Pular para o conteúdo principal

Jornal Folha Regional

Crônica: Home office | Por Elisa Silva Borges

Crônica: Home Office | Por Elisa Silva Borges – Imagem: Agência Inova

Despertador, cachorro para passear, café, água dos cachorros, ração, água para as plantas, academia.

Banho, filha está bem com a babá? Trabalho….

Ops, hoje tem natação da filha. Leva, trabalha, busca.

Almoço, babá veio de carro? Leva babá. Prepara filha para escola. Leva filha.

Louça lavada. Reunião. Roupa estendida. Leva cachorros para banho. Trabalho.

Breve cafezinho da tarde. Reunião.

Busca filha na escola. Reunião pelo bluethooth. Busca cachorros.

Arruma filha. Leva para o balé. Passeio com os cachorros. Marido está chegando de
viagem. Corre para o mercado. Busca filha no balé. Prepara o jantar.

Tapinha na casa para parecer mais organizada. Dá atenção para filha e marido. Banho.
Dormir.

Férias: prepara malas, organiza cachorros, combinados com a faxineira, banho com a
filha. Carro, estrada.

Marido: ah, tem um espaço de artesanato, vamos parar para ver?

Eu: será que não chegaremos muito tarde? Saímos atrasados. Ah, tô de férias, que se
dane!

Marido: quer comer algo?

Eu: já enrolamos muito, bobagem… ah é, estamos de férias!

Compro uma boa broa mineira com queijo. Deliciosa! A moça me oferece um café. Penso
um pouco e concluo, vai ajudar a me manter alerta, caso precise dirigir. Aceito.

Ela pede para me sentar, tomar o café com calma, ouvir a música.

Então percebo que mereço aquela pausa, sentir o cheiro do café coado, deliciar o queijo
derretido da broa de fubá, ouvir a boa música ladrilhada no violão e gozar da brisa gostosa
daquela tarde de inverno.

Como boa mineira, aculturada em São Paulo, não posso simplesmente deixar as
demandas da vida ditar o ritmo e me fazer esquecer de sentir pequenos momentos
especiais que, se não percebidos, tornam-se banais.

Por: Elisa Silva Borges

Crônica: Meu desejo ou minha culpa? | Por Elisa Silva Borges

Crônica: Meu desejo ou minha culpa? | Por Elisa Silva Borges – Imagem: Agência Inova

Todos os dias temos que tomar decisões, grandes ou pequenas. Desde obedecer ao
despertador e acordar no horário planejado, ou permitir-se dormir um pouco mais para
aproveitar o friozinho do inverno. Contudo, será preciso lidar com o atraso e a puxada de
orelha do chefe por chegar na reunião atrasada.

Escolhemos entre comer salada e carne magra no almoço ou um delicioso torresmo com
mandioca fritos, com direito a um sorvete de chocolate, encorpado com guloseimas, de
sobremesa após o almoço. Mas o prazer da segunda opção pode ser seguido de uns
quilinhos a mais e muita consciência pesada.

Às vezes, as escolhas são mais complexas, como optar por uma mudança de trabalho, que
possivelmente traria maior realização, mas ser uma mãe, esposa e filha ausente, tendo que
lidar com tudo que isso implica.

Na realidade, entre essas opções, temos que escolher sentir alegria, gerada por um
aumento de dopamina, ligada à recompensa e ao prazer, ou lidar com o sentimento de
culpa, com regulação realizada pela serotonina, redução de dopamina e aumento de
cortisol, conhecido como o hormônio do estresse.

Isto porque, o tempo todo, temos que caminhar entre o prazer e a culpa. Ora dando
prioridade para um, ora para outro, ou até no esforço para encontrar uma terceira via, na
tentativa de conciliar os dois lados. Isso acontece quando a gente se permite comer a
sobremesa, após almoçar a salada, ou renuncia ao tão sonhado novo emprego e tenta um
terceiro trabalho que não seja tão penoso para aqueles ao nosso redor, mesmo tão
desejado, mas que traga alguma satisfação.

Mas nosso inconsciente é trapaceiro e não se cala tão facilmente. Ele irá nos lembrar
daquele tão desejado bolinho frito em sonhos numa noite inusitada. Então, mais uma vez,
teremos que revisar nossa escolha e optar por continuar no mesmo caminho ou fazer uma
reviravolta, mesmo tendo que lidar com a culpa que aquilo irá gerar.

Inquestionavelmente, é necessário compreender que a escolha sempre prescinde da
perda de algo. Se a opção é a carreira dos sonhos, isto vai exigir esforço, energia e tempo
despendido para as conquistas. Mas as refeições compartilhadas com a família, as
apresentações no dia das mães, as brincadeiras demoradas na cama, nas manhãs de
sábado com as crianças, serão sacrificadas. Afinal, não somos onipresentes e ainda não
foi inventada uma tecnologia que nos permite estar em mais de um lugar ao mesmo tempo.

Jornal Folha Regional
Privacy Overview

This website uses cookies so that we can provide you with the best user experience possible. Cookie information is stored in your browser and performs functions such as recognising you when you return to our website and helping our team to understand which sections of the website you find most interesting and useful.