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Jornal Folha Regional

Com investimento de R$ 42,3 milhões, Governo de Minas fortalece o atendimento a doentes raros e pessoas com Transtorno do Espectro Autista

Com investimento de R$ 42,3 milhões, Governo de Minas fortalece o atendimento a doentes raros e pessoas com Transtorno do Espectro Autista – Foto: divulgação

“À medida que os meninos vão crescendo, a diferença da idade cronológica para o desenvolvimento deles é gigante. E, aqui na Apae, ele é acolhido. Estou muito feliz”. A declaração, com um misto de alívio e esperança, é de Arlete Cristina da Cruz, mãe do pequeno Davi da Cruz, de 10 anos.

Depois de enfrentar muitos desafios na educação do filho – uma criança atípica com Transtorno do Espectro Autista – no ensino regular, Arlete enfim encontrou na Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) a “tranquilidade”. O acolhimento especializado, bem como a compreensão das necessidades do filho e da família mudaram a vida da anestesista.

Nesta segunda-feira (20/10), Arlete e outras muitas mães e pais de crianças atípicas por toda Minas Gerais ganharam mais um motivo para comemorar. O Governo de Minas anunciou que serão repassados R$ 42,3 milhões para equipar as Associações de Pais e Amigos dos Excepcionais e fortalecer o atendimento em diferentes regiões do estado, mantendo o compromisso com o cuidado com as pessoas com deficiência intelectual, múltipla e com doenças raras.

A novidade foi comunicada pelo secretário de Estado de Governo, Marcelo Aro, e vai abranger 141 Apaes de diferentes regiões mineiras. De acordo com Aro, os investimentos atendem a uma demanda em comum das unidades do interior pela instalação de salas multissensoriais para o atendimento especializado desse público.

“Essa sala traz para a criança com doença rara ou com alguma deficiência o desenvolvimento cognitivo”, explicou Aro. O secretário lembrou que o sonho de levar o espaço para todo o estado nasceu da experiência de ver a evolução da filha mais velha após o uso das salas. “Ano passado, levamos 31 salas multissensoriais para o interior e, agora, estamos levando mais todas essas que foram aqui anunciadas”, disse.

O evento também contou com a participação do secretário de Estado de Saúde, Fábio Baccheretti, que agradeceu às Apaes pelo trabalho realizado. “Vocês são merecedores de tudo que estamos fazendo. Vocês estão, cada vez mais, amparados pelas políticas públicas do estado de Minas, e isso vai continuar. Contem conosco para que a gente tenha, em vocês, a melhor forma de entregar valor e dar uma saúde com humanização para cada mineiro neste estado”, afirmou Baccheretti.

Distribuição dos recursos

Com investimento de R$ 42,3 milhões, Governo de Minas fortalece o atendimento a doentes raros e pessoas com Transtorno do Espectro Autista – Foto: divulgação

Serão contempladas entidades que possuem Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES) e que estão inscritas no Conselho da Pessoa com Deficiência. Cada associação receberá R$ 300 mil para a implementação de salas multissensoriais.

“Que nós possamos, juntos com este Governo, que não só acredita no trabalho das nossas Apaes, mas no potencial da vida, da pessoa com deficiência, destravar Minas Gerais ao lado dos nossos amigos”, agradeceu a presidente da Federação das Apaes do Estado de Minas Gerais (Feapaes-MG), Gláucia Boaretto.

As salas são ambientes especialmente projetados para promover a reabilitação sensorial, cognitiva e motora de forma lúdica e terapêutica, proporcionando estímulos fundamentais para o desenvolvimento de pessoas com deficiência, doenças raras e Transtorno do Espectro Autista (TEA). Elas são equipadas com recursos modernos e adaptados às necessidades específicas dos usuários.

“O caminho é esse. Estou muito feliz (com os investimentos). Acho que tem de aumentar recursos para ajudar mesmo, para que a gente siga e consiga trazer mais crianças assim. Sei que existem mais mães e que estão precisando de um lugar para um acolhimento melhor”, elogiou Arlete.

O investimento desta segunda-feira soma-se ao aporte de R$ 9,3 milhões já realizado pelo Governo de Minas e que resultou na implementação de parques multissensoriais em 31 Centros Especializados em Reabilitação (CERs) do estado.

A ação faz parte do escopo do Programa Mineiro de Acessibilidade, Inclusão e Saúde (Promais), iniciativa do Governo de Minas que centraliza todas as ações voltadas às pessoas com deficiência e doenças raras, com foco em aumentar a eficiência e capilaridade dessas ações no estado.

As Apaes oferecem assistência integral nas áreas de educação, saúde e assistência social. A instituição atua na defesa de direitos, promoção da autonomia, capacitação profissional e na conscientização da sociedade para combater o preconceito.

Direitos das pessoas com doenças raras

Com investimento de R$ 42,3 milhões, Governo de Minas fortalece o atendimento a doentes raros e pessoas com Transtorno do Espectro Autista – Foto: divulgação

Durante a reunião, também foi detalhada a lei que cria o Estatuto das Pessoas com Doenças Raras. De autoria do deputado estadual Zé Guilherme, a legislação será sancionada e publicada no Diário Oficial de Minas Gerais desta terça-feira (21/10).

A medida representa a consolidação e cria um marco jurídico em defesa dos direitos das pessoas com doenças raras. O Estatuto visa a facilitar o diagnóstico precoce e o acesso a exames genéticos especializados, além de promover a inclusão social, implementando políticas de inclusão educacional, profissional e social, combatendo a discriminação e o preconceito, entre outros.

Estima-se que, atualmente, existam cerca de 13 milhões de pessoas com doenças raras no Brasil, o que representa aproximadamente 8% da população.

Santa Casa de Passos anuncia aquisição de tecnologia robótica para cirurgias ortopédicas

A Santa Casa de Passos (MG) anunciou, no último sábado (11), a chegada de um equipamento de última geração destinado a cirurgias ortopédicas robóticas. A aquisição representa um marco histórico para a instituição, que passa a integrar o seleto grupo de hospitais brasileiros com acesso a essa tecnologia de alta precisão.

O investimento foi viabilizado por meio de uma emenda parlamentar do deputado estadual Cássio Soares, reconhecido pelo apoio constante à Santa Casa e ao fortalecimento da saúde na região.

Em vídeo divulgado pela instituição, o deputado Cássio Soares, o provedor da Santa Casa, Dr. Vivaldo, e o superintendente geral, Daniel Porto Soares, destacaram a importância do novo equipamento. Eles ressaltaram que a tecnologia trará avanços significativos em inovação, precisão cirúrgica e qualidade no atendimento aos pacientes.

Com a chegada do robô cirúrgico, a Santa Casa de Passos dá mais um passo em direção a uma saúde regional mais moderna, segura e acessível, consolidando-se como referência em tecnologia médica no interior de Minas Gerais.

Cidade de MG tem novo caso de febre maculosa confirmado

Cidade de MG tem novo caso de febre maculosa confirmado – Foto: reprodução

A cidade de Matozinhos, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, confirmou um novo caso de febre maculosa. A informação foi divulgada pela Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG) no boletim epidemiológico que reúne dados até 13 de outubro. Com essa atualização, o município passa a contabilizar três casos confirmados da doença, dois deles com resultado fatal.

O boletim epidemiológico também registrou um novo caso suspeito da doença em Minas Gerais. A notificação foi feita em Belo Horizonte, cidade que, segundo o informe estadual, possui cinco casos confirmados e nenhuma morte. A Secretaria Municipal de Saúde da capital, no entanto, informa que quatro casos de febre maculosa foram confirmados no município neste ano.

“A Prefeitura mantém uma vigilância epidemiológica contínua e sistemática, voltada à prevenção e à redução dos riscos de ocorrência da febre maculosa. São realizadas ações de conscientização e orientação da população”, informou a Prefeitura de Belo Horizonte ao ser questionada pela reportagem sobre o caso suspeito.

Procurada, a Prefeitura de Matozinhos não se manifestou sobre o novo caso de febre maculosa confirmado. A reportagem será atualizada com o posicionamento.

Casos em MG

Com o novo caso confirmado e outro em investigação, Minas Gerais contabiliza 33 casos de febre maculosa confirmados e 12 em apuração em 2025. Neste ano, cinco pessoas morreram em decorrência da doença no estado. As mortes foram registradas em Caeté (2), Matozinhos (2) e Caratinga (1).

“A SES-MG reforça que a febre maculosa é uma doença grave, transmitida pela picada de carrapatos infectados, e que o diagnóstico precoce e o início imediato do tratamento são fundamentais para evitar complicações e óbitos”, destacou a pasta.

A quantidade de casos confirmados em 2025 é, no entanto, inferior à registrada nos dois últimos anos. Em 2024, foram 95 casos confirmados e quatro mortes; em 2023, 90 casos e 20 óbitos.

“A SES-MG destaca que a principal forma de prevenir a febre maculosa é evitar o contato com carrapatos. Para isso, recomenda-se o uso de roupas claras, de mangas compridas, calçados fechados e meias de cano alto em áreas de mata, pasto ou locais com presença de animais. O uso de repelentes à base de icaridina também é eficaz”, acrescentou a pasta.

Ações

De acordo com a Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG), como forma de prevenção, a pasta tem feito o monitoramento contínuo dos casos suspeitos e confirmados. Ainda conforme a pasta, tem sido realizadas “capacitações periódicas para profissionais de saúde, divulgação de materiais técnicos e de orientação e apoio as ações municipais de vigilância e educação em saúde”.    

Minas Gerais recebe 152 unidades do antídoto fomepizol para tratar intoxicações por metanol

Minas Gerais recebe 152 unidades do antídoto fomepizol para tratar intoxicações por metanol – Foto: reprodução

O Ministério da Saúde recebeu um lote com 2,5 mil unidades do antídoto fomepizol para reforçar o estoque estratégico do SUS destinado ao tratamento de intoxicações por metanol, associadas ao consumo de bebidas adulteradas. O estado de Minas recebeu 152 unidades do antídoto. O medicamento foi enviado para todos os estados e o Distrito Federal, e 1.000 ampolas permanecerão no estoque estratégico do Ministério. A entrega do lote ocorreu na quinta-feira (9).

A aquisição é inédita no Brasil, realizada com a subsidiária de uma empresa japonesa, e ocorreu apenas oito dias após o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, acionar o Fundo Estratégico da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas). O medicamento é considerado raro devido à baixa produção mundial.

“Já temos no Brasil o etanol disponibilizado em todas as unidades da federação. As compras foram realizadas pelo Ministério da Saúde em parceria com a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), e os hospitais de clínicas já contam com esse insumo. O que estamos oferecendo agora é uma segunda opção, o fomepizol, adquirido via Opas com apoio da Anvisa: são 2.500 ampolas que já estão sendo entregues. O objetivo é que todos os estados do país tenham à disposição tanto o etanol quanto o fomepizol”, explicou a secretária de Vigilância em Saúde e Ambiente da pasta, Mariângela Simão.

As unidades federativas poderão solicitar o envio de novas remessas, de acordo com a necessidade apresentada e os registros de casos. O quantitativo de ampolas para cada estado foi definido considerando a população divulgada pelo último censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), assegurando a oferta equânime à população e a resposta eficaz às emergências toxicológicas.

Eficácia e segurança do tratamento

fomepizol é mais uma alternativa ao tratamento já realizado por meio do etanol farmacêutico. É utilizado em casos de intoxicação por metanol. Com alta eficácia e segurança, o medicamento impede que o metanol se metabolize em ácido fórmico, evitando acidose metabólica. 

Devido à baixa demanda e ao elevado custo no mercado, sua produção e oferta são limitadas mundialmente. Para identificar potenciais fornecedores para a oferta ao SUS, o Ministério da Saúde encaminhou ofícios às empresas internacionais que fabricam o medicamento. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) também publicou chamada pública para identificar fornecedores internacionais do medicamento.

Com relação ao etanol farmacêutico, a pasta receberá nos próximos diasa doação da empresa brasileira Cristália Produtos Químicos e Farmacêuticos de mais 3,8 mil ampolas do remédio para garantir o tratamento emergencial de pacientes intoxicados. Esses exemplares se somarão aos 4,3 mil entregues aos estoques do SUS pelos hospitais universitários federais, em parceria com a Ebserh.

Atualização de casos

Até o dia 13 de outubro, o Brasil registra 213 notificações de intoxicação por metanol após o consumo de bebidas alcoólicas. Dessas, 32 casos foram confirmados e 181 permanecem em investigação.  O estado de Minas Gerais conta com uma ocorrência que ainda está sendo investigada.     

Em relação aos óbitos, São Paulo é o único estado que registra mortes até o momento com 5 ocorrências. Outros 9 casos seguem em investigação.

Cresce número de jovens com infarto no Brasil; entenda

Cresce número de jovens com infarto no Brasil; entenda – Foto: reprodução

O Brasil enfrenta um aumento preocupante no número de jovens vítimas de infarto. Segundo dados do SUS (Sistema Único de Saúde), as internações de pessoas com menos de 39 anos mais que dobraram nos últimos 16 anos, evidenciando uma tendência alarmante na saúde cardiovascular da população jovem.

O cenário atual é resultado de diversos fatores de risco, incluindo obesidade, sedentarismo e o uso de cigarro eletrônico. Em relação aos dispositivos de vaping, alertas indicam que podem ser tão ou mais nocivos que o cigarro convencional, com concentrações de nicotina potencialmente mais elevadas.

Fatores de risco e negligência no tratamento
Além do tabagismo em suas diferentes formas, o uso de substâncias como maconha pode aumentar em até cinco vezes a incidência de infarto. A hipertensão arterial também é um fator crítico, com apenas 30% dos pacientes diagnosticados seguindo adequadamente o tratamento médico prescrito.

O componente hereditário também desempenha papel crucial no desenvolvimento da doença. Pessoas com histórico familiar de infarto precisam redobrar os cuidados preventivos, iniciando o acompanhamento médico mais precocemente.

Sintomas e prevenção

Os sinais de infarto podem ser traiçoeiros e nem sempre se manifestam de forma clássica, com dor no peito e irradiação para o braço esquerdo. Em alguns casos, os sintomas podem ser confundidos com ansiedade ou mal-estar gástrico, ressaltando a importância de buscar atendimento médico ao perceber qualquer alteração suspeita.

A prevenção continua sendo a principal ferramenta contra o infarto, que segue como uma das principais causas de morte no mundo. Manter hábitos saudáveis, praticar exercícios físicos regularmente e realizar check-ups periódicos são medidas fundamentais para reduzir os riscos, especialmente entre os mais jovens.

Ministério da Saúde recebe medicamento inédito para tratamento de câncer de mama no SUS

Ministério da Saúde recebe medicamento inédito para tratamento de câncer de mama no SUS – Foto: divulgação

Um medicamento inédito para o tratamento do câncer de mama foi incorporado ao SUS. O Ministério da Saúde recebeu nesta segunda-feira o primeiro lote do Trastuzumabe Entansina, medicamento de última geração para o tratamento do câncer de mama HER2-positivo, relacionado à maior agressividade da doença.

São cerca de 12 mil unidades, de 100 e 160 mg, do medicamento. Ao todo, serão quatro lotes do Trastuzumabe. As próximas entregas estão previstas para dezembro de 2025, março e junho de 2026, alcançando 100% da demanda atual. Os insumos vão beneficiar 1.144 pacientes ainda este ano.

Segundo o Ministério da Saúde, o medicamento foi negociado com valor 50% abaixo do preço de mercado. O investimento total foi de R$ 159 milhões.

O Trastuzumabe Entansina é indicado para mulheres que ainda apresentam sintomas da doença após a quimioterapia inicial, em casos de câncer de mama HER2-positivo em estágio III.

O governo federal também avança na oferta de inibidores de ciclinas indicados para o tratamento de câncer de mama avançado ou metastático com receptor hormonal positivo ou HER2-negativo.

A portaria que autoriza a compra descentralizada desses medicamentos será publicada ainda neste mês, quando acontece a campanha Outubro Rosa, de conscientização sobre a importância da prevenção e do diagnóstico precoce do câncer de mama.

STF proíbe reajuste de planos de saúde para idosos

STF proíbe reajuste de planos de saúde para idosos – Foto: reprodução

O Plenário do Supremo Tribunal Federal decidiu na última semana, que os planos de saúde não podem aumentar suas mensalidades para idosos em razão da idade, mesmo nos contratos firmados antes da vigência do Estatuto da Pessoa Idosa (Lei 10.741/2003). Essa norma proíbe a discriminação “pela cobrança de valores diferenciados em razão da idade”.

O presidente da corte, ministro Edson Fachin, ainda não proclamou o resultado do julgamento. No caso concreto, a Unimed questionou decisão do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul que declarou abusivo o aumento de mensalidades em razão da idade dos beneficiados.

Fachin deixou para proclamar o resultado em outro momento porque há vários casos semelhantes sendo julgados em outras instâncias e, inclusive, no próprio Supremo, com impasses sobre os reajustes para idosos. Um deles é a Ação Declaratória de Constitucionalidade 90, cujo julgamento foi suspenso por pedido de vista do ministro Flávio Dino. Foi decidido nesta quarta que Dino pedirá destaque da ADC para levar a análise também ao Plenário físico.

Assim, somente após o julgamento dessa ação Fachin vai proclamar o resultado do recurso julgado nesta quarta, a fim de alinhar as teses e manter uma linha coerente.

Os votos

A ação começou a ser julgada em 2020, no Plenário virtual, mas foi destacada para o Plenário físico a pedido do ministro Gilmar Mendes. Antes da interrupção, a relatora da matéria, ministra Rosa Weber (hoje aposentada), votou para rejeitar o recurso do plano de saúde.

Ela foi acompanhada na época pelos ministros Edson Fachin e Alexandre de Moraes, além dos ministros Ricardo Lewandowski e Celso de Mello, que também se aposentaram.

Já no Plenário físico, Gilmar e a ministra Cármen Lúcia acompanharam o entendimento de Rosa, assim como Fachin e Alexandre, que mantiveram o voto do julgamento virtual a favor da tese da relatora. Assim, foram sete votos para negar o recurso.

O ministro aposentado Marco Aurélio abriu divergência e foi acompanhado pelo ministro Dias Toffoli, que sustentou esse entendimento nesta tarde. Os ministros Luís Roberto Barroso e Luiz Fux se declararam impedidos de julgar a matéria.

A operadora de planos de saúde Amil, a Agência Nacional de Saúde (ANS), a Federação Nacional de Saúde Suplementar (Fenasaúde), o Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) e o Grupo de Atuação Estratégica das Defensorias Públicas Estaduais nos Tribunais Superiores (Gaets) entraram no julgamento como amici curiae (amigos da corte).

ADC 90

Na ADC 90, o questionamento é semelhante ao feito pela Unimed no recurso julgado nesta quarta, já que a Confederação Nacional das Seguradoras (CNSeg) pediu que o trecho do Estatuto da Pessoa Idosa sobre aumentos para idosos não retroaja para os contratos anteriores à norma. Assim, o dispositivo só teria efeito sobre os planos de saúde contratados depois do início de sua vigência, em janeiro de 2004.

A entidade argumentou que a aplicação da norma em contratos anteriores ofenderia os preceitos constitucionais que impedem a retroatividade lesiva e garantem a segurança jurídica. E também violaria os princípios da livre iniciativa e da autonomia privada, uma vez que os termos da prestação do serviço foram formulados conforme a legislação da época.

O relator da ação, Dias Toffoli, votou a favor do pedido da CNSeg e foi acompanhado por André Mendonça e Cristiano Zanin.

Gilmar acompanhou o relator com uma ressalva. Para o decano, o parágrafo 3º do artigo 15 da Lei 10.741/2003 também deve ter efeito sobre os contratos anteriores à norma que tenham sido renovados depois de ela entrar em vigor.

Pesquisador de Piumhi se destaca na Fiocruz com estudo inovador sobre tratamento da tuberculose cerebral em crianças

Pesquisador de Piumhi se destaca na Fiocruz com estudo inovador sobre tratamento da tuberculose cerebral em crianças – Foto: redes sociais

O piumhiense Abel Alves Rosa Junior, de 41 anos, vem se consolidando como um dos nomes de destaque na área da pesquisa farmacêutica nacional. Desde 2012, ele atua como tecnologista em saúde pública na Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz/RJ), com foco na produção de medicamentos destinados ao Sistema Único de Saúde (SUS).

Farmacêutico-bioquímico industrial e mestre em Engenharia Química, Abel cursa atualmente um duplo doutorado: um em Pesquisa Translacional em Fármacos e Medicamentos pela Fiocruz (RJ), e outro em Engenharia Química pela Universidade de Aveiro, em Portugal.

Suas pesquisas concentram-se no desenvolvimento de tecnologias inovadoras para o tratamento da tuberculose cerebral, uma das formas mais graves da doença, que afeta especialmente crianças, podendo causar sequelas neurológicas ou até a morte. O principal desafio enfrentado pelos especialistas é a falta de medicamentos específicos para o público infantil — atualmente, as fórmulas utilizadas são adaptações de remédios adultos, com sabor e dosagem inadequados, o que dificulta a adesão ao tratamento.

Para enfrentar esse problema, Abel e sua equipe — que atuam de forma integrada entre o Rio de Janeiro e Portugal — desenvolvem novas formulações farmacêuticas por meio de impressão 3D. Essa tecnologia permite ajustar com precisão a dose de acordo com o peso de cada criança e possibilita a produção local dos medicamentos, facilitando a prescrição médica e melhorando o acompanhamento terapêutico.

O reconhecimento por seu trabalho veio também em 2024, quando Abel foi aceito como membro associado da Academia de Ciências Farmacêuticas do Brasil (ACBF) — uma das mais tradicionais instituições científicas do país, dedicada à promoção da pesquisa, educação e consultoria nas Ciências Farmacêuticas.

A ACBF, que reúne profissionais de diferentes áreas da saúde, completa 100 anos em 2025. Entre as celebrações previstas está uma sessão solene no Senado Federal, marcando um século de contribuições à ciência e à inovação no campo farmacêutico.

Anvisa busca antídoto no exterior após aumento de casos de bebidas adulteradas

Anvisa busca antídoto no exterior após aumento de casos de bebidas adulteradas – Foto: UFMG

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) acionou fabricantes internacionais em busca do Fomepizol, considerado antídoto para intoxicações por metanol. Como o remédio não é encontrado no Brasil, o governo tenta viabilizar sua importação emergencial.

Diante do aumento de casos de bebidas adulteradas, a Anvisa também procurou autoridades reguladoras internacionais, entre elas a FDA, dos Estados Unidos, e a EMA, da União Europeia, além de agências da Argentina, México, Canadá, Japão, Reino Unido, China, Suíça e Austrália.

Além disso, a agência publicou um edital de chamamento internacional para localizar laboratórios e distribuidores com estoque disponível do medicamento. A medida atende a um pedido do Ministério da Saúde.

O aumento de registros de intoxicação por metanol em diferentes estados do Brasil acendeu o alerta das autoridades de saúde, que tratam o caso como prioridade nacional. O governo afirmou, por ora, que o país tem 11 casos confirmados e 48 suspeitos.

O que está acontecendo 

O metanol é um álcool industrial, altamente tóxico, que não deveria estar presente em bebidas destinadas ao consumo humano. Por ser mais barato que o álcool comum usado em bebidas, criminosos o utilizam para adulterá-las, reduzindo custos e aumentando o rendimento.

O organismo humano não consegue metabolizar o metanol de forma segura. Quando ingerido, ele se transforma em compostos tóxicos que podem causar náusea, vômito e dor abdominal; cegueira irreversível; lesões neurológicas; e, em doses mais altas, até a morte.

O Ministério da Saúde orienta que qualquer pessoa que, entre 12 e 24 horas após consumir bebida alcoólica, apresente sinais como embriaguez prolongada, desconforto gástrico ou alterações na visão, deve procurar imediatamente um serviço de saúde para atendimento emergencial.

Doença que pode levar a morte em um dia tem 33 casos no Paraná

Doença que pode levar a morte em um dia tem 33 casos no Paraná – Foto: reprodução

Você já ouviu falar que uma infecção pode levar alguém à morte em apenas um dia? Pois é, a meningite meningocócica é exatamente esse tipo de ameaça. Causada pela bactéria Neisseria meningitidis (ou simplesmente meningococo), essa doença provoca uma inflamação nas membranas que envolvem nosso cérebro e medula espinhal, podendo deixar sequelas permanentes ou até mesmo ser fatal em questão de horas.

Os números são alarmantes. Segundo o painel epidemiológico do Ministério da Saúde, nos últimos dois anos (2023 e 2024), o Brasil registrou 1550 casos de doença meningocócica, com 331 mortes. Aqui no Paraná, foram 68 casos no mesmo período, com 14 óbitos – uma taxa de letalidade de 20%. Em 2025 houve 33 casos registrados no estado.

O problema é que os primeiros sinais podem enganar qualquer um. Febre, irritabilidade, dor de cabeça, náusea e vômito são sintomas que facilmente confundimos com outras doenças infecciosas, dificultando o diagnóstico inicial. Depois vêm os sintomas mais característicos: manchinhas arroxeadas na pele, rigidez na nuca e sensibilidade à luz. Se não houver tratamento rápido, a coisa fica séria: confusão mental, convulsão, choque, infecção generalizada, falência múltipla de órgãos e risco de morte.

“Se a doença for diagnosticada rapidamente e o tratamento adequado for iniciado, a maior parte dos pacientes pode se curar completamente. Por isso é importante ter atenção aos sintomas e buscar atendimento médico adequado o quanto antes. No Brasil, a letalidade média dos últimos anos foi de 24%, e a mundial de 10% dos casos, mas se não for tratada, a doença pode ser fatal em até 50% dos casos. Dentre os sobreviventes, 10% a 20% apresentam alguma sequela grave como dano cerebral, perda auditiva ou amputação de membros”, explica Ana Medina (CRF-RJ 24671), farmacêutica, imunologista e gerente médica de vacinas da GSK.

Um detalhe super importante: o meningococo tem pelo menos 12 sorogrupos identificados, mas seis deles são os mais comuns: A, B, C, W, X e Y. Apesar de atacar principalmente crianças menores de 5 anos, a meningite meningocócica não escolhe idade. E tem mais: até 23% dos adolescentes e adultos jovens podem carregar o meningococo sem apresentar sintomas (os chamados portadores assintomáticos). Esse grupo não só pode desenvolver a doença como é o principal transmissor da bactéria.

Como se proteger?

A vacinação é, sem dúvida, a forma mais efetiva de prevenção. Atualmente, existem vacinas diferentes para cinco sorogrupos da doença: A, B, C, W e Y.

Pelo SUS, o Programa Nacional de Imunizações (PNI) oferece gratuitamente a vacina meningocócica C para bebês de 3 e 5 meses. Já a vacina meningocócica ACWY é dada como reforço aos 12 meses e para adolescentes de 11 a 14 anos (dose única ou reforço, conforme o calendário vacinal).

Na rede particular, as sociedades médicas recomendam a vacina meningocócica B e a ACWY para todas as crianças, com esquema aos 3, 5 e 12 meses de vida. Para a ACWY, a recomendação inclui dois reforços até a adolescência. Já para a meningocócica B, são indicadas duas doses para adolescentes que não foram vacinados antes.

Além das vacinas, outras medidas de prevenção incluem evitar aglomerações e manter os ambientes sempre bem ventilados e limpos.

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