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Jornal Folha Regional

Mais de 100 adolescentes que abandonaram escola para jornadas exaustivas em fábricas de calçados são resgatados em MG

Mais de 100 menores que abandonaram escola para jornadas exaustivas em fábricas de calçados são resgatados em MG – Foto: Auditoria Fiscal do Trabalho/Divulgação

Uma operação da Auditoria Fiscal do Trabalho (AFT) revelou um cenário alarmante em fábricas de calçados de Nova Serrana e Perdigão, no Centro-Oeste de Minas Gerais. Entre 22 e 26 de setembro, fiscais constataram que 65 dos 68 estabelecimentos vistoriados utilizavam mão de obra infantil em condições ilegais e insalubres. Ao todo, 107 menores foram afastados das atividades.

Entre os casos identificados, chamou a atenção o de um garoto de 16 anos, que trabalhava das 7h às 17h após ter deixado os estudos há três anos. Também foi encontrada uma adolescente de 15 anos que, há dois anos fora da escola, operava uma prensa pneumática.

De acordo com o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), 23% dos adolescentes resgatados não frequentavam a escola, enquanto 12% se recusaram a informar a situação educacional. Os fiscais destacaram que a maioria apresentava defasagem escolar ou havia abandonado os estudos.

Além da evasão, o trabalho nas fábricas expunha os menores a riscos severos: vapores tóxicos de cola, contato com produtos químicos, ruídos acima do permitido e atividades repetitivas. “A cena revelava mais do que uma infração trabalhista; mostrava uma infância interrompida, em que o tempo que deveria ser dedicado ao estudo e ao lazer foi tomado pelo odor tóxico da cola e pelo trabalho repetitivo”, descreveu a auditora Ísis Freitas Oliveira.

A legislação brasileira é clara: o trabalho é proibido para menores de 16 anos, salvo na condição de aprendiz entre 14 e 15 anos, com vínculo garantido à escola e à capacitação profissional. Já para adolescentes de 16 e 17 anos, a lei permite o emprego apenas em funções que não ofereçam riscos à saúde e à segurança — o que não se verificava nos locais fiscalizados.

Com a operação, uma criança de 11 anos e todos os adolescentes com menos de 16 anos foram retirados imediatamente das atividades. Já os jovens de 16 e 17 anos foram remanejados para funções permitidas. Todos deverão receber as verbas rescisórias, e as empresas flagradas — que não tiveram os nomes divulgados — serão autuadas pelo MTE.

Para evitar novas ocorrências, os adolescentes serão encaminhados à rede de proteção social e a programas de aprendizagem. O MTE também propôs que empresas da região firmem Termo de Compromisso para a abertura de vagas no Senai destinadas a jovens em situação de vulnerabilidade.

Mais de 100 menores que abandonaram escola para jornadas exaustivas em fábricas de calçados são resgatados em MG – Foto: Auditoria Fiscal do Trabalho/Divulgação

Vídeo: PM apreende menores após tentativa de furto de motocicleta em Passos

Na última terça-feira (22), uma câmera de monitoramento flagrou o momento que dois indivíduos tentaram furtar uma motocicleta, na Avenida Chico Xavier, em Passos (MG).

As imagens mostram quando os homens chegam em uma motocicleta Honda CG 160 2018. O condutor permanece no veículo, o garupa desce e tenta furtar uma moto estacionada na via.

A Polícia Militar foi acionada, e através das imagens conseguiu identificar os suspeitos. Ambos já haviam furtado uma motocicleta Honda CG 160 2021 em frente à Escola Polivalente.

Após buscas, os militares conseguiram localizar a dupla, de 17 e 16 anos. Eles foram conduzidos à delegacia para os procedimentos legais.

Tráfico lidera entre crimes praticados por menores em Passos

Tráfico lidera entre crimes praticados por menores em Passos - Foto: reprodução
Tráfico lidera entre crimes praticados por menores em Passos – Foto: reprodução

Os menores de idade estivem envolvidos em 41,61% das 137 ocorrências de tráfico de drogas registradas em Passos entre janeiro e setembro deste ano. O tráfico de entorpecentes é o principal crime cometido por adolescentes no município.

De acordo com o comandante da 77ª Companhia de Polícia Militar, capitão Diogo da Silva Rosa, até setembro deste ano foram 57 apreensões de menores por envolvimento no tráfico de entorpecentes e 80 prisões de pessoas com 18 anos ou mais.

Em 2023, nos doze meses do ano foram registradas 46 apreensões de menores e 78 prisões por tráfico, o que corresponde a 124 ocorrências. Até setembro de 2024, já são 13 a mais em comparação com o número total do ano anterior. Essa diferença, de acordo com o capitão, pode ser justificada pela redução de outros crimes na cidade, como os roubos.

“Nós temos mais condições de dar atenção a outros crimes, como o tráfico, principalmente, por conta da redução do número de roubos, que é um tipo de ocorrência que geralmente damos mais atenção, por conta do dano material e psicológico gerado à vítima”, diz o capitão.

“É semelhante ao hospital, que tem diferentes níveis de emergência para atendimento dos pacientes. Por conta da redução dos roubos, a viatura tem mais tempo disponível para atender outras ocorrências. Então, se você comparar o número de outros crimes cometidos em 2023, houve redução em 2024, e, por isso, houve aumento no número de prisões por tráfico” explica o comandante.

Segundo o capitão, o aumento do número de apreensões não deve ser relacionado ao número absoluto de menores que traficam em Passos. “Nós estamos conseguindo apreender mais porque outros crimes que a gente entende como mais importante para a sociedade diminuíram. Então, a leitura dos números não indica, necessariamente, o aumento no número de menores traficando, mas apenas o número de apreensões”, disse.

Até setembro deste ano, foram registradas em média 6,3 ocorrências por mês de tráfico com envolvimento de menores de idade. No passado, foram 3,8 por mês. De acordo com o capitão, o número deve aumentar até o fim de 2024. Caso siga a média, 2024 deve encerrar com cerca de 75 registros de apreensões.

Quando apreendido pela Polícia Militar, o menor é encaminhado à delegacia da Polícia Civil. Caso o delegado ratifique o flagrante, o menor fica à disposição do Poder Judiciário e pode ser encaminhado a um estabelecimento de recolhimento, como o Centro Socioeducativo. O tempo de reclusão varia entre um dia e três anos.

Para o capitão, o combate ao envolvimento de menores no tráfico de drogas deve ter ação de outras instituições da sociedade. “É uma questão social. Não apenas policial. Outras entidades da sociedade devem agir para que reduza. Mas, em alguns casos, há uma desestruturação familiar, analisando de forma empírica, porque não temos os dados. O adolescente fica mais vulnerável a cometer crimes”.

“Acredito que a educação é outro fator que influencia. À medida que temos mais pessoas com grau de estudo maior, a tendência é que menores crimes sejam cometidos. Contudo, se analisarmos o Brasil do início dos anos 2000, por exemplo, o número de analfabetos era maior, mas o número de roubos era menor”, afirma o capitão.

“Também há a questão dos valores enraizados do brasileiro. A cultura de se dar bem, de levar vantagem. Às vezes, alguns crimes não são socialmente reprovados. E isso é muito complexo, porque está relacionado com o passado do país, desde a época da colonização e como o país foi formado”, aponta. (Clic Folha)

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