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Jornal Folha Regional

HIV: cientistas conseguem entrar nas células infectadas e avançam na cura da doença

HIV: cientistas conseguem entrar nas células infectadas e avançam na cura da doença - Foto: reprodução
HIV: cientistas conseguem entrar nas células infectadas e avançam na cura da doença – Foto: reprodução

Cientistas da Austrália e dos Estados Unidos deram um passo importante na busca por uma cura para o HIV, o vírus causador da Aids. Em um estudo publicado na revista Nature Communications, eles desenvolveram uma tecnologia baseada em mRNA — a mesma usada nas vacinas contra a covid-19 — capaz de “acordar” o patógeno que permanece escondido no organismo mesmo com o uso de antirretrovirais.

Essa forma latente do HIV é considerada o principal obstáculo para a cura da Aids. Mesmo quando a carga viral está indetectável no sangue, o vírus continua presente em células do sistema imunológico chamadas T CD4+. Ele fica adormecido, fora do alcance das defesas do corpo e dos medicamentos. Se a pessoa interrompe o tratamento, volta a se multiplicar.

A nova abordagem usa nanopartículas lipídicas — minúsculas cápsulas de gordura — para entregar às células infectadas um RNA mensageiro que carrega instruções para a produção da proteína Tat, essencial para o funcionamento do HIV. Ela funciona como um interruptor, reativando o vírus dentro das células. 

Inédito

O objetivo é tornar as estruturas infectadas visíveis novamente, para que possam ser destruídas pelo próprio organismo ou por terapias complementares. “Conseguimos ativar o vírus sem causar danos às células nem provocar efeitos colaterais indesejados. Isso é inédito”, disse, em nota, a imunologista Sharon Lewin, diretora do Instituto Peter Doherty, em Melbourne, e uma das autoras do estudo.

Além da proteína Tat, os cientistas testaram a tecnologia CRISPR, conhecida como “tesoura genética”, adaptada para ativar genes, em vez de cortá-los. O sistema foi programado para reconhecer e estimular o DNA do HIV dentro das células infectadas. Embora essa abordagem tenha mostrado resultados mais modestos que o mRNA com Tat, ela foi considerada altamente específica, sem afetar genes saudáveis das células.

Promissor

Ambas as estratégias foram testadas em laboratório com células do sangue de pessoas vivendo com HIV e em tratamento. Os resultados foram promissores, mas ainda preliminares. O estudo não chegou a eliminar o vírus do organismo — ele apenas o reativou. Isso significa que outras terapias serão necessárias para destruir as células infectadas após acordar o patógeno. 

Ainda assim, os cientistas acreditam que essa é uma peça-chave para montar o quebra-cabeça da cura. “Essa abordagem pode ser combinada com imunoterapias ou drogas que induzem a morte das células infectadas. É um caminho promissor”, explica o pesquisador Michael Roche, também autor do estudo.

Antes de chegar aos pacientes, a técnica ainda precisa passar por testes em animais e ensaios clínicos em humanos. Também será necessário investigar a segurança do tratamento a longo prazo e encontrar formas de aplicá-lo em larga escala, explicaram os cientistas. 

Cerca de 40 milhões de pessoas vivem com HIV no mundo, segundo a Organização Mundial da Saúde. Embora o tratamento atual com antirretrovirais seja eficaz para controlar a infecção e permitir uma vida longa e saudável, ele não elimina o vírus do organismo. A possibilidade de uma cura funcional — em que o vírus deixa de causar danos mesmo sem medicamentos — é um objetivo buscado há décadas por cientistas. “Estamos longe de uma cura definitiva, mas esse estudo mostra que ela está cada vez mais próxima”, resume Sharon Lewin.

Âmbito nacional

André Bon, infectologista do Hospital Brasília, da Rede América - Foto: Arquivo pessoal
André Bon, infectologista do Hospital Brasília, da Rede América – Foto: Arquivo pessoal

Depois que infecta o ser humano, o vírus HIV entra em uma série de células, dentre elas alguns glóbulos brancos, que entram em latência, param de se multiplicar e ficam com o HIV naquele reservatório de DNA durante muitos anos. Em algum momento, essa célula pode sair da latência, e o vírus voltar a se replicar. Essas células são uma das principais barreiras para a cura do HIV. Uma estratégia que consegue identificar esse material genético do HIV em latência, expor essas células para que o sistema imune ou alguma outra terapia eventualmente possa destruir as células, é um caminho interessante para a cura do HIV. O que é importante a gente saber é que isso ainda está no âmbito experimental, que a gente ainda precisa de estudos em animais e, posteriormente, em seres humanos para ver se isso será, de fato, uma estratégia eficaz para a cura nos próximos anos. É extremamente relevante a gente compreender que uma cura definitiva e erradicação do HIV no mundo de fato só vai ser possível se existirem terapias curativas acessíveis para todas as pessoas do mundo, inclusive nos países de baixa renda.

Especialista da Santa Casa de Passos faz alerta sobre popularização dos vapes entre jovens

Especialista da Santa Casa de Passos faz alerta sobre popularização dos vapes entre jovens - Foto: reprodução
Especialista da Santa Casa de Passos faz alerta sobre popularização dos vapes entre jovens – Foto: reprodução

Em alusão ao Dia Mundial sem Tabaco, celebrado em 31 de maio, a médica pneumologista, Lucia Maria Macedo Ramos, da Santa Casa de Misericórdia de Passos (MG) fez um importante alerta, em um vídeo publicado nas redes sociais da instituição, sobre os riscos do tabagismo e o crescente consumo de cigarros eletrônicos entre os jovens.

Segundo ela, é essencial desmistificar a ideia de que fumar é apenas um hábito. “O tabagismo não é um hábito, ele é uma doença. Está incluído no rol de doenças mentais com dependência à nicotina e derivados”, afirmou.

A médica enfatizou a preocupação com a popularização dos cigarros eletrônicos, especialmente entre adolescentes. Ela explicou que, embora sejam vendidos como inofensivos, esses dispositivos são tão perigosos quanto os cigarros tradicionais. “Eles possuem uma bateria que aquece um líquido, e esse vapor é inalado. Só que esse líquido contém nicotina e outras substâncias tóxicas, como o formaldeído, responsável pelo câncer.”

Além disso, o uso dos chamados vapes está associado a doenças respiratórias e cardiovasculares. A médica destacou ainda que um único cigarro eletrônico pode conter a mesma quantidade de nicotina que um maço inteiro de cigarros, o que favorece uma dependência ainda mais rápida.

Ela concluiu com uma mensagem direta aos jovens: “Eu creio que só quando o jovem buscar em seu íntimo a verdade, ele vai entender a necessidade de parar de consumir essas substâncias”.

A Santa Casa, que em 2019, criou o projeto “Santa Casa sem Tabaco”, que visa reforçar a Lei Federal 9294/96, restringindo o uso e a propaganda de produtos relacionados ao fumo dentro da instituição, reafirmou o seu compromisso em promover a saúde e a conscientizar a populção sobre os riscos do tabagismo, buscando proteger as novas gerações dos perigos associados ao uso de produtos derivados do tabaco.

SUS passa a oferecer tratamento integral para dermatite atópica

SUS passa a oferecer tratamento integral para dermatite atópica - Foto: reprodução
SUS passa a oferecer tratamento integral para dermatite atópica – Foto: reprodução

A dermatite atópica – condição que acomete principalmente as crianças – poderá ser tratada de forma integral no Sistema Único de Saúde (SUS). Isso porque as pessoas que lidam com essa doença crônica – que causa inflamação na pele, ocasionando lesões e coceiras intensas, dependendo da gravidade – passam a contar com três novos medicamentos, possibilitando o cuidado desde as fases iniciais até quadros mais graves da doença.

A novidade foi anunciada pelo Ministério da Saúde, com a publicação de três portarias, nesta terça-feira (26). Ela amplia as opções de tratamento com ganhos importantes para quem convive com a dermatite atópica em vista da incorporação, na rede pública de saúde, de duas pomadas para a pele – o tacrolimo e o furoato de mometasona – e um medicamento oral – o metotrexato.

Com recomendação favorável da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec), o tacrolimo tópico e o furoato de mometasona poderão tratar pessoas que não podem utilizar corticoides ou apresentam resistência aos tratamentos até então disponíveis. A ampliação de acesso ao tacrolimo tópico para os pacientes do SUS é um benefício relevante, já que, por ser um medicamento de alto custo, seu acesso era mais restrito.

 A outra novidade é o metotrexato utilizado no manejo da dermatite atópica grave, principalmente para pacientes que não podem utilizar a ciclosporina, medicamento já disponibilizado na rede pública.

Tratamento adequado e enfrentamento ao preconceito

A secretária de Ciência, Tecnologia e Inovação e do Complexo Econômico-Industrial da Saúde (SECTICS), Fernanda De Negri, explica que os novos medicamentos possibilitarão tratamentos mais personalizados e com menos efeitos colaterais, dependendo da gravidade da condição. “Outro fator importante do tratamento é o enfrentamento a estigmas sociais impostos às pessoas que vivem com a condição, que, muitas vezes, convivem com preconceitos em vista das lesões visíveis na pele. Estamos falando de uma doença que acomete, muitas vezes, crianças em idade escolar, que podem deixar de ir às aulas por isso”, afirmou.

Fernanda De Negri se refere aos impactos psicossociais que atingem não apenas as crianças, mas também os adultos que também podem ser acometidos pela doença. Muitas pessoas sofrem com feridas visíveis que podem impor limitações em suas atividades diárias e, portanto, da qualidade de vida, dependendo de sua condição clínica.

Dermatite atópica, uma condição genética e crônica

Doença não contagiosa, a dermatite atópica é uma condição genética e crônica, caracterizada principalmente por coceira intensa e pele ressecada. Ela afeta especialmente as áreas de dobras do corpo, como a parte frontal dos cotovelos, atrás dos joelhos e o pescoço. É uma das formas mais comuns de eczema, prevalente na infância, embora também possa surgir na adolescência ou na fase adulta.  

Em crianças pequenas, a face é frequentemente uma área afetada. A doença pode variar muito de paciente para paciente, com diferentes intensidades e respostas aos tratamentos.

Conheça detalhes dos novos medicamentos

Incorporados ao SUS para tratar casos leves, moderados e graves, o tacrolimo tópico, furoato de mometasona e o metotrexato serão ofertados na rede pública de saúde conforme o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) da Dermatite Atópica. Esse documento está sendo atualizado para incluir as orientações de uso dos novos medicamentos.  Conheça mais sobre eles:

  • tacrolimo tópico será oferecido nas concentrações de 0,03% e 0,1%.  Trata-se de uma pomada que garante tratamento de lesões em áreas sensíveis, como o rosto, pois reduz a permeabilidade da pele e melhora a barreira cutânea. Ele funciona diferentemente dos corticoides que podem causar efeitos adversos significativos com o uso prolongado. SECTICS/MS, nº 18, de 12 de maio de 2025.
  • Já o furoato de mometasona 0,1%, em forma de pomada, promove alta adesão ao tratamento por sua eficácia na regeneração da pele sensível, auxiliando na cicatrização e proporcionando alívio rápido. A incorporação desse medicamento fortalece a linha de tratamento oferecida pelo SUS, que passa a atender diferentes idades e fases da doença e pacientes com restrições ao uso de outras substâncias. Confira  portaria SECTICS/MS, nº 18, de 12 de maio de 2025.
  • Já o metotrexato, medicamento oral, é um imunossupressor e atua na modulação da resposta inflamatória. Ele ajuda a controlar as crises da doença e ainda reduz a necessidade do uso contínuo de corticosteroides sistêmicos, que apresentam efeitos colaterais com o uso prolongado.

Tratamento da doença no SUS

Atualmente, a rede pública de saúde já oferece outras três opções de cuidado: duas pomadas para aplicação direta na pele, a dexametasona creme (1 mg/g) e acetato de hidrocortisona creme (10 mg/g – 1%). Ambas são classificadas como de potência leve. Para casos mais graves, está disponível a ciclosporina, opção oral.

Entre 2024 e 2025, mais de 1 mil atendimentos hospitalares e mais de 500 mil ambulatoriais relacionados à dermatite atópica foram prestados na rede pública de saúde em todo o Brasil. O cuidado pode envolver consultas especializadas, exames e prescrição de medicamentos, de acordo com o quadro clínico apresentado.

O tratamento objetiva reduzir sintomas, prevenir exacerbações, tratar infecções quando presentes, minimizar os riscos de tratamento e restaurar a integridade da pele. Na maioria dos pacientes com a forma leve da doença, os resultados positivos são alcançados apenas com o uso de terapias tópicas, que inclui hidratantes e emolientes, adaptações nos banhos, fototerapia, curativos/bandagens e uma terapia com o foco na reversão de hábitos. Já para casos moderados ou graves, o tratamento envolve também medicamentos como corticoides, comprimidos e soluções orais.

Como acessar o tratamento na rede pública

Para ter acesso à assistência pública, basta procurar a Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima da residência do paciente; a partir da avaliação clínica e se houver necessidade, ocorrerá o encaminhamento para consulta com especialista para diagnóstico preciso e definição da conduta terapêutica.

SRS-Passos recebe 88,7 mil doses da vacina Influenza

SRS-Passos recebe 88,7 mil doses da vacina Influenza - Foto: reprodução
SRS-Passos recebe 88,7 mil doses da vacina Influenza – Foto: reprodução

A Superintendência Regional de Saúde (SRS) de Passos (MG) entregou 88,7 mil doses da vacina Influenza Trivalente, que protege contra três tipos de vírus da gripe, aos municípios da região. Essa é uma das ações do órgão com o objetivo de preparar os municípios e a assistência hospitalar da região para a prevenção das infecções e tratamento da Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG).

Segundo a SRS-Passos, além da entrega das vacinas, dentre outras medidas, está a capacitação de médicos e profissionais da rede de assistência aos usuários e o alinhamento das normativas relacionadas à SRAG para os municípios e prestadores hospitalares enfrentarem o período sazonal.

Para a referência técnica em imunizações da SRS-Passos, Sueli Veloso Maia, a imunização das pessoas contra a gripe é uma das medidas para evitar novos casos de SRAG, mas é preciso que os municípios concentrem a vacinação nesse período de temperatura baixa, em que é mais fácil a dispersão do vírus.

“Vários fatores influenciam, como a concentração de pessoas em ambientes fechados e mal ventilados, a composição da faixa etária mais vulnerável, que são as crianças, os idosos, as gestantes e os portadores de doenças crônicas”, disse.

Conforme a SRS-Passos, para que os municípios e os prestadores de serviços hospitalares pudessem se preparar para o período de maior incidência da SRAG, a superintendência, por meio da Coordenação de Redes de Atenção à Saúde (Cras), promoveu reuniões com gestores e capacitação para profissionais da saúde, com apresentação do Fluxograma da Bronquiolite Viral Aguda (BVA) e da grade de referência hospitalar na região para casos moderados e graves da doença.

Nesses eventos, também foram repassados o teor do decreto do governo de Minas Gerais (nº 411/2025), que declara situação de emergência em saúde pública em razão do cenário epidemiológico de Doenças Infecciosas Virais – Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), as Deliberações da Comissão Intergestores Bipartite (CIB-SUS/MG) do estado e uma Portaria do Ministério da Saúde (MS), que tratam de incentivos financeiros para custeio da ampliação e/ou conversão de leitos para enfrentamento da Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG).

Casos de SRAG sobem na região

Até esta terça-feira, 27, 77 pessoas foram hospitalizadas com Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) em hospitais da região e 12 pacientes haviam morrido em decorrência da doença neste ano.

No dia 29 de abril, eram 28 pessoas hospitalizadas e sete óbitos, o que representa um aumento de 125% nas notificações de internação e de 71,43% nos óbitos em um mês, segundo informações do Painel da Vigilância em Saúde da Secretaria de Estado de Minas Gerais (SES-MG) atualizadas nesta terça-feira, 27.

De acordo com o painel, foram cinco mortes em Passos e duas em São Sebastião do Paraíso. Os outros óbitos são de pacientes de Capitólio, Delfinópolis, Monte Santo de Minas, Nova Resende e Pimenta, com uma morte em cada município.

Segundo o painel, 22 casos são de SRAG por covid-19, o que representa 33,33% das notificações; empatado com os casos que envolvem influenza (33,33%); 18 são de SRAG não especificado (27,27%); três casos por outro vírus respiratório (4,55%); e um caso por outro agente etiológico. Em relação aos óbitos, sete foram relacionados à covid.

A maior incidência das internações por SRAG na região ocorreu em pessoas com idade entre 60 e 69 anos, com 16 notificações, seguida pelas faixas entre 1 a 9 anos (15 notificações) e 70 e 79 anos (14 notificações)

Entre pessoas com 80 a 89 anos foram 13 hospitalizações e, na faixa de 10 e 19 anos, cinco casos. O painel também registra quatro notificações em pessoas entre 30 e 39 anos e 50 e 59 anos, em cada faixa etária.

Conforme o painel, oito dos 12 óbitos em decorrência de SRAG registrados na região neste ano ocorreram entre pessoas com idade entre 60 e 89 anos, sendo quatro na faixa de 60 a 69, dois na faixa de 80 a 89 e um na de 70 a 79 anos de idade. O painel também registra duas mortes de paciente com 50 a 59 anos, um óbito entre 1 e 9 anos de idade, um entre 30 e 39 anos e um óbito em pessoa com 90 anos ou mais. Entre os óbitos, seis foram de pacientes do sexo masculino e seis do sexo feminino.

Em Passos, o painel aponta que 13 pessoas foram hospitalizadas com SRAG em 2025. Paraíso registra 12 hospitalizações. Piumhi, teve um registro de SRAG neste ano.

Segundo a coordenadora de Vigilância em Saúde (CVS) da SRS Passos, Camila Ribeiro Correia Amano, o cenário epidemiológico no estado tem acompanhado a tendência nacional, com destaque para o aumento expressivo de SRAG em crianças menores de cinco anos, principalmente por bronquiolite (VSR) e resfriados (rinovírus), com alta taxa de ocupação de leitos hospitalares.

“Estamos no período sazonal, e todo cuidado tem que ser dispensado para que as pessoas, especialmente as crianças e os idosos, não desenvolvam as formas graves das doenças respiratórias”, alerta Márcia Aparecida Silva Viana, coordenadora do Núcleo de Vigilância Epidemiológica (Nuvepi) da SRS Passos.

“Em Minas Gerais, a SES-MG tem se esforçado para reduzir as complicações por essas doenças, as SRAG, o que levou ao decreto do governo que declara situação de emergência no estado”, acrescentou Márcia.

Via: Clic Folha

Minas confirma caso de gripe aviária e governo decreta emergência sanitária

Minas confirma caso de gripe aviária e governo decreta emergência sanitária - Foto: reprodução
Minas confirma caso de gripe aviária e governo decreta emergência sanitária – Foto: reprodução

Minas Gerais confirmou, nesta terça-feira (27), um foco de gripe aviária. A identificação ocorreu em três aves ornamentais, em um sítio de Mateus Leme, na região metropolitana de Belo Horizonte. Em função da identificação, o governador Romeu Zema (Novo) decretou emergência sanitária, em edição especial do Diário Oficial. 

“As medidas de monitoramento, as ações preventivas e a análise de riscos da IAAP serão realizadas em cooperação com o setor privado e o poder público, observados os princípios e as diretrizes estabelecidos pelo Ministério da Agricultura e Pecuária, bem como os protocolos sanitários estabelecidos na legislação vigente”, diz o texto publicado pelo chefe do Executivo. O decreto tem validade de 180 dias. 

De acordo com o painel de monitoramento de Síndrome Respiratória e Nervosa das Aves do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), o foco se deu em uma espécie de cisne negro. Em vídeo enviado à imprensa, o vice-governador, Mateus Simões (Novo), disse que o contágio aconteceu pela passagem de aves migratórias.

“É um risco que infelizmente acontece. E repito, todas as providências estão sendo tomadas. Todos os recursos físicos, estruturais e financeiros estão já à disposição das nossas autoridades sanitárias e não há qualquer risco no consumo de carne ou de ovos”, detalhou Simões. 

À reportagem, o prefeito de Mateus Leme, Renílton Coelho (Republicanos), informou que o vírus foi identificado além do cisne negro, em dois gansos. As suspeitas surgiram no dia 16 de maio, quando os animais foram encontrados mortos e recolhidos para exames laboratoriais. O Executivo municipal monitora, agora, os humanos que vivem no sítio e que podem ter tido algum contato com os animais infectados. 

Esse monitoramento será feito por dez dias, para observar se houve manifestação de sintomas. “Todas as medidas sanitárias já estão sendo tomadas, quero tranquilizar a população que não existe risco comunitário”, disse Coelho. O prefeito reforçou que não há risco às granjas do município e que, do ponto de vista econômico, não há impactos à cidade. “É uma atividade que não tem muita relevância econômica aqui”, completou. 

Medidas sanitárias

O caso não é o primeiro registrado em Minas. Em 2023, houve uma confirmação em um pato de vida livre, também diagnosticado com Influenza Viária de Baixa Patogenicidade (H9N2). Desta vez, trata-se de Influenza Aviária de Alta Patogenicidade (IAAP). 

Em nota, o Executivo informou que as medidas integram o Plano de Contingência da Influenza Aviária de Alta Patogenicidade (IAAP), firmado entre União, Estados e setor produtivo. O documento foi editado em 2022, quando surgiu o primeiro foco da doença na América do Sul. 

“Até o momento, não há qualquer comprometimento da produção avícola do estado”, frisou o governo. Conforme o Executivo, as ações de monitoramento e prevenção incluem medidas de biosseguridade das granjas comerciais, políticas de educação sanitária e vigilância nas propriedades classificadas como risco, cadastro e vistoria em criatórios de subsistência, além de ações sanitárias em eventuais áreas de foco da doença.

“A transmissão das aves para os humanos não é comum, mas pode ocorrer em pessoas expostas a uma grande carga viral ou que estejam com baixa imunidade. A Influenza Aviária não é transmitida pelos alimentos, desde que esses sejam bem cozidos”, completou o governo mineiro. 

Economia

A reportagem procurou a Associação dos Avicultores de Minas Gerais (Avimig) para comentar sobre a identificação do foco da doença no Estado. A entidade, no entanto, afirmou que os posicionamentos serão esclarecidas pelo Ministério da Agricultura e Pecuária e por comunicados da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA). 

“Essa decisão visa garantir que as informações sejam repassadas de forma mais precisa e oficial, já que esses órgãos estão diretamente à frente da situação”, disse o diretor técnico da Avimig, Gustavo Ribeiro. A ABPA, por sua vez, em comunicado publicado na semana passada, reforçou que não há risco de contaminação pelo consumo de carne de frango e ovos.

“O preparo correto é o principal fator de segurança alimentar para qualquer situação sobre os alimentos”, diz a ABPA, que também orienta a população a seguir medidas no preparo e manejo, como cozinhar completamente carnes e ovos, evitar o consumo de alimentos crus ou mal cozidos e higienizar as mãos e utensílios após o preparo dos alimentos.

“Com base em evidências científicas e nas recomendações das autoridades sanitárias nacionais e internacionais, o consumo de carne de frango e ovos no Brasil é, sempre foi e permanecerá seguro”, assegurou a entidade. 

Um estudo da Fundação João Pinheiro (FJP) calculou que Minas Gerais pode perder quase R$ 1 bilhão em receitas com a queda nas exportações de carnes de frango em função do foco de gripe aviária identificado no Rio Grande do Sul na semana passada.

A pesquisa projetou uma queda entre 8,7% a 27% nas comercializações ao exterior dos pacotes de carnes de frango produzidos no estado. O estudo foi feito considerando a manutenção do cenário por um ano e sem levar em consideração o caso em Minas.

A doença 

A gripe aviária voltou ao foco no Brasil nas últimas semanas, com a confirmação de um foco da doença em uma granja comercial de Montenegro, no Rio Grande do Sul. O estado gaúcho ainda tem outro foco confirmado em um zoológico de Sapucaia do Sul. 

Com as confirmações, o Brasil sofreu embargos comerciais de mais de 60 países, como China e integrantes da União Europeia, que suspenderam as exportações brasileiras de carnes de frango. O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) informou que finalizou, na semana passada, a desinfecção da granja comercial de Montenegro onde o primeiro foco foi identificado. 

Após esse processo, a União pode declarar o país como área livre da gripe aviária em 28 dias, desde que não haja novos focos da doença.

Mercado

O Brasil é o maior exportador de carnes de frango do mundo. A China é o principal destino das exportações do Brasil. De acordo com a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), do total de 5,16 milhões de toneladas de carnes de frango enviadas a outros países em 2024, mais de 562 mil toneladas, 17,65% do total, desembarcaram na China.

Em seguida, no segundo lugar no ranking de compradores, estão os Emirados Árabes Unidos, que adquiriram mais de 455 mil toneladas. A União Europeia, que aplicou embargo à carne de frango brasileira, é a sétima maior compradora, com 231.890 toneladas. As transações brasileiras ao exterior no ano passado somaram US$ 9,93 bilhões, segundo a ABPA. 

Gripe aviária: há 11 investigações de suspeita da doença em andamento

Gripe aviária: há 11 investigações de suspeita da doença em andamento - Foto: reprodução
Gripe aviária: há 11 investigações de suspeita da doença em andamento – Foto: reprodução

Há 11 investigações de suspeita de gripe aviária em andamento no país, de acordo com os dados mais recentes da plataforma de Síndrome Respiratória e Nervosa das Aves, do Ministério da Agricultura, atualizada às 19 horas desta segunda-feira (26). Em relação à atualização anterior, das 8h30, um outro caso suspeito, em Belo Horizonte, foi descartado para gripe aviária. A suspeita envolvia uma ave silvestre.

Destas, uma em granja comercial, um abatedouro de aves em Aguiarnópolis (TO). Cinco dos casos investigados são em aves de subsistência, em Aurelino Leal (BA), Salitre (CE), Quixadá (CE), Eldorado do Carajás (PA) e Triunfo (RS). Outras cinco investigações são em aves silvestres: Armação dos Búzios (RJ), Mateus Leme (MG), Ilhéus (BA) e Icapuí (CE).

Atualmente, há um caso confirmado de gripe aviária (influenza aviária de alta patogenicidade, H5N1) em granja comercial no país, em Montenegro (RS), em um matrizeiro de aves na Região Metropolitana de Porto Alegre.

Essas investigações são corriqueiras no sistema de defesa agropecuária nacional, já que a notificação é obrigatória. A influenza aviária de alta patogenicidade (vírus H5N1) é uma doença de notificação obrigatória imediata aos órgãos oficiais de defesa sanitária animal do país.

Produtores rurais, técnicos, proprietários, prestadores de serviço, pesquisadores e demais envolvidos com a criação de animais devem notificar imediatamente os casos suspeitos da doença ao Serviço Veterinário Oficial (SVO).

Investigações

O Brasil já realizou mais de 2.500 investigações de suspeitas de gripe aviária desde maio de 2023, quando houve a primeira ocorrência em ave silvestre, segundo o Ministério da Agricultura.

No total, o país já registrou 164 casos da doença em animais silvestres (sendo 160 em aves silvestres e 4 em leões-marinhos), 3 focos em produção de subsistência (criação doméstica) e 1 em produção comercial, somando 168 ao todo no Brasil.

Casos de infarto entre jovens aumentam 180% no Brasil, diz Ministério da Saúde

Casos de infarto entre jovens aumentam 180% no Brasil, diz Ministério da Saúde - Foto: reprodução
Casos de infarto entre jovens aumentam 180% no Brasil, diz Ministério da Saúde – Foto: reprodução

O infarto é a principal causa de morte no Brasil. Historicamente era uma doença restrita a pessoas mais velhas. Nos últimos anos, casos entre mais os jovens têm aumentado muito. O motivo? Mudança nos hábitos. Mudança para pior. Os jovens estão adotando um estilo de vida que faz o corpo envelhecer mais rapidamente.

A obesidade, o sedentarismo, o uso de drogas, de anabolizantes, o tabagismo são os principais fatores de risco. De acordo com um levantamento do Ministério da Saúde o número de internações de pessoas com menos de 40 anos passou de menos de dois casos a cada 100 mil habitantes, no ano 2000, para quase 5, em 2024. Um aumento de 180%. Isso sem contar os atendimentos na rede privada.

De acordo cardiologista Roberto Giraldez, esses são casos evitáveis. hábitos saudáveis e exames frequentes reduzem o risco de morte.

“Todos vão ter placas de gordura na circulação, o que acontece é que o indivíduo que tem esses fatores de risco, que fuma, que tem sobrepeso, que tem diabetes, ao invés de ter isso aos 70 anos vai ter aos 40 + mudança do estilo de vida, que o indivíduo faça dieta mais regular, mantenha controle de peso e faça atividade física. Que ele busque o médico para fazer tratamento adequado”, disse.

Hemominas convoca população a doar sangue nas unidades de todo o estado

Hemominas convoca população a doar sangue nas unidades de todo o estado - Foto: reprodução
Hemominas convoca população a doar sangue nas unidades de todo o estado – Foto: reprodução

Com a chegada do clima frio e seco, o comparecimento de voluntários às unidades da Fundação Hemominas cai, impactando os estoques de sangue em todo o estado.

A reposição dos estoques é fundamental para que a Hemominas possa manter o número estratégico de bolsas de sangue em Minas Gerais e atender à demanda de pacientes com segurança.

Os tipos O positivo e O negativo são os mais afetados. Para garantir o atendimento seguro aos pacientes, a Hemominas faz um apelo para que população saudável vá até a unidade mais próxima e doe sangue. A doação é rápida, segura e salva vidas.

Cabe lembrar a importância da hidratação para a realização da doação, já que o clima segue muito seco, e a ingestão de poucos líquidos pode ocasionar inaptidão nos candidatos.

Agendamento de doações

As doações podem ser agendadas de forma on-line ou pelo aplicativo MG App – Cidadão. Caso o doador não possa comparecer, é recomendado o cancelamento do agendamento para liberar o horário a outro candidato.

Para doar sangue

Entre os requisitos básicos, é necessário estar em boas condições de saúde, ter entre 16 e 69 anos, mais de 50 kg, estar descansado no momento da doação, estar alimentado e apresentar documento original e oficial com foto, filiação e assinatura, além do CPF.

Todas as condições e restrições para doação de sangue estão disponíveis para consulta no site da Hemominas. 

Minas Gerais lidera vacinação contra influenza no dia D da campanha nacional

Minas Gerais lidera vacinação contra influenza no dia D da campanha nacional - Foto: divulgação
Minas Gerais lidera vacinação contra influenza no dia D da campanha nacional – Foto: divulgação

Minas Gerais foi o estado brasileiro que, proporcionalmente, mais aplicou doses da vacina contra a influenza no dia D da campanha nacional, realizado em 10/5. Em apenas um dia, foram administradas 338 mil doses, o que representa 21,23% do total aplicado no país. A mobilização contou com a participação expressiva dos municípios mineiros e refletiu o esforço coletivo para ampliar a cobertura vacinal.

O subsecretário de Vigilância em Saúde da Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG), Eduardo Prosdocimi, ressaltou o impacto da ação conjunta entre Estado e municípios.

“Esse resultado é fruto de um trabalho intenso de articulação, investimento e planejamento. Mobilizamos profissionais de saúde, equipes de vacinação e a própria população para alcançar um número tão expressivo em apenas 24 horas”, afirmou.

Prosdocimi destacou ainda que a adesão dos municípios foi essencial para o sucesso da campanha.

“Mais de 85% das cidades mineiras participaram ativamente do dia D, com ações dentro das unidades de saúde e o uso de estratégias como os vacimóveis. Todas as 28 regionais de saúde estiveram engajadas. Essa capilaridade foi fundamental para levar a vacina a quem mais precisa”, completou.

Campanha 2025

Desde o início da campanha, em 7/4, até 19/5, Minas Gerais já aplicou 3.524.452 doses da vacina contra a gripe. Ao todo, a SES-MG recebeu 5,7 milhões de doses, que foram distribuídas aos municípios. Minas foi o primeiro estado brasileiro a ampliar a imunização para toda a população acima de seis meses de idade, antecipando a recomendação do Ministério da Saúde.

Neste ano, a vacina contra a influenza passou a integrar o calendário de rotina do Programa Nacional de Imunizações (PNI), estando disponível durante todo o ano nas unidades de saúde. A dose de 2025 protege contra os vírus influenza A H1N1, H3N2 e influenza B, e pode ser administrada juntamente com outras vacinas previstas no calendário nacional.

A vacinação é essencial para reduzir casos graves e mortes causadas pela gripe, especialmente entre idosos, crianças pequenas, gestantes e pessoas com comorbidades. A doença, embora comum, pode evoluir para complicações graves como pneumonia e levar à internação hospitalar.

Panorama da influenza em Minas

De acordo com dados do SUSFácil, sistema estadual de regulação, já foram registradas 1.022 internações por complicações da gripe em 2025. O Sistema de Informação da Vigilância Epidemiológica da Gripe (Sivep-Gripe) também contabilizou 21 óbitos no estado no mesmo período. Os números reforçam a importância da imunização como ferramenta de proteção coletiva.

Unimed Passos realiza cirurgias inéditas com laser para remover tumores na boca

Unimed Passos realiza cirurgias inéditas com laser para remover tumores na boca - Foto: divulgação
Unimed Passos realiza cirurgias inéditas com laser para remover tumores na boca – Foto: divulgação

O Hospital Unimed em Passos (MG) realizou duas cirurgias pioneiras na região utilizando o laser de CO₂, tecnologia que proporciona maior precisão e segurança no tratamento de lesões na região da cabeça e pescoço. Os procedimentos foram conduzidos por Raphael Versiani, cirurgião de cabeça, pescoço e crânio-maxilo-facial e cooperado da Unimed Sudoeste de Minas, com o suporte da equipe multiprofissional do setor.

Segundo o hospital, a primeira intervenção envolveu a retirada de uma lesão na laringe, realizada por meio do microscópio cirúrgico, garantindo um procedimento mais controlado e eficaz. Já a segunda cirurgia marcou um avanço na medicina local, sendo a primeira ressecção de tumor bucal com laser de CO₂ realizada na cidade de Passos.

“O uso do laser de CO₂ permitiu um procedimento mais preciso e com menor sangramento durante a cirurgia, além de proporcionar uma recuperação mais rápida ao paciente”, destaca Raphael Versiani.

Para a Unimed Sudoeste de Minas, a introdução dessa técnica representa um passo importante na ampliação dos recursos cirúrgicos, beneficiando pacientes com acesso a tratamentos mais modernos e eficazes.

Via: Clic Folha

Jornal Folha Regional
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