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Jornal Folha Regional

Empreendedora investe em vinhos na Serra da Canastra e fortalece o enoturismo em São João Batista do Glória

Empreendedora investe em vinhos na Serra da Canastra e fortalece o enoturismo em São João Batista do Glória
– Foto: divulgação/Sebrae

Ver a Serra da Canastra para além do tradicional queijo foi o ponto de partida que levou a empreendedora Daniela Heloisa Andrade de Freitas a estruturar a Vinícola Moradas da Serra, localizada em São João Batista do Glória, no Sudoeste de Minas. Ao lado do marido, Thiago Freitas, ela desenvolveu um modelo de negócio que une a produção de vinhos de inverno, o turismo de experiência e a hospedagem integrada à natureza.

A proposta do empreendimento está diretamente ligada ao terroir da Canastra. Segundo Daniela, a vinícola oferece uma experiência enoturística que valoriza a identidade regional, combinando vinhos produzidos no local, gastronomia mineira e queijos típicos da região. Instalada às margens da estrada Glória/Quilombo, no Km 39, a Moradas da Serra funciona de forma contínua, acompanhando a rotina do campo e a dinâmica da produção agrícola.

O vinhedo utiliza a técnica da dupla poda, que permite a colheita no inverno, período em que o clima seco e frio contribui para maior concentração de açúcar nas uvas e elevação da qualidade da fruta. Durante as visitas guiadas, os visitantes conhecem todo o processo produtivo e entendem como a técnica influencia diretamente no perfil sensorial dos vinhos, conferindo frescor e complexidade aos rótulos.

A experiência oferecida pela vinícola foi pensada para ser completa e imersiva. O roteiro inclui caminhada pelos vinhedos, visita à adega, degustação dos vinhos e a opção de hospedagem em três casas localizadas dentro da propriedade. A proposta é proporcionar um ambiente acolhedor, com vista para os vinhedos e para a Serra da Canastra, estimulando a conexão dos visitantes com a natureza e com o vinho, por meio de uma estrutura simples e integrada ao terroir.

O primeiro rótulo lançado pela Moradas da Serra é um Syrah, variedade de origem francesa que expressa as características da região, com notas de frutas vermelhas e escuras, além de especiarias e mineralidade típicas do terroir da Canastra. Para 2026, estão previstos novos rótulos das uvas Tannat, Pinot Noir, Marselan, Sauvignon Blanc e blends variados. Já na safra de 2027, a vinícola planeja lançar vinhos das variedades Malbec e Cabernet Franc, ampliando gradualmente o portfólio com foco em excelência e autenticidade.

Daniela destaca ainda a importância do apoio do Sebrae Minas desde a aquisição da vinícola, há cerca de dois anos. Segundo ela, a orientação técnica, a capacitação em gestão e o suporte na definição de estratégias de marketing foram fundamentais para estruturar o negócio de forma sólida. Em um mercado de vinhos finos que ainda está em consolidação em Minas Gerais, a Moradas da Serra surge como parte das novas oportunidades de empreendedorismo na Serra da Canastra, alinhando produção, turismo e valorização do patrimônio cultural e natural da região.

Empreendedora investe em vinhos na Serra da Canastra e fortalece o enoturismo em São João Batista do Glória
– Foto: divulgação/Sebrae
Empreendedora investe em vinhos na Serra da Canastra e fortalece o enoturismo em São João Batista do Glória
– Foto: divulgação/Sebrae
Empreendedora investe em vinhos na Serra da Canastra e fortalece o enoturismo em São João Batista do Glória
– Foto: divulgação/Sebrae

Vinhos despontam como novo componente da identidade cultural de Minas Gerais

Vinhos despontam como novo componente da identidade cultural de Minas Gerais – Foto: divulgação

A produção de vinhos finos de qualidade já é uma realidade em Minas Gerais. O cenário, antes improvável, começou a se modificar nas últimas duas décadas com a difusão da tecnologia de dupla poda da videira, adaptada e validada pela Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig).

Relatos históricos indicam que a atividade vitícola no estado teve início no século XIX, mas foram os chamados vinhos de inverno que trouxeram notoriedade para a produção. Atualmente, são cerca de 130 vinícolas. Em 2020, esse número era próximo a 50. 

Esse crescimento acompanha o sucesso da bebida em premiações nacionais e internacionais e impulsiona os setores da gastronomia e do turismo. 

Mineirices 

Desde que planejou abrir o próprio restaurante, em Belo Horizonte, a chef de cozinha e historiadora Juliana Duarte, quis trazer componentes da história e da memória de Minas Gerais.  “Eu entendo tradição como transmissão, não como algo que nos amarra ao passado. Eu gosto de dizer que aqui no Cozinha Santo Antônio, somos cheios de mineirices, nos nossos ingredientes, na forma de servir, de receber as pessoas e com as nossas atitudes”. 

A ideia original já incluía os vinhos de inverno, que ela conheceu quando trabalhava como publicitária. “O vinho mineiro está entre nossos carros-chefes. As pessoas têm muita curiosidade de conhecer e eu tenho muito orgulho de servir. A equipe é orientada para dar essa opção e as informações adequadas”.

O mini menu especial “Mineirices” é harmonizado por uma carta de vinhos produzidos no estado. “Aqui, recebemos muitos turistas e missões estrangeiras. E faço muita questão de apresentar e indicar esses vinhos”, finaliza.

Identidade e políticas públicas

Os vinhos mineiros do restaurante de Juliana são adquiridos da Rex Bibendi, distribuidora que funciona na capital mineira há mais de trinta anos. “Há cerca de 15 anos, quando buscava uma opção de vinho nacional, pedi ajuda a um enólogo do Sul do país, que me disse para ficar de olho na nova produção de Minas Gerais”, conta a proprietária Dulce Ribeiro.

“A partir das indicações dele fui conhecendo esses produtores. E foi algo muito aprazível, a maioria são agricultores estruturados em outras áreas, que apostaram nessa nova cadeia, confiando na pesquisa. A gente tem que dar muito crédito à ciência, ao investimento na Epamig”, disse.

Dulce diz pensar nos vinhos como uma tradução da identidade local. “O vinho mineiro não é uma coisa única, cada produtor faz um vinho próprio. Meu sonho é ver uma carta de vinhos com várias regiões de Minas sendo representadas”.

Produtores e entidades representativas buscam esse fortalecimento do setor perante o mercado local, como ressalta a presidente do Sindicato da Indústria do Vinho de Minas Gerais (Sindvinho), Heloísa Bertoli. “Estamos atuando junto ao poder público no projeto do Selo de Origem Mineira – Uai Wine – que também prevê a oferta de, no mínimo, três vinhos mineiros nos estabelecimentos que comercializam a bebida”, afirmou.

O vice-governador de Minas Gerais, Mateus Simões, ressalta as ações para a consolidação da cadeia produtiva.

“O trabalho, que começou no campo, envolve também a criação de rotas enoturísticas, a realização e o apoio a eventos como o Uai Wine, que será realizado no Palácio da Liberdade até este fim de semana”, afirmou o vice-governador Mateus Simões.

O presidente da Associação dos Produtores de Uva e Vinho de Minas Gerais (Uva-MG), José Procópio Stella, reforça o propósito. “Nossos produtos ganham prêmios no mundo inteiro. Precisamos mostrar ao mineiro que produzimos vinhos de alta qualidade em todas as regiões do estado, divulgar essa informação em feiras, eventos e ações junto ao governo”.

O vitivinicultor, que é proprietário da Stella Valentino, vinícola centenária localizada em Andradas, aposta no turismo rural e na parceria com outras cadeias produtivas, como café, queijos, doces e azeites.

“Quase 90% das vinícolas mineiras são pequenas e voltadas para o enoturismo. O vinho é um dos produtos que mais atrai turistas no mundo. Imagina isso aliado ao contexto histórico, à culinária, à receptividade, e ao artesanato do nosso estado”, projeta José Procópio Stella.

Vinhos despontam como novo componente da identidade cultural de Minas Gerais – Foto: divulgação
Vinhos despontam como novo componente da identidade cultural de Minas Gerais – Foto: divulgação
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