A Polícia Civil de Minas Gerais identificou o motorista suspeito de dificultar a passagem de uma ambulância do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) na noite do dia 13 de março, em Pouso Alegre (MG). Trata-se de um homem de 29 anos, morador da cidade, que deverá ser intimado para prestar depoimento no inquérito conduzido pela Delegacia Regional.
O caso ocorreu enquanto uma equipe do Samu realizava o transporte de uma idosa de 91 anos, em estado grave e com sintomas de AVC, até o Hospital Samuel Libânio. Durante o trajeto, um carro registrado em Guarulhos (SP) passou a realizar manobras em zigue-zague à frente da ambulância, com o objetivo de impedir sua passagem. A situação foi registrada em vídeo pelos próprios socorristas.
Segundo o Consórcio Intermunicipal de Saúde da Macrorregião do Sul de Minas, a ocorrência teve início no bairro Colina Verde, onde a paciente apresentava rebaixamento do nível de consciência, sendo classificada como de alta gravidade (código vermelho). A entidade informou que a conduta do motorista interferiu no atendimento, provocando atraso no tempo-resposta — fator considerado crucial em situações de urgência.
Ainda conforme o consórcio, medidas jurídicas já foram adotadas diante do ocorrido.
Imagens mostram que o condutor impediu a progressão da ambulância pela Avenida Prefeito Olavo Gomes de Oliveira, por volta das 21h30, ignorando sinais sonoros e luminosos. Em várias tentativas de ultrapassagem, o motorista teria fechado a viatura. Em determinado momento, ele ainda colocou o braço para fora do veículo e fez um gesto obsceno em direção à equipe.
A paciente socorrida morreu no domingo (15). No entanto, tanto o Samu quanto a Polícia Civil informaram que, até o momento, não há confirmação de que a conduta do motorista tenha influenciado diretamente no desfecho.
De acordo com a Polícia Civil, o investigado poderá responder criminalmente, a depender das conclusões do inquérito.
Pelo Código de Trânsito Brasileiro, impedir a passagem de veículos de emergência com sirenes e luzes acionadas é considerado infração gravíssima, com multa de R$ 293,47 e sete pontos na Carteira Nacional de Habilitação (CNH). Além da penalidade administrativa, a conduta pode configurar crime caso seja comprovado prejuízo à saúde da vítima.