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Jornal Folha Regional

ALMG dá aval ao governo Zema para federalizar Codemig e Codemge

ALMG dá aval ao governo Zema para federalizar Codemig e Codemge – Foto: Luiz Santana/ALMG

O governador Romeu Zema (Novo) está autorizado a federalizar o grupo Companhia de Desenvolvimento de Minas Gerais (Codemge) para abater a dívida de cerca de R$ 165 bilhões do Estado com a União. A Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) autorizou a operação, por unanimidade, nesta quarta-feira (2), em 2° turno.

A Codemge tem 51% das ações da Companhia de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais (Codemig), a quem cabe a exploração do minério do nióbio em Araxá, Alto Paranaíba. O direito à lavra dá à Codemig o status de principal ativo para o cálculo do abatimento de 20% da dívida, condição essencial para a adesão ao Programa de Pleno Pagamento da Dívida (Propag).

Apesar de ser o ativo mais valioso, seu preço é uma incógnita. A oposição chegou a questioná-lo à presidente Luísa Barreto em uma audiência pública, mas a ex-secretária observou, na ocasião, que o Goldman Sachs ainda conduzia um estudo para apurar o valor. A base aliada de Zema, por sua vez, apontou que a avaliação do grupo Codemge cabe ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

No mês passado, após o BNDES sugerir mudanças ao Ministério da Fazenda na regulamentação da avaliação de estatais no Propag para tentar acelerar o processo, o vice-governador Mateus Simões (Novo) consultou a União se há o interesse em federalizar o grupo Codemge. Na última segunda (30 de junho), Simões cobrou um posicionamento da Secretaria do Tesouro Nacional.

Embora a ALMG tenha autorizado Zema a federalizar Codemig e Codemge, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) do Direito Minerário, que visa aumentar o valor das companhias e foi incluída no pacote do Propag pelo presidente da ALMG, Tadeu Leite (MDB), ainda não avançou. Proposta pelo deputado estadual Professor Cleiton (PV), a PEC autorizaria que o direito à lavra fosse entregue à União juntamente com a Codemig.

A federalização de Codemig e a Codemge compõe a terceira etapa do pacote do Propag a ser aprovada em plenário pela ALMG. Na última quarta (25 de junho), a Casa autorizou o governador a entregar à União a carteira de créditos da dívida ativa e compensações previdenciárias. Anteriormente, o texto-base de adesão ao programa já havia sido aprovado pelos deputados estaduais.

Câmara aprova moção contra federalização e possível venda da UEMG, em Passos

Câmara aprova moção contra federalização e possível venda da UEMG, em Passos – Foto: reprodução

A Câmara Municipal de Passos aprovou o envio de uma moção de apoio à não federalização da Universidade Estadual de Minas Gerais (UEMG). O documento será encaminhado à Assembleia Legislativa de Minas Gerais e ao Governo do Estado como forma de manifestação contrária à proposta de federalização da instituição e à possibilidade de sua alienação para a iniciativa privada.

Durante sessão ordinária, a vice-presidente da Associação dos Docentes da UEMG (ADUEMG), professora Camila Moura Pinto, utilizou a tribuna para alertar sobre os riscos envolvidos no projeto. Em um discurso de cerca de 25 minutos, ela apresentou pontos do projeto de lei que, segundo ela, abrem caminho para a venda da universidade.

Um dos trechos citados foi o artigo que permite descontos progressivos de até 45% no valor dos bens em caso de licitação deserta ou fracassada, o que, na visão da docente, coloca o patrimônio da universidade em risco de ser liquidado a preços irrisórios.

“Eu posso oferecer a UEMG com desconto de 45% para ser comprada. Então é na verdade uma verdadeira bagatela”, disse Camila Moura Pinto.

A proposta de federalização faz parte das condições de adesão do Estado de Minas Gerais ao Programa de Pleno Pagamento da Dívida (PROPAG), que busca negociar o passivo estadual de aproximadamente R$ 165 bilhões com a União. Para isso, o governo estadual pretende repassar cerca de R$ 35 bilhões em ativos — entre eles, a UEMG.

O presidente da Câmara de Passos, vereador Plínio Costa de Andrade (PSD), reforçou a posição do legislativo local: “Que o governo de Minas retire de pauta tanto a questão da federalização quanto da venda dos imóveis da UEMG”.

A universidade possui três unidades no Sul de Minas — em Poços de Caldas, Campanha e Passos, sendo esta última a maior de todo o estado, com 27 cursos e mais de 4 mil estudantes. Para os professores e dirigentes, o desmembramento da estrutura comprometeria serviços fundamentais à população, como atendimentos em saúde, projetos científicos e atividades de extensão.

O diretor da unidade de Passos, Hipólito Ferreira Paulino Neto, destacou que serviços como o Ambulatório Escola, o Centro de Ciências e o Centro de Reuso seriam diretamente afetados.

“A UEMG contribui muito para o avanço de Passos e da região. Será extremamente lamentável se perdemos essa universidade pública, gratuita e de qualidade”, afirmou.
Embora o projeto esteja em tramitação na Assembleia, o Governo Federal já declarou que não prevê a federalização de universidades no decreto que regulamenta o Propag.

Via: G1

Governo federal descarta proposta de federalizar a Uemg

Governo federal descarta proposta de federalizar a Uemg - Foto: reprodução
Governo federal descarta proposta de federalizar a Uemg – Foto: reprodução

O governo federal descartou a possibilidade de federalizar a Universidade do Estado de Minas Gerais (Uemg), proposta que integrava o pacote de adesão de Minas Gerais ao Programa de Pleno Pagamento da Dívida dos Estados (Propag). A gestão de Romeu Zema (Novo) considerava que a transferência da universidade poderia reduzir em R$ 500 milhões o valor da dívida com a União, atualmente estimada em cerca de R$ 165 bilhões. Além da Uemg, o governo estadual também incluiu 20 imóveis da Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes) como parte da proposta para amortizar o débito.

Enquanto o Ministério da Educação (MEC) afirma que “no momento, não há previsão de federalização da instituição”, o Ministério da Fazenda esclareceu que o decreto que regulamenta o Propag “não prevê a federalização de universidades, mas sim a transferência de bens móveis e imóveis para a redução das dívidas dos estados que aderirem ao programa”. Segundo a pasta, a lista de imóveis divulgada pelo Governo de Minas ainda não foi oficialmente encaminhada à administração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Além de repassar os imóveis da Uemg, o governador Romeu Zema também pretende transferir a gestão da universidade para a União. De acordo com o vice-governador Mateus Simões (Novo), durante uma reunião em que foram apresentados os projetos de adesão de Minas Gerais ao Propag, a simples entrega dos imóveis poderia inviabilizar a continuidade da instituição. “Se eu federalizo, eu não prejudico os alunos e os professores passam a fazer parte de uma carreira federal”, argumentou.

No caso da Uemg, o governo de Minas encaminhou à Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) um projeto que autoriza a transferência da administração da universidade para o governo federal. Além da Uemg, a lista de bens que o Estado pretende repassar à União inclui também imóveis da Unimontes, entre eles os campi localizados nas cidades de Janaúba, Januária e Pompéu, além de prédios em municípios como Montes Claros, Lagoa Santa e Bocaiúva.

Segundo o governo de Minas, a adesão ao Propag ainda se encontra em estágio inicial e, no âmbito da Assembleia Legislativa, o assunto será discutido com base no diálogo e no respeito aos princípios que regem a administração pública.

As propostas apresentadas pelo governador Zema têm provocado reação de estudantes e professores das universidades. No dia 28 de maio, a comunidade acadêmica da Uemg realizou uma manifestação na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), reunindo cerca de 500 participantes em protesto contra a possível federalização da universidade.

Via: Clic Folha

Professores temem que federalização da UEMG, proposta pelo governo mineiro, paralise atividades

Professores temem que federalização da UEMG, proposta pelo governo mineiro, paralise atividades - Foto: reprodução
Professores temem que federalização da UEMG, proposta pelo governo mineiro, paralise atividades – Foto: reprodução

Professores e funcionários do campus de Passos (MG) da Universidade do Estado de Minas Gerais (UEMG) temem que o processo de federalização que pode ocorrer com a universidade cause paralisação dos serviços e atividades da instituição.

O governador Romeu Zema quer oferecer bens do Estado como forma de abater parte da dívida R$ 165 bilhões que tem com o governo federal e um projeto de lei (PL) que tramita na Assembleia Legislativa prevê que Minas Gerais repasse estatais para o governo federal, entre eles a UEMG.

Atualmente a UEMG Passos tem 27 cursos, quase 500 funcionários e mais de 4 mil estudantes. O receio dos docentes é que a estrutura da universidade seja perdida caso o projeto seja aprovado.

A vice-presidente da Associação dos Docentes da Universidade do Estado de Minas Gerais (Aduemg), Camila Moura, afirma que o projeto traz riscos para a continuidade do trabalho da UEMG.

Nós estamos posicionando contra, ou seja, estamos defendendo a retirada dos PLs, porque não existe jurisprudência, ou seja, não há nenhum exemplo anterior ao nosso de federalização nesses moldes. Então, a gente não sabe o que vai acontecer. Os PLs estão muito frágeis, pode acarretar a extinção da universidade e a perda para os 5 mil alunos que estudam aqui, que podem ficar sem sequer saber se vão concluir o seu curso, como que vai ser feito isso. Todo mundo foi pego de surpresa com essa proposta.”

Outro ponto defendido pela Aduemg é a dificuldade de manter os funcionários que são estaduais em uma gestão federal.

“Para isso a gente teria que mudar a Constituição de 1988, mudar a Constituição do Estado, transformar a universidade em outra coisa que ela não é e modificar nossas carreiras. Você não pode sair de uma carreira estadual e ir para uma carreira federal do dia para a noite, precisa ter uma discussão com o MEC, precisa ter uma discussão no Plano Nacional de Educação para que isso aconteça. Não há jurisprudência desde 1988 para que isso aconteça. Então a gente tá numa insegurança jurídica muito forte com essa proposta”, alegou Camila.

O diretor da unidade de Passos teme que os serviços à comunidade oferecidos oela UEMG correm o risco de serem interrompidos.

“Por exemplo, é o ambulatório escola, o Ambes, que é um programa de HIV, de sífilis, hepatite viral, que contempla 21 municípios na região no ano retrasado, conseguiu ser o padrão ouro do Ministério da Saúde, em nível federal. Em 10 anos, a gente conseguiu fazer mães HIV positivo não tivessem nenhuma transmissão para os filhos durante a gestação”, afirmo Hipólito Ferreira Paulino Neto.

Os docentes estão programando uma paralisação geral para a próxima quarta-feira (28). Neste mesmo dia, ocorre uma assembleia geral em Belo Horizonte para discutir os possíveis desdobramentos das propostas do governo de Minas Gerais.

Processo não pode prejudicar alunos

A advogada especialista em administração pública Suellen Vilela Valleta, presidente da Comissão de Direito Público da OAB Passos, explica que o processo de federalização acontece em etapas e a questão dos servidores deve ser discutida mais tarde.

“Vai ser definido um relator e posteriormente ele vai passar por outras duas comissões, onde vai ser analisado e autorizado Minas a transferir a manutenção para a União. Posteriormente é feito um acordo para estar fazendo adesão do Estado ao Propag, que é um programa de renegociação de dívidas do governo e, posteriormente, Minas, é, a União aceita ou não, porque a União não é obrigada a aceitar todos os ativos que foram propostos pelo Estado”, disse.

Ainda na avaliação dela, caso a União aceite a UEMG, o andamento dos cursos e os professores não podem ser prejudicados.

“Essa transição tem que ser feita de uma forma muito detalhada e específica em lei, justamente para não prejudicar tanto o andamento da instituição, porque não pode haver a paralisação das aulas, como não pode haver o prejuízo dos servidores, porque eles vão passar a integrar o cargo federal”, disse.

Via: G1

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