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Jornal Folha Regional

Ministério Público investiga suspeita de fraude em cota racial no curso de Medicina da UEMG Passos

Ministério Público investiga suspeita de fraude em cota racial no curso de Medicina da UEMG Passos – Foto: reprodução

O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) instaurou um procedimento para apurar uma denúncia de possível fraude no sistema de cotas raciais do curso de Medicina da UEMG, no campus de Passos. A investigação envolve um estudante que ingressou na universidade em 2023 por meio de uma vaga destinada a candidatos negros.

De acordo com a denúncia, a autodeclaração apresentada pelo aluno estaria sendo questionada por supostamente não atender aos critérios fenotípicos exigidos pelas políticas de ações afirmativas. A apuração está sob responsabilidade da 5ª Promotoria de Justiça de Passos, por meio de um Procedimento Administrativo.

O caso chama atenção por envolver um dos cursos mais concorridos do país. Caso seja confirmada alguma irregularidade, a ocupação indevida da vaga pode ter impedido que um candidato que atendia aos requisitos do sistema de cotas fosse aprovado e ingressasse na universidade.

Durante a investigação, o Ministério Público busca verificar se o processo de heteroidentificação foi realizado em conformidade com as normas previstas ou se houve eventual falha na fiscalização por parte da instituição de ensino.

Enquanto o procedimento segue em andamento, o estudante permanece frequentando normalmente as aulas.

Se a investigação concluir que houve fraude na autodeclaração, o aluno poderá sofrer sanções nas esferas administrativa, civil e criminal. Entre as possíveis consequências está o enquadramento por falsidade ideológica, prevista no artigo 299 do Código Penal, cuja pena pode incluir reclusão e multa.

Ministério Público abre nova investigação sobre venda de camarotes do Passos Rodeio Show

Ministério Público abre nova investigação sobre venda de camarotes do Passos Rodeio Show – Foto: Reprodução/EPTV

O Ministério Público instaurou uma nova investigação relacionada ao Passos Rodeio Show, cancelado recentemente em Passos (MG). Desta vez, o foco é a comercialização antecipada de ingressos para o camarote do evento, que estava previsto para ocorrer a partir do dia 14 de maio, no Parque de Exposições.

Segundo informações divulgadas pelos organizadores, aproximadamente 150 ingressos foram vendidos antes do cancelamento da festa. A promessa é de que todos os compradores sejam reembolsados ao longo desta semana.

O promotor de eventos Felipe Lemos de Oliveira, contratado para atuar na organização da festa, explicou que as vendas começaram antes da formalização do contrato com o Sindicato Rural. Segundo ele, o entendimento era de que a comercialização dos camarotes não envolveria recursos públicos.

Ainda conforme Felipe, os compradores que adquiriram ingressos pela internet receberão o dinheiro diretamente pela empresa responsável pela plataforma de vendas. Já aqueles que efetuaram a compra em dinheiro poderão procurar os pontos de venda físicos para solicitar a devolução dos valores.

O Passos Rodeio Show acabou cancelado após o Ministério Público abrir um inquérito para apurar a realização do evento. Entre os questionamentos levantados pelo órgão estavam a falta de clareza sobre a participação do poder público e do Sindicato Rural na organização da festa.

Outro ponto investigado envolve a possível terceirização de serviços por parte do sindicato. Na semana passada, o presidente do SinRural, Hélder Maia dos Reis, confirmou que alguns serviços haviam sido terceirizados para um promotor de eventos, mas afirmou não considerar a prática irregular.

Além disso, o Ministério Público também recomendou à Prefeitura de Passos a realização de licitação para contratação dos shows. A administração municipal informou que não haveria tempo suficiente para atender às exigências apontadas e decidiu cancelar o rodeio.

Em nota, o Sindicato Rural de Passos declarou que não autorizou a venda de camarotes nem o uso comercial do nome do Parque de Exposições para esse tipo de comercialização. A entidade informou ainda que notificou judicialmente a empresa responsável, determinando a suspensão imediata das vendas e a devolução dos valores pagos pelos consumidores.

Ministério Público recomenda suspensão de atos ligados ao Passos Rodeio Show e aponta possíveis irregularidades em contratações

Ministério Público recomenda suspensão de atos ligados ao Passos Rodeio Show e aponta possíveis irregularidades em contratações – Foto: reprodução

O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), por meio da 7ª Promotoria de Justiça de Passos, expediu uma recomendação oficial ao Município de Passos após identificar possíveis irregularidades envolvendo a realização do evento “Passos Rodeio Show”.

O documento integra o Inquérito Civil nº 02.16.0479.0380075.2026-57 e investiga a promoção do evento em parceria entre a Prefeitura de Passos e o Sindicato dos Produtores Rurais de Passos (SINRURAL).

Segundo o Ministério Público, as diligências iniciais revelaram que as principais atrações do evento — incluindo shows artísticos e rodeio — seriam substancialmente custeadas com recursos públicos, enquanto haveria exploração econômica de espaços por empresa privada sem processo concorrencial ou critério objetivo.

Sobreposição de despesas

Um dos principais pontos apontados pelo MPMG é a possível sobreposição de despesas entre a proposta de parceria com o SINRURAL e os contratos firmados para contratação dos artistas.

De acordo com a recomendação, despesas com camarins, hospedagem e transporte dos artistas já estariam previstas nos contratos das duplas Zé Henrique & Gabriel e Mato Grosso & Mathias, embora também constem como obrigações da entidade parceira.

Para o Ministério Público, a situação representa “grave risco ao erário” e impede a aprovação da parceria enquanto não houver saneamento das inconsistências.

Contratações de artistas são alvo de análise

O documento também analisa os processos administrativos utilizados para contratação direta dos artistas por inexigibilidade de licitação, modalidade permitida pela legislação quando há inviabilidade de competição e contratação de artistas consagrados.

Foram citados os processos referentes às duplas:

  • Zé Henrique & Gabriel;
  • Mato Grosso & Mathias;
  • João Pedro & Cristiano;
  • Emílio & Eduardo.

Segundo o MPMG, embora os artistas sejam profissionais reconhecidos e contratados por empresários exclusivos, os processos apresentariam justificativas genéricas e insuficientes para fundamentar os valores pagos.

O órgão afirma que os Estudos Técnicos Preliminares possuem textos padronizados, sem conteúdo concreto que demonstre a razoabilidade dos preços contratados.

Falta de justificativa concreta dos valores

A promotoria destacou ainda que a administração municipal teria aceitado documentos apresentados pelos próprios artistas para comprovação de compatibilidade dos preços com o mercado, sem realizar diligência própria para confirmar os valores.

O Ministério Público classificou a omissão como “inaceitável” e afirmou que ela expõe o patrimônio público a risco severo.

Diferença de preços acende alerta

No caso da dupla Mato Grosso & Mathias, a recomendação aponta uma grande diferença entre os valores contratados por outros municípios e o valor previsto para Passos.

Segundo levantamento do MPMG:

  • A média de contratação da dupla em municípios mineiros foi de R$ 189.169,18;
  • O show em Passos foi contratado por R$ 465 mil.

Entre os exemplos apresentados pelo Ministério Público estão:

  • Crucilândia — R$ 113 mil;
  • Buritizeiro — R$ 112 mil;
  • Bambuí — R$ 110 mil;
  • Camacho — R$ 110 mil;
  • João Pinheiro — R$ 100 mil;
  • Indianópolis — R$ 95 mil;
  • Claraval — R$ 94,2 mil;
  • Campos Gerais — R$ 90 mil;
  • Monte Santo de Minas — R$ 88,2 mil;
  • Santana da Vargem — R$ 88 mil;
  • Santa Maria de Itabira — R$ 80,7 mil;
  • Lagoa Dourada — R$ 80 mil.

O documento também cita que a dupla teria cobrado R$ 303 mil da Prefeitura de Carmo do Rio Claro e R$ 134 mil da Prefeitura de Uberaba em 2025.

Recomendações feitas ao Município

Diante das inconsistências identificadas, o Ministério Público recomendou ao Município de Passos:

  1. Que se abstenha de aprovar a parceria com o SINRURAL enquanto não forem corrigidas as sobreposições de despesas relacionadas aos artistas;
  2. Que realize diligências para justificar os preços e os critérios de escolha dos contratados;
  3. Que, caso não exista motivação idônea para os atos, sejam anulados os processos administrativos referentes às contratações artísticas.

O MPMG ressaltou que a recomendação possui caráter preventivo e orientador, mas advertiu que poderá adotar medidas judiciais e extrajudiciais em caso de descumprimento.

A recomendação foi assinada pelos promotores de Justiça Paulo Frank Pinto Junior e Eduardo de Paula Machado, em Passos, no dia 7 de maio de 2026.

MPMG firma acordo que prevê multa de R$46 mil e remoção de conteúdo em redes sociais privadas do prefeito de Passos por utilizar servidor público para promoção pessoal

O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) firmou Acordo de Não Persecução Cível (ANPC) com o prefeito de Passos (MG), Diego Oliveira, em decorrência de uso de servidor público para a produção de vídeos usados em perfis particulares de redes sociais. A minuta prevê o pagamento de multa civil de R$ 46 mil e a remoção do conteúdo dos perfis pessoais do prefeito.

O acordo é resultado de uma investigação deflagrada pela Promotoria de Justiça do Patrimônio Público de Passos para apurar o uso de recursos públicos em atos de publicidade, nas redes sociais privadas do prefeito, de forma a promover enaltecimento do gestor e a personalização de atos, obras e serviços da municipalidade.

No início de novembro, o MPMG já havia expedido recomendação, orientando o prefeito a se abster de utilizar recursos públicos para produção de conteúdo em redes sociais privadas.

Ao término da investigação, depoimentos e inspeções revelaram que o agente político se valeu de servidor público para a produção de vídeos que foram usados em suas redes sociais privadas, para divulgação personificada de ações, obras e serviços públicos, configurando ato de improbidade administrativa.

Para a responsabilização do prefeito, foi proposto o Acordo de Não Persecução Cível (ANPC), instrumento previsto na Lei de Improbidade Administrativa (lei nº 8.429/92). Ele possibilita ao Ministério Público firmar acordo com o agente público investigado em determinados casos de improbidade administrativa. O compromissário do ANPC precisa reconhecer sua responsabilidade pelo ato ilícito e se sujeitar a sanções e obrigações para que o caso não seja objeto de ação judicial.

Diego Oliveira, prefeito de Passos/MG- Foto: reprodução

Prefeito de Passos afirma que grava vídeos com celular próprio e sem uso de recursos públicos após Recomendação do Ministério Público

Prefeito de Passos, Diego Oliveira – Foto: reprodução/redes sociais

O prefeito de Passos, Diego Oliveira, afirmou que recebeu com naturalidade a Recomendação expedida pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), que orienta para que ele não utilize servidores públicos nem recursos da administração municipal na produção de conteúdos para suas redes sociais pessoais. Segundo ele, trata-se de um procedimento comum dentro do processo de aprimoramento das instituições públicas.

O prefeito destacou manter compromisso com a legalidade, a ética e a transparência na condução da gestão municipal. Ele esclareceu que toda a criação, gravação e publicação de conteúdos em suas redes privadas são de sua inteira responsabilidade, sem uso de recursos ou equipamentos da Prefeitura. As gravações, segundo informou, são realizadas de forma espontânea, utilizando apenas seu próprio aparelho celular, sem apoio técnico, logístico ou material da estrutura administrativa municipal.

Diego Oliveira também ressaltou que suas redes sociais não são monetizadas, não possuem vínculo contratual ou financeiro com o poder público e têm caráter exclusivamente informativo e pessoal. O prefeito reforçou que respeita integralmente os princípios da impessoalidade e da moralidade administrativa previstos na Constituição Federal, e apoia as iniciativas dos órgãos de controle voltadas à transparência e ao uso correto dos recursos públicos.

Em nota, ele destacou que entende a publicidade dos atos públicos como um pilar da democracia, defendendo que a comunicação clara e a abertura ao diálogo fortalecem a confiança dos cidadãos e aumentam a credibilidade da administração pública.

Por fim, o prefeito informou que permanece à disposição do Ministério Público e da sociedade para prestar todos os esclarecimentos necessários, reafirmando seu compromisso com uma gestão ética, responsável e voltada ao interesse coletivo.

A Recomendação foi emitida pela Promotoria de Justiça de Defesa do Patrimônio Público de Passos, após uma representação que apontou possíveis irregularidades no uso de servidores para alimentar as redes sociais pessoais do prefeito. Segundo o MPMG, há indícios de que um funcionário terceirizado teria sido responsável pela produção de vídeos publicados nas plataformas privadas do chefe do Executivo municipal.

Vereadores de Bambuí gastam R$ 645 mil em diárias; MP recomenda mudança

Vereadores de Bambuí gastam R$ 645 mil em diárias; MP recomenda mudança – Foto: TV Câmara Bambuí

Os vereadores de Bambuí, no Centro-Oeste de Minas, gastaram, entre janeiro e agosto deste ano, R$ 645 mil em diárias, uma média de R$ 63,1 mil se fossem considerados todos os 11 parlamentares. É como se cada um tivesse recebido R$ 7.887,50 por mês para viagens. O alto valor levou o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) a expedir recomendação para mudanças rigorosas.

Na relação do Portal da Transparência aparecem diárias concedidas a 10 dos 11 parlamentares atuais. Só não está na lista o vereador Antônio Augusto de Faria, empossado em agosto deste ano. Ele assumiu a cadeira de Mário Sérgio Pereira, que teve o mandato cassado por quebra de decoro. Este último, inclusive, aparece na relação.

Também houve a concessão de diárias ao controlador-geral Daniel Bolina, o único servidor listado. Contudo, do montante total, ele recebeu apenas R$ 1.206,78 para participar de dois cursos em Belo Horizonte. Todo o restante saiu dos cofres públicos para custear viagens de vereadores do município de 23,5 mil habitantes.

Para se ter ideia, apenas para um curso em Brasília, denominado “Treinamento e Capacitação para Novos Vereadores e Assessores”, a Câmara desembolsou R$ 43,2 mil.

“Pagamento de diversas diárias em valor integral para idas a Belo Horizonte em simples comparecimento à Assembleia Legislativa de Minas Gerais, inclusive durante o recesso parlamentar”, relata a recomendação.

As diárias da Câmara de Bambuí estão fixadas, de acordo com a Resolução 21/2024, entre R$ 120 (para municípios acima de 30 km) e R$ 1,8 mil para viagens a Brasília. O principal destino dos parlamentares é a capital federal.

“O duodécimo orçamentário repassado ao Poder Legislativo mensalmente, é verba pública, ou seja, dinheiro originado da coletividade  (…) devendo ser utilizado criteriosamente para o pagamento dos gastos com manutenção do órgão, não estando à disposição dos vereadores para dele usufruírem de forma desnecessária e desmedida com a percepção de diárias que não se relacionam com as atividades essenciais da Câmara”, argumenta o promotor Romero Solano.

Rigor com o dinheiro público

O Ministério Público considerou os valores praticados pela Câmara como excessivos e determinou uma série de ações, entre elas a limitação do número e do valor das diárias. O órgão orienta o Legislativo a impor limites claros e objetivos para a concessão desse benefício.

O MP ainda recomenda a prestação de contas obrigatória com comprovantes detalhados, além de relatórios pormenorizados justificando cada deslocamento e sua real necessidade para o interesse público.

Outra orientação é que opções de qualificação presencial deem lugar, sempre que possível, ao ensino a distância, reduzindo custos para o município.

Sintram reforça fiscalização e transparência

O Sindicato dos Trabalhadores Municipais (Sintram) foi um dos responsáveis por denunciar a situação. Para o presidente da entidade, Marco Aurélio Gomes, a intervenção do Ministério Público fortalece o trabalho sindical e obriga o Legislativo municipal a adotar uma postura mais ética e responsável.

“O MP confirmou aquilo que já vínhamos denunciando: a farra das diárias está custando caro ao cidadão e precisa ter fim imediato. Seguiremos cobrando transparência, relatórios detalhados e o cumprimento total da recomendação. Só assim devolveremos à população o respeito pelo dinheiro público”, afirmou.

A reportagem entrou em contato com a Câmara. Ao retornar a ligação, o presidente, Luciano Cardoso, disse que faria, junto à equipe técnica, uma análise para definir as medidas que seriam adotadas, seguindo a recomendação do Ministério Público.

Dono da Ultrafarma, Sidney Oliveira é preso em operação contra esquema de corrupção

Dono da Ultrafarma, Sidney Oliveira é preso em operação contra esquema de corrupção – Foto: reprodução

empresário Sidney OIiveira, dono da rede de farmácias Ultrafarma, foi preso na manhã da última terça-feira (12) em uma operação do MPSP (Ministério Público de São Paulo) para desarticular um esquema de corrupção envolvendo auditores fiscais tributários da Secretaria da Fazenda do estado.

Na mesma ação, o diretor estatuário da rede Fast Shop, Mario Otávio Gomes, também foi preso. O auditor fiscal, suspeito de receber propinas, também foi preso durante a operação.

A Operação Ícaro foi deflagrada pelo GEDEC (Grupo de Atuação Especial de Repressão aos Delitos Econômicos) e tem apoio da Polícia Militar. A investigação identificou um grupo criminoso responsável por favorecer empresas do setor de varejo em troca de vantagens indevidas.

Estão sendo cumpridos três mandados de prisão temporária, incluindo o de um fiscal de tributos estadual, apontado como o principal operador do esquema, e os de dois empresários sócios de empresas beneficiadas com decisões fiscais irregulares — Sidney Oliveira, da Ultrafarma, e Mario Otávio Gomes, diretor estatutário da Fast Shop.

Além das prisões, os agentes dão cumprimento a diversos mandados de busca e apreensão em endereços residenciais dos alvos e nas sedes das empresas investigadas.

De acordo com o MP, o fiscal manipulava processos administrativos para facilitar a quitação de créditos tributários às empresas. Em contrapartida, recebia pagamentos mensais de propina por meio de uma empresa registrada em nome de sua mãe. O fiscal já teria recebido, até este momento, mais de R$ 1 bilhão em propina.

Os investigados poderão responder pelos crimes de corrupção ativa e passiva, organização criminosa e lavagem de dinheiro. As diligências seguem em andamento.

Em nota, a Fast Shop disse que ainda não teve acesso ao conteúdo da investigação e está colaborando com o fornecimento de informações às autoridades competentes.

Moradores de Passos reclamam de acúmulo de lixo em caçambas da zona rural; MP cobra providências

Moradores de Passos reclamam de acúmulo de lixo em caçambas da zona rural; MP cobra providências — Foto: Reprodução

Moradores da zona rural de Passos (MG) têm reclamado do acúmulo de lixo em caçambas instaladas pela prefeitura em pontos da região. Segundo eles, o material descartado ultrapassa a capacidade dos recipientes e se espalha pelas entradas de propriedades e margens de estradas. O Ministério Público apura o caso e já cobrou providências da administração municipal.

As caçambas foram colocadas em áreas rurais para atender produtores e moradores locais. No entanto, segundo relatos, moradores de outras regiões da cidade e até empresas estariam usando os pontos para descartar todo tipo de resíduo — de lixo doméstico a animais mortos, móveis, pneus e até vasos sanitários.

Na BR-146, por exemplo, o produtor rural Tássio Roberto da Silveira afirma que a situação já se tornou rotina. Ele relata que a limpeza no local é insuficiente. “Aqui foi limpado no sábado, e olha a situação que está na entrada da minha casa”, contou. Segundo ele, o lixo já chegou a ficar acumulado por mais de 20 dias.

O comerciante Luiz Ribeiro também reclama. Ele diz que, apesar da caçamba ter sido um pedido dos próprios moradores da zona rural, a iniciativa foi desvirtuada. “80% do lixo que jogam aqui é de gente da cidade. Tem até bicho morto, lixo de todo tipo. Isso suja a água que vai para o Ribeirão Bocaina. É uma vergonha”, disse.

A situação se repete em outros pontos da zona rural, como na saída para Fortaleza de Minas, próximo à Vila São José. Lá, o descarte irregular é visível, e nem mesmo a presença de câmeras de segurança tem evitado o problema. Segundo a comerciante Lorena Carvalho Silva Guardiano, o lixo já causou prejuízos.

“Já morreram três vacas por comerem plástico e vidro. A gente já viu rato, escorpião e cobra por aqui”, relatou. Em vídeo gravado por ela, é possível ver uma caçamba pegando fogo, o que agrava ainda mais os riscos.

Moradores de Passos reclamam de acúmulo de lixo em caçambas da zona rural; MP cobra providências — Foto: Reprodução

Diante das denúncias, o Ministério Público instaurou um procedimento administrativo para investigar a atuação do poder público. De acordo com o promotor de Justiça Paulo Frank Pinto Júnior, a prefeitura foi notificada a apresentar medidas emergenciais e também um plano de ação a médio prazo para resolver o problema.

“O descarte irregular configura poluição. Pessoas físicas ou empresas flagradas podem responder judicialmente e ser obrigadas a indenizar os danos causados ao meio ambiente”, alertou o promotor.

Em nota, a Prefeitura de Passos informou que as caçambas estão sendo utilizadas de forma incorreta. Além de lixo doméstico, estão sendo descartados entulhos, móveis e outros materiais inapropriados. A administração municipal afirma que a limpeza é feita uma vez por semana em cada ponto, e que aproximadamente 700 toneladas de lixo são encaminhadas mensalmente ao aterro sanitário

O procedimento aberto pelo Ministério Público ainda não tem prazo para ser concluído. A continuidade das investigações depende das respostas e ações que forem apresentadas pela prefeitura.

Via: G1

Ex-prefeito de Guapé e empresa são condenados por crime ambiental em área de descarte de lixo

Ex-prefeito de Guapé e empresa são condenados por crime ambiental em área de descarte de lixo – Foto: reprodução

A pedido do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), o ex-prefeito de Guapé (MG), Nelson Alves Lara, foi condenado a um ano, 11 meses e 10 dias de reclusão, em regime aberto, pena essa substituída por duas restritivas de direitos e 106 dias multa, no valor unitário mínimo por crime cometido contra o meio ambiente.

A empresa Locavia, que prestava serviço ao município, também foi condenada ao pagamento de 20 dias-multa, no valor unitário de 5 vezes o salário-mínimo mensal vigente ao tempo dos fatos, além da proibição de contratar com o Poder Público, bem como dele obter subsídios, subvenções ou doações, pelo prazo de um ano e 11 meses.

Segundo a denúncia, de 2017 a 2019, o então prefeito de Guapé e a empresa Locavia geraram danos ao meio ambiente do município e colocaram em risco a saúde pública. A causa foi o despejo e a manutenção irregular de entulhos e resíduos de construção civil em área sem licença ambiental, numa estação de transbordo de resíduos sólidos urbanos, localizada próxima a uma unidade de triagem de recicláveis.

Consta na denúncia que Nelson Lara, em mandatos anteriores, entre 2005 e 2012, também utilizou o local para empilhamento de lixo, causando degradação ambiental, o que comprometeu uma nascente e gerou erosão. Além do descarte de entulho, a área foi utilizada na época como matadouro municipal, o que levou o MPMG a ajuizar uma Ação Civil Pública para proibir a utilização do local sem licença ambiental.

Mas em 2017, ao assumir novo mandato, o ex-prefeito contratou a Locavia e voltou a utilizar a área, até 2019, para o descarte de lixo. Foi então que o Promotoria de Justiça de Defesa do Meio Ambiente de Guapé, por meio de um inquérito civil, apurou que o prefeito havia autorizado o uso da área pela empresa, que, por sua vez, descumpriu cláusulas contratuais relativas à responsabilidade ambiental.

Questionado pelo MPMG sobre as medidas que adotaria para proteger o meio ambiente, o então prefeito, num primeiro momento, não teria se manifestado, nem passado as informações requisitadas pela Promotoria de Justiça sobre as providencias que tomaria contra a empresa diante do descumprimento das cláusulas ambientais. Mesmo com previsão de multa em caso de irregularidades ambientais, o prefeito não teria aplicado as sanções na empresa.

“Com a cumplicidade do então prefeito, a estação de transbordo de lixo funcionou sem licenciamento ambiental e sem alvará municipal, espalhando e armazenando lixo em condições ambientalmente inadequadas, a céu aberto e em contato direto com o solo”, afirmou o procurador de Justiça Cristovam Joaquim Fernandes Ramos Filho da Procuradoria de Justiça de Competência Originária Criminal (PCO).

Ministério Público de Passos e faculdade Atenas promovem palestra sobre violência contra a mulher

Ministério Público de Passos e faculdade Atenas promovem palestra sobre violência contra a mulher – Imagem: divulgação

Na próxima terça-feira (17), acontece mais uma palestra no Ciclo de Estudos sobre “Violência Intrafamiliar e Doméstica”, a temática abordada será “Violência Contra a Mulher”. O evento é realizado pelo Ministério Público por meio das Promotorias de Justiça de Passos (MG), em parceria com a Faculdade Atenas. A programação será conduzida pelo Promotor de Justiça, Dr. Márcio Kakumoto. O ciclo de estudos “A Violência Intrafamiliar” apresenta temáticas importantes sobre o tema e reforça a necessidade de combater a violência contra a mulher.

O Promotor de Justiça Dr. Márcio Kakumoto atua na promotoria especializada em casos de violência contra a mulher. O público-alvo aborda estudantes da Faculdade Atenas e toda a comunidade de Passos e região, a atividade também será transmitido pelo canal do YouTube da Faculdade Atenas Passos, @atenas.passos. “Este tema é de extrema relevância para a sociedade, a partir de eventos como este podemos fortalecer a relação com a comunidade e destacar os altos índices de violência contra a mulher que acontecem em Minas Gerais e no país’, afirma o promotor Márcio Kakumoto.

“A Coordenação do Curso de Direito da Faculdade Atenas Passos, expressa sua satisfação e reconhecimento pela parceria estabelecida com o Ministério Público do Estado de Minas Gerais (MPMG) através do Primeiro Ciclo de Estudos Sobre Violência Intrafamiliar e Doméstica. Este convênio, formalizado em 2024, visa proporcionar aos nossos alunos a oportunidade de vivenciar atividades práticas correlatas à sua formação acadêmica, complementando o conhecimento teórico adquirido na instituição de ensino”, destaca a coordenadora do curso de Direito da Faculdade Atenas, Zaíra Garcia de Oliveira Soares. O evento acontece no dia 17 de junho, às 19 horas, no auditório da Faculdade Atenas, localizada na Rua Oscar Cândido Moreira, Monteiro, 1000. Bairro Mirante do Vale.

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