Jornal Folha Regional

Mulheres conquistam espaço na cafeicultura com o ‘café feminino’

Não é incomum ver mulheres nas lavouras de café, mais especificamente, trabalhando na colheita. Mas, de alguns anos para cá, elas têm conquistado espaço e voz nesse ambiente considerado masculino, assumindo o protagonismo da produção e dos negócios, desde o plantio até a venda do produto. Foi justamente pensando em conquistar igualdade de gênero e para valorizar o trabalho da mulher na produção de café, que surgiu o Café Feminino de Poço Fundo, resultado do trabalho do grupo Mulheres Organizadas Buscando Igualdade (MOBI) e da Cooperativa dos Agricultores Familiares de Poço Fundo e Região (Coopfam).

Quando o MOBI surgiu, ainda como um grupo dentro da própria cooperativa, a ideia era reunir e organizar mulheres para conquistas políticas, sociais e de igualdade de gênero, não necessariamente para produzir café. Ali, juntas, as mulheres perceberam que o café as unia, fortalecia e dava mais visibilidade ao trabalho da mulher no campo.

“Quando uma de nossas colaboradoras nos contou que nos EUA havia uma compradora que só comprava cafés produzidos por mulheres, nós pensamos que podíamos fazer isso, que tínhamos condições e acabamos enviando um container com o nosso café para lá. Aí, o presidente [da cooperativa] na época sugeriu para produzirmos um café feminino daqui, torrado e moído e a gente foi fortalecendo essa ideia. Só que no começo ele era uma linha do Café Familiar da Terra, ele fazia parte da linha, não era uma marca própria,” contou Rosângela de Souza Paiva, vice-coordenadora do Grupo MOBI e produtora de café em Poço Fundo.

Oficialmente, o café feminino foi lançado em 2013 durante a Semana Internacional do Café. A princípio, como Rosângela disse, era o Café Familiar da Terra – Orgânico Feminino. Pouco tempo depois, com o sucesso do produto, foi lançada a marca própria, um trabalho em conjunto liderado pelas mulheres do MOBI, que buscavam reconhecimento pelo trabalho desenvolvido na produção de cafés.

Atualmente, são cerca de 60 mulheres produtoras de café, orgânico e também sustentável, mas ainda há várias propriedades em processo de certificação. As lavouras que produzem o café feminino não se restringem somente a Poço Fundo, mas também estão em outros municípios, como Andradas, Campestre, Campos Gerais, Caratinga, Machado, Poços de Caldas, Pouso Alegre e Silvianópolis.

Mulheres que apoiam mulheres

Para Rosângela, o café feminino é uma forma de fazer com que as mulheres também sejam protagonistas no ramo da cafeicultura. Apoio, incentivo, cursos de capacitação, troca experiências e até mesmo autoestima elevada são outros benefícios que a marca proporciona a quem faz parte dela.

“A gente costuma dizer que o café feminino é mais do que um café, ele é um projeto, ele é sonho, ele é autoestima, a mulher tem um grupo que apoia, que traz igualdade, desenvolvimento. É mais do que um grupo de apoio, é uma forma de eu ver na outra o que eu já passei, sentir o que a outra já sentiu, porque eu também já tive dificuldade. É entender o outro e se colocar no lugar do outro,” disse.

Dentro do que o MOBI construiu, Rosângela comenta que o café feminino trabalha pela inclusão e não pela exclusão.

“Na nossa metodologia, temos a pontuação, a avaliação. A lavoura é visitada e se a pontuação for baixa, ela é orientada no que pode melhorar. A gente não vai excluir. Por exemplo, se a mulher tem criança pequena e não pode participar da reunião, a gente apoia, pensa em meios para que ela possa participar, é uma fase da vida dela. Eu tenho três filhos, conheço a realidade da agricultora,” declarou.

Selo de Certificação

O café feminino é do tipo especial, orgânico e sustentável, com notas de chocolate, nozes e avelã e pontuação média de 80 a 84 pontos. Para receber o selo do café feminino existe uma certificação. Através de uma metodologia desenvolvida em parceria com o IF Sul de Minas, são promovidos dias de campo para que agricultores e técnicos avaliem a lavoura e pontuem de acordo com critérios preestabelecidos, como envolvimento da mulher no processo de produção, atuação administrativa e operacional e participação na cooperativa. A certificação participativa do café feminino é uma forma de promover a troca de experiências, o protagonismo e a visibilidade do trabalho da mulher no campo.

“Com essa conversa você entende se aquela mulher é operacional ou se ela é está na administração, se ela é parte do processo. Ela precisa ser parte do processo o tempo todo para ser café feminino. Se ela for, nós vamos registrar e se ela não for, nós vamos abraçá-la, conduzi-la e fazer tudo para que ela venha a ser,” destacou Rosângela.

Desde que foi lançado oficialmente, o café feminino tem conquistado cada vez mais o mercado nacional e internacional. Em 2014, foi o café servido na Copa do Mundo e em 2016, esteve também nas Olimpíadas realizadas no Rio de Janeiro. Além disso, em 2020 bateu o recorde exportando cerca de 100 mil sacas de café cru.

Mulheres na cafeicultura

Uma pesquisa realizada pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e pela Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig) e apresentada na Expocafé 2021, aponta que mais de 40 mil estabelecimentos agrícolas com produção de café são dirigidos por mulheres no Brasil, o que equivale a 13,2% do total de 304.500 existentes. Os números da pesquisa foram extraídos do Censo Agropecuário 2017, realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Já com relação à área dos estabelecimentos, a pesquisa aponta que as mulheres são responsáveis por 815 mil hectares, ou 9,1% do total. No Sudeste, são 594 mil hectares sob o comando de mulheres, sendo 65,7% localizados em Minas Gerais. Ainda de acordo com os dados apurados, as mulheres têm menos acesso a tecnologias de produção, mas nas propriedades dirigidas por mulheres existe maior equidade de gênero.

“É um espaço que já foi muito mais masculino, mas continua com os homens sendo maioria, nós mulheres precisamos tomar parte desse espaço, porque a gente tem muito para contribuir com a nossa sensibilidade, nossa força, o nosso cuidado para com o café. Se mais de 50% da nossa população é de mulheres, se nós temos mais de 50% da mão de obra rural composta por mulheres, entendemos que esse espaço de equidade é justo. Sempre falo com muito carinho e respeito, a gente não está aqui para medir forças com os homens, a gente está aqui para somar. Então, é muito prazeroso e gratificante ter esse espaço de caminhada junto,” finalizou Rosângela.

PF faz operação em SP e Passos contra alvo da CPI da Covid por suspeita de lavagem de dinheiro

Mandados de busca e apreensão são cumpridos na sede da Global Medicamentos. Empresa pertence a Francisco Maximiano, também dono da Precisa, que é investigada pela CPI da Covid por supostas irregularidades na negociação da compra da vacina indiana Covaxin pelo governo federal.

A Polícia Federal cumpre nesta quinta-feira (30) mandados de busca e apreensão na sede da empresa Global Gestão em Saúde, em Barueri, na Grande São Paulo, em uma investigação sobre um suposto esquema de lavagem de dinheiro.

A empresa pertence a Francisco Emerson Maximiano, também dono da Precisa Medicamentos, que é investigada pela CPI da Covid por supostas irregularidades na negociação da compra da vacina indiana Covaxin pelo governo federal.

A Precisa atuou como uma intermediária entre o laboratório indiano Bharat Biotech, fabricante da vacina Covaxin, e o Ministério da Saúde. A empresa nunca divulgou detalhes do contrato, incluindo o valor que arrecadaria como representante brasileira na negociação.

A ação desta quinta (30) é feita em parceira com o Ministério Público e a Receita Federal.

Ao todo, são cumpridos oito mandados de busca e apreensão na Grande São Paulo e na cidade de Passos, Minas Gerais. As ordens judiciais foram expedidas pela 2ª Vara Criminal Federal de São Paulo.

Segundo a PF, o objetivo é apurar um esquema de lavagem de dinheiro e corrupção de agentes políticos em troca de apoio na contratação de empresas pertencentes aos investigados por empresas públicas do governo federal.

Ainda de acordo com a Polícia Federal, o grupo investigado simulou várias operações comerciais e financeiras inexistentes para desviar dinheiro de empresas que atuam na área de medicamentos à empresas de fachada.

O dinheiro em espécie gerado por meio dessas operações eram usados para o pagamento de propina a agentes políticos em troca de favorecimento na contratação das empresas por estatais.

Os envolvidos poderão responder, na medida de sua participação nos fatos, pelos crimes de associação criminosa, corrupção ativa e passiva, sonegação fiscal, lavagem de dinheiro, evasão de divisas e operação de instituição financeira sem autorização.

Histórico

A operação faz parte da Descarte, força-tarefa composta por policiais federais, auditores fiscais da Receita Federal e por um procurador da República do Ministério Público Federal em São Paulo, que foi iniciada em 2018.

A investigação surgiu a partir da delação premiada do doleiro Alberto Youssef, personagem central da Operação Lava Jato.

A 1ª fase, deflagrada em março de 2018, mirava um esquema de fraudes e lavagem de dinheiro comandado por uma concessionária que atua no serviço de limpeza pública da cidade de São Paulo.

Em 2019, a delação de advogados suspeitos de participar do esquema permitiu a PF deflagrar novas fases da operação.

No ano passado, durante a fase “Silício”, a PF chegou até a empresa IMA do Brasil, que pertence a Marco Carbonari.

Ele foi vice-presidente da Xis Internet, empresa de telecomunicações que tem como sócio o Francisco Maximiano, dono das empresas Precisa e Global.

Foi investigando Carbonari que os investigadores recolheram as provas que subsidiaram a operação desta quinta (30).

Autor de disparo que atingiu mulher em Passos se entrega à Polícia

O autor do disparo que atingiu por engano uma mulher em Passos (MG) se entregou à Polícia Civil na última quarta-feira (29). De acordo com a polícia, ele foi liberado após prestar depoimento e entregar a arma de fogo utilizada. A vítima baleada enquanto conduzia uma motocicleta já recebeu alta hospitalar.

O delegado Ismael Jerônimo Soares destacou que o suspeito foi liberado por conta do caso não estar mais em estado de flagrante. Segundo o delegado, o autor disse que tentou atirar em um desafeto dele.

“Devido à ausência do estado de flagrancial, o atirador foi ouvido e liberado. Foi feito o contato com o suspeito que esclareceu os fatos e apresentou a arma de fogo com seis projéteis. O alvo principal do atirador era um desafeto dele, cuja relação entre eles estava abalada devido à ameaças desse desafeto a esse atirador”, revelou o delegado.

Conforme explicou o delegado, as investigações sobre o caso continuam mesmo sem que a prisão do suspeito tenha sido efetuada.

“As investigações vão prosseguir para averiguar as circunstâncias dos fatos, a motivação, a consequência dos disparos especialmente em relação à vítima e as responsabilizações criminais devidas”, salientou Ismael Jerônimo Soares.

Vítima já em casa

Vivian Ponçancini Carneiro foi a mulher baleada por engano quando conduzia uma moto em Passos. A administradora recebeu alta da Santa Casa nesta quarta-feira, um dia após ser atingida pela bala perdida.

A vítima conta que só notou ter sido baleada quando parou a motocicleta e viu que estava sangrando. Ela foi socorrida por uma mulher que a conhecia.

“Só fui me situar quando parei a moto, pedi para a moça dar uma olhada porque estava sangrando muito. Ela me disse que fui atingida por uma bala perdida. Foi quando falei: ‘meu Deus do céu, eu não posso morrer’”, revelou.

O caso

Uma mulher foi baleada na tarde do dia 28 se setembro no Centro de Passos aparentemente por engano. Segundo informações da Polícia Civil, a princípio, o atirador passou em uma caminhonete e tentou atirar em um mototaxista que estava em frente a um cartório, mas a mulher acabou sendo atingida.

Imagens do circuito de segurança mostram o momento em que a uma caminhonete branca para na rua Deputado Lourenço Andrade, no centro de Passos. Uma pessoa desce do veículo e, em seguida, um homem se aproxima da caminhonete.

Quando a porta do veículo é aberta, um homem sai correndo. Segundo informações do boletim de ocorrência, a bala atingiu uma motociclista que passava pelo local. Conforme registrado, ela estacionou a moto, desceu pela rua Barão de Passos e parou na travessa com a Juca Stockler, onde recebeu os primeiros socorros.

Secult promove seminário sobre marketing de destinos turísticos

A Secretaria de Estado de Cultura e Turismo de Minas Gerais (Secult) promove, nesta quarta (29) e quinta-feira (30), o Seminário Internacional Marketing de Destinos Turísticos. O evento, gratuito e sem necessidade de inscrição prévia, será transmitido no canal da Secult do Youtube, às 10h, e trará referências internacionais para discutir as tendências do mercado, tanto para apoio à comercialização como para promoção de destinos. 

A abertura será feita pelo secretário de Cultura e Turismo, Leônidas Oliveira. O objetivo do evento, que integra as ações do Programa Reviva Turismo, é debater e apresentar casos de sucesso de marketing e apoio à comercialização de destinos turísticos, por meio da exemplificação e da apresentação de iniciativas bem sucedidas que contribuíram para o aumento da promoção e da comercialização. 

A intenção é inspirar e motivar os participantes a se inscreverem no Edital Reviva Turismo, que prevê o investimento de R$ 10 milhões em 60 projetos.

No primeiro dia de evento, em 29/9, o tema “Marketing Digital no Turismo – Ferramentas e ações inovadoras para a promoção do destino turístico” será debatido com mediação do palestrante e consultor de Marketing Digital para o Turismo Thiago Akira. A mesa terá a participação da jornalista especializada em turismo sustentável Ana Duek; da criadora, curadora, consultora em conteúdo digital e diretora de Treinamento na Associação Brasileira de Blogs de Viagem (ABBV), Manuela Hollós; e do representante da entidade Procolombia (Colômbia), Nicolas Cassafrano Gimenez.

Já no dia 30/9, o painel terá o tema “Apoio à comercialização no setor de turismo – Desenvolvimento de novos produtos e serviços como incremento à comercialização do destino”. A participação será da fundadora do Taste of Lisboa (Portugal), Felipa Valente; da diretora de inovação, educação e investimentos da Organização Internacional de Turismo (UNWTO), Nathalia Bayona (Espanha); da especialista em turismo criativo e fundadora e diretora da Creative Tourism Network, Caroline Courret; com a mediação da palestrante internacional e consultora especializada em tendências, marketing digital, destinos inteligentes e transformação digital no turismo, Marta Poggi.

Reviva Turismo

O Edital Reviva Turismo, que acaba de ser lançado pela Secult, terá inscrições entre 25/10 e 8/11, e está orçado em R$ 10 milhões. O objetivo é investir em marketing para divulgar e promover o potencial turístico de Minas Gerais, o aumento do número de visitantes e gerar, assim, mais empregos, renda e desenvolvimento socioeconômico.

O documento prevê o investimento em 60 projetos, sendo 20 de apoio à comercialização, com R$ 80 mil para cada iniciativa, e outros 40 de promoção de destinos, com recursos de R$ 210 mil para cada plano aprovado.

Dentre as ações de apoio à comercialização, a expectativa é que sejam promovidos famtours; encontros de negócios; treinamentos e elaboração de roteiros turísticos em conjunto para operadores e agentes de viagens; além de criação, produção e divulgação on-line, seguindo a tendência de compra do turista.

Já dentre as ações de promoção de destinos e produtos turísticos as ações são: criação, produção e divulgação online de materiais digitais, conteúdos promocionais para redes sociais, sites ou blogs, press trips, ações de publicidade ou propaganda exclusivamente online; produção e aquisição de fotos e vídeos, de alta qualidade, para fins de promoção do destino ou produto turístico. 

Os proponentes devem ser organizações sociais que trabalham com turismo e possuam produtos turísticos já estruturados. Todos os projetos devem atuar com produtos turísticos mineiros com foco no turismo cultural, de natureza, de aventura, gastronômico, rural, de negócios e eventos e no cicloturismo.

Comissão debate validade das licenças ambientais das usinas de Furnas

A Comissão de Fiscalização Financeira e Controle da Câmara dos Deputados discute nesta quarta-feira (29) a validade das licenças ambientais das usinas de Furnas. O debate atende a requerimento do deputado Aureo Ribeiro (Solidariedade-RJ).

O parlamentar explica que, conforme matéria publicada no jornal O Tempo, as atividades relacionadas ao lago de Furnas, especialmente as destinadas para geração de energia, e as que mantêm a hidrovia da região encontram-se sem licenciamento ambiental. “Foram renovadas concessões de novos prazos que, até então, não foram cumpridos pela hidrelétrica de Furnas”, explica o deputado.

Foram convidados:
– o diretor de Engenharia de Furnas, Sidnei Bispo;
– a superintendente de Comunicação e Relações Institucionais de Furnas, Ana Claudia F. Gesteira;
– a superintendente de Gestão Ambiental de Furnas, Letícia Costa Manna Leite; e
– o diretor de licenciamento ambiental do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Jônatas Souza da Trindade.

Da Redação – RL

Cartão-postal vira cemitério de peixes em Minas

De um lado, carcaças de milhares de pequenos peixes mortos atraem bandos de carcarás e cães; de outro, cavalos procuram capim em meio ao mato seco. Essas imagens, tiradas na tarde da última segunda-feira (MG), não são de um lixão ou de uma área qualquer abandonada. São de um dos mais belos cartões-postais de Minas Gerais: a lagoa da Lapinha da Serra, distrito de Santana do Riacho, a 142 quilômetros de Belo Horizonte.

Quem já foi alguma vez a esse lugarejo e retorna lá agora leva um enorme susto. Por causa da estiagem prolongada, o espelho d’água cristalino que atrai turistas todos os fins de semana praticamente não existe mais. O lago está seco, o solo rachado, cheio de carcaças de peixe em decomposição. Quando bate o vento, o mau cheiro nas proximidades é insuportável.

O estado de calamidade por causa da falta d’água foi decretado em 23 de agosto pelo município, mas, desde 2018, moradores passaram a perceber o nível baixíssimo de água nos períodos de estiagem, o que não ocorria em anos anteriores. Para eles, uma série de fatores levam a essa calamidade: estiagem, as queimadas nas partes mais elevadas das serras, a especulação imobiliária e a abertura de cerca de 10 poços artesianos particulares e irregulares na região. Com isso, o resultado não poderia ser pior: graves prejuízos ao turismo, principal atividade do lugar.

Desde meados de julho, quando o Estado de Minas noticiou a seca na Lagoa da Lapinha, que tem 294 hectares em seus dois níveis e uma capacidade de gerar até 5,6MW, a situação se agravou. Ela está completamente seca na parte superior.
A mortandade de milhares de peixes no local já vinha sendo exposta pela comunidade por meio de movimentos sociais e denúncia ao Ministério Público, que na ocasião abriu inquérito para apuração do rebaixamento da lagoa. Na última semana, funcionários da usina da Pequena Central Hidrelétrica (PCH) Coronel Américo Teixeira, que utiliza as águas da lagoa para gerar energia, realizaram uma ação para a retirada de peixes que ainda estavam vivos na lama.

Porém, a ação foi relatada ao prefeito de forma oficiosa e seu balanço não foi divulgado. A suspeita dos que fizeram a denúncia ao MP é de que a diminuição seria decorrente do aumento das atividades do funcionamento da usina Coronel Américo Teixeira, que produz energia para a vila de seus funcionários e, também, pode comercializar o excedente para a Cemig ou para outras empresas. “Depois que começaram a vender a energia para outra operadora, percebi que o nível baixa rapidamente, coisa que não acontecia antes. A gente avisou que ia morrer peixe, mas não adiantou e, de novo, estamos vendo essa tragédia. Sem água e com esse mau cheiro o turismo fica prejudicado”, lamenta o morador de Lapinha Maurício Machado da Silva, de 34 anos.

Outro morador, Vilmar Aparecido da Silva, de 37, ambientalista, músico e nativo do lugar, destaca outros problemas que podem estar contribuindo para reduzir o espelho d’água da lagoa.”Sabemos da crise hídrica e que anualmente existe o rebaixamento do lago. Mas existem outros fatores, como as queimadas no alto da serra, nos locais de nascentes, o que contribui para escassez no lençol freático, e a perfuração indiscriminada de novos poços artesianos para famílias individuais. Isso compromete o abastecimento da água, que poderia atender à comunidade e não somente a alguns”, analisa ele, que fez até uma música sobre a seca do lago.

Já o prefeito de Santana do Riacho, Fernando Burgarelli (DEM), conta que desde que o município decretou estado de calamidade, dois caminhões-pipa circulam pela Lapinha diariamente para dar apoio à população, porém, com o aumento da seca, isso gerou um movimento para perfurar novos poços, o que, segundo ele, só piora a situação, já que o lençol freático está bem abalado. “Estudos estão sendo feitos para furar um poço com capacidade para atender a um número maior de pessoas no distrito. Agora estamos na fase de reconhecimento do estado de calamidade pelos governos estadual e federal. Só assim poderemos iniciar a execução da obra de emergência”, pondera o prefeito, que ainda alerta: “Para quem quiser furar poço, buscar os caminhos legais, deve ser através do Instituto Mineiro de Gestão das Águas (Igam), órgão com essa competência”.

A Associação Comercial Lapinha da Serra fez um abaixo-assinado que contou com mais de 7 mil assinaturas pedindo o fim do rebaixamento do nível da Lagoa da Lapinha praticado pela usina. Com apoio da prefeitura, a associação fez denúncia nos ministérios públicos estadual e federal. “Renovaram a outorga em 2016 e, de lá pra cá, os danos começaram a aumentar. Mas o crescimento da especulação imobiliária e as obras desordenadas também acentuam a crise hídrica”, reforça o prefeito. O Ministério Público Federal (MPF) informou que o último movimento do inquérito instaurado foi a solicitação à Secretaria Estadual do Meio Ambiente (Semad) que analise os fatos e vistorie o local, apontando, se for o caso, a existência de irregularidades em atividades envolvendo a referida lagoa. A Semad solicitou a dilação do prazo para apresentar seu relatório, que deveria ser entregue em agosto, mas até o fechamento desta reportagem não houve resposta sobre o andamento do documento.

Em julho, a Semad informou que desde o Licenciamento Corretivo (Licença de Operação Corretiva), concedido em 24/10/2017 e válido por 10 anos, “foram realizadas ao menos três fiscalizações (na PCH) pelas equipes da Semad, sendo que uma delas resultou na lavratura de auto de infração por cumprimento de condicionante ambiental fora do prazo. A Semad, que desde julho iria fazer o levantamento de informações das condicionantes e da outorga, para verificar a regularidade da operação do empreendimento”, ainda não divulgou os resultados.

Com gasolina acima de R$6, Minas tem maior arrecadação com imposto

O preço dos combustíveis pesa no bolso do consumidor e pressiona a inflação no país, mas, para os estados, o reflexo é inverso. Minas Gerais apresentou a maior arrecadação de ICMS sobre combustíveis dos últimos cinco anos. Dados da Secretaria Estadual de Fazenda revelam que, de janeiro a agosto, a receita com o imposto chegou a R$ 8,3 bilhões. É o melhor resultado.

Para se ter ideia, no mesmo período do ano passado, a arrecadação foi de R$ 6,2 bilhões. Se continuar nesse ritmo, será também o melhor ano para os cofres públicos mineiros. 

Como ano passado foi uma base fraca, em decorrência da pandemia, o blog analisou os anos anteriores. Em 2019, a receita com o chamado imposto sobre combustíveis foi de R$ 7,1 bilhões. Em 2018, R$ 7 bilhões e em 2017 R$ 6,5 bilhões. Ou seja, o preço da gasolina, do diesel e etanol nas alturas está beneficiando a situação fiscal do Estado. 

Em tempo, 31% da composição do preço da gasolina, por exemplo, é de ICMS. Outros 33% dizem respeito ao preço líquido da Petrobras. 

Daí se depreende a guerra polítca travada pelo presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido) com governadores.

A melhor arrecadação em Minas contribui para o fluxo de caixa, que permitirá, por exemplo, o pagamento do 13º salário do funcionalismo antes do Natal.

8% dos infectados em Passos têm entre 10 e 19 anos

De acordo com dados da Secretaria de Estado da Saúde (SES-MG), em comparação realizada pelo DA REDAÇÃO sobre 2020 e 2021, a fatia dos contaminados em Passos, no Sul de Minas, que possuem entre 10 e 19 anos saltou de 3,1% (2,5% mulheres) para 8,4% (4,5% homens) do total. No ano passado, mulheres de 30 a 39 anos foram as maiores vítimas do vírus (13,2% do total). Neste ano, também o sexo feminino, mas entre os 40 a 49 anos (10,0%).

Nas últimas 24 horas, segundo a Secretaria Municipal de Saúde, 16 novos casos foram registrados no município, aponta boletim desta terça-feira, 28.

São 6 hospitalizados.

Via: Da Redação.

Mulher é presa por tráfico de drogas em Passos

Uma mulher, de 43 anos e já conhecida nos meios policiais, foi presa na última terça-feira (28), por envolvimento com o tráfico de drogas, no bairro Canjeranus, em Passos (MG).

De acordo com informações da PM, a autora segurava uma sacola de plástico, e ao perceber a presença policial, jogou o objeto ao solo. Ao ser verificado, foi localizado cinco micro tubos de cocaína, cinco buchas de crack e 14 buchas de maconha.

A mulher foi submetida a busca pessoal e foram encontrados a quantia de R$742 em dinheiro e um aparelho celular. Os materiais foram apreendidos e encaminhados a Delegacia Civil.

Via: Clic Folha.

Ambev anuncia que cerveja ficará mais cara a partir de segunda-feira

A cervejaria Ambev, dona de marcas como Skol, Brahma, Antarctica, Bohemia e Stella Artois, anunciou,  na noite desta terça (28), o aumento do preço das cervejas. No comunicado enviado a clientes e distribuidores, a cervejaria afirma que o reajuste vai seguir a variação da inflação, dos custos, câmbio e carga tributária.

Ainda segundo a Ambev, o reajuste pode variar entre regiões, marcas, embalagens e segmentos. A empresa concentra 60% de participação de mercado no mercado no país. No comunicado, a Ambev ainda diz que “reforçamos o nosso compromisso com a competitividade das nossas marcas no mercado, visando sempre a boa performance do volume de vendas da indústria”.

A Ambev não informou qual será a faixa de reajustes. A Abrasel (Associação Brasileira de Bares e Restaurantes) disse que o aumento de preços deve ser alinhado com a inflação acumulada nos últimos 12 meses, em torno de 10%.

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