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Jornal Folha Regional

Nova tecnologia permite mamografia indolor com resultado em 1 minuto

Nova tecnologia permite mamografia indolor com resultado em 1 minuto – Foto: reprodução

Recentemente, pesquisadores da Universidade de Buffalo, nos EUA, anunciaram um novo rastreamento de câncer de mama que, além de completamente indolor, leva cerca de um minuto para ser realizado. Tudo o que as pacientes precisam fazer é pressionar levemente a mama contra uma janela de imagem.

Ao contrário da mamografia tradicional, que requer a compressão dolorosa da mama entre duas placas de acrílico, no novo sistema, chamado de OneTouch-PAT, a paciente apenas encosta a mama em uma tela especial do equipamento, enquanto permanece em posição natural, em pé.

De acordo com o estudo, publicado na revista IEEE Transactions on Medical Imaging, o contato direto permite melhor qualidade de imagem e não depende da habilidade do operador para posicionar corretamente. A técnica combina imagens ultrassônicas tradicionais com imagens fotoacústicas.

Como se fossem duas “câmeras” diferentes fotografando uma mesma cena, a que usa ondas sonoras cria visualizações dos tecidos internos da mama, enquanto a que usa pulsos de laser aquece moléculas que, ao absorverem a luz, se expandem e criam ondas ultrassônicas para visualizar vasos e o fluxo sanguíneo.

Tridimensionais, as duas imagens — ultrassom e fotoacústica — se alinham perfeitamente e se sobrepõem no mesmo espaço. Isso é feito por um software especializado que entrega uma visualização com informações das duas técnicas. Com isso, o médico vê, ao mesmo tempo, a estrutura do tumor e sua vascularização.

A necessidade de um modelo de exame de mama mais simples e eficaz

Nova tecnologia permite mamografia indolor com resultado em 1 minuto – Imagem: reprodução

O câncer de mama figura hoje entre as principais causas de morte feminina no mundo. A detecção precoce através de mamografias e ultrassonografias tem salvado milhares de vidas, mas os métodos atuais apresentam limitações significativas que comprometem sua eficácia diagnóstica.

Acessível e barata, a mamografia é imprecisa em mamas densas, causa dor e usa radiação. Já o ultrassom funciona melhor em tecidos densos, mas gera falsos positivos e depende da perícia do operador. Por fim, a ressonância magnética é eficaz, porém cara e pouco disponível.

Surge, então, a necessidade de um rastreamento de câncer de mama mais fácil e acessível para as mulheres do mundo inteiro. O novo OneTouch-PAT foi testado com 65 participantes do estudo, incluindo 61 pacientes com câncer de mama e quatro pessoas que não tinham câncer.

Os pesquisadores observaram que o sistema não só forneceu imagens 3D nítidas do tecido mamário das participantes, mas também ajudou a classificá-las em subtipos de câncer de mama que têm padrões comuns, como câncer de mama Luminal A, Luminal B e Triplo-Negativo.

O OneTouch-PAT também se mostrou competitivo com algumas tecnologias mais avançadas (e caras), como o sistema Koning Vera fundamentado em tomografia computadorizada sem compressão, que custa centenas de dólares, e o sistema Bexa, que utiliza elastografia de alta resolução e dura meia hora.

Próximas etapas para o desenvolvimento do OneTouch-PAT

Concluída a pesquisa, a análise estatística dos pacientes revelou que a intensidade fotoacústica regional e os pontos de ramificação vascular funcionam como indicadores eficazes de malignidade mamária. Os resultados promissores demonstram margem para aprimoramentos do diagnóstico e da classificação do câncer.

Em um comunicado de imprensa, o autor correspondente do estudo, professor Jun Xia, resume o estudo: “Nosso sistema, chamado OneTouch-PAT, combina imagens avançadas, automação e inteligência artificial, tudo isso ao mesmo tempo em que melhora o conforto do paciente”.

O novo sistema pode beneficiar, de forma especial, as mulheres com tecido mamário denso, que são frequentemente mais difíceis de diagnosticar, uma vez que tanto o ultrassom quanto a imagem fotoacústica são menos afetados pela densidade do tecido.

Entretanto, alerta Xia, a pesquisa ainda está em fase inicial e “mais trabalho é necessário antes que ele possa ser usado em ambientes clínicos”. Isso significa testes em populações mais amplas e também mais diversas, com diferentes idades, etnias e condições para confirmar o funcionamento pleno do equipamento.

Para o engenheiro biomédico, há também a necessidade de testes para distinguir entre câncer e lesões benignas, como cistos e fibroadenomas, para evitar falsos positivos. Finalmente, é necessário aprimorar a forma como o software analisa as imagens e aumentar a precisão da IA e dos algoritmos.

Secretaria de Estado de Saúde orienta sobre prevenção de doenças diarreicas e infecções transmitidas por água e alimentos

Secretaria de Estado de Saúde orienta sobre prevenção de doenças diarreicas e infecções transmitidas por água e alimentos – Foto: reprodução

A prevenção das Doenças Diarreicas Agudas (DDA) e das Doenças de Transmissão Hídrica e Alimentar (DTHA) passa, principalmente, por hábitos simples de higiene. Neste sentido, o trabalho integrado entre a Vigilância Epidemiológica e a Atenção Primária à Saúde é fundamental para proteger a população.

Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG) destaca que o papel das equipes de saúde vai além do atendimento clínico, abrangendo ações de promoção da saúde, análise de risco e resposta rápida a possíveis surtos.

A referência técnica da SES-MG no Programa de Vigilância das DDA e DTHA, João Pedro Evangelista, reforça a importância dos cuidados básicos com a higiene no dia a dia.

“As medidas mais simples são as mais eficazes. Lavar bem as mãos, consumir água tratada, cozinhar adequadamente os alimentos, armazená-los na temperatura correta e higienizar frutas e verduras fazem toda a diferença para evitar essas doenças”, explica o técnico da SES-MG, João Pedro Evangelista.

Sobre as doenças

As Doenças Diarreicas Agudas (DDA) são causadas por vírus, bactérias ou parasitas e se manifestam por meio de aumento no número de evacuações, geralmente mais de três vezes ao dia, com fezes líquidas ou pastosas, e duração de até 14 dias.

A principal preocupação é com crianças menores de 5 anos e idosos com mais de 60, por apresentarem maior risco de desidratação.

Em 2025, já foram registrados 386.447 casos de DDA nas unidades de saúde monitoradas em Minas Gerais. Em 2024, foram notificados 822.036 casos.

Já as Doenças de Transmissão Hídrica e Alimentar (DTHA) são provocadas pela ingestão de água ou alimentos contaminados por microrganismos ou toxinas. Crianças, gestantes, idosos e pessoas imunocomprometidas demandam atenção especial.

Essas doenças são mais comuns em áreas com falhas na cadeia de produção e conservação de alimentos, e os surtos geralmente ocorrem em locais populosos ou onde há precariedade na preparação de alimentos e no acesso à água potável.

Em 2023, foram registrados 1.667 casos por DTHA. Em 2024, até o momento, já são 5.823 casos.

Cuidados e tratamento

O Sistema Único de Saúde (SUS) oferece tratamento para essas doenças, com atendimento disponível nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) e unidades hospitalares. A hidratação com água, sucos, chás e o uso do soro de reidratação oral (SRO) são essenciais. Nos casos mais graves, pode ser necessária internação para reposição intravenosa de líquidos e tratamento das complicações.

João Pedro salienta que é importante a atenção aos sinais de alerta.“É preciso oferecer líquidos com frequência e estar atento a sinais como boca seca, sonolência, tontura e olhos fundos. Ao menor agravamento dos sintomas, a pessoa deve procurar uma unidade de saúde”.

Ações da SES-MG

A SES-MG atua junto aos municípios com ações de prevenção e promoção da saúde, priorizando capacitações, apoio técnico e distribuição de materiais informativos. A estratégia é reforçada em regiões com maior vulnerabilidade socioeconômica, como os Vales do Jequitinhonha e do Mucuri, o Norte de Minas, o Triângulo Mineiro e a Região Metropolitana de Belo Horizonte.

O Estado também orienta os municípios quanto aos protocolos de manejo clínico, coleta de amostras e notificação de casos. A notificação é uma ferramenta essencial para identificar surtos, investigar fontes de contaminação, implantar medidas de controle e definir políticas públicas de saúde mais eficazes. 

Lei passa a definir fibromialgia como deficiência em todo o país

Lei passa a definir fibromialgia como deficiência em todo o país – Foto: reprodução

A partir de janeiro de 2026, quem têm fibromialgia passará a ser considerado pessoa com deficiência (PcD). A A Lei 15.176, de 2025, que determina a medida, foi publicada nesta quinta-feira (24) no Diário Oficial da União, após ser sancionada sem vetos pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A aprovação pelo Congresso Nacional ocorreu no último dia 2 de julho.

A norma passa a valer 180 dias após a publicação.

A fibromialgia é uma síndrome que provoca dores nos músculos, nas articulações, tontura, fadiga, ansiedade e depressão, e não tem origem conhecida. A origem está na chamada “sensibilização central”, uma disfunção em que os neurônios ligados à dor tornam-se excessivamente excitáveis.

Entre os direitos que serão estendidos às pessoas com fibromialgia estão cotas em concursos públicos e isenção de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) na compra de veículos.

Uma equipe de saúde, com médicos e psicólogos, terá que atestar a limitação da pessoa para participação em atividades em igualdade com as outras pessoas.

No Distrito Federal, por exemplo, quem tem fibromialgia já pode ser considerado com deficiência. Agora a lei vale para todos o país. O Sistema Único de Saúde (SUS) oferece tratamento para quem possui a síndrome.

Tempo seco em Minas Gerais pode favorecer surto de conjuntivite

Tempo seco em Minas Gerais pode favorecer surto de conjuntivite – Foto: reprodução

O ar seco e a redução das chuvas, característicos do período de inverno, podem favorecer o aumento dos casos de conjuntivite — inflamação da membrana transparente que reveste a parte branca dos olhos e o interior das pálpebras. Essa condição dificulta a lubrificação natural dos olhos e contribui para a concentração de poluentes no ambiente, tornando-os mais suscetíveis à doença, que pode se manifestar nas formas viral, bacteriana ou alérgica. Em fevereiro deste ano, Belo Horizonte registrou um surto da enfermidade. No estado, foram 33 desde o mês de junho. As informações são das secretarias Municipal e Estadual de Saúde.

“Essa é uma doença que pode acontecer durante todo o ano, mas, em alguns períodos, o olho seco é mais comum devido à baixa umidade. Isso compromete a lubrificação ocular, fazendo com que muitas pessoas levem as mãos contaminadas aos olhos, provocando sintomas como vermelhidão, coceira, ardência, sensação de areia nos olhos e até embaçamento visual, especialmente no fim do dia”, alerta o médico oftalmologista Luiz Carlos Molinari, cooperado da Unimed-BH.

Na última semana, segundo a Defesa Civil, a capital mineira esteve em alerta devido à baixa umidade provocada por uma massa de ar seco. Um comunicado publicado pelo órgão indicou que o índice permaneceria em torno de 30% até o último domingo (20/7), abaixo do recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que é de 60%. De acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), o tempo seco deve continuar na capital mineira até a próxima sexta-feira (25/7), com umidade relativa do ar em torno de 30%. Além de Belo Horizonte, mais de 150 cidades de MG estão em alerta devido ao tempo seco.

“Idosos e crianças são mais suscetíveis à desidratação e infecções oculares. As crianças ainda estão com o sistema imunológico em desenvolvimento, e os idosos, por sua vez, podem ter doenças pré-existentes que agravam o quadro”, explica. Foi o que ocorreu com Maria do Carmo, de 2 anos, diagnosticada com a doença nesta segunda-feira (21/7). “Ela começou com uma bolinha no olho, depois teve vermelhidão, secreção e inchaço. Logo a levei ao médico, e ela começou o tratamento com anti alérgico, remédio para dor e colírio”, disse a social media Lorrane do Carmo, de 34 anos, mãe da garota.

Uso de telas

Segundo Molinari, além do clima, o uso prolongado de telas, como celulares, pode contribuir com o agravamento do quadro. “Quando estamos concentrados em celulares, computadores ou televisores, piscamos menos. Isso favorece a evaporação da lágrima e o ressecamento da superfície ocular”, alerta. O especialista destaca ainda a incidência da conjuntivite viral, que possui uma fácil transmissão, principalmente nessa época do ano, em que as pessoas se reúnem em espaços fechados. “Sintomas como vermelhidão, lacrimejamento excessivo, coceira, fotofobia (sensibilidade à luz) e secreção aquosa são comuns nesse tipo. Em alguns casos, pode haver ínguas dolorosas próximas ao ouvido e sintomas respiratórios”, detalha.

Para o médico, a combinação de tempo seco e o uso prolongado de telas reforça a necessidade de boa lubrificação dos olhos, com uma lágrima de boa qualidade, além da devida higienização das mãos e uma boa hidratação. Molinari orienta ainda que se evite tocar os olhos diante de algum incômodo. “O uso do colírio lubrificante também é muito importante, mas sem corticoide. Algum outro medicamento específico ou antibiótico, somente com orientação médica”, orienta.

Os tipos de conjuntivite

  • Conjuntivite viral: causada por um vírus e é muito contagiosa. Também pode ocorrer quando os olhos ficam muito sensíveis à luz, causando a sensação de areia. Geralmente, é tratada com colírios e corticoides para evitar complicações.
  • Conjuntivite bacteriana: a transmissão ocorre no contato com objetos contaminados. Os olhos ficam vermelhos e com secreções. Esse tipo da doença exige tratamento com antibiótico específico. Sem o cuidado adequado, pode causar úlceras e levar à perda da visão.
  • Conjuntivite alérgica: não é contagiosa. É uma doença que pode ser associada à rinite, e causa muita coceira. 

Cuidados

  • Hidrate-se bem: beba bastante água ao longo do dia para manter a produção de lágrimas.
  • Use umidificadores de ar ou coloque bacias com água nos ambientes para aumentar a umidade. 
  • Evite exposição direta ao ar-condicionado e ao vento, que ressecam ainda mais os olhos.
  • Pisque com frequência, especialmente ao usar telas, para manter a lubrificação ocular.
  • Siga a regra 20-20-20: a cada 20 minutos, olhe para algo a 6 metros de distância por 20 segundos.
  • Use lágrimas artificiais sem conservantes, sempre com orientação médica.
  • Alimente-se bem, incluindo alimentos ricos em ômega 3, que ajudam na saúde ocular.
  • Use óculos com proteção UV ao sair ao sol, para proteger os olhos da radiação ultravioleta.
  • Consulte um oftalmologista regularmente, especialmente se houver sintomas persistentes.

Ministério da Saúde investiga doença misteriosa após mortes ‘fulminantes’ em MG

Ministério da Saúde investiga doença misteriosa após mortes ‘fulminantes’ em MG – Foto: reprodução

Uma doença misteriosa que causou a morte fulminante de ao menos duas pessoas na cidade de São Francisco, no Norte de Minas Gerais, chamou a atenção do Ministério da Saúde (MS) por apresentar “sintomas inespecíficos” e piora súbita nos pacientes. Os casos foram classificados como Evento de Importância para a Saúde Pública (EISP) e deram início a uma investigação do órgão federal, com apoio da Vigilância Epidemiológica de Minas Gerais. Outros 20 pacientes apresentaram sintomas respiratórios e hemorrágicos.

A Secretaria Municipal de Saúde de São Francisco emitiu um ofício sobre a notificação da doença na cidade. Segundo o documento, os casos vêm sendo classificados como Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) de rápida evolução. Os primeiros pacientes foram três familiares que participaram dos mesmos eventos sociais — dois na zona rural, nos dias 23 e 24/6, e um na área urbana, em 27/6. Todos evoluíram para um estado de saúde grave.

“Dois dos casos evoluíram para óbito em curto intervalo de tempo, e um terceiro recebeu alta hospitalar. Além disso, outras pessoas que estiveram no mesmo evento relataram sintomas inespecíficos”, diz trecho do ofício da Secretaria Municipal de Saúde. 

Segundo a pasta, a equipe da Atenção Primária à Saúde de São Francisco contatou todas as pessoas que participaram das festas de junho, seguindo o protocolo de prevenção contra doenças contagiosas. “Estamos tomando todas as providências necessárias para evitar novos óbitos em nosso município. Medidas de precaução e de prevenção à saúde”, afirmou a secretária municipal de Saúde, Andressa Rodrigues, nas redes sociais.

Até o momento, a investigação não identificou a causa das mortes e das infecções. “No entanto, um dos óbitos teve resultado laboratorial detectável para influenza, o que está sendo considerado na análise epidemiológica e laboratorial em curso. Amostras clínicas continuam sendo analisadas para confirmação etiológica [identificação da causa exata] e exclusão de outras hipóteses diagnósticas”, informou a Secretaria de Estado de Saúde (SES-MG).

Uma reunião foi realizada na última segunda-feira (7/7) com representantes do município, da Gerência Regional de Saúde e do Ministério da Saúde para alinhar o tratamento dos casos e a apuração das mortes. “Reforço que estamos empenhados em concluir o diagnóstico, prezando pela qualidade da assistência e pela prevenção, com cuidado para toda a população”, acrescentou a secretária Andressa Rodrigues.

Residências das vítimas da doença foram sanitizadas 

Como parte das ações de prevenção à doença misteriosa, um protocolo de sanitização foi aplicado em São Francisco, com a higienização das residências dos casos investigados, além da vizinhança e das unidades de saúde. No Hospital Geral Doutor Brício de Castro Dourado, onde os pacientes estão sendo atendidos, o uso de máscara de proteção tornou-se obrigatório.

Em nota, a Secretaria Municipal de Saúde, junto com a Secretaria Estadual (SES-MG), orienta a população “a manter a calma e a adotar medidas de prevenção contra influenza e outras doenças respiratórias”.

Orientação 

A Secretaria Municipal de São Francisco orienta que, ao apresentar sintomas como febre, tosse, dor de garganta ou cansaço, o morador deve adotar as seguintes medidas:

• Evite sair de casa.
• Não participar de eventos ou aglomerações.
• Utilizar máscara de proteção.
• Não compartilhar objetos de uso pessoal.
• Higienizar as mãos frequentemente.
• Manter os ambientes ventilados.
• Procurar atendimento médico imediato caso apresente sinais de agravamento (falta de ar, febre persistente, confusão mental ou coloração azulada nos lábios/rosto).

Homem surdo há mais de 20 anos volta a escutar após cirurgia inédita no RS

Homem surdo há mais de 20 anos volta a escutar após cirurgia inédita no RS – Foto: divulgação

Uma equipe de profissionais do Hospital Moinhos de Vento, em Porto Alegre, realizou em março deste ano o primeiro procedimento bem-sucedido de implante auditivo de tronco cerebral na história médica do Rio Grande do Sul. A cirurgia teve como objetivo restaurar a audição de um homem diagnosticado com surdez total.

Em nota à imprensa divulgada nesta quarta-feira (25), Joel Lavinsky, otorrinolaringologista responsável, lembra que a indicação pela tecnologia veio porque os nervos auditivos do paciente estavam muito comprometidos por seu quadro de neurofibromatose tipo 2 (NF2). Isso tornava a utilização de um implante coclear convencional inviável.

Por dentro do caso

Considerada uma doença autossômica, a NF2 é caracterizada pelo crescimento lento e descontrolado de múltiplos tumores benignos envolta do sistema nervoso central. Além de pressionar as estruturas do tronco encefálico, ela ainda prejudica a escuta e o equilíbrio do indivíduo.

Segundo uma descrição publicada pela Biblioteca Nacional de Medicina dos Estados Unidos, a condição genética costuma se manifestar na adolescência ou no início da fase adulta. Calcula-se que ela atinja a população em uma prevalência de aproximadamente uma para cada 35 mil pessoas.

Equipe multidisciplinar que participou da cirurgia liderada pelo Dr. Joel Lavinsky do Hospital Moinhos de Vento — Foto: Divulgação/Hospital Moinhos de Vento

No caso de Flávio Fidelis, de 51 anos, o problema já estava tão avançado que ele já se encontrava surdo dos dois ouvidos há mais de 20 anos. Assim, os médicos imaginaram que colocar eletrodos diretamente nos núcleos auditivos na base do seu crânio, no tronco cerebral, poderia estimular a percepção do som em algum grau no paciente.

Realização da cirurgia

O procedimento foi realizado por Lavinsky em colaboração com o neurocirurgião Gustavo Rassier Isolan e uma equipe de audiologistas coordenada pela fonoaudióloga Natalia Fernandez. Três profissionais da Universidade de São Paulo (USP), Ricardo Ferreira Bento, Marcelo Prudente e Valéria Goffi, ainda auxiliaram supervisionando as etapas.

Representação artística do equipamento instalado no crânio de Flávio Fidelis, que não escuta nada há mais de 20 anos — Foto: Reprodução/Facebook (CEANNE)

Ao todo, a cirurgia e o pós-operatório exigiram quase dez horas de dedicação dos especialistas. “Realizamos diversos testes eletrofisiológicos durante a cirurgia para que fosse possível identificar o local exato para o posicionamento do implante e confirmar o funcionamento da estimulação elétrica do eletrodo no tronco cerebral”, conta Lavinsky.

O sucesso da abordagem foi confirmado alguns meses depois da intervenção, quando se ligou o dispositivo implantado no paciente.

Imagens capturadas durante o procedimento de instalação do dispositivo, que exigiu quase dez horas de trabalho dos especialistas — Foto: Divulgação/CEANNE

De acordo com Fidelis, sua rotina melhorou consideravelmente desde a operação. Mesmo em fase de ajustes do aparelho, é nítida a evolução na sua vida pessoal e profissional. Testes indicaram até que ele já tem conseguido diferenciar certos ruídos e sons.

“Fui diagnosticado com deficiência auditiva bilateral, perdendo aos poucos a audição, já na fase adulta, aos 29 anos”, relata o paciente. “Por isso este implante aparece como um objetivo de vida e uma batalha vencida. Agradeço a toda equipe médica do Hospital Moinhos de Vento”.

Anvisa aprova primeira insulina semanal do mundo

Anvisa aprova primeira insulina semanal do mundo – Foto: reprodução

Pacientes que dependem de insulina, inclusive os que vivem com diabetes tipo 2, conhecem os impactos para a qualidade de vida do uso diário do medicamento, principalmente em relação à versão injetável: no mínimo, são 365 aplicações por ano, número que pode dobrar em alguns pacientes. Neste cenário, a insulina semanal tem despontado como uma opção para garantir o conforto sem impactar a eficácia do tratamento. Estudos apresentados durante a reunião anual da Associação Americana de Diabetes (ADA, na sigla em inglês), realizada neste mês em Chicago, reforçaram essa abordagem como segura e eficiente, além de uma frente adicional para o controle da doença que afeta 589 milhões de adultos no mundo.

Durante o evento, foram apresentados os ensaios de fase 3 com a insulina semanal em testes efsitora, desenvolvida pela farmacêutica Eli Lilly (a mesma do medicamento contra obesidade e diabetes Mounjaro), que demonstrou ter o mesmo perfil de segurança da versão diária e com capacidade de reduzir a hemoglobina glicada, índice de glicose dos últimos três meses que é uma das referências para diagnóstico da doença. Os achados foram publicados nos periódicos The New England Journal of Medicine e The Lancet.

A proposta dos trabalhos QWINT-1, QWINT-3 e QWINT-4, que avaliaram mais de 3 000 voluntários com diabetes tipo 2, era mostrar que o tratamento experimental não é inferior às drogas diárias atuais mesmo com o uso semanal. Os ensaios clínicos demonstraram equivalência entre elas no que diz respeito à redução do açúcar no sangue e com segurança para os pacientes.

Nos testes que duraram um ano (52 semanas), a efsitora reduziu a hemoglobina glicada em 1,31% contra 1,27% da insulina glargina. Nos ensaios de 26 semanas, a diminuição foi de 0,86% com efsitora e de 0,75% com insulina degludeca e ficou em 1,07% tanto com a efsitora quando com a insulina glargina.

“Um regime semanal mais simples pode ajudar essas pessoas a iniciar e manter o tratamento, com o objetivo de melhorar os níveis de glicose no sangue. Em todos os estudos QWINT, a efsitora demonstrou controlar a glicemia com a mesma eficácia que as insulinas basais diárias mais utilizadas”, afirmou um dos autores do estudo, Julio Rosenstock, professor clínico de medicina no University of Texas Southwestern Medical Center.

Com esses resultados, a Lilly planeja submeter a efsitora às agências reguladoras globais para o tratamento de adultos com diabetes tipo 2 ainda neste ano.

Benefícios da insulina semanal

O endocrinologista Luís Henrique Canani, professor titular da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), tem acompanhado as pesquisas com insulina semanal e afirma que os achados são essenciais para o bem-estar das pessoas que vivem com diabetes.

De forma simplificada, ele explica que o ser humano produz dois tipos de insulina: a basal, que tem produção contínua, e outra de ação rápida desencadeada quando nos alimentamos. O paciente com diabetes apresenta falhas na produção de insulina, hormônio que regula os níveis de açúcar no sangue, o que faz com que o tratamento seja necessário.

O problema é que a aplicação pode ser necessária até duas vezes por dia, dependendo do caso. “Estamos falando de sair de 730 aplicações para 52 em um ano em pessoas que já precisam medir a glicemia com picadas na ponta do dedo. Isso muda a vida delas por reduzir o peso emocional e físico do tratamento.”

Canani coordenou um dos grupos que avaliou voluntários brasileiros em testes com a primeira insulina de uso semanal, a icodeca (Awiqli, da Novo Nordisk) — aprovada no Brasil em março deste ano pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), mas sem data prevista para chegada ao país — em comparação à dose diária de insulina degludeca.

Os resultados do ensaio ONWARDS 3 foram animadores: após 26 semanas, a insulina semanal levou a uma redução superior da hemoglobina glicada com menos eventos adversos, entre eles, a hipoglicemia (queda de açúcar no sangue).

Governo de Minas reforça importância da vacinação e dos cuidados com idosos para prevenção de doenças respiratórias

Governo de Minas reforça importância da vacinação e dos cuidados com idosos para prevenção de doenças respiratórias – Foto: reprodução

Com a chegada do período mais frio, o Governo de Minas, por meio da Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG) reforça a importância da vacinação e dos cuidados com idosos para prevenir complicações de doenças respiratórias. Pessoas com mais de 60 anos estão entre os grupos que mais demandam atenção, por serem mais vulneráveis a quadros graves.

De janeiro a 22/6 de 2025, mais da metade das internações por síndromes respiratórias no estado envolveu idosos: foram 34.873, 55% do total de 63.737. Entre os óbitos por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), 795 dos 1.085 registrados ocorreram em pessoas com mais de 60 anos.

Vacinação

A SES-MG destaca a vacinação como uma das principais formas de proteção contra casos graves. A vacina contra a gripe está disponível o ano todo nas unidades do Sistema Único de Saúde (SUS), é segura e protege contra os principais vírus da Influenza (H1N1, H3N2 e B).

Até 25/6, a cobertura desse imunizante entre idosos era de 50,17%, diante da meta de 90% estabelecida pelo Programa Nacional de Imunizações (PNI).

Idosos também devem manter o esquema vacinal contra a covid-19 atualizado, com as doses de reforço recomendadas. Em Minas, a cobertura contra a covid-19 nessa faixa etária é de 106% para duas doses, 91% para três e 65% para quatro doses, segundo o Ministério da Saúde.

“A vacinação é uma medida segura, eficaz e disponível nas unidades de saúde. Reforçamos a orientação para que os idosos e seus familiares verifiquem o cartão de vacinas e mantenham a proteção em dia”, afirma o subsecretário de Vigilância em Saúde da SES-MG, Eduardo Prosdocimi.

Ele também alerta para a necessidade de ampliar a adesão. “Observamos uma cobertura ainda abaixo do ideal, o que pode contribuir para o aumento de internações e óbitos por doenças respiratórias nesta faixa etária”.

Idosos também podem se vacinar nas unidades básicas de saúde contra a pneumonia. A vacina pneumocócica polissacarídica 23-valente (Pneumo 23) está disponível em todo o estado.

Vulnerabilidade e risco de complicações

O pneumologista Marcelo Fuccio, do Hospital Júlia Kubitschek, da Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig), reforça a importância da imunização.

“Além da vacina, é essencial que o idoso mantenha cuidados diários com a saúde, como boa alimentação, prática de atividades físicas e atenção aos primeiros sinais de problemas respiratórios”, orienta.

Segundo ele, doenças crônicas comuns nessa faixa etária podem agravar os quadros respiratórios. “É uma população vulnerável, muitas vezes com condições pré-existentes, como problemas cardíacos ou pulmonares. Por isso, a vacinação reduz a gravidade dos casos e a necessidade de internações”.

Relato de quem se previne

Exemplo de conscientização é o aposentado Salvador Soares Teixeira, de 75 anos. Ele destaca os benefícios de manter a vacinação em dia e relata que nunca precisou de internação por doenças respiratórias.

“Desde que começou a vacina da gripe no posto de saúde, eu tomo todo ano. Tomei também todas as de covid. Nunca tive uma gripe forte depois disso”, conta.

Além da vacinação, Salvador conta que pratica atividades físicas e adota uma alimentação equilibrada para se prevenir contra as doenças e manter sempre a qualidade de vida.

Atenção aos sintomas

Os sintomas mais comuns da gripe incluem febre, dor de garganta, tosse seca, dores no corpo e cansaço. O início costuma ser repentino, com febre alta, calafrios e tosse. Também pode haver coriza, espirros e fadiga.

Em geral, os sintomas duram entre sete e dez dias, mas o cansaço, a tosse e a fraqueza podem persistir por até duas semanas.

Entre idosos, é essencial observar sinais de agravamento, como fraqueza intensa, cansaço excessivo, dificuldade para respirar ou confusão mental.

Já a covid-19 pode provocar desde perda de olfato, coriza e tosse até falta de ar severa e comprometimento pulmonar.

“O diagnóstico precoce e o acompanhamento adequado são fundamentais para uma boa recuperação”, reforça o pneumologista.

Atuação permanente

De janeiro a junho de 2025, a SES-MG distribuiu mais de 7,8 milhões de doses da vacina contra a gripe e 1,2 milhão contra a covid-19 para as 28 Unidades Regionais de Saúde, responsáveis pelo repasse aos 853 municípios.

Além da distribuição de vacinas, a SES-MG realiza ações de orientação, capacitação dos municípios e campanhas educativas para ampliar a cobertura vacinal entre os públicos prioritários.

Governo de Minas destinou, no último biênio, R$165 milhões em bonificações para municípios que se aproximaram das metas vacinais e realizaram vacinação extramuros, como em escolas. Também investiu R$100 milhões na aquisição dos vacimóveis, veículos que circulam por praças, locais movimentados e áreas rurais, buscando ativamente a população não vacinada. Para 2025-2026, serão R$ 210 milhões para intensificar essas ações.

Governo de Minas reforça importância da vacinação e dos cuidados com idosos para prevenção de doenças respiratórias – Imagem: divulgação

Passos lidera aumento de casos de hepatite no Sul de Minas; saiba como se proteger

Passos lidera aumento de casos de hepatite no Sul de Minas; saiba como se proteger - Foto: reprodução
Passos lidera aumento de casos de hepatite no Sul de Minas; saiba como se proteger – Foto: reprodução

O número de casos de hepatites virais cresceu de forma preocupante em Passos (MG).

Segundo dados das autoridades de saúde, a cidade registrou um aumento de 150% nos primeiros quatro meses de 2025 em comparação com o mesmo período do ano passado.

Neste ano, cinco casos foram confirmados em Passos, contra dois registrados entre janeiro e abril de 2024. O crescimento contrasta com os números mais estáveis observados em cidades vizinhas.

Em Poços de Caldas e Pouso Alegre, foram registrados três casos em cada município. Já em Varginha, houve apenas um caso confirmado até o momento.

Motivos do aumento da doença

Em entrevista, o hepatologista Lauro Damazeno de Carvalho Faria explicou que esse aumento pode estar ligado a surtos específicos e também à ampliação do acesso aos testes pelo SUS.

“No que se trata da hepatite A, que é uma hepatite mais aguda, ela não cronifica e isso reflete uma preocupação de Minas Gerais com relação ao primeiro trimestre deste ano, em que algumas cidades vêm enfrentando um aumento do número de casos”.

“Quando se fala da hepatite B e da hepatite C, que são hepatites que podem cronificar, que o paciente pode carregar ela por mais tempo no organismo, isso pode se refletir também num aumento na disponibilidade de acesso dos usuários do Sistema Único de Saúde à testagem para essas hepatites virais”, explicou o doutor.

Sintomas

As hepatites podem ser silenciosas, mas alguns sinais devem acender o alerta. Entre os principais sintomas estão:

  • Febre
  • Cansaço
  • Dores musculares
  • Icterícia (olhos amarelados)
  • Urina escura

Caso a pessoa apresente esses sintomas, é fundamental buscar atendimento médico o quanto antes, pois o diagnóstico precoce faz toda a diferença.

Como se proteger?

A hepatite A é transmitida principalmente por via oral-fecal, e a prevenção está ligada à higiene das mãos, dos alimentos e da água consumida, além do uso de preservativos nas relações sexuais.

Já as hepatites B e C são transmitidas principalmente por sangue e fluidos corporais, o que exige atenção ao uso de materiais perfurocortantes, como seringas e alicates de unha, além de relações sexuais com proteção.

Tanto a vacinação quanto os testes para hepatites virais estão disponíveis gratuitamente nas unidades de saúde. A orientação é que a população mantenha a caderneta de vacinação atualizada e, em caso de dúvida, procure o posto de saúde mais próximo.

Via: G1

Santa Casa mantém tradição de sucesso e realiza 31ª Feijoada Solidária na Cidade da Saúde e do Saber

Santa Casa mantém tradição de sucesso e realiza 31ª Feijoada Solidária na Cidade da Saúde e do Saber - Foto: divulgação
Santa Casa mantém tradição de sucesso e realiza 31ª Feijoada Solidária na Cidade da Saúde e do Saber – Foto: divulgação

No último domingo (25), a Santa Casa de Misericórdia de Passos (MG) realizou a 31ª edição da Feijoada Solidária, na Cidade da Saúde e do Saber. O evento, já tradicional no calendário da instituição, voltou a reunir um grande público, reafirmando seu papel como uma das maiores celebrações solidárias da instituição.

Assim como em anos anteriores, a Feijoada atraiu centenas de pessoas em um domingo cheio de sabor, música e solidariedade. A renda arrecadada pelo evento é 100% destinada à finalização da obra, em andamento, do novo ambulatório oncológico da Cidade da Saúde e do Saber. Um projeto que fortalecerá o Hospital Regional do Câncer de Passos, ampliando os atendimentos oncológicos humanizados e de alta qualidade ofericidos pelo Hospital.

Criada em 1994, como um evento de confraternização entre os colaboradores da instituição, a Feijoada Solidária foi se consolidando como um elo entre a Santa Casa e a comunidade, e desde 2006 direciona seus esforços para apoiar o HRC, que hoje é referência em tratamento do câncer em todo o Sul e Sudoeste de Minas Gerais.

A edição deste ano contou com o apoio de centenas de voluntários, sob a coordenação do superintendente da Santa Casa, Daniel Porto Soares e sua esposa Cal Fajardo. Juntos, eles foram responsáveis por preparar e servir mais de 100 quilos de feijoada, garantindo um almoço especial para todos os presentes.

Além da gastronomia, o público pode prestigiar shows musicais da dupla Bruno César e Luciano e da banda Saudade da Zona, atrações musicais que animaram a tarde. O evento contou também com um leilão de prendas organizado pela equipe de captação de recursos da Santa Casa de Passos, que uniu a renda adquirida para complementar os custos da finalização da obra já citada.

Jornal Folha Regional
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