Governo de Minas lança pós-graduação inédita de gestão do SUS para profissionais e gestores da saúde pública – Foto: reprodução
Em um estado de dimensões continentais e com realidades socioeconômicas tão diversas quanto as de Minas Gerais, os desafios da gestão em saúde pública são muitos. Enfrentá-los exige sensibilidade às realidades locais e aos diversos contextos em que as trabalhadoras e os trabalhadores que atuam na gestão do Sistema Único de Saúde (SUS) estão inseridos.
A pós-graduação é destinada a dois perfis de público: pessoas gestoras e trabalhadoras que atuam diretamente na gestão do SUS – como secretários municipais de saúde, referências técnicas de programas e projetos, coordenações de todos os níveis de atenção e gerências de unidades – e profissionais ou representantes vinculados ao poder legislativo mineiro – como vereadoras, vereadores e assessorias parlamentares que atuam em comissões de saúde.
Todas as pessoas candidatas devem ter curso superior completo e atuar no SUS em Minas Gerais. As inscrições para a primeira turma estão abertas até o dia 7/5 e as informações sobre o processo seletivo estão disponíveis no edital de seleção, neste link.
Construção e escuta
A especialização foi pensada a partir das vivências de trabalhadores e gestores do SUS que participaram de outras formações e projetos da ESP-MG nos últimos anos, que demandavam um curso focado nas particularidades e desafios da gestão em saúde.
Para atender, a equipe da ESP-MG realizou um mapeamento das formações ofertadas em nível nacional e estadual e optou por oferecer uma pós-graduação baseada na educação permanente em saúde e na defesa do SUS, pilares da atuação da ESP-MG.
O diferencial da formação está no compromisso com os saberes que vêm da experiência cotidiana. “Nosso curso aposta na construção coletiva do conhecimento, valorizando as vivências de quem atua na gestão do SUS. Não há receita pronta para a boa gestão, mas há caminhos possíveis e é com esse espírito que estruturamos a especialização”, explica um dos coordenadores do curso, o professor e pesquisador, Rodrigo Machado.
Modalidade
Para atender quem se interessa pelo curso, mas vive e trabalha em municípios do interior de Minas, a especialização foi pensada com uma dinâmica que facilita a participação: os encontros presenciais acontecerão apenas três dias por mês, na sede da ESP-MG (Avenida Augusto de Lima, 2.061, Barro Preto – Belo Horizonte). As aulas começarão em agosto de 2025.
São quatro módulos com disciplinas que abordam as bases teóricas e históricas da organização do sistema público de saúde no Brasil; conhecimentos e práticas relacionados às funções gestoras da política de saúde; as experiências contemporâneas, a produção de conhecimento e a inovação para a gestão do SUS.
“A ideia desse curso é justamente apoiar quem vive, todos os dias, os desafios da gestão do SUS. A gente quer oferecer uma formação que ajude a ampliar a capacidade de análise e intervenção dos alunos sobre o seu cotidiano de atuação na gestão do sistema. Nosso objetivo é que eles saiam mais preparados para transformar a gestão do SUS e contribuir, de verdade, para garantir o direito à saúde”, destaca a professora e pesquisadora, Lenira Maia, que também coordena o curso.
Anvisa aprova primeiro medicamento indicado contra Alzheimer – Foto: reprodução
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou, nesta terça-feira (22/04), o primeiro medicamento indicado para tratamento de comprometimento cognitivo leve ou demência leve associados à doença de Alzheimer sintomática inicial.
O Kisunla (donanemabe), fabricado pela farmacêutica Eli Lilly, é um anticorpo monoclonal que se liga à proteína beta-amiloide. Na doença de Alzheimer, aglomerados de proteína beta-amiloide formam placas no cérebro e o medicamento atua ligando-se a esses aglomerados e reduzindo-os, prometendo um retardamento da progressão da doença.
Um estudo feito em oito países com 1.736 pacientes em estágio inicial mostrou que, com a posologia de 700 miligramas do medicamento a cada quatro semanas nas três primeiras doses e, depois, com 1.400 miligramas a cada quatro semanas, na 76ª semana, os pacientes tratados com donanemabe apresentaram progressão clínica menor e estatisticamente significativa na doença de Alzheimer em comparação aos pacientes tratados com placebo.
O produto injetável, administrado uma vez por mês, será comercializado em embalagem de ampola com doses de 20 mililitros sob prescrição médica e não é recomendado para pacientes de Alzheimer portadores do gene da apolipoproteína E ε4 (ApoE ε4).
Existe ainda a contraindicação do medicamento para pacientes que estejam tomando anticoagulantes (incluindo varfarina) ou que tenham sido diagnosticados com angiopatia amiloide cerebral. As reações mais comuns do medicamento são relacionadas à infusão, como febre e sintomas semelhantes aos da gripe, e dores de cabeça.
O donanemabe foi aprovado em julho do ano passado nos Estados Unidos, um ano após o Laqembi (lecanemabe), também destinado ao tratamento de Alzheimer. Os dois, no entanto, são alvos de controvérsias na comunidade médica. Alguns especialistas dizem que, embora sejam os medicamentos mais eficazes até agora contra a doença, é uma eficácia ainda muito limitada.
Na última semana, a Comissão Europeia aprovou o uso de lecanemabe para o tratamento de Alzheimer. Contudo, em março deste ano, a Agência Europeia de Medicamentos (EMA) recomendou a recusa do uso de donanemabe para mesma finalidade.
No Brasil, a Anvisa publicou que irá monitorar a segurança e efetividade do donemabe sobre rigorosa análise. Segundo o Ministério da Saúde, a doença costuma evoluir de forma lenta e irreversível. A sobrevida média das pessoas com Alzheimer oscila entre 8 e 10 anos. e o quadro clínico costuma ser dividido em quatro estágios.
Os estágios do Alzheimer
O primeiro, a forma inicial da doença, causa alterações na memória, na personalidade e nas habilidades visuais e espaciais. Foi nesse estágio da doença que estavam os pacientes participantes do estudo com donanemabe.
O segundo provoca dificuldade para falar, realizar tarefas simples e coordenar movimentos. Agitação e insônia também são comuns nesta fase.
Já o estágio três é a forma grave de Alzheimer, com resistência do paciente à execução de tarefas diárias, incontinência urinária e fecal, dificuldade para comer e deficiência motora progressiva.
O último estágio da doença é o terminal, com restrição ao leito, dor à deglutição e infecções intercorrentes do paciente.
Ministério da Saúde vai pedir inclusão de vacina contra chikungunya no SUS – Foto Paulo Pinto/Agência Brasil
Após a aprovação da vacina contra a chikungunya pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) nesta segunda-feira (14), o Ministério da Saúde solicitará que o imunizante seja incorporado ao SUS (Sistema Único de Saúde).
O pedido será encaminhado à Conitec (Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS), responsável por avaliar a adoção de novas tecnologias na rede pública de saúde.
Caso a incorporação seja aprovada e haja capacidade de produção, a vacina será incluída no Programa Nacional de Imunizações (PNI), com aplicação prevista para a população adulta a partir dos 18 anos.
O imunizante foi desenvolvido pelo laboratório franco-austríaco Valneva, em parceria com o Instituto Butantan. Esta é a primeira vacina contra a doença autorizada no país -o pedido de aprovação havia sido submetido à Anvisa em dezembro de 2023.
A vacina demonstrou segurança e eficácia imunológica em dois estudos clínicos de fase 3 realizados no Brasil e nos Estados Unidos. A etapa brasileira foi coordenada pelo Instituto Butantan e apresentou produção de anticorpos neutralizantes em 98,8% dos participantes.
O instituto tem um segundo pedido sendo analisado pela Anvisa, para a aprovação de uma versão do imunizante que será formulado, liofilizado e rotulado no Brasil. Com custos menores, ele poderá ser incorporado ao SUS (Sistema Único de Saúde).
A chikungunya é uma arbovirose transmitida pela picada do mosquito Aedes aegypti, o mesmo vetor da dengue e da zika. A doença provoca febre alta e dores intensas nas articulações, podendo evoluir para quadros crônicos de dor em alguns casos.
O vírus foi introduzido no Brasil em 2014 e, atualmente, há registro de casos em todos os estados do país. Até 14 de abril deste ano, o Brasil contabilizou 68,1 mil casos e 56 mortes confirmadas pela doença.
Entenda o que é e como funciona o ‘novo papanicolau’ que começa ser usado no SUS em maio – Foto: reprodução
A história do rastreamento do câncer do colo do útero no Sistema Público de Saúde (SUS) do Brasil ganha um novo capítulo a partir do próximo mês. É que um novo modelo de testagem para a detecção do HPV, vírus causador de 99% dos casos desse tumor, será implementado em Pernambuco, se estendendo gradativamente a outros Estados. Minas, inclusive, demonstrou interesse em adotar o teste nessa fase inicial, conforme o Ministério da Saúde. O tradicional papanicolau será substituído pelo exame molecular de DNA-HPV. Na prática, o usual esfregaço usado para obter material celular do colo do útero da paciente dará lugar à coleta de fluidos e tecido vaginal em nível molecular por meio de um “swab”’, uma espécie de cotonete.
O novo formato ainda permitirá a autocoleta, em que a mulher receberá um kit com instruções para recolher a própria amostra. Essa modalidade já é adotada por países da Europa e da América da Norte para a prevenção ao câncer de colo do útero. Desde 2021, o teste molecular também é recomendado como exame primário para detecção do HPV pela Organização Mundial da Saúde (OMS) por ser mais eficaz na redução de casos do tumor e mortes. Segundo a entidade, o modelo possui maior sensibilidade — capacidade de precisão de diagnóstico — que o papanicolau, o que favorece a identificação precoce de infecção pelo HPV.
Ainda de acordo com o Ministério da Saúde, as últimas análises para a validação clínica do kit de testagem RT-PCR serão realizadas neste mês no Instituto Nacional de Câncer (Inca). “A previsão é alcançar 435 mil mulheres ao longo de um ano. A expansão do rastreamento molecular ocorrerá gradualmente em todo o país ao longo de 2025 e 2026, período em que serão realizados treinamentos e capacitações das equipes, além da organização da rede de saúde, incluindo a definição da logística de coleta e análise dos exames nos laboratórios” revela a pasta em nota encaminhada à reportagem.
Diferenciais
O papanicolau — criado pelo médico grego George Papanicolaou em 1928, com eficácia comprovada em 1941 —revolucionou a saúde da mulher e motivou o declínio de 70% na incidência de câncer de colo de útero no mundo. No Brasil, o Ministério da Saúde recomenda o teste para as mulheres sexualmente ativas a partir dos 25 anos. No entanto, segundo a coordenadora de Ginecologia e Obstetrícia da Rede Mater Dei da Região Metropolitana de Belo Horizonte, Cláudia Soares Laranjeira, o exame citopatológico é totalmente médico-dependente.
“A gente faz uma raspagem do colo do útero, coleta células e as encaminham para uma lâmina, onde por meio de um microscópio serão avaliadas. Neste processo, é possível identificar alterações que indicam presença cancerígena. Mas com o passar do tempo, os estudos perceberam a correlação íntima do tumor ginecológico com o vírus do HPV e entenderam que era possível mudar o rastreamento da doença baseando-se na presença ou na ausência do Papilomavírus Humano,” conta Cláudia.
A médica destaca que um dos grandes diferenciais do teste molecular é o intervalo do rastreio. “Se uma mulher apresentou, por exemplo, dois resultados negativos do exame DNA-HPV, ela pode dar um espaçamento para fazer a coleta de 5 em 5 anos. Isso é um avanço, porque hoje a gente não consegue fazer anualmente o tradicional exame citopatológico para as mulheres até 30 anos, o que representa um problema de saúde pública.”
Avanços
Um aspecto visto como progresso por Mariana Seabra, professora da Faculdade Ciências Médicas da UFMG e membro da diretoria da Associação de Ginecologistas e Obstetras de Minas (Sogimig), é que o exame molecular de DNA-HPV aperfeiçoará o mapeamento das pacientes.
“Uma das maiores limitações do monitoramento no Brasil é que a gente trabalha com o rastreamento oportunístico. A paciente é que decide quando irá fazer o teste. Não existe uma busca ativa. Com a possibilidade da autocoleta, você permite que a mulher colha o material e envie para um laboratório. Ela não precisa se deslocar do domicílio para ir à uma unidade básica de saúde. Além disso, a gente vai conseguir acompanhar essa paciente com HPV positivo e saber onde ela está.”
A professora enfatiza que esse formato de rastreio será ainda mais benéfico para atender o público que mora em áreas remotas. “As regiões Norte e Nordeste, onde há muitas pessoas com limitação financeira e geográfica, são justamente os locais com a maior incidência do câncer de colo de útero e maior mortalidade pela doença. É uma realidade totalmente diferente do Sul e Sudeste, por exemplo. O motivo dessa diferença está muito relacionado a cobertura de rastreamento. Então, a autocoleta aumentará o acesso à prevenção, de forma segura e sensível.”
Outro ponto alto destacado pela médica é a celeridade de resultados. “O teste papanicolau demora em torno de dois a três meses para poder voltar para a usuária, porque é manual e sua realização depende de especialistas. Por causa disso, há uma grande demanda. Já pelo fato de o exame molecular ser mais automatizado, os diagnósticos tendem a ser mais rápidos. O que nós temos que desenhar é esse fluxo pós-resultado, principalmente se der alterado. Qual paciente tem que voltar para o serviço no próximo ano? Quem tem que aprofundar no rastreamento com outros exames?”
Como funciona a autocoleta
Mariana explica que a autocoleta não é um processo complexo e pode ser feito por qualquer pessoa. “A mulher vai introduzir o “cotonete” na vagina e fazer uma simples rotação. Não tem necessidade de inseri-lo em algum outro orifício. Depois disso, basta guardar imediatamente o “swab”, porque não pode haver a degradação do DNA. Vale destacar que em caso positivo para o vírus, o papanicolau deve ser usado para complementar o diagnóstico. Então, o exame tradicional não será completamente abandonado,” realça.
Necessidade de investimento
Apesar das vantagens listadas, as especialistas acreditam que para se alcançar bons resultados e a efetividade pretendida, o Brasil terá que investir. “É uma mudança de cultura. Então demanda investimento financeiro para a produção e distribuição dos kits, além de incentivo às campanhas educativas. Precisamos reforçar a atenção primária de saúde nas diversas regiões, das mais remotas até os grandes centros. Num primeiro momento, essa mudança de chave pode parecer mais cara, mas se a gente fizer a conta de todos os tratamentos de câncer que vamos evitar, talvez esse custo não seja tão maior assim,” enfatiza Cláudia Soares Laranjeira.
Para Mariana Seabra, o processo de transição exigirá muita atenção e cuidado para não comprometer o rastreio. “A gente deve lembrar que cada região, estado e município do Brasil tem uma realidade. Então, a estratégia de mudança precisa contemplar especificamente as necessidades e capacidades deles. Além disso, é preciso investir e incentivar a vacinação contra o HPV. O câncer de colo é prevenível de maneira primária pela imunização. Os países que conseguem essa conscientização, reduzem os indicadores do tumor. No Brasil, a gente precisa aumentar a cobertura vacinal para o público de 9 a 19 anos. Temos a vacina disponível no sistema público, mas as pessoas não estão se protegendo,” finaliza.
Campanha de vacinação contra gripe começa em MG; imunizante será distribuído durante todo o ano – Foto: reprodução
A campanha de vacinação contra a gripe começou em todo o Estado nesta terça-feira (8). O público-alvo inclui crianças, idosos, gestantes e trabalhadores da saúde. Segundo a Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG), mais de dois milhões de doses da vacina serão distribuídas para as 28 Unidades Regionais de Saúde (URS). Neste ano, o imunizante ficará disponível ao longo de todo o ano para a população elegível nas Unidades Básicas de Saúde (UBS).
Em Minas Gerais, mais de dois milhões de doses serão distribuídas. A novidade, a partir deste ano, é que o imunizante passa a integrar o Programa Nacional de Imunizações (PNI), estando disponível durante todo o ano nas UBS e nos vacimóveis para o público elegível. A vacina de 2025 poderá ser administrada junto a outras vacinas do Calendário Nacional de Imunização e protegerá contra os tipos H1N1, H3N2 e B
Os grupos prioritários incluem crianças de seis meses a menores de seis anos, gestantes, puérperas, idosos a partir de 60 anos, povos indígenas, quilombolas, pessoas com doenças crônicas, trabalhadores da saúde, professores e outros profissionais essenciais. De acordo com a SES-MG, a prioridade para crianças, idosos e gestantes se dá porque esses grupos correm maior risco de contrair a doença e estão mais suscetíveis a complicações graves, que podem levar a morte.
A meta é atingir 90% de cobertura vacinal, protegendo cerca de 9,4 milhões de pessoas em Minas Gerais. “A cobertura vacinal geral do público prioritário mineiro no ano passado foi de 60,7%. Estamos confiantes de que, neste ano, vamos atingir a meta de 95% por meio das estratégias de ampliação da vacinação que colocamos em prática”, pontua o subsecretário Eduardo Prosdocimi, no material enviado.
Cenário da doença
Segundo a Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG), a influenza ou gripe é uma infecção viral que provoca febre, tosse, dor de garganta e pode levar a complicações graves e até ao óbito. De acordo com dados do SUSFácil, sistema de regulação estadual, houve 2.105 internações devido a complicações causadas pela gripe em 2024, e 507 nos primeiros três meses de 2025. O Sistema de Informação da Vigilância Epidemiológica da Gripe (Sivep-Gripe) registrou 157 óbitos em 2024, e dez mortes causadas pela doença entre janeiro e março de 2025.
“Agora estamos no outono, momento em que pode haver aumento de casos de doenças respiratórias e, por isso, é fundamental que as pessoas se vacinem contra a influenza para garantir a proteção antes da chegada do inverno. Leve sua carteira de vacinação a uma UBS e vacine-se”, orienta o subsecretário Eduardo Prosdocimi, no material enviado.
Tadalafila: Genérico do remédio foi o 5º mais vendido no Brasil em 2024 – Foto: reprodução
“Sabe qual é o segredo pra aguentar a noite todinha? Tadalafila! Tadalafila!”. O trecho da música “Tadalafila”, da banda Barões da Pisadinha, que já alcançou quase 6 milhões de visualizações em dois anos no YouTube, dá o tom do uso indiscriminado e sem recomendação médica do composto entre homens brasileiros, o que tem preocupado a comunidade médica. Há relatos de quem usa o medicamento para melhorar o desempenho sexual ou até como pré-treino em academias.
O consumo indevido da tadalafila – indicada para tratar disfunção erétil, entre outras patologias – pode explicar o fato de a venda do remédio ter disparado no Brasil. Em 2024, o genérico foi o quinto mais comercializado no país, com mais de 61,2 milhões de unidades vendidas, conforme a pesquisa Pharmaceutical Market Brasil (PMB), da IQVIA, divulgada pela Associação Brasileira das Indústrias de Medicamentos Genéricos e Biossimilares (PróGenéricos). Foi a primeira vez que o medicamento ficou entre os cinco mais consumidos.
Com um aumento crescente nos últimos quatro anos, Minas Gerais foi o segundo Estado brasileiro que mais vendeu tadalafila em 2024, com mais de 7,6 milhões de unidades, o equivalente a 12,44% do total nacional e a uma alta de 47,3% em relação a 2023. São Paulo, com mais de 12,7 milhões (20,82%), lidera o ranking.
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O temor dos médicos é que o uso da tadalafila sem prescrição médica é um risco à saúde. Urologista do Hospital Universitário Ciências Médicas de Minas Gerais, Maxmillan Alkimin explica que, por ser um dilatador dos vasos sanguíneos, a tadalafila é indicada para tratar a disfunção erétil, a hipertensão arterial pulmonar e os sintomas da hiperplasia prostática benigna.
“Temos observado uma maior procura entre os homens mais jovens, de 20 a 35 anos, sem nenhuma patologia, que querem performar melhor durante as relações sexuais. E isso é extremamente preocupante, já que pode trazer muitos efeitos colaterais, como dor de cabeça, alteração cardíaca e até dependência”, afirma o especialista.
Apesar dos riscos, a tadalafila é um medicamento de fácil acesso e pode ser comprada em qualquer farmácia, como explica a presidente do Conselho Regional de Farmácia de Minas Gerais (CRF-MG), Márcia Alfenas. “Mesmo que haja a necessidade de apresentar prescrição médica para comprá-la, a receita não fica retida com o farmacêutico, o que acaba facilitando a compra”, comenta.
Facilidade confirmada por Marcelo*, que é jornalista. Morador de BH, foi em 2023, com 29 anos, que ele decidiu tomar tadalafila mesmo sem orientação médica. “Tive curiosidade de saber como seria minha performance e também queria estender as relações. Funcionou e continuei tomando. Meu desempenho melhora, e a ereção permanece por bastante tempo”, conta.
Segundo Marcelo, que atualmente tem 30 anos, ele costuma fazer uso do remédio em “ocasiões especiais” e consome doses pequenas para evitar efeitos colaterais. “Na primeira vez que usei, tive certo receio. Mas depois fiquei mais tranquilo”, afirma.
*Nome fictício para preservar a identidade.
Venda ilegal pode gerar punição
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) informou que medicamentos só podem ser vendidos em farmácias e drogarias devidamente regularizadas, seja fisicamente ou por seus sites. O órgão também disse que a fiscalização in loco de estabelecimentos, para verificar a venda de remédios para fins diferentes dos indicados, é realizada pelas vigilâncias sanitárias municipais e lembrou, ainda, das responsabilidades do profissional farmacêutico, que, entre outras atribuições, deve zelar pelos controles exigidos à dispensação de cada medicamento.
Por fim, a Anvisa ressaltou que as punições para estabelecimentos que estejam infringindo as leis podem variar de acordo com a situação encontrada, o potencial do risco gerado e o porte da empresa, podendo haver multas de R$ 2.000 até R$ 1,5 milhão, interdição parcial ou total do estabelecimento e cassação do alvará de funcionamento.
Presidente do CRF-MG defende conscientização
Márcia Alfenas, presidente do CRF-MG, defende que a principal medida para evitar o uso indevido da tadalafila é a conscientização da população. Segundo ela, dificultar a venda não inibiria o uso indevido e geraria transtornos para quem precisa do remédio.
“Mudar a tarja e o tipo de receita não é a melhor solução. As pessoas precisam ter acesso aos medicamentos, mas elas precisam entender que o remédio deve ser utilizado apenas para o que ele é destinado. Também estamos orientando os farmacêuticos sobre o uso indiscriminado”, explica.
Qual mãe ou pai nunca se perguntou se o seu bebê está se desenvolvendo de maneira adequada? Essa dúvida é muito comum entre as famílias, que, ao receberem o recém-nascido em casa, são frequentemente bombardeadas por informações conflitantes sobre o que deve ou não ser feito. Um dos temas que gera mais questionamentos é a prática de colocar o bebê de barriga para baixo, na posição de bruços.
De acordo com a Dra. Lígia Conte, fisioterapeuta especializada em pediatria, essa postura é cercada por mitos e desinformação. “Durante a gestação, fala-se muito sobre o parto, a amamentação e o puerpério, mas pouco se discute sobre o desenvolvimento motor do bebê após o nascimento. Muitos pais acabam acreditando que a posição de bruços pode ser prejudicial, mas, na verdade, é essencial para o crescimento saudável”, explica.
Um dos motivos que contribuiu para a confusão foi a campanha Back to Sleep, que orienta colocar os bebês para dormir de barriga para cima até cerca dos seis meses, como forma de prevenir a Síndrome da Morte Súbita do Lactente (SMSL). “Essa recomendação é válida para o sono noturno e as sonecas sem supervisão, mas é importante que os bebês passem tempo de bruços quando estão acordados e sob supervisão. Essa posição traz inúmeros benefícios para o desenvolvimento”, reforça Dra. Lígia.
A fisioterapeuta enumera uma série de vantagens da posição de bruços para o bebê:
Fortalecimento muscular: Fortalece a musculatura do pescoço, costas, braços, quadril e abdômen, preparando o bebê para marcos motores como rolar, engatinhar e sentar.
Desenvolvimento sensorial e motor: Permite que o bebê explore o ambiente sob uma nova perspectiva, melhorando a coordenação motora e integrando reflexos primitivos.
Ajuda digestiva: Alivia desconfortos relacionados ao refluxo e auxilia na formação dos tubos digestivos.
Estímulo ao sistema nervoso: Promove conexões nervosas e melhora o desenvolvimento sensorial, especialmente ao incentivar a sucção das mãos.
Segundo a Dra. Lígia, o ideal é que o bebê seja colocado de bruços em superfícies firmes e seguras, como um tatame emborrachado, em diferentes momentos do dia. “A supervisão é fundamental para garantir a segurança do bebê. O ambiente deve estar livre de objetos perigosos e sempre preparado para a interação com os pais ou cuidadores”, orienta.
Conhecer a importância da posição de bruços é uma forma de garantir que o bebê alcance todo o seu potencial de desenvolvimento. “Essa prática não é perigosa, cansativa ou forçosa, como muitos acreditam. Ao contrário, ela contribui para que o bebê desenvolva habilidades motoras e sensoriais de maneira plena e saudável”, finaliza Dra. Lígia.
Se o bebê ainda não ficou de bruços hoje, é hora de proporcionar essa experiência. Ele vai aproveitar cada momento e desenvolver novas conquistas!
Minas Gerais registra cinco novas mortes por dengue em 48h – Foto: reprodução
Em dois dias cinco novas mortes em decorrência da dengue foram registradas em Minas Gerais. Até o início da tarde desta quinta-feira (27/3), conforme dados da Secretaria de Estado de Saúde (SES-MG), 28 infecções fatais foram registradas.
Os novos casos foram registrados em Uberlândia, Iturama e Limeira do Oeste, no Triângulo Mineiro. Além disso, em Patos de Minas, no Alto Paranaíba, e em Alterosa, no Sul de Minas Gerais. Conforme o painel de monitoramento das arboviroses do Governo de Minas, até então, Uberlândia e Uberaba têm liderado os óbitos por dengue, com oito registros cada.
Além dos óbitos em que foi confirmado a relação com a infecção da dengue, até o início desta tarde, a SES-MG investiga outras 65 infecções fatais. O levantamento diário também apontou que 33.333 exames testaram positivo para a doença.
Comorbidades
De acordo com o Governo de Minas, a maior parte dos óbitos foram registrados de pacientes mulheres de 70 a 74 anos, o que corresponde a 17,86%. No entanto, na mesma faixa etária o percentual de homens que morreram em decorrência da dengue é de 3,57%.
Ainda segundo o monitoramento da SES-MG, 67,87% das pessoas que perderam a vida para a arbovirose possuem algum tipo de comorbidade. Desse total, a maior presença é de pacientes com quadro de hipertensão, em seguida estão casos de doença renal e diabetes.
O infectologista Leandro Curi, que integra a equipe do Hospital Semper, acredita que perdemos a guerra contra o vetor transmissor da dengue. Porém, o especialista defende que a prevenção mais eficaz é a vacina. “Minha expectativa é que enquanto ela [vacina contra a dengue] ainda não é produzida em nosso país, que seja possível comprar mais doses para ampliar a proteção e estendê-la para outras faixas etárias”, destaca.
Vacina
No Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) já aprovou o uso de duas vacinas contra a dengue: Qdenga, do laboratório japonês Takeda; e Dengvaxia, do laboratório francês Sanofi- Pasteur. A primeira foi incorporada ao calendário de vacinação e é distribuída pelo Sistema Único de Saúde (SUS) desde o último ano. Ela é indicada para pessoas de 4 a 60 anos, não sendo indicada para aplicação em idosos.
Em 14 de fevereiro, o Ministério da Saúde permitiu a ampliação temporária do público-alvo da vacina. A medida é válida para doses com prazo de validade iminente. Apesar disso, em Minas Gerais, até o momento, não há informações sobre o remanejamento da aplicação.
De acordo com o governo federal, por conta da dificuldade de produção e importação das doses, nas Unidades Básicas de Saúde (UBs) as doses estão sendo ofertadas para crianças de 10 a 14 anos, sendo que em alguns estados e municípios, devido a falta de procura o público alvo foi ampliado para 6 a 14 anos. Já o imunizante francês, pode ser aplicado em pessoas de todas as idades mas, ela só pode ser utilizada por aqueles que já tiveram dengue, sendo contraindicada para pessoas que nunca tiveram contato com o vírus.
Prefeitura de Passos abre salas de hidratação para pacientes com dengue; veja locais – Foto: reprodução
A Prefeitura de Passos (MG) iniciou, na última segunda-feira (10), o funcionamento de três salas de hidratação para pacientes com dengue.
Este ano, de acordo com a prefeitura, Passos registrou 570 notificações de possíveis casos de dengue e 10 confirmações da doença. Até o momento, nenhum caso de zika ou chikungunya foi detectado no município.
Os espaços funcionarão das 17h, ás 21h nos Posto de Saúde da Família (PSF):
Jardim Canadá – Rua João Teixeira Mendes, 940
Planalto – Avenida Brasília, s/n
Casarão – Rua São Paulo, 1120
Os pacientes com sintomas de dengue passarão primeiro por uma triagem. Se houver suspeita da doença, serão encaminhados à sala de hidratação. Em casos mais graves, o paciente poderá ser direcionado à Unidade de Pronto Atendimento (UPA).
Em todas as Salas de Hidratação, os profissionais de saúde foram capacitados para testes de dengue. Com apenas uma gota de sangue, é possível obter o resultado em 20 minutos, identificando a presença de dengue, zika ou chikungunya.
Mas o paciente só será testado após passar por um protocolo de manejo clínico do Ministério da Saúde. A prioridade desses testes é para pessoas com maior risco de agravamento da doença.
A recomendação é que pessoas com sintomas procurem a Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima, de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h.
MG confirma segunda morte por chikungunya, e óbitos por dengue saltam 44% no fim de semana – Foto: reprodução
O governo de Minas Gerais, por meio da Secretaria da Estado de Saúde (SES), confirmou nessa segunda-feira (10 de março) a segunda morte por chikungunya. A nova vítima é um idoso entre 80 e 89 anos que morava em Ipatinga, no Vale do Aço.
Conforme a pasta da saúde do Estado, o idoso tinha comorbidades, como diabetes e hipertensão. A outra morte pela doença era uma idosa, da mesma faixa etária, moradora de Arceburgo, com as mesmas comorbidades. No momento são 4.985 casos prováveis de chikungunya.
No último balanço da SES, o número de mortes por dengue também saltou. Eram nove na última sexta-feira (7 de março), contra 13 nessa segunda-feira. Os óbitos em investigação caíram, passando de 42 para 41. Uberlândia agora tem cinco vítimas por dengue, o maior número disparo em todo o Estado. Em seguida aparecem as cidades de Areado, Carmo do Paranaíba, Itapagipe, Iturama, Monte Carmelo, Ponte Nova, Uberaba e União de Minas.
Apesar do aumento, os números ainda estão bem abaixo do que foi registrado no mesmo período de 2024, o ano da pior epidemia da história. Nas 11 primeiras semanas do ano passado, foram 575 mortes por dengue e 81 óbitos por chikungunya.
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