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Jornal Folha Regional

Morador acha tilápia no meio de avenida após córrego transbordar com chuva em Franca

Um episódio inusitado marcou o dia seguinte ao forte temporal que atingiu Franca, no interior paulista. Após a chuva intensa registrada na terça-feira (13), moradores se depararam com uma cena pouco comum: uma tilápia encontrada em pleno asfalto da Avenida Ismael Alonso y Alonso.

O peixe foi localizado por Rafael Ferreira de Souza depois que o Córrego Cubatão transbordou e a água tomou parte da via. Segundo ele, a tilápia chegou a “descer” pela avenida junto com a enxurrada, surpreendendo quem estava no local. A situação arrancou risos e causou espanto, já que ninguém imaginava encontrar um peixe em meio ao trânsito urbano logo após a chuva.

De acordo com dados do Centro Integrado de Informações Agrometeorológicas (CIIAGRO), Franca registrou 87,8 milímetros de chuva em poucas horas. O volume foi o maior registrado em todo o estado de São Paulo naquele dia, conforme informou o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden).

Imagens gravadas por moradores mostram os córregos Cubatão e dos Bagres fora do leito, com a água avançando sobre as avenidas Hélio Palermo, Adhemar de Barros e Antônio Barbosa Filho. A força da correnteza chegou a invadir estabelecimentos comerciais e quase arrastou motocicletas que estavam estacionadas nas proximidades.

Somente após o nível dos córregos baixar, Rafael percebeu a presença da tilápia isolada no asfalto. Adepto da pescaria como passatempo, ele decidiu registrar o momento em vídeo, o que acabou despertando curiosidade e até desconfiança nas redes sociais, com internautas questionando a veracidade das imagens.

Rafael garantiu que a situação foi real e não se trata de montagem ou uso de inteligência artificial. Segundo ele, além de estar fora do ambiente natural, o peixe chamava atenção pelo porte. A tilápia media cerca de 40 centímetros e pesava mais de 1,5 quilo, tamanho considerado incomum até mesmo em pesque-pagues.

Apesar da tentativa de resgate, o animal não resistiu e morreu antes de poder ser devolvido ao córrego. Para o morador, o episódio foi tão impressionante quanto inesperado, resultado direto da força da chuva que atingiu a cidade.

Morador acha tilápia no meio de avenida após córrego transbordar com chuva em Franca – Foto: reprodução/redes sociais

Governo inclui tilápia em lista de espécies invasoras; setor teme impacto econômico

Governo inclui tilápia em lista de espécies invasoras; setor teme impacto econômico – Foto: reprodução

A inclusão da tilápia na Lista Nacional Oficial de Espécies Exóticas Invasoras tem gerado preocupação entre produtores brasileiros, que temem restrições à criação do peixe, uma das atividades mais importantes da aquicultura nacional. A decisão foi tomada pela Comissão Nacional de Biodiversidade (Conabio).

Segundo o portal G1, a tilápia tem sido encontrada em rios e lagos fora das áreas de produção, o que indica desequilíbrios ambientais em alguns ecossistemas. A espécie, originária da bacia do Rio Nilo, é considerada exótica por não ser nativa do Brasil.

Apesar da inclusão na lista, o Ministério do Meio Ambiente (MMA) afirmou que a medida não deve afetar o cultivo comercial da tilápia, atividade que segue autorizada pelo Ibama e tem grande importância econômica para o país.

“Não há, portanto, qualquer proposta ou planejamento para interromper essa atividade”, disse o ministério em nota.

Preocupação entre produtores com possíveis impactos econômicos

A decisão de incluir a tilápia na lista de espécies exóticas invasoras causou apreensão entre criadores e associações do setor aquícola. Produtores temem que a medida abra caminho para futuras restrições ou aumento da burocracia na concessão de licenças ambientais, o que poderia afetar diretamente a produção e o comércio do peixe. A tilápia é atualmente a espécie mais cultivada no Brasil, responsável por mais de 60% da produção de peixes de cultivo no país, segundo dados da Embrapa.

Representantes do setor afirmam que o peixe é essencial para a segurança alimentar e para a economia de diversas regiões, especialmente no Nordeste e no Centro-Oeste, onde gera milhares de empregos diretos e indiretos. A preocupação é de que a classificação como espécie invasora seja interpretada de forma equivocada por órgãos estaduais ou municipais e leve à suspensão de novos empreendimentos.

Entidades ligadas à aquicultura defendem que, em vez de restringir a atividade, o governo deve investir em programas de manejo sustentável e fiscalização adequada para evitar o escape dos peixes para rios e lagos. Para os produtores, a inclusão na lista deve servir como incentivo para aprimorar as práticas ambientais, sem comprometer o desenvolvimento econômico do setor.

A Comissão de Agricultura da Câmara aprovou no último dia 30 um convite à ministra Marina Silva para esclarecer a entrada da tilápia na lista.

O que muda com a inclusão da tilápia na lista

Segundo o MMA, a inclusão da tilápia tem caráter técnico e preventivo. A classificação serve como referência para políticas públicas e ações de controle ambiental, sem impor restrições diretas à produção.

“O reconhecimento de espécies exóticas com potencial de impacto sobre a biodiversidade nativa serve como referência técnica para políticas públicas e ações de prevenção e controle”, explicou o ministério.

A Conabio informou que o objetivo é evitar o escape de peixes de criadouros para rios e reservatórios naturais, onde podem competir com espécies nativas.

Entre as práticas de controle estão a reversão sexual dos peixes — processo que transforma fêmeas em machos por meio de hormônios, impedindo a reprodução em caso de fuga — e o uso de gaiolas em reservatórios ou tanques escavados no solo com barreiras físicas.

A comissão também deve discutir ações de detecção precoce e um plano de resposta nacional para casos de novas invasões biológicas.

A Comissão Nacional de Biodiversidade (Conabio) é formada por onze ministérios, além de representantes do setor produtivo, órgãos ambientais estaduais e municipais e membros da sociedade civil. O colegiado é responsável por formular estratégias de proteção à biodiversidade e uso sustentável dos recursos naturais.

Minas Gerais é o terceiro maior produtor nacional de tilápia

Minas Gerais é o terceiro maior produtor nacional de tilápia - Foto: reprodução
Minas Gerais é o terceiro maior produtor nacional de tilápia – Foto: reprodução

A tilápia é o peixe de água doce mais produzido no Brasil e um dos mais consumidos pela população, em função do sabor suave e das qualidades nutricionais. Neste cenário promissor, Minas Gerais é o terceiro maior produtor nacional, com bastante espaço para o crescimento da atividade no estado.

Como explica Alexmiliano Vogel, pesquisador da Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig), vinculada à Secretaria de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Minas Gerais (Seapa), o Brasil ainda importa muito pescado. “Essa fatia do mercado pode ser preenchida com a produção interna de tilápia”, afirma.

Cenário e desafios

O consumo per capita de peixes no país vem aumentando ano a ano, o que abre novas perspectivas para a produção. Dados da Associação Brasileira da Piscicultura – PeixeBR, apontam que a produção no país cresceu 53,25% entre 2014 e 2023, sendo que a tilápia foi a proteína animal com maior incremento na última década.

Apesar deste cenário, há ainda vários desafios a serem enfrentados. A Epamig desenvolve trabalhos sobre diferentes aspectos da produção. As pesquisas abrangem pontos de atenção para os piscicultores, tais como, qualidade genética e reprodutiva, alevinagem e aumento da produtividade.

Para o pesquisador da Epamig, Alisson Menezes, a produção de alevinos começa na escolha de matrizes e reprodutores, com alto potencial genético e reprodutivo.

O enfoque é a reprodução e o desenvolvimento dos peixes, com atenção para a alimentação adequada e cuidados com os viveiros ou tanques, visando crescimento e ganho de peso. A sexagem é outro fator importante. 

“É desejável que a maioria dos alevinos sejam machos, que crescem mais rápido que as fêmeas. Isso evita a superpopulação na fase de engorda e melhora o rendimento produtivo com maior obtenção de carne”, explica o pesquisador Alexmiliano Vogel.

Para garantir o maior percentual de machos, as larvas passam por um processo, chamado de reversão sexual, que consiste no fornecimento de hormônios masculinizantes, durante 30 dias.

Esta ação resulta em mais de 90% de alevinos machos, o que impacta positivamente na produção final. O sucesso na atividade está relacionado ao monitoramento e acompanhamento de todas as fases do processo produtivo.

“A agricultura de precisão vai tornar a atividade mais viável. Fornecendo apenas o necessário. Isso se dá com acompanhamento zootécnico semanal do sistema de produção para que as correções sejam feitas na hora exata”, ressaltou Alexmiliano.

Alevinos  

A Epamig produz e comercializa alevinos de tilápia-do-nilo, linhagem GIFT, predominantemente machos revertidos, no Campo Experimental de Leopoldina. A oferta é sazonal e a disponibilidade e condições de entrega devem ser consultadas pelo e-mail: [email protected]

Curativo de pele de Tilápia para queimaduras pode chegar às farmácias em breve

Curativo de pele de Tilápia para queimaduras pode chegar às farmácias em breve

A Universidade Federal do Ceará (UFC) divulgou o edital de seleção para a licença de uso da patente da pele de tilápia liofilizada. O produto pode ser incluído em kits de curativos biológicos destinados ao tratamento de queimadura em pele de humanos. A patente pertence aos médicos Marcelo Borges de Miranda, Edmar Maciel Lima Júnior e à UFC, que trabalham no projeto há pelo menos uma década.

A tilápia representa 63,5% (ou 486,2 mil toneladas) da produção brasileira de pescados no Brasil, e a tendência é que esse número aumente para 80% até o 2030, segundo o anuário da Associação Brasileira da Piscicultura. Mas, segundo Edmar Maciel Lima Júnior, a captação de peles ainda é insuficiente no país e o produto é destinado a queimaduras mais graves. “Mas a captação de peles é quase insuficiente no país, principalmente pela falta de uma cultura do nosso povo de fazer a doação desse tecido”, destacou.

O uso de pele de tilápias como curativos é aplicado em nove estados brasileiros e o projeto é discutido em 96 projetos diferentes, envolvendo mais de 350 pesquisadores. “Esse é um peixe criado em grande quantidade no Brasil e no mundo, com a segunda maior produção, atrás apenas das carpas. Além disso, ele possui um ciclo reprodutivo rápido, suporta temperaturas que variam entre 12 ºC e 38 ºC em cativeiro e demora cerca de seis meses para alcançar entre 800 gramas e 1 kg”, acrescentou.

Os participantes da proposta da UFC estão dialogando com representantes da empresa pernambucana Hebron Farmacêutica, que pode desenvolver os kits para aplicação comercial. Além do Ceará, a Hebron mantém parcerias com universidades como as Universidades Federais de São Paulo, Rio de Janeiro, Pernambuco, Alagoas, Bahia, Paraíba e Rio Grande do Norte, bem como com instituições como as Universidades Estaduais de São Paulo (USP), Campinas (UNICAMP) e Pernambuco (UPE), além da Universidade Presbiteriana Mackenzie.

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