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Jornal Folha Regional

Privatização da Copasa deve ser concluída nesta terça-feira (16)

Privatização da Copasa deve ser concluída nesta terça-feira (16) – Foto: divulgação/Copasa

Nesta terça-feira (16/6), o governo de Minas deve concluir a privatização da Copasa, com a liquidação na Bolsa de Valores – processo de entrega do ativo ao comprador e pagamento ao vendedor. O Grupo Equatorial será o investidor de referência e ficará responsável por 30% da fatia de ações que pertencia ao Executivo estadual. A expectativa é que o governador de Minas, Mateus Simões (PSD), participe da cerimônia de “toque da campainha” referente à oferta pública da Copasa na Bolsa de Valores de São Paulo (B3).

Ao todo, o Grupo Equatorial fez a aquisição de 114.075.920 ações da Copasa, movimentando um montante de R$ 5,593 milhões. Cada ação foi negociada a R$ 49,03. Na transação, o estado ainda manterá 5% de ações na Copasa, na chamada ‘Golden Share’. O modelo prevê um poder de veto do governo sobre ações estratégicas na companhia. 

A Equatorial Energia é uma das maiores holdings multissetoriais (multi-utilities) do Brasil, com foco principal nos setores de energia elétrica e saneamento básico. No setor de energia, ela controla concessionárias em sete estados. Ela também foi a empresa vencedora do processo de privatização da Sabesp, assumindo 15% da companhia de saneamento paulista.

Em entrevista na semana passada, o governador Mateus Simões relembrou que o recurso arrecadado com a venda da Copasa será usado dentro do Programa de Pleno Pagamento das Dívidas dos Estados (Propag), que determina investimentos em infraestrutura, segurança e educação.

A expectativa é de que, 48 horas após o fim do leilão, o recurso esteja liberado, conforme prevê o chefe do Executivo.

“Eu já fiz a programação de desembolso de todo o recurso para cinco ou seis anos, dependendo do valor que a gente alcançar, porque não combina nem com o ex-governador nem comigo ficar gastando dinheiro por causa de campanha. O dinheiro vai ser gasto na velocidade do que a gente tenha de propostas estruturadas de projetos que mudem a realidade regional.”

Na mesma entrevista, Simões afirmou que a regulação do serviço prestado pela companhia não será alterada, o que não deve ter reflexos na tarifa. Além disso, afirmou que os municípios terão um prazo de seis meses para fechar novos contratos com a Copasa após o processo de privatização.

“Não muda a tarifa, não muda a regulação, não mudam as obrigações de investimento. Para os prefeitos ficarem tranquilos, que eles vão ter seis meses ainda para aderirem à nova Copasa. Então ninguém vai ser deixado para trás. Só se quiser. Quem não quiser entrar não vai ser obrigado”, afirmou.

O ex-governador Romeu Zema (Novo), que encabeçou o projeto de lei para venda da companhia de saneamento, chegou a comentar sobre o processo nesta segunda-feira (15/6), durante participação em um evento da revista Veja em São Paulo. Ele celebrou a medida, mas lamentou não ter conseguido o mesmo feito com a Cemig.

“Tanto é que está aí, agora na B3, a privatização da Copasa, que vai a leilão, que é a nossa empresa de saneamento básico. Eu diria que o único grande projeto que nós não levamos adiante a Minas, mas que o próximo governador, Mateus Simões, vai levar, é a privatização da companhia de energia, que é a Cemig”, disse Zema.

Relembre o processo de privatização

O projeto para privatização da Copasa foi protocolado na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) pela gestão de Zema em novembro de 2024. O texto, posteriormente, foi integrado a um “pacote” de 12 propostas para adesão de Minas ao Propag, apresentado em maio do ano passado.

Nesse conjunto de matérias, havia também uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que retirava a obrigatoriedade de uma consulta popular para a privatização das estatais mineiras – ponto que resultou em grande embate entre oposição e base de governo na Assembleia.

A PEC era a primeira aprovação que o governo precisava para caminhar com a privatização da Copasa. A votação, em novembro, ocorreu entre discussões, brigas e até mesmo “VAR”. Para ser aprovada, a proposta precisava de, ao menos, 48 votos. No segundo turno, quando a votação foi encerrada, o painel eletrônico da Assembleia mostrava apenas 47 votos a favor.

A galeria foi tomada por servidores da Copasa e os deputados da oposição vibraram, pois esse placar rejeitava a PEC. No entanto, o deputado Bruno Engler (PL) começou a gritar para o presidente da Casa, Tadeu Leite (MDB), que faltava registrar o voto. Com o “sim” do parlamentar, a proposta chegou aos 48 votos necessários para aprovação em segundo turno.

A oposição questionou se Engler estaria em plenário na hora da votação e se a escolha dele poderia ser considerada. A reunião foi temporariamente suspensa, e o presidente “chamou o VAR”. As imagens das câmeras foram analisadas e o voto de último segundo do deputado foi computado.

Já o projeto de lei que autorizava, em si, a venda da companhia foi aprovado em dezembro pelos deputados estaduais e colocou fim à novela que se estendeu por meses no Legislativo. O texto teve 53 votos favoráveis e 19 contrários, em uma votação que durou aproximadamente 9 horas.

O modelo de venda foi aprovado pelos acionistas da Copasa em assembleia realizada em fevereiro deste ano. Com isso, o governo ficou autorizado a avançar com a venda das ações no mercado.

Em abril, a Copasa divulgou as regras que os investidores interessados em adquirir o controle acionário da companhia deveriam seguir para entrar na disputa.

Pelo menos dois grandes grupos apresentaram proposta para compra da companhia: Aegea e Equatorial. Por fim, o Grupo Equatorial foi o vencedor do processo e escolhido como investidor de referência para a privatização da Copasa, como divulgado no início deste mês.

Sindicato vê falhas no credenciamento da Aegea e Sabesp e pede suspensão da privatização da Copasa

Sede da Copasa – Foto: Foto: Divulgação/Copasa

O Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Purificação e Distribuição de Água e em Serviços de Esgotos do Estado de Minas Gerais (Sindágua-MG) enviou uma denúncia ao Tribunal de Contas do Estado (TCE-MG) pedindo a suspensão de todos os atos relacionados à privatização da Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa). O pedido leva em consideração irregularidades que teriam sido cometidas no processo de credenciamento das empresas Aegea e Sabesp para o leilão das ações da estatal.

A denúncia foi enviada ao TCE nesta segunda-feira (11/5), após a confirmação dos dois grupos como os participantes do certame.  Sobre a escolha da Aegea e da Sabesp, o sindicato cita que houve falhas no processo de convocação para credenciamento. A Aegea, inclusive, é alvo de uma Comissão Processante, na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul, que vai apurar denúncias relacionadas à qualidade da água. 

Segundo a documento, o Manual de Participação na Etapa Prévia do Processo de Seleção do Investidor de Referência na B3, que foi publicado pelo governo de Minas, tinha “barreiras de acesso de extraordinária severidade”. A entidade sindical critica que o período de cadastramento, de apenas 14 dias corridos – entre 24 de abril e 8 de maio – era “manifestamente insuficiente para que potenciais compradores internacionais realizem a due diligence mínima necessária, obtenham as autorizações corporativas internas de seus respectivos conselhos de administração, estruturem consórcios e providenciem a volumosa documentação exigida”. 

Conforme o sindicato, além do prazo considerado aquém, a necessidade de apresentação de carta de fiança bancária no valor de R$ 7 bilhões é um instrumento de obtenção “extraordinariamente difícil” no atual ambiente de restrição de crédito no país. Outro ponto considerado irregular é a comprovação de um histórico de investimentos em infraestrutura na casa dos R$ 6,3 bilhões, que teria de ser realizado por cinco anos consecutivos em um intervalo de 20 anos. 

“Requisito que, pela concentração temporal exigida, restringe na prática a participação a um número muito reduzido de grupos no cenário nacional e internacional. A combinação desses três elementos não opera como filtro de qualidade dos participantes: opera como barreira de exclusão que, ao reduzir artificialmente o universo de concorrentes elegíveis, compromete o mecanismo de formação de preço pelo qual o Estado poderia obter o valor justo pelo seu patrimônio”, diz a denúncia. 

Diante dos argumentos, o sindicato diz que o modelo escolhido para a privatização da Copasa foi estruturado em “fragilidades institucionais e financeiras” que comprometem a legitimidade do processo. A denúncia se dá horas depois de o governador Mateus Simões (PSD) ter dito, em entrevista, que a escolha da Aegea e da Sabesp traziam tranquilidade ao Executivo. Ele falou sobre o assunto na manhã desta segunda, após ser questionado pela reportagem. 

“São as duas maiores operadoras de infraestrutura de saneamento do Brasil. Se somar as operações picadas, elas são maiores que a Copasa. A Sabesp está junto com a Equatorial e tem uma operação enorme. A Aegea coordena mais consumidores do que a Copasa tem, então isso nos deu muita tranquilidade”, comentou.

Outros problemas 

Na petição, o sindicato ainda citou um risco aos Fundos Estadual e Municipal de Saneamento. De acordo com a denúncia, não há, até então, “salvaguardas jurídicas” que garantem a manutenção dos mecanismos. A preocupação, inclusive, se arrasta desde as discussões sobre a privatização da Copasa durante a tramitação do projeto de lei na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG). 

À época, inclusive, a reportagem mostrou que prefeitos temiam perder acesso aos recursos e pediam mais diálogo com o governo do estado sobre o assunto. Na denúncia, o sindicato diz que o fundo, em alguns casos, é a única alternativa dos municípios para financiamento de obras de saneamento. Pela regra atual, mensalmente a Copasa repassa às prefeituras 4% da receita operacional líquida apurada na cidade para intervenções envolvendo abastecimento de água, esgotamento sanitário e gestão de resíduos sólidos. 

“Sem cláusula expressa nos novos contratos de concessão que obrigue a operadora privada a manter o repasse de 4% da Receita Operacional Líquida municipal ao FMS, a obrigação deixa de ter caráter vinculante e passa a depender da boa vontade do concessionário ou de litígio judicial — inversão inaceitável para uma política pública de direitos fundamentais”, critica o sindicato na petição.

O sindicato ainda alerta para um risco de “irreversibilidade” das falhas apontadas, caso a privatização avance. “A irreversibilidade da operação de desestatização, uma vez consumada, torna essas garantias condição jurídica inafastável, e não mero protocolo de boa vontade. Não há mecanismo jurídico ordinário que permita ao Estado de Minas Gerais, após a transferência do controle acionário, impor retroativamente ao adquirente privado obrigações que não foram pactuadas como condição do processo”, diz trecho da denúncia. 

O que dizem TCE e Copasa?

A reportagem pediu esclarecimentos sobre os pontos apresentados pelo Sindágua-MG à Copasa. A companhia reafirmou compromisso com a legalidade, transparência e governança e disse estar à disposição de órgãos de controle para prestar os esclarecimentos necessários.

“Ressaltamos que a Copasa não comenta rumores de mercado sobre potenciais interessados no processo de desestatização. Ressaltamos que todas as informações oficiais sobre o cronograma da oferta e as etapas relacionadas ao Tribunal de Contas (TCE) são divulgadas tempestivamente por meio dos canais oficiais de Relações com Investidores e comunicados ao mercado, em estrita observância às normas da CVM e às regras de governança aplicáveis”, diz posicionamento enviado à reportagem.

Em nota, o Tribunal de Contas do Estado informou que recebeu o pedido. A admissibilidade da denúncia está sendo analisada pela presidência do órgão.

Governo de Minas trabalha para arrecadar cerca de R$ 4 bilhões com privatização da Copasa

Governo de Minas trabalha para arrecadar cerca de R$ 4 bilhões com privatização da Copasa – Foto: reprodução

A privatização da Copasa deve render cerca de R$ 4 bilhões aos cofres públicos de Minas, de acordo com o vice-governador Mateus Simões (PSD). O formato para venda da companhia de saneamento ainda está sendo analisado, entretanto, Simões afirma que o Executivo mineiro pretende manter participação societária, com cadeira no conselho da empresa. A projeção foi feita durante entrevista ao programa Café com Política, exibido nesta quarta-feira (21).

Atualmente, a Copasa está avaliada em quase R$ 17 bilhões. Minas Gerais possui 51% das ações da companhia. Em meio ao processo de privatização, a empresa encerrou 2025 com um salto de 124,42% no valor das ações. Os papéis da Copasa iniciaram o ano sendo negociados por R$ 19,50, mas encerraram em 2025 ao custo de R$ 43,92.

A expectativa do governo de Minas é que o valor da privatização da companhia seja investido em educação profissionalizante, infraestrutura e segurança – contrapartidas previstas no Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag).

“Eu preciso arrecadar o dinheiro para os primeiros anos de investimento. A gente tem que investir R$ 1,8 bilhão por ano. Então, o compromisso que eu fiz com os deputados era tentar arrecadar mais de R$ 4 bilhões, vender participação suficiente para que, no mínimo, R$ 4 bilhões fossem arrecadados nessa operação que nós vamos fazer”, projeta o vice-governador.

Para isso, não seria necessária a venda total das ações do estado, algo que o governo de Minas não pretende fazer para garantir o cumprimento de metas de universalização, conforme Mateus Simões.

“A privatização da Copasa só pode ser feita com a garantia de que nós não teremos impacto na tarifa. Então, para deixar todas as pessoas tranquilas, quem regula o preço do esgoto e da água não é a empresa. É a Arsae”, pontua. “Para isso, o governo vai permanecer dentro da companhia, com presença em conselho, com participação societária”, garante.

O Executivo mineiro está em fase de consulta com bancos para definir o melhor formato para venda da Copasa. A expectativa é que ela se torne uma corporação, alterando a forma societária da empresa.

“A venda que vai ser feita não é do controle da companhia, é da maior participação acionária possível para a gente levantar o maior valor para esses investimentos que os mineiros estão esperando”, reforça Simões.

Contrapartidas do Propag

Dentro das contrapartidas previstas no Propag, a área da educação é a que está mais avançada, de acordo com o vice-governador. O Estado já vinha realizando investimentos por meio do projeto Trilhas do Futuro.

Pela infraestrutura, o governo de Minas pretende usar os recursos da Copasa para adiantar obras que já estão em andamento e reduzir o tempo de entrega. Ele cita, como exemplo, a melhoria nas estradas estaduais, considerando que 25% delas estão em péssimo estado de rodagem – o parâmetro nacional está abaixo de 7%.

“Eu vou conseguir fazer essa redução em três anos com o valor da Copasa. Neste momento, os investimentos estão só esperando a venda da companhia, que deve acontecer até o final do primeiro trimestre”, prospecta.

Já na área de segurança pública, os investimentos ainda estão em discussão. Entretanto, a expectativa do vice-governador é que sejam voltados para soluções tecnológicas, considerando experiências do próprio Executivo, como o uso de inteligência artificial em câmeras para identificação facial de foragidos.

“Nos parece que ter mais câmeras e um sistema melhor, mais ágil de identificação e ação sobre os identificados, seja a prioridade com o recurso do Propag.”

Após 7 meses de debates acalorados, ALMG inicia votação final da privatização da Copasa

Após 7 meses de debates acalorados, privatização da Copasa será definida – Foto: Alex de Jesus

Após sete meses de longos e acalorados debates sobre o uso de estatais para pagar dívidas com a União, o projeto que autoriza a privatização da Copasa será votado nesta quarta-feira (17) de forma definitiva no plenário da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG). Os líderes da base governista evitam adotar um discurso de vitória antes da hora, mas a expectativa geral é a de êxito do governo Romeu Zema (Novo), que já planeja a realização do leilão nos primeiros meses do próximo ano.

O deputado Gustavo Valadares (PSD), que atua como um dos principais interlocutores nesse processo, defende que a desestatização da companhia é o grande passo para resolver os problemas de saneamento no estado. “Não há mais espaço para uma gestão estatal que enterra, que atrasa, que traz burocracia e, enfim, que não deixa chegar maior qualidade de vida na porta do cidadão mineiro”, disse.

A proposta do governo para privatizar a Copasa retomou a tramitação em maio, junto com os demais projetos do chamado “Pacote Propag”, defendidos pelo governo como forma de adesão ao programa de renegociação das dívidas do estado com a União, que hoje está próximo de R$ 180 bilhões. Em setembro, após pressões de parlamentares, a administração estadual apresentou um novo projeto com adequações exigidas pela Assembleia; é este texto que será votado amanhã.A oposição já trabalha com o cenário de derrota em plenário, mas faz o discurso deixando claro que “a luta ainda não terminou”. A deputada Beatriz Cerqueira (PT) destaca que a votação em plenário é apenas mais uma etapa e que a judicialização do tema já foi feita com ações para que a Justiça se manifeste sobre o processo.

“Esse projeto tem uma insegurança jurídica tremenda. Temos vários questionamentos ao Judiciário, que estão lá no STF, a fiscalização do próprio Tribunal de Contas do Estado, com todos os problemas que já foram apontados. É preciso frisar algo que a gente destacou muito na tramitação: esse projeto continua sem um estudo técnico”, ressaltou a parlamentar. “Não há segurança jurídica nessa privatização, mesmo que a Assembleia aprove esse projeto”.

Mas, no que depender da vontade do governador, os processos devem ser breves. “No primeiro trimestre (de 2026), esse processo deve estar bem agilizado e, talvez, em março ou abril já tenha condições de ter o leilão”, disse Zema em entrevista a jornalistas na semana passada.

Sem sustos

Uma grande mobilização de parlamentares foi realizada para evitar sustos entre os deputados governistas, que têm maioria na Assembleia, mas precisam de um quórum alto para aprovar o texto. 

A amostra de envolvimento dos parlamentares foi dada ontem, quando o projeto entrou em pauta para discussões. Mesmo estando nos últimos dias antes do início do recesso parlamentar, marcado para 20 de dezembro, e sem outros projetos polêmicos na pauta, a Assembleia registrou 70 deputados presentes. A expectativa é a de que o cenário se repita nesta quarta-feira.

São necessários 48 votos a favor para aprovar o texto. Na votação em primeiro turno, no final de outubro, o governo conseguiu 50 votos favoráveis à privatização, num plenário com 68 presentes. A expectativa para hoje é a de que o governo possa alcançar até 52 votos favoráveis.

Último lance

A aposta final da oposição para tentar “virar votos” são as manifestações recentes vindas do presidente da Associação Mineira de Municípios (AMM), Luís Eduardo Falcão, que tem alertado para o risco que os pequenos municípios correm com a privatização da empresa. Na avaliação da entidade existe o risco de “abandono” dos pequenos municípios que dão prejuízo à empresa.

O problema, de acordo com a vice-presidente da Assembleia, deputada Leninha (PT), é que esse posicionamento chegou tarde demais. “Se tivesse entrado antes, a gente imagina que o resultado teria sido outro”, diz a parlamentar. “A movimentação dos prefeitos e das prefeitas pode colocar em risco também esse plano do Zema e os seus investidores de comprarem a Copasa”, avalia.

Funcionários da Copasa anunciam greve contra privatização

Funcionários da Copasa anunciam greve contra privatização – Foto: reprodução

Os funcionários da Companhia de Saneamento Básico de Minas Gerais (Copasa) marcaram uma greve na próxima semana para protestar contra a privatização da empresa, que tramita na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG).

A mobilização será nos dias 21, 22 e 23 de outubro – entre terça e quinta da próxima semana. No primeiro dia, a Assembleia deve votar, em primeiro turno, a retirada de consulta popular para a privatização da Copasa e de sua subsidiária Copanor, e funcionários vão protestar em frente à Casa, em Belo Horizonte. No interior, servidores vão se manifestar em frente às unidades da companhia.

No dia 22, a ALMG recebe uma audiência pública para discutir a privatização. Conforme Eduardo Pereira, presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Purificação e Distribuição de Água e em Serviços de Esgotos (Sindágua), são esperados cerca de 5 mil manifestantes na Casa, que vão caminhar desde a sede da Copasa, no Bairro Santo Antônio.

A reportagem procurou a Copasa para um posicionamento sobre a mobilização, mas, até a última atualização desta matéria, não obteve retorno. O espaço segue aberto.

Paralisação?

A greve não deve afetar os serviços essenciais da empresa. “A mobilização vai ser fracionada, não vamos interromper o tratamento de água nem o tratamento de esgoto, porque a greve não é contra a população, mas sim contra o governo e parte dos deputados da Assembleia”, explicou o presidente do Sindágua.

Ele defende que a população deve ser consultada para a venda de um bem público. Além disso, diz que a privatização deve trazer ampla demissão de servidores da Copasa e cita os exemplos das alienações da Sabesp, em São Paulo; da Cedae, no Rio de Janeiro; e da Corsan, no Rio Grande do Sul.

“Mas a gente tem uma preocupação maior do que isso. Além da demissão dos trabalhadores, nos preocupamos com a qualidade do serviço. Com a privatização, priorizam-se os centros urbanos e as regiões mais ricas dos municípios. As periferias ficam afetadas e vulneráveis à falta de abastecimento”, disse.

Privatização da Copasa

A retirada de referendo para a privatização de estatais foi pautada pelo governo Romeu Zema pela Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 24 de 2023. A proposição, que ainda previa a retirada do quórum qualificado para alienações, passou por modificações e, caso aprovada com o texto atual, só valerá para a privatização da Copasa e com a manutenção do quórum qualificado.

Já o Projeto de Lei (PL) 4.380/2025, também do governo estadual, trata propriamente da privatização da empresa. A proposta aguarda aprovação na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), mas só deve caminhar após a questão da consulta popular ser resolvida.

Zema pretende usar os recursos obtidos com a alienação da Copasa para amortizar a dívida de Minas Gerais com a União, de R$ 172 bilhões, no âmbito do Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag).

Trabalhadores lotam Assembleia contra privatização da Copasa

Trabalhadores lotam Assembleia contra privatização da Copasa – Foto: reprodução

Cerca de 1,5 mil trabalhadores da Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) participaram, nesta quarta-feira (24/9), de audiência pública na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) contra a proposta do governo Romeu Zema (Novo) de privatizar a estatal. O número foi fornecido pelo Sindágua (Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Purificação e Distribuição de Água e em Serviços de Esgotos do Estado de Minas Gerais). O Auditório José Alencar ficou lotado, e o Espaço Democrático precisou ser aberto e foi tomado pelos manifestantes. 

Antes da audiência, os trabalhadores ocuparam a entrada da ALMG, na Rua Rodrigues Caldas, na região Centro-Sul da capital, com um trio elétrico e palavras de ordem contra a venda da empresa. A audiência, realizada pela Comissão de Trabalho, teve presença em peso de deputados de oposição, como Bella Gonçalves (PSOL) e Betão (PT).

A mobilização pressiona diretamente o Palácio Tiradentes e os parlamentares em torno da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 24/2023, enviada por Zema, que tramita na Casa. A PEC pretende retirar da Constituição mineira a exigência de consulta popular para a venda da estatal. Atualmente, empresas públicas como a Copasa, Cemig e Codemig só podem ser privatizadas após aprovação em referendo.

Na semana passada, a PEC avançou na Assembleia ao ser aprovada pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Agora, será analisada por uma comissão especial antes de ir a plenário.

Do lado do governo, a justificativa é que a privatização abriria espaço para investimentos privados, melhorando a eficiência do setor. A proposta, no entanto, enfrenta resistência entre sindicatos, servidores e parte dos deputados estaduais.

ANTT dá sinal verde para privatização de mais uma estrada em Minas

ANTT dá sinal verde para privatização de mais uma estrada em Minas - Foto: reprodução
ANTT dá sinal verde para privatização de mais uma estrada em Minas – Foto: reprodução

A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) autorizou, nesta quinta-feira (5 de junho), que o governo federal avance com o projeto de concessão de trechos das BRs 116 e 251, no Vale do Rio Doce e Norte de Minas, esse será o maior trecho de rodovias federais em Minas a ser leiloado. Os investimentos previstos pelo órgão com a parceria público privada na gestão das rodovias são de R$ 12,4 bilhões.

São cerca de 735 km divididos em dois trechos. O primeiro, na BR-251, vai de Montes Claros ao entroncamento com a BR-116; o segundo vai de Governador Valadares até a divisa com a Bahia, trecho da BR-116.

Ao todo,12 municípios estão no caminho da concessão: Governador Valadares, Teófilo Otoni, Itaobim, Padrões de Medina, Águas Vermelhas, Divisa Alegre (fronteira com a Bahia), Montes Claros, Francisco Sá, Grão Mogol, Salinas, Padre Carvalho e Curral de Dentro.

“Com essa decisão, a ANTT reafirma sua missão de promover uma infraestrutura de transportes terrestre moderna, segura e eficiente, alinhada ao desenvolvimento sustentável e ao atendimento qualificado da sociedade. A concessão da BR-116/251/MG é, sem dúvida, um avanço estratégico para Minas Gerais e para o Brasil”, concluiu o diretor-geral da ANTT, Guilherme Theo Sampaio.

Segundo a ANTT, os investimentos previstos incluem duplicação de trechos críticos, implantação de acostamentos, melhorias na sinalização, instalação de passarelas para pedestres e postos de pesagem para fiscalização de cargas, protegendo o pavimento e reduzindo riscos.

Além dos avanços estruturais, a agência espera estimular a geração de cerca de 127.500 empregos diretos, indiretos e efeito-renda durante obras e operação, fortalecendo a economia local. 

Os usuários passarão a contar com atendimento médico e mecânico ao longo do trajeto, iluminação reforçada e pavimentação de qualidade, tornando as viagens mais seguras e confortáveis. Com prazo de concessão de 30 anos, o critério de julgamento no leilão será o menor valor da tarifa de pedágio associado à curva de aporte.

Após a aprovação, o processo segue para análise do Tribunal de Contas da União (TCU). Caso não sejam feitas recomendações e pedidos de alterações, o processo para dar início à privatização dos trechos segue para o Ministério dos Transportes.

Outros Trechos
Em passagem por Minas Gerais para anunciar a transferência do Anel Rodoviário para a prefeitura de Belo Horizonte, no início da semana, o ministro dos Transportes, Renan Filho, comemorou o avanço obtido pelo governo federal na concessão de rodovias mineiras e comentou a privatização do trecho das BRs 116 e 251.

“Estive em Governador Valadares anunciando investimentos na 116, com a ponte sobre o Rio Doce; alguns dias atrás anunciamos o início das obras da 262, de Uberaba a Betim; e também iniciamos as obras da BR-040, entre Juiz de Fora e Belo Horizonte; e da capital à Cristalina, em Goiás. Também fizemos a concessão da 040, entre Juiz de Fora e Rio de Janeiro. São concessões que vão investir mais de R$ 100 bilhões em Minas Gerais para investimentos rodoviários. Serão duas Minas Gerais, uma antes disso e outra depois disso”, disse.

“O trecho da BR-116 e da BR-251, de Montes Claros e Valadares até a divisa da Bahia é muito importante para Minas Gerais e o investimento será muito válido”, destacou o ministro.

Privatização de Furnas resulta em mais redução de funcionários e cortes orçamentários em 2025

Privatização de Furnas resulta em mais redução de funcionários e cortes orçamentários em 2025 - Foto: reprodução
Privatização de Furnas resulta em mais redução de funcionários e cortes orçamentários em 2025 – Foto: reprodução

As consequências da privatização de Furnas e as mudanças anunciadas pela Eletrobras, que incluem a redução de mais funcionários e cortes orçamentários em 2025, não é justificada pois os lucros já são bilionários. Essas medidas, motivadas por uma busca por lucro, ameaçam aumentar o índice de desemprego, especialmente em regiões como São José da Barra (MG), onde está localizada a primeira usina hidrelétrica de Furnas.

A falta de mão de obra qualificada, resultante das demissões de profissionais experientes, compromete a segurança e a qualidade dos serviços prestados, com riscos de acidentes e até um possível apagão de energia elétrica.

Além disso, a proposta de redução e rodízio entre os trabalhadores terceirizados levanta preocupações sobre a eficiência e segurança dos serviços, ao desvalorizar o conhecimento especializado dos funcionários. A precarização dos serviços de limpeza e conservação também é destacada com essa redução prevista, deixando poucos profissionais e fazendo rodízios em áreas de risco elétrico, afetando a higiene e a segurança dos trabalhadores e instalações.

O povo da região clama por uma união para exigir que a administração da Eletrobras repense essas decisões, ressaltando que o investimento na força de trabalho é essencial para o futuro da empresa e das comunidades envolvidas. Por fim, a privatização que lucra com os serviços, mas socializa os custos, descumprindo deveres sociais e legais com as regiões afetadas.

Eletrobras paga R$ 2,2 bilhões em dividendos nesse mês

A Eletrobras (ELET3)(ELET5)(ELET6) paga R$ 2,2 bilhões em dividendos nesta segunda-feira (13). Serão distribuídos R$ 1,82 por ação preferencial classe B (PNB)(ELET6), R$ 2,43 por ação preferencial classe A (PNA)(ELET5) e R$ 0,86 por ação ordinária (ON)(ELET3).

Os acionistas que possuem direito aos proventos devem ter comprado ou mantido as ações da companhia até o dia 27 de dezembro de 2024.

A empresa informou ainda que iniciou estudo de metodologia de alocação e estrutura de capital em que um dos objetivos seria avaliar o pagamento de proventos intercalares trimestrais.

No terceiro trimestre de 2024, a Eletrobras (ELET3) registrou um lucro líquido de R$ 7,195 bilhões – um impressionante crescimento de 387,30% em relação ao mesmo período de um ano antes.

O lucro ajustado também surpreendeu e atingiu R$ 7,56 bilhões, muito acima dos R$ 1 bilhão registrados um ano antes.

O EBITDA (sigla em inglês lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado somou R$ 11,96 bilhões no trimestre, um crescimento expressivo de 164% em comparação ao ano anterior, mais que o dobro da projeção de R$ 5,4 bilhões feita pelos analistas.

Já o EBITDA regulatório ajustado também avançou, a R$ 6,770 bilhões, uma alta de 8,70% em relação ao mesmo período de 2023.

Além disso, a receita operacional líquida da companhia atingiu R$ 11,04 bilhões no trimestre, um aumento de 25,8% na comparação anual.

O indicador de alavancagem financeira, medido pela relação dívida líquida ajustada/EBITDA ajustado, ficou em 1,70x em setembro de 2024 – uma queda de 15,30 p.p. em relação ao mesmo período de 2023.

Governo Zema encaminha propostas para privatização de Cemig e Copasa

O governo de Romeu Zema (Novo) enviou à Assembleia Legislativa de Minas Gerais as propostas para privatização de Cemig e Copasa.| Foto: Pedro Gontijo/Governo de Minas Gerais
O governo de Romeu Zema (Novo) enviou à Assembleia Legislativa de Minas Gerais as propostas para privatização de Cemig e Copasa.| Foto: Pedro Gontijo/Governo de Minas Gerais

As propostas de privatização da Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) e da Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) do governo de Romeu Zema (Novo), enviadas à Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) na última quinta-feira (14), trazem modelos distintos para o futuro das estatais. Em conjunto, os projetos das duas empresas valem mais de R$ 15 bilhões, de acordo com o Executivo mineiro.

Protocolados pelo vice-governador então em exercício, Mateus Simões (Novo), os projetos de lei delineiam como o estado pretende transferir a gestão das empresas para o setor privado, com a proposta de aumentar eficiência e competitividade. Na ocasião, o governador Romeu Zema estava em agenda internacional no Arzebaijão, participando da Conferência das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima, onde o presidente da Cemig, Reinaldo Passanezi Filho, estava entre os palestrantes.

As propostas de privatização dependem de articulação política para avançarem no Legislativo estadual. Embora o governo conte com uma base favorável, a resistência de sindicatos, movimentos sociais e parte da oposição deve intensificar o debate nos próximos meses.

Em outubro do ano passado, Zema enviou à ALMG uma proposta de alteração da Constituição do Estado com a exclusão da exigência de consulta pública para a privatização. A proposta encontra-se na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) aguardando parecer. “Para nós, fazer o refendo não é um problema, mas uma burocracia”, disse Simões.

Privatização da Cemig passa por modelo de “corporation” com veto estatal

O modelo proposto para a privatização da Cemig é o de “corporation”. Trata-se da disponibilização das ações da companhia ao mercado financeiro, resultando em uma estrutura sem controlador definido.

No entanto, o governo de Minas Gerais manteria uma participação de 17,04% das ações totais, junto à chamada “golden share“, ação especial que garante poder de veto em decisões estratégicas. Essa estrutura visa preservar o interesse público em temas essenciais, como segurança energética e investimentos no estado.

A proposta surge no momento em que a Cemig anuncia mudanças significativas na gestão. Andrea Marques de Almeida, ex-executiva de empresas como Vale e Petrobras, assumirá a vice-presidência de Finanças e Relações com Investidores em dezembro, em um movimento interpretado como parte da preparação para a privatização da companhia.

Copasa tem proposta de privatização tradicional com promessa de redução tarifária

Para a Copasa, o governo de Minas Gerais propõe um modelo mais direto, no qual o controle acionário seria transferido integralmente à iniciativa privada. Segundo o vice-governador Mateus Simões, a regulação continuará sob responsabilidade da Agência Reguladora de Serviços de Abastecimento de Água e Esgotamento Sanitário (Arsae-MG), o que, segundo ele, asseguraria tarifas justas e serviços de qualidade.

O governo argumenta que a privatização da Copasa pode reduzir custos ao consumidor, uma vez que a regulação estadual e o acompanhamento pelo Ministério Público e pela sociedade garantiriam transparência. Além disso, Simões defende que a eficiência da gestão privada poderá atrair mais investimentos e expandir a cobertura de saneamento no estado.

Sindicato alerta para perda de trabalho e governo rebate

A transição preocupa sindicatos de trabalhadores das categorias envolvidas. O Sindieletro, que representa trabalhadores da Cemig, alerta para potenciais perdas de postos de trabalho e aumento das tarifas. O governo, por sua vez, alega que os direitos trabalhistas dos funcionários serão preservados e que a privatização pode abrir novas vagas, especialmente em áreas técnicas.

O argumento é que o setor privado teria mais flexibilidade para contratar diretamente, reduzindo a dependência de terceirizações. “Eles não vão sofrer nenhum rebaixamento salarial. Continuam tendo os mesmos acordos e convenções coletivos (de trabalho) respeitados”, disse Simões em entrevista coletiva após a entrega dos projetos de lei à Assembleia Legislativa.

Um dos principais pontos de defesa do governo é que as tarifas de energia e água não serão impactadas diretamente pela privatização, pois continuam sendo definidas por agências reguladoras. No caso da Cemig, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) é responsável por fiscalizar as operações e definir os preços, enquanto no caso da Copasa, a Arsae-MG tem papel semelhante.

“No caso da Copasa, quem faz a regulação é a Arsae, uma agência estadual. Mesmo que ela seja privatizada, o controle das tarifas continua sendo nosso, auditado pelo Ministério Público e pela população, para ser acompanhado para não ter nenhuma cobrança por serviço que não esteja sendo prestado”, disse Simões.

O vice-governador também destacou que a privatização promete ganhos de eficiência operacional, com expectativas de redução de custos ao longo do tempo. “Uma empresa mais ágil e eficiente tende a oferecer tarifas mais competitivas, beneficiando o consumidor final”, argumentou.

Governo e Furnas preveem privatização de balsas em 2025

Governo e Furnas preveem privatização de balsas em 2025 – Foto: reprodução/Ezer Carvalho

O governo de Minas e Furnas devem privatizar o serviço de balsas que fazem travessias entre municípios banhados pelos reservatórios das usinas de Furnas e de Mascarenhas de Moraes (Peixoto). A previsão é lançar, em meados de 2025, edital de concessão do transporte aquaviário na região.

Segundo informações do governo de Minas, os estudos sobre a viabilidade do programa de concessão devem durar 150 dias e, em seguida, a Secretaria de Estado de Infraestrutura, Mobilidade e Parcerias (Seinfra) e Furnas devem fazer uma análise técnica do material e, na sequência, abrir o projeto para consulta e audiência pública.

Os serviços de transporte por balsas funcionam há cerca de 60 anos na região. De acordo com o governo, a partir da concessão, é esperada uma ampliação no sistema e a expectativa é que mais de 400 mil pessoas sejam atendidas nos 15 municípios que circundam as usinas de Mascarenhas de Moraes e de Furnas.

De acordo com o governo estadual, na última terça-feira, 7, em São José da Barra, foi apresentado o cronograma para início dos estudos de viabilidade para expansão do transporte aquaviário na região em um evento que reuniu lideranças regionais, representantes de associações de municípios e teve como objetivo de detalhar as fases do processo.

Ainda segundo o governo estadual, o projeto deve contemplar a expansão, exploração, operação e manutenção dos serviços de travessia por balsas nos reservatórios das duas hidrelétricas. A expectativa é que a ampliação do serviço melhore a mobilidade na região e fomente o desenvolvimento dos municípios que margeiam a represa, informa o governo.  

O secretário da Seinfra, Pedro Bruno, afirma que o objetivo é melhorar a prestação de serviços de transporte aquaviário que devem desenvolver a mobilidade no Sul de Minas e beneficiar milhares de mineiros.  

“Sabemos dos desafios para ter um transporte aquaviário mais bem estruturado. Tenho a certeza de que hoje demos um passo muito importante durante esse encontro”, diz.

Denis Martins da Silva, comandante da balsa que liga os municípios de Guapé a São José da Barra, trabalha há cerca de 30 anos com uma embarcação construída em 1957. Ele transporta diariamente uma média de 120 veículos e tem boas expectativas com o início dos estudos, informa o governo.

“Atualmente, essa balsa já não atende as demandas das cidades da nossa região, porque é pequena para o fluxo de veículos e cargas que os caminhões transportam. A gente espera que novas embarcações sejam colocadas em operação o mais rápido possível para mudar essa realidade”, disse. (Clic Folha)

Jornal Folha Regional
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