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Jornal Folha Regional

Homem surdo há mais de 20 anos volta a escutar após cirurgia inédita no RS

Homem surdo há mais de 20 anos volta a escutar após cirurgia inédita no RS – Foto: divulgação

Uma equipe de profissionais do Hospital Moinhos de Vento, em Porto Alegre, realizou em março deste ano o primeiro procedimento bem-sucedido de implante auditivo de tronco cerebral na história médica do Rio Grande do Sul. A cirurgia teve como objetivo restaurar a audição de um homem diagnosticado com surdez total.

Em nota à imprensa divulgada nesta quarta-feira (25), Joel Lavinsky, otorrinolaringologista responsável, lembra que a indicação pela tecnologia veio porque os nervos auditivos do paciente estavam muito comprometidos por seu quadro de neurofibromatose tipo 2 (NF2). Isso tornava a utilização de um implante coclear convencional inviável.

Por dentro do caso

Considerada uma doença autossômica, a NF2 é caracterizada pelo crescimento lento e descontrolado de múltiplos tumores benignos envolta do sistema nervoso central. Além de pressionar as estruturas do tronco encefálico, ela ainda prejudica a escuta e o equilíbrio do indivíduo.

Segundo uma descrição publicada pela Biblioteca Nacional de Medicina dos Estados Unidos, a condição genética costuma se manifestar na adolescência ou no início da fase adulta. Calcula-se que ela atinja a população em uma prevalência de aproximadamente uma para cada 35 mil pessoas.

Equipe multidisciplinar que participou da cirurgia liderada pelo Dr. Joel Lavinsky do Hospital Moinhos de Vento — Foto: Divulgação/Hospital Moinhos de Vento

No caso de Flávio Fidelis, de 51 anos, o problema já estava tão avançado que ele já se encontrava surdo dos dois ouvidos há mais de 20 anos. Assim, os médicos imaginaram que colocar eletrodos diretamente nos núcleos auditivos na base do seu crânio, no tronco cerebral, poderia estimular a percepção do som em algum grau no paciente.

Realização da cirurgia

O procedimento foi realizado por Lavinsky em colaboração com o neurocirurgião Gustavo Rassier Isolan e uma equipe de audiologistas coordenada pela fonoaudióloga Natalia Fernandez. Três profissionais da Universidade de São Paulo (USP), Ricardo Ferreira Bento, Marcelo Prudente e Valéria Goffi, ainda auxiliaram supervisionando as etapas.

Representação artística do equipamento instalado no crânio de Flávio Fidelis, que não escuta nada há mais de 20 anos — Foto: Reprodução/Facebook (CEANNE)

Ao todo, a cirurgia e o pós-operatório exigiram quase dez horas de dedicação dos especialistas. “Realizamos diversos testes eletrofisiológicos durante a cirurgia para que fosse possível identificar o local exato para o posicionamento do implante e confirmar o funcionamento da estimulação elétrica do eletrodo no tronco cerebral”, conta Lavinsky.

O sucesso da abordagem foi confirmado alguns meses depois da intervenção, quando se ligou o dispositivo implantado no paciente.

Imagens capturadas durante o procedimento de instalação do dispositivo, que exigiu quase dez horas de trabalho dos especialistas — Foto: Divulgação/CEANNE

De acordo com Fidelis, sua rotina melhorou consideravelmente desde a operação. Mesmo em fase de ajustes do aparelho, é nítida a evolução na sua vida pessoal e profissional. Testes indicaram até que ele já tem conseguido diferenciar certos ruídos e sons.

“Fui diagnosticado com deficiência auditiva bilateral, perdendo aos poucos a audição, já na fase adulta, aos 29 anos”, relata o paciente. “Por isso este implante aparece como um objetivo de vida e uma batalha vencida. Agradeço a toda equipe médica do Hospital Moinhos de Vento”.

Brasil registra primeiros casos de nova variante da Covid-19, mas doença não trás riscos, afirma OMS

Brasil registra primeiros casos de nova variante da Covid-19 – Imagem: reprodução

O Brasil registrou os primeiros casos de uma nova variante da Covid-19 chamada de XFG. As infecções foram registradas no Ceará entre os dias 25 a 31 de maio e divulgadas pelo governo do estado na última sexta-feira (4/7). Outros 38 países já detectaram casos da nova variante, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS).

Em nota, o Ministério da Saúde disse que, até o momento, foram identificados oito casos da variante XFG, sendo dois em São Paulo, além dos seis no Ceará. Não há registro de óbitos. A pasta disse que monitora de forma contínua os sequenciamentos genômicos da Covid-19 no Brasil.

No mês passado, a OMS divulgou informações sobre o avanço da nova variante em diferentes regiões do mundo e a classificou como “variante sob monitoramento”. No Sudeste Asiático, a proporção de casos atribuídos à XFG saltou de 17,3% para 68,7%, com destaque para a Índia, onde a variante se tornou dominante durante a primavera. Nas Américas a proporção subiu de 7,8% para 26,5%. A nota também cita um aumento de casos em países do Pacífico Ocidental, Europa e África.

Apesar do crescimento em algumas regiões, a OMS indica “risco global baixo para a saúde pública” e afirma que as vacinas atuais contra a Covid-19 são consideradas eficazes contra a nova variante. “Embora haja aumentos em casos e hospitalizações em algumas áreas, não há evidências de que a XFG cause doenças mais severas ou mortes”, diz a organização.

No Brasil, a Secretaria da Saúde do Estado do Ceará aponta um “discreto aumento nos casos de Covid-19 nas últimas semanas”. Segundo boletim divulgado em 4 de julho, a positividade para o vírus subiu de praticamente 0% no início de junho para 10% no final do mês. A análise considera testes para Covid-19 realizados pelo Lacen-CE ao longo do ano.

A pasta diz que a maior parte dos sete casos foi detectada na capital, Fortaleza, mas não diz o número exato de infecções por cidade. “É possível que a nova variante seja responsável por esse aumento de casos que nesse momento ainda é discreto, mas que a gente não sabe se pode de fato ter essa transmissão subitamente elevada nas próximas semanas”, afirma o secretário executivo de Vigilância em Saúde do estado, Antonio Silva Lima Neto, em vídeo divulgado pelo órgão.

Para o infectologista Julio Croda, pesquisador da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) e membro da SBI (Sociedade Brasileira de Infectologia), a XFG é resultado da recombinação de duas linhagens: LF.7 e LP.8.1.2 -esta última já vinha se tornando dominante globalmente. Ambas descendem da linhagem Ômicron.

“A LP.8.1.2 se tornou dominante, e agora a XFG, que deriva dela, passou a predominar na Índia e está se espalhando pelo mundo”, explica. Segundo Croda, em junho de 2025, a presença da XFG nas amostras sequenciadas globalmente subiu de 7% para 23%.

“Quando uma variante se torna dominante, muito provavelmente, é porque ela tem um dos dois mecanismos: ou é mais transmissível ou tem escape de resposta imunológica. Não tem relação com maior gravidade”, afirma.

Até o momento, não há evidências de que a XFG cause quadros mais severos ou maior mortalidade. Os sintomas relatados são similares aos da Covid, mas com queixas de dor de garganta, rouquidão e irritação.

Croda reforça que as vacinas atualmente recomendadas são eficazes contra a XFG. O especialista destaca, no entanto, que a cobertura vacinal entre os idosos segue baixa no país, o que preocupa. “Existe uma recomendação clara da OMS e do Ministério da Saúde para que os idosos recebam pelo menos uma dose atualizada da vacina, como fazemos anualmente com a da influenza. Mas a adesão está baixa.”

Em nota, o Ministério da Saúde disse que a vacinação contra a Covid-19 é segura e protege contra as variantes em circulação, sendo a principal forma de prevenir casos graves da doença e mortes. Em 2025, mais de 14,2 milhões de doses já foram distribuídas em todo o país, segundo a pasta

Ele lembra que a Covid-19 não é o principal vírus respiratório em circulação no Brasil em 2025. A influenza lidera as hospitalizações por síndrome respiratória aguda grave. No entanto, a chegada de uma nova variante pode alterar esse cenário, dependendo da imunidade coletiva da população.

“A gente nunca sabe se o comportamento da variante no Brasil será igual ao de outros países. Depende de cobertura vacinal e infecções prévias. Por isso, é fundamental garantir proteção principalmente nos grupos de risco.”

Implante contraceptivo hormonal será oferecido pelo SUS

Implante contraceptivo hormonal será oferecido pelo SUS – Foto: reprodução

O implante contraceptivo popularmente conhecido como Implanon será disponibilizado pelo Sistema Único de Saúde (SUS). De acordo com o Ministério da Saúde, a opção é considerada vantajosa em relação aos demais contraceptivos em razão da longa duração — age no organismo por até três anos — e alta eficácia.

Em nota, a pasta informou que a decisão de incorporar o contraceptivo ao SUS foi apresentada na tarde desta quarta-feira (2) durante a reunião da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec).

A portaria que oficializa a incorporação do contraceptivo deve ser publicada nos próximos dias. A partir da publicação, áreas técnicas da pasta terão 180 dias para efetivar a oferta, o que envolve etapas como atualização de diretrizes clínicas, aquisição e distribuição do insumo, capacitação e habilitação de profissionais, entre outras ações.

A previsão é que o medicamento esteja disponível em unidades básicas de saúde (UBS) a partir do segundo semestre. O plano, segundo o ministério, é distribuir 1,8 milhão de dispositivos, sendo 500 mil ainda este ano. O investimento será de cerca de R$ 245 milhões – atualmente, a unidade do produto custa entre R$ 2 mil e R$ 4 mil.

“Além de prevenir a gravidez não planejada, o acesso a contraceptivo também contribui para a redução da mortalidade materna, em alinhamento com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU [Organização das Nações Unidas]”, destacou a pasta, ao citar o compromisso de reduzir em 25% a mortalidade materna geral e em 50% a mortalidade entre mulheres negras até 2027.

Entenda

O implante subdérmico Implanon é um método contraceptivo de longa duração e alta eficácia. Ele atua no organismo por até três anos, sem necessidade de intervenções durante esse período. Após o prazo, o implante deve ser retirado e, se houver interesse, um novo implante pode ser inserido imediatamente.

A inserção e a retirada do dispositivo devem ser realizadas por médicos e enfermeiros qualificados. Por esse motivo, segundo o ministério, a ampliação da oferta será acompanhada de estratégias de formação teórica e prática desses profissionais. Ainda de acordo com a pasta, a fertilidade é retomada rapidamente após a remoção.

Entre os contraceptivos oferecidos pelo SUS, apenas o DIU de cobre é classificado como Larc — sigla em inglês para contraceptivos reversíveis de longa duração. O método é considerado mais eficaz no planejamento reprodutivo por não depender do uso contínuo ou correto por parte da usuária, como ocorre com anticoncepcionais orais ou injetáveis.

“Os Larc são reversíveis e seguros”, destacou a pasta.

Confira, a seguir, os métodos contraceptivos disponíveis no SUS:

  • preservativos externo e interno;
  • DIU de cobre;
  • anticoncepcional oral combinado;
  • pílula oral de progestagênio;
  • injetáveis hormonais mensal e trimestral;
  • laqueadura tubária bilateral;
  • vasectomia.

A pasta alertou que, entre todos contraceptivos disponíveis na rede pública, apenas os preservativos oferecem proteção contra infecções sexualmente transmissíveis (ISTs).

Mortes por febre amarela crescem ao menos 500% em Minas Gerais em 2025

Mortes por febre amarela crescem ao menos 500% em Minas Gerais em 2025 – Foto: reprodução

Minas Gerais registrou um aumento de, no mínimo, 500% no número de mortes por febre amarela em 2025. Dados da Secretaria de Estado de Saúde (SES-MG) indicam que, entre janeiro e junho, seis pessoas morreram em decorrência da doença no Estado, contra uma morte registrada em todo o ano de 2024. Também houve alta nas notificações: foram 675 casos suspeitos, uma média de quatro por dia. Até o momento, 14 exames tiveram resultado positivo para a enfermidade.

O subsecretário de Vigilância em Saúde da SES-MG, Eduardo Prosdocimi, afirmou que Minas Gerais e São Paulo lideram o crescimento no número de casos, o que exige atenção redobrada com a vacinação — veja o esquema vacinal abaixo.

“A baixa cobertura vacinal abre espaço para a circulação do vírus. É justamente isso que temos notado nas regiões Noroeste de São Paulo e no Sul de Minas. As pessoas circulam muito entre esses pontos dos Estados vizinhos, pois estamos falando de municípios com concentração de indústrias, o que atrai os trabalhadores. Ao mesmo tempo, são localidades com baixos índices de imunização”, afirma.

Segundo Prosdocimi, o índice ideal de vacinação contra a febre amarela, preconizado pelo Ministério da Saúde, é de 95%. Atualmente, Minas Gerais apresenta uma cobertura de 87,58%. “Estamos abaixo da meta e precisamos progredir para aumentar a vacinação na população”, reforça.

Busca ativa e vacimóvel

O subsecretário informou ainda que, no segundo semestre, a SES-MG fará busca ativa por não vacinados em todas as regiões do estado, com foco especial no Sul de Minas.

“Vamos com o vacimóvel para as praças, faremos ações de vacinação no ambiente escolar e aos fins de semana. Queremos ampliar o acesso à vacinação para além do posto de saúde, com as 252 vans que percorrem todo o Estado. A vacina é a forma mais eficaz de prevenção”, alerta.
 
A maioria das notificações e casos confirmados ocorre em áreas rurais. “Estamos com o ciclo rural da doença. Esse ciclo se dá basicamente com o vírus em algum mico ou macaco, por exemplo. O mosquito Aedes aegypti pica esse animal e transmite para o ser humano. Vale salientar que o problema não está no mico, logo, não se deve fazer nada contra ele. O problema é a baixa adesão à vacinação”, pontua.

Vítimas não vacinadas

Prosdocimi também destacou que todas as seis pessoas que morreram por febre amarela em Minas Gerais neste ano não haviam se vacinado.

“A chance de um não vacinado contrair a forma grave da doença e evoluir a óbito é grande, pois a letalidade da febre amarela é de 50% a 60%. Quem é vacinado dificilmente terá a doença e, se tiver, sequer saberá, pois não vai manifestar os sintomas. A vacina está disponível e é distribuída gratuitamente”, esclarece.

Vacinação é suficiente para manter viagens

Com a chegada do período de férias, o subsecretário tranquiliza a população e afirma que não há necessidade de cancelar viagens para regiões com registros da doença, como o estado de São Paulo.

“Isso não se faz necessário. A única recomendação é que atualizem a caderneta de vacinação. No exterior, muitos países pedem o certificado de vacinação contra a febre amarela”, conclui.

Esquema vacinal

Veja quais são as orientações da SES-MG para a imunização contra a febre amarela:

De 9 meses a 4 anos, 11 meses e 29 dias:

  • 1ª dose aos 9 meses.
  • 1 dose de reforço aos 4 anos.

A partir de 5 anos:

  • Histórico de 2 doses antes dos 5 anos: esquema completo, sem necessidade de reforço.
  • Histórico de apenas 1 dose antes dos 5 anos: 1 dose de reforço.
  • 1 dose recebida a partir dos 5 anos: esquema completo, sem reforço.

Entre 5 e 59 anos, sem histórico vacinal:

  • Administrar 1 dose.

Pessoas vacinadas apenas com dose fracionada (2018):

  • 1 dose de reforço com a dose padrão.

Crianças entre 6 e 8 meses:

  • Vacina não é recomendada, mas pode ser aplicada em situações especiais (como residência ou deslocamento para área com circulação do vírus), a depender de avaliação médica.

Pessoas a partir de 60 anos:

  • O médico deve avaliar a necessidade da vacinação, considerando o histórico vacinal, o risco de exposição e as condições clínicas.

Minas reforça a importância do diagnóstico precoce dos cânceres de cabeça e pescoço durante o Julho Verde

Minas reforça a importância do diagnóstico precoce dos cânceres de cabeça e pescoço durante o Julho Verde – Foto: divulgação

Durante o mês, a campanha Julho Verde intensifica os alertas do Governo de Minas sobre a importância da prevenção e da detecção precoce do câncer na região da cabeça e do pescoço. O mais comum é o câncer de boca, com cerca de 15 mil novos casos no Brasil por ano, segundo estimativas do Instituto Nacional do Câncer (Inca).

Referência em oncologia, o Hospital Alberto Cavalcanti (HAC), da rede da Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig), vem registrando um aumento nos atendimentos nos últimos meses. Somente no primeiro semestre de 2025, foram realizadas 1.639 consultas de pacientes que foram diagnosticados ou estavam com suspeita de câncer de cabeça e pescoço, quase 550 a mais que no mesmo período de 2024. “Durante esta gestão, conseguimos aumentar o número de ofertas para consultas ambulatoriais e cirurgias”, afirma o diretor técnico do Hospital Alberto Cavalcanti, Henrique Timo.

“Isso só foi possível porque, além de aumentarmos o nosso número de cirurgiões e anestesistas, conseguimos otimizar as salas do bloco cirúrgico e melhorar o giro de leitos, permitindo o tratamento e a internação de um número maior de pacientes”, explica Henrique Timo.

Atenção aos sinais

O coordenador do Serviço de Cirurgia de Cabeça e Pescoço do HAC, Guilherme Souza, destaca que é fundamental procurar atendimento médico na Unidade Básica de Saúde (UBS) ao notar qualquer sinal persistente, como uma ferida que não cicatriza, nódulo no pescoço, rouquidão prolongada, dor ou dificuldade para engolir.

A partir daí, o paciente é encaminhado, se for necessário, para especialistas, como otorrinolaringologistas ou cirurgiões de cabeça e pescoço. “Os pacientes no HAC são avaliados por uma equipe multidisciplinar, que define a melhor estratégia de tratamento – que pode incluir cirurgia, quimioterapia e radioterapia, com duração total, em média, de três a seis meses, seguido por acompanhamento oncológico regular por, pelo menos, cinco anos”, detalha Souza. 

Apesar de ser uma doença mais comum em homens acima dos 60 anos, ele chama a atenção para a mudança desse perfil. “Observamos uma redução na faixa etária das pessoas acometidas e um crescimento do número de casos em mulheres, especialmente no câncer de boca”.

“Há alguns anos, a proporção era de oito homens para cada mulher acometida pela doença. Hoje, esse número mudou. A cada três homens, temos uma mulher com câncer de boca”, compara o coordenador do Serviço de Cirurgia de Cabeça e Pescoço do HAC. Ele revela que a maioria dos casos está relacionada ao consumo de cigarros e bebidas alcoólicas.

“Quando descoberto ainda no início, as chances de cura podem ultrapassar 90%. No entanto, em casos de tumores localizados em regiões mais profundas, como a orofaringe e a hipofaringe, os sintomas geralmente se manifestam quando já estão em estágio avançado, e essas chances diminuem”, alerta Guilherme Souza.

As sequelas variam de acordo com cada caso, podendo haver perda da voz, dificuldades para se alimentar ou alterações estéticas no rosto e pescoço. “Por isso, reforçamos sempre a importância do diagnóstico precoce”, salienta o médico.

Vida normal

José Eustáquio de Almeida é um dos pacientes que passou pelo HAC e hoje leva uma vida praticamente normal. “A única coisa que não posso fazer é nadar, porque não posso deixar entrar água na abertura onde foi feita a traqueostomia”.

Minas reforça a importância do diagnóstico precoce dos cânceres de cabeça e pescoço durante o Julho Verde – Foto: divulgação

Entre o primeiro sintoma — a rouquidão na voz — até a descoberta do câncer de laringe, passou-se quase um ano, o que acabou agravando a condição de José Eustáquio. “Demorei a procurar atendimento e não dei muita atenção para o que ia aparecendo. Continuava trabalhando normalmente, até perceber que me sentia cansado para tudo. Aí resolvi ir ao hospital e acabei internando”, lembra.

Ao ser encaminhado para o hospital, ele recorda que teve o diagnóstico confirmado e a cirurgia agendada, seguida por sessões de radioterapia. “O médico me explicou sobre o tratamento e disse que teria que fazer a cirurgia para evitar que o câncer se espalhasse e agravasse meu caso. Fui muito bem atendido aqui. As enfermeiras e os médicos foram muito bons para mim”.  

Aos 70 anos de idade, ele apresenta uma leve dificuldade na fala, o que é raro em casos como o dele, já que a maioria não consegue se comunicar sem próteses. José Eustáquio continua forte, trabalhando com obras e fazendo visitas esporádicas ao hospital, quando percebe algo fora do comum.

Anvisa aprova primeira insulina semanal do mundo

Anvisa aprova primeira insulina semanal do mundo – Foto: reprodução

Pacientes que dependem de insulina, inclusive os que vivem com diabetes tipo 2, conhecem os impactos para a qualidade de vida do uso diário do medicamento, principalmente em relação à versão injetável: no mínimo, são 365 aplicações por ano, número que pode dobrar em alguns pacientes. Neste cenário, a insulina semanal tem despontado como uma opção para garantir o conforto sem impactar a eficácia do tratamento. Estudos apresentados durante a reunião anual da Associação Americana de Diabetes (ADA, na sigla em inglês), realizada neste mês em Chicago, reforçaram essa abordagem como segura e eficiente, além de uma frente adicional para o controle da doença que afeta 589 milhões de adultos no mundo.

Durante o evento, foram apresentados os ensaios de fase 3 com a insulina semanal em testes efsitora, desenvolvida pela farmacêutica Eli Lilly (a mesma do medicamento contra obesidade e diabetes Mounjaro), que demonstrou ter o mesmo perfil de segurança da versão diária e com capacidade de reduzir a hemoglobina glicada, índice de glicose dos últimos três meses que é uma das referências para diagnóstico da doença. Os achados foram publicados nos periódicos The New England Journal of Medicine e The Lancet.

A proposta dos trabalhos QWINT-1, QWINT-3 e QWINT-4, que avaliaram mais de 3 000 voluntários com diabetes tipo 2, era mostrar que o tratamento experimental não é inferior às drogas diárias atuais mesmo com o uso semanal. Os ensaios clínicos demonstraram equivalência entre elas no que diz respeito à redução do açúcar no sangue e com segurança para os pacientes.

Nos testes que duraram um ano (52 semanas), a efsitora reduziu a hemoglobina glicada em 1,31% contra 1,27% da insulina glargina. Nos ensaios de 26 semanas, a diminuição foi de 0,86% com efsitora e de 0,75% com insulina degludeca e ficou em 1,07% tanto com a efsitora quando com a insulina glargina.

“Um regime semanal mais simples pode ajudar essas pessoas a iniciar e manter o tratamento, com o objetivo de melhorar os níveis de glicose no sangue. Em todos os estudos QWINT, a efsitora demonstrou controlar a glicemia com a mesma eficácia que as insulinas basais diárias mais utilizadas”, afirmou um dos autores do estudo, Julio Rosenstock, professor clínico de medicina no University of Texas Southwestern Medical Center.

Com esses resultados, a Lilly planeja submeter a efsitora às agências reguladoras globais para o tratamento de adultos com diabetes tipo 2 ainda neste ano.

Benefícios da insulina semanal

O endocrinologista Luís Henrique Canani, professor titular da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), tem acompanhado as pesquisas com insulina semanal e afirma que os achados são essenciais para o bem-estar das pessoas que vivem com diabetes.

De forma simplificada, ele explica que o ser humano produz dois tipos de insulina: a basal, que tem produção contínua, e outra de ação rápida desencadeada quando nos alimentamos. O paciente com diabetes apresenta falhas na produção de insulina, hormônio que regula os níveis de açúcar no sangue, o que faz com que o tratamento seja necessário.

O problema é que a aplicação pode ser necessária até duas vezes por dia, dependendo do caso. “Estamos falando de sair de 730 aplicações para 52 em um ano em pessoas que já precisam medir a glicemia com picadas na ponta do dedo. Isso muda a vida delas por reduzir o peso emocional e físico do tratamento.”

Canani coordenou um dos grupos que avaliou voluntários brasileiros em testes com a primeira insulina de uso semanal, a icodeca (Awiqli, da Novo Nordisk) — aprovada no Brasil em março deste ano pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), mas sem data prevista para chegada ao país — em comparação à dose diária de insulina degludeca.

Os resultados do ensaio ONWARDS 3 foram animadores: após 26 semanas, a insulina semanal levou a uma redução superior da hemoglobina glicada com menos eventos adversos, entre eles, a hipoglicemia (queda de açúcar no sangue).

Febre-amarela volta a circular no Brasil e já tem mais de 44 mortes em 2025

Febre-amarela volta a circular no Brasil e já tem mais de 44 mortes em 2025 – Foto: reprodução

A febre-amarela é uma doença infecciosa aguda, causada por um vírus transmitido principalmente por mosquitos silvestres. Embora seja endêmica em várias regiões do continente americano, incluindo o Brasil, a preocupação com surtos urbanos tem crescido nos últimos anos. Fatores como baixas taxas de vacinação, alta circulação do vírus em macacos silvestres e mudanças climáticas que favorecem a proliferação de mosquitos nas cidades contribuem para o aumento do risco de transmissão urbana.

Nos últimos anos, a Organização Pan-Americana de Saúde (Opas) tem alertado para o risco elevado de surtos urbanos de febre-amarela, especialmente no sul do BrasilAmérica Central e Caribe. Em 2024, foram registrados 61 casos no continente americano, resultando em 30 mortes. Em 2025, até maio, o número de casos confirmados já havia aumentado para 221, com 89 mortes em cinco países. No Brasil, foram 110 casos com 44 mortes no mesmo período, destacando a gravidade da situação.

Como a febre-amarela se espalha?

A febre-amarela é transmitida por mosquitos, principalmente em áreas silvestres. No entanto, o vírus também pode ser disseminado pelo Aedes aegypti, o mesmo mosquito que transmite a dengue, em áreas urbanas. Isso representa um risco significativo, pois muitas cidades brasileiras abrigam esse mosquito, que encontra condições climáticas favoráveis para sua proliferação. Embora o último registro de febre-amarela urbana no Brasil tenha sido em 1942, a possibilidade de um novo surto urbano não pode ser descartada.

Por que a vacinação é crucial?

A vacinação é a principal medida de prevenção contra a febre-amarela. A vacina é de dose única e oferece proteção para a vida toda. Desde 2020, a recomendação é de vacinação universal para brasileiros até 59 anos. No entanto, a cobertura vacinal tem ficado abaixo das metas estabelecidas, com dados mostrando uma cobertura nacional de apenas 73% em 2024. A baixa adesão à vacinação aumenta o risco de a doença escapar das áreas silvestres e iniciar um ciclo de transmissão urbana.

Quais são os desafios na produção de vacinas?

A produção de vacinas contra a febre-amarela enfrenta desafios significativos. No Brasil, a vacina é produzida por Biomanguinhos na rede pública e pela Sanofi na rede privada. Ambas são vacinas atenuadas feitas em ovo, o que limita a produção devido à necessidade de granjas certificadas. Durante surtos urbanos em 2017, o Brasil recorreu a doses fracionadas da vacina de Biomanguinhos devido à escassez. A capacidade de produção é um fator crítico, especialmente em tempos de aumento da demanda.

O que pode ser feito para prevenir surtos urbanos?

Para prevenir surtos urbanos de febre-amarela, é essencial aumentar a cobertura vacinal e controlar a população de mosquitos nas áreas urbanas. Campanhas de vacinação e conscientização são fundamentais para alcançar esses objetivos. Além disso, medidas de controle ambiental, como a eliminação de criadouros de mosquitos, são necessárias para reduzir o risco de transmissão. A febre amarela é uma doença grave, e a prevenção é a melhor estratégia para evitar suas consequências devastadoras.

Quais são os sintomas e como é feito o diagnóstico?

Os principais sintomas da febre-amarela incluem febre alta, calafrios, dor de cabeça, dores musculares, náusea e vômito. Em casos mais graves, pode ocorrer insuficiência hepática e hemorragias, levando ao risco de morte. O diagnóstico é realizado através de exames laboratoriais específicos, como sorologia e testes moleculares, geralmente disponíveis em grandes centros de referência no Brasil. O diagnóstico precoce é importante para o manejo adequado dos casos e para a adoção rápida de medidas de saúde pública.

Como a febre-amarela impacta a saúde pública?

O impacto da febre-amarela na saúde pública é expressivo, principalmente em regiões com baixa cobertura vacinal. Surtos podem sobrecarregar os sistemas de saúde, especialmente em cidades de grande porte, como Rio de Janeiro e São Paulo. Além disso, o risco de exportação da doença para outros países aumenta a necessidade de vigilância epidemiológica e de estratégias integradas entre governos e agências internacionais. Investimentos em pesquisas, fortalecimento da atenção primária e campanhas educativas são essenciais para enfrentar o desafio que a febre-amarela representa para a sociedade.

Governo de Minas reforça importância da vacinação e dos cuidados com idosos para prevenção de doenças respiratórias

Governo de Minas reforça importância da vacinação e dos cuidados com idosos para prevenção de doenças respiratórias – Foto: reprodução

Com a chegada do período mais frio, o Governo de Minas, por meio da Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG) reforça a importância da vacinação e dos cuidados com idosos para prevenir complicações de doenças respiratórias. Pessoas com mais de 60 anos estão entre os grupos que mais demandam atenção, por serem mais vulneráveis a quadros graves.

De janeiro a 22/6 de 2025, mais da metade das internações por síndromes respiratórias no estado envolveu idosos: foram 34.873, 55% do total de 63.737. Entre os óbitos por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), 795 dos 1.085 registrados ocorreram em pessoas com mais de 60 anos.

Vacinação

A SES-MG destaca a vacinação como uma das principais formas de proteção contra casos graves. A vacina contra a gripe está disponível o ano todo nas unidades do Sistema Único de Saúde (SUS), é segura e protege contra os principais vírus da Influenza (H1N1, H3N2 e B).

Até 25/6, a cobertura desse imunizante entre idosos era de 50,17%, diante da meta de 90% estabelecida pelo Programa Nacional de Imunizações (PNI).

Idosos também devem manter o esquema vacinal contra a covid-19 atualizado, com as doses de reforço recomendadas. Em Minas, a cobertura contra a covid-19 nessa faixa etária é de 106% para duas doses, 91% para três e 65% para quatro doses, segundo o Ministério da Saúde.

“A vacinação é uma medida segura, eficaz e disponível nas unidades de saúde. Reforçamos a orientação para que os idosos e seus familiares verifiquem o cartão de vacinas e mantenham a proteção em dia”, afirma o subsecretário de Vigilância em Saúde da SES-MG, Eduardo Prosdocimi.

Ele também alerta para a necessidade de ampliar a adesão. “Observamos uma cobertura ainda abaixo do ideal, o que pode contribuir para o aumento de internações e óbitos por doenças respiratórias nesta faixa etária”.

Idosos também podem se vacinar nas unidades básicas de saúde contra a pneumonia. A vacina pneumocócica polissacarídica 23-valente (Pneumo 23) está disponível em todo o estado.

Vulnerabilidade e risco de complicações

O pneumologista Marcelo Fuccio, do Hospital Júlia Kubitschek, da Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig), reforça a importância da imunização.

“Além da vacina, é essencial que o idoso mantenha cuidados diários com a saúde, como boa alimentação, prática de atividades físicas e atenção aos primeiros sinais de problemas respiratórios”, orienta.

Segundo ele, doenças crônicas comuns nessa faixa etária podem agravar os quadros respiratórios. “É uma população vulnerável, muitas vezes com condições pré-existentes, como problemas cardíacos ou pulmonares. Por isso, a vacinação reduz a gravidade dos casos e a necessidade de internações”.

Relato de quem se previne

Exemplo de conscientização é o aposentado Salvador Soares Teixeira, de 75 anos. Ele destaca os benefícios de manter a vacinação em dia e relata que nunca precisou de internação por doenças respiratórias.

“Desde que começou a vacina da gripe no posto de saúde, eu tomo todo ano. Tomei também todas as de covid. Nunca tive uma gripe forte depois disso”, conta.

Além da vacinação, Salvador conta que pratica atividades físicas e adota uma alimentação equilibrada para se prevenir contra as doenças e manter sempre a qualidade de vida.

Atenção aos sintomas

Os sintomas mais comuns da gripe incluem febre, dor de garganta, tosse seca, dores no corpo e cansaço. O início costuma ser repentino, com febre alta, calafrios e tosse. Também pode haver coriza, espirros e fadiga.

Em geral, os sintomas duram entre sete e dez dias, mas o cansaço, a tosse e a fraqueza podem persistir por até duas semanas.

Entre idosos, é essencial observar sinais de agravamento, como fraqueza intensa, cansaço excessivo, dificuldade para respirar ou confusão mental.

Já a covid-19 pode provocar desde perda de olfato, coriza e tosse até falta de ar severa e comprometimento pulmonar.

“O diagnóstico precoce e o acompanhamento adequado são fundamentais para uma boa recuperação”, reforça o pneumologista.

Atuação permanente

De janeiro a junho de 2025, a SES-MG distribuiu mais de 7,8 milhões de doses da vacina contra a gripe e 1,2 milhão contra a covid-19 para as 28 Unidades Regionais de Saúde, responsáveis pelo repasse aos 853 municípios.

Além da distribuição de vacinas, a SES-MG realiza ações de orientação, capacitação dos municípios e campanhas educativas para ampliar a cobertura vacinal entre os públicos prioritários.

Governo de Minas destinou, no último biênio, R$165 milhões em bonificações para municípios que se aproximaram das metas vacinais e realizaram vacinação extramuros, como em escolas. Também investiu R$100 milhões na aquisição dos vacimóveis, veículos que circulam por praças, locais movimentados e áreas rurais, buscando ativamente a população não vacinada. Para 2025-2026, serão R$ 210 milhões para intensificar essas ações.

Governo de Minas reforça importância da vacinação e dos cuidados com idosos para prevenção de doenças respiratórias – Imagem: divulgação

Minas Gerais aprova Rede de Atenção Oftalmológica com investimentos de R$ 67 milhões em recursos estaduais

Minas Gerais aprova Rede de Atenção Oftalmológica com investimentos de R$ 67 milhões em recursos estaduais – Foto: divulgação

A Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG) e o Conselho de Secretarias Municipais de Saúde de Minas Gerais (Cosems-MG) realizaram, na última quarta-feira (11), a 319ª Reunião Ordinária da Comissão Intergestores Bipartite do Sistema Único de Saúde em Minas Gerais (CIB-SUS/MG). O encontro aconteceu no auditório do Cosems-MG, em Belo Horizonte, com o objetivo de fortalecer a governança e pactuar estratégias para aprimorar o SUS no estado.

Um dos principais destaques foi a aprovação das regras de financiamento da Rede de Atenção Oftalmológica no âmbito do SUS/MG. Serão destinados R$67 milhões em recursos estaduais para qualificar e ampliar o acesso da população aos serviços especializados, com foco em consultas, exames e cirurgias, como catarata e retina.

“Esse é mais um passo na construção da Rede de Oftalmologia, com a perspectiva de implementação nos territórios. Esse momento de encontro é fundamental para alinhar as ações e garantir que todos tenham clareza sobre o que está sendo feito e como está sendo feito”, afirmou a secretária de Estado Adjunta de Saúde, Poliana Lopes.

A proposta aprovada integra a estratégia de regionalização da atenção especializada, com o objetivo de oferecer atendimento mais próximo ao cidadão e reduzir filas e deslocamentos. “A política contempla a organização da rede em articulação com a Atenção Primária à Saúde, promovendo maior resolutividade e integração entre os níveis de atenção”, acrescentou Poliana.

A secretária também abordou o processo de revisão normativa para publicação de um novo decreto estadual, voltado à simplificação da prestação de contas. “Nossa expectativa é apresentar esse avanço em uma das próximas reuniões. Isso permitirá uma gestão mais eficiente dos recursos financeiros”, comentou.

O presidente do Cosems-MG, Edivaldo Farias da Silva Filho, destacou a participação ativa do Conselho e das equipes técnicas na construção do novo decreto. “Vemos com bons olhos, pois acreditamos que isso permitirá aos municípios uma alocação mais eficiente dos recursos. Participamos diretamente da elaboração, com o entendimento de que haverá melhorias na prestação de contas, respeitando as necessidades locais e evitando engessamentos”, pontuou.

A reunião também tratou de temas como o financiamento da Atenção Primária à Saúde, a organização da assistência hospitalar e ambulatorial, o fortalecimento da assistência farmacêutica e ações voltadas à regulação do acesso e transporte eletivo.

Entre os destaques, foram apresentados os resultados dos indicadores estabelecidos pela Resolução SES nº 9.635/2024, que regulamenta o financiamento continuado da Atenção Primária. Também foi discutido o documento orientador para a revisão do Plano Diretor de Regionalização (PDR), com foco em 2025.

Outro ponto relevante foi a apresentação da Nota Técnica nº 10/2025, com diretrizes para a linha de cuidado à pessoa adulta com sobrepeso e obesidade no SUS/MG.

A análise do cenário epidemiológico dos vírus respiratórios em Minas Gerais também foi tema de debate, considerando seu impacto na organização dos serviços nos territórios. Foi aprovada a alteração no cronograma de financiamento das ações emergenciais contra doenças respiratórias, com ênfase nas arboviroses.

A reunião deliberou, ainda, sobre o cronograma de adesão aos Sistemas Regionais de Transporte Eletivo para 2025, no âmbito da política Transporta SUS-MG, e sobre a habilitação de Unidades de Suporte Avançado do Samu 192 para o uso de trombolíticos na macrorregião Oeste.

Também foram atualizadas normas da Rede de Atenção à Saúde Bucal e alteradas resoluções relativas ao financiamento de investimentos em Centros de Especialidades Odontológicas e Unidades Básicas de Saúde.

Prefeitura de Boa Esperança confirma diagnóstico de meningite em criança de 2 anos

Prefeitura de Boa Esperança confirma diagnóstico de meningite em criança de 2 anos - Imagem: reprodução
Prefeitura de Boa Esperança confirma diagnóstico de meningite em criança de 2 anos – Imagem: reprodução

A Prefeitura de Boa Esperança (MG) confirmou nesta quinta-feira (12) o diagnóstico de meningite em uma criança que estava sob monitoramento após apresentar suspeita da doença. O paciente de 2 anos segue internado com quadro de saúde estável no Hospital Regional em Varginha (MG).

De acordo com a Prefeitura de Boa Esperança, a criança que estuda na Creche Municipal Maria Rosa de Souza Parreira apresentou os sintomas no início da semana. Após a notificação, foram adotadas todas as medidas recomendadas pelo Ministério da Saúde.

Entre as medidas estão a limpeza e desinfecção geral de todas as áreas da creche, além da medicação preventiva para contatos próximos do caso suspeito. Pais e responsáveis pelos alunos da instituição também foram orientados acerca dos sintomas da doença.

Foram feitos exames específicos e colhido material genético da criança. O material foi encaminhado para a Fundação Ezequiel Dias, em Belo Horizonte (MG), e na quarta-feira (11) saiu resultado positivo da análise. A criança continua hospitalizada recebendo tratamento adequado.

A Prefeitura de Boa Esperança informou que se trata de um caso isolado e não há, atualmente, nenhuma outra suspeita de meningite.

Sobre a meningite

meningite é uma inflamação das meninges, membranas que protegem o cérebro e a medula, causada por vírus ou bactérias.

Os sintomas incluem febre alta, rigidez de nuca, dor de cabeça intensa, náuseas, fotofobia, confusão mental e possíveis manchas vermelhas na pele. A meningite é uma doença grave, com potencial de evolução rápida e risco de complicações severas. A forma mais eficaz de prevenção é a vacinação.

De acordo com a Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG), desde o começo do ano, foram notificados 313 casos de meningites de todos os tipos, com 36 mortes em decorrência da doença.

Via: G1

Jornal Folha Regional
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