
Moradores de Bom Jesus da Penha (MG) estão reagindo com preocupação e indignação após a proliferação de perfis falsos em redes sociais — sobretudo no Instagram — usados para caluniar, difamar e divulgar informações pessoais de pessoas da cidade. Dezenas de moradores já registraram boletins de ocorrência e reuniram provas digitais que, segundo eles, demonstram a prática reiterada de violência moral.
De acordo com vítimas ouvidas pela reportagem, as contas criadas têm um único objetivo: publicar mentiras, expor imagens e dados privados e encaminhar ataques verbais com linguagem agressiva e ameaças. Um dos alvos informou que sua fotografia foi repostada, seu endereço divulgado e que foi falsamente acusado de ser o criador das páginas fraudulentas. Ele também registrou boletim de ocorrência e armazenou capturas de tela como prova.
— “Divulgaram minha fotografia, expuseram meu endereço e chegaram a me acusar, de forma totalmente infundada, de ser o responsável pela criação dessas páginas fraudulentas”, disse o morador, que afirmou manter cópia do boletim de ocorrência e dos registros digitais.
Postagens com ofensas e ameaças
Em várias publicações, o autor — que aparenta utilizar múltiplos perfis falsos — faz uso de linguagem ofensiva e ameaças explícitas. Entre as mensagens que circulam pela cidade estão trechos como:
“Já vou dar uma dica até aparecer mais seguidores! Esse sem oque fazer mora na !! E tem aparência de gay! E ctz deve ser neh pra falar tanto de p*** de homem”
“Eu sou louco esquizofrênico, tomo remédios e vou em destruir vocês bando de a*******”.
“Às 00h divulgarei os nomes das 6 v****** da cidade que foi meu alvo nos últimos dias, são mulheres que deram o fora em mim, fiz perfis delas em site de p**, tele delas devem tá lotados”.
“Mais o objetivo é outro, estou de volta com vários perfis com nomes comuns. Sou um homem solteiro e venho sendo esculachado no meu perfil verdadeiro por mulheres, que são solteiras v*******. São 6 mulheres que vou perseguir aqui até o fim. São solteiras”.
“Não postarei fofocas em caixa de perguntas, odiosos, cidade c* do mundo, as mulheres de bom Jesus a maioria são p*******, terei o prazer de me vingar de vocês, suas odiosas do c sujo”.
Tais publicações, além de ofensivas, configuram para os moradores como ameaça à integridade moral e à privacidade, especialmente quando envolvem exposição de imagem, endereços e criação de perfis falsos que associam as vítimas a atividades humilhantes.
Reação da comunidade: abaixo-assinado e busca por providências
Para reforçar a mobilização e pressionar por ações efetivas das autoridades e das plataformas digitais, moradores lançaram um abaixo-assinado público intitulado “Bom Jesus da Penha Clama: Ação Imediata contra Crimes Digitais!”, aberto à adesão da população. O documento, segundo os organizadores, pede investigação imediata, retirada do conteúdo ofensivo, identificação e responsabilização dos responsáveis, e medidas de prevenção por parte das redes sociais.
Vítimas e apoiadores também cobram das autoridades locais e da Polícia Civil agilidade nas apurações, além de orientações para que outros moradores possam preservar provas digitais (capturas de tela, URLs, registros de outros perfis vinculados) e formalizar denúncias.
O que dizem as autoridades e as plataformas
Até o fechamento desta matéria não houve posicionamento oficial público da Polícia Civil, nem comentário das redes sociais sobre os casos citados. Moradores afirmam que boletins de ocorrência foram registrados em delegacias da região e esperam que as investigações identifiquem os responsáveis pelos perfis falsos.
Especialistas em direitos digitais costumam orientar que vítimas de difamação e exposição de dados pessoais:
- Guardem todas as provas (prints, URLs, mensagens, vídeos e dados de perfis).
- Registrem boletim de ocorrência e solicitem cópia do registro.
- Façam denúncia formal às plataformas (utilizando as ferramentas de denúncia do Instagram/Facebook).
- Procurem orientação jurídica para medidas como pedidos de remoção e reparação por danos morais, se necessário.
Comunidade pede fim da impunidade
Moradores entrevistados pedem que a cidade não tolere a naturalização de ataques virtuais e que a mobilização em torno do abaixo-assinado sirva para conscientizar sobre os riscos dos crimes digitais e pressionar por respostas concretas. “Não é apenas ofensa: é vida privada desrespeitada, é família exposta. Queremos investigação, responsabilização e garantias de que isso não se repetirá”, afirmou uma das moradoras afetadas.
Quem tiver informações ou quiser aderir ao abaixo-assinado pode procurar os organizadores locais — que orientam a buscar as publicações e reunir evidências antes de formalizar a adesão — ou registrar denúncia na delegacia mais próxima.

