Brasil enfrenta oitava onda de calor do ano nesta semana; temperaturas podem superar 40°C – Foto: reprodução
Após um breve alívio no fim de semana, causado pela passagem de uma frente fria, o Brasil inicia a semana enfrentando mais uma onda de calor. De acordo com a Climatempo, esta é a oitava onda de calor registrada em 2024. No domingo (29), o ar quente e seco voltou a se intensificar, especialmente no Centro-Sul do país, com previsões de máximas elevadas para as regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste.
As temperaturas devem disparar, com alguns locais podendo ultrapassar os 40°C, especialmente no interior de São Paulo, no oeste de Minas Gerais, em Mato Grosso do Sul, no sul de Mato Grosso e em Goiás. Em Campo Grande, os termômetros já devem marcar 40°C nesta segunda-feira (30), e Cuiabá deve alcançar essa marca a partir de terça-feira (1).
O meteorologista da Climatempo, Fábio Luengo, alerta que essa onda de calor pode resultar em uma nova sequência de dias com baixa qualidade do ar e alto potencial para incêndios. A umidade relativa do ar pode cair a níveis preocupantes, levando a um céu esbranquiçado devido à fumaça das queimadas.
As altas temperaturas têm sido comuns nesta primavera, e em algumas capitais, como São Paulo, recordes de calor foram quebrados nos últimos dias. A expectativa é que as temperaturas continuem acima da média até o fim da primeira quinzena de outubro, com um leve alívio previsto para a segunda quinzena.
Enquanto isso, o Rio Grande do Sul deve voltar a ficar em alerta para chuvas intensas ao longo da semana, especialmente no sul do estado, onde volumes de chuva superiores a 80 milímetros podem ocorrer. A combinação de uma nova onda de calor, a presença de um cavado e o avanço de uma frente fria contribuem para as instabilidades climáticas na região.
Onda de calor se aproxima de Minas Gerais, segundo Inmet – Foto: reprodução
Com a intensificação de uma massa de ar seco sobre Minas, a frente fria perde força e a tendência para os próximos dias é de elevação da temperatura e aumento do tempo seco em todo o estado.
Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), caso a situação persista, a possibilidade de uma nova onda de calor no início de setembro é considerável.
A Defesa Civil de Belo Horizonte emitiu alerta para tempo seco que vai até 18h da próxima quarta-feira (04). As recomendações da Defesa Civil são que a população hidrate-se durante o dia, durma em local arejado e umedecido, evite atividades físicas ao ar livre e exposição ao sol entre as 10h e 17h e, em caso de problemas respiratórios, procure imediatamente um posto de saúde mais próximo.
A capital mineira amanheceu nesta sexta-feira (30/8) com temperaturas baixas. Conforme informações da Defesa Civil, a mínima foi de 11,6 °C na estação Cercadinho, com sensação térmica de 6,2 °C, às 7h. Já na estação Pampulha, a temperatura mínima foi de 14,8 °C com sensação térmica de 14,2 °C, às 5h.
A previsão é que o dia seja de céu claro. A máxima de 29° C e a imunidade relativa do ar em torno de 20% à tarde. BH não registra indícios de chuva para o dia de hoje, contabilizando mais de 130 dias consecutivos sem precipitação.
Para o resto do estado a previsão é de céu claro a parcialmente nublado no Jequitinhonha, Mucuri, Rio Doce e Zona da Mata. Nas demais regiões, céu claro e tempo seco.
Inmet emite alerta para máxima de 37ºC nesta sexta (16) – Foto: reprodução
De acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), Minas Gerais terá um trégua no frio devido a onda de calor que passa pelo estado. As temperaturas começam a aumentar nesta sexta-feira (16) e voltam a normalidade do inverno no final da próxima segunda-feira (19).
O alerta emitido informa que as máximas ficarão em torno de 30ºC em todo o estado, mas em regiões como Centro-Oeste e Sudeste do país, parte do Triângulo Mineiro, Sul de Minas e Zona da Mata podem chegar a temperaturas ainda mais altas. No Alto Paranaíba, os termômetros podem atingir 37°C.
Em Belo Horizonte, de acordo com boletim da Defesa Civil, a previsão indica que o dia será de céu claro com sensação de frio nas primeiras horas da manhã e ao anoitecer, além de tempo seco e calor, à tarde. A temperatura mínima foi de 14 °C, a máxima estimada é de 30 °C e a umidade relativa mínima do ar em torno de 20% à tarde.
Frente fria chega ao Brasil após evento raro de “calor” na Antártida – Foto: reprodução
Uma forte frente fria no Brasil, prevista para esta semana, deve ser causada pelo aquecimento súbito atmosférico, resultado das altas temperaturas registradas na Antártida nos últimos dias.
O meteorologista Vinícius Lucyrio, do Climatempo, explicou que o aquecimento enfraquece o movimento dos ventos ao redor da Antártida, que, normalmente, retêm o frio na região.
Como resultado, o ar polar consegue escapar mais facilmente para áreas tropicais, afetando de forma significativa Argentina, Paraguai, Uruguai, partes da Bolívia e grande parte do Centro-Sul do Brasil.
O fenômeno de aquecimento súbito atmosférico, que eleva as temperaturas na Antártica e na baixa estratosfera, enfraquece os ventos conhecidos como vórtice polar.
As principais causas desse fenômeno são o aquecimento das águas oceânicas e o derretimento do gelo. Ele é considerado raro no Hemisfério Sul e pode ocorrer nos próximos dias.
A semana que começa quente e seca ainda sobre grande parte do país vai terminar com uma queda mais acentuada nas mínimas e máximas e entre a sexta e o fim de semana.
O frio volta, com uma queda nas temperaturas mínimas também em alguns estados da Região Norte.
Ano de 2023 é o mais quente da série histórica no Brasil – Foto: reprodução
O ano de 2023 é o mais quente da história do planeta e também foi o mais quente da série histórica do Brasil. A média das temperaturas no país ficou em 24,92 graus Celsius (ºC) – sendo 0,69 °C acima da média histórica de 1991/2020, que é 24,23 °C. No ano anterior, em 2022, a média anual foi de 24,07 ºC, 0,16 ºC abaixo da média histórica.
Segundo levantamento do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), dos 12 meses do ano de 2023, nove tiveram médias mensais de temperatura acima da média histórica, com destaque para setembro, que apresentou maior desvio (diferença entre o valor registrado e a média histórica) desde 1961, com 1,6 ºC acima da climatologia de 1991/2020 (média histórica).
Ao longo do ano, o Brasil enfrentou nove episódios de onda de calor, reflexo dos impactos do fenômeno El Niño (aquecimento acima da média das águas do Oceano Pacífico Equatorial), que tende a favorecer o aumento da temperatura em várias regiões do planeta. Além disso, segundo o Inmet, outros fatores têm contribuído para a ocorrência de eventos cada vez mais extremos, como o aumento da temperatura global da superfície terrestre e dos oceanos.
Após análise dos desvios de temperaturas médias anuais do Brasil desde 1961 a 2023, o Inmet verificou uma tendência de aumento estatisticamente significativo das temperaturas ao longo dos anos, que pode estar associada à mudança no clima em decorrência da elevação da temperatura global e mudanças ambientais locais.
As temperaturas mais elevadas foram observadas no sul do Pará, Mato Grosso, sul de Mato Grosso do Sul, Paraná, Rio Grande do Sul, áreas de Minas Gerais, Goiás, Bahia, Pernambuco e Ceará.
Temperatura global
De acordo com a versão provisória do Estado Global do Clima 2023, publicada pela OMM, em 30 de novembro de 2023, a temperatura média da superfície global ficou 1,4°C acima da média histórica de 1850/1900, até outubro do ano passado.
Com este valor, o ano de 2023 já é considerado o mais quente em 174 anos de medições meteorológicas, superando os anos de 2016, com 1,29°C acima da média, e 2020, com 1,27°C acima da média.
Ontem (9), o Serviço de Mudanças Climáticas Copernicus, da União Europeia, confirmou que o ano passado foi o mais quente registrado no planeta e provavelmente o mais quente do mundo nos últimos 100 mil anos.
El Niño promete chuva e calor de até 2°C acima da média em MG – Foto: reprodução
Minas pode ter chuva até 100 mm e temperatura até 2°C acima das médias históricas nos primeiros três meses do ano devido ao El Niño 2023/2024, que já está entre os cinco mais intensos registrados desde 1950.
O relatório de tendência climática elaborado pelo Sistema de Meteorologia e Recursos Hídricos de Minas Gerais (Simge), do Instituto Mineiro de Gestão das Águas (Igam), prevê que a maior parte do estado fique com até 1°C acima da média histórica, podendo chegar a 2°C no extremo norte mineiro, como nas regiões Norte de Minas e Jequitinhonha.
O motivo é a continuidade do El Niño, o fenômeno atmosférico-oceânico caracterizado por anomalias positivas da Temperatura da Superfície do Mar (TSM), com águas mais quentes no Oceano Pacífico Tropical Centro-Oriental, próximo à costa oeste da América do Sul.
“Vale ressaltar que o El Niño 2023/2024 já está entre os cinco mais intensos já registrados (desde 1950) e a tendência é que persista influenciando no clima por toda a estação do Verão, ou seja, até o final de março de 2024”, afirma o meteorologista do Simge Heriberto dos Anjos.
Em relação às chuvas no primeiro trimestre de 2024, a tendência é que a porção norte do estado (Noroeste, Norte de Minas e Jequitinhonha) apresente mais precipitações, com cerca de 50 mm a 100 mm acima da média. Nas outras regiões de Minas, a previsão é de chuvas dentro da normalidade.
Segundo o Simge, e importante ressaltar que o El Niño contribui para uma atmosfera mais aquecida em todo o país, com destaque para o Norte, interior do Nordeste e boa parte do Centro-Oeste do Brasil, onde devem registrar temperatura acima de 2°C. No extremo sul da Região Sul do Brasil, a tendência é de temperatura ligeiramente acima ou dentro da normalidade.
Para a porção norte do Sudeste brasileiro, que inclui o norte de Minas (Noroeste, Norte de Minas e Jequitinhonha), além dos estados do Tocantins e norte do Mato Grosso, a previsão é de chuvas entre 50 mm e 100 mm acima da média histórica. Nas demais regiões do estado de Minas Gerais e em boa parte do Norte, Centro-Oeste e Sul do Brasil, a previsão é precipitações dentro da normalidade. Nos estados de Roraima, Amapá, Santa Catarina, Paraná, São Paulo e Mato Grosso do Sul as chuvas devem ficar abaixo da média, entre 50 mm e 100 mm. (Clic Folha)
Verão começa nesta sexta-feira; estação será com onda de calor acima da média no país e muita chuva no Sudeste – Foto: reprodução
O verão começou nesta sexta-feira (22) e os mineiros podem se preparar para uma estação chuvosa e com temperaturas acima da média. De acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), tanto no estado quanto na capital o cenário será parecido. O El Niño – que deve ter pico de atuação entre dezembro e janeiro de 2024 – continua influenciando as temperaturas e o regime de chuvas. Neste primeiro dia de verão e até o Natal o tempo tende a ficar nublado, com pancadas de chuva na capital mineira, enquanto as temperaturas variam entre 20°C e 29°C.
O verão no Hemisfério Sul começou à 0h27 (horário de Brasília) de hoje e termina à 0h06 de 20 de março de 2024. A estação é caracterizada pela elevação da temperatura em todo o país devido à posição da Terra em relação ao Sol mais ao sul, tornando os dias mais longos do que as noites e provocando rápidas mudanças nas condições do tempo. Assim, segundo o Inmet, há condição favorável para chuva forte, queda de granizo, vento de intensidade moderada a forte e descargas elétricas.
Minas Gerais segue o padrão, com a estação também marcada pelo calor e pelas chuvas. Segundo o meteorologista Claudemir Azevedo, em Belo Horizonte, por exemplo, o volume acumulado durante os três meses que compõem a estação é de 700mm, em média. “É um período bastante chuvoso”, reforça. “Em termos de temperatura, a média máxima para a capital é de 28°C, e a mínima, de 20°C.” Ele ressalta que, nesta época do ano, é comum as pancadas de chuva ocorrerem, principalmente, à tarde. Elas podem ser de forte intensidade, acompanhadas de raios e rajadas de vento.
SEM ONDA
Em BH, as chuvas devem ficar acima da média, assim como as temperaturas (cerca de 2°C acima da média). “Diferentemente do que aconteceu na primavera, com ondas de calor forte, em princípio, elas não devem ocorrer, pelo menos nesse início de estação.” Uma onda de calor é caracterizada por uma sequência de pelo menos três dias consecutivos de temperaturas máximas acima da média história para determinado local.
O meteorologista pontua que o começo do verão deve ser marcado por pancadas de chuva em Belo Horizonte e Região Metropolitana, assim como em todo o estado. Em Minas Gerais, o cenário se repete em relação às chuvas e à temperatura. Os maiores volumes devem se concentrar nas regiões Central, Sul, Zona da Mata e Triângulo. “Mas, de maneira geral, chove bem em todas as regiões do estado, incluindo o Norte e o Vale do Jequitinhonha.”
As zonas de convergência, comuns na primavera e no verão, devem ser afetadas pelo El Niño, que continua atuando para deixar as temperaturas acima da média. “De acordo com o meteorologista, com o fenômeno, a tendência é de um início de verão típico, com pancadas de chuva. “Aqueles cenários de vários dias consecutivos de chuva branda ainda não estão previstos.” Há expectativa de chuvas mais fortes, neste início de estação, na Zona da Mata.
NO BRASIL
No verão, as chuvas são frequentes em praticamente todo o país, com exceção do extremo sul do Rio Grande do Sul, nordeste de Roraima e leste da Região Nordeste, onde os acumulados de chuva costumam ser inferiores a 400mm.
Nas regiões Sudeste e Centro-Oeste, a chuva é provocada, principalmente, pela atuação da Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS). Já no norte das regiões Nordeste e Norte, a Zona de Convergência Intertropical (ZCIT) é o principal sistema responsável pelo período chuvoso.
Em média, os maiores volumes de chuva podem ocorrer nas regiões Norte e Centro-Oeste, com acumulados entre 700mm e 1.100mm.
O Inmet alerta que, atualmente, estamos sob a influência de um El Niño forte. O pico do fenômeno deve ocorrer entre dezembro de 2023 e janeiro de 2024. A partir de fevereiro, o fenômeno perde intensidade gradualmente até o outono do ano que vem. Até lá, junto com outros fatores, ele deve continuar influenciando o clima no país, como a manutenção das temperaturas elevadas em algumas regiões.
Onda de calor começa nesta quinta e atinge quase toda MG; veja cidades – Foto: reprodução
Uma nova onda de calor começa em Minas Gerais nesta quinta-feira (14 de dezembro). O alerta foi emitido pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) e é válido por quatro dias, até o domingo (17), podendo ser prolongado. Segundo a previsão, as temperaturas vão voltar a ficar até 5ºC acima da média, o que indica “risco à saúde”.
A capital Belo Horizonte e as cidades da região metropolitana estão entre os municípios que vão passar pela nova onda de calor. Em novembro, o fenômeno fez BH marcar temperaturas acima de 37ºC por uma semana. Já no interior de Minas os termômetros foram além. Foi durante a onda de calor que a cidade de Araçuaí, no Vale do Jequitinhonha, marcou 44,8°C e se tornou a cidade mais quente da história das medições.
Para os próximos dias, o Inmet prevê 41ºC em Minas Gerais no próximo domingo. Já em Belo Horizonte, a temperatura máxima deve ficar em 33ºC.
Quadros de desidratação são a ocorrência mais comum durante ondas de calor. Crianças e idosos precisam reforçar os cuidados por serem mais vulneráveis. O Inmet recomenda o contato com a Defesa Civil (telefone: 199) ou com o Corpo de Bombeiros (telefone: 193) em casos de emergências.
Veja lista de cidades de MG que devem passar por onda de calor, segundo o Inmet:
Venda de ventiladores dispara em Passos durante onda de calor – Foto: reprodução
A procura por ventiladores, climatizadores e aparelhos de ar-condicionado disparou com a última onda de calor e as vendas atingiram 300 unidades em uma semana em estabelecimentos comerciais de Passos.
No país, grandes redes varejistas registraram vendas de até 6 mil ventiladores na última segunda-feira, o que equivale a seis vezes o movimento de um dia considerado normal. Neste ano, a Associação Brasileira de Refrigeração, Ar-Condicionado, Ventilação e Aquecimento (Abrava) prevê alta de 38% na comercialização de ar-condicionado, chegando a 4 milhões de unidades.
O vendedor Otávio Bueno, que trabalha em uma loja em Passos, afirma que, na última semana, as vendas chegaram a 300 unidades de refrigeradores de ar. “A procura nesse mês foi a maior do ano, o pessoal tem buscado muito ventilador, climatizador e ar-condicionado, mas varia de acordo com as condições do cliente”, disse.
Segundo ele, a procura teve alta de 100% e o estoque tem que ser reposto quase que diariamente. “Do mês passado até hoje, a procura dobrou e o estoque acabou facilmente, mas nós tentamos repor, no máximo, de um dia para o outro, a carreta chega aqui cheia de mercadoria para nossos clientes não ficarem sem”, afirma.
De acordo com Jéssica Aparecida Grizostomo de Souza, coordenadora administrativa em uma loja de eletrodomésticos em Passos, algumas fábricas anunciaram que o estoque de produtos acabou devido a problemas na logística por conta da crise hídrica que afeta a região de Manaus (AM) e da Zona Franca.
“Por causa da crise hídrica, não estão conseguindo escoar os ares-condicionados, já estão começando a faltar em alguns depósitos de ventilador também, nos sites tem de 220 w, mas 110 w não têm mais”, diz.
Para a secretária Marília Silva, a compra do ar-condicionado foi um investimento. “Antes eu tinha um ventilador e um climatizador, mas, com certeza, não eram tão eficientes nesse calor”, afirma. Segundo ela, mesmo tendo custado mais caro por conta do aumento na procura, valeu a pena. “Por ter comprado o aparelho nessa época de onda de calor, o valor aumentou muito, antes o mesmo equipamento que comprei estava no mínimo R$500 mais barato”, aponta.
O historiador Pedro Paulo Abreu Barborana afirma que após comprar um ventilador, constatou aumento na conta de energia elétrica. “Notei uma alta de cerca de R$50, mas, como antes na minha casa nós não tínhamos o aparelho, ficávamos com janelas e portas abertas, foi uma necessidade adquirir”, afirma.
A Abrava prevê que o Brasil venda 700 mil aparelhos de ar-condicionado a mais do que em 2022, com expectativas de vendas ultrapassando quatro milhões de unidades residenciais. Este número se aproxima do recorde de 2014, quando foram vendidos 4,3 milhões de aparelhos. Dados do IBGE mostram que nos últimos meses o preço no varejo subiu quase 10%. Só em outubro a alta de preços chegou a 6,09%, o segundo maior aumento entre os itens não alimentícios medidos pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).
El Niño ainda atingirá seu pico do ano em dezembro, diz meteorologista – Foto: Reprodução/Internet
A meteorologista do Centro de Pesquisas Meteorológicas e Climáticas Aplicadas à Agricultura (Cepagri) da Unicamp, Ana Ávila, disse em entrevista que o El Niño – fenômeno sazonal responsável por promover um aquecimento atípico das águas do Oceano Pacífico equatorial – ainda atingirá seu pico deste ano em dezembro. “A temperatura das águas vai ficar cerca de 2,5°C acima do esperado. E os modelos indicam que até junho do ano que vem a gente deve ter o El Niño em curso.”
O El Niño favorece a ocorrência de ondas de calor porque as frentes frias ficam bloqueadas no sul do país e não conseguem avançar, explicou a meteorologista. “Outra questão é que o aquecimento das águas no Oceano Pacífico ajuda a aquecer a atmosfera em termos globais.”
Uma onda de calor, segundo definição do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), ocorre quando há temperaturas de pelo menos 5ºC acima da média da região para o período, durando no mínimo três dias consecutivos.
Ainda segundo as previsões do Cepagri, a onda de calor na Região Metropolitana de Campinas (RMC) deve continuar até sábado (18). A partir de domingo (19), a expectativa é que as temperaturas comecem a cair.
Negacionismo
Por conta da onda de calor observada nos últimos dias, o Ministério da Saúde disponibilizou uma página especial com recomendações e informou que correm risco todas as pessoas, mas especialmente idosos, crianças, diabéticos, gestantes, a população em situação de rua e aqueles com problemas renais, cardíacos, respiratórios ou de circulação.
Entre negacionismos e visões apocalípticas, o fenômeno tem gerado ampla repercussão midiática e debates nas redes sociais sobre a relação dele com as mudanças climáticas. Afinal, do ponto de vista científico, é possível estabelecer com razoabilidade esse vínculo?
O meteorologista Bruno Bainy, do Cepagri, explica haver um ramo das ciências atmosféricas que busca responder justamente a relação das ondas de calor e as mudanças climáticas. É a chamada ciência da atribuição climática, que estuda o impacto da atividade humana na probabilidade de ocorrência de fenômenos específicos. Os pesquisadores utilizam recursos de simulação computacional para investigar se determinados eventos ocorreriam ou não – e, se ocorreriam, com que magnitude – sem a influência antropogênica no clima.
“Os estudos costumam apontar que as ondas de calor podem ter uma relação bastante íntima com as mudanças climáticas. Em geral, as pesquisas mais conclusivas quanto a essas atribuições são relativas às ondas de calor. Então, é uma das principais hipóteses que a gente tem para explicar esse calor extremo. Mas claro que temos outros fatores em jogo, como o El Niño”, esclarece Bainy.
O meteorologista explica ainda que o momento atual coincide com uma fase da chamada oscilação de Madden-Julian. “É um mecanismo de variabilidade climática que dura algumas semanas. E há ciclos. Algumas fases tendem a deixar a parte leste do país mais seca, como é o caso agora. E outras fases tendem a promover chuvas mais volumosas, como é o esperado a partir do final de semana.”
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