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Jornal Folha Regional

Braia lança ”Vertentes de Lá e Cá”, obra que transforma histórias de Minas em música

Viola caipira é a protagonista do projeto assinado por Bruno Maia, músico e compositor reconhecido no universo do rock e do metal

Braia lança ”Vertentes de Lá e Cá”, obra que transforma histórias de Minas em música – Imagem: divulgação

Lançado em julho de 2025, “Vertentes de Lá e Cá” tem a viola caipira como fio condutor de um tributo sonoro às histórias e paisagens de Minas Gerais. O novo disco do Braia, banda mineira fundada por Bruno Maia, artista reconhecido no universo do rock progressivo por conta da sua trajetória com a icônica Tuatha de Danann, pode ser ouvido em todas as plataformas (braia.net.br). 

Em cada uma das faixas, que transitam entre a música instrumental e a poesia cantada, o disco “Vertentes de Lá e Cá” traz cenas marcantes, como a Travessia dos Emboabas, a coragem de Hipólita Jacinta entre os Inconfidentes e a resistência do quilombo do Ambrósio. Carrancas, São Thomé das Letras e a fogueira de Ingaí também ganham corpo e ressoam em arranjos que levam o ouvinte para um deleite, uma verdadeira viagem, pelas montanhas e cenários de Minas Gerais.“Eu sou um apaixonado por Minas Gerais, sua história e seu povo. Tentei pagar um tributo a esta instância mágica que são as Minas em forma de música e imagem. Tem um pouco de tudo, acredito: música raiz, rock rural, um dedo de progressivo e tudo isso tendo a viola caipira como protagonista”, descreve Bruno Maia, que está à frente do Braia. 

Além de um disco para se apreciar em looping, “Vertentes de Lá e Cá” é uma experiência audiovisual. Cada música traz consigo uma ilustração original e um vídeo que amplia o sentido das composições. Neste trabalho, Braia não traz as imagens como ornamento ou bibelôs, ao contrário, elas ajudam a costurar o tempo, a apontar os símbolos e a fazer com que os lugares sejam conhecidos. Os vídeos contam com legendas e tradução em Libras, reafirmando o compromisso do projeto com a acessibilidade e a circulação livre da arte.

“Foi um trabalho muito dedicado e caprichoso com cada peça e detalhe do ‘Vertentes de Lá e Cá’. Este material pode servir até como material paradidático em aulas, oficinas… Ficou bem interessante e, pelo burburinho, tem muita gente já dizendo que quer conhecer alguns locais das músicas ou mesmo estudar mais sobre Minas Gerais”, celebra o multiartista Bruno Maia. 

Braia lança ”Vertentes de Lá e Cá”, obra que transforma histórias de Minas em música – Foto: divulgação

Neste rebento que acaba de nascer, Braia reafirma seu compromisso com a junção da tradição e da invenção. Desde 2006, quando o disco “… e o mundo de lá” foi gestado, o grupo vem explorando os encontros musicais e os Gerais, que fazem das nossas Minas um manancial único de criatividade.

“Acho difícil rotular o disco, pois ele manipula muitos elementos e ritmos diferentes: tem essa coisa da raiz em tudo que é lado, mas é um conteúdo raiz reelaborado, que faz do tradicional algo dinâmico e novo”, diz Bruno Maia, frisando que, para compreender melhor o disco, tem que ouvi-lo.  

“Vertentes de Lá e Cá” traz ilustrações de Thiago Brito e artes gráficas de Rodrigo Barbieri. Este projeto foi contemplado no Edital da Lei Paulo Gustavo do Estado de Minas Gerais.BRAIA. A banda nasceu da inquietude criativa do artista varginhense Bruno Maia, que integra a banda Tuatha de Danann. No Braia, ele expande suas referências ao dialogar com a música celta, o Clube da Esquina, o choro e o sertão, sem esquecer do rock progressivo. A proposta do projeto, que já atravessou o oceano e chegou com destaque à Irlanda, é perpassar tempos e culturas por meio de uma sonoridade que valoriza os instrumentos tradicionais e a força da narrativa musical.

OUÇA O DISCO

“Vertentes de Lá e Cá” está disponível em todas as plataformas: braia.net.br

Na contramão do país, mortes violentas intencionais crescem em Minas

Na contramão do país, mortes violentas intencionais crescem em Minas – Foto: reprodução

Minas Gerais registrou aumento de mortes violentas em 2024, quando comparado a 2023. Segundo o 19º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado nesta quinta-feira (24/7), houve alta de 5% em um ano. O índice vai na contramão da tendência observada no país, que registrou queda de 5,4% no período.

Ao todo, 3.214 pessoas foram vítimas de mortes violentas intencionais no ano passado em Minas. O número é maior do que o registrado em 2023, quando 3.050 perderam a vida em ações violentas e intencionais. Esse é o segundo ano consecutivo que o Estado registra alta no índice. Em 2023, Minas já havia anotado alta de 3,7% em relação a 2022.

Os dados fazem parte da 19ª edição do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública. O índice de mortes violentas intencionais (MVI) inclui vítimas de homicídio doloso, latrocínio, lesão corporal seguida de morte e mortes decorrentes de intervenções policiais, tanto em serviço quanto fora dele.

Brasil

Na contramão dos dados de Minas, o Brasil registrou, em 2024, uma redução de 5,4% nas mortes violentas intencionais, na comparação com o ano anterior. Ao todo, foram 44.127 casos, com uma taxa de 20,8 por 100 mil habitantes. Considerando o período entre 2012 e 2024, a redução acumulada chega a 25%, com quedas registradas em todas as regiões do país.

‘Pequena heroína’, de 10 anos, aplica manobra de Heimlich e salva criança engasgada com paçoca em MG

‘Pequena heroína’, de 10 anos, aplica manobra de Heimlich e salva criança engasgada com paçoca em MG – Foto: divulgação

Luana Soares Peixoto, de 10 anos, passou a ser conhecida como “pequena heroína” em São Gonçalo do Rio Abaixo, na região Central de Minas Gerais, depois de salvar a vida de uma vizinha, uma criança de três anos. Ela aplicou a manobra de Heimlich na pequena, que havia se engasgado com uma paçoca. “Vi que ela ficou vermelhinha e sem respirar”, conta. Na segunda-feira (21/7), o Corpo de Bombeiros fez uma visita especial à Luana.

A menina relatou que percebeu que os adultos, sua mãe e a mãe da amiguinha Alice Valentina, estavam realizando o procedimento de forma incorreta, dando tapas nas costas da criança. “Eu disse que estava errado. Daí eu fui atrás dela (da Alice), agachei e fiz a manobra que o sargento Fabrício me ensinou na escola, e consegui desengasgar ela”, contou, satisfeita.

De fato, segundo o Corpo de Bombeiros, Luana aprendeu a manobra de Heimlich — técnica reconhecida mundialmente para desobstrução das vias aéreas em casos de engasgo — na escola. Ela participou do projeto institucional Bombeiro nas Escolas, que oferece oficinas a crianças do 4º ano do Ensino Fundamental, com idades entre 9 e 10 anos.

As atividades ensinam sobre prevenção e primeiros socorros em casos de acidentes domésticos, incêndios e outras situações de risco. O sargento Fabrício, que ministrou a oficina para Luana, a parabenizou pessoalmente nesta segunda-feira (21/7).

“Ver uma estudante tão jovem aplicar o que aprendeu de forma tão rápida e eficaz é motivo de orgulho. Isso mostra que o projeto está alcançando seu objetivo de formar cidadãos mais conscientes e preparados para ajudar o próximo. É muito gratificante para nós, militares do Corpo de Bombeiros, ver o resultado de um treinamento se transformar em mais uma vida salva”, afirmou.

Na cidade de São Gonçalo do Rio Abaixo, cerca de 172 crianças já participaram do projeto Bombeiro nas Escolas em 2025.

Mulher morre em motel de MG por intoxicação de ‘loló’

Mulher morre em motel de MG por intoxicação de ‘loló’ – Foto: reprodução

Uma mulher, de 27 anos, foi encontrada morta no quarto de um motel da Avenida Portugal, no bairro Santa Amélia, na região da Pampulha, em Belo Horizonte. A suspeita é de que ela tenha sofrido uma parada cardiorrespiratória por intoxicação com loló, uma substância inalante feita à base de éter, clorofórmio ou solventes químicos. O caso ocorreu na tarde da última segunda-feira (21/7).

De acordo com a Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG), a mulher chegou a ser socorrida por médicos do Samu, mas não resistiu e teve a morte confirmada ainda no quarto do motel. Ela estava acompanhada de um amigo, que, em depoimento aos militares, afirmou que ela usava loló diariamente. Ainda conforme o relato, ela passou mal enquanto os dois mantinham uma relação sexual.

O homem disse que decidiu acionar a administração do motel depois que ela caiu desacordada. A gerente do motel contou aos militares que chamou o Samu logo após ser informada, na tentativa de socorrer a vítima. Ela disse ainda que o casal chegou ao local por volta das 16h e consumiu apenas um refrigerante. A gerente acrescentou que não ouviu gritos vindos do quarto e não percebeu qualquer comportamento considerado inadequado entre os dois.

A perícia da Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) esteve no local e constatou que o corpo da mulher não apresentava sinais de violência. O corpo foi removido e encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML). O caso é investigado.

Minas Gerais é o primeiro estado a reconhecer oficialmente o cordão de fita de identificação para pessoas com doenças raras

Minas Gerais é o primeiro estado a reconhecer oficialmente o cordão de fita de identificação para pessoas com doenças raras – Foto: Bruno Cantini

Governo de Minas deu mais um passo importante para tornar o estado ainda mais inclusivo. Nesta segunda-feira (21/7), a Secretaria de Estado de Governo (Segov) anunciou, em evento na sede do Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG), o reconhecimento oficial do cordão de fita de identificação para pessoas com doenças raras. A formalização foi possível graças à publicação da Lei nº 25.351, já em vigor, no Diário Oficial de Minas Gerais, no último sábado (19/7).

O principal objetivo com a medida é promover maior visibilidade, respeito e melhores condições de atendimento a essa parcela da população, que, no Brasil, gira em torno de 15 milhões de pessoas. Para o secretário de Governo, Marcelo Aro, a lei significa um gesto de empatia não só com os doentes raros, mas com os familiares responsáveis pelo cuidado e acolhimento.

“Nossa primeira intenção é chamar a atenção”, afirmou o secretário de Estado de Governo. “Quando você vê uma criança com esse cordão, é porque ela tem uma doença rara. Se ela tem uma doença rara, ela tem uma necessidade, e, por isso, temos que dar preferência para essas pessoas. Esse cordão busca dar prioridade não só em atendimentos públicos, como em postos de saúde, mas também na relação privada”, completou.

O secretário destacou ainda outras ações do Estado que têm contribuído para melhorar a assistência às pessoas com doenças raras, como a ampliação do teste do pezinho; investimentos nas Associações de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apaes); ampliação das salas multissensoriais; acordos com as Defensorias Públicas Estadual e da União, que priorizam o atendimento de demandas desses pacientes; e o Selo Raro, que agiliza o andamento de processos na esfera judicial. 

Participaram do evento o autor do projeto de lei que deu origem à norma, o deputado estadual Zé Guilherme, a vereadora Professora Marli, a defensora Pública-Geral, Raquel Gomes de Sousa da Costa Dias, representantes do Ministério Público, entre outros.

Visibilidade

O cordão de identificação traz o desenho de mãos coloridas sobrepostas por uma silhueta humana. As mãos representam a humanidade, solidariedade e apoio, enquanto as cores vibrantes simbolizam a diversidade de doenças raras e a esperança de expansão da conscientização e apoio.

Daniela Pereira, mãe de Anthony Santos, diagnosticado com narcolepsia, autismo e outras condições de saúde,  comemorou a nova lei. Segunda ela, a norma é uma conquista para os raros, que vai contribuir para dar visibilidade à causa.

“O cordão vai ajudar a identificar mais as crianças, vamos voltar a ter visibilidade, o que, infelizmente, não temos, somos mais ocultos. Esse colar é uma conquista para todas as crianças raras”, completou.

Os cordões de identificação serão enviados pelo Governo de Minas para as associações devidamente credenciadas junto ao Estado, que ficarão responsáveis pela distribuição ao público-alvo. O governo também fará campanhas de divulgação e conscientização da população sobre o símbolo.

De acordo com a lei, o uso do cordão é opcional, não sendo obrigatório para que o portador exerça seus direitos e garantias legais. Também fica estabelecido que, mesmo utilizando o símbolo, a pessoa com doença rara deverá apresentar documentação comprobatória quando solicitada por atendentes ou autoridades.

Inclusão e atenção à saúde

O reconhecimento do símbolo oficial ajuda a facilitar a identificação rápida e a comunicação entre pacientes, profissionais de saúde e demais setores, evitando atrasos e promovendo um atendimento mais humanizado.

Além disso, a ação reforça a importância da inclusão social e da sensibilização da sociedade para as dificuldades enfrentadas por pessoas com essas doenças.

O símbolo para doenças raras foi criado pela Eurordis, a Organização Europeia para Doenças Raras.

Minas Gerais é o primeiro estado a reconhecer oficialmente o cordão de fita de identificação para pessoas com doenças raras – Foto: Bruno Cantini

Governo Zema propõe aumentar em 8.000% número de escolas cívico-militares em MG

Governo Zema propõe aumentar em 8.000% número de escolas cívico-militares em MG – Foto: reprodução

O governo Romeu Zema (Novo) propôs uma consulta a 728 escolas de Minas Gerais para transformá-las em instituições cívico-militares.

O estado hoje possui nove escolas no programa, e a proposta do governo é aumentar esse contingente em aproximadamente 8.000%. Ao todo, Minas possui cerca de 3.400 escolas na rede estadual de ensino, que atende 1,6 milhão de estudantes.

O levantamento que começou dia 30 de junho estava sendo feito a partir de votação em cada unidade de ensino envolvendo profissionais (diretores e professores), pais e alunos.

A consulta iria até esta sexta-feira (18), mas o governo decidiu interromper o processo temporariamente e apontou como motivo as férias escolares.

“Muitos pais não iam conseguir participar, pois já tinham programado viagens. Acreditamos muito nesse projeto e estamos fazendo ele ser totalmente democrático”, disse o governador em entrevista coletiva na última segunda-feira (14).

Ele não confirmou a data para a retomada das consultas, mas a expectativa no governo é que elas retornem em agosto, após o fim das férias escolares.

O Sind-UTE/MG (Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação de Minas Gerais) vê a decisão como um recuo provisório do governo após o resultado negativo da votação nas escolas.

“A gente percebe que esse programa tem um aceno eleitoral. É como se a escola pudesse se transformar num local a ser disputado”, diz Marcelle Amador, coordenadora de comunicação do Sind-UTE.

A secretaria de educação afirmou que, até a interrupção do processo, 15% das 728 escolas já haviam feito a votação.

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O chefe da pasta, Igor Alvarenga, não quis divulgar o resultado parcial com o argumento de que os números poderiam influenciar a opinião das outras comunidades escolares.

A Folha de S.Paulo teve acesso ao resultado da votação na Escola Estadual Governador Milton Campos, em Belo Horizonte, também conhecida como Estadual Central.

A comunidade rejeitou o modelo cívico-militar com 85% dos votos – tanto os profissionais quanto os alunos foram, em sua maioria, contra a mudança.

Pela instituição já passaram personalidades como a ex-presidente Dilma Rousseff (PT), o médico, ex-jogador e colunista da Folha de S.Paulo Tostão e o cartunista Henfil.

“Todas as comunidades escolares que fizeram as assembleias antes desse período [de interrupção] serão respeitadas”, afirmou Alvarenga na última segunda. 

No dia seguinte à entrevista, o secretário foi chamado para uma reunião com o vice-governador, Mateus Simões (Novo), e foi avisado que não seguirá à frente da pasta, conforme apurou a Folha de S.Paulo

A expectativa é que, apesar da iminente troca do nome à frente da gestão educacional do estado, as consultas sejam retomadas. 

No modelo de escola cívico-militar, o conteúdo pedagógico segue sendo ministrado pelos professores. 

Cabe aos militares da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros a “mediação de conflitos, apoio à gestão, desenvolvimento de atividades preventivas e promoção de valores como respeito, disciplina e responsabilidade”, segundo a secretaria. 

Questionada sobre o critério para a escolha das 728 entre o universo de 3.400 instituições, a pasta afirmou que envolveu fatores como unidades inseridas em comunidades de maior vulnerabilidade social e municípios com mais de 25 mil habitantes. 

Em relação à fonte dos recursos, a gestão disse que será definida após o encerramento da fase consultiva.

Para a professora do departamento de Educação da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), Analise da Silva, a presença de militares nas escolas pode servir como uma forma de intimidação para o desempenho pedagógico dos professores. 

Ela também questiona a falta de preparação dos agentes para o ambiente escolar. 

“É como se eu, professora há 47 anos, me aposentasse e recebesse um treinamento de algumas horas para atuar na segurança pública. E receberia [um salário maior] do que os policiais, que fazem treinamento constante para atuar com isso”, afirma a professora, que também deu aulas na educação básica. 

A secretaria de Educação usa como justificativa para a adoção do programa a melhora de indicadores das unidades que já estão sob o modelo. 

A pasta cita evolução no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) e queda na taxa de abandono escolar desde a adoção do modelo cívico-militar nas escolas. 

O professor do departamento de Economia da UFPB (Universidade Federal da Paraíba), Jevuks Araújo, buscou compreender a influência dos modelos cívico-militares na melhora dos indicadores de escolas em Goiás, um dos primeiros estados a adotarem o programa. Os dados compreendem um período de 2007 a 2020. 

Em artigo publicado em maio na revista International Journal of Educational Development, ele e outros autores afirmam que os resultados indicam que a militarização levou a um aumento nas notas de matemática, português e no Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica). 

O modelo também levou a uma redução na distorção idade-série ?indicador que mede a defasagem entre a idade dos alunos e a série que eles cursam. 

Para avaliar o impacto exclusivo do programa, os pesquisadores compararam as escolas cívico-militares com os pares no estado que têm a maior similaridade em relação a estrutura, número de alunos por sala, perfil dos estudantes e qualificação dos professores, entre outros fatores. 

A pesquisa também examinou o impacto da militarização em variáveis relacionadas à violência escolar. 

“Os diretores [das escolas cívico-militares] percebem uma redução significativa na violência contra profissionais da escola, na ocorrência de roubos e na percepção de estudantes que usam bebidas alcoólicas”, afirmou o professor à Folha de S.Paulo

“Os resultados nos levam a entender que o principal mecanismo é de fato esse impacto na redução da violência no ambiente escolar”, completou Araújo, que é pesquisador de economia da educação.

Ele afirmou, porém, que o modelo cívico-militar deve ser tratado como uma opção dentro do conjunto de políticas públicas da área de educação. 

“Ele não pode ser considerado como um programa exclusivo, uma panaceia, mas sim um programa adicional que demonstra ter bons resultados”. 

Já Analise da Silva, da UFMG, disse que as escolas não são uma ilha, e refletem a insegurança que há na sociedade. 

“A proposta do governo de Minas está sendo feita para crianças e adolescentes pobres, pretos, de periferia, das classes econômicas C e D. E isso dá um recado [à sociedade] de que estudante pobre e de periferia é caso de polícia”, afirmou a professora.

Setor de peixes ornamentais em Minas Gerais pode ganhar certificação inédita no país

Setor de peixes ornamentais em Minas Gerais pode ganhar certificação inédita no país – Foto: reprodução

Minas Gerais, responsável por cerca de 70% da produção nacional de peixes ornamentais, está prestes a dar um novo passo para valorizar e fortalecer ainda mais esse setor estratégico. O Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA) abriu consulta pública para instituir a certificação oficial de peixes ornamentais no âmbito do Programa Certifica Minas. A minuta da nova legislação está disponível no site do IMA, assim como, o formulário de participação da consulta pública.

O prazo para envio de contribuições vai até o dia 28/7 neste link. A iniciativa faz parte de um esforço contínuo do Governo de Minas para estruturar e valorizar essa cadeia produtiva. Em 2024, foi publicada a Portaria  do IMA, nº 2.325, que regulamenta a atividade de piscicultura ornamental no estado, estabelecendo critérios técnicos e legais para sua prática. 

Agora, o foco se volta à certificação da produção, etapa fundamental para consolidar os avanços já conquistados e ampliar a competitividade dos produtores mineiros. Antes de chegar à consulta pública, a portaria passou por análise técnica e discussão com especialistas. A minuta foi elaborada por grupo de trabalho composto por membros da Comissão Permanente de Análise e Revisão dos Atos Normativos do IMA (CPAR) e das gerências técnicas do órgão. Após aprovação interna, o texto foi liberado para a sociedade civil, em uma etapa de escuta e contribuição.

“A consulta pública permite que o setor conheça a proposta, envie críticas e sugestões e ajude a construir um regulamento justo, aplicável e alinhado à realidade da cadeia produtiva”, explica Luciana de Castro, membro da CPAR do IMA. Após o encerramento do prazo, as sugestões serão avaliadas. As alterações pertinentes serão incorporadas e o texto segue para análise jurídica e posterior publicação oficial.

Ganhos para o setor como um todo

A certificação de peixes ornamentais proposta pelo IMA tem como foco aprimorar a gestão, aumentar a sustentabilidade e fortalecer a competitividade da cadeia produtiva em Minas Gerais. Ao cumprir os requisitos estabelecidos, os produtores passarão a ter ganhos concretos em rastreabilidade, boas práticas de produção e eficiência produtiva. Isso permite não só agregar valor aos produtos e acessar novos mercados, como também se beneficiar de políticas públicas, como a redução de 0,5% nas taxas de juros do Plano Safra.

“A certificação será uma ferramenta importante para diferenciar a produção mineira no mercado. Ela vai garantir ao consumidor final mais segurança e permitir que o produtor tenha mais reconhecimento pelo trabalho responsável que realiza”, afirma Rogério Fernandes, gerente de certificação do IMA.

A proposta também foi criada devido ao destaque do setor na Zona da Mata, região que é responsável por cerca de 70% da produção brasileira. Segundo o último estudo, em 2021, do Instituto Federal Sudeste de Minas Gerais (IF Sudeste MG), campus Muriaé, essa atividade garante o sustento de mais de 400 famílias, as quais ficam distribuídas nos municípios de Patrocínio do Muriaé, Vieiras, Eugenópolis, Miradouro, Barão do Monte Alto, Muriaé, Rosário da Limeira e São Francisco do Glória.

Participe de outras consultas públicas

O IMA também mantém abertas as consultas públicas sobre o Regulamento Técnico de Identidade e Qualidade do Queijo Artesanal do Vale do Suaçuí, com prazo até 27/7 neste link, e do Requeijão Moreno do Vale do Mucuri, prorrogada até 10/8 neste link. As propostas visam fortalecer a produção artesanal e garantir a segurança dos produtos mineiros.

Produtora de azeite do Sul de Minas é destaque de novo em premiação internacional

Herbert Sales, proprietário da vinícola – Foto: Vinícola Essenza/ Divulgação

A qualidade do azeite mineiro vem sendo a cada dia mais reconhecida nacional e internacionalmente.

Apesar de consumir muitos produtos importados, principalmente de países europeus como Portugal, o mercado nacional está cada vez mais atento ao reconhecimento – que é crescente – dos azeites brasileiros, em especial mineiros.

Saiba mais sobre o azeite mineiro mundialmente reconhecido
Na última terça (15/7), uma das mais aclamadas produtoras do país, a Vinícola Essenza, recebeu mais dois prêmios internacionais, ambos pelo Terraolivo IOOC 2025 Awards, importante concurso de azeites extravirgens realizado por Israel.

O evento, que aconteceu no Chipre, concedeu à vinícola o título de “Best of Brazil” (o melhor do Brasil, traduzindo do inglês) pelo azeite produzido com a azeitona tipo coratina. Essa variedade também conquistou o terceiro lugar na lista de dez melhores produtores do mundo, consagrando a Essenza como a primeira produtora brasileira a estar no top três deste concurso.

A azeitona coratina, que foi o grande destaque do Brasil, possui sabor levemente amargo se comparados aos outros tipos usados pela Essenza, notas de rúcula, folhas verdes e amêndoas, conforme explica Herbert Salles, proprietário da produtora. Os azeites Mantikir Grappolo, Koroneiki, Blend Summit, além do Mantikir Coratina, levaram para casa a maior medalha do evento, a Gran Prestige Gold, que coroa os azeites com pontuação acima de 86 pontos. Outros 22 azeites brasileiros receberam essa medalha.

No último ano, a Essenza conquistou 30 prêmios internacionais, se consolidando a produtora de azeites e vinhos mais premiada do Brasil.

Terroir mineiro

Produtora de azeite do Sul de Minas é destaque de novo em premiação internacional – Foto: divulgação

Os azeites da Essenza são produzidos no refúgio Tuiuva, cidade de Maria da Fé, no Sul de Minas Gerais. A altitude do olival na região varia entre 1.700 e 1.910 metros. Isso é essencial para a qualidade do azeite mineiro. Segundo Herbert, o frio é fundamental para que as azeitonas não fermentem após ser colhidas, pois isso pode diminuir os polifenóis e o potencial de sabor da fruta.

“Lá é o olival mais alto do mundo, já que em outras regiões, nesta altitude (entre 1.700 e 1.910m), há neve. Aqui, podemos aproveitar de um clima ameno sem neve”, explica o proprietário.

Depois da colheita, as azeitonas são levadas para o Lagar de Quelemém (MG) e feito pelo mestre de lagar, Luiz Augusto. 

Na Essenza, para a produção do azeite, é feita uma colheita prematura das azeitonas para gerar um óleo de mais qualidade. Isso acaba fazendo com que um pouco de rendimento seja perdido. “Usamos de 12 a 14 quilos de fruta para cada litro de azeite produzido”, destaca.

Minas Gerais dá salto histórico na alfabetização e supera média nacional

Minas Gerais dá salto histórico na alfabetização e supera média nacional – Foto: reprodução

Minas Gerais protagonizou o maior avanço do país na alfabetização de crianças no 2º ano do ensino fundamental. De acordo com os dados divulgados pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), em 11/7, o estado saltou da sétima posição em 2023 para o terceiro lugar em 2024, com 72,07% dos estudantes alfabetizados — superando a meta nacional de 63,2% e a meta estadual projetada para 2026.

O desempenho mineiro foi o melhor da Região Sudeste e o terceiro mais alto do Brasil. A liderança é do Ceará (85,31%), seguido por Goiás (72,74%).

Minas também se destacou por eliminar completamente o percentual de estudantes no nível mais baixo de proficiência, ao mesmo tempo em que ampliou o número de alunos nos níveis recomendados e avançados. Na prática, o estado garantiu que mais crianças aprendessem a ler e escrever na idade certa.

O crescimento de 12,26 pontos percentuais em relação a 2023 foi o maior registrado entre todos os estados brasileiros. A taxa de participação de 88,85% também reforça a confiabilidade e representatividade dos dados.

“Esse resultado é fruto dos investimentos recordes que estamos realizando na educação dos mineiros: mais de 2,5 mil escolas reformadas, aumento de mais de 2.000% no investimento da merenda escolar e o fortalecimento do projeto Leitura e Escrita, que revitaliza bibliotecas, distribui livros e estimula o hábito da leitura em todo o estado”, destaca o governador Romeu Zema.

Para o secretário de Estado de Educação, Igor de Alvarenga, os números comprovam a eficácia das ações planejadas e do trabalho integrado com os municípios.

“A alfabetização é o alicerce da vida escolar, e estamos colhendo os frutos de um trabalho planejado e estruturado. Superar a meta nacional e figurar entre os três estados com melhor desempenho mostra que Minas está no rumo certo. Esse avanço é mérito dos nossos professores e do investimento contínuo na leitura e na escrita desde os primeiros anos escolares”.

Superação de metas e melhoria na aprendizagem

O resultado alcançado por Minas Gerais já supera a meta estadual prevista para 2026 (69,5%) e consolida o estado como referência na recomposição das aprendizagens.

Além de erradicar o nível insuficiente, houve redução expressiva no percentual de estudantes nos níveis intermediários e avanço para os níveis ideais de desempenho.

Segundo a subsecretária de Desenvolvimento da Educação Básica, Kellen Senra, o avanço é resultado de escolhas estratégicas e investimentos contínuos.

“A alfabetização é a base de tudo. Escolhemos investir em formação, materiais de qualidade, infraestrutura e gestão. O sucesso de Minas mostra que, com compromisso e colaboração entre Estado e municípios, é possível garantir o direito de aprender a todas as crianças”, afirma.

Comparativo entre regiões

Minas também se destacou no comparativo entre regiões. Com 72,07% dos estudantes alfabetizados, o estado lidera no Sudeste, à frente do Espírito Santo (71,69%), São Paulo (58,13%) e Rio de Janeiro (55,25%).

No ranking nacional, ficou atrás apenas do Ceará (85,31%) e de Goiás (72,74%). Entre os três primeiros colocados, Minas foi o único que superou sua própria meta e apresentou o maior crescimento no ano — um salto de 12,26 pontos percentuais em relação a 2023.

Fatores que fazem a diferença

O avanço de Minas Gerais na alfabetização é resultado de diversas ações bem planejadas, que reforçaram o compromisso com a aprendizagem desde os primeiros anos escolares. Em 2024, o Governo do Estado investiu R$ 19,2 bilhões na educação pública — o maior valor da história —, garantindo as condições para transformar as escolas e os resultados.

Entre as iniciativas está o Projeto de Leitura e Escrita, que revitalizou bibliotecas, distribuiu livros e incentivou a cultura leitora em toda a rede. A formação continuada dos professores alfabetizadores e o uso de materiais pedagógicos específicos também contribuíram para fortalecer a prática em sala de aula.

Além disso, houve avanços importantes em transporte escolar, infraestrutura e gestão educacional. O trabalho conjunto com os municípios também foi fundamental. Minas oficializou o regime de colaboração com as redes locais, ampliando o apoio técnico e pedagógico.

Além disso, houve avanços importantes em transporte escolar, infraestrutura e gestão educacional. O trabalho conjunto com os municípios e com a União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação de Minas Gerais (Undime/MG) também foi fundamental. Minas oficializou o regime de colaboração com as redes locais, ampliando o apoio técnico e pedagógico.

Mulher morre após cair de quase 100 metros durante prática de rapel na Pedra do Elefante, no Sul de Minas

Mulher morre após cair de quase 100 metros durante prática de rapel na Pedra do Elefante, no Sul de Minas – Foto: reprodução/rede sociais

Uma mulher de 36 anos morreu após sofrer uma queda de quase 100 metros enquanto praticava rapel na tarde de sábado (5) na região da Pedra do Elefante, em Andradas (MG), no Sul de Minas Gerais. A vítima, a funcionária pública Daiane Marques, integrava um grupo com outros dois praticantes da atividade, todos do Estado de São Paulo.

Segundo um homem de 31 anos, que também praticava rapel no momento do acidente, o trio era experiente na atividade e fazia a descida da montanha quando, a cerca de 93 metros da base, a mulher caiu. Ela teria se chocado contra o paredão rochoso e a vegetação da base da serra.

Ao descerem da montanha, os outros dois integrantes do grupo que acompanhavam Daiane encontraram a vítima já morta.

As causas da queda devem ser investigadas pela Polícia Civil, incluindo se ela usava equipamentos de segurança durante a atividade. Segundo o Corpo de Bombeiros, o acidente foi por volta das 17h20.

Mulher morre após cair durante prática de rapel na Pedra do Elefante, no Sul de Minas — Foto: Corpo de Bombeiros
Mulher morre após cair durante prática de rapel na Pedra do Elefante, no Sul de Minas — Foto: Corpo de Bombeiros

O Corpo de Bombeiros informou que após ser acionado mobilizou uma equipe de salvamento em altura e terrestre. Os militares enfrentaram cerca de 6 quilômetros de trilha em mata fechada até localizar o corpo. A vítima já estava morta, com diversos traumas provocados pela queda.

Devido ao difícil acesso, os bombeiros realizaram a remoção do corpo até um ponto onde uma funerária aguardava até a publicação desta reportagem para fazer o transporte ao Instituto Médico Legal (IML) de Poços de Caldas. Daiane Marques era natural de Cordeirópolis (SP).

Via: G1

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