
O encerramento das atividades psiquiátricas do Hospital Gedor Silveira, em São Sebastião do Paraíso, marca o fim de um serviço que por décadas foi referência no Sul de Minas. A unidade deixou de atender após decisão judicial que determinou o fechamento de instituições desse tipo. O último paciente recebeu alta em 30 de abril, encerrando um ciclo de mais de 60 anos de funcionamento.
Com a descontinuidade dos atendimentos, a Fundação Gedor Silveira agora busca समाधान para cerca de 150 funcionários que atuavam no hospital. As discussões ocorrem em conjunto com o Ministério Público e envolvem alternativas para absorção ou desligamento dos trabalhadores.
Ao longo de sua trajetória, o hospital chegou a ser considerado o maior do estado na área psiquiátrica, oferecendo atendimento gratuito a pacientes vindos de mais de 150 municípios. Entre os serviços prestados estavam tratamentos para transtornos mentais e dependência de álcool e outras drogas.
A origem do fechamento remonta a uma ação movida pelo Ministério Público em 2020, acatada pela Justiça Federal. A atual gestão da fundação, que assumiu em 2023, afirma que promoveu adequações estruturais e operacionais com o objetivo de manter o funcionamento da unidade. Segundo a direção, foram feitas tentativas de diálogo com órgãos públicos nas esferas federal e estadual, mas não houve retorno favorável nem visitas técnicas para avaliação das melhorias realizadas.
Ainda de acordo com a fundação, representantes estiveram em Brasília, no Ministério da Saúde, e também na Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais, onde teriam sido informados de que a região dependia excessivamente do hospital, o que teria dificultado o desenvolvimento de uma rede alternativa de atenção psicossocial.
A direção também questiona a capacidade da rede pública em absorver os pacientes antes atendidos na instituição. A avaliação é de que faltam estrutura, equipes especializadas e leitos adequados para garantir acompanhamento contínuo e reintegração social. Um caso recente foi citado como exemplo: um paciente em surto teria causado danos dentro de casa, sendo posteriormente detido e encaminhado a uma delegacia, situação apontada como reflexo da ausência de suporte adequado.
Diante do novo cenário, a Fundação Gedor Silveira iniciou tratativas com a Prefeitura local para discutir o futuro da estrutura física do hospital. A proposta inclui a possibilidade de negociação dos prédios e a criação de um modelo municipal de atendimento em saúde mental, voltado ao menos para a microrregião.
Até o momento, o Ministério Público não se manifestou oficialmente sobre o encerramento das atividades.