Estudantes da UEMG são condenados por injúria racial durante trote universitário em Frutal – Foto:
Três estudantes da Universidade do Estado de Minas Gerais (UEMG) foram condenados pela Justiça por injúria racial qualificada após um episódio ocorrido durante um trote de recepção de calouros realizado em março do ano passado, no campus de Frutal, no Triângulo Mineiro.
O caso envolveu a exposição de uma aluna a uma situação de constrangimento público, quando os acusados colocaram nela uma placa com a palavra “bombril”, em referência ao cabelo da vítima. A conduta foi considerada pelo Judiciário como racismo recreativo.
Cada um dos réus recebeu pena de três anos de reclusão em regime inicial aberto, além do pagamento de 15 dias-multa. Também foi fixada indenização no valor de R$ 10 mil para a vítima. As penas privativas de liberdade foram substituídas por prestação de serviços à comunidade e pagamento de cinco salários-mínimos. Ainda cabe recurso da decisão.
A sentença foi proferida no dia 21 de janeiro pelo juiz Thales Cazonato Corrêa, da 2ª Vara Criminal e da Infância e da Juventude da Comarca de Frutal. O magistrado reconheceu a existência de racismo estrutural e aplicou a qualificadora prevista no artigo 20-A da Lei 7.716/89, por se tratar de crime cometido em contexto de recreação.
Conforme descrito no processo, cada um dos envolvidos teve participação distinta no episódio: um dos estudantes criou e sugeriu o apelido de cunho racista; outro, que ocupava o cargo de vice-presidente do grupo organizador do trote, autorizou o uso do termo; e a terceira aluna foi responsável por confeccionar a placa e entregá-la à vítima.
O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) informou que recorrerá da dosimetria da pena, buscando a aplicação da punição máxima prevista em lei. Na argumentação, o órgão utilizou o Protocolo para Julgamento com Perspectiva Racial do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e rechaçou justificativas como a alegação de ausência de intenção por se tratar de um evento festivo ou a tentativa de minimizar o crime sob o argumento de convivência com pessoas negras.
Em entrevista, a vítima declarou estar aliviada com a condenação e afirmou que espera que o caso sirva de exemplo. “Essa luta não é só minha. Racismo é crime”, afirmou.
A UEMG informou, por meio de nota, que instaurou procedimento administrativo logo após o ocorrido para apurar os fatos no âmbito institucional. Uma comissão foi criada para ouvir estudantes, servidores e docentes, garantindo o direito à ampla defesa e ao contraditório.
Como resultado do processo interno, um dos estudantes teve o vínculo com a universidade encerrado por decisão do Conselho Universitário. Os outros dois foram suspensos das atividades acadêmicas por 30 dias, conforme deliberação da comissão.
A universidade reforçou seu posicionamento contra qualquer forma de discriminação e afirmou que mantém o compromisso com a promoção dos direitos humanos e de um ambiente acadêmico pautado no respeito, na dignidade e na convivência ética.
Um acidente registrado durante uma celebração religiosa em Itamarandiba, no Vale do Jequitinhonha, chamou a atenção nas redes sociais no último domingo (25). Um vídeo que circula na internet mostra o momento em que um mastro de bandeira cai e atinge a cabeça de um homem durante o encerramento da Festa de São Sebastião, realizada na Paróquia São Sebastião.
As imagens revelam que, enquanto o mastro tombava, algumas pessoas ao redor perceberam o risco e tentaram alertar os fiéis presentes, porém não houve tempo para evitar o impacto. Logo após o ocorrido, participantes da celebração acionaram ajuda imediatamente.
De acordo com informações divulgadas pela paróquia, o homem foi socorrido rapidamente e encaminhado ao hospital, onde passou por exames, incluindo raio-x. Os resultados não apontaram fraturas nem lesões graves.
Ainda segundo a igreja, a equipe médica orientou os familiares a monitorarem o estado de saúde da vítima nos dias seguintes, principalmente quanto ao surgimento de dores de cabeça ou outros sintomas. Após o atendimento, o homem recebeu alta e segue em recuperação em sua residência.
Em nota oficial, a Paróquia São Sebastião informou que o atendimento foi prestado de forma imediata e agradeceu as manifestações de apoio e as orações recebidas pela recuperação do fiel.
Inmet alerta: ciclone deve provocar chuvas intensas e tempestades no Sul de Minas a partir desta sexta-feira – Foto: divulgação
A formação de um ciclone na região Sudeste do Brasil, prevista para a partir desta sexta-feira (30), deve provocar chuvas volumosas e temporais em diversas áreas do país, com destaque para o Sul de Minas Gerais. A previsão é do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).
De acordo com o órgão, o sistema meteorológico deve se formar próximo ao litoral do Sudeste e favorecer a ocorrência de acumulados elevados de chuva, principalmente nas áreas da Serra da Mantiqueira, que inclui municípios do Sul de Minas, onde os volumes podem ultrapassar os 100 milímetros.
Além das chuvas intensas, há risco de tempestades acompanhadas de rajadas de vento e eventual queda de granizo em várias cidades da região. O Inmet alerta que os temporais também podem atingir áreas do Triângulo Mineiro e regiões próximas ao interior paulista.
No sábado (31), a instabilidade continua concentrada entre o Sul de Minas, o Triângulo Mineiro e o estado do Rio de Janeiro, com previsão de mais de 100 milímetros de chuva em um intervalo de 24 horas em alguns pontos.
A previsão indica ainda que o ciclone deve permanecer ativo até o início da próxima semana, mantendo um canal de umidade que se estende entre o Espírito Santo e Mato Grosso, o que contribui para a persistência das chuvas no Sul de Minas.
Antes mesmo da atuação do ciclone, a passagem de uma frente fria já começa a provocar mudanças no tempo nesta quinta-feira (29), com pancadas de chuva e tempestades isoladas em partes do Sul e do Sudeste do país. Embora os maiores impactos estejam previstos para Paraná e Santa Catarina, o avanço do sistema também influencia as condições climáticas em Minas Gerais.
O Inmet orienta que a população do Sul de Minas fique atenta a possíveis alagamentos, quedas de árvores, descargas elétricas e interrupções no fornecimento de energia elétrica durante o período de instabilidade.
Petrobras reduz preço da gasolina em 5,2% para distribuidoras – Foto: reprodução
A Petrobras informou que vai reduzir o preço da gasolina vendida às distribuidoras a partir desta terça-feira (27). Esta será a primeira diminuição no valor do combustível promovida pela estatal em 2026. A última atualização de preços havia ocorrido em outubro de 2025.
Com a mudança, o preço médio da gasolina A passará a ser de R$ 2,57 por litro, o que representa uma queda de R$ 0,14 por litro, equivalente a uma redução de 5,2%. Em nota oficial, a empresa destacou que, desde dezembro de 2022, o valor da gasolina para as distribuidoras já foi reduzido em R$ 0,50 por litro. Considerando a inflação acumulada no período, a queda real chega a 26,9%.
Em relação ao diesel, a Petrobras informou que não haverá alteração nos preços neste momento. Ainda assim, a estatal ressaltou que, desde dezembro de 2022, a redução acumulada do diesel, já corrigida pela inflação, é de 36,3%.
A companhia também explicou que o preço praticado pela Petrobras representa, em média, cerca de um terço do valor final pago pelos consumidores nos postos de combustíveis. O valor cobrado nas bombas é influenciado por diversos outros componentes, como os custos e margens de lucro de distribuidoras e revendedores, o preço do etanol anidro, que é misturado à gasolina A para a formação da gasolina C, além dos impostos federais — como Cide, PIS/Pasep e Cofins — e do ICMS, cuja alíquota varia conforme o estado.
Cooperativa de Ibiraci desmarca assembleia e cafeicultores continuam sem receber valor de 22 mil sacas desaparecidas – Foto: reprodução
A Cooperativa dos Cafeicultores e Agropecuaristas de Ibiraci (Cocapil) suspendeu a assembleia que estava marcada para o último sábado (24), quando pretendia tratar com os produtores sobre o ressarcimento de mais de 22 mil sacas de café que desapareceram dos barracões da entidade. O prejuízo estimado ultrapassa R$ 52 milhões, e os cafeicultores seguem sem qualquer previsão de recebimento.
Por meio de comunicado divulgado nas redes sociais, a cooperativa informou que a reunião precisou ser desmarcada por motivos técnicos, que não teriam relação com o barracão onde o encontro ocorreria. A Cocapil afirmou ainda que uma nova data será divulgada posteriormente ou que os produtores e cooperados poderão ser convocados individualmente para a formalização de termos de transação visando ao pagamento dos créditos.
O caso ganhou repercussão após a Polícia Civil concluir, em 12 de janeiro, o inquérito que investigou o desaparecimento das sacas de café. O problema começou a ser identificado em agosto do ano passado, quando produtores tentaram retirar os grãos armazenados e constataram que o produto não estava mais nos depósitos. Diante da situação, boletins de ocorrência foram registrados.
Ao longo da investigação, 30 produtores prestaram depoimento à Polícia Civil. As vítimas são de Ibiraci, Cássia, Capetinga e Claraval, no Sul de Minas, além de produtores de Franca e Cristais Paulista, no interior de São Paulo. Segundo a apuração conduzida pelo delegado Estevan Ferreira, ficou comprovada a prática dos crimes de associação criminosa, apropriação indébita e gestão temerária de cooperativa.
O presidente da Cocapil, Elvis Vilhena Faleiros, foi indiciado e teve a prisão decretada pela Justiça, estando atualmente foragido. O inquérito também apontou a participação de outros dois diretores, mas a Justiça entendeu que apenas a prisão do presidente era necessária neste momento.
A defesa da cooperativa informou que Faleiros não se apresentou às autoridades porque estaria buscando meios particulares para quitar todos os débitos. Segundo o advogado, aproximadamente 170 pessoas, entre cooperados e produtores, deverão ser ressarcidas.
Entre os prejudicados está o produtor rural Éder Valdomiro de Carvalho, que perdeu 260 sacas de café, o que representa um prejuízo estimado em R$ 1,2 milhão. Ele relatou que a perda financeira teve forte impacto familiar, especialmente por conta dos gastos com a saúde do pai, que sofreu um AVC há cerca de dois anos, o que exige cuidados médicos constantes. O produtor destacou ainda o sentimento de frustração e tristeza diante da confiança depositada na cooperativa.
Outro produtor, Evaldo Luis Vilhena Carvalho, contou que utilizava os serviços da Cocapil havia cerca de 15 anos, sem nunca ter enfrentado problemas. Segundo ele, a situação só veio à tona quando tentou receber valores e retirar o café armazenado. Inicialmente, foi informado de que os rumores sobre dificuldades financeiras eram falsos, mas depois foi comunicado de que a cooperativa encerraria as atividades e que o café depositado havia sido vendido sem autorização dos produtores.
Novos radares de velocidade entram em operação no Sul de Minas – Foto: EPR Sul de Minas/Divulgação
Motoristas que trafegam pelas rodovias MG-146, em Andradas, e MGC-173, em Paraisópolis, devem redobrar a atenção a partir desta terça-feira (27). Dois novos radares de controle de velocidade passam a operar nesses trechos, com a finalidade de aumentar a segurança viária, reduzir acidentes e organizar o fluxo de veículos em áreas urbanas.
Inicialmente, os equipamentos funcionarão em fase educativa até o dia 2 de fevereiro. Durante esse período, não haverá aplicação de multas. A fiscalização punitiva começa oficialmente no dia 3 de fevereiro, quando as infrações registradas passarão a gerar penalidades previstas no Código de Trânsito Brasileiro (CTB).
Os dispositivos foram instalados em locais considerados estratégicos, levando em conta o alto volume de tráfego e a presença frequente de pedestres. Em Andradas, o radar está localizado no km 645 da MGC-146. Já em Paraisópolis, o equipamento foi implantado no km 41 da MG-173.
Embora os trechos sejam administrados pela concessionária EPR Sul de Minas, o contrato de concessão estabelece que a homologação dos radares e o processamento das autuações são de responsabilidade do Departamento de Estradas de Rodagem de Minas Gerais (DER-MG). À concessionária cabe apenas a instalação, a manutenção e a operação técnica dos equipamentos.
O DER-MG também é o órgão responsável pela aplicação de multas, emissão de autuações e demais penalidades. A EPR Sul de Minas não participa da arrecadação proveniente das infrações de trânsito.
Secretaria de Educação inicia formação presencial com diretores do Sul de Minas para planejamento do ano letivo de 2026 – Foto: divulgação/SEE
O Encontro com Diretores, promovido pela Secretaria de Estado de Educação de Minas Gerais (SEE/MG), deu início à formação com gestores do Sul de Minas, segundo grupo previsto no evento. O encontro faz parte da estratégia da pasta para o planejamento do ano letivo de 2026 e segue até terça-feira (27/1), com a participação de diretores de outras regiões, em Ribeirão das Neves, na Região Metropolitana de Belo Horizonte.
Durante a formação com os diretores da região Sul, foram analisados os resultados educacionais obtidos em 2025, com destaque para avaliações como o Sistema Mineiro de Avaliação e Equidade da Educação Pública (Simave). A partir desse diagnóstico, os gestores identificaram avanços e desafios enfrentados pelas unidades escolares e discutiram ações estratégicas e diretrizes que irão compor o plano de ação para 2026.
Para o secretário de Estado de Educação de Minas Gerais, Rossieli Soares, o encontro é um momento estratégico de escuta e construção coletiva. “Esse é um encontro preparado para o início do ano letivo com toda a região aqui do Sul de Minas, Triângulo Mineiro também, e outras superintendências, para planejar especialmente a partir dos resultados que a gente precisa corrigir e avançar. É um momento em que os diretores trazem os problemas e conseguimos reposicionar algumas ações a partir dessa escuta, que é fundamental. Nossas aulas começam no dia 4 de fevereiro, e essa preparação é uma grande prioridade”, destaca.
Expectativa para o ano letivo
A formação também foi marcada pela expectativa positiva dos gestores escolares para o início do ano letivo. Para Camila Borges, diretora da Escola Estadual Eduardo Amaral, em Estiva, o encontro representa um momento importante de alinhamento. “Esse evento estava sendo muito esperado por todos nós diretores. Ficamos ansiosos para ouvir o secretário e as subsecretárias, conhecer as novidades para este ano e nos preparar para a volta às aulas. Estamos muito motivados e confiantes de que será um ano de sucesso”, afirma.
Já Taylor Andrade, diretor da Escola Estadual Presidente Bernardes, em Pouso Alegre, ressaltou a importância da formação pedagógica. “A formação pedagógica é o carro-chefe para que o trabalho funcione bem nas escolas. Nossa expectativa estava muito alta para discutir esses temas durante os encontros e fortalecer ainda mais o nosso trabalho”.
O evento
A formação com os diretores escolares está inserida em uma agenda de ações da SEE/MG voltadas ao fortalecimento da gestão educacional. Na segunda-feira (26/1), o evento receberá o último grupo previsto, da região Central de Minas, ampliando a escuta e o diálogo com diferentes realidades do estado e contribuindo para a consolidação do planejamento do ano letivo de 2026 na rede estadual.
O encontro ressalta o papel do planejamento prévio como instrumento fundamental para alinhar as diretrizes da SEE/MG às práticas das unidades escolares. O compartilhamento de vivências entre os diretores contribui para o desenvolvimento de estratégias para o ano letivo.
Mundo entra em era de “falência hídrica” diante do uso excessivo de água doce, alertam pesquisadores da ONU – Foto: reprodução/Sistab
O planeta está consumindo água doce em um ritmo tão acelerado, somado aos impactos das mudanças climáticas, que já ultrapassou o limite das crises pontuais e entrou em uma fase estrutural de colapso: a chamada falência hídrica. Em muitas regiões, a escassez deixou de ser temporária e passou a ser um estado permanente, do qual os sistemas naturais já não conseguem se recuperar.
Atualmente, cerca de 4 bilhões de pessoas — quase metade da população mundial — enfrentam escassez severa de água por pelo menos um mês ao ano, sem acesso suficiente para suprir todas as necessidades básicas. Em outras áreas, os efeitos do déficit hídrico aparecem de forma indireta, mas igualmente grave: reservatórios secos, cidades afundando, perdas agrícolas, racionamentos, incêndios florestais mais frequentes e tempestades de poeira e areia.
Os sinais desse colapso se espalham pelo mundo. Em Teerã, a combinação entre secas prolongadas e exploração insustentável esgotou reservatórios fundamentais para o abastecimento da capital iraniana, ampliando tensões sociais e políticas. Nos Estados Unidos, a demanda por água já ultrapassou a capacidade do Rio Colorado, fonte essencial de água potável e irrigação para sete estados.
O que é a falência hídrica
A falência hídrica vai além de uma simples metáfora. Trata-se de uma condição crônica que surge quando uma região passa a consumir mais água do que a natureza consegue repor de forma confiável. O problema se agrava quando aquíferos, zonas úmidas e outros sistemas naturais responsáveis por armazenar e filtrar água sofrem danos tão profundos que se tornam difíceis ou impossíveis de recuperar.
Um estudo recente conduzido pelo autor deste artigo em parceria com o Instituto da Universidade das Nações Unidas para Água, Meio Ambiente e Saúde aponta que o mundo já ultrapassou a fase das crises hídricas temporárias. Muitos sistemas não conseguem mais retornar às condições naturais históricas. Em termos práticos, isso significa que já estão em estado de falência.
Como a falência hídrica se manifesta
Assim como ocorre na falência financeira, os primeiros sinais costumam parecer administráveis. Inicialmente, regiões passam a extrair um pouco mais de água subterrânea durante períodos de seca. Poços são aprofundados, bombas se tornam mais potentes e a água é transferida de uma bacia para outra. Pântanos são drenados e rios canalizados para abrir espaço para cidades e lavouras.
Com o tempo, os custos ocultos surgem. Lagos diminuem ano após ano, poços precisam ser perfurados cada vez mais fundo e rios que antes corriam continuamente passam a secar em determinadas épocas. Em áreas costeiras, a água salgada começa a invadir aquíferos de água doce.
Um dos efeitos mais visíveis — e frequentemente subestimado — é a subsidência, o afundamento do solo. Quando a água subterrânea é retirada em excesso, a estrutura do solo, que funciona como uma esponja, colapsa. Na Cidade do México, por exemplo, o solo afunda cerca de 25 centímetros por ano. Uma vez compactados, esses espaços não podem ser restaurados.
O relatório Global Water Bankruptcy, publicado em 20 de janeiro de 2026, mostra que esse fenômeno já ocorre em escala global. A extração excessiva de água subterrânea causou afundamento do solo em mais de 6 milhões de quilômetros quadrados, incluindo áreas urbanas onde vivem aproximadamente 2 bilhões de pessoas. Cidades como Jacarta, Bangkok e Ho Chi Minh estão entre os casos mais emblemáticos.
Impactos na produção de alimentos
A agricultura responde por cerca de 70% do consumo mundial de água doce, o que a torna especialmente vulnerável à escassez. À medida que a água se torna mais rara, a produção agrícola fica mais cara e instável, agricultores perdem renda e empregos, e tensões sociais se intensificam — com potencial impacto na segurança nacional.
Cerca de 3 bilhões de pessoas e mais da metade da produção global de alimentos estão concentradas em regiões onde a capacidade de armazenamento de água já está em declínio ou apresenta grande instabilidade. Mais de 1,7 milhão de quilômetros quadrados de áreas agrícolas irrigadas enfrentam estresse hídrico alto ou muito alto, ameaçando a segurança alimentar mundial.
Secas mais longas e frequentes
O avanço das mudanças climáticas intensifica ainda mais o problema. As secas estão se tornando mais longas, frequentes e severas à medida que as temperaturas globais aumentam. Entre 2022 e 2023, mais de 1,8 bilhão de pessoas — quase um quarto da humanidade — enfrentaram condições de seca em algum momento.
Esses números se refletem em consequências concretas: aumento no preço dos alimentos, queda na geração de energia hidrelétrica, riscos à saúde pública, desemprego, migrações forçadas, instabilidade social e conflitos.
Como chegamos a esse ponto
Todos os anos, a natureza fornece a cada região uma espécie de “renda hídrica”, por meio da chuva e da neve. Essa é a quantidade de água disponível para uso humano e para a manutenção dos ecossistemas.
Quando a demanda supera essa renda, passamos a consumir a “poupança”: retiramos mais água subterrânea do que será reposta, drenamos zonas úmidas e desviamos recursos essenciais à natureza. Assim como no endividamento financeiro, esse modelo pode funcionar por um período, mas cobra seu preço no longo prazo.
Nas últimas cinco décadas, o mundo perdeu mais de 4,1 milhões de quilômetros quadrados de zonas úmidas naturais. Além de armazenar água, esses ecossistemas filtram poluentes, reduzem inundações e sustentam a biodiversidade. Sua destruição compromete todo o ciclo hidrológico.
A qualidade da água também vem piorando. Poluição, salinização do solo e intrusão de água salgada tornam muitos mananciais impróprios para uso, aprofundando o cenário de falência.
As mudanças climáticas agravam o quadro ao reduzir a precipitação em várias regiões, aumentar a demanda hídrica das lavouras e elevar o consumo de energia para bombeamento de água. O derretimento de geleiras, que funcionam como grandes reservatórios naturais, também compromete o abastecimento futuro.
Apesar disso, muitos países seguem ampliando a retirada de água para sustentar o crescimento urbano, agrícola, industrial e, mais recentemente, a expansão de centros de dados (datacenters) ligados à inteligência artificial.
O que pode ser feito
Assim como na falência financeira, a saída passa por mudanças profundas:
Reconhecer o problema: é necessário estabelecer limites reais de uso da água, baseados na disponibilidade efetiva, e não na exploração contínua de aquíferos.
Proteger o capital natural: restaurar rios, zonas úmidas, solos e aquíferos é essencial para manter o abastecimento hídrico e a estabilidade climática.
Reduzir o consumo de forma justa: políticas que penalizam apenas os mais pobres tendem ao fracasso. São necessárias proteções sociais, apoio à transição agrícola e investimentos em eficiência hídrica.
Melhorar o monitoramento: o uso de satélites pode ajudar a acompanhar tendências, antecipar colapsos e orientar decisões.
Planejar para usar menos água: talvez o desafio mais difícil seja psicológico. A falência hídrica exige repensar cidades, sistemas alimentares e economias para operar dentro de novos limites.
Assim como ocorre nas finanças, a falência pode ser um ponto de virada. A humanidade pode continuar agindo como se a natureza oferecesse crédito ilimitado — ou aprender a viver dentro das condições impostas pelo ciclo da água.
Kaveh Madani não presta consultoria, não possui vínculos financeiros e não recebe financiamento de organizações que possam se beneficiar com a publicação deste artigo, além de sua atuação acadêmica.
Governo comemora redução de 80% nos buracos, mas motoristas contestam qualidade das rodovias mineiras – Foto: reprodução
O Governo de Minas Gerais afirma ter alcançado uma redução de 80% no número de buracos nas rodovias estaduais ao longo dos últimos seis meses de 2025, após a adoção de um sistema de monitoramento baseado em inteligência artificial. Apesar dos números positivos apresentados pelo Estado, motoristas e turistas que trafegam pelas estradas mineiras seguem relatando más condições de tráfego, com buracos frequentes e risco à segurança.
A tecnologia começou a ser utilizada em maio de 2025, por meio da Secretaria de Estado de Infraestrutura, Mobilidade e Parcerias (Seinfra) e do Departamento de Estradas de Rodagem de Minas Gerais (DER-MG). Segundo o governo, Minas se tornou o primeiro estado do país a aplicar a ferramenta tanto em rodovias estaduais quanto nas concedidas à iniciativa privada.
De acordo com a gestão estadual, o monitoramento, antes feito majoritariamente de forma manual, passou a ser realizado por meio da análise automatizada de imagens captadas por veículos equipados com câmeras de alta resolução. O sistema identifica e classifica defeitos no pavimento, problemas de sinalização, falhas de drenagem e outros elementos da via, gerando dados georreferenciados que orientam o planejamento da manutenção.
Atualmente, cerca de 20 mil quilômetros de rodovias pavimentadas são avaliados mensalmente, funcionando como suporte ao Índice de Condição da Manutenção (ICM). O investimento no sistema é de aproximadamente R$ 5 milhões. A tecnologia foi desenvolvida em parceria com o Laboratório de Transportes e Logística (LabTrans), da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), em cooperação com o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit).
Apesar dos indicadores oficiais, a realidade percebida por quem usa as estradas diariamente parece distante dos dados divulgados. Motoristas relatam que buracos continuam sendo um problema constante em diversas regiões do estado.
“Eu viajo toda semana entre o Sul de Minas e a Região Metropolitana de Belo Horizonte e sinceramente não vejo essa redução toda. Tem trecho que parece até pior do que antes”, afirma o caminhoneiro Carlos Henrique de Souza, de 46 anos.
A professora aposentada Maria Lúcia Fernandes, que costuma viajar de carro para visitar familiares no interior, também questiona os números. “Se diminuiu 80%, eu fico imaginando como era antes, porque ainda encontro muito buraco, principalmente em rodovias mais afastadas das cidades grandes”, relata.
Para o DER-MG, os dados refletem uma melhora significativa na gestão da malha viária. Segundo Rodrigo Colares, chefe da Assessoria de Gestão Estratégica do órgão, a queda no número de buracos no segundo semestre de 2025 está diretamente ligada ao uso das novas ferramentas de monitoramento, o que teria aumentado a eficiência dos contratos de manutenção e dos investimentos públicos.
“O DER hoje possui ferramentas de gestão que melhoram a qualidade do gasto público, como o Índice de Condição da Manutenção, que monitora mensalmente, por meio de imagens, problemas como buracos, vegetação e limpeza de drenagem. Além disso, utilizamos dados do Waze, que permitem identificar em tempo real pontos de alagamento, congestionamentos, acidentes e também buracos, a partir dos alertas dos usuários”, explica.
A Codex, empresa responsável pelo sistema de governança e monitoramento dos dados, defende que a tecnologia permite antecipar falhas antes que elas se agravem. Para Lucas Teixeira, Executivo de Negócios da empresa, a transformação de grandes volumes de dados em informação estratégica torna as decisões mais rápidas e eficazes.
“Com esse modelo, conseguimos enxergar os problemas antes que eles se tornem críticos. Isso ajuda o gestor público a planejar melhor as intervenções e alcançar resultados concretos, como a redução da reincidência de falhas no pavimento”, afirma.
Mesmo assim, usuários das rodovias avaliam que os efeitos práticos ainda não são plenamente percebidos. “A tecnologia pode até existir, mas, na ponta, quem dirige sente o impacto dos buracos no carro e no bolso”, comenta o vendedor autônomo João Paulo Ribeiro, que trafega frequentemente por rodovias do Centro-Oeste mineiro.
Com os resultados apresentados, o DER-MG estuda ampliar o uso da inteligência artificial para rodovias não pavimentadas, que somam mais de 6 mil quilômetros em Minas Gerais. Enquanto isso, a divergência entre os números oficiais e a percepção da população segue levantando questionamentos sobre a efetividade das melhorias anunciadas.
O silêncio da missa foi quebrado por um gesto de dor que comoveu fiéis e internautas no último domingo (18), em Tubarão, no Sul de Santa Catarina. Durante a celebração, um momento inesperado transformou o altar em espaço de acolhimento e emoção profunda, envolvendo o padre Carlos Henrique e um idoso que acabara de receber uma notícia triste.
A cena ocorreu no instante em que o sacerdote se preparava para iniciar o rito da comunhão. Enquanto a celebração seguia normalmente, um homem subiu as escadas do altar, abraçou o padre com força e caiu em prantos, em visível estado de choque. O episódio foi transmitido ao vivo pelas redes sociais da paróquia e rapidamente repercutiu pela intensidade do momento.
Padre Carlos Henrique contou que conhece o homem há cerca de dez anos. Ele é ministro da comunhão na igreja, mas naquele dia participava da missa apenas como fiel. Poucos minutos antes do abraço, o idoso havia sido informado da morte do neto, um jovem de apenas 20 anos. Abalado, desorientado e sem conseguir conter o sofrimento, ele buscou amparo no altar.
O sacerdote relatou que, ao ver a cena, acreditou inicialmente que o homem estivesse passando mal. Diante da situação, interrompeu o rito e o acolheu, sem saber, naquele momento, da tragédia que havia acabado de acontecer. Apenas mais tarde, após o término da comunhão, ele foi informado de que o neto do idoso havia falecido.
Outros membros da igreja se aproximaram rapidamente, ajudaram a amparar o avô e o conduziram até uma sala reservada. Lá, ofereceram água, escutaram seu relato e permaneceram ao seu lado, tentando confortá-lo diante da perda repentina.
Segundo o padre, o homem estava profundamente abalado, em choque, procurando socorro emocional após receber a notícia. Ele destacou que não sabe de que forma o idoso foi informado sobre a morte do neto, mas reforçou que tudo aconteceu de maneira muito intensa e abrupta, refletindo o desespero e a dor estampados no abraço que marcou a celebração.
O episódio, registrado ao vivo, se transformou em um símbolo de humanidade, empatia e acolhimento em meio ao sofrimento, emocionando quem acompanhava a missa presencialmente e pelas redes sociais.
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