A casa de show Café de La Musique receberá o cantor João Gomes e Dj Alok.
Um dos carnavais mais esperados do Brasil, está no Lago de Furnas, após a divulgação de dois grandes nomes do mundo artístico. A casa de show Café de La Musique Escarpas, localizada no município de Guapé (MG), faz divisa com Capitólio (MG), e por isso recebe o nome do luxuoso condomínio Escarpas do Lago.
Devido muitas cidades do Brasil terem cancelados a tradicional festa de carnaval, o destino para o Lago de Furnas está sendo um dos mais procurados. O evento poderá marcar a retomada do turismo na região.
No dia 27 de fevereiro a casa receberá o cantor João Gomes, já o Dj Alok está confirmado, porém, sem divulgação data.
De acordo com a diretoria do Café de La Musique, muitas outras atrações serão divulgadas.
Café de La Musique Escarpas
Num recanto mais do que exclusivo, às margens do Lago de Furnas, está o ponto mais alto desse balneário frequentado por pessoas que buscam se divertir em grande estilo. O Café de La Musique Escarpas do Lago é um banho de sofisticação no famoso Mar de Minas para receber até 4 mil pessoas.
“Quem te conhece não esquece jamais”. A frase faz parte do hino de Minas Gerais e descreve bem a sensação de quem conhece o estado. A região do Lago de Furnas é exemplo disso. Se no passado as pessoas vinham, conheciam e não esqueciam; agora elas postam e deixam registrado o momento que passaram na região. Infelizmente, as imagens feitas em Capitólio no dia 8 de janeiro ficarão para sempre e negativamente nos pensamentos de todos que assistiram. E principalmente dos que estavam presentes ali.
Nesta terça-feira (8), a tragédia que deixou dez vítimas fatais nos cânyons de Capitólio, completa um mês. Início da tarde de sábado, um dia chuvoso na região, mas com intensa atividade turística. Diversos marinheiros percorrem trechos paradisíacos com turistas a bordo.
A maioria dos passeios duram em média três horas até o regresso de todas as embarcações ao ponto de partida. No entanto, para a lancha nomeada de “Jesus”, o regresso não aconteceu.
No interior dos cânyons, pedaços de pedras começam a se soltar. Turistas e pilotos tentam avisar os mais próximos do paredão. Porém, devido ao barulho dos sons das lanchas, da água caindo e dos motores das embarcações, é impossível ouvir os gritos.
Segundos depois, uma grande rocha de aproximadamente 30 metros e 10 mil toneladas — segundo especialistas — desaba verticalmente, atingindo uma embarcação e todos seus ocupantes. O acidente matou todos instantaneamente. Outra lancha também foi atingida com os estilhaços de pedras e também afundou, mas todos sobreviveram. 32 pessoas sofreram ferimentos e foram hospitalizadas.
O acidente chocou a todos, aparecendo em vários veículos de comunicação nacionais e internacionais. O que a maioria não sabe é que o acidente não deixou apenas 10 vítimas fatais e 32 feridas. O ocorrido deixou dezenas de residentes locais desempregados. Não existe mais movimento, marinas e restaurantes parados.
Com cancelamentos de até 100% em pacotes de viagens e passeios, empresários do setor de turismo na região registram queda no movimento após o acontecido.
A tragédia aconteceu em um momento de grande expectativa pela retomada dos negócios para o setor às margens do reservatório. Isso porque, com a falta de chuvas, o lago registrava baixo nível de água até parte da segunda metade do ano passado, o que impactava nas atividades náuticas e, consequentemente, enfraquecia, juntamente com a pandemia, o turismo na região.
A questão é que hoje todos sofrem: os que estavam presentes — turistas e pilotos —, familiares das vítimas, empresários, colaboradores e todos aqueles que dependem do turismo para sobreviver.
Pequenos empreendedores sentem a dor de um mês sem trabalhar após a tragédia em Capitólio (MG).
Na noite desta segunda-feira (07), um grupo de pequenos empreendedores do Lago de Furnas, procurou a redação do Jornal Folha Regional, pedindo socorro, pois para eles a tragédia que ocorreu há um mês nos Canyons, se tornou um jogo de marketing para grandes empresários.
“Começamos a vender nosso ganha pão, pois temos a certeza que o turismo será retomado daqui a muito tempo, e enquanto isso, nossas reservas financeiras acabaram, e nem para comprar alimentos estamos tendo condições”, disse C.R.S.
Para outro empreendedor, o Governo de Minas só fala em Reviva Capitólio, mas em momento algum cogitaram em deixar de recolher os impostos.
“Sei que nosso turismo está totalmente destruído, pois, as cartas marcadas só dão oportunidades para os grandes empresários exporem suas idéias nestas reuniões. É muito triste tudo isso! O que deveria ser uma união, se tornou um grande pesadelo em nossa vida, e para completar, nossos impostos precisam ser pagos todos os meses”, informou A.V.S.
Para o empresário G. agora é a oportunidade dos grandes se tornarem hiper empreendedores, pois, muitos têm costa quente.
“Falo com convicção! Observem quem são os convidados para as reuniões de portas fechadas? Não precisamos ir longe, pois, em nossa região temos profissionais capacitados, porém, devido ao ego, jamais terão a oportunidade de se pronunciar ou serem contratados. No dia do desastre foram 10 vítimas, mas após o desastre poderá ser muito mais. Eu mesmo já pensei em pôr um fim na minha vida”.
Os empreendedores pedem socorro!
“Quem lutará por nós? A quem vamos recorrer? Ficamos meses parados e assim como todos os janeiros, vêm um acontecimento para estremecer a alta temporada. Queremos voz e vez nos grupinhos fechados. Pois, sabemos que jamais convidarão quem tem vontade de expressar as ideias e nem sempre concordará com ações, assim como o tal “Reviva Capitólio”, finalizou A.S.
Empresários da região do Lago de Furnas estão promovendo um projeto para ‘reviver’ o turismo local após o acidente nos canyons. O objetivo da ação é trazer proprietários de agências do Brasil todo para mostrar que o turismo regional está funcionando normalmente. Os representantes recolherão material para apresentar aos clientes.
A idealizadora do projeto é a empresária Vivian da Vivi Tur. Ela apresentou a ideia ao Bruno Maia, também empresário, o qual cedeu as informações a Redação do Jornal Folha Regional. Além de abraçar o projeto, Bruno conversou com os prestadores de serviços locais
Os empresários aprovaram a ideia e cederam os espaços nós atrativos. Com isso, conseguiram montar um roteiro completo, mostrando que Capitólio segue funcionando com segurança.
‘’Isso vai ser um trabalho de formiguinha, mas vamos conseguir. Donos de agência e empresários do setor turísticos, se vocês quiserem vir estão convidados, será uma honra para gente. Todos os locais gratuitos. Queremos trazer um ônibus com 64 pessoas, estamos correndo atrás’’, disse o empresário Bruno.
Para participar do projeto e visitar a região, todas as agências e empresários do ramo precisam possuir CNPJ ou Cadastur. Será permitido apenas dois representantes por agência. Duas pessoas serão disponibilizadas para auxiliar no material a ser elaborado para as agências.
Cronograma
A execução do projeto será nos dias 22 e 23 de fevereiro. Os ônibus sairão da Barra Funda, em São Paulo, às 21h, pelo Terminal Turístico Plataforma 5 ou 6. E também de Campinas, às 22h, pelo Largo do Pará.
O café da manhã e almoço serão servidos no Restaurante do Turvo, no Hotel Farol de Minas e no Restaurante Prosa do Mineiro. Os representantes farão o novo roteiro do passeio de lancha e visitarão pontos como: Complexo Capivara, Trilha do Sol, Mirante de Furnas e Cascata Eco Parque.
O valor do pacote completo fica R$ 225,00 reais via pix ou R$ 240,00 reais no cartão de crédito. Para fazer as reservas falar com a Vivian pelo telefone (11) 9 9699-9642 ou com o Claudeir, pelo número (11) 9 4031-1896.
Nota
Junto a nota de divulgação, os idealizadores deixaram uma mensagem aos proprietários das agências de turismo. Confira:
”Passamos por momentos difíceis, uma tragédia que mudou a visão de Capitólio, uma fatalidade que por muitas mídias e lacradores da internet foi usada para a busca de Ibope e likes trazendo muitas inverdades sobre o nosso turismo.
Vocês que trabalham trazendo pessoas para cá sabem da seriedade das várias empresas que trabalham com Turismo Receptivo em Capitólio e queríamos convidar vocês a estarem voltando, para mostrar aos seus clientes que nosso turismo continua com a mesma seriedade e de forma mais segura, seguindo normas rígidas de segurança.
Gostaríamos de convidar sua agência para participar dessa ação com filmagens, fotos para divulgar para o maior número de clientes possíveis e mostrar que Capitólio continua com seu turismo com ainda mais organização e segurança.
Juntos com nossos parceiros vamos coletar material para divulgação em nossas agências para os nossos clientes e mostrar que em Capitólio há inúmeros atrativos turísticos e isso irá ajudar a trazer o turismo de volta para Capitólio.
Queremos ver Capitólio com aquele mesmo brilho de um passeio de lancha pelo Mar de Minas, uma vista do pôr do sol no mirante da Hidrelétrica, as águas das cachoeiras que lavam e purificam a energia de todos os que vêm nos visitar.
Convidamos vocês a estarem vindo a Capitólio fazer parte deste evento de grande importância e JUNTOS POR CAPITÓLIO volte a ser um dos maiores destinos turísticos do Brasil”.
O Lago de Furnas atingiu o seu melhor nível em um ano e meio. Hoje o nível do lago está em 761,2 metros, apenas 80 centímetros abaixo da cota 762, considerada a mínima ideal por comerciantes e pescadores que exploram o lago economicamente.
Conforme dados do Operador Nacional do Sistema (ONS), este é o maior nível registrado pelo lago desde julho de 2020, quando ele chegou chegou a 762,2 metros. Hoje o volume útil do lago está em 50,57%.
A recuperação do lago se deu pela quantidade de chuva que caiu na região desde o início do período de cheia, em outubro.
Em setembro de 2020, Furnas chegou a atingir 753,9 metros ou apenas 13,76% de seu volume útil, a pior marca para o período em 20 anos.
O Turismo na região do Lago de Furnas e Peixoto, Mar de Minas, será a pauta principal de grupo de trabalho. A decisão foi tomada nesta sexta-feira (14), em uma reunião na Cidade Administrativa, em Belo Horizonte, envolvendo o Governo de Minas, por meio da Secretaria de Estado de Cultura e Turismo, as prefeituras de Capitólio, São José da Barra e São João Batista do Glória, além das polícias Militar e Civil, Corpo de Bombeiros, Defesa Civil, Marinha do Brasil, Instâncias de Governanças Regionais (IGR’s), Sebrae , Fecomércio e sociedade civil.
A reunião, que começou com um minuto de silêncio em respeito às vítimas do acidente, foi seguida de uma reflexão de cada um dos presentes.
Decidiu- se chamar o Grupo de Trabalho de, “Reviva Capitólio – Viva o Mar de Minas”. A primeira ação a ser trabalhada será a realização de um vasto diagnóstico, com laudos técnicos e geológicos dos órgãos competentes, dos cânions e áreas interditadas.
O grupo seguirá o seguinte planejamento: 1. Diagnóstico pormenorizado, geológico e estrutural do local
Ordenamento, regulamentação de uso e ocupação dos cânions e suas águas, por parte dos municipios, visando a segurança dos usuarios, trabalhares e turistas. 3. Formação, informação e qualificação dos agentes públicos e privados, bem como usuários e turistas, sobre uso seguro da área.
Reposicionamento de Capitólio e Mar de Minas como destino seguro dentro e fora do estado com projetos de marketing e promoção. Neste ponto, o secretário de Estado de Cultura e Turismo de Minas Gerais, Leônidas Oliveira, propôs a criação de um edital específico para o Mar de Minas, visando a promoção de destino.
“Com segurança, planejamento, união, paz e seriedade. É como Minas se organizará para reestruturar o Turismo em capitolio e região. afirmou O secretário.
O diretor de operações do Sebrae, Marden Magalhães, adiantou que a instituição disponibilizarará sua estrutura e recursos para ajudar no diagnóstico e outros processos para a recuperação do destino turístico.
Já o diretor regional do Sesc, Luciano Fagundes, e o diretor adjunto do Senac, afirmaram que a Fecomércio contribuirá com o treinamento, workshops e cursos para capacitação de todos os envolvidos no trade turístico.
Também será expandido o raio da Rede Integrada de Proteção ao Turismo, que seria restrita à Capitólio e agora abordará toda a região. A iniciativa integra a Polícia Militar de Minas Gerais, Secult, prefeituras, além da cadeia produtiva do turismo e a comunidade em geral para promover a segurança pública, a cultura e o turismo, e assim estimular a geração de emprego e renda na cidade.
O prefeito de Capitólio, Cristiano Gerardão, agradeceu a iniciativa e afirmou que esse trabalho conjunto é fundamental para região, paras as famílias e pelas pessoas que dependem da atividade turística e, sobretudo, para que essa tragédia jamais se repita.
Por volta de 12h30, do último sábado, 8, um paredão de rochas se soltou nos canyons do Lago de Furnas, em Capitólio (MG), e atingiu quatro embarcações com dezenas de turistas, vitimando fatalmente 10 pessoas.
Turistas aproveitavam o dia em passeios de lancha no Lago, quando perceberam a rachadura em um dos paredões. Nas imagens registradas no momento do ocorrido, dá para ouvir quando as pessoas comentam:
‘’Isso é normal pai?’’, “Aquele bloco está saindo lá”, “Aquele pedação ali vem caindo”, “Aquele pedaço vai cair”, “Gente, saí daí”, “Tá caindo muita pedra”, “Esse trem vai cair”, “Corre, vamos embora”.
Foram diversas observações até que o paredão veio abaixo enquanto testemunhas filmavam tudo. Em questão de segundos, uma rocha gigantesca despencou e atingiu pelo menos quatro lanchas que estavam mais próximas ao local, duas ficaram destruídas e afundaram.
Na hora do acidente, pelo menos 50 pessoas estavam nas lanchas, entre elas crianças.
Representantes dos Bombeiros, Defesa Civil e policias militares e civis que participaram da operação investigam o que teria provocado o acidente.
O porta-voz do Corpo de Bombeiros, Pedro Aihara, que conhece bem a região, falou sobre o desabamento.
“Ela já apresentava algumas situações, uma perda dessa coesão. A gente já começa a ver esses primeiros blocos de terra se desprendendo, o que mostra realmente que aquela falha estava aumentando. A gente tem um movimento de aumento desse afastamento dessa falha pré-existente, até que chega um momento que a gente tem um colapso daquele estrutura, o deslocamento repentino de toda aquela massa de água, decorrente daquela colisão com a rocha, ele provoca uma onda que lança algumas pessoas à altura de três, quatro metros, e são lançadas na água. É basicamente como se fosse um atropelamento por uma locomotiva ou por um trem”, explica.
Após o desabamento, equipes da Delegacia da Marinha de Furnas (DelFurnas) se deslocaram para o local e informaram, por meio de nota, que um inquérito será instaurado para apurar as causas do acidente.
Nas redes sociais, o governador de Minas, Romeu Zema, se solidarizou com as famílias das vítimas. Zema também decretou luto de três dias em todo o Estado de Minas Gerais em respeito às mortes causadas pelo acidente, e pelas pessoas que estão sofrendo com as chuvas intensas.
“O governador Romeu Zema assinou decreto de luto oficial de três dias em todo o Estado de Minas Gerais, em sinal de pesar às vítimas da tragédia em Capitólio e em respeito aos mineiros afetados pelas fortes chuvas dos últimos dias”, disse o governo de MG em nota.
Vítimas identificadas
As dez vítimas do acidente de Capitólio já foram identificadas pela Polícia Civil. Os últimos quatro corpos foram identificados nesta segunda-feira (10). São eles: Geovany Teixeira da Silva, de 37 anos; Geovany Gabriel Oliveira da Silva, 14 anos; Thiago Teixeira da Silva Nascimento, 35 anos; Rodrigo Alves dos Anjos, 40 anos e Carmem Pinheiro da Silva, de 43 anos.
A 9ª vítima a ser identificada foi o piloto da lancha, Rodrigo. Geovany Teixeira e Geovany Gabriel eram pai e filho. Thiago era primo de Geovany Teixeira. Todas as vítimas do acidente estavam na mesma lancha que tinha o nome de “Jesus”.
A 10° vítima identificada foi Carmem Pinheiro da Silva, de 43 anos, natural de Cajamar. Ela acompanhava o namorado Geovany Teixeira da Silva, 37 anos, na embarcação e estavam com ela também a filha Camila da Silva Machado, 18 anos, e o namorado da garota. Todos morreram no acidente.
De acordo com informações da Polícia Civil, eles estavam hospedados em um rancho em São José da Barra (MG). O proprietário da imóvel era dono da lancha e também parente das vítimas. O piloto era funcionário dele.
A primeira vítima foi identificada na manhã do último domingo (9). Outras quatro vítimas foram identificadas no mesmo dia durante a noite e outras na madrugada desta segunda-feira (10).
Veja quem são as vítimas
Júlio Borges Antunes, 68 anos, natural de Alpinópolis (MG). Foi enterrado em São José da Barra.
Maycon Douglas de Osti, 24 anos, nascido em Campinas. Será enterrado em Sumaré.
Camila da Silva Machado, 18 anos, nascida em Paulínia. Será enterrada em Sumaré.
Sebastião Teixeira da Silva, 64 anos, natural de Anhumas. Será enterrado em Serrania.
Marlene Augusta Teixeira da Silva, 57 anos, natural de Itaú de Minas. Será enterrada em Serrania.
Geovany Teixeira da Silva, 37 anos, natural de Itaú de Minas. Será enterrado em Serrania.
Geovany Gabriel Oliveira da Silva, 14 anos, natural de Alfenas. Será enterrado em Serrania.
Thiago Teixeira da Silva Nascimento, 35 anos, nascido em Passos. Foi enterrado em São José da Barra.
Rodrigo Alves dos Anjos, 40 anos, nascido em Betim (MG). Ele era o piloto da lancha.
Carmem Pinheiro da Silva, de 43 anos, natural de Cajamar.
Marlene e Sebastião eram casados e pais de Geovany Teixeira, que era pai de Geovany Gabriel. Eles também eram tios da vítima Thiago. Mykon era namorado de Camila e Júlio era amigo da família.
Segundo a Polícia Civil, as dez vítimas foram identificadas por meio da datiloscopia (sistema de identificação humana, por meio das impressões digitais). “A equipe da PCMG atuou na identificação de sete vítimas e contou com o apoio da Polícia Federal na identificação de outras três vítimas”, informou a Polícia Civil.
Feridos
O Corpo de Bombeiros de Minas Gerais informou que 32 pessoas foram atendidas por decorrência do acidente, das quais 27 foram atendidas e liberadas, 23 delas da Santa Casa de Capitólio e outras 4 do Hospital Municipal de São José da Barra.
Um jovem, de 26 anos, residente de Pimenta (MG), está internado na Santa Casa de Passos e deve ser operado nesta segunda-feira (10). Outra pessoa que também estava internada em Passos foi levada para um hospital particular e está estável.
2 pessoas, atingidas pelas pedras e que estão com fraturas expostas foram encaminhadas para a Santa Casa de Piumhi.
O que diz o prefeito de Capitólio
O prefeito de Capitólio, Cristiano Geraldo da Silva (PP), afirmou em entrevista coletiva no último domingo que nunca havia ocorrido acidente deste nível, por isso, não há um estudo ou análise geológica sobre os paredões.
“Meu pai vive aqui há 76 anos e nunca viu um desligamento de rocha desses. Acredito que, daqui para a frente, a gente precisa fazer uma análise [geológica]. Aquelas falésias estão ali há milhares de anos. Essa formação rochosa de quartzito tem essas fendas e fissuras. Já foram feitos vários estudos geológicos. Se tinha algum risco, tinha de ser emitido por um órgão superior”, explicou.
No domingo, o prefeito determinou o fechamento das entradas dos cânions e também da Cascatinha.
“A Marinha tem as suas legislações que regulamentam o ordenamento costeiro. Então, todos esses pontos já estão sendo trabalhados pela Marinha em relação ao ordenamento”, acrescentou, em seguida.
Segundo o prefeito, uma lei municipal de 2019 disciplina o turismo nos canyons, proibindo banhos na área de circulação das lanchas e limitando a 40 o número de embarcações, as quais podem permanecer por até 30 minutos na área. Além disso, normas da Marinha estabelecem o ordenamento da orla do lago.
Cristiano também comentou sobre a responsabilidade do acidente: “O ordenamento marítimo está a cargo da Marinha. Temos a Marinha na nossa região desde 2019, e o ordenamento está por conta deles.” O prefeito disse que “querer apontar um culpado agora é injustiça”.
“Dentro dos cânions temos leis que proíbem que as pessoas nadem e a ancoragem de lanchas”, completou. O prefeito informou que a fiscalização é realizada através de um fiscal utilizando jet ski.
“O caminho é buscar pessoas técnicas, e trabalhar para que tenha prevenção. O caminho é buscar pessoas especializadas, sentar com os órgãos competentes para traçar um plano buscando a segurança dos trabalhadores, da população e principalmente dos turistas”, concluiu.
Também neste domingo, Furnas Centrais Elétricas divulgou uma nota sobre o acidente. A concessionária lamentou as mortes e disse se solidarizar com as famílias. Furnas esclareceu ainda que “utiliza a água do lago para a geração de energia elétrica e que a fiscalização dos demais usos, incluindo o turismo, competem à Marinha e aos poderes públicos locais”.
Família do piloto
Milenna Rodrigues Alves dos Anjos, filha de Rodrigo, piloto vítima do acidente, lamentou a morte do pai e disse que ele ‘não iria nessa lancha inicialmente. Pediu para trocar porque queria ir com Jesus’ (nome da embarcação envolvida no acidente).
Pai de Milenna, avô de Maria Alice e marido de Marileide, Rodrigo era um amante da navegação. Ele pilotava a lancha ocupada pelas 10 pessoas que morreram na tragédia.
“Meu pai era uma pessoa única. Ele amava isso aqui. Suas maiores paixões eram as embarcações e a família, principalmente a neta”, disse a filha.
Rodrigo vivia em Capitólio com a esposa, Marileide Fátima Rodrigues, de 37 anos. Os dois estavam casados há quase 25 anos e vieram para o “Mar de Minas” com intuito de seguir o sonho do piloto.
Vítima de Sumaré faria 25 anos no domingo
Uma das vítimas faria 25 anos no último domingo. Maycon Douglas, que estava com a namorada, Camila, além de outras pessoas da família dela. O casal, que morava em Sumaré (SP), morreu na hora com a queda do paredão.
O casal foi enterrado na manhã desta segunda-feira (10), na cidade onde residiam.
Como é a formação rochosa da região?
A região de Capitólio é basicamente formada por rochas sedimentares que possuem uma resistência menor.
“A entrada de água nessas áreas podem fazer a rocha perder a coesão, que é a resistência interna. E pode haver uma ruptura como essa”, explicou o tenente Pedro Aihara, porta-voz do Corpo de Bombeiros de Minas Gerais.
Gustavo Cunha Melo, especialista em gerenciamento de risco, disse que a rocha aparentava estar com muita erosão. “A tromba d’água pode explicar o desabamento neste momento? Pode, assim como também não precisava nada – ela ia desabar em algum momento por erosão, por um processo natural”, disse.
O tenente explicou que o desmoronamento de rochas é comum em Capitólio, mas o que agravou a situação foi o tamanho e modo como as pedras caíram. “Nesse caso, como a gente teve esse tombamento perpendicular, e pelo tamanho da rocha, a gente acabou tendo essas pessoas diretamente afetadas”, disse.
Geralmente, esse tipo de desmoronamento acontece com as rochas caindo até mesmo ‘de pé’, e não perpendicular, como foi neste acidente.
A diretoria executiva da Sociedade Brasileira de Geologia (SBG) emitiu uma nota considerando que a tragédia expõe um problema provocado pela falta de laudos geológicos e geotécnicos para identificar os riscos geológicos de locais a serem visitados por turistas. A SBG “rechaça qualquer tentativa de negar a gravidade dos fatos e de impedir a apuração das responsabilidades por essa tragédia que poderia ter sido evitada”.
A SBG considerou ainda que as autoridades devem ter mais atenção no período chuvoso. “Fenômenos como inundações, deslizamentos, fluxo de detritos, entre outros, representam um desafio às capacidades dos governos, nas esferas federal, estadual e municipal, para responder antecipadamente, com rapidez e eficácia, aos problemas decorrentes dos seus efeitos a uma determinada região do país”.
Para a SBG, há uma ausência de profissionais qualificados da área de Geociências nas prefeituras para conduzir estudos de avaliação dos lugares turísticos e monitoramento de áreas de riscos. São profissionais que poderiam avaliar restrições de uso e determinar procedimentos de segurança.
“A indicação de obras de contramedidas e o monitoramento geotécnico aliados com a percepção de risco pela população são ações eficazes para mitigar o risco e prevenir desastres”, diz a nota.
Os turistas podiam estar no local?
Após o incidente, a área foi isolada e não pode mais receber turistas por tempo indeterminado. Os bombeiros disseram que cabe à Marinha informar se os turistas poderiam estar no local.
O prefeito de Capitólio disse que nenhuma norma impedia as lanchas de estar naquele local, próximas do paredão.
Investigações
A Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) instaurou inquérito para apurar as circunstâncias da tragédia. A informação foi divulgada pelo delegado Marcos Pimenta, da regional da Delegacia em Passos nesta segunda-feira (10).
“Em relação a uma obra do parque de lazer no cânion ter influenciado deslocamento da rocha, é muito prematuro afirmar qualquer tipo dessas ideias que estão circulando. Entretanto, a Polícia Civil não irá descartar nenhuma hipótese. Mas, com cautela, e a serenidade que o caso impõe, estamos ouvindo na data de hoje [segunda-feira], em três grupos distintos, no núcleo em Piumhi e no núcleo em Alpinópolis. Ambos estão colhendo informações do proprietário da lancha Jesus, que não estava na embarcação quando houve o choque”, pontuou Pimenta.
Testemunhas e pessoas que sofreram ferimentos leves também serão ouvidas pela instituição. O delegado detalhou, ainda, que um geólogo especialista auxilia no inquérito. No primeiro momento, frisou, a Polícia Civil “almeja dar conforto aos familiares” e “celeridade na identificação” da última vítima.
“Está previsto durante esta semana que uma equipe de delegados, investigadores e peritos criminais irem às imediações dos cânions com aeronaves, drones e embarcações. Nossa ideia, nosso objetivo, será estudar o local e averiguar se, nas imediações, também há outras pedras com essas características visando, juntamente com Defesa Civil, Corpo de Bombeiros, Marinha, e outros órgãos de fiscalização, a criação de uma saída para que outras pedras não consigam atingir aquela região, que é uma região rica do turismo e é um presente de Minas”, concluiu.
A Marinha do Brasil também abriu inquérito para investigar o acidente.
A rocha
Em 2012, um internauta publicou em seu perfil no Facebook, uma imagem de uma rocha ‘solta’ em um dos paredões, similar a que desmoronou, com a seguinte legenda: ‘’essa pedra vai cair’’.
O ‘print’ circulou nas redes sociais e causou revolta, porém não são as mesmas mesmas rochas. As duas estavam de lados opostos.
Registros
Antes de embarcarem, as vítimas registraram o momento de felicidade entre família e amigos. Confira:
Um deslizamento de pedras nos canyons do Lago de Furnas, em Capitólio (MG), atingiu três embarcações com turistas neste sábado (8).
Equipes da Marinha e do Corpo de Bombeiros se deslocaram para o local.
De acordo com informações, três óbitos já foram oficialmente confirmados e 21 pessoas ficaram feridas. Dessas, 15 estão no Hospital Municipal de São José da Barra (MG), e outras seis, em estado mais grave, na Santa Casa de Passos (MG). As duas lanchas afundaram.
Com a cabeça sangrando, um piloto que estava no momento do ocorrido informou que estava registrando algumas imagens dos turistas, momento em que uma pedra caiu do paredão.
”Eu falei ‘gente isso não é normal não’. Nesse paredão tinha uma trinca, dessa trinca, começou a cair pedrinhas menores. E era muito alto, uns 25 metros de altura. Eu cheguei no ‘Caveira’ e disse ‘Caveira, pede para aquelas lanchas saírem de lá, está caindo pedacinhos de pedras, aquilo vai acabar caindo’. Eu fiquei de longe vendo e o Caveira foi lá, tentou falar mas eles. Eu achei que ia cair debaixo para cima, mas caiu de frente. Era tão grande que tapou toda aquela cachoeira da direita. Isso causou ondas de três metros, voou pedras para todo lado, dentro da minha lancha, na cabeça. Foi um desastre”, disse o marinheiro.
Em 2012, um internauta já teria previsto o acontecido, devido a pedra já estar se soltando.
Testemunhas registraram o momento em que algumas vítimas chegam ao complexo de lanchas no Rio Turvo. Confira abaixo.
Nesta sexta-feira (7), o nível do reservatório do Lago de Furnas, em São José da Barra (MG), subiu para 758,44 metros acima do nível do mar — aumentando 17 centímetros em menos de dois dias. A cota mínima para o Lago é de 762.
O reservatório sobe por volta de 10 a 17 centímetros por dia nos últimos dias.
Às 21h da última última quinta-feira (6), o nível estava em 758,37, subindo cinco centímetros em nove horas. No mesmo dia, das 10h às 12h, a água subiu três centímetros.
Com os próximos dias de chuva, espera-se que o Lago atinja a cota mínima.
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