Minas está em alerta de alto risco para disparada de doenças respiratórias, aponta Fiocruz – Foto: reprodução
Minas Gerais está entre os cinco estados brasileiros em nível de alerta para alto risco de aumento dos casos de síndrome respiratória aguda grave (SRAG). O dado consta na nova edição do Boletim InfoGripe, divulgada nesta quinta-feira (16), pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), que aponta tendência de crescimento da doença no estado, na contramão da maior parte do país.
No cenário nacional, os casos de SRAG apresentam sinal de queda nas tendências de longo prazo – das últimas seis semanas – e de curto prazo – das últimas três semanas. Contudo, em Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, os casos seguem em crescimento.
Entre as principais causas está a alta de diagnósticos do vírus sincicial respiratório (VSR), que atinge principalmente crianças de até 2 anos e ainda se mantém em níveis elevados nesses estados. O aumento também é observado em relação à influenza A. Segundo o InfoGripe, embora o período sazonal já tenha se encerrado em boa parte do país, os casos graves provocados pelo vírus continuam altos em Minas Gerais, Paraná e Roraima.
Já os casos graves por influenza B continuam aumentando em alguns estados da região Centro-Sul, entre eles Distrito Federal, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Santa Catarina.
A Secretaria Municipal de Saúde (SMS) de Belo Horizonte confirmou nessa quarta-feira (15/7) que o atendimento para adultos também “opera sob status de alerta, seguindo os critérios do plano de contingência”. De acordo com a pasta municipal, foram cerca de 29 mil atendimentos no mês, apenas até o dia 13 de julho. Em 2026, de janeiro até o momento, as UPAs e os centros de saúde já registraram cerca de 356 mil atendimentos por doenças respiratórias.
Diante desse contexto, os especialistas da Fiocruz destacam a importância da adoção de medidas preventivas, como manter a higiene respiratória, lavar as mãos, cobrir o nariz e a boca com o braço ou um lenço de papel ao tossir ou espirrar e fazer isolamento em caso de sintomas de gripe ou resfriado. Se isso não for possível, a orientação é sair de casa usando máscara. Além disso, é fundamental manter a vacinação em dia.
Incidência e mortalidade
O estudo da Fiocruz revela ainda que a incidência e a mortalidade semanais médias, nas últimas oito semanas epidemiológicas, mantêm no país o cenário típico de maior impacto nos extremos das faixas etárias. Enquanto a incidência de SRAG é mais elevada entre crianças de até 2 anos, a mortalidade é maior na população com 65 anos ou mais.
A incidência de SRAG nessa faixa etária está associada principalmente ao vírus sincicial respiratório. Já a mortalidade entre os idosos tem como principal causa a influenza A.
Em relação aos casos de SRAG por influenza A, a incidência tem apresentado maior impacto entre crianças menores de 2 anos, enquanto a mortalidade é mais elevada na população com 65 anos ou mais. Já a influenza B também apresenta maior incidência entre crianças menores de 2 anos, enquanto a mortalidade é mais elevada tanto nessa faixa etária quanto entre os idosos.
O que é a SGRA?
A síndrome respiratória aguda grave (SRAG) é uma infecção respiratória grave que compromete os pulmões e provoca dificuldade para respirar. A doença pode causar lesões nos alvéolos pulmonares, estruturas responsáveis pelas trocas gasosas, e, em muitos casos, está associada à pneumonia, o que agrava o quadro clínico e pode exigir atendimento médico especializado.
Anvisa autoriza novo medicamento para menopausa sem uso de hormônios – Foto: reprodução
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou um novo tratamento para os sintomas vasomotores da menopausa, como ondas de calor e suores noturnos. A novidade é que o medicamento, chamado fezolinetanto, é o primeiro desenvolvido especificamente para essa finalidade sem utilizar hormônios.
O produto será comercializado no Brasil pela farmacêutica Astellas sob o nome Veoza e será disponibilizado em comprimidos de uso diário.
A aprovação representa uma nova possibilidade terapêutica para mulheres que não podem fazer reposição hormonal ou que optam por não utilizar esse tipo de tratamento. Entre os casos mais comuns estão pacientes com histórico de câncer de mama, contraindicações cardiovasculares ou simplesmente aquelas que preferem alternativas não hormonais.
Como o medicamento funciona
Diferentemente da terapia hormonal, que busca compensar a redução dos níveis de estrogênio, o fezolinetanto atua diretamente em um mecanismo cerebral relacionado ao surgimento dos fogachos.
No organismo feminino, o hipotálamo — região do cérebro responsável pelo controle da temperatura corporal — funciona como um verdadeiro termostato. Antes da menopausa, os hormônios estrogênicos ajudam a manter o equilíbrio de uma substância chamada neurocinina B, que participa da regulação térmica.
Com a diminuição da produção de estrogênio pelos ovários, esse equilíbrio é alterado. A neurocinina B passa a estimular excessivamente determinados neurônios do hipotálamo, provocando sinais equivocados de aumento de temperatura. Como consequência, surgem as ondas de calor repentinas, vermelhidão na pele e episódios de suor intenso, especialmente durante a noite.
O fezolinetanto bloqueia justamente o receptor utilizado pela neurocinina B para agir nesses neurônios. Ao impedir essa ligação, o medicamento ajuda a estabilizar o controle da temperatura corporal, reduzindo a frequência e a intensidade dos sintomas.
Quando o remédio estará disponível?
Embora tenha recebido aprovação da Anvisa na última segunda-feira (22), o medicamento ainda não pode ser comercializado imediatamente no país.
Antes de chegar às farmácias, o produto precisa passar pela análise da Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED), órgão responsável por definir o preço de venda ao consumidor. Até o momento, não há previsão para a conclusão dessa etapa nem para o início da comercialização no Brasil.
Referência em emagrecimento e saúde metabólica, Dr. Victor Freitas participa de um dos maiores congressos de cardiologia do Brasil – Foto: arquivo pessoal
Entre os dias 4 e 6 de junho, o médico Dr. Victor Freitas participou do 46º Congresso da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo (SOCESP), realizado no Transamerica Expo Center, em São Paulo.
Reconhecido como um dos mais importantes eventos científicos da cardiologia brasileira, o congresso reuniu milhares de especialistas, pesquisadores e profissionais da saúde para discutir os principais avanços da medicina, com destaque para temas como obesidade, inflamação crônica, saúde metabólica, prevenção cardiovascular, longevidade e novas estratégias terapêuticas para doenças cardiometabólicas.
A participação no evento reforça o compromisso de Dr. Victor com a atualização científica constante e com a busca pelas melhores evidências para oferecer tratamentos cada vez mais seguros, modernos e individualizados aos seus pacientes.
Durante o congresso, Dr. Victor teve a oportunidade de reencontrar um de seus mentores, o cardiologista Dr. Pedro Schwartzmann, uma das principais referências nacionais em cardiologia, prevenção cardiovascular e educação médica.
Formado pela Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (FMRP-USP), onde também concluiu seu doutorado (PhD), Dr. Pedro atua como médico assistente e preceptor do Hospital das Clínicas da FMRP-USP, sendo reconhecido nacionalmente por sua atuação na assistência, pesquisa científica, formação de médicos e mentoria profissional. Sua contribuição para a medicina vai além da prática clínica, influenciando a formação de centenas de profissionais e promovendo uma visão moderna, ética e baseada em evidências da medicina.
Segundo Dr. Victor Freitas, um dos pontos mais marcantes do congresso foi observar como a obesidade tem sido cada vez mais discutida dentro da cardiologia moderna.
“Hoje sabemos que a obesidade não é apenas uma questão de peso. Ela está diretamente relacionada à inflamação crônica, diabetes, hipertensão arterial, doenças cardiovasculares e redução da expectativa de vida. Participar de eventos como a SOCESP permite trazer aos pacientes o que existe de mais atual na medicina baseada em evidências”, destacou.
Para o médico, o contato com grandes nomes da medicina brasileira e a participação frequente em congressos, cursos e programas de aperfeiçoamento são fundamentais para oferecer um atendimento de excelência.
“A busca contínua por conhecimento é uma forma de cuidar melhor das pessoas. Quando estudamos mais, conseguimos tomar decisões mais seguras, individualizar tratamentos e proporcionar mais saúde, qualidade de vida e longevidade aos nossos pacientes.”
A presença de Dr. Victor Freitas no congresso reforça seu compromisso com a atualização científica permanente e com a promoção de uma medicina focada não apenas no emagrecimento, mas também na prevenção de doenças, na saúde metabólica e na construção de uma vida mais saudável e longeva para seus pacientes.
Piumhi vai receber centro de hemodiálise e fortalecer atendimento regional de saúde – Foto: reprodução
Pacientes que dependem de hemodiálise em Piumhi e cidades vizinhas estão mais próximos de contar com atendimento especializado sem a necessidade de longos deslocamentos. O município foi incluído pelo Governo de Minas Gerais no plano de expansão da rede estadual de tratamento renal e receberá uma nova unidade de hemodiálise instalada na Santa Casa.
O projeto está em fase final de preparação e contará com investimento de R$ 4 milhões do Estado. A estrutura funcionará no subsolo do hospital e foi planejada para atender não apenas a população de Piumhi, mas também moradores de diversos municípios da microrregião.
Atualmente, muitos pacientes precisam percorrer dezenas de quilômetros várias vezes por semana para realizar o tratamento em centros localizados em outras cidades. Um dos exemplos é o município de São Roque de Minas, cujos moradores frequentemente se deslocam até Passos para receber atendimento.
A chegada do novo serviço deve reduzir significativamente esse deslocamento, oferecendo mais comodidade, segurança e qualidade de vida aos pacientes renais crônicos que dependem do procedimento para sobreviver.
A iniciativa faz parte de uma estratégia estadual para ampliar a oferta de tratamento especializado em regiões que ainda apresentam dificuldades de acesso. Além de Piumhi, o Governo de Minas anunciou novas unidades de hemodiálise nos municípios de Guanhães, Cássia, Águas Formosas, Nanuque, Serro, Taiobeiras, Lagoa da Prata, São João Nepomuceno, Além Paraíba e Vespasiano.
Segundo dados da Secretaria de Estado de Saúde, Minas Gerais possui atualmente 90 centros de hemodiálise em funcionamento. A ampliação da rede ocorre em resposta ao crescimento da demanda pelo serviço, que atendeu aproximadamente 14 mil pacientes ao longo de 2025.
Com a nova unidade, Piumhi passa a se consolidar como um polo regional de atendimento em saúde, fortalecendo a assistência especializada e ampliando o acesso ao tratamento para moradores de toda a região.
Hospital São Sebastião, em Três Corações — Foto: Reprodução
O Hospital São Sebastião, em Três Corações (MG), confirmou três mortes de pacientes diagnosticados com síndrome respiratória aguda grave (SRAG) desde a implantação de novos leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) destinados ao atendimento desses casos. As vítimas são um homem de 75 anos, morador de Ouro Fino, uma mulher de 62 anos, de Itanhandu, e um homem de 39 anos, que faleceu na madrugada desta segunda-feira (8).
A ampliação da estrutura faz parte de uma estratégia de apoio à rede estadual de saúde. Ao todo, foram disponibilizados 33 novos leitos de UTI para pacientes com SRAG, sendo 19 destinados ao público adulto e 14 à pediatria. Atualmente, dez vagas estão ocupadas, principalmente por pacientes com diagnóstico de influenza.
A unidade também informou que continua recebendo pacientes encaminhados pelo sistema estadual de regulação. Novas transferências vindas de Muriaé já foram confirmadas, o que poderá aumentar a taxa de ocupação nos próximos dias.
Entre os pacientes internados atualmente estão moradores de diferentes cidades do Sul de Minas. Segundo o hospital, há dois pacientes de Varginha, dois de Três Corações e dois de Carmo da Cachoeira. Também estão em tratamento pacientes de Boa Esperança, Lambari, Carmo de Minas e Ipuiúna, com um representante de cada município.
Na ala pediátrica, uma criança que chegou a necessitar de cuidados intensivos apresentou melhora clínica e foi transferida para a enfermaria.
A médica responsável pelo setor de internação, Lavínia Vanoni Toledo, explicou que os três pacientes que morreram deram entrada na unidade em condições graves, exigindo atendimento intensivo imediato.
“São pacientes que chegam com um comprometimento respiratório muito importante, já necessitando de suporte intensivo. Infelizmente, mesmo com toda a assistência, alguns quadros evoluem de forma muito rápida”, explicou a médica.
Conforme a profissional, os pacientes atendidos chegam ao hospital por meio da Central de Regulação do Estado (CORE) ou pelo pronto-socorro da própria instituição, desde que apresentem sintomas compatíveis com síndrome respiratória aguda grave.
“A gente reforça a importância de procurar atendimento logo no início dos sintomas, principalmente em casos de falta de ar, febre persistente e piora rápida do quadro. Chegar precocemente pode fazer toda a diferença”, alertou.
Dados da Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais apontam que, somente em 2026, já foram registradas 1.160 notificações de SRAG em todo o estado, com 51 mortes confirmadas. Considerando apenas as quatro semanas epidemiológicas mais recentes, foram contabilizadas 319 notificações e seis óbitos.
Diante do aumento dos casos, a direção do hospital orienta que pessoas com sintomas respiratórios adotem medidas preventivas, como o uso de máscaras, evitar ambientes com aglomeração e manter a vacinação atualizada, especialmente contra a gripe.
Médico ganha destaque com abordagem personalizada no emagrecimento e saúde metabólica em Passos – arquivo pessoal
O aumento da obesidade tem preocupado profissionais de saúde em todo o mundo. Segundo o Atlas Mundial da Obesidade 2025, cerca de metade da população adulta poderá estar acima do peso até 2030.
Em meio a esse cenário, cresce também a procura por tratamentos mais seguros, individualizados e baseados em evidências científicas.
Em Passos (MG), o Dr. Victor Freitas vem chamando atenção pela atuação voltada ao emagrecimento saudável, saúde metabólica, qualidade de vida e longevidade.
Segundo o médico, o emagrecimento precisa ser tratado de forma individualizada, respeitando metabolismo, rotina, hábitos, composição corporal e histórico clínico de cada paciente.
“Cada corpo responde de uma forma. O emagrecimento vai muito além de dieta. Existem fatores hormonais, metabólicos, comportamentais e inflamatórios que precisam ser avaliados com precisão”, explica.
ESTRATÉGIAS PERSONALIZADAS
Com a popularização de protocolos prontos nas redes sociais, o médico alerta para os riscos de abordagens genéricas e sem acompanhamento adequado.
“Muitas pessoas tentam métodos extremos, fazem restrições exageradas ou usam medicações sem critério. Isso pode gerar perda de massa muscular, efeito sanfona e prejuízos à saúde”, destaca.
Além da avaliação clínica, Dr. Victor utiliza ferramentas como bioimpedância e análise metabólica para acompanhar composição corporal, evolução e resposta individual ao tratamento.
Segundo ele, fatores como sono, alimentação, energia, nível de atividade física, histórico de tentativas frustradas e saúde emocional também influenciam diretamente os resultados.
CIÊNCIA, HÁBITOS E LONGEVIDADE
Para o médico, a obesidade deve ser tratada como uma doença crônica, assim como hipertensão e diabetes, exigindo acompanhamento adequado e estratégias sustentáveis a longo prazo.
“A obesidade não é falta de força de vontade. É uma condição complexa, que precisa ser tratada com ciência, responsabilidade e acompanhamento individualizado”, afirma.
A proposta do acompanhamento, segundo ele, é unir medicina baseada em evidência, mudança de hábitos e melhora da composição corporal, sempre priorizando saúde e qualidade de vida.
ALERTA SOBRE AUTOMEDICAÇÃO E DIETAS RADICAIS
Dr. Victor Freitas também alerta sobre o crescimento da automedicação e do uso indiscriminado de substâncias para emagrecimento.
“Hoje existe muita informação superficial nas redes sociais. O problema é quando as pessoas começam tratamentos sem avaliação adequada, sem acompanhamento e sem entender os riscos envolvidos”, ressalta.
Segundo ele, o objetivo do tratamento não deve ser apenas perder peso rapidamente, mas construir resultados sustentáveis e preservar saúde, disposição e massa muscular.
Estação seca já multiplica incêndios e riscos à saúde em MG – Foto: reprodução
O ano começou com baixa incidência de incêndios florestais em Minas Gerais em relação a 2025, mas houve um aumento súbito em abril, comparado ao mesmo mês do ano passado. E o risco de queimadas cresce, à medida em que o período de seca avança. No quarto mês de 2025, houve 340 ocorrências. Em abril deste ano, o estado somou 918 registros, o que representa uma alta de 170%. Desses, 42 foram em Belo Horizonte, contra 37 no mesmo mês do ano passado, um aumento de 13,5%. Aliados ao início da estiagem, os feriados prolongados são os principais fatores para a alta nos casos, o que preocupa o Corpo de Bombeiros Militar (CBMMG). Depois da semana santa, Tiradentes e Dia dos Trabalhadores, há mais um feriadão à vista, o Corpus Christi, no início de junho, que pode elevar os riscos.
Baixa umidade do ar, escassez de chuvas, com o consequente ressacamento da vegetação, descuido e até ações criminosas formam o combo das queimadas. “Estamos em uma crescente. O período de estiagem, junto com essa combinação de fatores, começa a se estabelecer de maneira mais evidente a partir de abril”, lembra o porta-voz do Corpo de Bombeiros, tenente Henrique Barcellos. Desde o início da seca, e da sequência de feriados prolongados, os militares estão de prontidão para novos incêndios – sobretudo em unidades de conservação (UCs).
“Esses períodos de feriado acabam coincidindo com o aumento de ocorrências em parques, unidades de conservação (UCs), em áreas de amortecimento, porque as pessoas buscam esses locais para fazer trilhas e ecoturismo. E, infelizmente, até de maneira inadvertida, acabam deixando para trás uma fonte de ignição, um fogareiro, uma fogueira mal apagada”, explica.
Segundo Barcellos, muitos frequentadores de parques estaduais, onde há áreas protegidas, não se atentam para cuidados como apagar as fogueiras, o que pode acarretar incêndios. Outros comportamentos, como queimar lixo, limpar lotes ou gerar um incêndio à margem de rodovias próximas às UCs também preocupam a corporação.
Eventos recentes ilustram a situação, que tende a se agravar nos próximos meses. Na noite 26 de abril, um incêndio consumiu uma área de 4 mil metros quadrados de vegetaçãoem um lote vago no Bairro Santa Luzia, em Juiz de Fora, na Zona da Mata Mineira. De acordo com o Corpo de Bombeiros, as chamas atingiram um bambuzal. No local, havia grande concentração de restos vegetais, favorecendo a propagação do fogo. Os militares usaram 15 mil litros de água para combater o incêndio, cujas causas são investigadas.
Estiagem
No acumulado do ano, o total de incêndios ainda é inferior ao de igual período do ano passado. Levantamento feito pelo CBMMG mostra que os incêndios em vegetação no estado diminuíram 46,55% no primeiro quadrimestre de 2026, quando houve 1.960 ocorrências, comparado com igual período do ano passado (3.667). Em Belo Horizonte, a redução foi ainda mais expressiva – de 155 queimadas nos quatro primeiros meses de 2025, o número caiu 65,16% neste ano, com 54 registros. O recuo, que ocorreu, de fato, até março, é atribuído pelo Corpo de Bombeiros ao período chuvoso, que teve um ponto crítico em Minas Gerais no início deste ano. Entretanto, o sinal se inverteu em abril. Em maio, que já começou com um feriadão, foram registrados, até ontem, 423 incêncios em Minas Gerais , sendo 44 na Região Metropolitana de Belo Horizonte e 21 apenas na capital do estado. No ano passado, as ocorrências somaram 1.185 em Minas nos 31 dias do quinto mês do ano, ainda segundo dados do Corpor de Bombeiros. E as previsões meteorológicas apontam para o aprofundamento da estiagem.
Previsão do tempo
De acordo com o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), as previsões meteorológicas indicam que o fenômeno El Niño deve impor seus efeitos com maior intensidade no segundo semestre. A previsão é de que haja maior frequência de ondas de calor e baixa umidade na Região Sudeste. O Cemanden não fala especificamente de Minas, mas outras previsões indicam que a situação deve piorar no estado.
Com a estação seca – que vai do outono ao fim do inverno em Minas Gerais–, a previsão é de pouca chuva até o início de outubro no estado, com possibilidade apenas de pancadas fracas e rápidas em algumas regiões, aponta o meteorologista Lizando Gemiacki, do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). No Triângulo Mineiro e no Sul de Minas ainda pode chover um pouco mais, mas os volumes já diminuíram bastante para esta época do ano, informa.
A umidade do ar ainda não deve atingir níveis tão baixos em maio, mas pode chegar próximo dos 30% nas horas mais quentes do dia, principalmente no fim do mês, segundo o meteorologista. O cenário tende a piorar até agosto e setembro, meses considerados mais críticos, quando os índices podem atingir entre 12% e 15%. As regiões Norte e Nordeste de Minas, incluindo áreas do Vale do Jequitinhonha, costumam registrar os menores índices de umidade antes das demais regiões do estado. Em Montes Claros, por exemplo, os índices já podem se aproximar de 30% ao longo deste mês.
Ele ainda informou que uma massa de ar frio deve provocar queda nas temperaturas no Sul de Minas e deixar o clima mais ameno na Zona da Mata. No restante do estado, a tendência é de temperaturas estáveis, com predomínio de uma massa de ar quente e seca, condição considerada comum para o período. Outra massa de ar frio pode chegar no fim do mês, mas a previsão ainda depende das próximas atualizações meteorológicas.
Secura e fumaça
Além de apresentar risco às áreas de vegetação, o aumento de queimadas acende um alerta para a saúde. De acordo com a médica pneumologista Michele Andreata, a baixa umidade compromete diretamente a defesa natural das vias aéreas, pois o ar mais seco resseca a mucosa respiratória, reduz a eficácia do muco e dos cílios que funcionam como barreira contra vírus, bactérias e partículas inaladas. Quando somado ao avanço das queimadas, o risco de agravamento dos quadros respiratórios é ampliado.
“Com o aumento das queimadas, há uma elevação significativa na concentração de poluentes no ar, como material particulado fino, monóxido de carbono e substâncias tóxicas. Esse conjunto favorece a inflamação das vias respiratórias, piora doenças pré-existentes como asma, bronquite e DPOC (doença pulmonar obstrutiva crônica), e aumenta a incidência de infecções respiratórias, especialmente em crianças, idosos e pessoas com comorbidades. Além disso, o El Niño tende a intensificar períodos de seca, prolongando a exposição a esse ambiente desfavorável”, diz a especialista.
Andreata explica que as queimadas liberam grande quantidade de poluentes que, ao serem inalados, atingem diretamente o sistema respiratório. O material particulado fino, que vem dos incêndios florestais, mas também da emissão por veículos motores a diesel e gasolina, queima de lixo e combustíveis e indústrias, penetra profundamente nos pulmões. Essa substância consegue alcançar a corrente sanguínea e desencadear processos inflamatórios que podem levar a crises de asma, agravamento de doenças pulmonares crônicas e infecções respiratórias.
Os sintomas incluem tosse, ardor nos olhos, irritação na garganta, falta de ar e sensação de cansaço. A médica ressalta que quem deseja se proteger deve evitar a exposição direta à fumaça, manter ambientes internos fechados nos períodos de maior poluição, utilizar umidificadores ou bacias com água para amenizar o ressecamento do ar, manter boa hidratação e, quando necessário, utilizar máscaras com boa vedação, como as do tipo PFF2, especialmente para grupos de risco. Também é importante redobrar a atenção com a higiene nasal, que ajuda a remover partículas inaladas, além de manter o acompanhamento médico em caso de doenças respiratórias pré-existentes.
Emergência
Diante do cenário climático, os casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) também crescem. Até a última quarta-feira (22/4), a Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG) contabilizou 8.247 notificações e 379 mortes no estado, sendo que BH concentra a maior parte delas (98). Ainda no dia 22, a Prefeitura de BH (PBH) anunciou a abertura de novos cinco leitos pediátricos no Hospital Odilon Behrens, no Bairro São Cristóvão, na Região Noroeste, para reforçar o combate de doenças respiratórias no período.
Os novos leitos se somam a outros cinco disponibilizados na semana anterior, reforçando a assistência das crianças no município. De acordo com a PBH, a ampliação ocorrerá gradualmente, conforme a demanda assistencial, e pode chegar a 20 leitos. O número de internações pediátricas por questões respiratórias no Odilon Behrens aumentou cerca de 53% no primeiro trimestre de 2026, comparado ao mesmo período do ano passado, saindo de 175 para 268. Já em abril, até ontem, foram 193 internações, o que põe em evidência a escalada das enfermidades.
No início do mês, o Hospital Infantil João Paulo II recebeu sete novos leitos na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), 19 de enfermaria, dois consultórios médicos de pronto atendimento e oito leitos em salas de decisão clínica. A medida responde ao crescimento da demanda que costuma ocorrer entre março e maio, época em que o hospital registra aumento médio de 47% nos atendimentos de pronto-socorro e de 40% nas internações.
A capital e outros oito municípios decretaram situação de emergência em decorrência da alta de quadros de SRAG, que começou de forma antecipada no país, segundo a Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica (Abramed). Além de BH, entraram em situação de emergências: Araguari, no Triângulo Mineiro; Caratinga, no Rio Doce; Contagem, Pedro Leopoldo e Ribeirão das Neves, na Região Metropolitana; Diamantina, no Jequitinhonha; Montes Claros, no Norte de Minas, e Unaí, no Noroeste.
Prevenção
Para combater casos graves e internações por SRAG, o mais importante é se prevenir por meio da vacinação. Neste ano, a meta do Programa Nacional de Imunizações (PNI) é alcançar 90% de cobertura vacinal do público-alvo. Nos últimos dois anos a cobertura vacinal contra a influenza no estado ficou em torno de 60%. Minas Gerais recebeu cerca de 3,2 milhões de doses do imunizante contra a gripe, que foram distribuídas para todos os municípios. A campanha de vacinação contra a gripe conta com doses disponíveis para crianças de 6 meses a 5 anos, gestantes, idosos, mulheres no pós-parto, trabalhadores da saúde, pessoas com deficiência permanente e caminhoneiros.
Os locais de vacinação de bebês e crianças contra a bronquiolite também foi ampliado em Belo Horizonte. Além do Centro de Referência em Imunobiológicos Especiais (CRIE), outras nove unidades de saúde passam a ser referência na vacinação. Os endereços e horários de funcionamento podem ser consultados no site da prefeitura. Desde janeiro foram aplicadas mais de 1,2 mil doses na capital. Fazem parte do grupo elegível os bebês prematuros menores de 6 meses (até 5 meses e 29 dias) que tenham recebido alta hospitalar. (Colaborou Fernanda Santiago)
Justiça condena médico, empresa e ex-diretora de Saúde por fraude em atendimentos médicos em Carmo do Rio Claro – Foto: reprodução
A Justiça acolheu integralmente pedido do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) e condenou um médico, a empresa da qual é sócio e a então diretora do Departamento Municipal de Saúde de Carmo do Rio Claro por atos de improbidade administrativa relacionados à fraude na prestação de serviços de saúde no município do Sul do estado.
A sentença, proferida pela Vara Única da Comarca de Carmo do Rio Claro, reconheceu que o médico, por meio de sua empresa, forjou centenas de atendimentos médicos para receber pagamentos indevidos do Município, causando prejuízo ao Fundo Municipal de Saúde. A ex-diretora de Saúde foi condenada por facilitar e permitir a continuidade das irregularidades, ao suprimir mecanismos de fiscalização interna mesmo após ter sido alertada sobre as inconsistências.
Conforme demonstrado na Ação Civil Pública ajuizada pela Promotoria de Justiça de Carmo do Rio Claro, o médico mantinha simultaneamente três vínculos com o município: contrato administrativo com carga horária fixa, credenciamento por produtividade — com pagamento por consulta realizada — e cargo comissionado responsável pela avaliação e controle da produção médica.
A investigação e a instrução processual comprovaram que, no período analisado, foram lançadas indevidamente 599 consultas médicas que não ocorreram, incluindo registros de pacientes que não passaram pelo atendimento, cobrança por entrega de receitas sem consulta e duplicidade de pagamento por atendimentos já realizados durante o horário regular de trabalho.
O prejuízo causado aos cofres públicos foi inicialmente apurado em R$ 16.772,00, valor que, após atualização monetária, alcançou R$ 36.017,87.
Na decisão, o Juízo destacou que a conduta do médico e de sua empresa configurou ato doloso de improbidade administrativa com enriquecimento ilícito. Em relação à então diretora municipal de Saúde, ficou caracterizado que ela atuou de forma consciente para viabilizar o esquema, ao retirar das servidoras da unidade de saúde a atribuição de conferir os relatórios de produção, permitindo o pagamento baseado exclusivamente nos documentos apresentados pelo próprio médico.
Os réus foram condenados, de forma solidária, ao ressarcimento integral do dano ao erário, no valor de R$ 36.017,87, pagamento de multa civil e proibição de contratar com o poder público ou receber benefícios fiscais por cinco anos. Ao médico e à ex-diretora de Saúde também foram impostas as penas de perda da função pública relacionada aos fatos e suspensão dos direitos políticos por cinco anos.
Passos e região recebem novos equipamentos para reforçar a saúde – Foto: divulgação
A microrregião de Passos passa a contar com um importante avanço na área da saúde. O projeto Vida em Movimento viabilizou a aquisição de monitores de transporte multiparamétricos, equipamentos essenciais para o acompanhamento seguro de pacientes em deslocamentos e situações de maior complexidade.
A iniciativa tem como objetivo fortalecer a assistência médica em 27 municípios, impactando diretamente cerca de 500 mil pessoas. Com os novos aparelhos, será possível ampliar a qualidade do atendimento, garantindo monitoramento contínuo e respostas mais rápidas em casos críticos.
Os equipamentos serão utilizados em setores estratégicos das unidades de saúde, como Centro Cirúrgico, Hemodinâmica, UTI Coronária e UTI Adulto. Nessas áreas, a tecnologia contribui para maior precisão no acompanhamento clínico e maior segurança durante intervenções.
A entrega dos monitores à equipe responsável pelo projeto marca mais uma etapa importante no processo de modernização da estrutura de saúde da região, com foco em um atendimento mais ágil, seguro e humanizado.
A aquisição foi possível graças ao apoio do Edital Social do Sicoob Nossocrédito, evidenciando o papel fundamental de parcerias institucionais na promoção de melhorias concretas para a população.
Cientistas brasileiros são premiados por pesquisas sobre Alzheimer – Foto: Fernando Frazão
Cientistas de todo o mundo tentam encontrar novas abordagens para a doença de Alzheimer, e dois laboratórios brasileiros têm se destacado nessa corrida. Recentemente, os pesquisadores Mychael Lourenço, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), e Wagner Brum, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), foram premiados por organizações internacionais por suas contribuições ao tema.
Lourenço foi contemplado com o ALBA-Roche Prize for Excellence in Neuroscience Research, oferecido pela organização Alba a cientistas em meio de carreira que já alcançaram conquistas excepcionais. Já Brum foi escolhido como o Next “One to Watch” (“O próximo para ficar de olho”, em tradução livre), prêmio concedido pela organização americana Alzheimer’s Association a jovens cientistas promissores.
A doença de Alzheimer é considerada um dos grandes desafios da medicina, já que até hoje poucos tratamentos se mostraram eficazes para retardar a sua evolução, e nenhuma cura foi encontrada.
O sintoma mais reconhecido é a perda de memória recente, mas, conforme a doença progride, o paciente adquire dificuldades de raciocínio, comunicação e até de movimentação, se tornando completamente dependente.
Dados sobre os brasileiros
O professor da UFRJ Mychael Lourenço estuda o Alzheimer desde a sua graduação em Biologia, e foi apurando esse interesse durante o mestrado, doutorado e pós-doutorado, até assumir a docência e fundar o Lourenço Lab, grupo de pesquisa dedicado às demências.
“Eu sempre me interessei por coisas misteriosas. Por exemplo: ‘como é que o cérebro funciona?’. Não tenho resposta até hoje, mas continua sendo um objeto de interesse bastante grande”, ele brinca.
Mas Lourenço não é movido apenas pela curiosidade.
“Nós temos hoje no mundo em torno de 40 milhões de pessoas com doença de Alzheimer. Dessas, umas 2 milhões devem estar no Brasil, um número que pode ser subestimado por causa de problemas de acesso à saúde e diagnóstico. E nós temos uma população que está envelhecendo cada vez mais, mas a maior parte dos estudos são feitos no Norte global. Nós precisamos de dados para entender a doença no Brasil”
O pesquisador explica que, desde quando Alois Alzheimer descreveu a doença, em 1906, já se sabia que ela causava placas no cérebro, mas somente na década de 80 cientistas descobriram que essas placas são compostas por beta-amiloide, fragmentos de proteína que se acumulam por alguma razão.
Contudo, drogas eficazes na remoção dessas placas não conseguiram reverter a doença, mostrando que há um hiato entre causa e efeito que a ciência ainda precisa preencher.
“A gente continua tentando entender o que faz com que o cérebro se torne vulnerável e desenvolva a doença, inclusive olhando para o que a gente chama de resiliência para o Alzheimer. Tem pessoas como a Fernanda Montenegro, por exemplo, com 96 anos, e completamente lúcida e ativa. E tem pessoas que desenvolvem a placa de beta-amiloide no cérebro e não apresentam sintoma cognitivo. O que elas têm de diferente?”
Em paralelo, o Lourenço Lab também está testando em animais substâncias que podem evitar o acúmulo da beta-amiloide e de outra proteína, chamada tau, que também está envolvida na formação das placas.
“Possivelmente, essas proteínas têm tendência a se acumular, mas as células têm um sistema natural de degradação que a gente chama de proteassoma. Mas, no Alzheimer, é como se a companhia de lixo parasse de funcionar. Então, aumentar a atividade desse sistema seria uma forma de tentar melhorar esse fluxo”.
Entrevista com o pesquisador da UFRJ Mychael Lourenço, que estuda Alzheimer e recebeu o prêmio ALBA-Roche Prize for Excellence in Neuroscience Reserach em 2026 – Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
Diagnóstico precoce
Outra linha de pesquisa é voltada para o diagnóstico precoce da doença, o que pode possibilitar que ela seja controlada antes de causar danos irreversíveis ao cérebro.
Lourenço coordena uma pesquisa que busca identificar se marcadores biológicos encontrados no sangue de pessoas com Alzheimer em outros países também são válidos para os brasileiros, e se a nossa população apresenta algum marcador específico.
“A doença de Alzheimer não aparece quando os sintomas aparecem: ela começa a se desenvolver muito tempo antes. Então, a gente está tentando pegar essa janela, em que a doença está se desenvolvendo, mas os sintomas ainda não apareceram tão claramente”.
“Talvez a gente nunca vai conseguir curar o paciente que já está num estágio muito avançado. Mas a gente pode conseguir interromper a doença antes disso”, ele acrescenta.
As pesquisas com biomarcadores também foram responsáveis por colocar o médico Wagner Brum sob os holofotes. Hoje, ele faz doutorado na UFRGS e é pesquisador do Zimmer Lab, grupo de pesquisa sobre Alzheimer. Sua verve científica se manifestou desde cedo.
“Eu estudei numa escola pública bem tradicional do Rio Grande do Sul, chamada Fundação Liberato, que organiza uma feira de ciências que é a maior da América Latina. Eu cresci com a minha mãe me levando nessa feira, então, quando eu entrei no ensino médio, eu já comecei a trabalhar com pesquisa. Na faculdade, eu escolhi a UFRGS por ser uma faculdade com muita tradição em pesquisa, onde eu ia poder me desenvolver como médico pesquisador”.
O pesquisador Wagner Brum foi premiado pela organização americana Alzheimer’s Association – Foto: AAIC/Divulgação
O trabalho de maior projeção de Brum foi o desenvolvimento de protocolos para a implementação clínica de um exame de sangue que consegue diagnosticar a doença de Alzheimer, a partir da presença da proteína p-tau217, um dos principais biomarcadores da doença.
Apesar de o teste ter se mostrado preciso durante as pesquisas, era preciso criar os padrões de leitura para que ele fosse adotado na rotina diagnóstica. E foi isso que Brum fez.
“Em pacientes com medição muito alta ou muito baixa, claramente a gente poderia saber, apenas com o exame de sangue, se a pessoa tem ou não a doença. Mas tem cerca de 20% a 30% que ficam numa faixa intermediária, e esses precisam de um exame adicional”.
Do laboratório para o SUS
De acordo com Brum, o protocolo aumenta a confiabilidade do exame, e já está sendo usado por laboratórios na Europa e Estados Unidos. Infelizmente, no Brasil, apenas poucos laboratórios privados já incorporaram a tecnologia. Mas o Zimmer Lab continua suas pesquisas, almejando facilitar o diagnóstico da doença em larga escala.
“Para ele ser implementado no SUS, que é o nosso grande objetivo, são necessários estudos mostrando que a introdução desses exames pode melhorar tanto a confiança diagnóstica quanto mudar o tratamento do paciente. O que se tem visto em outros países é que esses exames fazem isso”
Testes com essa pretensão já estão sendo feitos no Rio Grande do Sul e depois serão expandidos para outras cidades do Brasil. Brum ressalta que, atualmente, o diagnóstico do Alzheimer é feito principalmente a partir dos sintomas, com a análise clínica feita pelo médico e o auxílio de exames não totalmente precisos.
“O que se acaba fazendo, mais comumente, são exames de imagem estrutural, tomografia ou ressonância, que conseguem informar quais partes do cérebro já apresentam uma atrofia. Mas até o processo do envelhecimento causa atrofia natural, assim como outras doenças neurodegenerativas. Existem padrões mais típicos ao Alzheimer, mas esses exames não são específicos”
Os dois testes precisos já existentes são o exame de líquor, que examina material retirado da coluna vertebral, e a Tomografia por Emissão de Positrons (PET-CT), mas ambos são caros e pouco acessíveis.
Brum acredita que a adoção do exame de sangue poderia não só facilitar o diagnóstico, como aumentar a confiança dos médicos em suas condutas. No futuro, exames de biomarcadores também podem detectar a doença, antes que os sintomas apareçam.
“É muito bom ver que a comunidade de pesquisa internacional presta atenção no que a gente faz e valoriza o que a gente faz. Tem muita gente fazendo pesquisa de excelência no Brasil, em muitas áreas diferentes, e que merece visibilidade.”
Os dois pesquisadores premiados trabalham com recursos de instituições de pesquisa como a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj), Instituto Serrapilheira e Idor Ciência Pioneira.
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