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Jornal Folha Regional

Projeto de lei fixa limite de R$ 500 mil de dinheiro público para cachês de shows e rodeios em MG

Projeto de lei fixa limite de R$ 500 mil de dinheiro público para cachês de shows e rodeios em MG – Foto: reprodução

Um projeto de lei (PL) para limitar o uso de dinheiro público no custeio de shows e rodeios conquistou apoio unânime de parlamentares, produtores de eventos e representante das prefeituras mineiras, durante audiência pública realizada na última terça-feira (12) pela Comissão de Cultura da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG).

É o PL 5.656/26, de autoria conjunta dos deputados Antonio Carlos Arantes (PL) e Professor Cleiton (PV), e que resultou da fusão de outros duas propostas anteriores apresentadas individualmente pelos mesmos deputados, sobre o mesmo tema: os PLs 5.511/26 e 5.513/26, que agora serão abandonados.

De acordo com Professor Cleiton, o texto cria normas para utilização de recursos públicos na contratação de artistas, bandas ou grupo artístico para realização de shows, rodeios, festividades e eventos culturais no Estado. O limite é de R$ 500 mil por apresentação, ou 1% da receita corrente líquida do município.

Esse limite inclui cachê artístico, despesa com transporte até chegar na cidade do evento, alimentação de artista, banda, produção e demais envolvidos no evento e qualquer outra despesa específica para realização do espetáculo que não atenda as demais apresentações.

As defesas com hospedagem e translado não estão incluídas e tem um limite extra de 10% do valor total. Para eventos realizados no Carnaval e Reveillon, o limite geral é duas vezes maior.

Outra determinação é que no mínimo 5% do valor gasto com a atração mais cara deve ser destinado à contratação de artistas mineiros. O projeto de lei também traz regras específicas para municípios com Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) menor.

De acordo com Professor Cleiton, a proposta nasceu de uma demanda dos próprios produtores de eventos, que vem se queixando de estarem sendo sufocados pelos valores exagerados que vem sendo monopolizados pelos artistas mais famosos.

“Nosso mercado está colapsando”, afirmou o produtor de eventos João Wellington Esteves. “O artista leva o dinheiro todo da festa e sobra pouco para a estrutura. A coisa está desequilibrada”. Ele disse representar um grupo de 173 produtores de eventos que defendem uma regulamentação.

O divisor de águas da inflação nos cachês artísticos, segundo Esteves, foi a pandemia. Com a retomada dos eventos, que estavam represados, a demanda aumentou e os valores dispararam. “A planilha de 2023 para cá custa três ou quatro vezes mais. Artista que em 2023 era R$ 200 mil, hoje é R$ 600 ou R$ 700 mil”, declarou ele.

O deputado Antonio Carlos Arantes disse que sua iniciativa surgiu de dificuldades enfrentadas pelos rodeios, que tem um custo muito inferior aos shows de artistas mais conhecidos. “Um vereador falou de um show no Nordeste em que foi pago R$ 1,2 milhão para o Wesley Safadão, que eu não pagaria R$ 10,00. Num lugar em que está faltando água para as comunidades! É um escárnio com o dinheiro público”, declarou o deputado.

Ele afirmou que discussões semelhantes já estão ocorrendo em Estados como a Bahia e Pernambuco, mas não na forma de projeto de lei, mas por meio de termos de ajustamento de conduta (TACs). “Tudo na vida tem que ter limite”, defendeu.

Representante da AMM apoia projeto mas aponta obstáculo jurídico

O representante da Associação Mineira de Municípios (AMM), o consultor jurídico Wederson Siqueira, destacou que a entidade foi consultada e colaborou na elaboração do projeto. “Foi um projeto construído a muitas mãos”, afirmou. Ele advertiu, no entanto, que a proposta pode enfrentar dificuldades jurídicas.

“A Lei federal 14.133 (de 2021) estabelece as regras gerais de licitação e compras públicas e diz que o município é competente para estabelecer as suas regras”, afirmou Siqueira. Segundo esta regra, uma lei estadual poderia regulamentar recursos do Estado utilizados para custear eventos, inclusive emendas parlamentares, mas não poderia instituir limites para gastos dos municípios.

O consultor jurídico sugeriu que a Assembleia conduza o debate sobre o projeto de lei de forma articulada com o Ministério Público Estadual e o Tribunal de Contas do Estado, de forma que, se a proposta legislativa encontrar obstáculos, a ideia possa prosperar na forma de um Termo de Ajustamento de Gestão (TAG).

O deputado Professor Cleiton, no entanto, lembrou que um Termo de Ajustamento não teria o mesmo alcance que uma lei. “O termo assina quem quer, enquanto a Lei vale para todos”, disse o parlamentar.

Além dos autores do projeto, outros parlamentares também declararam apoio à proposta durante a reunião. “Essa lei pode se tornar exemplo para o Brasil inteiro”, afirmou o deputado Mauro Tramonte (Republicanos), que também preside a Comissão Extraordinária de Turismo e Gastronomia da ALMG.

O deputado Bim da Ambulância (Avante) defendeu que o percentual reservado para a contratação de artistas mineiros seja elevado de 5% para 10% e elogiou a apresentação do projeto. “Isso vem moralizar esse descaso com o dinheiro público neste segmento”, disse.

O deputado Ricardo Campos (PT) destacou o caráter suprapartidário do projeto de lei. “Quando algum colega apresenta um projeto que é bom para o povo, não tem bandeira partidária, todo mundo tem que apoiar”, afirmou.

Deputado Federal Lafayette Andrada deixa REPUBLICANOS e filia ao PL

Deputado Federal Lafayette Andrada deixa REPUBLICANOS e filia ao PL – Foto: reprodução

O movimento do Partido Liberal (PL) em Minas Gerais ganhou ainda mais força com a filiação do deputado federal Lafayette Andrada, um nome experiente e de tradição política no estado.

Lafayette vem de uma família com forte atuação na política mineira e nacional, sendo filho do ex-deputado Bonifácio Andrada. Ao longo de sua trajetória, construiu uma imagem ligada ao conservadorismo, à defesa de pautas municipalistas e ao fortalecimento do legislativo.

Sua saída do Republicanos e ingresso no PL reforçam a estratégia da sigla, que em Minas é liderada pelo deputado Nikolas Ferreira, de atrair parlamentares com mandato e densidade eleitoral.

Mesmo tendo transferido seu domicílio eleitoral para Belo Horizonte, Lafayette mantém forte base em Juiz de Fora, onde historicamente concentra parte significativa de seus votos.

A chegada de Lafayette Andrada ao PL sinaliza não apenas um crescimento quantitativo da legenda, mas também um reforço qualitativo, ao incorporar um parlamentar com experiência, articulação e tradição política — fatores que podem pesar nas disputas eleitorais e na formação de alianças em Minas Gerais.

Colete refletivo pode virar item obrigatório dentro do carro no Brasil

Colete refletivo pode virar item obrigatório dentro do carro no Brasil – Foto: reprodução

O colete refletivo poderá se tornar um item obrigatório dentro dos veículos no Brasil. É o que prevê o Projeto de Lei (PL) 282/2026, apresentado pelo deputado federal Defensor Stélio Dener (Republicanos-RR).

Segundo o texto, o equipamento deverá ser utilizado pelo condutor — e, sempre que possível, também pelos demais ocupantes — quando houver imobilização do veículo em vias públicas. A regra se aplicaria especialmente em rodovias, vias de trânsito rápido ou locais com baixa visibilidade.

A proposta estabelece que o colete seja usado sempre que o motorista precisar sair do veículo após uma parada inesperada. Entre as situações citadas estão pane mecânica ou elétrica, acidente, falta de combustível, necessidade de manutenção emergencial ou qualquer outro cenário que exija a permanência do condutor fora do carro sobre a via.

O projeto também determina que veículos automotores fabricados a partir de 12 meses após a publicação da eventual lei passem a sair de fábrica com pelo menos um colete refletivo de segurança.

De acordo com o texto, a exigência não teria efeito retroativo para quem já possui um veículo. “Este Projeto de Lei não impõe custos retroativos aos proprietários de veículos já em circulação”, afirma a proposta.

Caso seja aprovado pelo Congresso Nacional, caberá ao Conselho Nacional de Trânsito (Contran) regulamentar as situações específicas de uso do colete, além de definir critérios e possíveis exceções para a obrigatoriedade do item.

Qual o motivo do uso do colete?

O autor do projeto justifica a proposta citando acidentes fatais que ocorrem durante paradas em rodovias. Segundo ele, muitas ocorrências não acontecem apenas no impacto inicial.

“Grande parte dos acidentes fatais em rodovias brasileiras ocorre não apenas no impacto inicial, mas durante paradas emergenciais, quando condutores e passageiros permanecem fora do veículo, muitas vezes à noite ou em condições de baixa visibilidade, tornando-se praticamente invisíveis para outros motoristas”, afirma.

Ainda de acordo com o parlamentar, o uso de vestimentas retrorrefletivas aumenta significativamente a distância em que uma pessoa pode ser percebida por outros motoristas, o que ajudaria a reduzir o risco de atropelamentos ou novos acidentes.

Dener também menciona que diversos países adotam o colete refletivo como item obrigatório de segurança veicular. Entre os exemplos citados está o Chile, onde o equipamento deve ficar dentro do automóvel — geralmente no porta-luvas — e ser utilizado sempre que o motorista precisar sair do veículo em rodovias.

Segundo o deputado, a medida teria baixo custo unitário e alto potencial preventivo, além de não provocar impacto relevante no preço final dos veículos.

Tramitação

O Projeto de Lei foi apresentado em 4 de fevereiro e atualmente tramita na Mesa Diretora da Câmara dos Deputados. O órgão deverá definir quais comissões temáticas irão analisar a proposta antes que ela possa seguir para eventual votação.

Projeto de Lei prevê vistoria obrigatória para carros com mais de 5 anos

Projeto de Lei prevê vistoria obrigatória para carros com mais de 5 anos – Foto: reprodução

O Projeto de Lei n°3507/2025 foi aprovado pela Comissão de Viação e Transportes da Câmara dos Deputados e prevê alterações nas regras de vistoria veicular estabelecidas atualmente no Código de Trânsito Brasileiro (CTB). A proposta regulamenta que a inspeção seja realizada de forma periódica e obrigatória para veículos que tenham a partir de cinco anos de fabricação.

O texto, de autoria do deputado Fausto Pinato (PP-SP), substituído pelo deputado Cezinha de Madureira (PSD-SP), também enquadra como infração grave circular com veículo que não tenha sido submetido à vistoria ou não apresente o laudo de reprovação. Nesse caso, o condutor terá cinco pontos computados à Carteira Nacional de Habilitação (CNH) e será submetido ao pagamento de multa no valor de R$ 195,23.

Além das punições administrativas, o Projeto de Lei n° 3507/2025 também vai permitir que veículos considerados fora da nova regulamentação sejam retidos para regularização. Outra mudança em relação à legislação atual, é o fato de que a vistoria passará a ser exigida em outras situações, como transferência de propriedade e em casos de suspeita de clonagem ou quando um veículo roubado for recuperado.

Atualmente, o procedimento é exigido apenas no ato da compra de um carro usado, em processos de emissão da CNH em que o condutor necessite de adaptação para o veículo ou para transferência de município. A realização das vistorias é vinculada ao Departamento de Trânsito (Detran) de cada estado, que credencia empresas parceiras que prestam o serviço.

A proposta tem como objetivo unificar as regras de vistoria. Na atual legislação de trânsito, as normas divulgadas pelo CTB estão pulverizadas entre o Conselho Nacional de Trânsito (Contran) e o Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama). O primeiro define a periodicidade das vistorias, bem como os itens de segurança a serem avaliados, enquanto o segundo discorre sobre a fiscalização para a emissão de gases poluentes e ruído.

Segundo o Artigo 104 do CTB, os dois órgãos citados acima são responsáveis, inlusive, por determinar a periodicidade para submeter o veículo a uma vistoria. O tópico ainda ressalta que veículos de categoria particular que comportem até sete passageiros estão isentos da inspeção por três anos a partir do primeiro licenciamento, desde que não se envolvam em sinistros de trânsito com danos de média ou grande monta e mantenham as características originais de fábrica. Para veículos novos de outras categorias, o período de isenção é de dois anos.

No projeto, que tramita em caráter de conclusão, os intervalos exigidos para a reenovação do laudos das vistorias deverá ser definida pelo Contran. O texto, aprovado em dezembro do ano passado, deve ser analisado pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania e passar pelo crivo da Câmara e do Senado para entrar em vigor.

Alago prioriza aprovação do PL do Mar de Minas e defesa da Cota 762

Alago prioriza aprovação do PL do Mar de Minas e defesa da Cota 762 – Foto: reprodução

A Associação dos Municípios do Lago de Furnas (Alago) inicia o ano com foco em duas frentes consideradas prioritárias para o desenvolvimento dos municípios do entorno do Lago de Furnas. A avaliação é do presidente da entidade e prefeito de Capitólio, Cristiano Silva, que aponta a articulação política em Brasília e a defesa do nível mínimo do reservatório como os principais desafios do momento.

Com o retorno das atividades da Câmara dos Deputados previsto para 1º de fevereiro, após o recesso parlamentar, a entidade pretende ampliar a mobilização junto aos deputados federais para viabilizar a votação do Projeto de Lei 2130/2024. A proposta cria a Região Turística Mar de Minas e reconhece a área como Área Especial de Interesse Turístico.

Durante o período de recesso, a Alago contará com o engajamento dos prefeitos filiados para sensibilizar os parlamentares e também buscará uma agenda com o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, com o objetivo de apresentar os fundamentos técnicos que embasam a aprovação do projeto. Paralelamente, a entidade segue atuando na revisão da outorga relacionada à chamada Cota 762.

A manutenção da Cota 762 é tratada pela Alago como um ponto central da pauta institucional. Cristiano Silva explica que, apesar da necessidade de liberação de água para a geração de energia, a redução do nível do lago abaixo de 762 metros acima do nível do mar causa prejuízos diretos aos municípios da região. Entre os setores mais afetados estão a piscicultura, a agropecuária e o turismo, atividades fundamentais para a economia local.

Atualmente, mesmo com o início do período chuvoso, o nível do Lago de Furnas está em torno de 757 metros, índice considerado insuficiente para garantir o pleno uso do reservatório. Diante desse cenário, a Alago defende que o governo federal promova uma alteração definitiva na outorga, elevando o nível mínimo de operação de 750 para 762 metros, de forma a assegurar o uso múltiplo das águas e a sustentabilidade econômica e ambiental da região.

Projeto prevê criação de academias gratuitas para combater sedentarismo

Projeto prevê criação de academias gratuitas para combater sedentarismo – Foto: reprodução

Está tramitando no Senado Federal um projeto de lei que cria o Pronap (Programa Nacional de Academias Públicas). A intenção é que o governo federal apoie as prefeituras na instalação de espaços de uso coletivo gratuito para estimular a prática de exercícios físicos.

O autor do PL 6.451/2025, senador Sérgio Petecão (PSD-AC), afirma que, ao combater o sedentarismo, a iniciativa pode contribuir para desafogar o Sistema Único de Saúde (SUS). Para ele, oferecer espaços seguros e gratuitos para a prática de exercícios físicos é a melhor forma de combater o sedentarismo e a obesidade.

“São espaços gratuitos, que hoje nós temos muitas academias, mas são academias que o cidadão tem que pagar. E tem muitas pessoas que não têm condições financeiras de pagar a academia, mas para que isso possa acontecer, a maioria das prefeituras não tem condição”, explicou.

O governo federal vai poder repassar recursos caso o programa seja criado, que prevê academias voltadas para todas as idades, sempre com acompanhamento de profissional de educação física.

Para Petecão, investir em atividade física previne doenças e reduz a pressão sob o Sistema Único de Saúde.

“No momento que aquele cidadão recupera a sua saúde, é menos um paciente que vai estar superlotando as unidades de saúde, as UPAs, os pronto-socorro. Tem muitas pessoas que são diagnosticadas com doenças, que exigem que ele pratique esporte, mas ele não tem condições financeiras de cumprir aquela determinação médica”, avaliou.

Para viabilizar o projeto, o governo federal poderá fazer parcerias com estados, municípios, entidades do Sistema S, como o SESI, organizações da sociedade civil, além da iniciativa privada.

Redução de penas que beneficia Bolsonaro e condenados pelo 8 de janeiro é aprovada após noite de confusão na Câmara

Redução de penas que beneficia Bolsonaro e condenados pelo 8 de janeiro é aprovada após noite de confusão na Câmara – Foto: reprodução

A Câmara dos Deputados aprovou, na madrugada desta quarta-feira (10), o projeto de lei que reduz as penas dos condenados pelos crimes relacionados aos ataques de 8 de janeiro, entre eles o ex-presidente Jair Bolsonaro.

A nova regra prevista no chamado PL da Dosimetria faz com que as penas por dois crimes — golpe de Estado e abolição violenta do Estado democrático de Direito — não sejam mais somadas. Passa a prevalecer apenas a pena maior, para tentativa de golpe de Estado, de 4 a 12 anos.

Com isso, as penas totais de Bolsonaro e dos demais condenados no julgamento de setembro seriam reduzidas.

O texto foi aprovado pelo Plenário com 291 votos. Votaram contra 148 parlamentares. O projeto segue agora para o Senado. Ele também precisa passar pela sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que pode vetá-lo integralmente ou em partes. Eventuais vetos ainda poderiam ser derrubados pelo Congresso.

A votação foi cercada de tumulto. O presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), anunciou na manhã de terça-feira (9/12) a inclusão da análise do projeto da dosimetria na pauta, em uma decisão que surpreendeu a bancada governista no Congresso.

Parlamentares alinhados ao governo tentaram retirar o projeto da pauta, mas a solicitação foi derrotada por 294 votos a 146.

À tarde, o deputado Glauber Braga (PSOL-RJ) chegou a ocupar a Mesa Diretora da Câmara, após Motta anunciar também a análise, na próxima semana, de um processo que pode cassar seu mandato.

Ele responde a um processo interno por falta de decoro parlamentar após ter empurrado e chutado um integrante do Movimento Brasil Livre (MBL) em abril de 2024.

Braga foi retirado à força pela Polícia Legislativa, que também ordenou a saída de jornalistas. O sinal da TV Câmara foi cortado, assim como a transmissão pelo YouTube.

A votação do PL da Dosimetria teve início por volta da meia-noite. O texto foi aprovado perto de 2h30 da madrugada de quarta, quando teve início a apreciação dos destaques, analisados até perto de 4h.

O que foi aprovado – e como Bolsonaro é afetado

O texto aprovado impede a soma das penas dos crimes de tentativa de golpe de Estado (que vai de 4 a 12 anos) e de abolição violenta do Estado democrático de Direito (4 a 8 anos), passando a valer apenas o de maior pena.

A mudança, na prática, reduz as penas finais dos condenados pelos ataques do 8 de janeiro.

O projeto também prevê uma progressão mais rápida da pena em regime fechado, reduzindo o tempo mínimo para saída após cumprimento de até 1/6 nos casos em que não foi constatado nenhum crime contra a vida. A lei hoje exige 1/4.

Também estabelece a contabilização dos dias de trabalho ou estudo de detentos em prisão domiciliar para a redução da pena.

Nesse cenário, o período de cumprimento da pena em regime fechado de Bolsonaro poderia cair para até 2 anos e 4 meses, caso ele trabalhe e estude na prisão, segundo o relator da proposta, deputado federal Paulinho da Força (Solidariedade-SP).

A estimativa anterior era de que o ex-presidente cumpriria a pena em regime fechado até abril de 2033, totalizando mais de 7 anos.

Em setembro ele foi condenado a 27 anos e três meses de prisão, tempo que também seria reduzido, por conta da absorção do crime de abolição violenta do Estado democrático de Direito pelo de golpe de Estado.

“Vamos pegar o caso do Bolsonaro. Ele foi condenado a 27 anos e três meses de prisão (…) nesse projeto que vamos votar, isso se reduz à medida em que juntamos as duas penas, a pena fica em 20 anos e 8 meses (…) com a remissão de penas, dá 2 anos e 4 meses (para que ele saia)”, disse o parlamentar em entrevista coletiva antes da aprovação na Câmara.

O PL também reduz entre 1/3 e 2/3 das penas para crimes forem praticados em contexto de “multidão”. Neste caso, a mudança não afetaria Bolsonaro, que foi considerado pela Justiça como um dos líderes da suposta trama golpista.

Caso vire lei, o projeto deve beneficiar todos os condenados com Bolsonaro em setembro pela tentativa de golpe de Estado: o ex-comandante da Marinha, Almir Garnier; o ex-ministro da Defesa, Paulo Sérgio Nogueira; o ex-ministro da Casa Civil, Walter Braga Netto; o ex-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), Augusto Heleno; o ex-ministro da Justiça, Anderson Torres; e o deputado federal Alexandre Ramagem.

Eles foram condenados a penas que variam de 16 a 24 anos em regime fechado.

Segundo a Agência Câmara, como o projeto prevê que a lei pode retroagir para beneficiar o réu, a nova regra implicaria a revisão das sentenças para dois crimes, prevalecendo a pena do crime maior (de 4 a 12 anos) por tentativa de golpe de Estado. Agravantes e atenuantes ainda seriam aplicáveis sobre o cálculo.

A conta final das penas de prisão ainda seria definida pelo Supremo Tribunal Federal.

Anistia e dosimetria

Apesar de reconhecer que o projeto beneficiaria Bolsonaro, Paulinho da Força nega que o texto tenha sido feito exclusivamente em favor do ex-presidente.

“A redução que eu faço é geral. Não tem distinção deste ou daquele. Vou reduzir da menina do batom e para o Bolsonaro, também”, disse o parlamentar em entrevista coletiva na manhã de terça.

A menção à “menina do batom” foi uma referência a Débora Rodrigues dos Santos, que foi condenada pelo STF a 14 anos de prisão por ter usado um batom para pichar uma estátua na Praça dos Três Poderes no 8 de janeiro.

Seu caso ficou conhecido e foi usado por bolsonaristas como suposta evidência de abusos cometidos pelo STF na condução dos casos envolvendo o episódio.

Desde a derrota de Jair Bolsonaro nas eleições de 2022, a bancada bolsonarista e parte do chamado Centrão vinha defendendo a aprovação de uma anistia aos envolvidos nos atos de 8 de janeiro.

O projeto de lei que deu origem à mudança de regras no cálculo das penas aprovado pela Câmara na quarta, de autoria do deputado Marcelo Crivella (Republicanos-RJ), originalmente propunha a concessão de anistia aos condenados pela tentativa de golpe.

A ideia, conduto, enfrentou resistência tanto na esfera política quanto na opinião pública e no mundo jurídico.

Em setembro, por exemplo, uma pesquisa conduzida pelo Instituto Datafolha apontou que 54% da população brasileira era contra uma anistia a Bolsonaro, enquanto 39% seria a favor.

Em meio ao impasse, a oposição passou a defender um projeto diferente, prevendo a redução das penas de condenados na chamada trama golpista, que deu origem ao substitutivo proposto por Paulinho da Força.

Texto que limita novas datas comemorativas ‘passa na frente’ e avança na Câmara

Comissão de Legislação e Justiça (CLJ) da Câmara de BH é composta atualmente pelos vereadores Uner Augusto (PL), Dra. Michelly Siqueira (PRD), Fernanda Pereira Altoé (Novo), Edmar Branco (PCdoB) e Vile (PL) – Foto: Tatiana Francisca

Enquanto seguem paradas na Comissão de Legislação e Justiça (CLJ) da Câmara de Belo Horizonte propostas que tentam instituir novas datas comemorativas em 7 de julho, um projeto que propõe justamente limitar o uso de uma mesma data para diferentes celebrações no calendário oficial da cidade já recebeu parecer favorável e avançou na Casa.

O Projeto de Lei (PL) que “veda a instituição de mais de uma data comemorativa no mesmo dia” recebeu parecer pela constitucionalidade em 24 de junho, 18 dias após ser protocolado pelo autor, vereador Uner Augusto (PL), que também é presidente da CLJ. Por outro lado, as propostas 215/2025 e 265/2025 – que preveem a data 7 de julho como celebração do Dia Municipal de Prevenção às Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs) e o Dia Municipal do DIU – estão paradas no mesmo colegiado. Os projetos foram protocolados há 66 dias e 45 dias, respectivamente.

As propostas que aguardam parecer da CLJ são uma resposta de vereadores de esquerda ao Dia Municipal dos Métodos Naturais, que passou a ser celebrado em 7 de julho na capital mineira após proposta apresentada por Uner Augusto. Como presidente da CLJ, Uner é quem define quais projetos serão votados e quem será o relator das propostas. O projeto que cria o dia de prevenção às ISTs em Belo Horizonte está parado na comissão depois que o próprio Uner – que se designou relator – fez diligências à prefeitura, o que pode travar o projeto no colegiado por pelo menos um mês, já que a prefeitura tem 30 dias para responder aos questionamentos.   

Entre as perguntas enviadas à gestão municipal está: “A criação de um novo dia comemorativo na área da saúde sexual e reprodutiva teria, na visão da Secretaria de Saúde, efetivo impacto na adesão da população aos serviços de prevenção e no combate ao estigma das ISTs? Ou seria mais eficaz fortalecer ações já institucionalizadas em outras datas oficiais?”. Procurado, o vereador Pedro Rousseff (PT), autor do projeto sobre as ISTs, classificou o movimento do colega como “uma manobra claramente protelatória”. 

Já o prazo para apresentação do parecer sobre o projeto do Dia do DIU foi prorrogado por Uner, que também se autodesignou relator da proposição. Teoricamente, ele deveria ter se manifestado até o dia 23 de junho, mas estendeu o prazo para 14 de julho.

Na avaliação da vereadora Iza Lourença (PSOL), autora da proposta sobre o DIU, a Casa estaria impondo obstáculos à tramitação de projetos da esquerda. “A Câmara tem um regimento para que os projetos dos vereadores sejam pautados, sem perseguições políticas. Mas o que estamos vendo é uma dificuldade da CLJ em pautar os projetos da esquerda, especialmente das mulheres”, diz. A crítica não é isolada: outros parlamentares do campo têm apontado o mesmo padrão nos últimos meses, chegando a fazer reclamações em plenário, que são rebatidas por parlamentares de bancadas adversárias.

O Aparte procurou o vereador Uner Augusto para comentar a prorrogação do PL 265/2025 e a tramitação dos projetos de lei na CLJ, mas não houve resposta.

CDR aprova proposta que assegura livre acesso a praias, rios, cachoeiras e outras áreas naturais de interesse turístico

CDR aprova proposta que assegura livre acesso a praias, rios, cachoeiras e outras áreas naturais de interesse turístico - Foto: reprodução
CDR aprova proposta que assegura livre acesso a praias, rios, cachoeiras e outras áreas naturais de interesse turístico – Foto: reprodução

Durante a reunião desta terça-feira (13), a Comissão de Desenvolvimento Regional (CDR) aprovou, de forma terminativa, o projeto de lei que garante o livre acesso a praias, cachoeiras e outras áreas naturais públicas de grande beleza ou interesse turístico (PL 2/2021). De autoria da senadora Leila Barros (PDT-DF). O projeto segue agora para análise da Câmara dos Deputados, caso não haja recurso para votação em Plenário.

Pelo texto aprovado, o Estatuto da Cidade, de 2001, passará a assegurar expressamente o acesso a locais naturais públicos, com a proibição de ações que restrinjam ou privatizem esses espaços. Os planos de expansão urbana deverão contar com medidas que possibilitem a circulação nesses locais.

De acordo com Leila, embora previsto em lei, o livre acesso às praias e ao mar tem sido dificultado por construções ou urbanizações projetadas para restringir o acesso apenas aos seus moradores. Esse processo tem atingido também outros sítios naturais de grande beleza cênica ou de interesse para a visitação pública, como montanhas e cachoeiras.

“Estamos diante de um preocupante processo de privatização desses bens de uso comum, com construções ou urbanizações que limitam o acesso apenas a moradores ou frequentadores autorizados. Queremos garantir que o direito ao lazer, ao esporte e ao turismo seja assegurado de forma democrática e igualitária”, justificou a senadora.

A proposta teve relatoria favorável do senador Astronauta Marcos Pontes (PL-SP). Para ele, “o contato com esses sítios estimula a conscientização e a educação ambiental […] e ao disciplinar sua visitação, a proposição contribui para a geração de emprego e renda no entorno desses lugares.

Projeto de lei quer proibir atendimento a bebê reborn no SUS em Minas Gerais

Projeto de lei quer proibir atendimento a bebê reborn no SUS em Minas Gerais - Foto: reprodução
Projeto de lei quer proibir atendimento a bebê reborn no SUS em Minas Gerais – Foto: reprodução

Um projeto de lei protocolado na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), nesta terça-feira (13 de maio), propõe a proibição do atendimento a bonecas do tipo “bebê reborn” e outros objetos inanimados nos serviços públicos de saúde do Estado. A proposta é de autoria do deputado estadual Caporezzo (PL), que argumenta que o PL foi protocolado após relatos de solicitações de atendimento a esse tipo de boneca em unidades de saúde.

Questionada pela reportagem, a Secretaria Municipal de Saúde de Belo Horizonte afirmou que “desconhece qualquer registro” de atendimento de bonecas ou objetivos inanimados. A Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais foi questionada, mas não retornou até o fechamento desta matéria.

O projeto de lei de Caporezzo estabelece que “fica terminantemente proibido a utilização de qualquer serviço público em situações de atendimentos à bonecas reborn e qualquer outro tipo de objeto inanimado no Estado de Minas Gerais”. Caso a regra seja descumprida, o texto prevê multa equivalente a dez vezes o valor do serviço prestado, destinada ao tratamento de pessoas com transtornos mentais.

Na justificativa, o deputado afirma que a medida busca evitar o uso indevido dos serviços públicos e cita “diversos casos de ‘pais’ de bonecas reborn exigindo auxílio médico no serviço de emergência dos hospitais brasileiros”. Ele argumenta que situações desse tipo “colocam em risco direto de vida pessoas que procuram o serviço de emergência nosocomial, justamente por ser uma emergência”.

O parlamentar também publicou um vídeo nas redes sociais para apresentar o projeto. No vídeo, gravado em tom de deboche, Caporezzo simula uma conversa com uma mulher que leva uma boneca reborn ao seu gabinete e solicita a criação de uma lei para emitir certidão de nascimento ao boneco. Ao final da cena, o deputado afirma: “Levem ela para o hospício”. Na legenda, ele comenta: “Esse tumulto em torno do boneco diz muito sobre nossa sociedade. Alguém precisa dar um basta”.

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