Coletores de lixo de Carmo do Rio Claro (MG) denunciaram problemas na frota de caminhões utilizados na coleta de resíduos urbanos, além de apontarem falta de equipamentos, valorização profissional e riscos à segurança durante o trabalho. As reclamações envolvem veículos parados há meses e uso de caminhões inadequados.
Segundo um dos coletores, a frota da cidade conta oficialmente com quatro caminhões de prensa, mas apenas um estaria em funcionamento. “São quatro caminhões de prensa. Dos quatro, um caminhão estragou há cerca de oito meses a um ano. É um Volkswagen Constellation de tambor”, afirmou.
Ele relata que, após a manutenção de um veículo, outro apresentou defeito. “Eles arrumaram um, e o outro Volvo estragou. Esse Volvo está parado na usina, lá em cima do lixo, onde é feita a seleção do lixo. Está estragado, escondido, para o povo não poder ver.”
O coletor também mencionou problemas recentes em outro caminhão. “Recentemente, aqui tem um caminhão da Iveco, se não me engano automático. E esse caminhão, a gente já vem falando sobre ele, está dando problema há algum tempo”, disse. De acordo com o relato, o veículo também parou de funcionar. “O que acontece é o seguinte: de quatro caminhões, um está funcionando, e está a meia-boca; a qualquer hora pode parar.”
Ainda segundo o trabalhador, houve situações de risco durante a coleta. “Esses dias atrás, se não me engano, estourou a mangueira do freio. Quase que os meninos se machucaram em um bairro de ladeira aqui em Carmo do Rio Claro.” Ele afirma ainda que já ocorreram acidentes durante o serviço.
Outro ponto citado é a existência de uma lei municipal, aprovada no ano passado, que autoriza o Executivo a contratar ou alugar caminhões de coleta em situações emergenciais. “Foi aprovada, no ano passado, uma lei feita por um ex-vereador chamado Christian Leandro, que permite ao prefeito, em caso de urgência e necessidade, contratar ou alugar caminhões de prensa para fazer a coleta”, afirmou, criticando a falta de utilização do dispositivo.
O coletor também reclama da falta de uniformes e equipamentos de proteção individual (EPIs) para parte dos servidores. Segundo ele, os garis recebem EPIs básicos, mas outros trabalhadores não. “O pessoal que corta grama trabalha até sem protetor.” Ele reforça: “Nós, os garis, recebemos uniformes com listras fluorescentes, luvas e botinas. Já os demais funcionários que trabalham com roçadeiras e na limpeza não recebem todos os EPIs.”
Os servidores também cobram valorização salarial e melhores condições de trabalho. “Nós, coletores, queremos respeito. No caso dos garis, queremos um salário melhor, mais digno, além de caminhões sempre em condições de trafegar, para que possamos fazer nosso serviço com segurança.”
Em resposta às denúncias, o secretário adjunto de Obras, Wagner O. Mendonça, explicou a situação dos veículos. “A situação dos caminhões é a seguinte, um está operando normalmente, faz a rota diariamente.” Sobre outro caminhão, afirmou: “Ele está aguardando peças, até um pessoal da empresa de Alfenas, que está aqui para montar a peça que está faltando.”
Já em relação ao caminhão Iveco, o secretário confirmou o problema mecânico. “O outro caminhão Iveco é um caminhão automático, ele deu problema no câmbio. Esse caminhão foi encaminhado para a concessionária lá em Belo Horizonte. Estamos aguardando o diagnóstico e a previsão de entrega do caminhão.”
Durante esse período, segundo Wagner Mendonça, a coleta está sendo feita com caminhão caçamba. “A gente está fazendo a coleta com o caminhão caçamba, só que está tendo muito desgaste, tanto pelos caminhões como pelos servidores”, explicou. Para minimizar os impactos, a Secretaria reorganizou os turnos. “Uma equipe vai começar às quatro horas da tarde e vai finalizar às dez, e a outra equipe vai pegar o mesmo caminhão, começar às dez da noite e finalizar às quatro da manhã.”
O secretário garante que o serviço não foi interrompido. “A coleta está sendo feita normalmente. Não está ficando nada para trás.” Ele também afirmou que há apoio externo. “A gente está tendo o apoio do pessoal da Recicarmo, que está dando um auxílio.”
Segundo a Secretaria, as providências já foram tomadas. “A empresa já está correndo atrás das peças. O que eles não conseguem, eles encaminharam para a concessionária”, concluiu Wagner Mendonça.