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Jornal Folha Regional

Onda de calor mata mais de 5 mil frangos em criadouro no interior de MG

onda de calor causou a morte de mais de 5 mil frangos em um criadouro localizado no Centro-Oeste de Minas, entre quarta (15) e quinta-feira (16).

No vídeo também é possível ouvir uma mulher desesperada com a situação: “Pelo amor de Deus, estou precisando de ajuda. Olha lá, olha as portas”.

Segundo o Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA) o criadouro, que fica em São Sebastião do Oeste, tem uma parceria com uma granja integrada em Pará de Minas, para fornecimento de frangos.

No local, são criadas cerca de 70.500 mil aves. O IMA informou que foi notificado nesta sexta-feira (17) sobre a mortandade de aves devido ao estresse calórico, gerado pelo forte calor.

O Instituto afirmou, ainda, que irá fazer uma análise da notificação e se necessário irá ao local fazer uma vistoria nos próximos dias.

Conta de luz deve ficar pelo menos 5% mais cara com onda de calor

Conta de luz deve ficar pelo menos 5% mais cara com onda de calor – Foto: reprodução

Com a onda de calor, a conta de luz de novembro já tem impacto de pelo menos 5% a mais em relação ao valor pago no mesmo período do ano passado. A estimativa é da Abesco (Associação Brasileira das Empresas de Serviços de Conservação de Energia), com base no recorde de consumo de energia registrado pelo ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico) nos últimos dois dias.

A carga de energia elétrica atingiu recorde em dois dias consecutivos, na segunda e terça-feira, impulsionada pelas altas temperaturas em todo o país, que aumentam o uso de equipamentos de refrigeração.

A demanda instantânea de carga do SIN (Sistema Interligado Nacional) ultrapassou 100.000 MW megawatts) pela primeira vez na história, na segunda-feira, com 100.955 MW. No dia seguinte, atingiu, às 14h20, o patamar de 101.475 MW. Já nesta quarta-feira (15), feriado da Proclamação da República, o consumo de energia ficou mais baixo. Às 14h24, era de 86.671 MW.

“Os recentes resultados demonstram que houve um incremento de 16,8% na carga, se considerada a demanda atendida nos primeiros dias de novembro, passando de 86.800 MW para os atuais 101.475 MW”, afirmou o ONS em nota.

“Acabamos de bater o recorde pela primeira vez na história do Sistema Interligado Nacional. Considerando variáveis, com dados que temos hoje, a gente pode colocar que deu 5% de acréscimo da potência, analisando só os dados do SIN. Considerando esse histórico que foi atingido, a gente pode falar que 5% já acrescentamos nessa potência”, afirma Alexandre Moana, diretor-financeiro da Abesco.

Para ele, isso mostra que a potência, que é tudo o que está ligado ao mesmo tempo, tem tido um salto enorme. “Como isso desencadeia por unidade de tempo, imagina que tenho um secador de cabelo ligado em 80% do máximo, só que agora chegou a 100%. Isso que está acontecendo. Se ficou um tempo na potência alta, tenho o consumo alto”, acrescenta Moana.

A energia elétrica residencial já tem alta de 8,59% no acumulado dos últimos 12 meses, segundo o IPCA (Índice Nacional de Presos ao Consumidor Amplo), de outubro, do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). No acumulado de 2023, o aumento chega a 7,78%.

Em agosto, já houve impacto dos reajustes das tarifas, influenciados, principalmente, pelo fim da incorporação do bônus de Itaipu, referente a um saldo positivo na conta de comercialização de energia elétrica em 2022, que foi incorporado nas contas de luz de todos os consumidores.

Demanda de energia

Em meio ao calor intenso, que deve se estender até sexta-feira (17), segundo o Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia), com temperaturas acima de 40°C em algumas partes do país, o ONS passou a esperar crescimento de até 15,6% para a carga de energia em novembro.

A onda de calor que vem afetando boa parte do Brasil incidiu diretamente na demanda por energia elétrica. Para atender ao aumento do consumo de energia, o operador nacional tem acionado outras usinas termelétricas.

“O Operador reforça que o SIN é robusto, seguro, possui uma ampla diversidade de fontes e está preparado para atender às demandas de carga e potência da sociedade brasileira”, afirma o ONS.

Como economizar na conta de luz

O especialista em eficiência energética Wagner Carvalho, CEO da W-Energy, afirma que o consumo tende a aumentar de modo significativo com a utilização dos equipamentos de climatização.

Não só pelo uso do ar-condicionado, que está em 16,7% das residências do país, segundo ele. Mas também a geladeira, que aumenta o consumo em função do esforço da máquina para refrigerar os alimentos.

“As pessoas tendem a mudar a opção do chuveiro elétrico para o modo verão, que vai exigir menos da resistência. Porém, o número de banhos também aumenta. Esses são alguns dos motivos que geram alta no consumo de energia elétrica”, explica Carvalho, que dá diversas dicas:

• quem tem ar-condicionado, a primeira coisa a fazer é limpar o filtro. “Às vezes, o equipamento pode ser forçado em função da sujeira, que prejudica a ventilação. Isso tem aumento de até 20% do consumo da energia elétrica da máquina. Por uma questão de economia e saúde, é bom fazer a limpeza adequada do filtro e dimensionar direito a potência do equipamento no ambiente”;

• para usar o ar-condicionado à noite, a orientação é colocar a função “timer”. Quando já estiver climatizado, o equipamento desliga sozinho, sem ficar consumindo durante a noite inteira; 

• quem ainda não tem equipamento e for comprar, escolha sempre produtos com tecnologia inverter, que podem gerar economia de até 40%, porque baixa a rotação sem ficar ligando e desligando o compressor, como equipamentos convencionais;

• é bom manter a geladeira organizada, com as coisas no lugar certo, para não peder tempo com a porta aberta, procurando os produtos. Evite também colocar equipamentos quentes dentro da geladeira;

• quem for comprar uma nova geladeira deve optar pelos modelos de duas portas, para não ficar abrindo o congelador o tempo inteiro. Isso evita a troca de calor — além de escolher a tecnologia inverter;

• quem costuma viajar deve tirar os equipamentos da tomada. A função stand by continua consumindo energia. Outra dica é diminuir a potência da geladeira e deixar o menor número possível de alimentos nela.

“Com adoção de medidas como essas, a população pode economizar até 30% na conta de luz”, afirma Carvalho. “Lembrar que a tecnologia que mais economiza energia chama-se disciplina. As mudanças climáticas vieram para ficar. Então esse desequilíbrio e a ausência de padrão de temperatura vão ser cada vez mais comuns no nosso cotidiano daqui para a frente.”

Domingo é marcado pelo calor na região do Lago de Furnas: é só o começo, no meio da semana temperatura passará dos 40⁰C e turismo também aquece

Vista do Mirante dos Cânions em Capitólio – Foto: Ana Paula e Bruno

Apesar de estarmos na primavera, a tarde deste domingo (12), foi marcada por temperaturas típicas de verão nas cidades banhadas pelo Lago de Furnas em Minas Gerais.

Diversos municípios mineiros registraram temperaturas acima dos 35 graus. São José da Barra, foi a cidade com a maior temperatura registrada na região das cidades banhadas pelo Lago de Furnas nesta tarde: 40⁰C.

Capitólio, não ficou para trás: 38⁰C. Logo depois, aparecem as cidades de São João Batista do Glória, Guapé e Carmo do Rio Claro, todas no Sul de SC, com 37°C, 36°C e 36°C, respectivamente.

As informações são do INMET, Instituto Nacional de Meteorologia, onde as temperaturas passaram do que estava previsto.

Na próxima semana entre quinta (16) a sábado (18), os termômetros vão subir ainda mais, onde em algumas cidades a temperatura poderá chegar à 42⁰C, com mínimas de 20⁰ durante às madrugadas.

Turismo

Com altas temperaturas, Capitólio registrou alta procura por turistas das cidades da região que optaram por passeios de barcos e pelos complexos turísticos, assim como hotéis que oferecem piscinas e áreas de lazer.

O empresário Leonardo Cássio de Guaxupé (MG), está aproveitando o fim de semana no ‘Mar de Minas’ com toda família.

“Acreditem, moramos perto, mas nunca tínhamos visitado a região de Capitólio e foi o melhor destino de nossa vida. Passeamos de lancha, de 4×4, frequentamos restaurantes e lanchonetes de Capitólio e ficamos encantados com as belezas naturais e receptividade na cidade. Agora será nosso destino todos os meses durante a primavera e verão. As cachoeiras são encantadoras”, informou Leonardo.

MG se prepara para a terceira onda de calor em 2023, com temperatura de até 42°C

MG se prepara para a terceira onda de calor em 2023, com temperatura de até 42°C – Foto: reprodução

Minas Gerais terá durante os próximos dias a terceira onda de calor em 2023, um fenômeno considerado raro, conforme o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). A temperatura deverá subir em todas as regiões do estado, ultrapassando a marca dos 40°C entre essa quinta-feira (9) e a próxima quarta-feira (15). A expectativa é de que no fim de semana, as regiões Norte, Noroeste e do Triângulo Mineiro tenham calor de 42°C. 

“A diferença deste ano para os outros é que agora vamos para a terceira onda de calor, quando o habitual é ter apenas uma”, explica a meteorologista Anete Fernandes, do Inmet. De acordo com a especialista, o fenômeno pode durar até seis dias, porém não deverá superar as temperaturas registradas na segunda onda de calor, que ocorreu no final do mês de setembro. “Os termômetros devem chegar, no máximo, aos 42°C. O que é inferior a última onda, quando tivemos, por exemplo, a cidade de São Romão, com 43,5°C”, justifica. 

A primeira onda de calor em Minas Gerais em 2023 ocorreu entre os dias 23 e 26 de agosto. Na ocasião, a temperatura média ficou na casa dos 38°C. O fenômeno se repetiu em setembro, entre os dias 23 e 28, quando  os termômetros se mantiveram em torno dos 40°C. “É um fenômeno muito comum no fim da primavera ou começo do verão. O que chama a atenção neste ano é o fato dessa reincidência, com temperaturas dessa grandeza”, explica a meteorologista.

Conforme o Instituto de Nacional de Meteorologia (Inmet), a onda de calor ocorre quando há a elevação da temperatura, por pelo menos três dias seguidos, em 5°C acima da média habitual registrada em determinada região. Segundo a meteorologista Anete Fernandes, o fenômeno é acompanhado pelas equipes do instituto e, por isso, será preciso reavaliar as condições climáticas na próxima semana, a fim de verificar se onda de calor prevista para esse mês poderá se estender por mais dias.

“Temos uma aproximação de uma frente fria, com possibilidade de chuva, o que pode interromper esse fenômeno. Porém, precisamos reavaliar como essa frente fria vai se manifestar em Minas”, conclui. 

Capital 

Em Belo Horizonte a expectativa é de um novo recorde de calor nos próximos dias. A capital pode registrar a maior temperatura do ano na segunda-feira (13 de novembro).

De acordo com o Inmet, a previsão é de que máxima chegue aos 38°C. A medição possibilita superar o recorde de 38,6°C, registrado no dia 25 de setembro, durante a segunda onda que atingiu o estado.  

A terceira onda de calor

A terceira onda de calor pode ser justificada pelo El Niño, que ocorre ao longo deste ano. O fenômeno consiste no aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico e provoca a distribuição de umidade e calor no planeta, principalmente na zona tropical.

“Quando você tem esse aquecimento irregular na faixa equatorial do Oceano Pacífico, que é a maior célula oceânica do planeta, isso interfere no clima de diferentes partes do mundo. É o que chamamos de teleconexão, ou seja, algo que acontece no Pacífico e influencia a América do Sul, a Europa e todos os continentes”, explica a meteorologista Anete Fernandes, do Inmet.

Cuidados 

A orientação do Centro Nacional de Gerenciamento de Riscos e Desastres (Cenad) e da Defesa Civil é de que a população possa redobrar a atenção durante os dias de temperatura extremas. É aconselhável evitar a exposição ao sol durante os horários de maior calor, além de beber água a cada duas horas. Outras recomendações são em relação a utilização de roupas leves, assim como o consumo de alimentos como frutas e verduras. 

Esses cuidados são recomendados principalmente para crianças, idosos e pessoas com condições crônicas, que requerem medicação diárias. Isso proque estes grupos estão mais expostos aos riscos de complicações ou morte durante o dias de altas temperaturas.  

Para quem reside em áreas vulneráveis, a prevenção deve se intensificar, principalmente, em relação aos incêndios florestais. A orientação é evitar atividades que possam causar faíscas, como queimadas não autorizadas, e denunciar qualquer comportamento suspeito às autoridades.   

Inmet emite alerta para onda de calor nos próximos dias

Inmet emite alerta para onda de calor nos próximos dias – Foto: reprodução

O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) emitiu alerta, nesta quarta-feira (8), para a atuação de uma onda de calor no decorrer dos próximos dias. De acordo com o Instituto, a principal atuação do fenômeno se dará pelo interior do Brasil.

O aviso meteorológico especial de nível amarelo (perigo potencial) de onda de calor abrange áreas do Centro-Oeste e Sudeste do País e é válido até, pelo menos, a próxima sexta-feira (10).

O Inmet explica que o aviso de onda de calor de nível amarelo é emitido quando a previsão indica que as temperaturas (neste caso, especialmente as máximas) devem ficar 5ºC acima da média pelo período de dois a três dias consecutivos.

Ainda de acordo com a previsão, o forte calor deverá continuar, pelo menos, até meados da próxima semana, contudo, a área de abrangência do fenômeno deve sofrer alterações. O Inmet reforça que segue monitorando a situação.

A partir do sábado (11), se a situação persistir, o aviso de onda calor será atualizado e poderá se expandir ou até mesmo ter o seu nível de severidade alterado.

Em alguns municípios, principalmente dos estados de Mato Grosso do Sul e Mato Grosso, as temperaturas máximas devem superar os 42°C nos próximos dias.

O Inmet explica que a intensidade do aviso está relacionada com a persistência do fenômeno (número de dias consecutivos) e não aos desvios de temperatura absolutos em si.


Novembro pode ter onda de calor ainda mais intensa nos próximos dias

Novembro pode ter onda de calor ainda mais intensa nos próximos dias – Foto: reprodução

As madrugadas estão mais frias, mas de acordo com dados recentes da Climatempo nos próximos as temperaturas começam a subir em boa parte do país, chamando atenção para uma nova onda de calor que pode resultar em máximas na casa dos 40ºC.

“Com o estabelecimento do ar seco sobre o país novamente, as temperaturas vão subir muito a partir desta quarta-feira, 8 de novembro, configurando uma NOVA onda de calor com temperaturas acima de 5 °C ou mais por amplas áreas do Brasil e com um período maior de duração (mais de 5 dias)”, afirma a publicação.

Segundo a consultoria, os modelos mostram calor intenso já a partir de quarta-feira (8) com as temperaturas subindo no norte e oeste do Paraná, Santa Catarina e em algumas áreas do Rio Grande do Sul. A onda de calor vai atingir também o Centro-Oeste e Sudeste do Brasil, com temperaturas ultrapassando os 37ºC no Sudeste nos próximos dias.

“A partir de quinta-feira (09), o ar frio das madrugadas, perde força e o destaque passa volta a ser as madrugadas mais quentes, principalmente em Mato Grosso do Sul e sudoeste de Mato Grosso”, complementa a Climatempo.

O final de semana será de temperaturas elevadas e o pico do calor pode ser sentido a partir de segunda-feira, próximo dia 13 com as máximas podendo ultrapassar 40ºC no Espírito Santo, leste de Minas Gerais e em áreas do Matopiba.

O modelo GFS prevê temperaturas acima dos 41ºC a partir de quinta-feira (9) em áreas de Goiás, Mato Grosso do Sul, São Paulo e Mato Grosso. No sábado, dia 11, as temperaturas podem chegar a 47ºC em áreas do Mato Grosso do Sul e ficar acima de 42ºC em Goiás, Mato Grosso e Tocantins.

‘É muito provável que tenhamos outra onda de calor em outubro, mais forte do que essa última’, alerta meteorologista

‘É muito provável que tenhamos outra onda de calor em outubro, mais forte do que essa última’, alerta meteorologista – Foto: reprodução

A primavera deve continuar com cara de verão nos próximos meses. E um dos responsáveis pelas altas temperaturas é o El Niño. A meteorologista do Climatempo, Josélia Pegorim, explica que o fenômeno caracterizado pela elevação da temperatura média da água do Oceano Pacífico em pelo menos 0,5 grau por três meses consecutivos, aliado as características da estação, como maior aquecimento no Hemisfério Sul, possibilitarão novas ondas de calor.

— É muito provável que tenhamos outra onda de calor em outubro e que poderá ser mais forte do que essa última que terminou em 26 de setembro. A primavera já é uma época natural de maior aquecimento no Hemisfério Sul e no Rio de Janeiro. O El Niño vai acentuar a irregularidade da chuva, o que vai permitir mais dias com sol forte na primavera — explica Pegorim.

O El Niño é uma oscilação natural do clima, caracterizada pela elevação da temperatura média da água do Oceano Pacífico em pelo menos 0,5 grau por três meses consecutivos. A última vez que ele ocorreu foi em 2019, que bateu o recorde com os 41,6 graus em Irajá, de acordo com o Alerta Rio. Os verões e primaveras de 2020 a 2022 foram influenciados pelo fenômeno oposto, o La Niña, provocando chuvas intensas no estado e no Grande Rio.

Num contexto de mudança climática, as ondas de calor dessa primavera podem provocar dias mais quentes que o próprio verão, segundo Núbia Beray, coordenadora do Laboratório de Estudos e Pesquisas em Geografia do Clima (GeoClima) da UFRJ e do Observatório do Calor.

— Esse padrão de interação do El Niño com a primavera gerou dias em sequência muito quentes, às vezes pode ser até mais que o verão. O que a gente viu ontem é bem típico: temperaturas máximas acima da média, e umidade do ar alta. Isso aumenta o desconforto térmico, porque a sensação é de afogamento no calor. Como o ar fica saturado e mais úmido, o suor acaba evaporando menos e o corpo fica com uma camada de água, prejudicando a regulação natural. É sauna — enfatiza Núbia.

Nesta quarta-feira, em que a sensação térmica no Rio na rua chegou aos 47,5ºC em Guaratiba, na Zona Oeste, dentro de um ônibus o calorão foi ainda pior. A equipe do GLOBO usou um termômetro para constatar que, no banco do motorista, que fica ao lado da tampa motor do coletivo, a temperatura chegava aos 53ºC.

A linha faz o trajeto entre a Rodoviária Novo Rio, no Santo Cristo, e o Leblon, e pode levar até uma hora entre um ponto final e outro. No terminal da região central da cidade, o motorista do coletivo preferiu não se identificar, mas não perdeu o bom humor. Quando um passageiro embarcou, ele brincou:

— O inferno é aí fora, aqui eu já estou todo dia, é até fresquinho — riu. Além de levantar a calça até os joelhos, com tanto suor, há ainda aqueles motoristas que preferem se vestir com uma camisa por baixo da blusa de botão, para que o pano não grude na pele.

Segundo alguns deles, até se acostumam com a insalubridade, já que “tem que levar o sustento para casa”. Tem dias, no entanto, que a situação piora.

— No domingo (quando os termômetros chegaram aos 40,9 graus), eu trabalhei. Foi dia de praia, em três pontos já lotei e não cabia mais ninguém. Com o pessoal (aglomerado) ali na frente, piora bem o calor — conta outro motorista da linha, de 45 anos, com 19 deles dedicados à profissão.

Questão de saúde

De acordo com Guilherme Penna, clínico-geral e intensivista da Casa de Saúde São José, o organismo de cada pessoa tem mecanismos para trazer o corpo para níveis normais de temperatura, quando em ambientes muito quentes.

Quando as temperaturas passam de 38 graus, em um dia de 60% de umidade, os riscos começam a aumentar de forma significativa. A partir dos 33 graus, a recomendação é mudar de ambiente e o horário das atividades, além de pausas para hidratação; a partir dos 40 graus, a solução mais indicada seria evitar sair nos horários de pico de calor — situações impossíveis para quem passa o dia trabalhando a bordo de um ônibus, por exemplo.

— É um a profissão que aumenta sua chance de ter um efeito nocivo em relação à saúde por conta do calor. Se você estivesse numa competição esportiva, em uma temperatura como essa, a solução seria cancelá-la — compara Guilherme, que pontua que motoristas com problemas de saúde devem ter o impacto agravado por problemas de saúde de cada um, além dos estresses do dia a dia.

Com temperaturas acima dos 50 graus, enzimas podem parar de funcionar e o motorista pode sofrer até com problemas neurológicos.

— Diminuição da capacidade de reflexo e delírio (podem ocorrer), condições que especialmente para um motorista de ônibus pode ser catastrófico — completa Guilherme Penna.

  • Durante as pausas — que podem ser nos pontos finais — ficar em uma sombra
  • Usar roupas leves
  • Dobrar a calça, para aumentar a área de troca de calor, também é válido
  • Entre os passageiros, principalmente os englobados pelos fatores de risco, até evitar andar nesses ônibus no horário de calor é indicado, se a realidade da pessoa permitir.
  • Fazer pausas para hidratação

Segundo Guilherme Penna, além de idosos e crianças, pessoas com fatores de risco são mais suscetíveis aos danos do calor. Pacientes com enfisema pulmonar, diabéticos, asmáticos, pessoas com insuficiência renal e quem faz uso de anti-depressivos e anti-hipertensivos também devem ficar atentos às altas temperaturas. Atitudes que podem ajudar a amenizar o calor são bem-vindas, inclusive as citadas pelos motoristas.

Calor encarece bebidas e já provoca efeito sobre a inflação de BH

Calor encarece bebidas e já provoca efeito sobre a inflação de BH – Foto: reprodução

Pesquisa da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas, Administrativas e Contábeis de Minas Gerais (Ipead) revela que o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de Belo Horizonte teve alta de 0,64% durante a terceira quadrissemana de setembro (período de 24 de agosto a 23 de setembro de 2023). No decorrer deste ano, a inflação da capital, medida pelo IPCA, registrou um aumento acumulado de 5,05%, enquanto nos últimos doze meses a alta atingiu 6,53%. Segundo o Ipead a alta na prévia da inflação de setembro, medida na terceira quadrissemana, foi provocada pelo forte calor, que elevou demanda de bares e restaurantes e provocou alta de bebidas e alimentação fora de casa.  

Nesta quadrissemana, a elevação do IPCA está relacionada também à alta do preço médio dos itens gasolina comum e automóvel novo, com as variações, respectivamente, 8,02% e 5,11%. Já alimentação fora da residência volta a subir provocada pelo calo. O subgrupo alimentação fora da residência apresentou alta nesta quadrissemana, puxada pela elevação apresentada pelo item bebidas em bares e restaurantes, com alta de 3,32%.  

Por outro lado, o grupo alimentação, como um todo, apresenta queda de 0,34% neste mês de setembro. Esta queda se explica pelo subgrupo alimentação na residência que registrou redução de 0,64% em comparação com a terceira quadrissemana de agosto, ou seja, em relação ao mês anterior. Todos os itens deste subgrupo apresentaram queda nesta quadrissemana, mas a principal contribuição para essa queda provém do subgrupo alimentos in natura (que inclui frutas, legumes, tubérculos, hortaliças e ovos), que experimentou uma diminuição significativa de 2,09%. 

Onda de calor faz temperatura em Passos chegar a 39,1°, recorde no ano

Onda de calor faz temperatura em Passos chegar a 39,1°, recorde no ano – Foto: reprodução

Passos (MG) atingiu a temperatura mais alta do ano na última segunda-feira (25), 39,1°C entre 13h e 14h. O registro foi feito pela Estação Meteorológica Automática localizada no campus da Universidade do Estado de Minas Gerais (Uemg) no município. No medidor publicitário instalado na rotatória do bloco principal da universidade, o termômetro chegou a cravar 43°, conforme fotos divulgadas em redes sociais.

A agrometeorologista Maria Gabriel de Queiroz, responsável pela captação de dados na estação Inmet-A516, localizada em Passos, afirma que a sensação térmica pode ser maior que as temperaturas registradas. “A sensação térmica pode atingir valores superiores ao registrado nas estações meteorológicas, principalmente no perímetro urbano”, afirma.

Segundo ela, o equipamento que registra a temperatura e a umidade relativa do ar na estação de Passos fica em um local protegido do sol e da chuva, já os termômetros públicos não podem ser considerados parâmetros confiáveis, porque ficam expostos a intempéries climáticas, podendo apontar temperaturas superiores.

Desde o início de setembro, a temperatura mínima mais baixa em Passos foi registrada nos dias 8 e 9, com 14,6°C. A média mais baixa foi no dia 7 (21,86°C) e a temperatura máxima mais alta, antes desta segunda-feira, havia sido no domingo (37,8°C).

No mês, as temperaturas máximas só ficaram abaixo dos 30° nos dias 5 (29,8°C), 6 (29,9°C) e 7 (29,3°C). A umidade relativa do ar oscilou de 36,25%, no dia 20, a 77,25%, registrada no dia 5.

CHUVA

De acordo com o meteorologista do 5º Distrito do Inmet (Belo Horizonte) Claudemir Azevedo, a partir desta terça-feira, 26, os termômetros devem registrar temperaturas mais baixas, na casa dos 33° e possibilidade de chuva.

“A previsão é que a partir desta terça-feira, dia 26, a instabilidade começa a aumentar, com possibilidades de pancadas chuva a partir da tarde, e a temperatura baixando para a casa dos 33ºC e a umidade relativa do ar subindo para 40%. É possível que na região Sudoeste do estado, ao longo da semana, o tempo continue com chuva, o calor diminuindo bastante, temperaturas no máximo de 30ºC e a umidade do ar alcançando os 50%”, afirma Claudemir.

Via: Clic Folha

Frutas e copos de água são distribuídos gratuitamente durante onda de calor em MG

Copos de água são distribuídos gratuitamente durante onda de calor em MG – Foto: João Daniel Alves

Uma iniciativa ‘para lá’ de refrescante durante a onda de calor. Em Poços de Caldas (MG), copos de água mineral estão sendo distribuídos gratuitamente, principalmente para a população mais vulnerável, assim como crianças e idosos. É só chegar, pegar e se hidratar!

Segundo os organizadores da ação, só nesta segunda-feira (25) foram mais de 1,5 mil copos de água mineral distribuídos no Centro da cidade.

Para esta terça (26), a previsão é que sejam mais 2 mil unidades entregues aos pedestres, além da oferta de frutas como melancia e abacaxi — frutas que possuem alto teor de água na composição e colaboram com a hidratação do corpo ao serem ingeridas.

Copos de água são distribuídos gratuitamente durante onda de calor em MG – Foto: reprodução

O local escolhido foi o Centro de Poços de Caldas, próximo a Avenida Assis Figueiredo. O ponto foi estrategicamente selecionado para alcançar o maior número possível de pessoas. Crianças, idosos e pessoas em situação de vulnerabilidade social serão o foco principal da iniciativa.

A ação é desenvolvida pela Secretaria de Promoção Social, juntamente com a Defesa Civil e Corpo de Bombeiros. Isso porque o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) emitiu um alerta vermelho sobre onda de calor para cidades da região, incluindo, Poços de Caldas. Segundo o aviso, há risco à saúde.

Conforme Mauro Barbosa, coordenador da Defesa Civil, é importante ter mais atenção com a hidratação justamente em dias mais secos e de baixa umidade relativa do ar.

“Para as pessoas terem um maior conforto, elas precisam se hidratar, juntamente, usar roupas leves e protetor solar. […] É fundamental se hidratar, bem como ficar em sombra e também usar protetor tanto solar, quanto bonés e chapéus”, explica.

Copos de água são distribuídos gratuitamente durante onda de calor em MG – Foto: João Daniel Alves

Com ações de conscientização sobre a importância da hidratação, os organizadores esperam não apenas fornecer alívio temporário, mas também promover a saúde e o bem-estar a longo prazo e com recomendações como manter hidratação constanteevitar a exposição direta ao sol nos horários mais críticos e umidificar ambientes fechados.

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