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Jornal Folha Regional

Sindicato vê falhas no credenciamento da Aegea e Sabesp e pede suspensão da privatização da Copasa

Sede da Copasa – Foto: Foto: Divulgação/Copasa

O Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Purificação e Distribuição de Água e em Serviços de Esgotos do Estado de Minas Gerais (Sindágua-MG) enviou uma denúncia ao Tribunal de Contas do Estado (TCE-MG) pedindo a suspensão de todos os atos relacionados à privatização da Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa). O pedido leva em consideração irregularidades que teriam sido cometidas no processo de credenciamento das empresas Aegea e Sabesp para o leilão das ações da estatal.

A denúncia foi enviada ao TCE nesta segunda-feira (11/5), após a confirmação dos dois grupos como os participantes do certame.  Sobre a escolha da Aegea e da Sabesp, o sindicato cita que houve falhas no processo de convocação para credenciamento. A Aegea, inclusive, é alvo de uma Comissão Processante, na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul, que vai apurar denúncias relacionadas à qualidade da água. 

Segundo a documento, o Manual de Participação na Etapa Prévia do Processo de Seleção do Investidor de Referência na B3, que foi publicado pelo governo de Minas, tinha “barreiras de acesso de extraordinária severidade”. A entidade sindical critica que o período de cadastramento, de apenas 14 dias corridos – entre 24 de abril e 8 de maio – era “manifestamente insuficiente para que potenciais compradores internacionais realizem a due diligence mínima necessária, obtenham as autorizações corporativas internas de seus respectivos conselhos de administração, estruturem consórcios e providenciem a volumosa documentação exigida”. 

Conforme o sindicato, além do prazo considerado aquém, a necessidade de apresentação de carta de fiança bancária no valor de R$ 7 bilhões é um instrumento de obtenção “extraordinariamente difícil” no atual ambiente de restrição de crédito no país. Outro ponto considerado irregular é a comprovação de um histórico de investimentos em infraestrutura na casa dos R$ 6,3 bilhões, que teria de ser realizado por cinco anos consecutivos em um intervalo de 20 anos. 

“Requisito que, pela concentração temporal exigida, restringe na prática a participação a um número muito reduzido de grupos no cenário nacional e internacional. A combinação desses três elementos não opera como filtro de qualidade dos participantes: opera como barreira de exclusão que, ao reduzir artificialmente o universo de concorrentes elegíveis, compromete o mecanismo de formação de preço pelo qual o Estado poderia obter o valor justo pelo seu patrimônio”, diz a denúncia. 

Diante dos argumentos, o sindicato diz que o modelo escolhido para a privatização da Copasa foi estruturado em “fragilidades institucionais e financeiras” que comprometem a legitimidade do processo. A denúncia se dá horas depois de o governador Mateus Simões (PSD) ter dito, em entrevista, que a escolha da Aegea e da Sabesp traziam tranquilidade ao Executivo. Ele falou sobre o assunto na manhã desta segunda, após ser questionado pela reportagem. 

“São as duas maiores operadoras de infraestrutura de saneamento do Brasil. Se somar as operações picadas, elas são maiores que a Copasa. A Sabesp está junto com a Equatorial e tem uma operação enorme. A Aegea coordena mais consumidores do que a Copasa tem, então isso nos deu muita tranquilidade”, comentou.

Outros problemas 

Na petição, o sindicato ainda citou um risco aos Fundos Estadual e Municipal de Saneamento. De acordo com a denúncia, não há, até então, “salvaguardas jurídicas” que garantem a manutenção dos mecanismos. A preocupação, inclusive, se arrasta desde as discussões sobre a privatização da Copasa durante a tramitação do projeto de lei na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG). 

À época, inclusive, a reportagem mostrou que prefeitos temiam perder acesso aos recursos e pediam mais diálogo com o governo do estado sobre o assunto. Na denúncia, o sindicato diz que o fundo, em alguns casos, é a única alternativa dos municípios para financiamento de obras de saneamento. Pela regra atual, mensalmente a Copasa repassa às prefeituras 4% da receita operacional líquida apurada na cidade para intervenções envolvendo abastecimento de água, esgotamento sanitário e gestão de resíduos sólidos. 

“Sem cláusula expressa nos novos contratos de concessão que obrigue a operadora privada a manter o repasse de 4% da Receita Operacional Líquida municipal ao FMS, a obrigação deixa de ter caráter vinculante e passa a depender da boa vontade do concessionário ou de litígio judicial — inversão inaceitável para uma política pública de direitos fundamentais”, critica o sindicato na petição.

O sindicato ainda alerta para um risco de “irreversibilidade” das falhas apontadas, caso a privatização avance. “A irreversibilidade da operação de desestatização, uma vez consumada, torna essas garantias condição jurídica inafastável, e não mero protocolo de boa vontade. Não há mecanismo jurídico ordinário que permita ao Estado de Minas Gerais, após a transferência do controle acionário, impor retroativamente ao adquirente privado obrigações que não foram pactuadas como condição do processo”, diz trecho da denúncia. 

O que dizem TCE e Copasa?

A reportagem pediu esclarecimentos sobre os pontos apresentados pelo Sindágua-MG à Copasa. A companhia reafirmou compromisso com a legalidade, transparência e governança e disse estar à disposição de órgãos de controle para prestar os esclarecimentos necessários.

“Ressaltamos que a Copasa não comenta rumores de mercado sobre potenciais interessados no processo de desestatização. Ressaltamos que todas as informações oficiais sobre o cronograma da oferta e as etapas relacionadas ao Tribunal de Contas (TCE) são divulgadas tempestivamente por meio dos canais oficiais de Relações com Investidores e comunicados ao mercado, em estrita observância às normas da CVM e às regras de governança aplicáveis”, diz posicionamento enviado à reportagem.

Em nota, o Tribunal de Contas do Estado informou que recebeu o pedido. A admissibilidade da denúncia está sendo analisada pela presidência do órgão.

Servidores de Passos rejeitam proposta de reajuste em 9,02% para funcionalismo público, afirma Sindicato

Servidores de Passos rejeitam proposta de reajuste em 9,02% para funcionalismo público, afirma Sindicato - Foto: reprodução
Servidores de Passos rejeitam proposta de reajuste em 9,02% para funcionalismo público, afirma Sindicato – Foto: reprodução

O Sindicato dos Empregados da Prefeitura de Passos (SEMPRE), enviou uma nota a redação do Jornal Folha Regional, contestando informação passada pelo prefeito de Passos, Diego Oliveira.

A matéria publicada pela Folha Regional noticia que Diego propôs um reajuste de 9,02% para funcionalismo público municipal a partir de 2025 e a elevação do auxílio-alimentação para R$ 800,00. No entanto, a entidade sindical contesta a declaração do prefeito de que a proposta é resultado das negociações com os servidores.

Na matéria, Diego cita: “Este aumento é resultado de um diálogo construtivo com nossos servidores municipais. A iniciativa reflete nosso reconhecimento pelo trabalho dedicado de nossos servidores, que são indispensáveis para o funcionamento e desenvolvimento de nosso município. Mesmo diante de um cenário econômico desafiador, conseguimos equilibrar as contas públicas e oferecer um aumento que supera a inflação projetada, reafirmando nosso compromisso com a valorização do funcionalismo público.”

Segundo a presidenta do SEMPRE de Passos, Nelza Efigênia dos Santos Costa, a declaração de Diego falta com a verdade em dois pontos. Primeiro quando afirma que a proposta é fruto do diálogo com os servidores e em segundo lugar quando sustenta que estaria diante de um cenário econômico desafiador.

“Na verdade, em assembleia da categoria realizada no dia 28 de março, os servidores rejeitaram a proposta do prefeito e deliberaram pela apresentação de contraproposta de 15,83% de reajuste para os servidores do executivo, mesmo índice proposto pela administração para o SAAE, e R$1.000,00 de auxílio-alimentação para os servidores do executivo e do SAAE”, disse Nelza.

De acordo com a presidenta do SEMPRE, os servidores municipais estão indignados com o Prefeito de Passos, que encaminhou projetos de lei à Câmara Municipal antes de receber a contraproposta do Sindicato.

“Ficamos surpresos ao tomar conhecimento por um órgão de imprensa que o projeto de lei já havia sido enviado à câmara dos vereadores antes do protocolo de nossa contraproposta na prefeitura. Trata-se de deslealdade com a categoria e conduta antisindical”, afirmou Nelza.

Em relação à questão financeira, a representante do SEMPRE diz que o prefeito Diego assumiu a prefeitura em 2021 com as contas equilibradas e com o caixa cheio; que nos últimos anos a arrecadação do Município de Passos teve um crescimento extraordinário, tendo a Receita Corrente Líquida Ajustada saltado de R$ 304.061.319,06 em 2020 para R$ 541.128.711,74 em 2024, o que representa um crescimento de 78% nos últimos quatro anos; que o Município de Passos finalizou o ano de 2024 com uma despesa total com o pessoal do Executivo acumulada em 37,89% da Receita Corrente Líquida Ajustada (RCLA), que é aquela utilizada como parâmetro dos índices de despesas com o servidor público, e; que o reajuste de 15,83% elevaria em apenas 6% da RCLA de 2024 a despesa total do Município com pessoal, que passaria de 37,89% para 43,89%, ou seja, muito aquém do limite de alerta da Lei de Responsabilidade Fiscal que é de 48,6%.

Por fim, a dirigente do SEMPRE informa que a categoria recebeu apoio dos vereadores, que solicitaram do prefeito a reabertura das negociações, que não abre mão do reajuste de 15,83% nos vencimentos e R$1.000,00 de auxílio-alimentação.

A redação do Jornal Folha Regional entrou em contato com o prefeito Diego Oliveira, mas até o fechamento desta matéria não obteve resposta.

Segue abaixo, cópia da contraproposta apresentada pelo SEMPRE de Passos à administração municipal.

Fecomércio MG e Sindicatos Empresariais enviam manifesto ao Governador contra aumento da alíquota de ICMS

Fecomércio MG e Sindicatos Empresariais enviam manifesto ao Governador contra aumento da alíquota de ICMS – Imagem: reprodução

A Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo de Minas Gerais (Fecomércio MG) e todos os sindicatos empresariais filiados à Federação assinaram ofício que foi enviado ao Governador Romeu Zema em manifestação contra a intenção de aumento da alíquota de ICMS no estado.

O documento cita a possibilidade do aumento do ICMS como uma ameaça tanto para consumidores como para todo o setor de bens e serviços. “Sabe-se que as empresas continuam enfrentando dificuldades de crédito devido ao ônus dos pagamentos das dívidas acumuladas durante a pandemia. Além disso, a alta mortalidade empresarial persiste, refletindo o endividamento significativo dos consumidores e das famílias mineiras”

A alta da carga tributária, prossegue o documento, pode minar qualquer esperança de estabilidade econômica pelas empresas e consumidores, abrindo portas para a instabilidade inflacionária, gerando a perda de competitividade das empresas, a redução do investimento produtivo, aumentando assim o desemprego em Minas Gerais.

Confira o manifesto abaixo:

Sobre a Fecomércio MG

A Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo de Minas Gerais integra o Sistema Fecomércio MG, Sesc e Senac em Minas e Sindicatos Empresariais que tem como presidente o empresário Nadim Donato. A Fecomércio MG é a maior representante do setor terciário no estado, atuando em prol de mais de 740 mil empresas mineiras. Em conjunto com a Confederação Nacional do Comércio (CNC), presidida por José Roberto Tadros, a Fecomércio MG atua junto às esferas pública e privada para defender os interesses do setor de Bens, Serviços e Turismo a fim de requisitar melhores condições tributárias, celebrar convenções coletivas de trabalho, disponibilizar benefícios visando o desenvolvimento do comércio no estado e muito mais.

Há 85 anos fortalecendo e defendendo o setor, beneficiando e transformando a vida dos cidadãos.

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