
A Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) finalizou, em Passos (MG), a operação Contrafactual, que resultou no indiciamento de três pessoas suspeitas de participar de um esquema de desvio de valores em uma empresa do setor de beneficiamento de grãos. De acordo com as apurações, o grupo utilizava notas fiscais frias, cheques endossados e registros fictícios de despesas para encobrir a movimentação irregular de recursos.
O caso começou a ser investigado após indícios de inconsistências financeiras atribuídas à antiga administração da empresa. Ao longo dos últimos meses, a Polícia Civil reuniu documentos fiscais, microfilmagens bancárias, depoimentos e relatórios contábeis, reconstruindo detalhadamente o funcionamento das fraudes.
Como funcionava o esquema
A investigação apontou uma estrutura organizada para disfarçar a retirada indevida de dinheiro e dar aparência de legitimidade às operações. O uso sistemático de cheques endossados, com transferência de titularidade, foi confirmado por funcionários e gerentes bancários ouvidos no inquérito.
Também foram coletados documentos e registros que revelaram a existência de operações lançadas em nome de produtores rurais e fornecedores que jamais realizaram tais transações. As negativas desses terceiros reforçaram o caráter fraudulento das despesas apresentadas pelos suspeitos.
A PCMG identificou ainda mecanismos utilizados pelo grupo para ocultar a origem dos valores desviados, apontando condutas compatíveis com lavagem de dinheiro.
Indiciamentos
Com a conclusão do inquérito, os três investigados foram indiciados pelos crimes de associação criminosa, falsidade ideológica, apropriação indébita e lavagem de dinheiro. O procedimento foi encaminhado à Justiça, que deve avaliar os próximos passos e o eventual início de ação penal.