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Jornal Folha Regional

Prefeitura assume estrutura física do Hospital Gedor Silveira, em São Sebastião do Paraíso

Prefeitura assume estrutura física do Hospital Gedor Silveira, em São Sebastião do Paraíso – Foto: divulgação

Em um marco histórico para São Sebastião do Paraíso, foi assinado na manhã desta sexta-feira, na sede da 5ª Promotoria de Justiça do Ministério Público de Minas Gerais, o Acordo de Cooperação que permitirá ao Município assumir a estrutura física do antigo Hospital Gedor Silveira, viabilizando a implantação de unidades e serviços públicos nas áreas da saúde, educação, assistência social e administração municipal. O acordo foi resultado de um amplo processo de diálogo e construção conjunta entre o Ministério Público, a Fundação Gedor Silveira e da Prefeitura de São Sebastião do Paraíso.

A assinatura do documento contou com a presença da titular da 5ª Promotoria de Justiça de Minas Gerais, a promotora Manuella de Oliveira Nunes Maranhão Ayres Ferreira; do prefeito Marcelo de Morais; do procurador-geral do Município, José Henrique de Caldas Pádua; do presidente da Câmara Municipal, Lisandro José Monteiro, acompanhado dos vereadores; e do provedor da Fundação Gedor Silveira, Fernando Montans Alvarenga.

Durante a reunião, o prefeito Marcelo Morais ressaltou que a construção do acordo foi resultado de meses de diálogo e articulação entre as partes envolvidas, com o objetivo de encontrar uma solução definitiva para uma situação que se prolongava há anos. Para ele, a iniciativa garante segurança aos trabalhadores e credores da instituição, que se viu forçado a fechar as portas em decorrência da política antimanicomial, além de abrir caminho para a ampliação dos serviços públicos oferecidos à população.

A proposta construída pelo município prevê a transformação do espaço em um grande complexo de saúde e assistência social. Entre os serviços planejados para o local estão a Secretaria Municipal de Saúde, o Ambulatório Municipal de Especialidades, o Centro de Convivência do Idoso, atendimentos de fisioterapia e outros equipamentos públicos que serão implantados gradativamente. A ampla estrutura permitirá concentrar diversos serviços em um único endereço, facilitando o acesso da população e tornando o atendimento mais eficiente.

Prefeitura assume estrutura física do Hospital Gedor Silveira, em São Sebastião do Paraíso – Foto: divulgação

O prefeito informou ainda que, após a formalização dos procedimentos jurídicos e administrativos, o município passará a assumir oficialmente a posse do imóvel. “Hoje foi a etapa oficial para viabilizar a desapropriação do local e cumprir o acordo firmado. Agora iniciaremos o planejamento para adequar a estrutura e fazer com que os serviços funcionem da forma mais rápida possível”, destacou. Segundo Marcelo Morais, a centralização dos atendimentos proporcionará mais comodidade aos cidadãos e maior eficiência à gestão pública. “Nossa intenção é aproximar ainda mais os serviços da população. Quando concentramos atendimentos em um mesmo espaço, facilitamos a vida do cidadão e melhoramos a eficiência da administração municipal”, afirmou.

Embora o prédio demande adequações e reformas para receber os novos serviços, o prefeito demonstrou confiança na execução do projeto. Parte das intervenções deverá ser realizada com equipes da própria Prefeitura, enquanto outras dependerão dos processos licitatórios necessários. A expectativa é que as primeiras estruturas comecem a funcionar nos próximos meses. “Já fizemos uma avaliação técnica do prédio e sabemos que existe muito trabalho pela frente. Mas acreditamos que, em um prazo de seis meses a um ano, grande parte dos serviços estará implantada e em pleno funcionamento”, concluiu.

Durante sua fala, a promotora Manuella ressaltou ainda que a atuação do Município foi fundamental para evitar consequências ainda mais graves. A promotora destacou que a Prefeitura não possuía obrigação legal de intervir na situação da Fundação, mas reconheceu que a participação do Executivo foi decisiva para a construção da solução.

Com a assinatura do acordo, São Sebastião do Paraíso avança em um processo que permitirá a ampliação da estrutura pública municipal, garantindo melhores condições para a implantação de serviços de saúde, educação e atendimento à população, consolidando uma solução construída com responsabilidade, segurança jurídica e compromisso com o interesse coletivo.

Prefeitura assume estrutura física do Hospital Gedor Silveira, em São Sebastião do Paraíso – Foto: divulgação
Prefeitura assume estrutura física do Hospital Gedor Silveira, em São Sebastião do Paraíso – Foto: divulgação

Hospital psiquiátrico Gedor Silveira encerra atendimentos após decisão judicial em São Sebastião do Paraíso

Hospital psiquiátrico Gedor Silveira encerra atendimentos após decisão judicial em São Sebastião do Paraíso – Foto: reprodução

O encerramento das atividades psiquiátricas do Hospital Gedor Silveira, em São Sebastião do Paraíso, marca o fim de um serviço que por décadas foi referência no Sul de Minas. A unidade deixou de atender após decisão judicial que determinou o fechamento de instituições desse tipo. O último paciente recebeu alta em 30 de abril, encerrando um ciclo de mais de 60 anos de funcionamento.

Com a descontinuidade dos atendimentos, a Fundação Gedor Silveira agora busca समाधान para cerca de 150 funcionários que atuavam no hospital. As discussões ocorrem em conjunto com o Ministério Público e envolvem alternativas para absorção ou desligamento dos trabalhadores.

Ao longo de sua trajetória, o hospital chegou a ser considerado o maior do estado na área psiquiátrica, oferecendo atendimento gratuito a pacientes vindos de mais de 150 municípios. Entre os serviços prestados estavam tratamentos para transtornos mentais e dependência de álcool e outras drogas.

A origem do fechamento remonta a uma ação movida pelo Ministério Público em 2020, acatada pela Justiça Federal. A atual gestão da fundação, que assumiu em 2023, afirma que promoveu adequações estruturais e operacionais com o objetivo de manter o funcionamento da unidade. Segundo a direção, foram feitas tentativas de diálogo com órgãos públicos nas esferas federal e estadual, mas não houve retorno favorável nem visitas técnicas para avaliação das melhorias realizadas.

Ainda de acordo com a fundação, representantes estiveram em Brasília, no Ministério da Saúde, e também na Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais, onde teriam sido informados de que a região dependia excessivamente do hospital, o que teria dificultado o desenvolvimento de uma rede alternativa de atenção psicossocial.

A direção também questiona a capacidade da rede pública em absorver os pacientes antes atendidos na instituição. A avaliação é de que faltam estrutura, equipes especializadas e leitos adequados para garantir acompanhamento contínuo e reintegração social. Um caso recente foi citado como exemplo: um paciente em surto teria causado danos dentro de casa, sendo posteriormente detido e encaminhado a uma delegacia, situação apontada como reflexo da ausência de suporte adequado.

Diante do novo cenário, a Fundação Gedor Silveira iniciou tratativas com a Prefeitura local para discutir o futuro da estrutura física do hospital. A proposta inclui a possibilidade de negociação dos prédios e a criação de um modelo municipal de atendimento em saúde mental, voltado ao menos para a microrregião.

Até o momento, o Ministério Público não se manifestou oficialmente sobre o encerramento das atividades.

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