Jornal Folha Regional

Anvisa aprova medicamento não hormonal contra sintomas da menopausa

Anvisa autoriza novo medicamento para menopausa sem uso de hormônios – Foto: reprodução

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou um novo tratamento para os sintomas vasomotores da menopausa, como ondas de calor e suores noturnos. A novidade é que o medicamento, chamado fezolinetanto, é o primeiro desenvolvido especificamente para essa finalidade sem utilizar hormônios.

O produto será comercializado no Brasil pela farmacêutica Astellas sob o nome Veoza e será disponibilizado em comprimidos de uso diário.

A aprovação representa uma nova possibilidade terapêutica para mulheres que não podem fazer reposição hormonal ou que optam por não utilizar esse tipo de tratamento. Entre os casos mais comuns estão pacientes com histórico de câncer de mama, contraindicações cardiovasculares ou simplesmente aquelas que preferem alternativas não hormonais.

Como o medicamento funciona

Diferentemente da terapia hormonal, que busca compensar a redução dos níveis de estrogênio, o fezolinetanto atua diretamente em um mecanismo cerebral relacionado ao surgimento dos fogachos.

No organismo feminino, o hipotálamo — região do cérebro responsável pelo controle da temperatura corporal — funciona como um verdadeiro termostato. Antes da menopausa, os hormônios estrogênicos ajudam a manter o equilíbrio de uma substância chamada neurocinina B, que participa da regulação térmica.

Com a diminuição da produção de estrogênio pelos ovários, esse equilíbrio é alterado. A neurocinina B passa a estimular excessivamente determinados neurônios do hipotálamo, provocando sinais equivocados de aumento de temperatura. Como consequência, surgem as ondas de calor repentinas, vermelhidão na pele e episódios de suor intenso, especialmente durante a noite.

O fezolinetanto bloqueia justamente o receptor utilizado pela neurocinina B para agir nesses neurônios. Ao impedir essa ligação, o medicamento ajuda a estabilizar o controle da temperatura corporal, reduzindo a frequência e a intensidade dos sintomas.

Quando o remédio estará disponível?

Embora tenha recebido aprovação da Anvisa na última segunda-feira (22), o medicamento ainda não pode ser comercializado imediatamente no país.

Antes de chegar às farmácias, o produto precisa passar pela análise da Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED), órgão responsável por definir o preço de venda ao consumidor. Até o momento, não há previsão para a conclusão dessa etapa nem para o início da comercialização no Brasil.