Governo de Minas amplia combate às arboviroses com início da vacinação contra chikungunya – Foto: divulgação
A vacina contra a chikungunya começou a ser aplicada em Minas Gerais nesta segunda-feira (23/2). Sabará, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, e Congonhas, na região Central do estado, iniciaram a imunização dentro de um projeto-piloto coordenado pelo Ministério da Saúde.
A estratégia vai avaliar a efetividade e a segurança do imunizante em uso real e pode subsidiar futuras decisões sobre a ampliação da oferta no Sistema Único de Saúde (SUS). O início da aplicação foi acompanhado pelo secretário de Estado de Saúde, Fábio Baccheretti, em Sabará.
“Minas Gerais foi escolhida entre os 27 estados pela capacidade de acompanhar os casos e realizar a testagem. A expectativa é que, com os dados coletados, os gestores tenham subsídios para ampliar a estratégia e avançar na vacinação da população”, destacou Baccheretti.
Nesta primeira etapa, Minas recebeu 28,8 mil doses. Desse total, 19,2 mil foram destinadas a Sabará e 9,6 mil a Congonhas. Santa Luzia e Sete Lagoas também integram a estratégia e iniciam a vacinação em 25/3. A escolha considerou critérios técnicos, epidemiológicos e a capacidade de monitoramento local.
O imunizante, desenvolvido pelo Instituto Butantan em parceria com a farmacêutica Valneva, é aplicado em dose única e estimula o sistema imunológico a produzir resposta contra o vírus. Nos estudos clínicos, quase 99% dos 4 mil voluntários produziram anticorpos neutralizantes.
O publicitário Luiz Henrique Azeredo, 38 anos, foi o primeiro a receber a vacina na Unidade Básica de Saúde (UBS) do bairro Campo Santo Antônio, em Sabará. Ele decidiu se imunizar após acompanhar casos da doença na família.
“O relato de quem já teve chikungunya é que as dores são muito fortes. Minha mãe teve a doença e, até hoje, sente dores nas articulações. Quero me prevenir para não correr esse risco”, afirmou.
Quem pode se vacinar
A vacina é destinada à população adulta de 18 a 59 anos residente nos municípios participantes. Não devem receber o imunizante gestantes, lactantes, pessoas imunocomprometidas, em uso de imunossupressores, indivíduos com duas ou mais comorbidades ou com doença crônica descompensada, além de pessoas com histórico de reação alérgica a componentes da vacina.
A aplicação deve ser adiada em casos de febre ou para quem teve chikungunya nos últimos 30 dias. Também não é recomendada a administração simultânea com outras vacinas.
Investimentos e enfrentamento às arboviroses
Minas mantém investimentos contínuos no combate às arboviroses. A Secretaria de Estado de Saúde (SES/MG) destina cerca de R$ 210 milhões por ano para ações de prevenção, vigilância e assistência.
Em 2025, foram aplicados R$ 23,6 milhões em ações emergenciais e repassados R$ 35,1 milhões a consórcios intermunicipais. O Estado também antecipou R$ 47,3 milhões para reforçar equipes, ampliar exames e intensificar o uso de tecnologias como drones e ovitrampas, armadilhas utilizadas para monitorar a presença do mosquito Aedes aegypti.
O resultado foi a redução de 92% nos casos confirmados de dengue em 2025, na comparação com 2024.
Cenário epidemiológico em 2026
Até a última sexta-feira (20/2), Minas registrava 1.001 casos confirmados de chikungunya, sem óbitos neste ano. No mesmo período, foram confirmados 3.678 casos de dengue, com dois óbitos. Em relação à zika, houve um caso confirmado e nenhuma morte.
Karina Campos amplia atuação em lipedema após imersão com especialista nacional – Foto: divulgação
A esteticista Karina Campos participou recentemente de uma imersão especializada sobre Lipedema, realizada na cidade de Varginha (MG), ao lado de Ynaia Piedade, uma das principais referências nacionais no estudo e tratamento da condição.
A imersão reuniu profissionais da área da saúde e estética com foco no aprofundamento teórico e prático do lipedema. Durante a formação, Karina Campos teve contato direto com pacientes, participou de vivências clínicas supervisionadas e acompanhou a aplicação de protocolos que integram terapias manuais e tecnologias estéticas, estratégias fundamentais no manejo da doença.
O evento proporcionou atualização científica, troca de experiências entre profissionais e discussão de abordagens baseadas em evidências, reforçando a importância de um atendimento individualizado, humanizado e seguro para pacientes com lipedema.
Com a participação na imersão, Karina Campos amplia sua qualificação profissional e reforça seu compromisso com a atualização constante e a oferta de tratamentos cada vez mais especializados.
A partir dessa capacitação, Passos e região passam a contar com uma profissional qualificada para o atendimento de pacientes com lipedema, contribuindo para o acesso a cuidados mais adequados e atualizados na área.
Santa Casa de Passos realiza primeiro mutirão de cirurgias pediátricas – Foto: divulgação/Santa Casa de Passos
A Santa Casa de Passos (MG) realizou, no dia 24 de janeiro, o primeiro mutirão de cirurgias pediátricas da instituição. Durante o mutirão, 10 crianças foram operadas, totalizando 16 cirurgias, entre elas 8 hérnias inguinais, 4 hérnias umbilicais, 3 fimoses e 1 caso de criptorquidia. Os pacientes atendidos eram provenientes de Passos, Cássia, Carmo do Rio Claro e São João Batista do Glória.
A iniciativa contou com a participação de uma equipe multidisciplinar composta por 2 anestesistas, 3 cirurgiões, além da equipe do centro cirúrgico, com 6 técnicos de enfermagem, 2 enfermeiras supervisoras, profissionais da limpeza, transporte e setor administrativo.
Segundo a coordenação, apenas na rotina da mesma semana já haviam sido realizadas cirurgias em 16 crianças, somando 23 procedimentos. Ao longo de 2025, a Santa Casa de Passos realizou cirurgias em 418 crianças, totalizando 1.034 atendimentos pediátricos.
A instituição agradece e parabeniza todos os profissionais envolvidos, com destaque para os médicos Dr. Nilo, Dra. Bárbara e Dra. Mayara, além das equipes de anestesiologia, enfermagem do bloco cirúrgico e pediatria, coordenação, agendamento e internação. A união, dedicação e empenho coletivo foram fundamentais para o sucesso da ação.
Santa Casa de Passos realiza primeiro mutirão de cirurgias pediátricas – Foto: divulgação/Santa Casa de Passos
SUS oferece imunizante contra bronquiolite para bebês prematuros – Foto: reprodução
A partir deste mês, bebês prematuros e crianças de até dois anos com condições clínicas específicas poderão receber, pelo Sistema Único de Saúde (SUS), uma nova forma de proteção contra a bronquiolite. O nirsevimabe, anticorpo monoclonal indicado para a prevenção da infecção pelo Vírus Sincicial Respiratório (VSR), passa a integrar a estratégia nacional de enfrentamento da doença, que é uma das principais causas de hospitalização infantil no país.
De acordo com o Ministério da Saúde, o nirsevimabe oferece proteção imediata, diferentemente das vacinas tradicionais. Por se tratar de um anticorpo pronto, não é necessário estimular o sistema imunológico do bebê a produzir defesas próprias, o que é especialmente importante para recém-nascidos e crianças com maior vulnerabilidade clínica.
Quem pode receber o nirsevimabe no SUS?
São considerados prematuros os bebês nascidos com menos de 37 semanas de gestação. Já entre as comorbidades que garantem acesso ao medicamento para crianças de até dois anos estão condições como doença pulmonar crônica da prematuridade (broncodisplasia), cardiopatias congênitas, anomalias congênitas das vias aéreas, doenças neuromusculares, fibrose cística, imunocomprometimento grave, de origem congênita ou adquirida, e síndrome de Down.
Segundo o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, cerca de 300 mil doses do medicamento já foram distribuídas para todos os estados, permitindo que a proteção chegue às regiões com maior demanda por internações pediátricas associadas ao VSR.
VSR responde pela maioria dos casos graves de bronquiolite
O VSR é responsável por aproximadamente 75% dos casos de bronquiolite e cerca de 40% das pneumonias em crianças menores de dois anos. Em 2025, até 22 de novembro, o Brasil registrou 43,2 mil casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) causados pelo vírus. Desse total, mais de 35,5 mil hospitalizações ocorreram em crianças com menos de dois anos, representando 82,5% dos casos associados ao VSR.
O SUS já oferece a vacina contra o VSR para gestantes a partir da 28ª semana de gestação, garantindo proteção aos bebês desde o nascimento. Ainda assim, como a bronquiolite é majoritariamente causada por vírus, não há tratamento específico. O manejo clínico baseia-se em cuidados de suporte, como oxigenoterapia, hidratação e uso de broncodilatadores em situações selecionadas, reforçando a importância das estratégias preventivas para reduzir casos graves e internações.
“Benefícios fantasmas” tornam o plano de saúde até três vezes mais caro, alerta especialista – Foto: reprodução
Com a inflação médica (VCMH) projetada para superar novamente a inflação oficial do país, manter o plano de saúde tornou-se o grande desafio orçamentário das famílias e pequenos empresários neste início de ano. Porém, especialistas alertam: o problema muitas vezes não é apenas o reajuste anual, mas o “excesso de gordura” em contratos mal dimensionados.
A Acads, consultoria especializada em gestão de benefícios, alerta que grande parte dos consumidores mantém contratos defasados, pagando por serviços que não condizem com o perfil de uso atual.
O peso da escolha errada
Segundo Estefânia Portomeo, diretora da Acads, existe uma cultura de contratar o plano “mais completo possível” por segurança, o que gera custos desproporcionais.”Vemos perfis jovens pagando planos com obstetrícia sem intenção de ter filhos ou famílias que não viajam pagando coberturas nacionais premium. Ao trocar por um plano de excelência regional, por exemplo, ou ajustar a acomodação para enfermaria, a redução de custo é imediata, mantendo o acesso aos mesmos hospitais de referência da cidade”, explica.
Para ilustrar o impacto, a consultoria cita um caso recente atendido: um cliente empresarial pagava cerca de R$ 2.000,00 mensais em um plano nacional com reembolso, mas utilizava apenas a rede local. Ao migrar para um plano regional de primeira linha com coparticipação, a mensalidade caiu para pouco mais de R$ 600,00. Na prática, o contrato anterior custava três vezes mais devido a benefícios que não eram utilizados.
A chave do CNPJ e do diploma
Outro ponto cego abordado pela consultoria é a falta de enquadramento correto. Muitos profissionais liberais e autônomos desconhecem que, ao utilizar o CNPJ ou registro profissional, desbloqueiam o acesso a tabelas Empresariais (PME) ou Coletivas por Adesão. “Essas modalidades negociadas em grupo costumam ser muito mais competitivas do que os planos individuais. Se a família faz esse estudo de compatibilidade, a economia anual pode equivaler a mais de três mensalidades”, detalha a especialista.
Três passos para “auditar” o plano de saúde:
Geografia inteligente: se a sua vida acontece em determinada região, migrar de um plano Nacional para um modelo Regional derruba o preço da mensalidade, preservando o atendimento nos hospitais locais de ponta.
A matemática da coparticipação: para perfis que usam o médico apenas para check-ups pontuais, o plano com coparticipação é financeiramente melhor. O valor fixo mensal reduzido compensa as pequenas taxas pagas apenas em caso de uso.
Compra de carência: embora a portabilidade tenha regras específicas, muitas operadoras oferecem condições especiais de “compra de carência” para atrair clientes vindos da concorrência. Consultar uma assessoria especializada é o caminho seguro para verificar se pode haver troca de plano sem cumprir novos prazos de espera.
Sobre a Acads:
Com 26 anos de história, a Acads Central de Convênios é referência em consultoria de saúde e gestão de benefícios. Fundada com a missão de tornar a medicina privada acessível e proteger o patrimônio de famílias e empreendedores, a empresa administra hoje mais de 20 mil vidas com um atendimento que une inteligência de mercado e acolhimento humano.
Especialista em Planos Coletivos por Adesão e Empresariais, a Acads atua para democratizar o acesso à saúde de ponta, oferecendo soluções com preços justos e desburocratizados. Seu diferencial é o olhar consultivo: a equipe não apenas comercializa planos, mas analisa o momento de vida de cada cliente para indicar coberturas que evitem o endividamento e garantam segurança real em momentos de emergência.
Vacina contra dengue deve chegar para toda a população no segundo semestre de 2026 – Foto: reprodução
Como estratégia de ampliação ao combate ao vírus da dengue, que, só no ano passado, acometeu 1,6 milhão de pessoas e matou outras 1.700 em todo o país, o Ministério da Saúde começa, neste sábado (17/01), a aplicar a vacina produzida pelo Instituto Butantan. O imunizante é o primeiro e único até agora a garantir a imunização com apenas uma dose de vacina. A ampliação da oferta, prevista para os próximos meses, deverá garantir a disponibilidade de imunizantes para toda a população até o segundo semestre de 2026, conforme planejamento do Ministério da Saúde.
Atualmente, o país conta com a vacina Qdenga, produzida pela chinesa Takeda Pharma, que, mesmo disponível na rede pública de saúde, ainda tem procura abaixo do esperado, que é de 90%. Só em Belo Horizonte, por exemplo, a cobertura vacinal da primeira dose está em 59,9% e a da segunda dose, em 29,9%.
Ao contrário da estrangeira (que está sendo aplicada na capital em crianças e adolescentes), a produzida no Butantan, inicialmente, será aplicada em pessoas de 15 a 59 anos, e apenas as cidades de Botucatu (SP), Maranguape (CE) e Nova Lima (MG) serão contempladas com as primeiras 300 mil doses, das 1,300 milhão já produzidas até agora.
“Temos uma questão de limitação na estrutura, mas estamos fazendo investimentos para a produção no Butantan, além de uma parceria com uma farmacêutica chinesa que vai auxiliar na produção das doses do mesmo formato que são feitas aqui no Brasil”, afirmou o diretor de Departamento do Programa Nacional de Imunizações do Ministério da Saúde, Eder Gatti.
As outras 1 milhão de doses chegarão a todo o país para imunizar profissionais de saúde da atenção primária até o final de janeiro e a expectativa é que no segundo semestre, o restante da população comece a ser imunizada. “Foi quase uma década de estudos muito bem feitos para que essa vacina fosse desenvolvida, testada, segura e, agora, pronta para ser aplicada. Ela é a única no mundo em dose única, protege contra os quatro sorotipos da doença”, garantiu Gatti.
Desde a incorporação da Qdenga, em 2024, 7,9 milhões de doses já foram aplicadas. O diretor do PNI explicou que, como parte da estratégia, o SUS vai continuar oferecendo a vacina para adolescentes de 10 a 14 anos.
“É importante reforçar que a principal forma de combate à dengue, chikungunya e zika segue sendo a eliminação dos criadouros do mosquito Aedes aegypti. A vacinação se soma às ações de controle vetorial, uso de inseticidas, testes rápidos e tecnologias inovadoras”, pontou.
Imunização de rebanho
A escolha dos municípios se deu por uma questão de estrutura e expertise para a quarta e última fase de testes da vacina, que, segundo o diretor, corresponde a uma análise da cobertura após a vacinação em massa. Na pandemia de Covid-19, as cidades se destacaram na metodologia, celeridade e estudos nos resultados.
“Precisamos saber qual impacto que a vacina vai ter na dinâmica da população, porque, para uma doença circular, precisa de duas coisas: a pessoa suscetível e o mosquito. Por isso, precisamos eliminar o mosquito e imunizar as pessoas. Há estudos que mostram que se a gente conseguir que metade da população deixe de ser suscetível, seja por ter pego a doença ou por se vacinar, a doença para de circular, e aí temos a proteção inclusive dos não vacinados, o chamado efeito rebanho”, disse.
Neste sábado, além das Unidades Básicas de Saúde (UBS´s) dois vacimóveis vão aplicar os imunizantes de 9h às 16h, na Praça Bernardino de Lima (Centro) e no Serena Mall (Regional Norte).
Dados de 2025 mostram que Minas Gerais, em 2025, confirmou 118.416 casos da doença e provocou 148 óbitos. Este ano, segundo dados do Boletim Epidemilogico da Secreatária de Estado de Saúde, existem 964 cados prováveis da doença e 119 casos confirmados. Até agora, não houve óbitos por dengue.
Anvisa aprova novo fármaco com injeção semestral para prevenção do HIV – Foto: reprodução
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou nesta segunda-feira (12) o uso do medicamento Sunlenca (lenacapavir) para prevenção do HIV-1, como profilaxia pré-exposição (PrEP). O fármaco tem alta eficácia contra o vírus e, além da apresentação em compromido, para uso oral, está disponível como injeção subcutânea que só precisa ser administrada a cada seis meses, o que facilita a adesão.
A indicação é destinada a adultos e adolescentes a partir de 12 anos, com peso mínimo de 35 kg, que estejam sob risco de contrair o vírus. Antes de iniciar o tratamento, é obrigatório realizar teste com resultado negativo para HIV-1.
Os estudos clínicos apresentados demonstraram 100% de eficácia do Sunlenca na redução da incidência de HIV-1 em mulheres cisgênero; além de 96% de eficácia em comparação com a incidência de HIV de base e 89% superior à PrEP oral diária.
O regime de injeções semestrais mostrou boa adesão e persistência, superando desafios comuns em esquemas diários, informou a Anvisa, por meio de sua assessoria de imprensa.
De acordo com a Anvisa, a Sunlenca é um antirretroviral inovador composto por lenacapavir, fármaco de primeira classe que atua inibindo múltiplos estágios da função do capsídeo do HIV-1.
Essa ação impede a replicação do vírus, tornando-o incapaz de sustentar a transcrição reversa, processo em necessário para que use as células do hospedeiro para se multiplicar.
A agência advertiu que, embora o registro tenha sido concedido, o medicamento depende ainda da definição do preço máximo pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED).
Já sua disponibilização no Sistema Único de Saúde (SUS) será avaliada pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec) e pelo Ministério da Saúde.
Prevenção
A profilaxia pré-exposição (PrEP) é uma estratégia essencial para prevenir a infecção pelo HIV. Ela envolve o uso de medicamentos antirretrovirais por pessoas que não têm o vírus, mas estão sob risco de contrair a doença, reduzindo significativamente as chances de transmissão.
A PrEP faz parte da chamada “prevenção combinada”, que inclui outras medidas, como testagem regular para HIV, uso de preservativos, tratamento antirretroviral (TARV), profilaxia pós-exposição (PEP) e cuidados específicos para gestantes soropositivas, esclareceu a Agência.
O lenacapavir passou a ser recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em julho de 2025 como opção adicional para PrEP, classificando-o como a melhor alternativa após uma vacina, recurso que ainda não está disponível no caso da prevenção do HIV.
Leqembi: Anvisa libera novo medicamento contra o Alzheimer – Foto: reprodução
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou a utilização, no Brasil, de um novo medicamento voltado diretamente ao tratamento da doença de Alzheimer. Trata-se do Leqembi, terapia que atua na desaceleração do processo de degeneração cerebral provocado pela enfermidade e é considerada um avanço relevante no enfrentamento da doença.
O Alzheimer é a principal causa de demência neurodegenerativa no mundo. Dados do Ministério da Saúde apontam que mais de um milhão de brasileiros vivem atualmente com o diagnóstico. Até então, os tratamentos disponíveis se limitavam a aliviar sintomas, sem interferir diretamente na progressão da doença. A liberação do novo medicamento ocorreu em 22 de dezembro de 2025.
Como funciona o Leqembi
O Leqembi é produzido a partir do anticorpo monoclonal lecanemabe e é indicado para pacientes que já apresentam demência leve associada ao Alzheimer, ou seja, nos estágios iniciais da doença.
Esse anticorpo foi desenvolvido para estimular o sistema imunológico a eliminar o acúmulo da proteína beta-amiloide no cérebro — uma substância pegajosa que forma placas e está diretamente relacionada ao desenvolvimento do Alzheimer. O depósito dessas placas é uma das principais marcas da doença.
O medicamento é administrado por infusão intravenosa, seguindo um protocolo contínuo de tratamento.
Evidências científicas
A eficácia do lecanemabe foi demonstrada em um estudo publicado em 2022 na revista científica New England Journal of Medicine. A pesquisa, considerada de grande porte, envolveu 1.795 voluntários diagnosticados com Alzheimer em fase inicial.
Durante o estudo, os participantes receberam infusões do medicamento a cada duas semanas. Após 18 meses de acompanhamento, foi observada uma redução no declínio cognitivo e funcional, indicando que a progressão da doença ocorreu de forma mais lenta nos pacientes tratados.
Desde 2023, o Leqembi já é aprovado e comercializado nos Estados Unidos, com autorização da Food and Drug Administration (FDA). Com a decisão da Anvisa, o medicamento passa agora a integrar as opções terapêuticas disponíveis também no Brasil.
Do tratamento de suporte às novas terapias
Historicamente, as opções para tratar o Alzheimer foram limitadas. Até a década de 1970, o conhecimento científico associava a doença principalmente ao envelhecimento, à atrofia cerebral e ao acúmulo de duas proteínas anormais: a tau, que se deposita dentro dos neurônios, e a beta-amiloide, que se acumula fora deles.
Naquele período, os tratamentos eram basicamente paliativos, envolvendo mudanças de hábitos, uso de vitaminas, vasodilatadores e estimulantes da memória, sem comprovação científica de eficácia.
Com o avanço das pesquisas, os cientistas passaram a compreender melhor a origem biológica da doença, abrindo caminho para terapias que tentam interferir diretamente em sua evolução. O Leqembi surge nesse contexto como uma das primeiras tentativas concretas de frear o avanço do Alzheimer.
Para o neurocirurgião Helder Picarelli, do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, o novo medicamento representa uma mudança importante no cenário da doença. “Isso representa uma nova linha de pesquisa e uma porta que se abre de oportunidade para intervir na evolução da doença”, afirma.
Apesar do otimismo, o especialista ressalta que ainda é cedo para conclusões definitivas. Segundo ele, o tratamento é inovador, mas ainda recente, e será necessário mais tempo para avaliar plenamente seus impactos.
“Esse tipo de terapia utiliza um anticorpo específico e tem modificado o tratamento, mas ainda é novo. Precisamos aguardar um pouco mais para ter uma conclusão definitiva. Não sei se o custo, que é elevado, e os riscos envolvidos compensam o benefício obtido com esse tipo de medicação”, pondera.
Janeiro Roxo: Governo de Minas fortalece combate à hanseníase com testes moleculares inéditos na rede pública – Foto: Lucas Luckeroth / Funed
Como parte das ações do Janeiro Roxo, o Governo de Minas inicia a oferta inédita de testes moleculares na rede pública de saúde para o enfrentamento à hanseníase, realizados pela Fundação Ezequiel Dias (Funed), vinculada à Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG). Os exames auxiliam no diagnóstico e no acompanhamento do tratamento, fortalecendo a atuação da rede pública de saúde no estado.
A iniciativa amplia o apoio laboratorial ao diagnóstico clínico da doença, especialmente no acompanhamento de contatos de casos já confirmados e na definição mais precisa da conduta terapêutica. Para o secretário de Estado de Saúde, Fábio Baccheretti, o diagnóstico precoce é decisivo para interromper a transmissão e evitar sequelas.
“A hanseníase é uma doença histórica, muitas vezes esquecida, mas que continua presente. Em Minas, são mais de mil casos notificados todos os anos, e há pessoas que convivem com a doença sem saber. Por isso, prevenção e diagnóstico precoce fazem toda a diferença”, destaca Baccheretti. Segundo o secretário, o fortalecimento da rede de cuidados começa na Atenção Primária à Saúde.
“Qualquer pessoa que perceba manchas na pele, alteração de sensibilidade ou tenha alguma dúvida deve procurar a unidade de saúde, que é o lugar de acolhimento, orientação e encaminhamento, quando necessário. O tratamento é gratuito e, iniciado precocemente, interrompe a transmissão”, reforça Fábio Baccheretti.
Avanço inédito no diagnóstico
Com capacidade para realizar cerca de 500 exames ao longo de 2026, a Funed recebeu kits do Ministério da Saúde para a execução inicial de mais de 280 testes moleculares. A oferta é inédita na rede pública estadual e amplia o suporte ao diagnóstico clínico da hanseníase, sobretudo em situações que exigem maior precisão na definição do tratamento.
Os testes foram aprovados pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) e implantados pelo Ministério da Saúde. Em Minas Gerais, a realização ocorre no Laboratório Central de Saúde Pública (Lacen-MG), o que reduz o tempo de resposta, já que anteriormente as análises estavam concentradas em apenas três laboratórios de referência no país.
Segundo a chefe do Serviço de Doenças Bacterianas e Fúngicas da Funed, Carmem Dolores Faria, a incorporação dos exames fortalece a atuação do estado no enfrentamento da doença. “A hanseníase é uma doença complexa, com desafios no diagnóstico. Com esses novos exames, a Funed se consolida como referência estadual no apoio ao diagnóstico e no controle da doença”, explica.
Vigilância permanente
Minas Gerais apresenta índices de detecção historicamente abaixo da média nacional, com 1.294 casos registrados em 2024 e 1.080 em 2025. Para obter sucesso no combate à hanseníase de acordo com a realidade de cada região de Minas, a SES-MG mantém como prioridade o fortalecimento da Atenção Primária à Saúde, a capacitação das equipes municipais e a ampliação da identificação precoce dos casos.
“O Plano Estadual de Enfrentamento da Hanseníase orienta as ações em todo o estado, com foco na detecção precoce, na busca ativa de casos, no acompanhamento dos contatos e no monitoramento contínuo dos indicadores, respeitando a realidade de cada região”, ressalta o secretário Fábio Baccheretti.
Diagnóstico, tratamento e informação
O diagnóstico da hanseníase é essencialmente clínico e dermatoneurológico, realizado nas unidades de saúde. O tratamento é gratuito, disponível na rede pública, e consiste na poliquimioterapia, com duração de seis a 12 meses, conforme a forma clínica da doença. Após a primeira dose, o paciente já não transmite a hanseníase.
O médico dermatologista e hansenologista Yargos Rodrigues Menezes explica que a doença afeta principalmente a pele e os nervos periféricos. “Os sinais incluem manchas com alteração de sensibilidade, caroços, feridas que não cicatrizam e queimaduras que o paciente não sente. O tratamento começa no mesmo dia do diagnóstico e garante a cura”, afirma.
Além dos desafios clínicos, a hanseníase ainda é marcada pelo estigma, o que contribui para diagnósticos tardios. Para Yargos, ampliar a informação é essencial para mudar esse cenário. “Informação de qualidade ajuda a desconstruir o preconceito e evita sequelas irreversíveis”, destaca.
Janeiro Roxo: Governo de Minas fortalece combate à hanseníase com testes moleculares inéditos na rede pública – Foto: Lucas Luckeroth / Funed
Caso de gripe K é identificado no Brasil; vírus é variante do influenza A – Foto: reprodução
O Ministério da Saúde confirmou a identificação, no Brasil, do subclado K da Influenza A (H3N2) — popularmente chamado de “gripe K” — em amostras analisadas no estado do Pará. A informação consta do Informe de Vigilância das Síndromes Gripais, referente à Semana Epidemiológica 49, divulgado em 12 de dezembro.
De acordo com o documento, também foi identificado o subclado J.2.4 do mesmo vírus. Ambos os subclados já estavam em circulação em regiões da América do Norte, Europa e Ásia antes de serem detectados no país. O ministério ressalta que o aumento da circulação da Influenza A (H3N2) no Brasil ocorreu antes da identificação desses subclados específicos.
Entenda o subclado k do vírus da influenza em 5 pontos
Origem: a gripe é causada pelo vírus influenza; o tipo A é o mais associado a surtos e casos graves.
Subclado K: é uma variação genética do influenza A (H3N2); não é um vírus novo.
No Brasil: o subclado foi identificado em amostras do Pará, segundo o Ministério da Saúde.
Sintomas: febre, dor no corpo, tosse e cansaço; atenção a piora rápida e falta de ar. Os sintomas são os já tradicionais nos casos de gripe.
Prevenção: vacinação segue sendo a principal forma de evitar casos graves e mortes.
Circulação: OMS alerta que, por causa do subclado K, alguns países registraram início mais precoce da temporada de gripe e níveis de atividade acima do padrão histórico para esta época do ano.
Status da Influenza no Brasil
O informe aponta que, nas últimas semanas analisadas, há sinal de crescimento ou manutenção das hospitalizações por Influenza A em estados das regiões Norte (Amazonas, Pará e Tocantins), Nordeste (Bahia, Piauí e Ceará) e no Sul, em Santa Catarina. No Sudeste, a tendência é de redução gradual das internações associadas ao vírus.
Apesar da identificação do subclado K, o Ministério da Saúde afirma que não há evidências, até o momento, de que essas variantes estejam associadas a quadros mais graves da doença. O padrão observado segue o comportamento esperado da Influenza A sazonal, especialmente do subtipo H3N2, já conhecido por causar surtos periódicos.
No documento, a pasta reforça a importância da vacinação contra a gripe, especialmente entre crianças, idosos e pessoas com comorbidades, como principal medida para reduzir casos graves, internações e óbitos por síndromes respiratórias agudas graves (SRAG) durante o período de maior circulação viral.
Alerta da Opas e da OMS sobre a gripe K
A Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) e a Organização Mundial da Saúde (OMS) alertaram que a temporada de gripe nas Américas pode começar mais cedo em 2026 e ter maior impacto, após o aumento recente da circulação global do vírus influenza.
O alerta está baseado em dados recentes da Organização Mundial da Saúde (OMS), que apontam crescimento da atividade global de influenza nos últimos meses, com predominância do vírus influenza A (H3N2).
Embora, em termos gerais, a circulação ainda esteja dentro do esperado para uma temporada sazonal, alguns países registraram início mais precoce da gripe e níveis de atividade acima do padrão histórico para esta época do ano.
Diante desse cenário, a Opas e a OMS emitiram notas técnicas e alertas epidemiológicos recomendando o reforço da vigilância, a preparação dos sistemas de saúde e o aumento da cobertura vacinal, especialmente entre os grupos mais vulneráveis.
Por que a Opas emitiu o alerta
O principal fator que motivou o alerta foi a antecipação da circulação da gripe no Hemisfério Norte, onde a atividade começou antes do inverno e vem sendo impulsionada pelo influenza A (H3N2).
Desde agosto de 2025, a vigilância genômica global identificou um crescimento rápido de um subclado específico desse vírus, conhecido como J.2.4.1, também chamado de subclado K, já detectado em dezenas de países.
Até o momento, não há indicação de aumento relevante da gravidade clínica, como maior número de internações em unidades de terapia intensiva ou óbitos.
Ainda assim, a Opas ressalta que temporadas dominadas pelo H3N2 costumam ter maior impacto entre idosos, o que justifica a adoção de medidas preventivas com antecedência.
O vírus mudou? É uma nova cepa?
O influenza é um vírus que sofre mudanças genéticas constantes, processo conhecido como deriva genética. No caso do influenza A, os subtipos que infectam humanos com mais frequência são o H1N1 e o H3N2, ambos capazes de gerar epidemias anuais.
“O influenza é um vírus que se reinventa o tempo todo. Mesmo quem teve gripe recentemente continua sob risco”, explica o pediatra e infectologista Renato Kfouri, da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm).
Segundo ele, entre 15% e 20% da população mundial é infectada pelo vírus todos os anos.
O subclado K do H3N2 não representa o surgimento de um vírus completamente novo, mas sim uma evolução genética que pode favorecer maior transmissão.
Até agora, esse subclado ainda não foi detectado de forma sustentada na América do Sul, mas a própria OMS considera provável que cepas em circulação no Hemisfério Norte cheguem a outras regiões nos próximos meses.
Por que o Brasil está no radar
A experiência de anos anteriores mostra que o comportamento do influenza tende a ser global. Em um cenário marcado por viagens internacionais e migrações constantes, cepas que circulam primeiro no Hemisfério Norte costumam chegar ao Sul meses depois.
Por isso, a Opas recomenda que os países da Região das Américas se preparem para a possibilidade de uma temporada de gripe mais precoce ou com maior impacto em 2026, o que inclui o Brasil.
“Não se trata de criar alarme, mas de antecipar a resposta”, afirma Kfouri. “Quando a temporada começa cedo, o impacto sobre os serviços de saúde tende a ser maior.”
Vacinação segue sendo a principal estratégia
A composição da vacina contra a gripe é atualizada anualmente com base em um sistema global de vigilância coordenado pela OMS. No Hemisfério Sul, a formulação é definida meses antes do inverno para permitir produção e distribuição das doses a tempo da campanha.
Dados preliminares indicam que, mesmo com diferenças genéticas entre os vírus circulantes e os incluídos na vacina, a imunização continua protegendo contra formas graves da doença.
Estimativas iniciais apontam proteção de cerca de 70% a 75% contra hospitalizações em crianças e de 30% a 40% em adultos
“Mesmo quando o pareamento não é perfeito, a vacina reduz de forma importante o risco de complicações e mortes”, diz Kfouri. “Pessoas vacinadas tendem a ter quadros mais leves.”
Quem corre mais risco
Idosos, crianças pequenas, gestantes, pessoas com doenças crônicas e indivíduos imunocomprometidos concentram historicamente a maior parte das hospitalizações e mortes por influenza. Esses grupos concentram cerca de 70% a 80% dos óbitos por influenza todos os anos, segundo a SBIm.
Por isso, a Opas e a OMS reforçam que a vacinação desses grupos deve ser prioridade, assim como a vigilância contínua e o tratamento oportuno dos casos .
“A gripe não é uma infecção banal”, resume Kfouri. “A melhor resposta continua sendo vigilância, vacinação e preparação.”
Gostaria de adicionar o site Jornal Folha Regional a sua área de trabalho?