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Jornal Folha Regional

Nível baixo de hidrelétricas faz com que conta de luz fique mais cara

Os reservatórios das hidrelétricas das regiões Sudeste e Centro-Oeste fecharam o período chuvoso com um baixo nível de água e atualmente estão com apenas 33,47% da capacidade de armazenamento de energia, segundo dados do Operador Nacional do Sistema (ONS).

É o menor nível desde 2015, segundo dados do Operador Nacional do Sistema (ONS). A expectativa é que, como naquele ano, o consumidor passe a cobrir o custo adicional de geração de energia por termelétricas, com o pagamento das bandeiras tarifárias na conta de luz até o fim do ano.

Em Minas, o nível de dois dos sete maiores reservatórios preocupa a Cemig. É o caso da hidrelétrica de Nova Ponte, no Alto Paranaíba, que está com 16,7% de armazenamento, e da usina Emborcação, em Araguari, no Triângulo Mineiro, que está com 22,7%.

“Temos dois reservatórios que preocupam bastante. É o caso de Nova Ponte e Emborcação, que finalizaram o período chuvoso com armazenamentos muitos baixos. É o pior armazenamento do histórico deles, considerando o final da estação úmida. Esses baixos níveis no início do período de estiagem preocupam bastante, porque as vazões que nós estamos imaginando, ao longo desse período seco, são muito ruins, em alguns casos, batendo recordes com as piores vazões durante a seca” diz Ivan Sérgio Carneiro, gerente de Planejamento Energético da Cemig.

Racionamento

A situação no país é tão crítica que executivos do setor avaliam que, não fosse a queda de demanda provocada pela pandemia, o Brasil correria o risco de racionamento já em 2020.

“A situação dos reservatórios é bem crítica, talvez a pior dos últimos anos, compatível a 2014, quando a gente esteve à beira de um racionamento. O último foi em 2001”, diz Raimundo de Paula Batista Neto, diretor presidente da Enecel Energia.

Segundo Batista Neto, o país está caminhando para uma situação semelhante à vivenciada em 2014.

“O consumidor pode se preparar porque vai pagar uma bela conta de luz. O problema é que não choveu nos reservatórios, que foram usados de forma indevida ano passado. Na nossa situação, não há nada a fazer a não ser acionar as térmicas e talvez pedir ao consumidor para não consumir energia, o que é difícil. Então, a saída é aumentar a conta de luz”, afirma.

Grande parte da matriz elétrica nacional é constituída por usinas hidrelétricas, que fazem parte do sistema interligado nacional. Quando as hidrelétricas estão relativamente vazias – como é o caso do Sudeste – é necessário que o suprimento enérgico venha de outra fonte.

É aí que as termoelétricas são acionadas, para suprir a necessidade energética do país.

“Já temos uma quantidade de termelétricas acionadas há bastante tempo no país. O sistema é interligado, então independente de termos um déficit de armazenamento nos reservatórios no Sudeste, esse risco de racionamento de energia, segundo o ONS, não existe”, afirma Carneiro, da Cemig.

Consumidor mineiro já paga bandeira vermelha desde abril

Desde 2015, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) antecipa parte dos custos do uso das termelétricas por meio da cobrança mensal de bandeiras tarifárias sobre a conta de luz.

Em maio, já com as perspectivas negativas para o ano, foi acionada a bandeira vermelha nível 1, que acrescenta R$ 4,17 para cada 100 kWh consumidos.

Em Minas, os consumidores já estão sendo tarifados com a bandeira vermelha desde abril. “Nós já estamos com a bandeira vermelha, que tem dois patamares. Ainda estamos no primeiro patamar. Mas tudo indica que, devido à atual condição de armazenamento e às vazões esperadas serão muito ruins, o período seco vai ser com bandeira vermelha”, diz Ivan Sérgio Carneiro, gerente de Planejamento Energético da Cemig.

Na semana passada, o Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) autorizou o ONS a utilizar todos os recursos disponíveis para poupar água nos reservatórios das hidrelétricas, “sem limitação nos montantes e preços associados”.

Já na última segunda-feira, o presidente Jair Bolsonaro disse a apoiadores que o problema é sério e vai dar “dor de cabeça”.

O ONS disse que acompanha de perto a situação de 161 reservatórios no país. “A situação requer atenção, já que estamos atravessando um período hidrológico desfavorável, mas o importante, neste momento, é garantir que estamos realizando todas as ações necessárias para operar o sistema com segurança e de forma a atender a demanda elétrica do país”, afirmou.

Coronavírus derruba o turismo e hotéis começam a fechar as portas

Setor emprega 380 mil trabalhadores diretos e 1,3 milhão indiretos

O mais recente hotel que fechou as portas é o Hotel Matsubara, no bairro Paraíso em São Paulo (SP). Levantamento da Prefeitura de SP mostra que outros 27 hotéis fecharam definitivamente em 2020 por conta da pandemia e que arrecadação do setor caiu 64% na comparação com 2019.

O último hóspede do Matsubara fez as malas e se despediu do hotel no bairro do Paraíso, Zona Sul de São Paulo, no dia 31 de março de 2021. Desde a última quinta-feira (1º), os mais de 160 quartos do hotel, que já receberam delegações esportivas internacionais e executivos de multinacionais, estão todos vazios.

Com prejuízos acumulados por conta da pandemia de Covid-19, o local fechou as portas no dia 1º de abril e se juntou a outros 27 hotéis que fecharam definitivamente na cidade São Paulo no ano passado, segundo um levantamento da prefeitura. De acordo com o Relatório de Impactos da Pandemia de Covid-19 no Turismo, outros 12 hotéis fecharam temporariamente em 2020 na capital.

Próximo à Avenida 23 de Maio e ao Parque do Ibirapuera, o hotel Matsubara ocupa um edifício de esquina que agora fica apagado. Os proprietários do hotel não quiseram comentar o fechamento. Ex-funcionários do local também disseram que não poderiam se pronunciar.

Em um comunicado enviado a hóspedes, a administração disse que “em razão dos significativos impactos no setor de turismo e de hotelaria em decorrência da pandemia Covid-19” comunica “o encerramento das atividades a partir de 1 de abril de 2021”. Na mensagem, o hotel diz ainda que o processo de encerramento das atividades “é difícil, mas inevitável.”

A pandemia de Covid-19 afetou duramente o setor de turismo da capital. A taxa de ocupação dos hotéis da cidade caiu 58,7% no ano de 2020 em comparação com 2019. Com isso, a arrecadação desses estabelecimentos foi 64,3% menor.

A crise resultou em 6,6 milhões de diárias a menos vendidas em 2020 e, segundo pesquisa da Prefeitura de São Paulo, 68% dos estabelecimentos demitiram funcionários no segundo semestre de 2020.

Efeitos da pandemia

O desemprego causado pelo fechamento de um hotel de grande porte como o Matsubara vai além dos funcionários do estabelecimento, segundo o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (ABIH) em São Paulo, Ricardo Roman Jr.

“Cada hotel deste porte tem cerca de 250 funcionários, em empregos diretos, mas há ainda os indiretos. O nosso setor movimenta uma cadeia de fornecedores muito grande: materiais de limpeza, enxoval, alimentos e bebidas, manutenção predial, entre outras. Então, o número de pessoas afetadas pode ser até cinco vezes maior”, disse Roman Jr.

Segundo a ABIH, o turismo da cidade de São Paulo deve ser mais afetado pela pandemia do que o de outras cidades do estado por conta do perfil dos visitantes da capital, que depende mais do turismo de negócios.

“A hotelaria tem basicamente três tipos de público: lazer, corporativo e eventos. Na retomada imediata após a pandemia, você tem o retorno de apenas um tipo de público, que é o de lazer. No turismo corporativo e de eventos, nós não temos a expectativa de retornar ao que era, vai levar no mínimo uns quatro anos para voltarmos aos níveis de 2019”, avalia o presidente da associação.

O relatório elaborado pela prefeitura sobre o turismo na capital destaca estratégias para a recuperação do setor, mas reconhece obstáculos para a retomada.

No documento, a prefeitura avalia que o turismo de estrangeiros na capital, por exemplo, deve continuar em baixa porque, apesar de o dólar estar valorizado em relação ao real, o que barateia os custos para o turista internacional, o cenário atual não é favorável para o turismo no Brasil.

“O país está com a imagem arranhada pela questão política e pelos altos índices de contaminados e mortos [pela Covid-19]”, afirma a prefeitura em relatório.

Passageiros nos aeroportos

Com as restrições de viagem implementadas em diversos países, o fluxo de passageiros internacionais que chegam aos aeroportos que atendem a cidade de São Paulo (Congonhas, Guarulhos e Viracopos) caiu mais do que o fluxo de passageiros nacionais.

Em 2020, apenas 4,5 milhões de estrangeiros chegaram a São Paulo por esses três aeroportos, contra 15,7 milhões em 2019, uma queda de 71%. Já a redução de passageiros nacionais foi de 50%. Ao todo, 41,5 milhões de passageiros deixaram de circular nos aeroportos que servem a capital paulista.

O número de países conectados a São Paulo por voos diretos também diminuiu: foi de 35 países acessados por voos diretos em janeiro para 26 em dezembro de 2020.

Como é a composição do preço dos combustíveis?

Impostos e margem de lucro de vendedores elevam preço final.

Nos últimos meses, os brasileiros têm sido surpreendidos com o aumento do preço dos combustíveis. A combinação de dólar alto e de aumento da cotação internacional do petróleo tem pesado no bolso do consumidor.

O preço dos combustíveis é liberado na bomba – ou na revenda, no caso do gás de cozinha. No entanto, grande parte do que o consumidor desembolsa reflete o preço cobrado pela Petrobras na refinaria. Como num efeito cascata, alterações nos preços da Petrobras, que seguem a cotação internacional e o câmbio, refletem-se nos demais componentes do preço até chegar ao preço final.

Impostos, adição de outros combustíveis à mistura e preços de distribuição e de revenda somam-se ao valor cobrado nas refinarias. Ao sair da Petrobras, o combustível sai com o valor do produto mais os tributos federais: a Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide), partilhada com estados e municípios; o Programa de Integração Social (PIS) e a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins).

Ao chegar às distribuidoras, o preço sobre o combustível passa a sofrer a incidência do Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), definido por cada um dos estados e o Distrito Federal.

A cada 15 dias, o Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz), órgão formado pelas secretarias estaduais de Fazenda, publica no Diário Oficial da União uma pesquisa dos preços de combustíveis cobrados dos consumidores na bomba. Essa pesquisa serve como base para o cálculo do ICMS sobre combustíveis.

Quando há aumento de ICMS, o preço pode subir novamente porque os postos costumam repassar o reajuste para o consumidor.

Um projeto de lei enviado ao Congresso no último dia 12 pretende mudar o modelo de cobrança do ICMS e introduzir valores fixos por litro, como ocorre com os tributos federais. Dessa forma, o imposto estadual não seria afetado pelos reajustes nas refinarias, reduzindo o impacto sobre o bolso do consumidor.

Composição

No caso da gasolina e do diesel, a adição de outros combustíveis à mistura eleva os preços. À gasolina que sai pura da refinaria é acrescentado álcool anidro, na proporção de 27% para a gasolina comum e aditivada e 25% para a gasolina premium.

Já o diesel sofre a adição de 12% de biodiesel. Esses custos são incorporados ao preço dos combustíveis que vai para as revendedoras, onde o preço final é definido com o custo de manutenção dos postos de gasolina e as margens de lucro das revendedoras.

A Petrobras pesquisa periodicamente os preços ao consumidor nas principais capitais.

Petrobras sobe gasolina pela sexta vez no ano; diesel tem quinta alta

Litro da gasolina que já subiu mais de 50% este ano; preço do diesel ficou 41% mais caro desde dezembro.

A Petrobras vai elevar mais uma vez os preços da gasolina e do diesel nas refinarias a partir de terça-feira (9), informou a companhia nesta segunda-feira, por meio da assessoria de imprensa. A nova alta vem em meio aos trâmites para a substituição do presidente da petroleira, após intervenção do presidente Jair Bolsonaro.

O preço médio de venda da gasolina passará a ser de R$ 2,84 por litro, alta de R$ 0,23 por litro (alta de 9,2%), enquanto o diesel passará a média de R$ 2,86 por litro, aumento de R$ 0,15 por litro (alta de 5,5%).

É a sexta alta do ano nos preços da gasolina, e a quinta no valor do litro do diesel. Em dezembro, o litro da gasolina custava em média R$ 1,84. Já o do diesel saía a R$ 2,02.

Troca de comando

As sucessivas altas nos combustíveis este ano irritaram o presidente Jair Bolsonaro, que indicou o general Joaquim Silva e Luna para substituir o atual presidente Roberto Castello Branco do comando da estatal, como mostra o vídeo abaixo. O mandato de Castello Branco, no entanto, termina em 20 de março, e ele segue no cargo.

A troca provocou um forte abalo nas ações da companhia, que chegou a perder R$ 75 bilhões em valor de mercado em um só dia.

Lucro recorde

A Petrobras encerrou o quarto trimestre de 2020 com lucro recorde de R$ 7 bilhões, apesar do momento de crise. Segundo a Economatica, o resultado é tanto recorde nominal entre as empresas brasileiras como também quando se ajustam os valores dos maiores lucros da história pela inflação.

Desde o início do ano, a gasolina acumula alta de 54% nas refinarias, enquanto o diesel subiu 41,6%.

Petrobras sobe preço da gasolina pela 4ª vez no ano; diesel tem 3ª alta

Refueling Car

A Petrobras anunciou nesta quinta-feira (18) mais um aumento dos preços médios de venda às distribuidores da gasolina e do diesel, que irão vigorar a partir de sexta-feira (19), segundo comunicado da estatal.

O preço médio de venda de gasolina nas refinarias da Petrobras passará a ser de R$ 2,48 por litro, refletindo aumento médio de R$ 0,23 por litro. Já o preço médio de venda de diesel passará a ser de R$ 2,58 por litro, refletindo aumento médio de R$ 0,34 por litro.

É a quarta alta do ano nos preços da gasolina, e a terceira no valor do litro do diesel. Em dezembro, o litro da gasolina custava em média R$ 1,84. Já o do diesel saía a R$ 2,02.

Com os novos reajustes, o litro da gasolina nas refinarias acumula alta de 34,78% desde o início do ano. Já o diesel subiu 27,72% no mesmo período.
Nos postos, a gasolina está 5,8% mais cara desde a primeira semana do ano, vendida a R$ 4,833 na média, segundo pesquisa semanal da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). Já o diesel era vendido a um preço médio de R$ 3,875 o litro nas bombas.

Política de preços


No início o mês, a petroleira divulgou comunicado para reafirmar que não houve alteração no alinhamento dos seus preços de combustíveis em relação ao praticado no mercado internacional.

Em nota nesta quinta, a Petrobras afirma que esse alinhamento “é fundamental para garantir que o mercado brasileiro siga sendo suprido sem riscos de desabastecimento pelos diferentes atores responsáveis pelo atendimento às diversas regiões brasileiras”.

Os preços internacionais do petróleo atingiram nesta quarta-feira os maiores níveis desde janeiro do ano passado. O barril do tipo Brent fechou em alta de 1,6%, a US$ 61,14, enquanto o petróleo dos EUA (WTI) avançou 1,8%, para US$ 61,14.

A estatal tentou amenizar o impacto das altas no bolso dos brasileiros, citando o preço pago pelos combustíveis internacionalmente. Em nota, destacou que, segundo pesquisa da Globalpetrolprices.com abrangendo 167 países, “o preço médio da gasolina ao consumidor final no Brasil está 17% inferior à média global e ocupa a 56ª posição do ranking sendo, portanto, inferior aos preços observados em 111 países”.

Para o diesel, em uma amostragem de 166 países, o preço final no Brasil está 28% inferior à média global, segundo a estatal, o que coloca o país na 43ª posição do ranking, com um preço inferior a 123 países.

“Em ambos os casos, os preços médios no Brasil estão abaixo dos preços registrados no Chile, Argentina, Peru, Canadá, Alemanha, França e Itália”, acrescentou.

Governo quer mudanças em tributos
Diante de reclamações do setor de transporte sobre o valor dos combustíveis, o governo vem falando em alterar a estrutura de tributação do setor. No último dia 5, o presidente Jair Bolsonaro afirmou que o governo avalia um projeto para estabelecer um valor fixo do ICMS sobre combustíveis ou a incidência do ICMS sobre o preço dos combustíveis nas refinarias.

O presidente afirmou que o governo está fazendo estudos sobre as mudanças no ICMS e que, se ficar comprovada a viabilidade jurídica, apresentará um projeto sobre o tema ao Congresso na semana que vem.

De acordo com o presidente, o valor do ICMS fixo seria decidido pelos governos estaduais, junto com as assembleias legislativas.

Gasolina já subiu 13% nas refinarias em 2021 e deve ficar ainda mais cara

Ainda é fevereiro, mas a Petrobras já anunciou dois aumentos para a gasolina e um para o diesel em 2021. Com um reajuste de 7,6% anunciado em 8 de janeiro e outro de 5% no dia 26 do mesmo mês, a gasolina já acumula cerca de 13% de alta nas refinarias neste ano. Já o diesel, pivô do descontentamento dos caminhoneiros que levou a paralisações isoladas nos últimos dias pelo país, foi reajustado em 4,4%.

E os analistas são unânimes: deve vir mais alta de preços dos combustíveis por aí, já que os valores praticados pela Petrobras no mercado interno seguem abaixo do mercado internacional, que serve de referência para os reajustes da estatal.

O aumento esperado dos preços reflete a expectativa de valorização do barril do petróleo, diante da previsão de manutenção da oferta restrita pela Opep (Organização de Países Exportadores de Petróleo) e Rússia; aliada ao crescimento projetado da economia mundial, com o avanço da vacinação contra a covid-19; e à incerteza com relação ao câmbio, diante do desequilíbrio das contas públicas nacionais.

Gasolina, diesel e o bolso do consumidor

Para o consumidor final, a expectativa dos analistas é de uma alta entre 8% e 10% do preço da gasolina neste ano e um pouco menos do que isso para o diesel, devido à sensibilidade política do reajuste desse combustível desde a greve nacional dos caminhoneiros de 2018.

A gasolina pesa no bolso do consumidor de classe média que tem carro e dos trabalhadores que dependem de veículos automotores para seu sustento, como motoristas de aplicativos e entregadores.

Já o diesel tem peso direto menor no IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), índice oficial de inflação do país, mas um impacto indireto muito maior, pesando no frete de todos os produtos transportados por rodovias e em alguns custos industriais.

Assim, embora a estimativa dos analistas seja de uma inflação em 2021 abaixo da meta (de 3,53%, segundo o boletim Focus do Banco Central mais recente, contra meta de 3,75% para 2021), a alta do preço dos combustíveis, somada à carestia dos alimentos e à expectativa de um IPCA acumulado em 12 meses que pode superar os 6% em maio devem contribuir para o mal-estar da população com relação à dinâmica de preços esse ano.

A tal paridade internacional

A Petrobras adotou em 2016 o chamado PPI (Preço de Paridade Internacional), uma resposta à política de controle de preços dos combustíveis que vigorou durante o governo Dilma Rousseff (PT), que deteriorou a contabilidade da empresa, como parte de uma estratégia para controlar a inflação.

Quando foi estabelecida a nova política de preços, eles chegaram a variar quase que diariamente, seguindo a flutuação do mercado internacional. Em setembro de 2018, às vésperas da eleição daquele ano, esses reajustes passaram a ser quinzenais. E, em meados de 2019, deixaram de ter prazo fixo, passando a depender da avaliação da companhia sobre as condições de mercado e o ambiente externo.

A fórmula usada pela Petrobras para calcular a relação entre os preços praticados pela empresa no Brasil e o mercado internacional não é conhecida. Por conta disso, cada consultoria chega a um resultado diferente, com base em parâmetros como o preço da gasolina no Golfo do México, nos Estados Unidos, cotações em Bolsa e outros.

A Ativa Investimentos, por exemplo, calcula que a gasolina pode ter ainda um reajuste potencial de 9%.

Já o Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE) estima que a defasagem está em R$ 0,28 para o diesel e R$ 0,30 para a gasolina, equivalentes a cerca de 12% e 13% de diferença, respectivamente.

A consultoria StoneX, por sua vez, calcula que o diesel pode ser reajustado ainda em até R$ 0,22 e a gasolina, em R$ 0,11.

Independentemente do valor exato, o que chama a atenção é a avaliação consensual entre os analistas de que os preços internos estão defasados e, por isso, o caminho esperado é de mais reajustes de valores para cima.

Petrobras reajusta preços da gasolina e do diesel; governo neutraliza valor final

A Petrobras anunciou nesta 3ª feira (26.jan.2021) o reajuste da gasolina e do diesel. Os aumentos de 5,05% e 4,98%, respectivamente, começam a valer nesta 4ª feira (27.jan). Este já o 2º aumento do ano no valor da gasolina. O combustível terá aumento médio de R$ 0,10, ou seja, o preço médio por litro de gasolina será de R$ 2,08 para as distribuidoras. Já o diesel sofre o 1º reajuste do ano, passando de R$ 2,02 o litro para R$ 2,12.

O aumento se dá a poucos dias de uma possível paralisação por parte dos caminhoneiros marcada para 1º de fevereiro. Parte deles reivindica, justamente, o fim da política de paridade de preços com o mercado internacional praticada pela Petrobras. As importadoras, por outro lado, reclamam de defasagem no preço do diesel em relação ao mercado externo.

Pensando nisso, o Ministério da Economia já tem pronta uma medida para conter o aumento do diesel nas bombas: deve reduzir a cobrança de PIS/Cofins sobre o combustível e, assim, manter o preço final igual para os caminhoneiros.

Como não pode baixar a alíquota do PIS/Confins de um determinado setor e assumir uma queda de receita, o governo estuda aumentar a taxa de automóveis adaptados para deficientes que custem mais de R$ 70.000. Isso porque a Receita Federal descobriu que havia pessoas com deficiência comprando BMWs para fazer a adaptação e, assim, não pagar o imposto devido. Carros mais simples continuarão com a isenção nesses casos.

No Ministério da Infraestrutura, a percepção é de que a chance de greve dos caminhoneiros é pequena. Por 3 razões:

  • transportadoras: não apoiariam a manifestação, diferentemente do que ocorreu em 2018;
  • repetição: nas contas do governo, essa é a 13ª ameaça de paralisação desde a posse de Bolsonaro;
  • desarticulação: o movimento está dividido e os protestos tendem a ser pontuais.

Ainda assim, o governo já adotou pelo menos outras duas medidas para aplacar os ânimos da categoria: zerou o imposto de importação de pneus e incluiu o grupo entre os prioritários para vacinação contra covid-19.

Na nota (26 KB) em que anuncia o aumento no preço dos combustíveis, a Petrobras lembra –como faz sempre que anuncia reajustes– que o repasse do aumento não será imediatamente cobrado ao consumidor final nos postos de combustíveis. Depende da margem da distribuição e revenda, além dos impostos e da adição obrigatória de etanol anidro –mistura da solução final da gasolina.

A companhia alega ainda que, “segundo dados do Global Petrol Prices, em 18/01/2021, o preço médio ao consumidor de gasolina no Brasil era o 56º mais barato dentre 166 pesquisados, estando 17,8% abaixo da média de US$ 1,05 por litro. Já o preço médio de diesel ao consumidor no Brasil era o 42º mais barato dentre 165 pesquisados, estando 26,7% abaixo da média de US$ 0,95 por litro”.

Gás de cozinha pode chegar a R$ 200 este ano

O presidente da Associação Brasileira dos Revendedores de Gás Liquefeito do Petróleo (Asmirg), Alexandre Borjaili, afirmou que o gás de cozinha poderá chegar a R$ 200 reais este ano. Porém, o preço pode variar de R$ 150 a R$ 200.

Na entrevista, ele criticou o constante aumento do preço do Gás Liquefeito do Petróleo (GLP), conhecido como gás de cozinha e vendido para as distribuidoras pela Petrobras. Em menos de 15 dias deste ano, a Petrobras já aumentou o preço do GLP. Já o reajuste anterior a este aconteceu no início de dezembro.

“Se persistirem esses aumentos consecutivos, sem limites, a previsão é de que o gás de cozinha chegue logo a R$ 150. Vai ser um pulo. Já para chegar a R$ 200 depende dessa política de preços”, estima.

Por enquanto, o brasileiro deve preparar o bolso para pagar, em média, R$75,04 por um botijão de 13kg. É o que apontam os dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) atualizados nesta segunda-feira (11). Nos preços mais altos, o custo do botijão de 13kg pode chegar a R$ 105.

Aumentos constantes do gás de cozinha

O GLP acumulou alta de 21,9% ou R$ 6,08 por botijão em 2020. Isso contando apenas com o preço repassado às distribuidoras pela Petrobras. Ou seja, a alta para o consumidor final pode ter sido ainda maior.

A Petrobras revende para as distribuidoras, que compram e repassam o valor, junto com a porcentagem, dos seus lucros, para o consumidor final.

Hoje, o GLP é vendido pela petroleira estatal a distribuidoras, com um botijão de 13 kg por R$ 35,98. Antes do reajuste, o valor era de R$ 33,89 por 13 kg. Ou seja, o gás subiu R$2 com a nova mudança da estatal. O valor médio pago pelo consumidor final é mais que o dobro: R$75.

“Os ministros de Minas e Energia e da Economia prometeram publicamente que o preço do gás iria cair até 40% ou 50%, mas, desde então, o valor só sobe – e não há qualquer previsão de redução”, lembra Borjaili.

“Pelo contrário, o que temos são aumentos consecutivos. A Petrobras não passa um mês sem aumentar ao menos 5% do combustível [vendido às refinarias] e, alinhado a isso, tem o aumento dos estados via ICMS”, completa.

Para Borjaili a situação é um desrespeito à população mais vulnerável.

“Nós vendemos em média 35 milhões de botijões de gás todo mês. O país tem 15 milhões de famílias no Bolsa Família que vivem com uma renda per capita de até R$ 87. Então, nem gás podem comprar”, diz Borjaili. “Não é a classe A que precisa do gás de cozinha. Quem precisa é quem tem que fazer arroz, feijão, mingau todos os dias”, finaliza.

Gás de cozinha fica mais caro a partir desta quinta-feira

A Petrobras confirmou na última quarta-feira (6) o primeiro aumento do Gás este ano, após ter reajustado em 5% em 3 de dezembro. O aumento, válido a partir dessa quinta-feira (7), segue a alta do preço do petróleo no mercado internacional, que nesta quarta-feira fechou cotado a US$ 54,30 o barril do tipo Brent. 

A alta afeta tanto o GLP 13 Kg, o chamado gás de cozinha, que será vendido nas refinarias a R$ 35,98 o botijão, correspondente a 46% do preço total, quanto o GLP a granel, utilizado por indústrias, comércio, condomínios, academias, entre outros.

“Os preços de GLP praticados pela Petrobras seguem a dinâmica de commodities em economias abertas, tendo como referência o preço de paridade de importação, formado pelo valor do produto no mercado internacional, mais os custos que importadores teriam, como frete de navios, taxas portuárias e demais custos internos de transporte para cada ponto de fornecimento, também sendo influenciado pela taxa de câmbio”, informou a Petrobras.

Pandemia mostra que podemos viver gastando menos, diz economista

Diante desse contexto, a Agência Brasil consultou alguns especialistas, na busca por dicas de como conseguir montar uma reserva, mesmo em tempos de crise. Segundo eles, para isso, o primeiro e mais importante passo é pagar as dívidas com juros mais elevados.

“As reservas financeiras são, antes de tudo, importantes para gastos imprevistos. Por exemplo, em saúde ou no conserto do carro, ou do imóvel”, afirma o economista e professor licenciado da Universidade de Brasília (UnB) Newton Marques. Especialista em educação financeira, ele sugere que, tendo um dinheirinho sobrando, as pessoas procurem, primeiro, quitar dívidas que, em função dos juros, estejam crescentes.

“Quem receber o décimo terceiro salário pode utilizar da seguinte forma: pagar dívida com juros, consumir parte nas festas de fim de ano e guardar uma parte para gastos imprevistos em 2021”, resume.

Conselheiro da Associação Nacional de Executivos de Finanças (Anefac), Andrew Frank Storfer diz que a pandemia deixou uma lição importante para as pessoas: “todos podemos viver gastando menos”. 

Para ele, “existe um produto que todos deveriam comprar: a tranquilidade. Ter alguma reserva para imprevistos é sempre bom. Independentemente da pandemia, quem pode olhar para trás e dizer que não teve algum imprevisto nos últimos cinco anos? Que não teve de fazer um tratamento, comprar remédios; quem não teve geladeira ou TV quebrada? Quem não bateu um carro, ou teve de ir ao mecânico? O mesmo se pode dizer dos próximos cinco anos. Sempre há um imprevisto”, disse o conselheiro da Anefac.

Ele lembra, no entanto, que muita gente recebe salário que mal dá para suportar os gastos básicos com alimentação e moradia. Mesmo assim, sugere, é fundamental fazer esforços, pelo menos no sentido de cortar gastos, na tentativa de guardar um pouco.

“O segredo é equilibrar o desejo de gastar com algum serviço, ou de comprar alguma coisa, com a necessidade de ter reservas e, assim, tranquilidade. Neste fim de ano, presentes podem ser o primeiro gasto a ser reduzido. Ainda mais tendo em vista que há limitações para sair de casa e frequentar lojas e shoppings. Os gastos com serviços e compras do dia a dia devem sempre ser revistos. Há itens que subiram de preço e podem ser substituídos por outros. Procurar alternativas com preços mais em conta pode fazer uma diferença”, sugere o especialista.

Compras online

Uma boa alternativa de compras que pode resultar em economia são as feitas pela internet. Segundo os especialistas, as compras online têm, entre suas vantagens, a possibilidade de comparação de preços, que é facilitada por não haver necessidade de deslocamento. Além disso, os produtos são em geral “bem mais baratos” do que estão à venda em lojas físicas.

“A compra online [ampliada desde que se adotou o isolamento social como medida de enfrentamento da pandemia] trouxe dois pontos importantes: a real comparação de preços e a redução das compras por impulso. Apesar de antes da pandemia ser possível comparar preços pela internet, muitos não faziam isso. Simplesmente iam às compras nas ruas e shoppings. A comparação passou a ser muito maior, e realmente há a vantagem de se comparar preços e artigos. Além disso, as compras por impulso tendem a diminuir porque se gasta um certo tempo buscando, comparando e analisando se realmente vale a pena gastar no que se imagina. E gastando menos, sobra mais”, explica Storfer.

Redução salarial

O ano de 2020 teve um fator que complicou ainda mais a situação financeira de muitas famílias, que tiveram de reorganizar seus orçamentos: a redução salarial combinada entre empresas e empregados, para se evitar demissões.

Nesses casos, o conselheiro da Anefac sugere que, em primeiro lugar, o problema seja compartilhado com a família. “Ter uma conversa direta com todos da família é muito útil porque alinha a situação e o entendimento, fazendo com que todos passem a dar mais valor ao dinheiro que entra, que cooperem na redução de gastos e que entendam o momento vivido”, disse.

“A partir daí, analisar o que pode ser cortado e que gastos podem ser adiados. É importante também entender que não se pode contar antecipadamente com uma melhora no futuro, e que fazer um empréstimo ou entrar em cheque especial nada mais é que empurrar para a frente a conta a ser paga”, acrescentou, ao lembrar que os juros no Brasil “continuam altíssimos e proibitivos”.

Inflação

Membro do Conselho Regional de Economia do Distrito Federal (Corecon-DF), o professor Newton Marques concorda com a opinião de que quem teve redução renda, em especial após a chegada da pandemia no país, tem que reavaliar seus gastos essenciais e supérfluos, de forma a evitar endividamento.

“Ainda mais agora, que as expectativas inflacionárias são crescentes, é importante fazer reservas financeiras para enfrentar esses elevados custos, principalmente da alimentação. Também recomenda-se mudança de hábitos de consumo de alimentos com essa forte elevação de preços”, afirma.

Andrew Storfer diz que a “subida inesperada” da inflação este ano “foi muito mais por uma conjuntura”, referindo-se ao auxílio emergencial que suportou o poder de compra, os gastos com energia e a aquisição de itens alimentares.

“Apesar de ainda haver uma pressão na inflação, ela pode ser menor em 2021. De qualquer forma, vale ficar atento aos alimentos, por exemplo, e seguir monitorando preços e sempre buscando alternativas mais em conta, dependendo dos preços em cada época”, acrescenta.

Caderneta de poupança

Segundo Newton Marques, a caderneta de poupança ainda é a aplicação financeira recomendada para pequenos poupadores porque seu rendimento é líquido, sem imposto de renda.

A mesma opinião tem o executivo da Anefac, mesmo considerando que a poupança não esteja em um de seus períodos mais rentáveis. “Hoje em dia até que não é das piores, pela baixa taxa de juros atualmente vigente. Mas não importa. A poupança apresenta uma facilidade muito grande para se guardar reservas, quando comparada a alternativas do mercado financeiro que exigem um pouco mais de entendimento e, muitas vezes, volumes maiores de investimento”, disse ele.

“Para baixos valores, a poupança é simples, isenta de imposto de renda, não tem taxa de performance e tem liquidez imediata caso alguém precise do dinheiro para emergências. Na realidade, ela compete é com o gastar o dinheiro. Ou seja, podendo deixar as economias na poupança, em vez de gastar o dinheiro, já é um grande passo”.

Fonte: O Tempo

Jornal Folha Regional
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