abater os rebanhos de aves, o que gerou uma maior necessidade de importar o alimento. O país viu no Brasil um fornecedor para sua demanda por ovos e países que tradicionalmente compravam dos americanos, como México e Canadá, também vieram em busca dos produtos brasileiros. “Isso é uma janela de oportunidade para Minas Gerais”, explica a assessora técnica do Programa AgroExporta, da Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Minas Gerais (SEAPA), Manoela Oliveira.

Excelência mineira

Segundo ela, o crescimento da demanda americana por ovos beneficia todo o país, mas há dois polos avícolas em Minas que saem na frente. A região de Montes Claros, no Norte do estado, se destaca pela posição logística privilegiada, realizada como um “hub” para outras regiões; e o sul de Minas, com destaque para o município de Pouso Alegre, que surge como um núcleo tecnológico da avicultura. O Sul também conta com cooperativas grandes e bem estruturadas, e o fato de estar próximo a São Paulo e de centros de pesquisas de genética avícola fazem com que essa área responda por um percentual alto da produtividade no estado, combinando uma escala industrial com o acesso a mercados de consumidores.

“Minas Gerais conta com um rebanho de postura de cerca de 21 milhões de cabeças, ou seja, 8% do efetivo nacional. Temos uma cadeia produtiva altamente tecnificada e o perfil dos produtores rurais é um perfil de qualificação. Temos também um sistema de defesa sanitária reconhecido, executado pelo Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA)”. Além disso, Minas responde por 7% dos ovos produzidos no Brasil, cerca de 431 milhões de dúzias por ano. Esses pontos, somados ao crescimento de 266% no valor exportado só neste primeiro trimestre, mostram que a demanda está sendo redirecionada para Minas Gerais, completa a avaliadora.

Apesar da alta demanda pelo produto, as análises da Secretaria de Agricultura revelam que não há risco de desabastecimento. O quantitativo de ovos para exportação representa apenas 1% da produção total de Minas, o que deixa 99% para atender ao mercado interno. “Não há risco nem a curto, nem a médio prazo de desabastecimento, porque essa proporção cria uma reserva de segurança. Para causar um impacto significativo na disponibilidade doméstica, teria que haver um aumento muito súbito e expressivo da demanda internacional, e os preços no mercado externo contêm que aumentam significativamente, além de ter uma capacidade ociosa das granjas mineiras, que não é o que ocorre”, especifica Manoela.

Perspectivas

Os números atuais mostram uma trajetória ascendente na exportação de ovos, embora haja outras variações mais complexas. “Ainda é cedo para essa estimativa devido às dinâmicas mercadológicas de exportações, mas já é possível inferir que estamos exportando praticamente o dobro do ano passado para esse mesmo período – no primeiro trimestre nós fechamos com US$ 4 milhões em receita e 2 mil toneladas em volume. Para o próximo trimestre, devemos alcançar cerca de US$ 8 milhões em vendas e pouco mais de 4 mil toneladas de ovos para exportação”, conclui Manoela.

Bloqueio da China a três exportadores dos EUA pode favorecer a soja brasileira

Bloqueio da China a três exportadores dos EUA pode favorecer a soja brasileira - Foto: reprodução
Bloqueio da China a três exportadores dos EUA pode favorecer a soja brasileira – Foto: reprodução

Em resposta ao tarifaço de 20% imposto pelos Estados Unidos, a China intensificou as retaliações na última terça-feira (4), suspendendo as licenças de importação de soja de três fornecedores americanos e interrompendo a compra de madeira serrada do seu principal parceiro comercial. A disputa acirra a concorrência pelo abastecimento do maior mercado importador de alimentos do mundo, onde o Brasil pode ampliar sua vantagem.

Especialistas do agronegócio preveem reação imediata do mercado global. Os contratos futuros de commodities como soja, milho e trigo devem registrar novas quedas na Bolsa de Chicago, enquanto o Brasil se consolida como alternativa para atender parte da demanda chinesa. Com a perda de competitividade dos EUA, os preços pagos aos exportadores brasileiros tendem a subir, beneficiando produtores e comerciantes.

Além das tarifas mais altas, a suspensão de três exportadores americanos de soja – CHS Inc., Louis Dreyfus Company Grains Merchandising LLC e EGT – deve restringir ainda mais o fornecimento da oleaginosa para a China. Segundo o departamento de alfândega chinês, as cargas apresentavam problemas nas sementes, enquanto a interrupção das importações de madeira dos EUA foi atribuída à presença de pragas e vermes.

As medidas de Pequim são uma retaliação direta à decisão do presidente Donald Trump de dobrar a tarifa de importação da China de 10% para 20%. No mesmo dia, os EUA também impuseram um tarifaço de 25% sobre importações do Canadá e México, alegando falta de cooperação desses países no combate ao tráfico de drogas sintéticas.

Brasil já tem ampla vantagem sobre os EUA na exportação de soja para a China

O Brasil, maior exportador global de soja, vendeu 69 milhões de toneladas do grão para a China em 2024, totalizando R$ 175 bilhões. As tensões comerciais entre Pequim e Washington fortalecem essa relação, já que o Brasil oferece preços mais competitivos.

Em contrapartida, as exportações americanas de soja para a China somaram ano passado 22,13 milhões de toneladas, queda de 5,7% em relação ao ano anterior. Apesar disso, a China atingiu recorde de 105,03 milhões de toneladas de soja importadas em 2024, volume 6,5% maior do que no ano anterior.

Cerca de metade das exportações americanas de soja têm a China como destino, movimentando US$ 12,8 bilhões em 2024, segundo o US Census Bureau. A suspensão da madeira serrada ocorre também como resposta à decisão de Trump, em 1º de março, de investigar a importação desse produto, sinalizando a possibilidade de tarifas de 25%.

Exportadores de carnes veem oportunidade, mas evitam fazer projeções

A retaliação chinesa sobre produtos agrícolas americanos, como soja, algodão, milho e carnes, pode abrir espaço para o agronegócio brasileiro. No entanto, segundo reportagem do O Estado de S. Paulo, produtores e exportadores mantêm cautela. O presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Ricardo Santin, ressalta que ainda é cedo para medir impactos, embora o Brasil seja alternativa mais competitiva.

Em 2023, a China importou 562,2 mil toneladas de carne de frango e 241 mil toneladas de carne suína do Brasil, volumes 17,6% e 38% menores que no ano anterior. O país asiático continua sendo o principal destino da carne de frango brasileira e o segundo maior para a carne suína. No momento, porém, há restrições pontuais a algumas unidades frigoríficas brasileiras.

Exportações do agro em Minas somam US$ 17,1 bilhões em 2024, melhor resultado desde 1997

Exportações do agro em Minas somam US$ 17,1 bilhões em 2024, melhor resultado desde 1997 - Foto: reprodução
Exportações do agro em Minas somam US$ 17,1 bilhões em 2024, melhor resultado desde 1997 – Foto: reprodução

As exportações do agronegócio mineiro alcançaram o valor recorde de US$ 17,1 bilhões em 2024. O resultado foi o melhor das vendas externas dos produtos com origem no campo desde 1997. O desempenho superou em 2,5% a receita da mineração, segmento tradicionalmente dominante das exportações do estado, que alcançou US$ 15,7 bilhões no ano passado.

No acumulado de janeiro a dezembro, a receita teve acréscimo de 19,2%, na comparação com o mesmo período de 2023. Os embarques de produtos agropecuários de Minas Gerais representaram cerca de 42% da pauta mineira de exportação, conforme balanço divulgado pelo governo do estado.

Além do valor, o volume cresceu 8%, com o embarque de 17 milhões de toneladas, também se destacando como o maior já comercializado, de acordo com o Executivo. No ranking nacional dos estados exportadores de produtos agropecuários, Minas Gerais subiu uma posição e agora ocupa o quarto lugar, ultrapassando o Rio Grande do Sul.

Em relação ao comércio com a União Europeia, o estado foi o principal fornecedor de produtos do agro, contabilizando US$ 4,4 bilhões de dólares, superando o estado de São Paulo. A pauta exportada pelo agronegócio mineiro engloba um mix de 644 diferentes produtos agropecuários, que foram enviados para 175 países.

Os principais destinos foram a China (US$ 4,1 bilhões), Estados Unidos (US$ 1,9 bilhão), Alemanha (US$ 1,4 bilhão), Bélgica (US$ 788 milhões) e Itália (US$ 726 milhões).

Café segue tradição
O café manteve a escrita e foi o carro-chefe das exportações do agro mineiro. A valorização do dólar e a redução dos estoques dos principais países produtores puxaram para cima a cotação na bolsa, influenciando o cenário de comercialização.

Em 2024, o café registrou seu melhor desempenho em receita e volume embarcados com US$ 7,9 bilhões e 31 milhões de sacas. A commodity representou 46,1% do total comercializado no ano passado, afirmou o governo.

Outras culturas

O complexo soja (grão, farelo e óleo) registrou queda de 10,2% na receita e aumento de 7,1% no volume. O resultado foi de US$ 3,2 bilhões e 7,2 milhões de toneladas. O complexo sucroalcooleiro manteve-se na terceira posição, entre os principais produtos do agro, com a marca de US$ 2,5 bilhões e 5,2 milhões de toneladas.

No caso das carnes, todas as proteínas – bovina, frango e suína – obtiveram crescimento em receita e volume. O setor alcançou US$ 1,7 bilhão e 502 mil toneladas. Já no setor florestal, o setor atingiu o recorde em receita de US$ 1,1 bilhão e 1,7 milhão de toneladas.

Jornal Folha Regional
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