
A Polícia Civil de Minas Gerais concluiu na última segunda-feira (12) o inquérito que apurou o desaparecimento de mais de 22 mil sacas de café pertencentes a produtores rurais que utilizavam os serviços da Cooperativa dos Cafeicultores e Agropecuaristas de Ibiraci (Cocapil). Segundo a investigação, os grãos foram desviados, resultando em um prejuízo estimado em pouco mais de R$ 52 milhões, atingindo cafeicultores do Sul de Minas e do interior do estado de São Paulo.
De acordo com a Polícia Civil, o presidente da cooperativa, Elvis Vilhena Faleiros, foi formalmente indiciado e teve a prisão decretada pela Justiça, mas segue foragido. O inquérito também identificou a participação de outros dois diretores da Cocapil, porém o Judiciário entendeu que, neste momento, apenas a prisão do presidente seria necessária.
O delegado responsável pelo caso, Estevan Ferreira, informou que a apuração foi encerrada com a constatação da prática dos crimes de apropriação indébita e gestão temerária de cooperativa. Conforme apontado no inquérito, Elvis Vilhena Faleiros, na condição de depositário dos cafés pertencentes aos produtores, teria se apropriado das sacas de forma não autorizada, com o conhecimento dos demais diretores envolvidos.
As irregularidades começaram a ser descobertas em agosto do ano passado, quando produtores procuraram a cooperativa para retirar os cafés armazenados e perceberam que os grãos já não estavam mais nos galpões. A partir disso, dezenas de cafeicultores registraram boletins de ocorrência, dando início às investigações.
Entre os produtores prejudicados está Éder Valdomiro de Carvalho, que relata a perda de 260 sacas de café, o que representa um prejuízo aproximado de R$ 1,2 milhão. Segundo ele, o impacto financeiro foi significativo, especialmente diante da situação de saúde do pai, que sofreu um AVC há cerca de dois anos e necessita de cuidados médicos constantes. O produtor destacou ainda a frustração pela confiança depositada na cooperativa.
Outro cafeicultor afetado, Evaldo Luis Vilhena Carvalho, afirmou que utilizava os serviços da Cocapil havia aproximadamente 15 anos e nunca havia enfrentado problemas anteriormente. Ele contou que tomou conhecimento da situação apenas quando tentou receber valores e retirar o café depositado, sendo inicialmente informado de que se tratava apenas de boatos. Posteriormente, foi comunicado de que a cooperativa estava encerrando as atividades e que o café armazenado havia sido vendido sem autorização dos produtores.
Ao todo, 30 produtores foram ouvidos durante a investigação. As vítimas são dos municípios de Ibiraci, Cássia, Capetinga e Claraval, no Sul de Minas, além de cafeicultores de Franca e Cristais Paulista, no interior de São Paulo.
Durante as apurações, a defesa da cooperativa alegou que parte do problema teria origem em operações de trava de preços realizadas desde 2021, nas quais algumas pessoas não teriam cumprido os compromissos assumidos, o que teria contribuído para o agravamento da situação financeira.
O advogado da Cocapil, Márcio Cunha, informou que Elvis Vilhena Faleiros não se apresentou à Justiça porque estaria buscando meios particulares para quitar todos os débitos. Segundo a defesa, cerca de 170 cooperados e produtores devem ser ressarcidos.
Ainda conforme o advogado, os barracões da Cocapil, localizados em uma fazenda no município de Claraval, já estão em negociação. A avaliação desses imóveis foi apresentada na última sexta-feira ao Ministério Público e à Polícia Civil, e, segundo a defesa, os bens seriam suficientes para cobrir os prejuízos causados aos produtores.
Apesar da crise, a cooperativa segue formalmente em funcionamento, mas deverá ser extinta após a venda dos prédios e barracões. Uma nova assembleia está marcada para o dia 24 deste mês, quando será definido o cronograma de pagamentos. A proposta, segundo a defesa, é priorizar inicialmente os produtores com menor quantidade de sacas, avançando de forma escalonada até aqueles com maiores volumes armazenados.
Produtores e cooperados que tenham dúvidas sobre o processo podem entrar em contato com a Cocapil pelo telefone (35) 3544-5100.