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Jornal Folha Regional

Minas está em alerta de alto risco para disparada de doenças respiratórias, aponta Fiocruz

Minas está em alerta de alto risco para disparada de doenças respiratórias, aponta Fiocruz – Foto: reprodução

Minas Gerais está entre os cinco estados brasileiros em nível de alerta para alto risco de aumento dos casos de síndrome respiratória aguda grave (SRAG). O dado consta na nova edição do Boletim InfoGripe, divulgada nesta quinta-feira (16), pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), que aponta tendência de crescimento da doença no estado, na contramão da maior parte do país.

No cenário nacional, os casos de SRAG apresentam sinal de queda nas tendências de longo prazo – das últimas seis semanas – e de curto prazo – das últimas três semanas. Contudo, em Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, os casos seguem em crescimento.

Entre as principais causas está a alta de diagnósticos do vírus sincicial respiratório (VSR), que atinge principalmente crianças de até 2 anos e ainda se mantém em níveis elevados nesses estados. O aumento também é observado em relação à influenza A. Segundo o InfoGripe, embora o período sazonal já tenha se encerrado em boa parte do país, os casos graves provocados pelo vírus continuam altos em Minas Gerais, Paraná e Roraima.

Já os casos graves por influenza B continuam aumentando em alguns estados da região Centro-Sul, entre eles Distrito Federal, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Santa Catarina.

A Secretaria Municipal de Saúde (SMS) de Belo Horizonte confirmou nessa quarta-feira (15/7) que o atendimento para adultos também “opera sob status de alerta, seguindo os critérios do plano de contingência”. De acordo com a pasta municipal, foram cerca de 29 mil atendimentos no mês, apenas até o dia 13 de julho. Em 2026, de janeiro até o momento, as UPAs e os centros de saúde já registraram cerca de 356 mil atendimentos por doenças respiratórias.

Diante desse contexto, os especialistas da Fiocruz destacam a importância da adoção de medidas preventivas, como manter a higiene respiratória, lavar as mãos, cobrir o nariz e a boca com o braço ou um lenço de papel ao tossir ou espirrar e fazer isolamento em caso de sintomas de gripe ou resfriado. Se isso não for possível, a orientação é sair de casa usando máscara. Além disso, é fundamental manter a vacinação em dia.

Incidência e mortalidade

O estudo da Fiocruz revela ainda que a incidência e a mortalidade semanais médias, nas últimas oito semanas epidemiológicas, mantêm no país o cenário típico de maior impacto nos extremos das faixas etárias. Enquanto a incidência de SRAG é mais elevada entre crianças de até 2 anos, a mortalidade é maior na população com 65 anos ou mais.

A incidência de SRAG nessa faixa etária está associada principalmente ao vírus sincicial respiratório. Já a mortalidade entre os idosos tem como principal causa a influenza A.

Em relação aos casos de SRAG por influenza A, a incidência tem apresentado maior impacto entre crianças menores de 2 anos, enquanto a mortalidade é mais elevada na população com 65 anos ou mais. Já a influenza B também apresenta maior incidência entre crianças menores de 2 anos, enquanto a mortalidade é mais elevada tanto nessa faixa etária quanto entre os idosos.

O que é a SGRA?

A síndrome respiratória aguda grave (SRAG) é uma infecção respiratória grave que compromete os pulmões e provoca dificuldade para respirar. A doença pode causar lesões nos alvéolos pulmonares, estruturas responsáveis pelas trocas gasosas, e, em muitos casos, está associada à pneumonia, o que agrava o quadro clínico e pode exigir atendimento médico especializado.

Delfinópolis disputa título de uma das Melhores Vilas Turísticas do Mundo

Delfinópolis disputa título de uma das Melhores Vilas Turísticas do Mundo – Foto: reprodução

O aroma do café coado na hora, o sabor marcante do legítimo Queijo Canastra e o som das águas que despencam pelas cachoeiras revelam, logo na chegada, a essência de Delfinópolis, no Sudoeste de Minas Gerais. Agora, esse cenário que une tradição, natureza e hospitalidade coloca o município entre os sete destinos brasileiros selecionados para disputar o selo “Melhores Vilas Turísticas do Mundo”, concedido pela ONU Turismo.

A cerca de 420 quilômetros de Belo Horizonte, Delfinópolis transformou o modo de vida rural em um dos seus maiores atrativos. A gastronomia, marcada pelos produtos típicos da Serra da Canastra, conquista visitantes de todas as partes, enquanto a produção de banana e soja fortalece a economia local e mantém vivas as raízes do campo.

A cultura também faz parte da experiência. As tradicionais Folias de Minas preservam a religiosidade e a identidade da comunidade, enquanto o grupo Arteiras da Canastra transforma fibras, sementes e outros materiais naturais em peças artesanais inspiradas na fauna, na flora e no cotidiano da região.

Emoldurando toda essa riqueza está o Parque Nacional da Serra da Canastra, um dos principais cartões-postais do Brasil. Com dezenas de cachoeiras, trilhas e paisagens de tirar o fôlego, o município se consolidou como referência em ecoturismo e turismo de aventura, atraindo visitantes durante todo o ano.

A candidatura ao selo internacional reconhece destinos que preservam seu patrimônio cultural e natural, promovem o turismo sustentável e valorizam o desenvolvimento das comunidades locais.

Além de Delfinópolis, representam o Brasil na disputa Conceição de Ibitipoca (MG), Araçá (SC), Holambra (SP), Lençóis (BA), São José do Barreiro (SP) e Vila Flores (RS). Ao todo, 268 localidades de diversos países concorrem ao reconhecimento internacional.

O resultado será anunciado em dezembro, durante cerimônia em Buenos Aires, na Argentina. Caso seja contemplada, Delfinópolis reforçará ainda mais sua posição como um dos principais destinos turísticos de Minas Gerais e do Brasil, levando para o mundo a autenticidade da Serra da Canastra.

Delfinópolis disputa título de uma das Melhores Vilas Turísticas do Mundo – Foto: reprodução

Homem é preso por posse ilegal de armas após ocorrência de violência doméstica em Passos

Um homem de 48 anos foi preso na madrugada deste domingo (5) em Passos (MG) por posse ilegal de armas de fogo e munições. A ocorrência teve início após a Polícia Militar ser acionada por uma mulher que informou estar trancada na residência do companheiro, cercada por cães de grande porte e temendo pela própria segurança.

No local, os militares fizeram contato com a vítima, que relatou viver um relacionamento recente com o suspeito e afirmou que ele já havia apresentado comportamentos agressivos e a ameaçado anteriormente com armas de fogo. Durante a ocorrência, ela entregou espontaneamente duas armas que estavam na residência.

O suspeito foi localizado posteriormente em outro endereço e informou aos policiais que possuía outras armas guardadas em um cofre na propriedade. Durante as buscas, a PM encontrou uma pistola calibre .380, uma garrucha calibre .22, uma espingarda calibre .32, uma espingarda artesanal, carregadores, dezenas de munições, centenas de projéteis e estojos, além de uma máquina e equipamentos para recarga de munições.

Ainda conforme o boletim de ocorrência, a mulher apresentou versões divergentes sobre parte dos fatos durante o atendimento. Apesar disso, diante da existência das armas e do contexto de violência doméstica, o homem recebeu voz de prisão em flagrante.

Os envolvidos foram encaminhados para atendimento médico e, posteriormente, apresentados à Delegacia de Polícia Civil de Passos, juntamente com todo o material apreendido, para as providências cabíveis.

Estudo inédito revela riqueza ambiental do Lago de Furnas e faz alerta sobre impactos na região

Estudo inédito revela riqueza ambiental do Lago de Furnas e faz alerta sobre impactos na região – Foto: Divulgação / Axia Energia

Após três anos de pesquisas realizadas em 97 pontos distribuídos pela bacia do Lago de Furnas, um estudo inédito da AXIA Energia traçou um amplo diagnóstico sobre as condições ambientais de um dos principais reservatórios do Sul de Minas. O levantamento identificou uma elevada diversidade de espécies aquáticas, mas também constatou fatores que acendem um alerta para a conservação da região.

Os resultados foram reunidos no livro “Ecologia e Pesquisa Transdisciplinar no Setor Elétrico”, que apresenta análises realizadas em rios, no reservatório e em áreas do entorno, abrangendo 35 municípios. O trabalho contou com a participação de 28 pesquisadores e recebeu investimento de R$ 6,3 milhões.

Considerado um dos mais completos já realizados na região, o estudo avaliou aspectos como a qualidade da água, a conservação da vegetação ciliar, a presença de espécies aquáticas e os impactos provocados pelas diferentes formas de ocupação do solo.

Segundo o diretor de Licenciamento Ambiental e Condicionantes da AXIA Energia, Jader Fernandes, o grande diferencial da pesquisa foi a abordagem integrada de todos esses elementos.

“O livro revela que a região de Furnas é um território vivo e interdependente, onde biodiversidade, qualidade da água, atividades econômicas e comunidades estão diretamente conectadas.”

Entre os principais resultados está o registro de uma ampla variedade de organismos aquáticos, incluindo peixes, moluscos, crustáceos e plantas distribuídos em diferentes áreas da bacia.

Ao mesmo tempo, os pesquisadores identificaram sinais de pressão ambiental que podem comprometer esse equilíbrio. Entre os principais fatores estão o avanço do uso da terra nas áreas próximas ao lago, a redução da vegetação nas margens, a presença de espécies exóticas e o risco de degradação da qualidade da água em trechos mais impactados. Segundo o estudo, esses fatores ajudam a explicar alterações percebidas pela população, como mudanças na coloração da água, diminuição de determinadas espécies e reflexos sobre atividades como pesca e turismo.

A pesquisa também destaca que as condições ambientais do reservatório influenciam diretamente a rotina de quem vive ou trabalha na região. Setores ligados ao turismo, à piscicultura e ao lazer dependem da qualidade dos recursos naturais, e o monitoramento contínuo pode oferecer mais segurança para essas atividades, indicando, por exemplo, áreas mais adequadas para criação de peixes e exploração turística.

Além da produção científica, o projeto desenvolveu ações de educação ambiental e iniciativas de ciência cidadã em escolas públicas, buscando aproximar a população das questões relacionadas à preservação do lago.

As informações obtidas já estão sendo utilizadas no processo de licenciamento ambiental da Usina Hidrelétrica de Furnas e deverão servir de base para futuros empreendimentos na região.

“O diagnóstico permite identificar áreas mais sensíveis e orientar decisões que causem menor impacto ambiental”, afirma Fernandes.

A expectativa é que o levantamento também contribua para a elaboração de políticas públicas voltadas à conservação ambiental e ao uso sustentável dos recursos naturais.

Ao consolidar estudos que antes estavam dispersos, a publicação oferece um panorama abrangente sobre a situação do Lago de Furnas e reforça um dos principais desafios da região: conciliar a geração de energia com a preservação ambiental e o desenvolvimento econômico. Para os pesquisadores, esse equilíbrio depende cada vez mais do investimento em ciência e do monitoramento permanente dos ecossistemas.

Estudo inédito revela riqueza ambiental do Lago de Furnas e faz alerta sobre impactos na região – Foto: Divulgação / Axia Energia
Estudo inédito revela riqueza ambiental do Lago de Furnas e faz alerta sobre impactos na região – Foto: Divulgação / Axia Energia

Minas Gerais tem pior índice de segurança rodoviária do Sudeste, aponta CNT

Minas Gerais tem pior índice de segurança rodoviária do Sudeste, aponta CNT – Foto: DER-MG/Divulgação

Minas Gerais aparece como o estado com o pior desempenho em segurança viária entre as unidades do Sudeste, de acordo com o Painel Rodovias que Perdoam, divulgado pela Confederação Nacional do Transporte (CNT). O levantamento mostra que quase um terço da malha rodoviária avaliada no estado possui baixo nível de proteção aos usuários, aumentando o risco de mortes e lesões graves em acidentes.

Segundo os dados, apenas 22,4% das rodovias mineiras alcançam alto índice de segurança. Outros 46,7% dos trechos foram classificados com nível intermediário, enquanto 30,9% estão na categoria mais crítica.

O indicador utilizado pela CNT avalia a capacidade da infraestrutura rodoviária de minimizar as consequências de acidentes. Elementos como acostamentos, sinalização adequada, barreiras de proteção e características geométricas da via influenciam diretamente na classificação. Quando esses dispositivos estão ausentes ou inadequados, falhas humanas ou problemas mecânicos tendem a resultar em ocorrências mais graves.

Minas fica atrás dos demais estados do Sudeste

Embora outras regiões do país apresentem índices mais elevados de rodovias inseguras, Minas Gerais se destaca negativamente dentro do Sudeste.

O contraste mais expressivo ocorre em relação a São Paulo, que possui a maior proporção de trechos classificados com alto nível de segurança.

Minas Gerais

  • 🟢 22,4% alto índice de segurança
  • ⚠️ 46,7% nível médio
  • ❌ 30,9% baixo nível

São Paulo

  • 🟢 67,6% alto índice
  • ⚠️ 27,7% nível médio
  • ❌ 4,7% baixo nível

Rio de Janeiro

  • 🟢 52,2% alto índice
  • ⚠️ 41,4% nível médio
  • ❌ 6,3% baixo nível

Espírito Santo

  • 🟢 23,8% alto índice
  • ⚠️ 62,9% nível médio
  • ❌ 13,3% baixo nível

Infraestrutura deficiente amplia riscos

O levantamento identificou uma série de problemas estruturais que ajudam a explicar o resultado obtido por Minas Gerais.

Entre os dados levantados pela CNT estão:

  • 65,4% das rodovias com algum tipo de deficiência relacionada ao pavimento, sinalização ou geometria;
  • 46,4% da geometria considerada ruim ou péssima;
  • 55,1% dos trechos sem acostamento;
  • 25,3% das curvas perigosas sem sinalização adequada;
  • 87,9% da malha composta por pistas simples.

Além disso, foram identificados 138 pontos críticos, incluindo erosões, grandes buracos, pontes estreitas e quedas de barreira.

Reflexos na economia

Além dos impactos na segurança viária, a CNT alerta para os efeitos econômicos da precariedade das estradas. Segundo a entidade, rodar em vias com problemas de infraestrutura aumenta em média 34,8% o custo operacional do transporte.

“Minas ocupa uma posição estratégica na logística nacional e recebe um volume muito elevado de transporte de cargas e passageiros. Esse fluxo intenso acelera o desgaste da infraestrutura e exige um esforço permanente de conservação e modernização”, afirmou a diretora executiva da CNT, Fernanda Rezende.

Maior malha rodoviária do país enfrenta desafios

Com aproximadamente 272 mil quilômetros de extensão, Minas Gerais possui a maior malha rodoviária do Brasil, equivalente a cerca de 16% de todas as rodovias nacionais.

Para a CNT, o tamanho da rede viária aumenta a complexidade dos trabalhos de manutenção e modernização, especialmente diante do intenso fluxo de veículos que atravessam o estado diariamente.

“A extensa malha viária mineira pode contribuir [para a baixa segurança das estradas], mas não de forma isolada. Quanto maior a extensão de rodovias, maior também a necessidade de investimentos contínuos em pavimento, sinalização, acostamentos, dispositivos de contenção e correções na geometria da via”, explicou a diretora da CNT.

A entidade estima que seriam necessários R$ 15,84 bilhões para recuperar os trechos avaliados em Minas Gerais.

“Porém, o investimento que vem acontecendo ao longo dos anos é muito inferior à necessidade. Além da quantidade de acidentes e das vidas perdidas nas rodovias, a falta de investimento gera um impacto financeiro. Este impacto afeta toda a economia do país, visto que o transporte movimenta tudo que é produzido e todas as pessoas do Brasil”, disse Rezende.

Diferença entre rodovias concedidas e públicas

O painel também identificou diferenças significativas entre rodovias administradas pela iniciativa privada e aquelas mantidas pelo poder público.

Nas estradas concedidas:

  • 🟢 60,2% dos trechos possuem alto índice de segurança;
  • ❌ 2,5% apresentam baixo nível de segurança.

Nas rodovias públicas:

  • 🟢 Apenas 1,5% alcançam alto índice de segurança;
  • ❌ 46,6% estão na faixa mais crítica.

Apesar dos números mais favoráveis às concessões, a CNT destaca que a privatização não resolve automaticamente os problemas de infraestrutura.

“Não significa que toda rodovia concedida apresente alto nível de segurança ou que a concessão, por si só, resolva todos os problemas. Mas os dados da CNT mostram que, de forma geral, estados e corredores rodoviários que recebem investimentos contínuos, muitos deles viabilizados por investimentos privados, tendem a apresentar melhores condições de infraestrutura e maior capacidade de mitigar as consequências dos acidentes”, informou diretora executiva da CNT.

Entre as 83 rodovias avaliadas em Minas, 25 são concedidas. Dessas, apenas oito possuem mais da metade de seus trechos classificados com alto nível de segurança.

As rodovias mais perigosas de Minas Gerais

A pesquisa apontou oito rodovias com 100% dos trechos enquadrados na categoria de baixo nível de segurança.

São elas:

  1. BR-464
  2. LMG-633
  3. LMG-820
  4. MG-114
  5. MG-308
  6. MG-449
  7. MG-605
  8. MG-677

Sete dessas estradas estão sob responsabilidade do Governo de Minas Gerais e uma pertence à malha federal.

O que pode ser feito

Para melhorar os índices de segurança, a CNT defende investimentos em:

  • implantação de acostamentos;
  • instalação de defensas e barreiras de proteção;
  • reforço da sinalização;
  • correções geométricas das vias;
  • criação de áreas de escape;
  • identificação dos trechos com maior incidência de acidentes para direcionar recursos.

Posicionamento do DNIT

Em nota, o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) informou que monitora mensalmente as condições das rodovias federais por meio do Índice de Condição da Manutenção (ICM).

Segundo o órgão, em abril de 2026, 90% das rodovias federais sob sua gestão no país estavam classificadas como boas ou regulares. Em Minas Gerais, o percentual chegou a 89%.

O DNIT informou ainda que o trecho da BR-464 apontado pela CNT não está integralmente sob sua responsabilidade e destacou que o segmento administrado pelo órgão apresenta 94% de boas condições segundo o ICM.

O departamento acrescentou que prevê investir R$ 655,1 milhões em manutenção e conservação da malha federal mineira não concedida ao longo de 2026 e ressaltou iniciativas como o programa BR-Legal e o Conexão DNIT, voltados à segurança e educação para o trânsito.

Posicionamento do DER-MG

O Departamento de Estradas de Rodagem de Minas Gerais (DER-MG) afirmou que os critérios adotados pela CNT não levam em consideração fatores como época de construção das rodovias, tipo de solo, relevo e índices pluviométricos.

O órgão informou ainda que pretende investir aproximadamente R$ 800 milhões na manutenção e conservação das rodovias estaduais durante o ano de 2026.

A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), responsável pela regulação das concessões federais, também foi procurada pela reportagem, mas não havia se manifestado até a última atualização da matéria.

Minas lidera autuações por embriaguez ao volante e registra alta letalidade nas rodovias

Minas lidera autuações por embriaguez ao volante e registra alta letalidade nas rodovias – Foto: reprodução

No dia em que a Lei Seca (Lei Federal nº 11.705/2008) completa 18 anos, Minas Gerais aparece no topo do ranking nacional de autuações relacionadas à embriaguez ao volante nas rodovias federais. Os números revelam que, apesar dos avanços na legislação, o estado ainda enfrenta um desafio persistente: mudar a cultura que normaliza o ato de beber e dirigir.

Dados da Polícia Rodoviária Federal (PRF), analisados pela Associação de Clínicas de Trânsito (Actrans) de Minas Gerais, mostram que, entre janeiro e maio deste ano, foram registradas 657 infrações por teste positivo de etilômetro nas rodovias federais mineiras. Além disso, 2.770 motoristas se recusaram a realizar o teste do bafômetro.

Somadas, as duas categorias resultam em 3.427 infrações, o equivalente a 22% de todas as autuações por alcoolemia registradas pela PRF em todo o país. Na prática, os dados indicam que, diariamente, pelo menos 22 motoristas alcoolizados são flagrados circulando pelas estradas de Minas Gerais.

O problema se torna ainda mais grave quando analisados os acidentes causados pela combinação de álcool e direção. Nos cinco primeiros meses de 2026, Minas registrou 127 acidentes provocados diretamente pela ingestão de bebida alcoólica por parte dos condutores. Embora o estado ocupe a terceira posição em número de ocorrências e de feridos, com 114 vítimas, aparece em segundo lugar no ranking nacional de mortes.

Foram nove óbitos no período, o que representa 10,71% das 84 mortes registradas em todo o país em acidentes relacionados à embriaguez ao volante.

O cenário preocupa quem percorre diariamente rodovias como as BRs 040, 381, 135 e 262, além da MGC-135. O caminhoneiro Marco Giovani, de 24 anos, acredita que a Lei Seca tem efeito positivo, especialmente entre os condutores de veículos de grande porte, mas faz críticas aos motoristas de automóveis.

“O pessoal de carro pequeno pula muito as normas, não obedece muito a Lei Seca”.

Ele defende uma fiscalização mais rigorosa para esse grupo e afirma que muitos condutores deixam festas dirigindo sob efeito de álcool, aumentando o risco de acidentes.

“O pessoal corre demais”.

COMPORTAMENTO DE RISCO

A preocupação dos motoristas que respeitam as regras é confirmada por equipes de resgate que atuam nas rodovias. Profissionais da concessionária EPR Via Mineira, responsável pelo trecho da BR-040 entre Belo Horizonte e Juiz de Fora, relatam encontrar frequentemente indícios de consumo de álcool durante atendimentos a acidentes.

Fotografias registradas pelas equipes de inspeção mostram não apenas a força dos impactos, mas também latas e garrafas de cerveja dentro dos veículos envolvidos. Em uma das imagens analisadas pela reportagem, uma bolsa térmica aberta continha uma lata de cerveja, sugerindo que a bebida era mantida gelada para consumo durante a viagem.

“Conseguimos ver que há embalagens de bebidas ali (nos veículos) já utilizadas, por exemplo, uma garrafa de cerveja ainda gelada, e a pessoa (ao volante) com comportamentos diferentes de um motorista que não fez o uso de bebida alcoólica”, explica o gerente de operações da EPR Via Mineira, Anderson Finco.

O gerente chama atenção para o aumento do consumo de álcool durante eventos festivos, especialmente em junho, período marcado pelas festas juninas e pela exibição de jogos da Copa do Mundo.

“Até mesmo em eventos de grande público, como shows, entre outros, o fomento do consumo da bebida é notório. As pessoas acabam, por vezes, fazendo a opção errada”, diz Anderson.

A recomendação é que motoristas utilizem carros por aplicativo ou táxis para se deslocarem até esses eventos.

Embora a confirmação da embriaguez seja atribuição das autoridades policiais, a concessionária tem intensificado ações educativas sobre o tema. Neste mês, em que a Lei Seca completa 18 anos, a EPR Via Mineira promove atividades de conscientização em pontos estratégicos da BR-040. As ações já ocorreram em Belo Horizonte, Nova Lima, Juiz de Fora, Santos Dumont e Barbacena. Nesta sexta-feira, o trabalho será realizado na Unidade Operacional da PRF de Juiz de Fora, no km 769,9 da rodovia.

MINAS TEM UMA DAS MAIORES LETALIDADES DO PAÍS

Segundo dados da PRF, Santa Catarina lidera o número de acidentes causados por embriaguez ao volante, com 234 ocorrências, seguida pelo Paraná, com 180. Minas Gerais aparece em terceiro lugar, com 127 registros.

No entanto, quando o assunto é letalidade, o cenário mineiro é mais preocupante. Apesar de registrar quase o dobro de acidentes que Minas, Santa Catarina contabilizou apenas uma morte no período, resultando em uma taxa de letalidade de 0,4%.

Já em Minas Gerais, o índice alcança 7,1%, acima da média nacional de 5,8%. O dado demonstra que acidentes relacionados ao consumo de álcool tendem a ser mais graves e mais fatais nas rodovias do estado.

A diferença também aparece nas autuações. Minas lidera com 657 casos de teste positivo para alcoolemia. Em relação à recusa ao bafômetro, o estado registrou 2.770 ocorrências, muito acima dos números de Santa Catarina (1.198), Rio Grande do Sul (1.089) e Paraná (1.043).

Para o vice-presidente da Actrans, Carlos Luiz Souza, a liderança mineira está relacionada não apenas ao comportamento dos motoristas, mas também às características das rodovias do estado.

“Temos a maior e mais complexa malha rodoviária federal do país, caracterizada por curvas sinuosas, pista simples e um relevo extremamente acidentado. Adicionar álcool a essa equação geográfica é uma combinação catastrófica. Não há engenharia de tráfego ou tecnologia veicular no mundo que consiga salvar um motorista cujo tempo de reação foi destruído por duas ou três doses de bebida”, adverte.

Rodovias como as BRs 381, 040 e 262 concentram intenso fluxo de veículos de passeio, ônibus interestaduais e caminhões de carga, especialmente do setor de mineração. Muitas dessas vias possuem pista simples, relevo montanhoso e curvas acentuadas, fatores que reduzem a margem para erros.

A presidente da Actrans, Adalgisa Lopes, afirma que, nessas condições, a perda da capacidade reflexiva causada pelo álcool costuma ter consequências devastadoras.

“As rodovias federais de Minas Gerais não perdoam o erro. Enquanto em estados planos e com pistas duplicadas um motorista alcoolizado que sai da pista tem grandes chances de sobrevivência, aqui ele invade a contramão em pista simples e colide de frente com uma carreta de mineração”.

Segundo ela, o álcool reduz significativamente o campo visual, prejudica a percepção de profundidade e retarda o tempo de reação, fatores que podem definir a sobrevivência em rodovias de traçado complexo.

NATURALIZAÇÃO DO RISCO

Especialistas apontam que, apesar dos avanços da Lei Seca e do endurecimento das punições ao longo dos anos, a principal barreira para a redução dos acidentes continua sendo cultural.

“Os dados mostram que a barreira cultural e psicológica do motorista ainda é o maior obstáculo para salvar vidas. Enquanto a sociedade continuar tratando a combinação de álcool e direção como uma infração tolerável ou um deslize social, nossas rodovias continuarão despedaçando famílias”, completa Adalgisa.

A avaliação é compartilhada pelo advogado criminalista e especialista em Direito Penal Frederico Horta. Para ele, a legislação brasileira já alcançou um alto grau de maturidade e eficiência.

“Temos uma lei muito boa. Difícil é aplicá-la, fazer política pública, campanha, mudar a mentalidade, mudar os fatores que levam à ocorrência dos crimes. Problema de repressão nós já não temos mais nesse campo (da legislação). Nossa lei foi bastante alterada nos últimos anos, e essas alterações foram mais que suficientes. É uma lei bastante madura nesse aspecto, talvez uma das melhores leis do mundo. O problema agora é mesmo de cultura, de fiscalização, de política pública de controle e de prevenção”, diz Horta.

O especialista ressalta que fiscalizações frequentes aumentam a percepção de risco entre os motoristas e contribuem para a prevenção das infrações. Segundo ele, o que realmente inibe a prática é a certeza de que haverá fiscalização e punição, e não apenas a severidade da lei.

Nesse contexto, medidas como multas, perda de pontos na Carteira Nacional de Habilitação (CNH), suspensão do direito de dirigir e retenção do veículo continuam sendo instrumentos importantes para desestimular a combinação entre álcool e direção.

Capoeira passa a integrar as aulas de história e cultura após nova lei em Minas Gerais

Capoeira passa a integrar as aulas de história e cultura após nova lei em Minas Gerais – Foto: reprodução

A riqueza cultural e histórica da capoeira ganhou um reforço institucional de peso no ambiente escolar. Foi publicada na edição do Diário Oficial Minas Gerais a Lei 25.900, que determina a inclusão da capoeira como parte integrante dos conteúdos de história e cultura afro-brasileira nas redes de ensino do estado. O texto foi oficialmente sancionado pelo governador Mateus Simões (PSD).

Com a nova legislação, a prática e a história da capoeira passam a ser formalmente reconhecidas como expressões culturais fundamentais na construção e na identidade da sociedade brasileira.

Origem do projeto e aplicação nas salas de aula

A nova lei é fruto do Projeto de Lei (PL) 1.546/23, de autoria da deputada Macaé Evaristo (PT). A proposta recebeu o aval dos parlamentares e foi aprovada em maio no Plenário da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG).

De acordo com as diretrizes da normativa, o estudo da capoeira nos ensinos fundamental e médio deverá priorizar a vivência prática e teórica. Para isso, o texto recomenda, preferencialmente, a participação de mestres e profissionais renomados da área no ambiente escolar. No entanto, o texto sancionado não estipula regras rígidas ou critérios específicos para a contratação ou atuação desses especialistas no cotidiano das instituições.

Alteração em lei e foco na educação patrimonial

Além de consolidar a capoeira na grade curricular, a medida traz modificações na antiga Lei 15.476, de 2005, que já regulamentava a inserção de temas voltados para a cidadania nas escolas mineiras.

Com a atualização, o currículo passa a englobar também a educação patrimonial. O objetivo central é exaltar e preservar as heranças e contribuições das tradições afro-brasileiras para a identidade de Minas Gerais, consolidando a capoeira como um dos pilares desse resgate histórico.

Governador de Minas Gerais visita novo Ambulatório Oncológico da Cidade da Saúde e do Saber em Passos

Governador de Minas Gerais visita novo Ambulatório Oncológico da Cidade da Saúde e do Saber em Passos – Foto: divulgação/Santa Casa de Passos

A Cidade da Saúde e do Saber recebeu, na última quinta-feira (11), a visita do atual governador de Minas Gerais, Mateus Simões, que conheceu de perto as instalações do novo Ambulatório Oncológico da Instituição, que foi inaugurado no mês de maio. A visita ocorreu em um momento histórico para o município de Passos, onde o governador assinou o ato que transformou Passos na capital simbólica de Minas Gerais por três dias, transferindo simbolicamente a sede do governo estadual para o município. 

Durante a manhã, o governador percorreu as instalações do novo Ambulatório Oncológico acompanhado pelo provedor da Santa Casa de Misericórdia de Passos, Vivaldo Soares Neto; pelo presidente da Irmandade, Dr. Flávio Dutra; pelo superintendente-geral, Daniel Porto Soares; pelo deputado estadual Cássio Soares; e pelo prefeito municipal, Maurício da Silva, além de convidados da Instituição e parte do corpo de colaboradores.

A visita proporcionou a apresentação da moderna estrutura da nova unidade de Medicina Nuclear, que passa a contar com um equipamento de PET-CT, tecnologia de ponta fundamental para o diagnóstico, estadiamento e acompanhamento do tratamento oncológico. O novo espaço foi concebido para ampliar a qualidade assistencial, oferecendo mais conforto, segurança e eficiência no atendimento aos pacientes da região que enfrentam o câncer.

A última passagem de Mateus Simões pelas instalações da Santa Casa de Passos aconteceu em 2023, quando ele ainda ocupava o cargo de vice-governador de Minas Gerais. Durante a visita realizada nesta manhã, Simões fez questão de relembrar aquele momento e destacar a evolução do projeto: “Eu estive na Santa Casa quando tudo isso aqui tinha um lote grande e um projeto bonito. E hoje o primeiro módulo já está instalado e está lindo. Tem até uma certa surpresa na minha fala ao notar que vocês conseguiram efetivar o que planejaram e me apresentaram em 2023. Preciso parabenizar pela resiliência, pela capacidade de planejamento e de execução”, lembrou Matheus.

Durante a visita, também foi relembrada a inauguração do Ambulatório Oncológico, realizada em 29 de maio. Na ocasião, por intermédio do deputado estadual Cássio Soares, o governador de Minas Gerais, Mateus Simões, anunciou a liberação de um equipamento de hemodinâmica solicitado pela Santa Casa de Passos. O investimento representa um importante avanço para a assistência cardiovascular na região, ampliando a capacidade de realização de procedimentos especializados.

Vale lembrar que o novo prédio, destinado a abrigar todo o setor de Medicina Nuclear da instituição, já se encontra em fase de trâmites regulatórios necessários para o início de suas operações. A estrutura receberá equipamentos e materiais radioativos e, por isso, passa atualmente pelo processo de licenciamento junto à Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN). A expectativa da instituição é que, após a conclusão das etapas burocráticas e das autorizações técnicas exigidas, os serviços entrem em funcionamento nos próximos 90 dias, ampliando significativamente a oferta de exames e tratamentos de alta complexidade para pacientes de Passos e toda a região.

Possível retorno do El Niño liga alerta para alta na conta de luz, impactos na indústria e no setor cafeeiro em MG

Possível retorno do El Niño liga alerta para alta na conta de luz, impactos na indústria e no setor cafeeiro em MG – Foto: reprodução

A possibilidade de um novo episódio do El Niño se formar nos próximos meses já acende o alerta em diversos setores da economia mineira. Especialistas apontam que o fenômeno climático pode provocar temperaturas acima da média, alterações no padrão das chuvas e aumento dos custos de energia elétrica, impactando diretamente a indústria, o agronegócio e o bolso dos consumidores.

A preocupação é reforçada pelas projeções da Organização das Nações Unidas (ONU), que indicam mais de 90% de probabilidade de desenvolvimento do fenômeno até novembro. Em Minas Gerais, os principais receios estão relacionados ao aumento do calor, à irregularidade das precipitações e aos reflexos sobre o sistema elétrico nacional.

Coordenador do mercado de energia da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), Sérgio Pacata destaca que o aumento das temperaturas pode elevar significativamente o consumo de energia, especialmente na região Sudeste, que concentra a maior demanda elétrica do país.

“Cada grau que a temperatura sobe significa milhões de aparelhos de ar-condicionado ligados ao mesmo tempo. Isso aumenta muito a demanda por energia elétrica no Brasil. Se você tem uma demanda maior e reservatórios pressionados, o preço da energia sobe e o sistema elétrico fica mais estressado”, afirma.

Segundo Pacata, o cenário se torna ainda mais delicado porque o sistema elétrico brasileiro já depende do acionamento de usinas termelétricas, que possuem custos de geração mais elevados.

“Toda vez que isso acontece, alguém paga essa conta. O custo da geração fica mais elevado e esse impacto chega tanto para a indústria quanto para o consumidor comum, por meio das bandeiras tarifárias e do aumento do preço da energia”.

Diante desse contexto, o setor industrial acompanha com atenção a possibilidade de acionamento da bandeira vermelha nos próximos meses, medida adotada quando as condições para geração de energia se tornam menos favoráveis.

Os segmentos mais sensíveis a esse cenário são aqueles que dependem fortemente da eletricidade em seus processos produtivos, como as indústrias de alumínio, borracha e outros setores eletrointensivos.

“Quando a energia sobe, o custo do produto sobe junto. Não é um impacto isolado na conta de luz. Isso afeta toda a cadeia produtiva, aumenta o custo operacional das empresas e acaba chegando ao preço final pago pelo consumidor”, destaca.

Setor cafeeiro também acompanha cenário com atenção

Além da indústria, a possível chegada do El Niño preocupa produtores de café, uma das principais atividades econômicas de Minas Gerais. A combinação de temperaturas elevadas e chuvas irregulares pode comprometer tanto a produtividade quanto a qualidade dos grãos.

Presidente do Sindicato das Indústrias de Café do Estado de Minas Gerais (Sindicafé-MG), Sérgio Meirelles afirma que o fenômeno aumenta os riscos climáticos para as lavouras mineiras.

“A intensificação do El Niño tende a elevar o risco climático para o café mineiro, principalmente por provocar temperaturas acima da média e chuvas mais irregulares. Isso pode gerar estresse hídrico, abortamento floral e menor enchimento dos grãos”, afirma.

De acordo com ele, os efeitos podem atingir diferentes fases da produção cafeeira e causar prejuízos importantes.

“A falta de chuva durante a florada reduz a produtividade, enquanto o calor excessivo acelera a maturação e pode comprometer a qualidade da bebida. Já o excesso de chuva próximo à colheita aumenta o risco de fermentação, fungos e perdas na produção”.

Outro ponto de atenção é o impacto do aumento dos custos de energia sobre atividades como irrigação, secagem, armazenagem e beneficiamento dos grãos.

“Em regiões com irrigação intensiva, a energia já está entre os principais custos operacionais da atividade. Em um cenário de menor produtividade e custos mais elevados, os impactos acabam se espalhando por toda a cadeia do café”, diz.

Fenômeno pode trazer calor intenso e chuvas irregulares

Meteorologista do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), Anete Fernandes explica que o El Niño é caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico Equatorial, fenômeno que altera a circulação atmosférica e influencia diretamente o clima em diversas regiões do planeta.

“No Brasil, normalmente você tem aumento das chuvas no Sul e temperaturas mais elevadas no Sudeste e Centro-Oeste”, afirma.

Segundo a especialista, Minas Gerais costuma sentir principalmente os efeitos relacionados às altas temperaturas e à má distribuição das chuvas.

“O problema não é necessariamente a falta de chuva, mas a má distribuição dela. Em anos de El Niño, as precipitações costumam ocorrer em pancadas isoladas. Então, pode chover o esperado para o mês inteiro em poucos dias e depois ficar um longo período sem chuva”.

A meteorologista lembra ainda que o último episódio do fenômeno, registrado em 2023, provocou diversas ondas de calor no estado, inclusive durante o inverno.

“Tivemos ondas de calor em agosto, setembro, outubro e novembro. O El Niño favorece justamente esse cenário de temperaturas acima da média por períodos prolongados. Dependendo da intensidade do fenômeno, esses eventos podem acontecer com mais frequência”.

Apesar dos alertas, especialistas ressaltam que ainda não é possível determinar a intensidade do próximo episódio nem estimar com precisão seus impactos econômicos. A dimensão dos efeitos dependerá do comportamento das temperaturas e das chuvas ao longo dos próximos meses.

Minas Gerais registra menor temperatura do país nesta segunda (8/6)

Monte Verde atingida pela geada – Foto: Antony Cardoso/Divulgação

O dia começou gelado em Minas Gerais, que registrou três das cinco menores temperaturas do país na manhã desta segunda-feira (8/6). De acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), os termômetros em Monte Verde, distrito de Camanducaia, no Sul do estado, marcaram apenas 1,4 °C às 6h.

Já em Maria da Fé, também no Sul de Minas, a mínima foi de 2,1°C no mesmo horário. O município mineiro foi seguido por Campos do Jordão (SP), que registrou 2,8 °C, às 7h. Nova Friburgo (RJ) ocupou o quarto lugar da lista, com 4,2 °C. Segundo o Inmet, o último lugar do ranking também é de Minas Gerais. Florestal registrou 5,5 °C, às 6h.

De acordo com o Inmet, o dia será de céu claro com possibilidade de geada no Sul e Sudoeste. Nas regiões do Jequitinhonha, Mucuri, Rio Doce e Zona da Mata, a previsão é de céu parcialmente nublado a claro nesta segunda-feira. Nas demais regiões, céu claro a parcialmente nublado.

Menores temperaturas registradas no país em 8/6

1,4 °C – Monte Verde (MG)
2,1 °C – Maria da Fé (MG)
2,8 °C – Campos do Jordão (SP)
4,2 °C – Nova Friburgo (RJ)
5,5 °C – Florestal (MG)

Frio na capital

O frio também foi sentido em Belo Horizonte, que teve a terceira manhã mais fria do ano nesta segunda-feira. De acordo com a Defesa Civil de BH, a mínima foi de 10,2 °C, às 6h, na Região Pampulha.

Conforme a meteorologia, a chegada de uma massa de ar polar vinda do Sul do país ocasiona o frio sentido nos últimos dias na capital. A partir desta segunda-feira (8/6), as temperaturas começam a subir gradualmente, com mínimas de 10°C e máximas de até 24°C.

No entanto, entre quinta (11/6) e sexta-feira (12/6), uma nova frente fria deve provocar aumento da nebulosidade e leve queda nas máximas.

Jornal Folha Regional
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