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Jornal Folha Regional

Fazenda em Patrocínio Paulista oferece vivência na natureza, com direito a banho de riacho

Imersão acontece na propriedade Santa Cecília, que possui maior reserva particular bem preservada de Mata Atlântica da região

Fazenda em Patrocínio Paulista oferece vivência na natureza, com direito a banho de riacho - Foto: divulgação
Fazenda em Patrocínio Paulista oferece vivência na natureza, com direito a banho de riacho – Foto: divulgação

Passar 24 horas em uma experiência de imersão na natureza, com direito a banho de riacho, atividades terapêuticas e alimentação vegetariana, é a proposta de um novo serviço lançado pela Fazenda Santa Cecília, em Patrocínio Paulista. A propriedade fica na região de Franca e abriga a maior reserva particular de Mata Atlântica do nordeste paulista, com árvores centenárias e diferentes espécies de animais.

É com objetivo de mostrar essa riqueza ambiental e oferecer conhecimentos na área, que a empresária Cristiane Kaulich decidiu oferecer essa imersão para jovens e adultos, a partir de 18 anos. A 1ª Vivência de 24 horas será realizada nos dias 2 e 3 de março e as vagas – que tiveram inscrições gratuitas, por ocasião do lançamento – já estão esgotadas.

“Nos surpreendemos de forma positiva com a procura, tanto que já estamos com fila de espera para a segunda edição. Queremos, com a imersão na natureza, que as pessoas possam conviver e aprender sobre sustentabilidade, além de terem um momento de relaxamento e conhecimento pessoal”, detalha Cristiane, que também será a mediadora da vivência.

A programação do encontro começa às 8 horas com a entrada dos participantes e segue até às 8 horas do dia seguinte, quando ocorre um café de encerramento. Nesse intervalo, acontece rodas de conversa, trilha, banho de riacho com práticas meditativas e de consciência corporal, vivência de aromas e sabores, piquenique ao pôr do sol, banho de estrelas com fogueira, além de yoga e meditação.

“É um momento muito especial para renovar a energia e ter um contato direto com a natureza, no coração da Mata Atlântica”, ressalta a idealizadora do projeto. A ideia é que as vivências ocorram ao menos uma vez ao mês, mediante a montagem de grupos.

No pacote para a realização da imersão estão inclusos alimentação vegetariana, as atividades terapêuticas junto à natureza, hospedagem com roupa de cama e banho, além de seguro aventura individual.

Para participar da imersão de 24 horas na natureza, os interessados podem entrar em contato pelo telefone WhatsApp (16) 99763-7634.

Distribuição da vacina contra a dengue começa na próxima semana

Distribuição da vacina contra a dengue começa na próxima semana - Foto: reprodução
Distribuição da vacina contra a dengue começa na próxima semana – Foto: reprodução

A distribuição da vacina contra a dengue para os 521 municípios selecionados pelo governo federal começa na próxima semana. O anúncio foi feito nesta quinta-feira (1) pelo diretor do Departamento de Imunização e Doenças Transmissíveis do Ministério da Saúde, Eder Gatti, em reunião tripartite na sede da Organização Pan-americana da Saúde (Opas), em Brasília.

A pasta aguardava a tradução para o português da bula do imunizante Qdenga, uma exigência da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) ao fabricante, o laboratório japonês Takeda.

Nesta quarta-feira (31), a ministra da Saúde, Nísia Trindade, disse que a questão seria resolvida por meio do envio do arquivo em formato digital.

Em razão de uma quantidade limitada de doses a serem fornecidas por parte do próprio laboratório, a vacinação contra a dengue vai priorizar crianças e adolescentes de 10 a 14 anos de idade, faixa etária que concentra o maior número de hospitalizações depois dos idosos.

Distribuição da vacina contra a dengue começa na próxima semana - Imagem: divulgação/Ministério da Saúde
Distribuição da vacina contra a dengue começa na próxima semana – Imagem: divulgação/Ministério da Saúde

Pessoas com mais de 60 anos não têm indicação para receber a dose em razão da ausência de estudos clínicos.

A previsão do ministério é que as doses adquiridas possam imunizar cerca de 3,2 milhões de pessoas ao longo de 2024.

“São quase 40 anos enfrentando epidemias de dengue”, lembrou Nísia, ao destacar que, este ano, a explosão de casos foi agravada pelas mudanças climáticas e as altas temperaturas. “É o momento de estarmos juntos, o Brasil unido pela dengue”, disse a ministra.

Minas Gerais vai decretar estado de emergência de saúde por causa da dengue

Minas Gerais vai decretar estado de emergência de saúde por causa da dengue - Foto: reprodução
Minas Gerais vai decretar estado de emergência de saúde por causa da dengue – Foto: reprodução

Com o pico de casos de dengue, chikungunya e zika esperado até março, Minas Gerais decretará emergência de saúde em decorrência das arboviroses a partir desta semana.

A informação foi divulgada pelo Secretário de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG), Fábio Baccheretti, em coletiva de imprensa nesta terça-feira (23 de janeiro). Até o momento, o Estado soma uma morte por dengue e aumento de 754% nos casos em 2024.

“O Estado de Minas Gerais decretará emergência em saúde para facilitar que tanto a Fhemig quanto os municípios possam fazer contratações temporárias e a compra de insumos para combate à dengue mais rápido. Vamos publicar, até o final de semana, um decreto que permite ao gestor uma agilidade na tomada de decisão”, explicou.

Para reforçar as ações de combate à doença, o Estado anunciou ainda investimento de mais de R$ 32,2 milhões para combater as doenças transmitidas pelo Aedes aegypti. O valor soma ao aporte de R$ 80,5 milhões previstos para o período sazonal.

Dengue: Brasil apresenta recorde de mortes pela doença em 2023

Dengue: Brasil apresenta recorde de mortes pela doença em 2023 - Foto: reprodução
Dengue: Brasil apresenta recorde de mortes pela doença em 2023 – Foto: reprodução

Em 2023, o Brasil bateu recorde de mortes por dengue. Segundo dados do Sinan (Sistema de Informação de Agravos de Notificação), foram contabilizados 1.094 óbitos, o que representa um aumento de 3,89% em comparação com o ano anterior.

De acordo com especialistas, o aumento se dá pela circulação de quatro sorotipos diferentes da doença. Isso significa que cada indivíduo pode contrair quatro tipos da dengue e, apesar de ser infectado por um vírus e adquirir imunidade contra ele, ainda restam outros três tipos suscetíveis à infecção.

Juan Carlos Boado, médico e diretor Técnico do Hospital Bom Pastor localizado em Guajará-Mirim (RO), alerta para cuidados redobrados da população a fim de evitar a proliferação do mosquito transmissor da dengue e doenças relacionadas.

“O jeito mais efetivo de prevenir a doença é através do combate ao mosquito. Por isso, é importante eliminar os focos de água parada em caixas d’água, garrafas, pneus, pratos de vasos em jardins, entre outros. Além disso, é preciso limpar frequentemente os quintais nesse período chuvoso, contribuindo para a prevenção de todos”, completa.

Atenção aos sinais de alerta

  • Febre alta com início súbito (39° a 40°);
  • Agitação;
  • Dor atrás dos olhos;
  • Forte dor de cabeça;
  • Perda do paladar e apetite;
  • Cansaço extremo;
  • Náuseas e vômitos persistentes;
  • Dor nos ossos e articulações;
  • Dor abdominal.

Juan ressalta, ainda, que é importante ficar atento à dengue hemorrágica, tipo mais grave da doença. Parecido com os sintomas clássicos, a diferença é que o doente apresenta sangramentos, principalmente nas gengivas e pele, vômitos persistentes e dor abdominal intensa e contínua.

“Esse tipo de caso pode levar à morte. Por isso, o paciente deve ser levado imediatamente para um hospital de referência, para monitoramento e tratamento clínico especializado”, alerta o médico.

Governo vai priorizar vacinação de crianças e jovens de 6 a 16 anos contra a dengue

Governo vai priorizar vacinação de crianças e jovens de 6 a 16 anos contra a dengue - Foto: reprodução
Governo vai priorizar vacinação de crianças e jovens de 6 a 16 anos contra a dengue – Foto: reprodução

O diretor do Programa Nacional de Imunização (PNI), Eder Gatti, informou na última segunda-feira (15) que o Ministério da Saúde deve priorizar a imunização contra a dengue de crianças e adolescentes de 6 a 16 anos.

A declaração foi feita após reunião de técnicos da Câmara Técnica de Assessoramento em Imunização (CTAI) para discutir estratégias de distribuição e aplicação da vacina contra a dengue em todo o território nacional.

Segundo o diretor do PNI, a priorização da imunização da faixa etária segue uma recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS). O ministério, então, deve definir uma faixa etária dentro desse grupo para vacinar.

“De 6 a 16 anos é uma faixa etária que vamos priorizar. Dentro dessa faixa etária, vamos decidir qual grupo será prioritário. Tem a discussão de dentro desse grupo quem hospitaliza mais. Não avançaremos fora deste grupo”, disse Gatti a jornalistas.

O imunizante contra a dengue, chamado de Qdenga, foi incorporado no Sistema Único de Saúde (SUS) em dezembro de 2023, tornando o Brasil o primeiro país do mundo a oferecê-lo no sistema público universal.

A vacina, porém, não é produzida em larga escala e necessita de duas doses para a proteção total. O laboratório japonês Takeda Pharma é o responsável pelo desenvolvimento do imunizante.

Segundo o laboratório, a previsão é que sejam entregues 5,082 milhões de doses em 2024, entre fevereiro e novembro. Por isso, a distribuição deve ser focada em públicos e regiões prioritárias.

Como a aplicação da vacina é feita em duas doses, porém, no máximo 3 milhões de pessoas serão vacinadas.

O debate da vacina contra a dengue vem num contexto de projeção do aumento de casos da doença no início do ano em função da combinação entre calor e chuva e pelo ressurgimento recente do sorotipo 3 do vírus no Brasil.

Segundo dados do Ministério da Saúde, ao longo de todo o ano de 2023 foram notificados 1.658.816 casos da doença e 1.094 óbitos em decorrência da dengue.

Pesquisadores desenvolvem anticoncepcional masculino com 99% de eficácia

Pesquisadores desenvolvem anticoncepcional masculino com 99% de eficácia - Foto: reprodução
Pesquisadores desenvolvem anticoncepcional masculino com 99% de eficácia – Foto: reprodução

Uma startup americana desenvolveu um gel que pode ser o primeiro anticoncepcional masculino do mundo com 99% de eficácia em teste iniciais. Os ensaios clínicos em humanos começaram em agosto do ano passado, na Austrália.

O estudo ADAM, divulgado pela própria startup, apresenta o remédio como “um medicamento à base de hidrogel, de longa duração, não-contraceptivo masculino hormonal e não permanente”.

Um dos professores que lidera o estudo, o Dr Peter Chin, realizou os primeiros testes do gel no dia 08 de agosto, em pacientes de 29 e 30 anos. Os dois procedimentos foram bem sucedidos e o professor comemorou o resultado:

“Estou muito satisfeito por fazer parte deste estudo inovador que está testando o primeiro contraceptivo masculino implantável. ADAM tem o potencial de ser o primeiro grande avanço na contracepção masculina desde a vasectomia, que foi introduzida há mais de 100 anos”, contou.

O professor também relatou que é positiva a procura dos homens pelo medicamento:

“Fiquei agradavelmente surpreso com o interesse que houve dos homens em participar do estudo. Conseguimos realizar as nossas primeiras implantações ADAM apenas 4 semanas após o lançamento da campanha de recrutamento. Posso ver um futuro onde muitos pacientes mais jovens do sexo masculino procurarão o procedimento ADAM em vez dos métodos contraceptivos existentes.”

Ao todo, 23 homens australianos realizaram os procedimentos de teste dos medicamentos. Mais de mil voluntários se candidataram.

O contraceptivo foi injetado durante uma consulta médica de 15 minutos, no tubo que transporta os espermatozoides dos testículos para fora do corpo. Uma anestesia local foi aplicada.

Todos os voluntários continuaram a ter ejaculações, mas o número de espermatozoides caiu de 99 a 100% em apenas um mês.

Novos testes agora vão avaliar se o método pode ser revertido no futuro.

Chikungunya: Maiores cidades do Sul de Minas registram aumento de mais de 350% nos casos

As maiores cidades do Sul de Minas registraram aumento de mais de 350% no número de casos contaminações por chikungunya, de 2022 para 2023. O crescimento foi apontado em dados divulgados pela Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG).

Entre os cinco municípios mais populosos da região, Pouso Alegre foi o que teve maior número de registros. Logo em seguida aparecem Varginha, Lavras, Passos e, por último, Poços de Caldas.

Em Pouso Alegre, foram 18 contaminações ao longo do ano passado, sendo que em 2022 nenhuma infecção pela doença foi registrada.

Números das cinco maiores:

  • Pouso Alegre
    2022: nenhum caso
    2023: 18 casos
  • Varginha
    2022: 1 caso
    2023: 11 casos
  • Lavras
    2022: 2 casos
    2023: 11 casos
  • Passos
    2022: 3 casos
    2023: 7 casos
  • Poços de Caldas
    2022: 4 casos
    2023: 5 casos
Equipe de combate às endemias faz mutirão — Foto: Prefeitura de Andradas
Equipe de combate às endemias faz mutirão — Foto: Prefeitura de Andradas

Transmissão

Assim como a dengue e a zika, a chikungunya também é transmitida pelo Aedes Aegypti, que se prolifera em água parada.

A Prefeitura de Pouso Alegre disse, por nota, que o aumento foi registrado mesmo apesar dos esforços contínuos para prevenir a proliferação do doença e a realização do bloqueio vetorial nos casos suspeitos de chikungunya.

A administração municipal salientou, ainda, que, além das ações, é necessário também que a população colabore no combate ao mosquito transmissor.

Sem investir o mínimo, Estado acumula dívida de R$ 6 bi e impõe caos na Saúde

Sem investir o mínimo, Estado acumula dívida de R$ 6 bi e impõe caos na Saúde - Foto: reprodução
Sem investir o mínimo, Estado acumula dívida de R$ 6 bi e impõe caos na Saúde – Foto: reprodução

O governo de Minas Gerais não tem investido os valores mínimos determinados em lei na saúde do Estado. Nem mesmo no pior ano da pandemia, em 2021, quando os hospitais ficaram lotados e cerca de 44 mil pessoas morreram, os 12% do orçamento exigidos pela Lei Complementar Nº 141 foram empenhados. Naquele ano, o Estado ficou devendo para a rede R$ 1,2 bilhão, enquanto pacientes com quadros graves de Covid-19 tiveram que ser transferidos do interior de Minas para São Paulo por falta de leito de Unidade de Tratamento Intensivo (UTI). Esse subfinanciamento do sistema não é de hoje: de 2009 a 2020, o governo acumulou uma dívida de R$ 6,7 bilhões com as secretarias municipais de saúde. Um dinheiro garantido na legislação, prometido no orçamento apresentado pelo próprio governo, não pago e que fez muita falta na ponta ao refletir em desassistência para a população. O Governo informou que “está colocando as contas da saúde em dia”.

Até outubro de 2023, 65.881 pessoas morreram no Estado por agravo da Covid-19, segundo o último boletim epidemiológico da Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG). A maioria das vítimas, 67%, morreu em 2021. No ano em que o mundo vivia uma força-tarefa para vencer a pandemia, o Executivo Estadual destinou menos de 50% da verba prometida para investimento nos temas: “Enfrentamento ao Coronavírus”; “Combate Epidemiológico ao Coronavírus” e “Prevenção ao Contágio e Enfrentamento ao Coronavírus (Covid -19)”. É o que está registrado no Relatório Anual de Gestão (RAG) do Governo.

“A ausência de investimento adequado para um atendimento imediato, tão necessário naquele momento, é uma constatação grave. A demora na alocação de recursos para a compra de equipamentos essenciais, como máscaras e respiradores hospitalares, e outras ações pertinentes, gerou um cenário desafiador”, afirma o deputado Lucas Lasmar (REDE), o parlamentar que mais enviou ofícios à SES em 2023.

Ele destaca a falta de leitos de UTI Adulto e Neonatal – como aconteceu em São Sebastião do Paraíso, no Sudoeste de Minas, que teve que transferir pacientes com Covid-19 para São Paulo – como a principal lacuna da saúde pública de Minas Gerais até hoje. “Essa situação se reflete em milhares de vidas perdidas em todo o Estado pela insuficiência desses leitos”, alerta.

Em Governador Valadares, na região do Rio Doce, duas idosas, uma de 82 anos e outra de 67, morreram na mesma semana à espera de uma vaga de UTI em março de 2021. Segundo a prefeitura, os leitos públicos estavam ocupados em 100%, e as pacientes não resistiram às complicações da doença sem o atendimento adequado. Em nota, à época, a prefeitura lamentou o caso e disse que houve tratamento e assistência “dentro das possibilidades da instituição”.

Mas, assim como pontuou o deputado, o problema não terminou com o fim da pandemia. Sem que os investimentos na saúde resolvessem o problema dos leitos, em outubro de 2023, Élcia Elizabeth Canuto Araújo, de 54 anos, perdeu o pai, Antônio Canuto Fernandes, de 88, na sala de espera por uma vaga de UTI em Barbacena, no Campo das Vertentes. O problema não era Covid-19, e sim uma prótese mal colocada no quadril. Ela conseguiu na Justiça que o pai colocasse a prótese, e, com a rejeição da peça, buscou no tribunal, outra vez, a internação para o tratamento da infecção. Mas, quando Antônio piorou, não teve leito de UTI a tempo. 

“Ele passou mal no dia 11 (de outubro), começou a vomitar e aspirou um pouco de líquido para o pulmão. Ficamos na sala vermelha, à espera. Lá, deveria ter uma UTI, mas não estava funcionando. No dia 12, meu pai teve uma parada cardíaca, não aguentou e faleceu na sala de espera mesmo”, lamenta a filha, relembrando o trauma. “No hospital, fizeram o que podiam. Se tivesse UTI, talvez meu pai estaria vivo agora. Eu só queria que as autoridades olhassem para esse problema”, continua.  

Segundo dados do sistema SusFácil, o pai de Elcia é um dos 346 pacientes que morreram enquanto aguardavam vaga de UTI de janeiro a novembro de 2023 na macrorregião Centro-Sul do Estado – que engloba Barbacena e outros 50 municípios com uma população de aproximadamente 800 mil pessoas. Em média, 33 pessoas perderam a vida por mês por falta de oportunidade. Na macrorregião, há um déficit de 19 leitos de UTI adulto e 9 de UTIs pediátricas, de acordo com levantamento do superintendente regional de Saúde de Barbacena, Renato dos Reis.

Ciclo vicioso: dívida, subfinanciamento e assistência limitada 

Como em um ciclo vicioso, o saldo negativo cresce a cada ano. De 2019 a 2022, o Estado deixou de restos a pagar da Saúde cerca de R$ 9,5 bilhões. Nesse levantamento, estão incluídas dívidas do Estado com hospitais, farmácias e municípios, por exemplo. Dados do Portal da Transparência, de novembro de 2023, constam um acréscimo na dívida de R$ 111,2 milhões em empenhos não pagos ao longo do ano passado – isso, só para 29% das cidades de Minas. “A projeção da dívida com os 853 municípios, apenas na área da saúde, é muito maior”, acrescenta Lucas Lasmar. 

Na prática, mesmo com as parcelas pagas do Fundo Estadual de Saúde –  R$ 1,7 bilhão de 2021 até o fim de 2023 –, o  déficit com os municípios só cresce. “Como esse fluxo de gasto em saúde permite que fiquem restos a pagar, os valores não liquidados no ano em curso vão para o ano seguinte. A base não é cumprida e vai enrolando, acumulando despesas ao longo do século. É uma forma de burlar o piso”, explica Eli Iola Gurgel, especialista em Economia da Saúde e professora da Faculdade de Medicina da UFMG.

Na compreensão do Governo do Estado, no entanto, o mínimo constitucional está sendo cumprido pelo terceiro ano consecutivo, “com aplicação de 12,18% da arrecadação total de impostos estaduais na saúde em 2023”, informou. O investimento, no entanto, não termina de ser pago. 

Mesmo não se concretizando, como o valor autorizado para o ano respeita os 12%, o Estado não é penalizado com a suspensão de transferência de outros impostos, como prevê a legislação. “O mínimo constitucional deveria considerar como investimento em saúde o valor efetivamente pago, não apenas o empenhado (prometido). O Tribunal de Contas do Estado, por exemplo, só considera gastos mínimos em saúde pelas prefeituras aquilo que foi efetivamente pago. É por isso que temos diversos prefeitos e prefeitas inelegíveis”, analisa Lucas Lasmar.

Ele lembra que, na época do governo Aécio Neves, despesas de saneamento eram contabilizadas como saúde, o que fazia com que o investimento na área ficasse maior. “Isso foi proibido, mas hoje se usa a estratégia de empenhar o valor. Uma preocupação adicional é que o empenho pode ser cancelado posteriormente, gerando percentuais fictícios”, acrescenta. A assessoria do deputado federal Aécio Neves foi procurada para falar sobre o tema mas, até o fechamento desta edição, não havia se pronunciado. 

De acordo com a especialista Eli, o não cumprimento do orçamento se tornou um mau hábito que inviabiliza investimentos maiores no futuro. “A manobra é a seguinte: como você não gastou todo o planejado com a saúde no ano, como ficaram restos a pagar, na discussão do orçamento do ano seguinte, você não vai aumentar o orçamento, porque vai entender que não precisa. Vira um ciclo que não deixa completar os 12% da lei. É difícil até para medir a necessidade de investimento”, avalia. 

Foi a falta do cumprimento do investimento mínimo na saúde do Estado que fez o Conselho Estadual de Saúde de Minas Gerais (CES-MG) reprovar os Relatórios Anuais de Gestão da SES-MG de 2019 a 2021, além de aprovar o de 2022 com ressalvas. O Conselho faz parte da fiscalização dos gastos do Governo com o SUS. Segundo o coordenador da Câmara Técnica de Orçamento e Finanças do CES, Erli Rodrigues, o imbróglio é maior pela falta de transparência com a dívida. 

“O que o Governo tem feito é, quando chega dezembro, empenha os valores que estão faltando, mas não liquida, não se compromete a pagar. No entendimento da lei 141, ou liquida o valor ou separa os recursos. Se não, vira uma bola de neve”, diz. “Não basta falar que o dinheiro existe, tem que provar. Nós pedimos o extrato do recurso que está em caixa, e recebemos a resposta que é informação sigilosa. Isso deveria estar no Portal da Transparência. Se o recurso entra para o caixa geral, não tem como saber o que dali é da Saúde”, continua o coordenador. 

Reflexos do subfinanciamento da Saúde no pós-pandemia

Rodrigues chama atenção para as complicações que o Sistema Único de Saúde (SUS) está enfrentando pela falta de financiamento, problema que aumentou no pós-pandemia. “O Estado não conseguiu exercer o mínimo, os serviços pararam, as cirurgias eletivas pararam, a atenção básica ficou por conta da Covid. Agora, estamos com um reflexo de casos mais graves de saúde com dificuldade de assistência. Estamos entre os 25 piores Estados em investimento em saúde”, afirma.

Para o deputado Lucas Lasmar, o principal prejudicado é o cidadão. “Essa situação resulta em uma ineficiência na execução das políticas públicas. Geralmente, os cortes mais significativos ocorrem na Atenção Básica, e os municípios assumem o ônus para evitar a interrupção do atendimento. Mas o fornecimento de medicamentos e a realização de exames também são suspensos, incluindo procedimentos como cateterismos, tomografias e mamografias. Mesmo com os pagamentos em dia, tais recursos são frequentemente insuficientes para atender à demanda da população no tempo adequado”, denuncia. 

Insuficiência de verba força municípios a assumirem déficit 

Uma vez que falta recurso estadual, os municípios são forçados a oferecer mais do que o planejado. A especialista Eli Iola Gurgel cita que as Secretarias de Saúde Municipais estão se responsabilizando cada vez mais com a saúde local quando comparado com os recursos estaduais e federais. “O município está perto das necessidades da população. Ele tem mais controle do que realmente precisa, se é ambulância, médico de atenção básica, consulta especializada. Então, a secretaria municipal briga mais frequentemente com a prefeitura pelo investimento. A partir dos anos 2000, muitas cidades vêm gastando mais do que os 15% da lei, enquanto o Estado ocupa uma posição mais confortável”, analisa. 

O deputado Lucas Lasmar foi Secretário Municipal de Saúde da cidade de Oliveira, na região Centro-Oeste do Estado, de 2017 a 2022. Durante a pandemia, ele se viu forçado a agir sozinho. “Na época, tive que realizar diversas ações com os recursos próprios do município e do Fundo Municipal de Saúde (FMS), porque tanto o Estado quanto o Governo Federal demoraram para disponibilizar recursos para que os municípios pudessem adaptar as Unidades Básicas de Saúde, criar leitos de UTI e enfermarias de isolamento nos Hospitais Filantrópicos”, conta. De acordo com o monitoramento da dívida pela SES-MG, o Estado deve à Oliveira R$ 21,8 milhões de valores do orçamento que não foram repassados. 

A situação é a mesma em Muriaé, na Zona da Mata, para a qual o Estado deve R$ 46,1 milhões em valores do orçamento. Segundo atualização da contabilidade do município, 25% (R$ 11,6 milhões) foram quitados. A Secretária de Saúde de Muriaé, Luiza Agostini de Andrade, conta do processo interno de controle da verba estadual para melhor aproveitamento diante das circunstâncias. “Realizamos a previsão da receita no orçamento com base nos valores fixos recebidos pelo Estado no ano de anterior, e aguardamos o pagamento das parcelas que são atreladas a programas específicos, como a Assistência Farmacêutica, por exemplo, que tem receita por bimestre”, diz. 

Mesmo assim, é o município que “segura as pontas”, segundo relato da secretária Luiza. “Tentamos aguardar a receita começar a ser repassada ao município para iniciar seus gastos, porém, neste período que aguardamos os recebimentos, utilizamos os superávits financeiros e o recurso próprio do município”, afirma.

Quando os valores finalmente caem na conta de Muriaé, já chegam comprometidos. “São investimentos em Atenção Básica à Saúde e média e alta complexidade, com o intuito de realizar exames, aquisição de insumos, mobiliários, realizar cirurgias e etc.”, enumera Luiza Agostini de Andrade. 

A reportagem tentou contato com o Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais e aguarda retorno. 

O que diz a SES-MG na íntegra?

“A Secretaria de Saúde do Estado de Minas Gerais (SES-MG) informa que está colocando as contas da saúde em dia, com o pagamento simplificado e ampliado da dívida com os municípios e com as instituições filantrópicas. Além disso, a atual gestão mantém o cumprimento do mínimo constitucional pelo terceiro ano consecutivo, com aplicação de 12,18% da arrecadação total de impostos estaduais na saúde em 2023.

O Acordo do Fundo Estadual, que rege a dívida do Estado com os municípios, é de R$ 6,7 bilhões, dos quais foram pagos R$ 1,7 bilhão até o momento — sendo R$ 394 milhões em 2021, R$ 659 milhões em 2022 e R$ 743 milhões em 2023.

Além disso, em setembro de 2023, o governador Romeu Zema e a Assembleia Legislativa de Minas Gerais assinaram Termo Aditivo que regulamenta a transposição e transferência de saldos constantes e financeiros provenientes de repasses, parcerias e convênios firmados com a SES-MG, o que significa que os recursos que anteriormente só poderiam ser gastos para um fim específico podem ser utilizados pelo município de acordo com a sua necessidade na área da saúde.

Para dar mais flexibilidade no pagamento, o valor da dívida com os hospitais filantrópicos foi retirado do Acordo e, em 2023, foram repassados R$ 266,3 milhões a 191 instituições. O restante, R$ 197 milhões, será pago ainda em 2024, antecipando para menos de um ano o pagamento da dívida, que era previsto até outubro de 2030. Os recursos são referentes à dívida do Pro-Hosp, ao Encontro de Contas e Câmara de Compensação (extrapolamento) e aos saldos referentes aos débitos de entidades.

Além do pagamento da dívida, a SES-MG vem cumprindo mensalmente os valores repassados aos hospitais, por meio dos programas Valora Minas e Opera Mais, maior política de cirurgias eletivas da história do estado.”

Via: O Tempo

Vacina contra a dengue: veja quando começa o calendário nacional

Vacina contra a dengue: veja quando começa o calendário nacional – Foto: reprodução

Dourados, em Mato Grosso do Sul, se tornou na última quarta-feira (3) a primeira cidade do mundo a iniciar um processo de vacinação em massa contra a dengue. Isso só foi possível graças à parceria com a farmacêutica Takeda.

O Brasil passará a adotar só no mês que vem a vacina como parte do calendário nacional. A previsão é de que cerca de 3,1 milhões de pessoas possam ser vacinadas neste primeiro ano da campanha, já que a Takeda conseguirá entregar cerca de 6,2 milhões de doses em 2024 – 1,2 milhão por meio de doação e 5 milhões pelo contrato de compra – e o esquema vacinal completo envolve duas doses.

A prefeitura local divulgou que a primeira dose foi aplicada em Francisleine Costa, mãe do adolescente Julio Cesar da Costa, de 15 anos, que morreu de dengue em 2023. “Meu filho foi enterrado no dia do aniversário. Agora a vacina veio e eu estou fazendo campanha para que todos se vacinem para que não passem pela mesma dor. Estou contente por Dourados ser a primeira cidade a prestar esse serviço ao público.”

A gestão municipal relatou alta procura no primeiro dia de imunização. Foram distribuídas inicialmente 90 mil doses do imunizante Qdenga. Mas a farmacêutica garantiu o oferecimento de 150 mil doses, suficientes para todos os douradenses entre 4 e 59 anos.

A imunização faz parte de um projeto da farmacêutica em parceria com o pesquisador Julio Croda, da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), que busca avaliar a proteção conferida fora de laboratório, em uma população real. “É um quantitativo de 300 mil doses disponíveis que vence em agosto deste ano e serão utilizadas para esse estudo, o primeiro do tipo para essa vacina a nível mundial”, afirmou Croda ao jornal O Globo. A Takeda, por sua vez, afirmou que a iniciativa teve início antes mesmo da compra de doses pelo governo federal.

Prevalência

Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) sobre o número de casos de dengue em 2023, divulgado pelo Estadão há dez dias, apontam o Brasil como o país com maior incidência da doença. Ao todo, foram 2,9 milhões de casos até 11 de dezembro – mais da metade dos mais de 5 milhões registrados mundialmente. De acordo com a entidade, vive-se um patamar histórico para a dengue.

A OMS alertou sobre o fato de a doença também ter se espalhado para países onde historicamente não circulava, como França, Itália e Espanha. Entre as razões para a disseminação está a crise climática, que tem elevado a temperatura mundial e permitido que o mosquito transmissor da dengue, o Aedes aegypti, sobreviva em ambiente onde antes isso não ocorria – dessa maneira, ele consegue se reproduzir cada vez mais.

O fenômeno El Niño, que chegou agora ao seu auge, também acentuou os efeitos do aquecimento global das temperaturas e das alterações climáticas, e a previsão é de que seus efeitos, incluindo ondas de calor inéditas, persistam até maio ou junho. O Ministério da Saúde do Brasil já projeta um aumento de casos da doença neste ano – e, por isso, adotará a aplicação da vacina de forma geral, algo também inédito no mundo.

Mortes

Os dados da OMS alertam, ainda, para o número de casos graves da dengue: ao todo, 5 mil pessoas morreram pela doença neste ano em todo o mundo. No Brasil, 1.474 casos, ou 0,05% do total de registros, são da versão hemorrágica, que pode matar.

Entenda como Passos tem reforçado a prevenção para evitar nova epidemia de dengue em 2024

Entenda como Passos tem reforçado as medidas de prevenção à dengue para evitar nova epidemia — Foto: Reprodução

O ano foi marcado pela dengue no Sul de Minas. Entre as cidades, Passos tem sido a campeã de casos; são mais de 13 mil, com 9 mortes. Segundo a prefeitura, uma possível explosão de casos é prevista para 2024, no entanto, há medidas de prevenção sendo reforçadas para evitar uma nova epidemia da dengue.

Os boletins da Secretaria de Estado de Saúde (SES-MG) são divulgados a cada 15 dias. O último foi disponibilizado nesta terça-feira (26).

Conforme os dados, Minas Gerais tem pouco mais de 400 mil casos prováveis da doença, ou seja, os casos notificados, com exceção dos já descartados. Ao todo, são 194 mortes por dengue em todo o estado.

Casos de dengue no Sul de Minas até 26/12/2023

LocalQtd. de CasosQtd. de Mortes
Passos13.0189
Lavras4.0943
Varginha2.0601
Pouso Alegre2090
Poços de Caldas270
Fonte: Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG_

O coordenador de zoonoses, Sergio Belini, explica que uma das causas prováveis para esse aumento de casos é a combinação de calor intenso com pancadas de chuva.

A proliferação dos mosquitos acontece mais rápido quando as temperaturas estão mais altas. Por exemplo, numa temperatura normal, os ovos levam cerca de 14 dias para eclodir. Em temperaturas elevadas, são 9 dias.

Neste ano, Passos teve dificuldade no enfrentamento à epidemia, inclusive para conseguir insumos e veículos para serem usados nos trabalhos de fumacê, por exemplo.

Para 2024, o cenário pode ser diferente, já que a cidade conseguiu acesso aos próprios equipamentos. Os trabalhos foram intensificados tendo como base o Levantamento Rápido de Índices para Aedes aegypti (Liraa).

“O Liraa dá o parâmetro dos bairros que estão mais problemáticos. E também tem a mobilização, que são os agentes que vão em empresas, escolas, igrejas, até asilos, para conscientizar as pessoas e replicar o tratamento quanto à dengue. […] Vamos estar em alerta: se os casos aumentarem, a gente vai utilizar os fumacês”, informa o coordenador de zoonoses.

Entenda como Passos tem reforçado as medidas de prevenção à dengue para evitar nova epidemia  — Foto: Reprodução EPTV
Entenda como Passos tem reforçado as medidas de prevenção à dengue para evitar nova epidemia — Foto: Reprodução

Ministério da Saúde fez uma projeção de casos de dengue para 2024 e afirmou que Minas Gerais tem “potencial epidêmico” de doenças transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti.

Para esse enfrentamento da doença, a Prefeitura de Passos desenvolveu um mapa que vai facilitar o monitoramento dos casos na cidade.

“Cada mapinha desse é um setor, uma microárea, onde o agente toma conta dali. Esse mapa vai ajudar no fluxo de notificações de caso de dengue. […] A gente vai marcando sempre e onde tiver um fluxo maior a gente vai ‘atacar’ naquele lugar. […] Ajuda a ter um controle e vai ficar mais visual para ver onde está o problema”, completa Belini.

Entenda como Passos tem reforçado a prevenção para evitar nova epidemia de dengue em 2024 — Foto: Reprodução/EPTV
Entenda como Passos tem reforçado a prevenção para evitar nova epidemia de dengue em 2024 — Foto: Reprodução
Jornal Folha Regional
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