Cresce número de jovens com infarto no Brasil; entenda – Foto: reprodução
O Brasil enfrenta um aumento preocupante no número de jovens vítimas de infarto. Segundo dados do SUS (Sistema Único de Saúde), as internações de pessoas com menos de 39 anos mais que dobraram nos últimos 16 anos, evidenciando uma tendência alarmante na saúde cardiovascular da população jovem.
O cenário atual é resultado de diversos fatores de risco, incluindo obesidade, sedentarismo e o uso de cigarro eletrônico. Em relação aos dispositivos de vaping, alertas indicam que podem ser tão ou mais nocivos que o cigarro convencional, com concentrações de nicotina potencialmente mais elevadas.
Fatores de risco e negligência no tratamento Além do tabagismo em suas diferentes formas, o uso de substâncias como maconha pode aumentar em até cinco vezes a incidência de infarto. A hipertensão arterial também é um fator crítico, com apenas 30% dos pacientes diagnosticados seguindo adequadamente o tratamento médico prescrito.
O componente hereditário também desempenha papel crucial no desenvolvimento da doença. Pessoas com histórico familiar de infarto precisam redobrar os cuidados preventivos, iniciando o acompanhamento médico mais precocemente.
Sintomas e prevenção
Os sinais de infarto podem ser traiçoeiros e nem sempre se manifestam de forma clássica, com dor no peito e irradiação para o braço esquerdo. Em alguns casos, os sintomas podem ser confundidos com ansiedade ou mal-estar gástrico, ressaltando a importância de buscar atendimento médico ao perceber qualquer alteração suspeita.
A prevenção continua sendo a principal ferramenta contra o infarto, que segue como uma das principais causas de morte no mundo. Manter hábitos saudáveis, praticar exercícios físicos regularmente e realizar check-ups periódicos são medidas fundamentais para reduzir os riscos, especialmente entre os mais jovens.
Azeite produzido no Sul de MG ganha prêmio de melhor do Brasil em festival em Paris pelo segundo ano consecutivo – Foto: Régis Silva/Vinícola Essenza
O azeite Mantikir Grappolo, produzido pela Vinícola Essenza, em Maria da Fé (MG), voltou a se destacar no cenário mundial. Pelo segundo ano consecutivo, o rótulo foi eleito o melhor azeite do Brasil e ainda garantiu o segundo lugar entre os melhores do Hemisfério Sul no Olio Nuovo Days, realizado na última terça-feira (23), em Paris, durante o Festival Du Monde, promovido pelo jornal francês Le Monde.
Além do Grappolo, a vinícola conquistou a Medalha Premium de Ouro com o rótulo Mantikir Coratina. Outro azeite da cidade, o Monasto Blend, também foi premiado com a mesma medalha, consolidando Maria da Fé como referência nacional em olivicultura.
Competição internacional
O Olio Nuovo Days é um festival cultural que celebra o azeite de oliva de qualidade. O concurso avalia os azeites do Hemisfério Norte no início do ano e os do Hemisfério Sul em setembro, reunindo produtores de Argentina, Austrália, Brasil, Chile, Peru, Uruguai e África do Sul.
Origem e pesquisa
O azeite premiado é feito a partir da cultivar Grappolo 541, variedade de origem italiana adaptada às condições da Serra da Mantiqueira. A cultivar tem registro no Ministério da Agricultura e Pecuária e faz parte das 11 variedades cadastradas pela Epamig (Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais), instituição pioneira em olivicultura no Brasil, responsável pela primeira extração de azeite extravirgem no país, em 2008.
Reconhecimento do setor
Para o proprietário da Vinícola Essenza, Herbert Sales, os prêmios reforçam a força do trabalho desenvolvido no olival localizado a 1,9 mil metros de altitude, o mais alto do Brasil:
“Estar no topo do ranking internacional mais uma vez é resultado de dedicação e de uma produção que respeita o terroir da Mantiqueira”, afirmou.
O coordenador do Programa de Pesquisa em Olivicultura da Epamig, Pedro Moura, ressaltou que conquistas como essa refletem o impacto direto da ciência no campo:
“Quando um azeite é premiado, identificamos o sucesso da pesquisa, nas recomendações de plantio, na escolha das cultivares, no manejo. Ainda temos muitos desafios, mas há muito a se comemorar”, avaliou.
MAIS – DO DIA – EXTREMA – MG . PLANTANDO AGUA SAO SOLUCOES PARA SOLUCIONAR A RECUPERACAO DE NASCENTES , REFLORESTAMENTO E ACOES QUE PODEM CONTRIBUIR PARA AMENIZAR OS EFEITOS DAS MUDANCAS CLINATICAS . NA FOTO : CACHOEIRA – EXTREMA FOTOS : FRED MAGNO
Dizem que o que dá certo em Minas dá certo no Brasil inteiro, graças à sua diversidade social e geográfica. Em tempos de emergência climática, o estado decidiu assumir a frente e oficializou, no dia 14 de agosto, a criação do Programa Produtor de Água de Minas Gerais. A proposta é apoiar produtores rurais com incentivos financeiros e assistência técnica para proteger propriedades, áreas ambientais estratégicas e, ao mesmo tempo, “produzir” água, com recuperação de nascentes, melhoria da fertilidade do solo e preservação da biodiversidade.
A medida, inédita no país, foi instituída por meio de resolução conjunta da Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad), do Instituto Estadual de Florestas (IEF) e do Instituto Mineiro de Gestão das Águas (Igam). A iniciativa, segundo o subsecretário de Gestão Ambiental da Semad, Diogo Melo Franco, é estratégica para enfrentar as mudanças climáticas e garantir segurança hídrica.
“Minas é um estado extenso, com enorme número de produtores rurais. Aqui nascem rios fundamentais para o Brasil como o São Francisco, o Rio Doce, o Jequitinhonha, o Paraíba do Sul e o Rio Grande. A Serra da Mantiqueira, por exemplo, abastece o Sistema Cantareira, em São Paulo. Então, o que fazemos aqui impacta o país inteiro. Minas não apenas armazena, mas gera água”, destaca Diogo.
Criado há mais de 20 anos pela Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), o Produtor de Água já atua em várias bacias brasileiras, incentivando a adoção de boas práticas ambientais no campo. A diferença é que Minas Gerais foi o primeiro estado a assumir oficialmente a metodologia, transformando-a em política pública estadual.
Para o superintendente adjunto de Planos, Programas e Projetos da ANA, Henrique Veiga, a medida representa um marco. “Isso nos alegra sobremaneira. Minas é o primeiro estado a incorporar o programa dessa forma, e isso faz parte da estratégia de descentralização e transferência dessa metodologia”, afirma.
Ele lembra que, nos últimos anos, foi firmado um acordo de cooperação técnica entre ANA, IEF, Semad e Igam para fortalecer o programa no estado. “O objetivo era criar um modelo próprio, apelidado até de Produtor de Água ‘Pão de Queijo’, numa referência bem mineira”, brinca.
A diretora de conservação e recuperação de ecossistemas do IEF, Marina Dias, também comemorou a conquista. “Em Minas, o diferencial do programa é a promoção da regularização ambiental dos imóveis rurais, que vai contribuir para a implementação do Código Florestal”, destaca.
Na prática, a resolução significa uma oportunidade de integrar iniciativas já existentes, dar visibilidade a projetos locais e estimular novas ações de conservação. “Ele tem esse caráter guarda-chuva. Pode funcionar sozinho, mas também se soma a outras iniciativas. Aqui, em Minas, há um arranjo com o IEF, Igam, Secretaria de Meio Ambiente, Emater, cooperativas, prefeituras e empresas privadas. Onde já existe organização local, a chance de sucesso é ainda maior”, explica o subsecretário de Meio Ambiente.
Para viabilizar o programa, o governo mineiro vai contar com recursos públicos e privados. “Um exemplo é o programa de conversão de multas ambientais. Metade desse valor será direcionada ao Produtor de Água. Para 2026, a perspectiva para financiamento é positiva”, projeta Franco.
Produtores rurais são os protagonistas
‘Produtor de Água’: Minas sai na frente e vira exemplo para o Brasil – Foto: Fred Magno
O superintendente da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), Henrique Veiga, explica que um dos diferenciais da metodologia do programa é o protagonismo do produtor rural. “Ao adotar práticas sustentáveis, ele garante a perenidade dos rios e nascentes”, afirmou.
Para estimular esse engajamento, o programa prevê o Pagamento por Serviços Ambientais (PSA), um incentivo financeiro destinado a produtores que adotam práticas de preservação do solo e da água.
Cada projeto define sua própria tabela de remuneração, mas, em média, os valores variam de R$ 300 a R$ 400 por hectare ao ano. “O objetivo não é gerar enriquecimento, mas reconhecer o esforço do produtor para a preservação e garantir a continuidade das ações sustentáveis”, explica Veiga.
A metodologia não se restringe ao reflorestamento, ela se adapta às necessidades locais. “Em regiões com risco de incêndios, por exemplo, quem realiza o manejo integrado do fogo também é remunerado”, explica Veiga.
Ganhar escala é o desafio
Desde a criação do Programa Produtor de Água, em 2004, Minas Gerais tornou-se parceiro estratégico na validação das metodologias em campo. O Conservador das Águas, em Extrema, foi o primeiro. A partir dessa experiência, a Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) passou a se estruturar tecnicamente e a apoiar diretamente outros municípios, por meio de chamamentos públicos, oferecendo suporte tanto financeiro quanto técnico.
Hoje, Minas Gerais reúne 34 iniciativas de conservação, sendo 29 em execução, que já beneficiam 95 municípios. Entre os resultados alcançados estão a preservação de 6.000 hectares, a recuperação de 1.750 hectares de vegetação, a construção de mais de 5.000 barraginhas, 870 km de terraços e 208 km de estradas adequadas, além de 273 fossas sépticas.
“Minas pode ser um estado do agro, que produz alimento de qualidade, combate mudanças climáticas, produz água, protege a biodiversidade e garante renda. Isso não é utopia, já existem exemplos concretos, aqui e no mundo. O que precisamos é dar escala a eles”, conclui o subsecretário de Gestão Ambiental da Semad, Diogo Melo Franco.
Lula diz que vai ligar para Trump, mas não para negociar: ‘Vou convidá-lo para a COP’ – Foto: reprodução
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta terça-feira (5), durante um evento no Palácio Itamaraty, que não vai ligar para o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para negociar as tarifas de 50% impostas aos produtos brasileiros. Mas disse que deve telefonar para convidá-lo para a COP 30, a Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas prevista para ocorrer em Belém, no Pará, em novembro.
“Eu não vou ligar para o Trump para comercializar nada, não, porque ele não quer falar. Mas eu vou ligar para o Trump para convidá-lo para a COP, porque quero saber o que ele pensa da questão climática. Vou ter a gentileza de ligar. Vou ligar para ele, para o Xi Jinping [presidente da China], para o Modi [Narendra Modi, primeiro-ministro da Índia]. Só não vou ligar pro Putin [Vladimir Putin, presidente da Rússia] porque o Putin não está podendo viajar. Vou ligar para vários presidentes”, disse o petista.
A declaração foi dada durante reunião do “Conselhão”, no Palácio Itamaraty, que reúne ministros, empresários e ativistas que discutem e sugerem ao governo políticas públicas em diferentes áreas. As tarifas de 50% aos produtos brasileiros começam a valer a partir de quarta-feira (6/8).
Em discurso, o presidente também reafirmou que o Brasil nunca saiu da mesa de negociação com os Estados Unidos e avaliou que Trump “não tinha direito de anunciar as taxas” como anunciou, ou seja, em carta postada nas redes sociais. Lula ainda alfinetou a oposição, comparando com “vira-lata”, e destacou que o motivo das sobretaxas não é político, mas “eleitoral”.
“Tem gente que gosta de vira-lata, tem gente que não gosta de se respeitar. E ninguém tem um governo que gosta mais de negociar do que nós. Então nesse mundo ninguém me dá lição de negociação. Eu já lidei com muitos magnatas do mundo, eu duvido que alguém já tenha sido tratado com desrespeito por mim. Mesmo o cara que me xinga”.
“Esse país merece ser tratado com respeito e o presidente norte-americano não tinha o direito de anunciar as taxas que anunciou. Poderia ter pego o telefone, conversado comigo, com Alckmin, nós iremos negociar. E depois, o pretexto da carta não é nem político, é eleitoral”, acrescentou.
Além disso, Lula afirmou que o governo vai executar um plano de contingência para reduzir os impactos nas exportações brasileiras em razão das tarifas de 50% impostas por Trump.
“Nós não podemos aceitar que o povo brasileiro seja punido. Diante do tarifaço, o compromisso do governo é com os brasileiros. Vamos colocar em execução um plano de contingência para mitigar esse ataque injusto e aliviar os prejuízos econômicos e sociais. Vamos proteger trabalhadores e empresas brasileiras que foram afetadas. Vamos recorrer a todas as medidas cabíveis, a começar pela OMC [Organização Mundial do Comércio], para defender os nossos interesses”, declarou.
Mapa da Fome
Durante a reunião, o presidente Lula também comemorou que o Brasil saiu do Mapa da Fome da ONU, com menos de 2,5% da população em insegurança alimentar grave, segundo dados da FAO, a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura. O petista ainda reclamou que não houve “festa” para celebrar a conquista histórica.
“Eu achei que a gente ia fazer uma festa. Em função da taxação, a gente não fez festa. Mal e porcamente saiu um comunicado. Quantos países do mundo gostariam de ter conseguido o que nós conseguimos”, reforçou.
Hepatites virais causam mais de mil mortes em 2024 no Brasil – Foto: reprodução
O Brasil registrou em 2024 mais de 34 mil casos diagnosticados de hepatite viral, com cerca de 1,1 mil mortes diretas. A doença atinge o fígado e pode ser causada por cinco sorotipos de vírus: A, B, C, D e E.
Os tipos mais prevalentes no Brasil são o B e C e a maior parte dos casos é crônica: o vírus permanece silencioso dentro do organismo por décadas, causando danos acumulados no órgão, até provocar quadros graves como fibrose cística, cirrose ou mesmo câncer, e só então desenvolve sintomas.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) estabeleceu como meta a redução da incidência de hepatite B e V em 90%, com redução de 65% da mortalidade até 2030. Por isso, o dia de hoje – 28 de julho – foi eleito como Dia Mundial de Luta Contra as Hepatites Virais.
Prevenção
“A boa notícia é que as hepatites virais podem ser prevenidas, como explica o infectologista Pedro Martins, professor da Afya Educação Médica. “Geralmente dividimos as Hepatites A e E como hepatites de transmissão fecal-oral, ao levar água ou alimentos contaminados com fezes à boca, enquanto as hepatites B, C e D são de transmissão parenteral, ocorrendo predominantemente a partir do contato com sangue contaminado, ao compartilhar objetos de uso pessoal como alicates de unha, lâminas de barbear ou escovas de dentes ou durante o sexo desprotegido. A Hepatite A pode ser transmitida no sexo oral onde há contato da boca com o ânus e as Hepatites B, C e D, durante a penetração”, afirma..
Outra importante forma de prevenção é a vacinação. Atualmente, o Sistema Único de Saúde disponibiliza gratuitamente as vacinas contra a hepatite A e B, mas a segunda também protege contra o vírus do tipo D, já que ele só infecta quem tem hepatite B. Os dois imunizantes fazem parte do calendário básico de vacinação das crianças.
A primeira dose da vacina contra a hepatite B deve ser tomada logo após o nascimento, e outras três doses são administradas aos 2, 4 e 6 meses de vida. Gestantes também devem se vacinar, caso não possam comprovar que foram devidamente imunizadas, porque a doença pode ser transmitida durante a gravidez, parto ou amamentação.
Casos têm queda
A vacinação tem contribuído para a diminuição dos casos. Em 2013 a taxa de detecção de hepatite B a cada 100 mil habitantes era de 8,3 e caiu para 5,3 em 2024. De acordo com o vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunização, Renato Kfouri, a erradicação da doença é possível caso o país consiga manter altos índices de vacinação.
“Não há reservatório do vírus da hepatite B que não seja o ser humano. Então, você consegue, através da vacinação em 100%, eliminar a criação de novos portadores crônicos, e com isso, consequentemente não tem mais onde se infectar pelo vírus B. A partir da introdução da vacina na pediatria, nós estamos acumulando pessoas vacinadas ao longo do tempo, e já temos aí mais de 30 anos anos de vacinação aqui no Brasil, então, a gente caminha para uma geração sem vírus de hepatite B, que é uma vacina altamente eficaz”, assegura Kfouri.
Eficácia da vacina
A vacina contra a hepatite A também demonstrou sua eficácia. Em 2013, 903 crianças menores de 5 anos foram infectadas pelo vírus no Brasil. A partir de 2014, com a entrada no imunizante no calendário básico infantil, houve redução consistente de novas infecções, e, em 2024, apenas 16 casos foram registrados nesse público, uma redução de mais de 98%.
No entanto, os casos vêm subindo na faixa etária entre 20 e 39 anos, especialmente entre homens. Após o Ministério da Saúde identificar surtos da doença entre a população de homens que fazem sexo com homens, em maio deste ano, a vacinação foi ampliada para os usuários de PrEP (profilaxia pré-exposição).
Infelizmente, ainda não há vacina para a hepatite C, tipo mais comum e com maior letalidade de hepatite viral. Em 2024, o Brasil anotou 19.343 novos diagnósticos da doença e 752 óbitos diretos. Mas a infecção pode ser confirmada por testes de laboratório e tratada com antivirais que tem taxa de cura superior a 95%.
“Quando o tratamento consegue ser iniciado de forma oportuna, as consequências são mínimas. Mas quando a infecção permanece por anos sem tratamento, pode evoluir para cirrose hepática e câncer de fígado, mesmo naquelas pessoas que não tem hábito de consumir bebidas alcoólicas”, afirma o infectologista Pedro Martins.
Lula diz que vetou aumento do número de deputados ‘porque não é disso que o Brasil está precisando’ – Foto: reprodução
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que vetou o aumento de vagas na Câmara dos Deputados “porque não é disso que o Brasil está precisando”. Ele justificou a decisão, que gerou um impasse com a chamada “Casa do Povo”, durante Encontro Nacional do PT neste domingo (3/8).
“Alguns não queriam que eu vetasse o aumento de deputados na Câmara. Eu vetei porque não é disso que o Brasil está precisando, gente”, disse. “Eu vetei e o Congresso tem direito de derrubar o meu veto. Vamos ver o que que vai acontecer”, completou.
O Congresso Nacional aprovou o aumento de cadeiras na Câmara após uma determinação do Supremo Tribunal Federal (STF). A ordem era para que as 513 vagas fossem redistribuídas pela atualização populacional do Censo de 2022. Mas, para não ver o encolhimento de bancadas, parlamentares decidiram criar novos cargos.
Deputados e senadores ainda podem analisar o veto presidencial, e manter ou derrubar a decisão de Lula. A expectativa, porém, é que a redistribuição seja feita pela Justiça Eleitoral entre as 513 cadeiras existentes, sem criar novas vagas de deputados.
“Se tem que mudar para se adequar à pesquisa do IBGE [Instituo Brasileiro de Geografia e Estatística], dentro dos 513 a gente tem que adequar. Uns estados vão perder e outros vão ganhar. Qual é o problema?”, completou Lula.
Lula cobra PT por estratégia nas eleições
Ainda no evento, Lula cobrou que o PT trace estratégias para ocupar mais cargos no Congresso Nacional nas eleições de 2026. Ele afirmou que é preciso ampliar a bancada no Senado para evitar que a oposição tenha maioria de votos e comentou sobre o cenário na Câmara dos Deputados.
“Nessa eleição, nosso partido só elegeu 70 deputados de 513. É muita diferença. Se nós fôssemos bons como nós pensamos que somos, a gente teria eleito pelo menos uns 140 ou 150. Mas isso não é um defeito só do PT, é de toda a esquerda”, declarou.
O presidente também admitiu que não tem votos suficientes para aprovar projetos de seu governo, reforçando que precisa negociar. “Quando eu vou mandar uma medida para o Congresso Nacional, eu tenho que mandar sabendo o meu número de votos que eu tenho lá. E se depender só de nós, a gente não aprova nada. Se depender só daqueles que apoiam a gente, a gente também não aprova nada. A arte da política é que é importante você convencer quem não pensa igual a gente a votar nas coisas que nós mandamos”.
“Muitas vezes na política vocês acham que é derrota, mas a gente aprovar uma política tributária como nós aprovamos, que estava em discussão há 40 anos, em um Congresso totalmente adverso… nós conseguimos a proeza de aprovar essa política tributária. Com muita conversa, cedendo em muitas coisas, mas se não for assim, você não governa”, afirmou.
Na avaliação de Lula, quando um político vence a eleição para ser presidente da República, “tem que cair na real, senão não governa”. “Eu não tenho saber se o presidente da Câmara gosta de mim. Eu tenho que saber que ele é presidente de uma instituição que deu a ele a legalidade de ser eleito, e que, portanto, eu preciso mais dele do que ele de mim. Eu preciso conversar porque ele ocupa um posto importante”, apontou.
Lula também cobrou uma estratégia unificada dentro do PT para as próximas eleições. De acordo com ele, o partido “não pode ter essa divisão que está tendo agora”, com várias tendências sendo seguidas por alas diferentes nos diretórios estaduais. “Essas tendências não são ideológicas, não são políticas, são pessoais. E têm que acabar”, frisou.
Articulação de Gleisi
O presidente ainda rebateu as críticas que recebeu quando nomeou Gleisi Hoffmann para ser ministra das Relações Institucionais no início do ano. O cargo é responsável pela articulação do governo com o Congresso Nacional. Na época, o nome de Gleisi foi questionado pela postura da ministra de subir o tom em divergências.
“Muita gente tinha medo de que a Gleisi assumisse. Quando eu disse que a Gleisi ia ser minha ministra de Relações Institucionais, muita gente achou que eu era louco”, falou. “Eu posso dizer: com apenas poucos meses, a Gleisi será a melhor ministra das Relações Institucionais”, finalizou.
Trump assina decreto que implementa tarifas de 50% contra Brasil – Foto: reprodução
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou nesta quarta-feira, 30, um decreto que implementa tarifas de 50% sobre produtos brasileiros. A taxação ocorre antes do prazo definido para outros países, estabelecido para 1º de agosto, e depois do governo dos EUA sancionar o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, através da Lei Magnitisky, usada para punir estrangeiros acusados de violações graves de direitos humanos ou de corrupção em larga escala.
“O presidente Trump tem reafirmado consistentemente seu compromisso de defender a segurança nacional, a política externa e a economia dos Estados Unidos contra ameaças estrangeiras, inclusive salvaguardando a liberdade de expressão, protegendo empresas americanas de censura coercitiva ilegal e responsabilizando violadores de direitos humanos por seu comportamento ilegal”, afirmou o decreto, que teve como base a Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional, de 1977.
O tarifaço, segundo Trump, ocorre em resposta a uma a políticas “incomuns” e “extraordinárias” do governo brasileiro que prejudicam empresas americanas e violam o direito à liberdade de expressão. Mais uma vez, o republicano salientou que a medida é uma retaliação à “perseguição, intimidação, assédio, censura e processo politicamente motivado” contra o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Trump x Lula
Ao anunciar a alíquota, em 9 de julho, o líder americano disse que o governo Lula e o STF conduziam uma “caça às bruxas” contra o ex-presidente brasileiro. Na ocasião, Trump afirmou que a “forma como o Brasil tem tratado o ex-Presidente Bolsonaro, um líder altamente respeitado em todo o mundo durante seu mandato, inclusive pelos Estados Unidos, é uma vergonha internacional”. A data de início das taxas, definiu na época, era 1º de agosto.
“Em parte devido aos ataques insidiosos do Brasil contra eleições livres e à violação fundamental da liberdade de expressão dos americanos (como demonstrado recentemente pelo Supremo Tribunal Federal do Brasil, que emitiu centenas de ordens de censura SECRETAS e ILEGAIS a plataformas de mídia social dos EUA, ameaçando-as com multas de milhões de dólares e expulsão do mercado de mídia social brasileiro), a partir de 1º de agosto de 2025, cobraremos do Brasil uma tarifa de 50% sobre todas e quaisquer exportações brasileiras enviadas para os Estados Unidos, separada de todas as tarifas setoriais existentes”, escreveu Trump.
Bolsonaro está inelegível por 8 anos, por duas condenações no Tribunal Superior Eleitoral, por abuso de poder e uso indevido de meios de comunicação, ao atacar as urnas eletrônicas durante a eleição de 2022, sem provas concretas.
Lula, então, respondeu à ameaça e frisou que o “Brasil é um país soberano com instituições independentes que não aceitará ser tutelado por ninguém”. O petista também disse que o “processo judicial contra aqueles que planejaram o golpe de estado é de competência apenas da Justiça Brasileira e, portanto, não está sujeito a nenhum tipo de ingerência ou ameaça que fira a independência das instituições nacionais”.
“No contexto das plataformas digitais, a sociedade brasileira rejeita conteúdos de ódio, racismo, pornografia infantil, golpes, fraudes, discursos contra os direitos humanos e a liberdade democrática. No Brasil, liberdade de expressão não se confunde com agressão ou práticas violentas. Para operar em nosso país, todas as empresas nacionais e estrangeiras estão submetidas à legislação brasileira”, rebateu Lula.
“Neste sentido, qualquer medida de elevação de tarifas de forma unilateral será respondida à luz da Lei brasileira de Reciprocidade Econômica. A soberania, o respeito e a defesa intransigente dos interesses do povo brasileiro são os valores que orientam a nossa relação com o mundo”, concluiu.
Mais tarde, Trump mandou abrir uma investigação comercial contra o Brasil com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974. A apuração vai determinar se atos, políticas e práticas do governo brasileiro são de alguma forma injustas ou discriminatórias e prejudicam ou restringem o comércio americano.
Lei passa a definir fibromialgia como deficiência em todo o país – Foto: reprodução
A partir de janeiro de 2026, quem têm fibromialgia passará a ser considerado pessoa com deficiência (PcD). A A Lei 15.176, de 2025, que determina a medida, foi publicada nesta quinta-feira (24) no Diário Oficial da União, após ser sancionada sem vetos pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A aprovação pelo Congresso Nacional ocorreu no último dia 2 de julho.
A norma passa a valer 180 dias após a publicação.
A fibromialgia é uma síndrome que provoca dores nos músculos, nas articulações, tontura, fadiga, ansiedade e depressão, e não tem origem conhecida. A origem está na chamada “sensibilização central”, uma disfunção em que os neurônios ligados à dor tornam-se excessivamente excitáveis.
Entre os direitos que serão estendidos às pessoas com fibromialgia estão cotas em concursos públicos e isenção de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) na compra de veículos.
Uma equipe de saúde, com médicos e psicólogos, terá que atestar a limitação da pessoa para participação em atividades em igualdade com as outras pessoas.
No Distrito Federal, por exemplo, quem tem fibromialgia já pode ser considerado com deficiência. Agora a lei vale para todos o país. O Sistema Único de Saúde (SUS) oferece tratamento para quem possui a síndrome.
Professor de São Sebastião do Paraíso é finalista do maior prêmio de arte-educação do Brasil – Foto: redes sociais
O professor de Arte Kayho Rodrigues, da Escola Estadual Paraisense, em São Sebastião do Paraíso (MG), é um dos 30 finalistas da 26ª edição do Prêmio Arte na Escola Cidadã — o maior prêmio de arte-educação do Brasil.
O projeto orientado por ele, intitulado “Como o teatro modifica a vida dos estudantes?”, concorre na categoria Ensino Fundamental – Anos Finais e foi selecionado entre mais de 300 inscritos de todo o país.
A iniciativa foi realizada entre maio de 2023 e setembro de 2024, com estudantes dos 8º e 9º anos, por meio do Programa ICEB (Iniciação Científica na Educação Básica), da Secretaria de Estado de Educação de Minas Gerais. Ao longo de dois anos, os alunos participaram de oficinas teatrais, rodas de conversa, visitas culturais e processos criativos colaborativos, que culminaram na apresentação da peça “Cadê Meu Gato?”, encenada em setembro do ano passado.
Além da criação do espetáculo, os estudantes também produziram um artigo científico com ba-se nas experiências vividas, refletindo sobre a força do teatro no desenvolvimento de habilidades socioemocionais, pensamento crítico e repertório cultural. O projeto foi em-basado em autores como Augusto Boal, Vygotsky e Jacob Moreno, promovendo um diálogo entre arte, cidadania e formação humana.
Kayho Rodrigues, que também é mestre em Artes pela Universidade Federal de Uberlândia e coordenador da tradicional Oficina de Artes Cênicas Sebastião Furlan, destacou a importância de chegar à final após anos de dedicação.
“Hoje, ser finalista dessa premiação é, para mim, a realização de um sonho. Desde 2022 venho inscrevendo projetos no Prêmio Arte na Escola Cidadã, e esta é a primeira vez que chego à etapa final. Só de estar entre os 30 finalistas do país já considero uma grande vitória. Essa conquista é da nossa escola, da nossa cidade e do nosso estado. Sou muito grato à Escola Estadual Paraisense e ao nosso diretor Adilson Luciano Pimenta Rezende, que sempre apoia meus projetos com confiança e total liberdade. Isso faz toda a diferença.”
Representando Minas Gerais
Na edição de 2025, que homenageia o Maracatu — manifestação cultural afro-brasileira de Pernambuco — o prêmio recebeu projetos de todas as regiões do país. Kayho é o único professor mineiro entre os finalistas, representando não apenas sua escola, mas todo o estado de Minas Gerais na etapa nacional. O resultado final será divulgado no dia 23 de julho, e a cerimônia de premiação está marcada para novembro, em São Paulo.
Os vencedores de cada categoria receberão R$ 10 mil em dinheiro, certificado digital, produção de um documentário sobre o projeto e um dia de atividades culturais. As escolas também serão certificadas e apoiadas logisticamente para participar do evento.
Brasil registra primeiros casos de nova variante da Covid-19 – Imagem: reprodução
O Brasil registrou os primeiros casos de uma nova variante da Covid-19 chamada de XFG. As infecções foram registradas no Ceará entre os dias 25 a 31 de maio e divulgadas pelo governo do estado na última sexta-feira (4/7). Outros 38 países já detectaram casos da nova variante, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS).
Em nota, o Ministério da Saúde disse que, até o momento, foram identificados oito casos da variante XFG, sendo dois em São Paulo, além dos seis no Ceará. Não há registro de óbitos. A pasta disse que monitora de forma contínua os sequenciamentos genômicos da Covid-19 no Brasil.
No mês passado, a OMS divulgou informações sobre o avanço da nova variante em diferentes regiões do mundo e a classificou como “variante sob monitoramento”. No Sudeste Asiático, a proporção de casos atribuídos à XFG saltou de 17,3% para 68,7%, com destaque para a Índia, onde a variante se tornou dominante durante a primavera. Nas Américas a proporção subiu de 7,8% para 26,5%. A nota também cita um aumento de casos em países do Pacífico Ocidental, Europa e África.
Apesar do crescimento em algumas regiões, a OMS indica “risco global baixo para a saúde pública” e afirma que as vacinas atuais contra a Covid-19 são consideradas eficazes contra a nova variante. “Embora haja aumentos em casos e hospitalizações em algumas áreas, não há evidências de que a XFG cause doenças mais severas ou mortes”, diz a organização.
No Brasil, a Secretaria da Saúde do Estado do Ceará aponta um “discreto aumento nos casos de Covid-19 nas últimas semanas”. Segundo boletim divulgado em 4 de julho, a positividade para o vírus subiu de praticamente 0% no início de junho para 10% no final do mês. A análise considera testes para Covid-19 realizados pelo Lacen-CE ao longo do ano.
A pasta diz que a maior parte dos sete casos foi detectada na capital, Fortaleza, mas não diz o número exato de infecções por cidade. “É possível que a nova variante seja responsável por esse aumento de casos que nesse momento ainda é discreto, mas que a gente não sabe se pode de fato ter essa transmissão subitamente elevada nas próximas semanas”, afirma o secretário executivo de Vigilância em Saúde do estado, Antonio Silva Lima Neto, em vídeo divulgado pelo órgão.
Para o infectologista Julio Croda, pesquisador da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) e membro da SBI (Sociedade Brasileira de Infectologia), a XFG é resultado da recombinação de duas linhagens: LF.7 e LP.8.1.2 -esta última já vinha se tornando dominante globalmente. Ambas descendem da linhagem Ômicron.
“A LP.8.1.2 se tornou dominante, e agora a XFG, que deriva dela, passou a predominar na Índia e está se espalhando pelo mundo”, explica. Segundo Croda, em junho de 2025, a presença da XFG nas amostras sequenciadas globalmente subiu de 7% para 23%.
“Quando uma variante se torna dominante, muito provavelmente, é porque ela tem um dos dois mecanismos: ou é mais transmissível ou tem escape de resposta imunológica. Não tem relação com maior gravidade”, afirma.
Até o momento, não há evidências de que a XFG cause quadros mais severos ou maior mortalidade. Os sintomas relatados são similares aos da Covid, mas com queixas de dor de garganta, rouquidão e irritação.
Croda reforça que as vacinas atualmente recomendadas são eficazes contra a XFG. O especialista destaca, no entanto, que a cobertura vacinal entre os idosos segue baixa no país, o que preocupa. “Existe uma recomendação clara da OMS e do Ministério da Saúde para que os idosos recebam pelo menos uma dose atualizada da vacina, como fazemos anualmente com a da influenza. Mas a adesão está baixa.”
Em nota, o Ministério da Saúde disse que a vacinação contra a Covid-19 é segura e protege contra as variantes em circulação, sendo a principal forma de prevenir casos graves da doença e mortes. Em 2025, mais de 14,2 milhões de doses já foram distribuídas em todo o país, segundo a pasta
Ele lembra que a Covid-19 não é o principal vírus respiratório em circulação no Brasil em 2025. A influenza lidera as hospitalizações por síndrome respiratória aguda grave. No entanto, a chegada de uma nova variante pode alterar esse cenário, dependendo da imunidade coletiva da população.
“A gente nunca sabe se o comportamento da variante no Brasil será igual ao de outros países. Depende de cobertura vacinal e infecções prévias. Por isso, é fundamental garantir proteção principalmente nos grupos de risco.”
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