
O caso do pequeno Noah Gabriel da Cruz Santos, de apenas um mês de vida, continua emocionando o país. Nesta terça-feira (21), vieram à tona novos detalhes sobre o momento em que o recém-nascido, já declarado morto por uma equipe médica da Santa Casa de Rio Claro (SP), voltou a apresentar sinais de vida pouco antes de ser levado pela funerária.
Quem viveu essa cena foi a agente funerária Regina Célia Paschoal, que contou ter percebido algo inesperado ao chegar ao hospital para recolher o corpo da criança. Segundo ela, Noah já estava dentro de um saco funerário preto, fechado com fitas, quando decidiu verificar a situação.
“Estava fechado em um saco preto, com fitas. Aí eu, por conta e responsabilidade, abri esse saco. Falei: ‘Meu Deus, o que eu faço?’”, relatou em entrevista à EPTV.
Ao abrir o invólucro, Regina conta que presenciou uma cena que jamais esquecerá. O bebê começou a apresentar mais movimentos e sinais que indicavam uma tentativa de respirar.
“Quando abri, começou a se mexer mais ainda, a tossir, a fazer um barulho porque ele queria respirar”, disse. Ela afirmou que aquele foi um dos maiores sustos de sua vida, mas também uma emoção impossível de colocar em palavras.
O funcionário da funerária Matheus Batagello, que acompanhava o procedimento, também percebeu que algo estava acontecendo. Em um primeiro momento, surgiu a dúvida se os movimentos seriam apenas espasmos, mas ele decidiu acionar imediatamente os profissionais do hospital.
“Ele estava se mexendo e dando tipo um soluço, como se estivesse engasgado”, contou.
Noah estava internado na UTI Neonatal da Santa Casa de Rio Claro desde o nascimento. Prematuro e diagnosticado com fenda palatina — malformação caracterizada por uma abertura no céu da boca —, ele aguardava uma vaga em um hospital especializado para realizar uma cirurgia.
Na quarta-feira (15), data em que completava um mês de vida, seu estado de saúde piorou e ele sofreu uma parada cardiorrespiratória. Conforme a Santa Casa, a equipe médica realizou manobras de reanimação cardiopulmonar por aproximadamente 45 minutos, seguindo os protocolos da Sociedade Brasileira de Pediatria. Sem resposta ao tratamento, o óbito foi oficialmente declarado no fim da tarde.
Depois da confirmação da morte, o bebê permaneceu cerca de uma hora na UTI para os procedimentos legais e para que a família recebesse acolhimento. Em seguida, foi encaminhado para outro setor da unidade hospitalar, onde aguardava a chegada da funerária. Foi nesse momento que a história tomou um rumo completamente inesperado.
Assim que perceberam os movimentos e os sons emitidos por Noah, os funcionários da funerária chamaram imediatamente a equipe médica. O recém-nascido foi reavaliado, readmitido na UTI Neonatal e voltou a receber cuidados intensivos.
Dois dias depois, surgiu a vaga que ele já aguardava anteriormente e Noah foi transferido para o Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais da USP, o Centrinho, em Bauru, onde segue o tratamento.
Em nota, a Santa Casa de Rio Claro informou que todos os procedimentos técnicos e legais para a constatação do óbito foram rigorosamente cumpridos e que, diante das evidências observadas naquele momento, não foi identificada qualquer falha assistencial.
O hospital destacou ainda que a médica responsável pelas tentativas de reanimação possui 14 anos de experiência em neonatologia e classificou o episódio como um dos acontecimentos mais extraordinários já registrados pela instituição.
Segundo a direção da Santa Casa, o caso é considerado “um dos episódios mais inexplicáveis” de sua história. A unidade afirmou respeitar as diferentes interpretações sobre o ocorrido e ressaltou que, para muitos profissionais e familiares, tudo o que aconteceu é visto como um verdadeiro milagre.
Apesar da repercussão nacional, os pais de Noah informaram que não pretendem ingressar com ação judicial contra a Santa Casa. A mãe, Letícia Cristina da Cruz Santos, afirmou que o filho recebeu atendimento adequado durante todo o período de internação e que acompanhou de perto o empenho da equipe médica para salvá-lo.
Segundo ela, a médica responsável lutou durante todo o procedimento de reanimação antes de comunicar oficialmente a morte da criança.
Embora a Santa Casa sustente que todos os protocolos médicos foram seguidos corretamente, o caso segue despertando atenção em todo o país por envolver a identificação de sinais vitais apenas quando o bebê já havia sido encaminhado para os procedimentos funerários.

