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Jornal Folha Regional

Vacina contra Bronquiolite chega ao SUS em dezembro

Vacina contra Bronquiolite chega ao SUS em dezembro – Foto: reprodução

O Ministério da Saúde anunciou ontem a compra de 1,8 milhão de doses de vacina contra o VSR (Vírus Sincicial Respiratório), principal causador da bronquiolite. O imunizante, segundo a pasta, estará disponível em hospitais do SUS ainda em 2025.

A Vacinação pelo SUS deve ocorrer durante o mês de dezembro. Segundo o Ministério da Saúde, o primeiro lote de imunizantes contra o vírus causador da bronquiolite, com 673 mil doses, começará a ser distribuído aos estados e municípios brasileiros ainda nesta semana.

O Imunizante será destinado, inicialmente, a gestantes a partir da 28ª semana de gravidez. Isso porque a imunização da mãe oferece proteção aos recém-nascidos e, segundo a pasta federal, o foco da primeira fase da campanha de vacinação é a proteção de bebês menores de 6 meses. O ministério divulgou também que a meta é vacinar pelo menos 80% do público-alvo e que, além das doses previstas para este ano, outras 4,2 milhões devem ser adquiridas até 2027.

Não há restrição de idade para gestantes. A recomendação do ministério é que se tome dose única a cada nova gestação. Segundo divulgado pela pasta, a eficácia da estratégia de imunização em dose única a partir da 28ª de gestação foi comprovada em estudos clínicos que demonstraram uma eficácia de 81,8% na prevenção de doenças respiratórias graves causadas pelo VSR em bebês durante os primeiros três meses de vida.

Na rede particular, a vacina contra VSR está disponível desde 2024, mas a aplicação pode custar mais de R$ 1.500. Já a oferta pelo SUS, ainda de acordo com a pasta, foi possível a partir de um acordo entre o Instituto Butantan e a Pfizer, que transferiu a tecnologia de produção do imunizante ao laboratório brasileiro. O investimento do governo federal para a aquisição dos imunizantes foi de R$ 1,17 bilhão, segundo o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.

O Ministério da Saúde fez uma grande transferência de tecnologia de uma empresa internacional para garantir a oferta dessa vacina, que será totalmente nacionalizada no SUS por meio do Instituto Butantan. A campanha de vacinação começa já em dezembro. Todas as gestantes, a partir da 28ª semana, serão chamadas para receber o imunizante, garantindo proteção ao bebê ainda durante a gravidez”, disse Alexandre Padilha, ministro da Saúde

Veja quantas doses serão distribuídas por estado e aplicadas a partir de dezembro:

  • Acre: 3.800
  • Alagoas: 12.430
  • Amapá: 3.460
  • Amazonas: 18.820
  • Bahia: 44.525
  • Ceará: 29.030
  • Distrito Federal: 9.465
  • Espírito Santo: 13.935
  • Goiás: 24.530
  • Maranhão: 25.480
  • Mato Grosso: 15.580
  • Mato Grosso do Sul: 10.755
  • Minas Gerais: 62.165
  • Pará: 33.050
  • Paraíba: 13.570
  • Paraná: 37.120
  • Pernambuco: 30.700
  • Piauí: 11.170
  • Rio de Janeiro: 46.720
  • Rio Grande do Norte: 10.340
  • Rio Grande do Sul: 32.330
  • Rondônia: 6.250
  • Roraima: 3.490
  • Santa Catarina: 25.865
  • São Paulo: 134.555
  • Sergipe: 7.680
  • Tocantins: 6.180
  • Total Brasil: 673.000

Crianças pequenas são as mais afetadas por vírus

VSR é responsável por cerca de 75% dos casos de bronquiolite e 40% dos de pneumonia em crianças menores de dois anos. De acordo com o Ministério da Saúde, a vacina oferece proteção imediata aos recém-nascidos, reduzindo hospitalizações.

O Brasil registrou 43,1 mil casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave causados por VSR em 2025. Desses casos, contabilizados até 15 de novembro, a maior concentração de hospitalizações ocorreu em crianças com menos de dois anos, totalizando mais de 35,5 mil (82,5%) ocorrências.

Anvisa aprova 1ª vacina de dose única contra a dengue

Anvisa aprova 1ª vacina de dose única contra a dengue – Foto: Paulo Pinto/ Agência Brasil

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) finalizou a avaliação técnica da Butantan-DV, primeira vacina de dose única contra a dengue no mundo, e agora formaliza a etapa administrativa que aprova o registro.

Nesta quarta-feira (26), a agência assina, em São Paulo, o Termo de Compromisso com o Instituto Butantan —um rito obrigatório que define as obrigações do fabricante e permite a liberação definitiva do registro nos próximos dias.

Segundo a agência, a assinatura funciona como o último passo antes da formalização, e fontes ouvidas pela reportagem confirmam que o imunizante cumpriu todos os critérios de segurança, eficácia e qualidade exigidos pela agência.

Assim, embora o ato administrativo de publicação do registro ainda não tenha ocorrido, a aprovação técnica já está dada —e foi isso que permitiu ao governo dar início às etapas preparatórias para a incorporação ao Programa Nacional de Imunizações (PNI).

Apesar da aprovação, ainda não há previsão de quando a vacina será incluída ao calendário nacional.

País tem 1 milhão de doses prontas

Mesmo antes da aprovação regulatória, o Butantan havia iniciado a fabricação da vacina em seu parque industrial. O instituto já tem mais de 1 milhão de doses prontas para serem disponibilizadas ao PNI.

Vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), o pediatra e infectologista Renato Kfouri reforça que os resultados apresentados justificam a rapidez na incorporação.

“A vacina demonstrou eficácia elevada, em torno de 75% contra a doença e acima de 90% para formas graves e hospitalizações”, diz.
Kfouri destaca que a produção nacional é um diferencial estratégico.

“Além da eficácia, temos o benefício de ser uma vacina produzida no país. Isso facilita o acesso e a escala de distribuição”, diz.
Para ampliar a oferta, o Butantan fechou uma parceria internacional com a empresa chinesa WuXi, o que permitirá entregar cerca de 30 milhões de doses no segundo semestre de 2026.

O que dizem os ensaios clínicos

A aprovação foi concedida após cinco anos de acompanhamento dos voluntários do ensaio clínico de fase 3, submetido à Anvisa.

Entre pessoas de 12 a 59 anos:

  • Eficácia geral: 74,7%.
  • Proteção contra dengue grave ou com sinais de alarme: 91,6%.
  • Proteção contra hospitalizações: 100%.

Mais de 16 mil voluntários de 14 estados participaram da pesquisa, realizada entre 2016 e 2024. A vacina, que inclui os quatro sorotipos do vírus, se mostrou segura tanto em quem já teve dengue quanto em quem nunca foi infectado.

Segundo Kfouri, a duração da proteção é outro ponto de destaque.

“A eficácia foi mantida ao longo de mais de cinco anos de estudo após uma única dose. E o perfil de segurança é bastante satisfatório”, afirma.

As reações mais comuns foram leves a moderadas, como dor e vermelhidão no local da aplicação, dor de cabeça e fadiga. Eventos adversos graves foram raros e todos os voluntários se recuperaram.

Dose única

A Butantan-DV é a primeira vacina de dose única contra a dengue no mundo. Segundo relatório publicado na revista Human Vaccines & Immunotherapeutics, esquemas com menos doses estão associados a:

  • maior adesão da população;
  • campanhas mais simples de organizar;
  • cobertura vacinal mais rápida em emergências sanitárias.

Kfouri lembra que o imunizante já se mostrou comparável à vacina da Takeda, disponível no Brasil.

“Os resultados são muito semelhantes aos da vacina da Takeda. A grande diferença é justamente a possibilidade de aplicar apenas uma dose, o que tem impacto direto na cobertura vacinal”, explica.

Expansão para outras idades já está prevista

A Anvisa também autorizou estudos para avaliar a aplicação da vacina em pessoas de 60 a 79 anos. Dados adicionais deverão ser analisados para definir a inclusão de crianças de 2 a 11 anos, embora estudos clínicos já indiquem segurança nesse grupo.

O Ministério da Saúde ainda vai definir quando a vacinação começa e como será a distribuição das doses no país.

Farmacêutica da Santa Casa de Passos apresenta resultados expressivos em congresso nacional de Medicina Intensiva

Farmacêutica da Santa Casa de Passos apresenta resultados expressivos em congresso nacional de Medicina Intensiva – Foto: divulgação

A Santa Casa de Misericórdia de Passos (MG) teve sua atuação reconhecida em um dos mais importantes eventos da área da saúde do país, o Congresso Brasileiro de Medicina Intensiva (CBMI 2025), realizado entre os dias 6 e 8 de novembro, em Curitiba.

Representando a instituição, a farmacêutica Andressa Lemos Carvalho apresentou o trabalho “Resultados da atuação farmacêutica na redução da sedoanalgesia em unidade de terapia intensiva adulto de um hospital filantrópico”, que destacou a importância da atuação do farmacêutico clínico na otimização de recursos e na segurança do paciente crítico.

Desenvolvido em parceria com o médico Rodrigo Silveira de Almeida, o estudo foi conduzido na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) adulto da Santa Casa de Passos. O objetivo principal foi reduzir em 20% o consumo e o custo de medicamentos utilizados para sedação e analgesia, por meio da implementação de estratégias multidisciplinares e da padronização de práticas assistenciais.

Os resultados superaram as expectativas. O custo médio mensal com sedoanalgesia caiu de R$ 95.103,00 para R$ 52.554,30, representando uma redução total de 44,73%, mais que o dobro da meta inicial. No acumulado do período, a economia ultrapassou R$ 600 mil, evidenciando o impacto positivo da atuação clínica e integrada do farmacêutico na terapia intensiva.

Segundo a farmacêutica Andressa, “participar do Congresso Brasileiro de Medicina Intensiva foi uma experiência incrível e extremamente enriquecedora. Tive a alegria de representar a Santa Casa apresentando o trabalho desenvolvido em parceria com o Dr. Rodrigo. Foi um momento de muito aprendizado, trocas valiosas e reconhecimento do papel do farmacêutico clínico na terapia intensiva. Essa vivência reforçou minha convicção sobre a importância da atuação multiprofissional e do cuidado seguro e humanizado com o paciente. Apresentar esse projeto foi confirmar que dedicação, compromisso e propósito transformam o cuidado em impacto real.”

Além da expressiva redução de custos, o projeto também promoveu melhorias assistenciais significativas, como o aumento da adesão da equipe multiprofissional aos protocolos institucionais e o aprimoramento das práticas de avaliação e desmame da sedação. Essas medidas contribuíram diretamente para o uso racional de medicamentos, a otimização dos recursos hospitalares e o fortalecimento da segurança do paciente.

Pesquisadora brasileira cria caneta que detecta câncer em 10 segundos

Demonstração de uso da caneta MasSpec em uma amostra de tecido humano — Foto: Vivian Abagiu/Universidade do Texas

Uma brasileira está por trás de uma das inovações médicas mais promissoras dos últimos anos. A química Lívia Schiavinato Eberlin, professora da Baylor College of Medicine, nos Estados Unidos, desenvolveu um dispositivo capaz de identificar se um tecido é saudável ou cancerígeno em apenas 10 segundos, já durante a cirurgia.

A tecnologia, batizada de MasSpec Pen, já é chamada de “caneta que detecta câncer”.

Agora, o Einstein Hospital Israelita, em São Paulo, conduz o primeiro estudo clínico fora dos Estados Unidos com o equipamento, em parceria com a Thermo Fisher Scientific, multinacional responsável pelo espectrômetro de massas que viabiliza a leitura molecular do tecido.

Como funciona a tecnologia

A MasSpec Pen é uma caneta conectada a um espectrômetro de massas –um equipamento capaz de identificar as moléculas que compõem uma substância e revelar sua “assinatura química”.

Em termos simples, ele pesa e compara as moléculas do material analisado, mostrando quais estão presentes e em que proporção. É a mesma tecnologia usada em investigações forenses, no controle de qualidade de alimentos e em exames antidoping –agora adaptada para uso médico.

Durante a cirurgia, o médico encosta a ponta da caneta sobre o tecido suspeito. O dispositivo libera uma microgota de água estéril, que permanece em contato com o tecido por alguns segundos. Essa gota extrai moléculas da superfície e é aspirada para o espectrômetro, que analisa sua composição química em tempo real.

O aparelho então identifica o padrão molecular do tecido –algo como uma impressão digital biológica — e mostra na tela se ele é saudável ou cancerígeno.

“É como fazer um café: a água extrai as moléculas da amostra sólida, mas não remove o tecido. A análise é instantânea e não causa nenhum dano”, explica Lívia Eberlin.

O contraste com o padrão atual

Em qualquer cirurgia oncológica, um dos maiores desafios é definir o limite exato do tumor –até onde o cirurgião deve cortar.

O objetivo é remover completamente o tecido doente, evitando deixar células cancerígenas para trás, mas sem retirar mais do que o necessário de tecido saudável, o que pode comprometer órgãos e funções do corpo.

Esse tecido, em termos simples, é o conjunto de células que forma uma parte do corpo –como um fragmento do pulmão, da tireóide, do fígado ou da mama.

Quando há um tumor, as células cancerígenas se infiltram nesses tecidos e podem invadir áreas vizinhas. Por isso, o médico precisa saber onde termina o câncer e onde começa o tecido saudável –a chamada margem de segurança cirúrgica.

Hoje, para responder a essa pergunta durante a cirurgia, os hospitais utilizam o chamado exame de congelação, considerado o padrão-ouro da patologia.

Nesse procedimento, o cirurgião remove um pequeno pedaço do tecido suspeito e o envia para o laboratório, onde o material é congelado, cortado em lâminas finas e analisado ao microscópio.

O processo pode levar de 20 minutos a 1h30, tempo em que o paciente permanece anestesiado, “aberto” e a equipe cirúrgica aguarda a resposta do patologista.

Se o exame indicar que ainda há células cancerígenas nas bordas do material retirado, o médico precisa voltar e remover uma área maior, prolongando a operação, o tempo de anestesia e o risco de complicações.

“Mesmo patologistas experientes podem ter dificuldade em fornecer uma resposta precisa sobre margem de segurança, porque o congelamento distorce a estrutura do tecido”, explica Lívia Eberlin.

“Com a caneta, o resultado vem em segundos, diretamente da sala de cirurgia, e o cirurgião sabe imediatamente se precisa retirar mais.”

Nos cânceres de pulmão, por exemplo, a definição das margens é um dos pontos mais críticos da cirurgia. Uma retirada excessiva pode comprometer a capacidade respiratória do paciente; uma retirada insuficiente aumenta o risco de recidiva.

“A tecnologia permite ao cirurgião saber, ainda na operação, se o tecido é normal ou tumoral, sem precisar esperar o laudo”, afirma o imunologista Kenneth Gollob, diretor do Centro de Pesquisa em Imunologia e Oncologia (CRIO) do Einstein.

Cirurgiões utilizam MasSpec Pen para analisar células tumorais em tecidos — Foto: Divulgação/Einstein Hospital Israelita

Mama, fígado e ovário serão analisados

O Einstein é o primeiro centro fora dos Estados Unidos a testar a MasSpec Pen em pacientes. O estudo clínico, com duração de 24 meses, acompanha 60 pessoas com câncer de pulmão e de tireoide –tumores escolhidos pela acessibilidade cirúrgica e pela maturidade dos algoritmos de detecção.

A tecnologia já havia sido validada em um estudo publicado na JAMA Surgery em 2023, com mais de 100 pacientes submetidos a cirurgias de tireoide e paratireoide, alcançando acurácia superior a 92%.

O trabalho demonstrou que a caneta pode diferenciar, em tempo real, tecidos muito semelhantes, evitando a retirada acidental de glândulas saudáveis –uma complicação que ocorre em até 25% das operações convencionais.

As próximas etapas incluem estudos em tumores de mama, fígado e ovário, áreas em que a tecnologia já demonstrou alta precisão em testes laboratoriais e pode auxiliar na definição das margens cirúrgicas.

Os resultados obtidos no Brasil serão comparados ao exame anatomopatológico para avaliar acurácia, sensibilidade e especificidade.

Caneta pode medir potencial de resposta ao tratamento?

Além de detectar a presença de câncer, a equipe do Einstein quer entender se a MasSpec Pen pode revelar o perfil imunológico de cada tumor –uma informação que, até hoje, só é obtida dias depois da cirurgia, com exames laboratoriais complexos.

“Cada câncer tem uma paisagem imunológica própria, uma espécie de ‘impressão digital’ do sistema imune dentro do tumor”, explica Kenneth Gollob. “Alguns são chamados de ‘tumores quentes’, porque estão repletos de células de defesa, como linfócitos e macrófagos. Outros são ‘tumores frios’, que conseguem se esconder do sistema imunológico.”

Essa diferença é crucial para o sucesso dos tratamentos modernos. Os tumores quentes costumam responder melhor à imunoterapia, uma classe de medicamentos que estimula o sistema imunológico a atacar o câncer. Já os frios, mais resistentes, exigem abordagens combinadas –com quimio, radio ou novos imunomoduladores.

A expectativa dos pesquisadores é que a caneta consiga identificar, em tempo real, essa “temperatura imunológica”, analisando os metabólitos e lipídios que refletem a presença de células imunes ativas.

“Se conseguirmos detectar isso no ato da cirurgia, o médico poderá planejar o tratamento logo em seguida –sem esperar semanas pelo resultado da biópsia completa”, diz Gollob.

Segundo ele, o impacto seria duplo: clínico e científico. “Para o paciente, é mais agilidade e tratamento personalizado. Para a pesquisa, é a chance de entender, em milhares de amostras reais, como o sistema imune interage com o tumor em diferentes órgãos.”

A tecnologia por trás do diagnóstico instantâneo

Parceira tecnológica do projeto, a Thermo Fisher Scientific é quem fornece o espectrômetro de massas Orbitrap 240, peça central da análise molecular.

Esse equipamento –que ocupa cerca de um metro de comprimento e pesa dezenas de quilos– é o “cérebro” da operação. É ele que recebe, analisa e interpreta as amostras coletadas pela caneta.

O funcionamento ocorre em duas etapas interligadas:

  1. A MasSpec Pen coleta a amostra. Ao encostar a ponta na região cirúrgica, o dispositivo libera uma microgota de água que absorve moléculas do tecido –como lipídios, metabólitos e fragmentos de proteínas. Essa gota é imediatamente sugada por um fino tubo conectado ao equipamento principal.
  2. O espectrômetro faz a leitura química. Dentro do Orbitrap, essas moléculas são ionizadas e separadas conforme sua massa e carga elétrica, permitindo a criação de um perfil químico único, chamado de assinatura molecular.

A partir daí, um software alimentado por inteligência artificial compara o resultado com uma biblioteca de milhares de padrões de tumores já catalogados.

“A espectrometria de massas é uma das ferramentas mais precisas da ciência moderna. É ela que transforma a leitura química da gota de água em um diagnóstico confiável”, explica Dionísio Ottoboni, diretor de Instrumentos Analíticos da Thermo Fisher para a América Latina.

A pesquisadora brasileira Lívia Eberlin e sua equipe, responsáveis por desenvolver a MasSpec Pen — Foto: Arquivo Pessoal

Brasil na ponta

Natural de Campinas, no interior de São Paulo, Lívia Eberlin é formada em Química pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), fez doutorado na Purdue University e pós-doutorado em Stanford.

Hoje, lidera uma equipe na Baylor College of Medicine e comanda a startup MS Pen Technologies, que desenvolve e pretende comercializar a caneta.

Com a conclusão do estudo, o passo seguinte é submeter a tecnologia à aprovação da agência regulatória americana, a Food and Drug Administration (FDA) e, futuramente, da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

A pesquisadora brasileira Lívia Eberlin — Foto: Arquivo Pessoal
A pesquisadora brasileira Lívia Eberlin — Foto: Arquivo Pessoal

“Meu sonho sempre foi trazer a tecnologia para o Brasil. O estudo com o Einstein mostra que ela é robusta, reprodutível e aplicável a diferentes realidades clínicas”, diz.

Além do ganho científico, a pesquisadora vê no projeto uma dimensão simbólica: “É a prova de que a ciência brasileira tem alcance global e pode transformar a vida das pessoas.”

Cientistas descobrem anticorpo eficaz contra o HIV

Cientistas descobrem anticorpo eficaz contra o HIV – Foto: reprodução

Cientistas alemães descobriram uma nova arma na luta contra o HIV. Um anticorpo capaz de neutralizar o vírus que já matou 44 milhões desde 1981, quando foi detectado pela primeira vez. 

Para isso, a equipe examinou amostras de sangue de 32 pessoas com HIV que desenvolveram uma resposta de anticorpos particularmente forte e amplamente eficaz contra o vírus – por conta própria e sem qualquer intervenção médica.

Depois de testar mais de 800 desses anticorpos, um deles se destacou: o 04_A06

Quando o HIV infecta alguém, ele entra na célula e a reprograma para reproduzir o vírus, enfraquecendo o sistema imunológico a longo prazo.

O que o 04_A06 faz é bloquear uma área em que o vírus se liga às células, impedindo sua proliferação.

Os pesquisadores afirmam que a descoberta pode ajudar pessoas que já estão infectadas com o HIV, já que o anticorpo pesquisado bloqueia o acesso do vírus às células. 

E esperam que o achado também possa prevenir futuras infecções, funcionando como uma imunização passiva – aquela em que os anticorpos são inseridos no corpo, e não produzidos por ele, como acontece no caso da vacina. 

Em experimentos feitos com camundongos, o 04_A06 neutralizou 98% das quase 340 variantes do vírus testadas.  

Agora, resta ver como o anticorpo se comporta em testes com humanos. Se tudo der certo, pode ser um novo capítulo da luta contra o HIV.

Hospital de Pouso Alegre realiza primeiro transplante de coração com sucesso em paciente de Três Corações

O produtor de laticínios Edmilson Feliciano dos Santos, de 36 anos, natural de Três Corações (MG), vive um momento que define como um verdadeiro renascimento. Ele foi o primeiro paciente a receber um transplante de coração no Complexo Hospitalar Samuel Libânio, em Pouso Alegre (MG), e tem apresentado uma recuperação considerada muito positiva pela equipe médica.

Antes da cirurgia, Edmilson passou seis meses internado no hospital, enfrentando uma insuficiência cardíaca avançada que o impedia de receber alta. Durante esse período, permaneceu sob cuidados intensivos e acompanhamento constante, enquanto aguardava a chegada de um órgão compatível.

A tão esperada oportunidade surgiu no dia 29 de outubro, quando a família de um paciente com morte encefálica, vítima de um acidente automobilístico, autorizou a doação dos órgãos. O coração doado foi captado e transplantado pela equipe de cirurgia cardíaca liderada pelo Dr. Alexandre Hueb, que ressaltou o êxito do procedimento e a importância do gesto de solidariedade dos familiares do doador. Além do coração, também foram captados o fígado, os rins e as córneas do paciente falecido.

Com o transplante bem-sucedido, Edmilson começou a viver uma nova fase. Ainda no hospital, ele relatou sentir-se muito melhor e destacou a gratidão por poder retomar a própria vida. Após meses de internação, o maior desejo do produtor é reunir-se com a família, da qual ficou afastado durante todo o tratamento. Ele afirmou que pretende aproveitar esse tempo com os entes queridos antes de pensar nos próximos passos.

Emocionado, o paciente também fez questão de reforçar a importância da doação de órgãos, defendendo que o tema precisa ser tratado sem preconceitos, já que esse ato é capaz de salvar vidas e renovar esperanças.

De acordo com a equipe médica, o pós-operatório evolui de forma satisfatória. Edmilson já se alimenta normalmente, caminha pelos corredores do hospital e segue recebendo as medicações imunossupressoras necessárias para evitar a rejeição do novo órgão. O caso é considerado um marco histórico para a medicina do Sul de Minas, simbolizando tanto o avanço da estrutura hospitalar quanto o poder transformador da solidariedade humana.

Técnica inovadora utilizada em hospital de MG salva vida de jovem com 85% do corpo queimado

Técnica inovadora utilizada em hospital de MG salva vida de jovem com 85% do corpo queimado – Foto: divulgação

“Só dele estar vivo, já é uma grande vitória”. A frase emocionada da cuidadora de idosos Joice Maria de Santana resume a trajetória de mais de seis meses de internação de seu filho, Kauã  Oliveira, no Centro de Tratamento de Queimados (CTQ) do Hospital João XXIII (HJXXIII), da Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig), em Belo Horizonte.

O jovem de 24 anos foi vítima da explosão de um botijão de gás em abril deste ano, em Patos de Minas, após acender um cigarro próximo ao equipamento. Com 85% do corpo queimado, o quadro foi considerado gravíssimo. “O médico me disse que a chance dele sobreviver era baixíssima. Hoje, ver meu filho conversando e reagindo é um milagre. Só tenho a agradecer a Deus e à equipe do João XXIII”, relata Joice.

Após atendimento inicial no Hospital Regional Antônio Dias (HRAD), Kauã foi transferido para o João XXIII, referência estadual no atendimento a grandes queimados. Lá, recebeu um tratamento inovador que foi decisivo para sua recuperação: a técnica Meek, padronizada desde abril pela equipe em casos de extrema gravidade.

Segundo Kelly Araújo, coordenadora do Centro de Tratamento de Queimados (CTQ), o jovem é um exemplo de superação. “O Kauã chegou em estado muito grave, com queimaduras de terceiro grau em quase todo o corpo. A área sem queimadura era mínima. Com a tecnologia Meek, conseguimos expandir essa pequena área de pele não queimada, o que foi essencial para o processo de cicatrização da área afetada”, explica.

Técnica inovadora

O Meek é um equipamento que corta a pele do paciente em vários pedaços para ser fixada em curativos que se expandem, como uma “sanfona”, e aumentam em até nove vezes a capacidade de cobertura da pele. O Hospital João XXIII foi o primeiro do país a padronizar a técnica.

Antes da adoção do método, as possibilidades de recuperação de pacientes com queimaduras tão extensas eram reduzidas.

“Com as técnicas tradicionais, a expansão da pele doadora era de até quatro vezes. Com o Meek, conseguimos multiplicar essa área, reduzir o número de cirurgias e acelerar o processo de reabilitação”, explica Kelly Araújo, coordenadora do Centro de Tratamento de Queimados (CTQ).

Ao longo da internação, Kauã enfrentou momentos delicados, como infecções e complicações hepáticas. Além das cirurgias e enxertos, o trabalho de reabilitação foi essencial.

O fisioterapeuta João Paulo Brito, que acompanha o paciente desde o início, destaca a importância do trabalho multidisciplinar. “Kauã perdeu muita massa muscular e ficou muito tempo acamado. Fomos trabalhando o controle de tronco, o equilíbrio e a força, sempre respeitando os limites dele. Quando ele conseguiu sair pela primeira vez para ver o sol, foi um momento simbólico. Ele ficou feliz e ainda mais motivado a continuar lutando”.

A mãe, que acompanha o filho diariamente, lembra com gratidão cada avanço. “Só quero levar meu filho pra casa e agradecer a todos aqui por tratarem ele com tanto carinho. Se não fosse o Meek e essa equipe maravilhosa, não sei se ele estaria aqui”. 

Projeto ambiental da Santa Casa de Passos é reconhecido em premiação nacional

Projeto ambiental da Santa Casa de Passos é reconhecido em premiação nacional – Foto: divulgação

A Santa Casa de Misericórdia de Passos marcou presença na 18ª edição do Seminário Hospitais Saudáveis (SHS 2025), realizada nos dias 28, 29 e 30 de outubro, no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo. O encontro teve como tema “Clima é Saúde, Saúde é Clima” e reuniu instituições de todo o país comprometidas com práticas sustentáveis na área da saúde.

Representando a instituição, o engenheiro ambiental Éder Viana apresentou o trabalho intitulado “Ciclo Orgânico: economia circular através da compostagem, produção de hortaliças e alimentação saudável na Santa Casa de Misericórdia de Passos”, que foi exposto na mostra de pôsteres do evento.

A iniciativa também conquistou reconhecimento ao ser premiada entre as 15 melhores na categoria destaque do Prêmio Amigo do Meio Ambiente (PAMA), concedido anualmente pela Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo. O prêmio homenageia organizações públicas e privadas que prestam serviços de saúde no âmbito do SUS e se destacam por ações voltadas à proteção ambiental e à sustentabilidade.

A cerimônia de premiação ocorreu durante o próprio Seminário Hospitais Saudáveis, promovido pelo Projeto Hospitais Saudáveis (PHS). O Prêmio Amigo do Meio Ambiente busca inspirar profissionais e gestores da saúde a consolidarem uma cultura permanente de preservação ambiental, incentivando a adoção de soluções efetivas e ecologicamente sustentáveis nas instituições de saúde.

De acordo com Éder Viana, o reconhecimento reforça o compromisso da Santa Casa de Passos com a responsabilidade socioambiental e com a busca constante por inovações que aliem cuidado à saúde e respeito ao meio ambiente.

Projeto ambiental da Santa Casa de Passos é reconhecido em premiação nacional – Foto: divulgação
Projeto ambiental da Santa Casa de Passos é reconhecido em premiação nacional – Foto: divulgação

Minas Gerais passa a oferecer teste genético gratuito para detecção de câncer de mama e de ovário

Minas Gerais passa a oferecer teste genético gratuito para detecção de câncer de mama e de ovário – Foto: divulgação

O vice-governador de Minas Gerais, Mateus Simões, e o secretário de Estado de Saúde (SES-MG), Fábio Baccheretti, anunciaram, nesta terça-feira (28/10), em Belo Horizonte, que o Governo de Minas passa a oferecer gratuitamente, pelo Sistema Único de Saúde (SUS), o teste genético para detecção de mutações nos genes BRCA1 e BRCA2, associados aos cânceres de mama e de ovário hereditários.

O Estado vai investir R$ 1,1 mil por teste, com 2 mil exames previstos por ano, totalizando mais de R$ 9,8 milhões em recursos. O investimento inclui o cofinanciamento dos procedimentos clínicos complementares, garantindo o acompanhamento integral das usuárias na rede pública.

Para o vice-governador, a possibilidade de recorrer a este tipo de teste na rede pública de saúde vai proporcionar assertividade do diagnóstico e um tratamento mais precoce e efetivo contra o câncer.

“É um exame de sangue ou de saliva e que possibilita a identificação do risco efetivo do surgimento da doença, mudando os protocolos e o acompanhamento das mulheres que são propícias a desenvolver estes dois tipos de câncer”, explicou Mateus Simões.

A iniciativa cumpre a Lei Estadual nº 23.449 e será voltada a mulheres com histórico pessoal ou familiar das doenças, consideradas de alto risco genético, conforme critérios definidos em resolução específica da Secretaria de Estado de Saúde.

Mamografia ampliada

Além de disponibilizar o teste genético gratuitamente, o vice-governador anunciou a ampliação da realização dos exames de mamografias pelo SUS em Minas Gerais para mulheres de 40 a 74 anos, com realização a cada dois anos. Até então, o procedimento era garantido apenas para a faixa etária de 50 a 69 anos.

De acordo com Simões, a disponibilização da mamografia para estas novas faixas etárias irá aumentar a identificação precoce da doença, aumentando as chances de cura.

“O governo vai pagar a mamografia para todas as mulheres a partir de 40 anos de idade, basta que elas compareçam ao posto de saúde e peçam a marcação do exame. Não há nenhuma necessidade de consulta médica para recomendação de realização do exame. Isso muda muito a nossa condição de diagnóstico precoce porque 50% dos casos acontecem em mulheres com menos de 50 anos de idade”, explicou.

Durante o evento, o vice-governador também divulgou o repasse de R$ 15 milhões para o Instituto Mário Pena para que ele possa converter a unidade de tratamento oncológico localizada no Hospital Luxemburgo para atender 100% da demanda do SUS.

Diagnóstico e tratamento

Minas Gerais passa a oferecer teste genético gratuito para detecção de câncer de mama e de ovário – Foto: divulgação

Os testes serão realizados por meio de convênio com a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), que também irá promover capacitações e discussões de casos clínicos com médicos e enfermeiros, especialmente por meio do Telessaúde.

O programa de testagem está previsto para começar no início de 2026, após a formalização do acordo com a UFMG e a definição das etapas operacionais junto à rede pública de saúde.

O exame utiliza uma amostra de sangue ou saliva e dispensa jejum. O resultado pode ser positivo, negativo ou inconclusivo, e um resultado positivo não significa o desenvolvimento da doença, mas indica risco aumentado que requer acompanhamento contínuo.

Além do diagnóstico genético, o SUS garante todas as modalidades de tratamento, como cirurgias, reconstrução mamária, quimioterapia, radioterapia, hormonioterapia e terapias-alvo, conforme o tipo e o estágio da doença.

Os casos suspeitos serão encaminhados pelas Secretarias Municipais de Saúde às Comissões Municipais de Oncologia, que organizam o atendimento nos hospitais habilitados.

A SES-MG irá publicar uma normativa específica com as diretrizes, fluxos e critérios técnicos para a execução dos testes.

Esperança para as próximas gerações

Minas Gerais passa a oferecer teste genético gratuito para detecção de câncer de mama e de ovário – Foto: divulgação

A chegada do teste genético na rede pública de saúde e a ampliação do exame de mamografia para mulheres abaixo dos 50 anos trazem alívio e confiança para a educadora infantil Elania Abreu Dutra, que aos 37 anos foi diagnosticada com o câncer de mama. Para ela estes avanços vão trazer mais esperança para as mulheres mineiras, em especial as da sua família, que já teve um caso relacionado com a doença.

“Acho um avanço extremamente importante para as pacientes, principalmente, para as que fazem o tratamento pelo o SUS. A notícia do teste e da ampliação do exame traz mais tranquilidade para mim, para a minha filha, para os meus familiares e para o meu tratamento porque acredito se for detectado alguma alteração nestes exames, posso fazer alguma cirurgia de prevenção, impedindo que este tumor volte”, contou.

Cenário em Minas Gerais

De acordo com o Painel de Monitoramento do Tratamento Oncológico da SES-MG, Minas Gerais registrou 6.907 novos casos de câncer de mama em 2024, e 2.767 em 2025. No mesmo período, foram contabilizados 2.970 óbitos em decorrência da doença, 1.932 em 2024 e 1.038 entre janeiro e agosto de 2025.

Fortalecimento da rede oncológica

Para aprimorar o cuidado integral às mulheres e ampliar o diagnóstico precoce, o Governo de Minas lançou, em 2024, o programa Cuidar na Hora Certa, com investimento de R$ 24,4 milhões por ano. A iniciativa busca reduzir a morbimortalidade por câncer de mama e agilizar o acesso ao tratamento em todo o estado.

“Nós tratamos do câncer início ao fim e, além disso, nós estamos tentando desburocratizar cada etapa. Nós queremos que as mulheres tenham a autonomia de fazer, dentro do protocolo, a mamografia na hora que quiser, sem ter que ficar-se indo muito a postos de saúde, numa consulta médica, como é o direito das mulheres. E é um dever nosso garantir esse acesso”, destacou o secretário de Estado de Saúde, Fábio Baccheretti.

O programa atua em cinco eixos principais:


•          Ampliação da oferta de mamografias de rastreamento;

•          Expansão da cobertura para todas as microrregiões;

•          Redução do tempo entre a solicitação e a biópsia;

•          Fortalecimento da vigilância e do monitoramento dos casos;

•          Agilidade na transição entre diagnóstico e início do tratamento.


Além disso, o Governo do Estado destinou R$ 77 milhões à aquisição de mamógrafos digitais para os municípios, beneficiando 62 instituições em 45 cidades.

Atualmente, Minas Gerais conta com 32 hospitais habilitados como Unidades de Assistência de Alta Complexidade em Oncologia (Unacon), quatro Centros de Assistência de Alta Complexidade (Cacon) e um hospital geral com cirurgia oncológica de alta complexidade.

Pesquisa realizada em Minas Gerais desenvolve tecnologia para garantir leite mais nutritivo a bebês prematuros

Pesquisa realizada em Minas Gerais desenvolve tecnologia para garantir leite mais nutritivo a bebês prematuros – Foto: divulgação

Bebês prematuros internados em Unidade de Terapia Intensiva (UTIs) neonatais poderão receber um leite materno mais nutritivo e completo graças a uma pesquisa desenvolvida pelo Instituto de Laticínios Cândido Tostes da Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig ILCT) em parceria com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

O estudo, em andamento desde 2019, adapta tecnologias usadas na indústria de laticínios para melhorar o aproveitamento do leite humano doado, reduzindo a perda de gordura e nutrientes essenciais.

A proposta busca aumentar a disponibilidade deste alimento e, consequentemente, reduzir a mortalidade de prematuros extremos, bebês com menos de 1,5 quilo. “O trabalho consiste na adaptação de tecnologias usadas na indústria do leite para a aplicação em bancos de leite humano”, define a pesquisadora e professora da Epamig ILCT, Denise Sobral.

Pesquisadora da área de Nutrição Neonatal e de Leite Materno para Prematuros na Fiocruz, a médica neonatologista Maria Elizabeth Moreira conta que, há quase duas décadas, a equipe buscava uma instituição parceira para trabalhar com o manuseio do leite materno.

“Esse casamento com a Epamig ILCT foi perfeito. Ainda mais, trabalhando essa questão junto ao Banco de Leite Humano do Instituto Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz) e quem vai se beneficiar muito disso serão os nossos bebês”, afirma.

Homogeneização do leite

Um dos projetos em vigor avalia o processo de homogeneização do leite humano. O objetivo é evitar a perda da gordura e nutrientes deste leite que será oferecido a bebês internados em UTIs neonatais. A separação de fases e a perda da gordura são um grande desafio enfrentado pelos bancos de leite.

“A gordura do leite humano se separa naturalmente após a doação, nos processos de congelamento, descongelamento, transporte, pasteurização e fica aderida aos frascos e sondas. Com isso, o leite oferecido nas UTIs neonatais fica parcialmente desnatado, quando o bebê precisaria de mais calorias para sobreviver”, explica Denise Sobral.

“A ideia foi processar o leite humano em um homogeneizador de pequeno porte. No processamento, esse leite é forçado a passar em pequenos orifícios, então o glóbulo de gordura que é grande, se subdivide em pequenos glóbulos que não se separam mais e também não se aderem às superfícies”, detalha.

Andamento das pesquisas

Pesquisa realizada em Minas Gerais desenvolve tecnologia para garantir leite mais nutritivo a bebês prematuros – Foto: divulgação

A primeira fase de experimentos definiu as condições de processamento, por meio de diferentes pressões e temperaturas. A etapa atual consiste em averiguar se o leite preserva os nutrientes e fatores de imunidade e em simular o comportamento desse leite nas bombas de infusão, como as usadas nas UTIs neonatais.

“Estamos na fase pré-clínica. No visual, conseguimos distinguir o leite homogeneizado daquele que não passou pelo processamento, é perceptível que não há a separação de fases. Também estamos simulando a alimentação por sonda e bombas de infusão”, informa o gestor do Laboratório de Controle de Qualidade de Leite Humano da Fiocruz, Jonas Borges da Silva.

“Se tudo transcorrer como previsto, deveremos realizar os testes clínicos já em 2026. Esperamos que esse trabalho resulte no aumento da disponibilidade de conteúdo calórico no leite humano fornecido para bebês internados em UTIs neonatais”, acrescenta Jonas.

Responsável pela pesquisa clínica, a neonatologista Maria Elizabeth Moreira destaca que antes da oferta aos bebês este leite passa por avaliações de segurança, eficiência e de efeitos adversos.

“Ao final queremos ofertar um leite humano que seja totalmente aproveitado por esses prematuros impactando no crescimento, no neurodesenvolvimento, no comprimento e no peso de cada bebê. Essa homogeneização que estamos trabalhando junto com o Instituto Cândido Tostes busca reduzir ao máximo a perda de nutrientes”.

“Os resultados até agora são o que a gente esperava. Estou muito orgulhosa de participar desse projeto. Eu acho que, em breve, vamos conseguir oferecer um leite de melhor qualidade para esses bebês que precisam tanto”, comemora Denise Sobral.

Jornal Folha Regional
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