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Jornal Folha Regional

Lula e Zema travam disputa por legado do Hospital Universitário de Divinópolis

Lula e Zema travam disputa por legado do Hospital Universitário de Divinópolis – Foto: reprodução

A inauguração oficial do Hospital Universitário de Divinópolis, realizada nesta sexta-feira (19), transformou-se em mais um capítulo da disputa política entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o ex-governador de Minas Gerais e pré-candidato à Presidência da República, Romeu Zema (Novo).

Enquanto Lula esteve na cidade do Centro-Oeste mineiro para participar da cerimônia de entrega da unidade de saúde, Zema contestou o protagonismo do governo federal e afirmou que o hospital já havia sido entregue à população meses antes, durante sua gestão à frente do estado.

Em manifestação pública, o ex-governador destacou investimentos realizados pelo Governo de Minas para viabilizar a conclusão do empreendimento.

“Por que não falam que retomamos as obras de todos os Hospitais Regionais de Minas Gerais, que estavam paradas desde o governo do próprio PT? Inclusive, alguns deles já foram inaugurados. Agora, vão a Divinópolis inaugurar aquilo que nós já entregamos em fevereiro deste ano. Vale lembrar que investimos R$ 134 milhões para a conclusão do Hospital Regional de Divinópolis — sendo R$ 49 milhões destinados às obras e R$ 85 milhões para aquisição de equipamentos, mobiliário hospitalar e adequações necessárias para o pleno funcionamento da unidade”, afirmou Zema.

Além dos recursos destinados à estrutura e aos equipamentos, o ex-governador também ressaltou a transferência do imóvel para a Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ), medida que, segundo ele, foi decisiva para garantir o funcionamento da unidade.

“O ex-governador ainda diz que sua gestão doou à Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ) o imóvel do Hospital Regional de Divinópolis, avaliado em R$ 184 milhões, com ‘a finalidade exclusiva de garantir o funcionamento do hospital’. ‘Então, é muito fácil o presidente Lula participar de um evento tentando passar a impressão de que trabalhou pela conclusão do Hospital Regional de Divinópolis’, provoca.”

A discussão em torno da autoria da entrega do hospital não é inédita. Antes mesmo da agenda presidencial desta sexta-feira, a unidade já havia sido alvo de divergências políticas envolvendo o Governo de Minas e a deputada estadual Lohana França (PV).

Uma das principais articuladoras das ações relacionadas ao hospital, a parlamentar criticou o Executivo estadual por, segundo ela, minimizar sua participação no processo de implantação da unidade. Na ocasião da primeira cerimônia de entrega do hospital, Lohana afirmou ter sido excluída do evento e relatou que não recebeu convite para participar da solenidade.

Lula inaugura Hospital Universitário em Divinópolis e anuncia investimentos na BR-494

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) participou, na tarde desta sexta-feira (19), da inauguração oficial do Hospital Universitário da Universidade Federal de São João del-Rei (HU-UFSJ), em Divinópolis (MG). A cerimônia reuniu autoridades federais, estaduais e municipais e foi marcada pelo anúncio de investimentos para melhorias na BR-494.

Lula desembarcou de helicóptero no Divinópolis Clube, no bairro Belvedere, antes de seguir para o evento. Também participaram da solenidade o ministro da Educação, Leonardo Barchini, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, e o ministro dos Transportes, George Santoro.

Durante a agenda, o Governo Federal confirmou investimentos para a duplicação da BR-494, no trecho entre o entroncamento da MG-050 e o trevo do Parque de Exposições. A intervenção tem como objetivo melhorar a mobilidade urbana e facilitar o acesso ao novo Hospital Universitário.

A prefeita de Divinópolis, Janete Aparecida, acompanhou a inauguração e destacou a importância da nova unidade para a saúde pública da cidade e de toda a região Centro-Oeste de Minas Gerais.

Segundo a prefeita, a entrega do hospital representa uma importante conquista para a população, ampliando o acesso aos serviços de saúde e fortalecendo a estrutura hospitalar regional. Janete também ressaltou a presença do presidente Lula no evento, afirmando que a visita demonstra o reconhecimento da relevância do empreendimento e reforça o compromisso com investimentos para o desenvolvimento do município.

“Estamos vivendo um momento histórico para Divinópolis. A inauguração do Hospital Universitário representa um grande avanço para a saúde da nossa população e de toda a região”, destacou a prefeita.

Lula anuncia fim da “taxa das blusinhas” após quase dois anos de cobrança sobre compras internacionais

Lula anuncia fim da “taxa das blusinhas” após quase dois anos de cobrança sobre compras internacionais – Foto: divulgação

O governo federal oficializou o fim da chamada “taxa das blusinhas”, nome popular dado ao imposto de importação de 20% aplicado sobre compras internacionais de até US$ 50 realizadas por meio do programa Remessa Conforme.

A decisão foi anunciada nesta terça-feira (12) e passa a valer a partir desta quarta-feira (13). A mudança foi formalizada por meio de uma Medida Provisória assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e regulamentada em portaria do Ministério da Fazenda. As medidas foram publicadas em edição extra do Diário Oficial da União.

Segundo o governo, a isenção vale apenas para os tributos federais. O ICMS, imposto estadual que também incide sobre essas compras, permanece sendo cobrado normalmente. Atualmente, dez estados aplicam alíquota de 20% sobre encomendas internacionais de pequeno valor.

O anúncio foi feito pela ministra Miriam Belchior, que classificou a medida como um avanço para consumidores que realizam compras internacionais de baixo valor.

A tributação havia começado em agosto de 2024, após aprovação do Congresso Nacional e sanção do presidente Lula. À época, a medida foi defendida por setores da indústria brasileira, que alegavam concorrência desigual com plataformas internacionais, especialmente após o crescimento das compras online durante a pandemia.

Mesmo com críticas de consumidores, a cobrança vinha ampliando a arrecadação federal. Dados da Receita Federal apontam que, entre janeiro e abril de 2026, o imposto gerou R$ 1,78 bilhão aos cofres públicos, alta de 25% em relação ao mesmo período do ano anterior, quando o valor arrecadado foi de R$ 1,43 bilhão.

Em 2025, a arrecadação total com a chamada “taxa das blusinhas” chegou a R$ 5 bilhões, contribuindo para o esforço do governo em atingir as metas fiscais previstas para este ano.

A possível extinção do imposto já vinha sendo discutida internamente no governo. Na última semana, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, confirmou que o tema estava em debate, embora tenha defendido a manutenção do programa Remessa Conforme.

A decisão provocou reação negativa de representantes da indústria nacional. A Confederação Nacional da Indústria afirmou que a medida pode prejudicar o setor produtivo brasileiro e favorecer fabricantes estrangeiros, especialmente da China.

Já a Associação Brasileira do Varejo Têxtil classificou o fim da cobrança como um retrocesso econômico e criticou o que considera uma vantagem competitiva para plataformas internacionais em relação às empresas brasileiras.

A Frente Parlamentar Mista em Defesa da Propriedade Intelectual e Combate à Pirataria também criticou a mudança, argumentando que a isenção amplia a concorrência desleal com o comércio nacional.

Além dos impactos na arrecadação, a cobrança do imposto havia afetado diretamente os Correios. Segundo dados financeiros da estatal, a participação das receitas com encomendas internacionais caiu de 22% em 2023 para 7,8% em 2025.

A redução ocorreu após a criação do Remessa Conforme, que encerrou o monopólio dos Correios na distribuição de encomendas internacionais e ampliou a atuação de empresas privadas no setor.

Em documento interno, a Diretoria Econômico-Financeira dos Correios avaliou que as mudanças evidenciaram dificuldades financeiras da empresa diante das transformações do mercado de comércio eletrônico internacional.

Lula diz que Pacheco será governador de Minas e manda recado: ‘ainda não desisti de você’

Lula diz que Pacheco será governador de Minas e manda recado: ‘ainda não desisti de você’ – Foto: reprodução

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a cortejar o senador Rodrigo Pacheco (PSD) e mandou um recado direto sobre uma eventual candidatura do parlamentar ao governo de Minas em 2026. A fala de Lula se dá em meio a articulações para que Pacheco deixe o PSD, onde perdeu espaço, e acerte filiação ao União Brasil com intervenção direta do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União).

Parte do processo para que a mudança partidária seja concluída já foi feita, com a mudança no comando do diretório estadual da sigla em Minas. Em articulação que teve atuação de Pacheco, o partido deve confirmar o deputado federal Rodrigo de Castro, aliado do senador, na presidência da legenda no estado, em detrimento ao deputado federal Marcelo de Freitas.  

Sem citar a situação partidária de Pacheco, Lula foi direto no recado. “Em Minas Gerais, eu posso dizer para você agora, se eu conheço a alma mineira, nós vamos ganhar as eleições de Minas Gerais outra vez. E eu quero dizer aqui em alto e bom som, eu ainda não desisti de você, Pacheco. Você sabe que nós vamos ter uma conversa e acho que você pode ser o futuro governador de Minas Gerais. Eu estou muito certo disso, estou muito crente disso”, disse o presidente, em entrevista à jornalista Daniela Lima, no UOL News

A conversa citada por Lula não tem data ainda para ser realizada. No entanto, aliados de Pacheco e interlocutores do PT citam que o bate-papo, que vai definir o futuro político do senador, deve ocorrer após o Carnaval. O período coincide com a previsão de filiação de Pacheco ao União Brasil.  A reportagem questionou a assessoria de Rodrigo Pacheco sobre as declarações de Lula, mas nenhum posicionamento foi enviado até a publicação. O espaço segue aberto. 

Trinca na relação

A oito meses das eleições o PT trabalha nos bastidores para construir uma candidatura no estado, mas enfrenta impasses internos e externos. Rodrigo Pacheco, apontado por Lula como um nome capaz de unificar o campo democrático, tem resistido à ideia de disputar o governo mineiro. O relacionamento entre Lula e Pacheco passou por um momento de desgaste no fim do ano passado.

Após uma série de agendas com Lula em Minas, o senador foi preterido na disputa por uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF), que acabou ficando com o advogado-geral da União, Jorge Messias. Após esse episódio, chegou a dizer que abandonaria a vida pública. Nesse ínterim, Messias busca apoio no Senado para ter seu nome aprovado para a Corte.

O aceno de Lula a Pacheco ocorre um dia após o presidente nacional do PDT, Carlos Lupi, ter dito que o PT apoiará o ex-prefeito de BH, Alexandre Kalil (PDT) na corrida ao governo de Minas. A declaração foi feita nas redes sociais, após reunião com o presidente nacional do PT, Edinho Silva. Após o episódio, o próprio Edinho rechaçou, em nota, o que foi dito por Lupi. 

A possibilidade também foi afastada por Kalil. “Eleição é um saco: no meu palanque só sobe quem EU quiser”, escreveu Kalil em seu perfil no X, em resposta a Lupi.

Futuro político em xeque

Com o mandato de senador encerrando no final do ano, Rodrigo Pacheco tem à mesa o desejo do presidente Lula (PT) em tê-lo à frente do palanque petista em Minas Gerais na campanha ao governo de Minas. Todavia, a saída da vida pública segue no radar do senador, conforme interlocutores, independente de uma mudança de partido. Conforme mostrou a reportagem, aliados do senador apontam que ele aguarda, na conversa com Lula, um projeto sólido do presidente. 

A leitura é de que, em uma eventual vitória, o senador precisaria de um forte apoio do governo federal para governar Minas Gerais. A situação fiscal do estado é um ponto de preocupação e há um temor de que um eventual mandato possa ficar engessado. Vale lembrar que Minas Gerais tem uma dívida de R$ 205 bilhões, conforme o último boletim da Receita Estadual. Só à União, o estado deve mais de R$ 182 bilhões, valor que já está sendo equacionado por meio da adesão no final do ano passado ao Programa de Pleno Pagamento da Dívida dos Estados (Propag) – iniciativa que teve forte atuação de Pacheco. 

“Pegar um estado nessa condição é difícil. Até agora, o Lula só disse a ele: ‘eu preciso que você seja candidato’. Mas isso não convence. Hoje quem precisa do Rodrigo é o Lula, e não o contrário”, resumiu um aliado reservadamente. Dentro do chamado projeto que Pacheco aguarda de Lula, segundo integrantes do grupo político do senador, há ainda a necessidade de um projeto político para uma eventual derrota na disputa ao Palácio Tiradentes. 

Pacheco tem o desejo de assumir uma cadeira no STF, mas uma indicação ministerial em um eventual segundo mandato de Lula também é bem avaliada. “Se ele não tiver uma sinalização, qual a razão para ajudar o Lula?”, questionou o aliado ao lembrar o apoio e exposição de Pacheco a Lula antes da indicação de Jorge Messias ao STF. No entanto, em uma eventual candidatura apoiada por Lula, a entrada no União é vista como a melhor alternativa partidária ao senador por garantir “plataforma segura, tempo de televisão, recursos e estrutura partidária”. 

União Brasil 

A eventual filiação de Pacheco ao União Brasil faz parte de uma movimentação política de diferentes reflexos. O primeiro impacto é no fortalecimento da bancada do partido no Senado. Em outro aspecto, a ida de Pacheco à legenda pode esvaziar o palanque de Mateus Simões (PSD) na campanha ao governo do estado. Federado ao PP, o União tinha acordo alinhado para fechar questão em torno do vice-governador, mas as negociações foram feitas pelo então presidente, o deputado federal Marcelo de Freitas. 

Com a mudança no comando para as mãos do deputado federal Rodrigo de Castro, em articulação que teve a atuação de Pacheco, o partido deve refazer a rota mirando as eleições de 2026. Caso esse cenário se confirme trataria-se de um troco em Simões, que articulou filiação ao PSD em 2025, em movimento que deixou Pacheco escanteado na sigla em uma eventual corrida ao governo de Minas. 

Na segunda-feira, o presidente nacional do União, Antônio Rueda, esteve em BH e, dentre as agendas, almoçou com Castro na região Centro-Sul de Belo Horizonte. A conversa tratou diretamente sobre as mudanças em Minas. Ele também se reuniu com o prefeito de Belo Horizonte, Álvaro Damião, e o secretário de governo da PBH, Guilherme Daltro.

A troca de cadeiras, inclusive, tem sido avaliada como uma ‘guinada à direita’ pelo deputado federal Marcelo de Freitas, que acabou escanteado e pode chegar no Partido Liberal. “Estamos em conversas. O PL é sim uma opção. Especialmente se o União Brasil em Minas Gerais fizer uma guinada à esquerda”, disse em conversa com a reportagem, um dia após se reunir com o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto. 

Lula indica Jorge Messias para a vaga de ministro do STF no lugar de Barroso

Lula indica Jorge Messias para a vaga de ministro do STF no lugar de Barroso – Foto: reprodução

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva indicou nesta quinta-feira, 20 de novembro, o nome do Advogado-Geral da União, Jorge Messias, para exercer o cargo de ministro do Supremo Tribunal Federal, na vaga deixada pelo ex-ministro Luís Roberto Barroso. A oficialização da indicação será publicada em edição extra do Diário Oficial da União.

Advogado-Geral da União desde 1º de janeiro de 2023, Jorge Messias é graduado em Direito pela Faculdade de Direito do Recife (UFPE), mestre em Desenvolvimento, Sociedade e Cooperação Internacional pela Universidade de Brasília – UnB (2018) e doutor pela mesma universidade (2023), onde lecionou como professor visitante.

Foi subchefe de Análise e Acompanhamento de Políticas Governamentais da Casa Civil, Secretário de Regulação e Supervisão do Ministério da Saúde e Consultor Jurídico do Ministério da Educação e da Ciência, Tecnologia e Inovação. Também atuou na Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional e na Procuradoria do Banco Central.

A partir da indicação, o nome de Jorge Messias deverá passar por sabatina na Comissão de Constituição e Justiça e aprovação pelo Plenário do Senado Federal.

Governador do Rio de Janeiro liga para Gleisi e diz que não teve intenção de criticar o governo

Governador do Rio de Janeiro liga para Gleisi e diz que não teve intenção de criticar o governo – Foto: reprodução

Poucas horas depois de declarar que o governo federal havia negado apoio ao Rio de Janeiro em operações policiais na última terça-feira (28), o governador Cláudio Castro (PL) telefonou para a ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann.

De acordo com a pasta, a ligação ocorreu no início da tarde. Durante a conversa, o governador afirmou que não teve a intenção de criticar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e que suas declarações refletiam apenas a preocupação com as dificuldades enfrentadas pelo estado nas ações de combate ao crime organizado.

Mais cedo, em entrevista coletiva, Castro havia afirmado que o governo federal “negou ajuda” para operações no Rio e que o estado estava “sozinho” na megaoperação realizada nos complexos do Alemão e da Penha, na zona norte da capital fluminense.

Segundo o governador, o Ministério da Defesa teria recusado, em pelo menos três oportunidades, o pedido de empréstimo de blindados das Forças Armadas para apoiar as forças estaduais. “Para emprestar o blindado, tinha que ter GLO, e o presidente é contra a GLO. Cada dia uma razão para não estar colaborando”, disse Castro.

A operação desta terça mobilizou cerca de 2.500 agentes das polícias Militar, Civil, Federal e Rodoviária Federal, além de integrantes da Força Nacional. O objetivo, segundo o governo do estado, foi combater grupos criminosos responsáveis por ataques recentes e pelo controle de comunidades da região.

O balanço mais recente aponta 64 mortos, entre eles quatro policiais. O número faz da ação a mais letal da história do Rio de Janeiro, segundo dados da própria Secretaria de Segurança Pública.

Lula sanciona lei que aumenta pena para quem der ou vender bebida alcoólica a menor de idade

Lula sanciona lei que aumenta pena para quem der ou vender bebida alcoólica a menor de idade – Foto: reprodução

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sancionou nesta quarta-feira (8/10) um projeto de lei que endurece as penas para quem der ou comercializar bebidas alcoólicas com menores de idade, caso a criança ou adolescente consuma o produto.

Já publicado no Diário Oficial da União, o texto altera o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e se refere ao crime de “vender, fornecer, servir, ministrar ou entregar, ainda que gratuitamente, a criança ou a adolescente”, a bebida alcoólica.

A redação vale, também para “outros produtos cujos componentes possam causar dependência física ou psíquica”. Em ambos os casos, a lei só é aplicada no caso de a criança ou o adolescente utilizar ou consumir o produto.

A legislação prevê uma pena de 2 a 4 anos de prisão, além de multa, para quem cometer o delito. A lei sancionada aumenta a sentença de um terço até a metade se a criança ou o adolescente utilizar ou consumir o produto.

A sanção da lei acontece no momento em que o governo investiga possíveis causas e origens das intoxicações por metanol em bebidas alcoólicas pelo país, com mais de 200 casos registrados. Na última terça-feira (7/10), o Ministério da Justiça e Segurança Pública anunciou a criação de um comitê de enfrentamento da crise.

Segundo o ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, o objetivo, com as investigações, não é “paralisar” o setor de bebidas, sobretudo destilados, mas fazer uma distinção dos comerciantes que estão adulterando os produtos de forma intencional.

No momento, o Ministério da Justiça investiga duas possíveis origens para a contaminação das bebidas por metanol: um efeito da própria produção da bebida e o uso do metanol fóssil, usado principalmente para fabricar combustíveis. A análise será feita a partir de apreensões feitas pela Polícia Federal.

Lula prepara mudanças nas regras do vale-refeição e do vale-alimentação

Lula prepara mudanças nas regras do vale-refeição e do vale-alimentação – Foto: reprodução

As regras de regulamentação do VR (vale-refeição) e do VA (vale-alimentação) serão tema de uma reunião do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com os ministros Fernando Haddad (Fazenda), Rui Costa (Casa Civil) e Luiz Marinho (Trabalho). A previsão é de que o encontro entre os quatro ocorra até sexta-feira, 22, ou no início da próxima semana.

O governo limitará abaixo de 4%, por meio de um decreto presidencial, a taxa de desconto — conhecida no mercado como MDR (Merchant Discount Rate) — cobrada de bares, restaurantes e supermercados em transações com VR e VA. Segundo técnicos que acompanham o debate, o percentual fixado deve ser de 3,5%. Atualmente, não há limite para essa taxa, repassada para empresas de benefício, maquininhas e bandeiras de cartão, que têm liberdade para praticar esses preços.

O governo também quer reduzir o prazo que as empresas têm para repassar o dinheiro das vendas para os lojistas. Pelas regras atuais, esse pagamento ocorre após 30 dias. A ideia é que o prazo seja menor. Uma ala do governo defende que essas transações aos bares, restaurantes e supermercados ocorram em dois dias.

Marinho já sinalizou que o decreto deve definir um prazo de transição para a validade das duas medidas. O mercado de benefícios para alimentação dos trabalhadores movimenta R$ 150 bilhões ao ano por meio do VR e do VA. Pelo menos 25 milhões de brasileiros têm direito ao benefício.

Barroso cogita deixar STF, e Lula já avalia quatro nomes para a vaga

Barroso cogita deixar STF, e Lula já avalia quatro nomes para a vaga – Foto: reprodução

O presidente do Supremo Tribunal Federal, Roberto Barroso, tem sinalizado nos bastidores a possibilidade de deixar a Corte após concluir seu mandato à frente do STF, em setembro. O magistrado estaria desanimado com o ambiente interno, marcado por divisões e pelo protagonismo crescente do ministro Alexandre de Moraes.

Barroso, que tem forte ligação com os Estados Unidos, já passou temporadas acadêmicas em Harvard e possui imóvel declarado em Miami. Nos bastidores, interlocutores afirmam que os Estados Unidos podem ter cancelado o visto americano de Barroso, o que ampliaria o distanciamento de seus interesses fora do país.

Após deixar a presidência, Barroso passará a integrar a 2ª Turma do Supremo, composta por ministros com os quais não possui proximidade: Gilmar Mendes, Dias Toffoli, Nunes Marques e André Mendonça. Edson Fachin, que assumirá a presidência do STF, também está nesse colegiado, mas deixará a vaga ao assumir o novo posto.

A divisão no Supremo se acentuou com a decisão de Moraes de impor tornozeleira eletrônica e, depois, prisão domiciliar a Jair Bolsonaro. A medida gerou desconforto interno. Segundo relatos, ao menos cinco ministros criticaram a decisão nos bastidores, classificando-a como precipitada. A avaliação majoritária é que Bolsonaro será julgado e, eventualmente, condenado em setembro, mas que as medidas restritivas atuais foram impostas antes da conclusão do processo.

Apesar do descontentamento, é considerada improvável a reversão da prisão por parte da 1ª Turma, composta por Alexandre de Moraes, Luiz Fux, Cármen Lúcia, Flávio Dino e Cristiano Zanin.

Paralelamente, magistrados da Corte têm manifestado preocupação com possíveis sanções da Lei Magnitsky, dos Estados Unidos, que pode atingir integrantes do STF. A medida impõe sanções econômicas e restrições financeiras, e teria como alvo a atuação de Moraes em inquéritos sensíveis. Avalia-se que, uma vez incluídos na lista, os efeitos seriam praticamente irreversíveis, especialmente sob a gestão do presidente Donald Trump, cujo mandato vai até 2029.

Cotados para o STF

Diante da possível saída de Barroso, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva já avalia possíveis substitutos. Entre os nomes cotados estão:

  • Bruno Dantas, presidente do Tribunal de Contas da União;
  • Jorge Messias, advogado-geral da União;
  • Rodrigo Pacheco, presidente do Senado;
  • Vinícius Carvalho, ministro da Controladoria-Geral da União.

Todos os nomes têm proximidade com o governo e transitam bem entre lideranças políticas do Congresso e da Esplanada.

Lula diz que vai liberar R$ 30 bilhões em crédito para empresas afetadas por tarifaço

Lula diz que vai liberar R$ 30 bilhões em crédito para empresas afetadas por tarifaço – Foto: reprodução

As empresas afetadas pelo tarifaço do governo de Donald Trump receberão 30 bilhões de reais em linhas de crédito, disse o presidente Luiz Inácio Lula da Silva na última terça-feira (12). Em entrevista ao canal Band News, ele adiantou o valor da ajuda em crédito que será anunciada nesta quarta 13.

“Amanhã, vou lançar uma medida provisória que cria uma linha de crédito de 30 bilhões de reais para as empresas brasileiras que porventura tiveram prejuízos com a taxação do Trump. [Essa quantia de] R$ 30 bilhões é o começo. Você não pode colocar mais porque não sabe quanto é”, declarou Lula, indicando que o valor pode aumentar, caso seja necessário.

De acordo com Lula, o plano dará prioridade às menores companhias e a alimentos perecíveis. “A gente está pensando em ajudar as pequenas empresas, que exportam espinafre, frutas, mel e outras coisas. Empresas de máquinas. As grandes empresas têm mais poder de resistência. Nós vamos aprovar [a medida provisória] amanhã, e acho que vai ser importante para a gente mostrar que ninguém ficará desamparado pela taxação do presidente Trump”, prosseguiu o presidente.

Segundo Lula, o plano procurará preservar os empregos e buscar mercados alternativos para os setores afetados. “Vamos cuidar dos trabalhadores dessas empresas, vamos procurar achar outros mercados para essas empresas. Estamos mandando a outros países a lista das empresas que vendiam para os Estados Unidos porque a gente tem um lema: ninguém larga a mão de ninguém”, acrescentou.

O presidente também anunciou que ajudará os empresários afetados a brigar, na Justiça americana, contra o tarifaço aos produtos brasileiros. “Vamos incentivar os empresários a brigar pelos mercados. Não dá para dar de barato a taxação do Trump. Tem leis nos Estados Unidos, e a gente pode abrir processo. Eles podem brigar lá”, explicou.

Créditos extraordinários

Também nesta terça, pouco após audiência pública no Senado, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, esclareceu que as medidas de ajuda virão por meio de crédito extraordinário ao Orçamento, recursos usados em situações de emergência fora do limite de gastos do arcabouço fiscal. Esse sistema foi usado no ano passado para socorrer as vítimas das enchentes no Rio Grande do Sul.

Sem dar detalhes sobre o plano, Haddad afirmou que as medidas estão 100% prontas e que contemplam as demandas do setor produtivo. Ele ressaltou que a formulação das propostas ocorreu após reuniões com vários representantes e que deve ser “o necessário para atender aos afetados”.

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