
Despertador, cachorro para passear, café, água dos cachorros, ração, água para as plantas, academia.
Banho, filha está bem com a babá? Trabalho….
Ops, hoje tem natação da filha. Leva, trabalha, busca.
Almoço, babá veio de carro? Leva babá. Prepara filha para escola. Leva filha.
Louça lavada. Reunião. Roupa estendida. Leva cachorros para banho. Trabalho.
Breve cafezinho da tarde. Reunião.
Busca filha na escola. Reunião pelo bluethooth. Busca cachorros.
Arruma filha. Leva para o balé. Passeio com os cachorros. Marido está chegando de
viagem. Corre para o mercado. Busca filha no balé. Prepara o jantar.
Tapinha na casa para parecer mais organizada. Dá atenção para filha e marido. Banho.
Dormir.
Férias: prepara malas, organiza cachorros, combinados com a faxineira, banho com a
filha. Carro, estrada.
Marido: ah, tem um espaço de artesanato, vamos parar para ver?
Eu: será que não chegaremos muito tarde? Saímos atrasados. Ah, tô de férias, que se
dane!
Marido: quer comer algo?
Eu: já enrolamos muito, bobagem… ah é, estamos de férias!
Compro uma boa broa mineira com queijo. Deliciosa! A moça me oferece um café. Penso
um pouco e concluo, vai ajudar a me manter alerta, caso precise dirigir. Aceito.
Ela pede para me sentar, tomar o café com calma, ouvir a música.
Então percebo que mereço aquela pausa, sentir o cheiro do café coado, deliciar o queijo
derretido da broa de fubá, ouvir a boa música ladrilhada no violão e gozar da brisa gostosa
daquela tarde de inverno.
Como boa mineira, aculturada em São Paulo, não posso simplesmente deixar as
demandas da vida ditar o ritmo e me fazer esquecer de sentir pequenos momentos
especiais que, se não percebidos, tornam-se banais.
Por: Elisa Silva Borges