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Jornal Folha Regional

Prefeito de Sorocaba é afastado do cargo por suspeita de corrupção na saúde

Prefeito de Sorocaba é afastado do cargo por suspeita de corrupção na saúde – Foto: reprodução

O prefeito de Sorocaba (SP), Rodrigo Manga (Republicanos), afirmou que foi afastado do cargo nesta quinta-feira (6). A informação foi confirmada pelo gestor em vídeo publicado nas redes sociais.

“Pessoal, acreditem se quiser me afastaram do cargo de prefeito. Eu, aqui em Brasília, ontem fui em frente ao Palácio da Justiça, falei que tem que colocar o Exército na rua, rodei o Congresso, os deputados me receberam super bem, falando: ‘Manga, cuidado, você está aparecendo muito, estão tentando, o que a gente ouve de bastidores é que os caras tentam tirar do jogo qualquer um que ameaça a candidatura deles e você tem sido uma ameaça, tanto na questão do Senado quanto em outros cargos’. Gente, não deu outra. Hoje, um dia depois, de eu estar em frente ao Palácio da Justiça, onde foi falado do Exército lá, para por o Exército na rua, me afastaram”, disse Rodrigo Manga.

Em nota, a Prefeitura de Sorocaba informou que o vice-prefeito Fernando Martins da Costa Neto assumiu o cargo “até que os fatos sejam esclarecidos, garantindo a plena continuidade dos serviços públicos e o funcionamento regular da Administração Municipal”.

PF realiza operação em Sorocaba

Mais cedo, a PF (Polícia Federal) realizou uma operação para apurar irregularidades envolvendo a contratação de uma organização social sem fins lucrativos pela Prefeitura de Sorocaba. Contrato emergencial e termo de convênio estariam ligados à gestão de unidades de saúde no município.

Os investigadores cumpriram sete mandados de busca e apreensão e dois mandados de prisão preventiva, expedidos pelo Tribunal Regional Federal da 3ª Região.

A ação é uma nova fase da Operação Copia e Cola, deflagrada em abril deste ano.

Além dos mandados, a Justiça ainda determinou o sequestro e a indisponibilidade de cerca de R$ 6,5 milhões em bens de alguns dos investigados. Também foi ordenada a aplicação de medidas cautelares, como suspensão de função pública e proibição de contato com determinadas pessoas.

Segundo a PF, os investigados “poderão responder pelos crimes de corrupção ativa e passiva, peculato, fraude em licitação, lavagem de dinheiro, contratação direta ilegal e organização criminosa”.

Relembre a operação Copia e Cola

Em 10 de abril, a Polícia Federal deflagrou a primeira fase da operação Copia e Cola. Na ocasião, um dos alvos foi Rodrigo Manga, que ficou conhecido nacionalmente por vídeos curtos nas redes sociais sobre projetos em sua cidade.

População de Passos organiza manifestação pacífica por melhorias na saúde pública

População de Passos organiza manifestação pacífica por melhorias na saúde pública – Imagem: divulgação

Uma manifestação pacífica está marcada para o dia 31 de outubro, às 9h da manhã, em frente à Prefeitura de Passos (MG). O ato, organizado por moradores da cidade, busca chamar a atenção das autoridades para a crise na saúde pública, cobrando melhorias no atendimento, atenção à saúde mental e a implantação do Centro de Atendimento ao Diabético — uma demanda antiga da população.

Os organizadores orientam que todos os participantes compareçam vestindo roupas brancas.

Nas redes sociais, o movimento tem ganhado repercussão e dividido opiniões entre os passenses. Muitos veem na manifestação uma oportunidade de reivindicar direitos básicos e exigir respostas do poder público.

“Passou da hora do povo de Passos sair às ruas para lutar pelos seus direitos de cidadãos passenses”, escreveu uma internauta em apoio ao ato.

Outros, porém, demonstram descrença nas mudanças, alegando que os problemas na saúde se arrastam há anos.

“Infelizmente é em vão. Há quanto tempo estamos enfrentando crises na saúde e nada muda. Entra ano e sai ano e está do mesmo jeito”, desabafou outro morador.

Entre as vozes da comunidade, também há quem reconheça o empenho dos profissionais da saúde, destacando a importância do atendimento prestado por instituições como a Santa Casa de Passos.

“Se não fosse o atendimento na Santa Casa, eu já teria ido para o saco. Tive um AVC isquêmico e, em uma semana, estava andando novamente. Só tenho a agradecer aos médicos e enfermeiros pelo cuidado”, relatou um paciente nas redes.

A manifestação pretende ser pacífica e apartidária, reunindo cidadãos de diferentes bairros e realidades em torno de um objetivo comum: melhorar o acesso e a qualidade dos serviços de saúde em Passos.

Os participantes esperam que a mobilização gere visibilidade às demandas da população e pressione o poder público a apresentar medidas concretas para fortalecer a rede municipal de saúde e ampliar o atendimento especializado.

Santa Casa de Passos anuncia aquisição de tecnologia robótica para cirurgias ortopédicas

A Santa Casa de Passos (MG) anunciou, no último sábado (11), a chegada de um equipamento de última geração destinado a cirurgias ortopédicas robóticas. A aquisição representa um marco histórico para a instituição, que passa a integrar o seleto grupo de hospitais brasileiros com acesso a essa tecnologia de alta precisão.

O investimento foi viabilizado por meio de uma emenda parlamentar do deputado estadual Cássio Soares, reconhecido pelo apoio constante à Santa Casa e ao fortalecimento da saúde na região.

Em vídeo divulgado pela instituição, o deputado Cássio Soares, o provedor da Santa Casa, Dr. Vivaldo, e o superintendente geral, Daniel Porto Soares, destacaram a importância do novo equipamento. Eles ressaltaram que a tecnologia trará avanços significativos em inovação, precisão cirúrgica e qualidade no atendimento aos pacientes.

Com a chegada do robô cirúrgico, a Santa Casa de Passos dá mais um passo em direção a uma saúde regional mais moderna, segura e acessível, consolidando-se como referência em tecnologia médica no interior de Minas Gerais.

Global Forum Fronteiras da Saúde recebe Santa Casa de Passos em painéis sobre inovação e desafios da saúde pública

Global Forum Fronteiras da Saúde recebe Santa Casa de Passos em painéis sobre inovação e desafios da saúde pública – Foto: divulgação

A Santa Casa de Misericórdia de Passos marcou presença no Global Forum Fronteiras da Saúde, evento promovido pelo Instituto Lado a Lado pela Vida, realizado na última semana, que reuniu grandes especialistas e gestores do setor para discutir políticas públicas, inovação e o futuro da saúde no Brasil. 

Representando a instituição, o superintendente da Santa Casa de Passos, Daniel Porto Soares, participou de importantes painéis durante o fórum, contribuindo com a experiência e a visão da Santa Casa sobre os desafios enfrentados pelos hospitais filantrópicos e municípios brasileiros na promoção da saúde.

No dia 8 de outubro, Daniel integrou o painel “Cardiovascular e Câncer: Os Desafios dos Municípios”, que abordou as duas principais causas de morte no país e no mundo. O debate reuniu lideranças para discutir as dificuldades e oportunidades no enfrentamento dessas doenças no nível municipal, com foco em prevenção, diagnóstico e tratamento.

Já no dia 9 de outubro, o superintendente participou de mais dois painéis de destaque: “A Transformação Digital na Saúde” e “TOP 5 Cânceres: Presente e Futuro”. O primeiro apresentou experiências inovadoras em tecnologia aplicada à saúde e discutiu caminhos para ampliar o acesso à inovação no sistema público e o segundo reuniu gestores e especialistas para debater os principais tipos de câncer e as estratégias de gestão e cuidado voltadas para o futuro da oncologia.

A participação da Santa Casa no evento reforça o compromisso contínuo da instituição com a inovação, a gestão eficiente e o avanço das políticas públicas de saúde. Em nome do Instituto Lado a Lado pela Vida, a fundadora Marlene Oliveira agradeceu a participação e a contribuição dos convidados e destacou o empenho e a dedicação de todos na construção de um evento que promoveu importantes reflexões para o fortalecimento do sistema de saúde brasileiro.

Global Forum Fronteiras da Saúde recebe Santa Casa de Passos em painéis sobre inovação e desafios da saúde pública – Foto: divulgação
Global Forum Fronteiras da Saúde recebe Santa Casa de Passos em painéis sobre inovação e desafios da saúde pública – Foto: divulgação

Prefeitura de Passos destina mais de R$ 1 milhão para reduzir fila de exames na saúde pública

A Prefeitura de Passos (MG) anunciou um investimento de mais de R$ 1 milhão destinado ao fortalecimento da rede municipal de saúde. O anúncio foi feito pelo prefeito Diego Oliveira, por meio de um vídeo divulgado em suas redes sociais, nesta semana.

Segundo o chefe do Executivo, o recurso será aplicado, principalmente, na realização de exames de maior complexidade, como endoscopia, colonoscopia, ressonância magnética e tomografia, que registram maior demanda e tempo de espera entre os pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS).

“A saúde é algo fundamental que nós precisamos ter uma atenção especial. Pensando nisso, estou destinando pouco mais de um milhão para darmos um gás a mais nos nossos procedimentos mais complexos, principalmente naqueles que as pessoas têm esperado um pouco mais”, afirmou Diego.

O prefeito destacou que o aporte financeiro já começou a ser aplicado e tem como meta agilizar o atendimento à população. Ele também reconheceu as dificuldades enfrentadas pelo setor:

“Sabemos dos desafios. Saúde é algo emblemático que precisamos cuidar. Sabemos também que os recursos, muitas das vezes, são escassos, mas precisamos cuidar do nosso povo.”

Com o novo investimento, a administração municipal espera reduzir significativamente a fila de espera por exames e melhorar o acesso dos pacientes aos serviços de diagnóstico.

Jovem de São José da Barra integra equipe que avança em tratamento capaz de devolver movimento a pacientes com lesão na medula

Jovem de São José da Barra integra equipe que avança em tratamento capaz de devolver movimento a pacientes com lesão na medula – Foto: arquivo pessoal

A estudante Maria Eduarda Antunes Silva de Oliveira, de 21 anos, natural de São José da Barra (MG), é um dos talentos por trás de uma das pesquisas mais promissoras da neurociência brasileira. Aluna de Biofísica na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), onde ingressou aos 17 anos, Maria Eduarda faz parte do grupo que, após mais de duas décadas de trabalho, apresentou nesta terça-feira (9) resultados que reacendem a esperança de pacientes com lesões medulares. Filha de Giseli Antunes Silva e sobrinha do vereador Tiaguinho do Bolão, ela integra a equipe que colaborou diretamente nos estudos conduzidos no Instituto de Ciências Biomédicas da UFRJ.

Os cientistas revelaram que um tratamento experimental à base de polilaminina – uma proteína recriada em laboratório a partir de placentas humanas – conseguiu devolver movimentos a cães e a pessoas com lesões graves na medula espinhal. A descoberta começou em 1999, quando a pesquisadora Tatiana Sampaio, doutora e professora da UFRJ, percebeu que a laminina, proteína abundante na fase embrionária, poderia ser a chave para restabelecer a comunicação entre neurônios danificados.

Entre os relatos mais emocionantes está o de Bruno Drummond de Freitas, bancário que sofreu um acidente em 2018 e acordou tetraplégico após esmagamento de parte da medula cervical. Apenas duas semanas após receber a injeção experimental de polilaminina, Bruno moveu o dedão do pé – um gesto simples que simbolizou o primeiro sucesso prático da pesquisa. Hoje, ele anda com algumas limitações, mas conquistou independência e qualidade de vida.

O estudo, financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj), contou com a colaboração de neurocirurgiões, fisioterapeutas e estudantes como Maria Eduarda. Marco Aurélio de Lima, especialista com mais de 30 anos de experiência em cirurgias de coluna, participou do teste clínico com oito pacientes: seis apresentaram diferentes níveis de recuperação motora, incluindo casos surpreendentes como o de Nilma Palmeira de Melo, que voltou a ficar em pé contra todos os prognósticos.

Jovem de São José da Barra integra equipe que avança em tratamento capaz de devolver movimento a pacientes com lesão na medula – Foto: reprodução

Os avanços também foram testados em cães com lesões antigas: quatro de seis animais voltaram a se movimentar. O composto teve sua patente registrada após 18 anos de estudos e, em 2021, transformou-se em um medicamento apresentado agora por uma farmacêutica brasileira.

Para que o tratamento chegue aos hospitais, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) ainda precisa autorizar novos testes clínicos. Segundo Claudiosvan Martins, coordenador de pesquisa clínica da agência, as análises complementares são fundamentais para garantir a segurança da próxima fase. Especialistas reforçam que, embora o resultado seja promissor, é preciso cautela até a conclusão das etapas regulatórias.

Rússia diz que vacina contra câncer está ‘pronta para uso’; entenda por que anúncio é polêmico

Rússia diz que vacina contra câncer está ‘pronta para uso’; entenda por que anúncio é polêmico – Foto: reprodução

A chefe da Agência Federal de Medicina e Biologia (FMBA) da Rússia, Veronika Skvortsova, disse, na última semana, que uma vacina em desenvolvimento no país para câncer colorretal está “pronta para uso” após resultados positivos nos testes pré-clínicos. A dose, no entanto, é vista com certo ceticismo na comunidade científica pela ausência da publicação de dados em revistas científicas – todas as informações estão disponíveis apenas em comunicados do governo.

Segundo a agência de notícias estatal russa Tass, Skvortsova afirmou, durante o Fórum Econômico do Leste, na cidade de Vladivostok, que “a pesquisa (da vacina) durou vários anos, sendo os últimos três dedicados aos estudos pré-clínicos obrigatórios”, e que a dose “agora está pronta para uso, estamos aguardando a aprovação oficial”.

”Quando temos um novo medicamento, primeiro fazemos estudos pré-clínicos em laboratórios e/ou animais e, se tiver potencial, iniciamos os estudos clínicos em humanos, que são divididos em fases 1, 2 e 3. Muitas vacinas, por exemplo, têm bons resultados nas etapas iniciais, mas não passam na fase 3, porque têm muitos efeitos colaterais ou não são eficazes. Sempre que temos um novo produto precisamos passar por esse rigor para demonstrar segurança e eficácia. É isso que norteia a maior parte das agências reguladoras do mundo todo — explica Renato Kfouri, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm).

Os dados desses testes são geralmente publicados em revistas científicas, o que garante a confiabilidade das informações. Além disso, são encaminhados para a agência reguladora responsável, como a Anvisa no Brasil, que os avaliará para decidir sobre a aprovação ou não do novo medicamento.

No caso da vacina russa, porém, além de não haver dados publicados, a autoridade do país não especificou se o aval aguardado seria para o início dos testes clínicos em humanos, seguindo o protocolo necessário para uso na população, ou se seria diretamente para a aplicação em pacientes fora de estudos.

— Todos os dados deveriam ser compartilhados em revistas científicas, que são revisados por pares. É o que atesta a qualidade dos estudos e embasa as análises das agências. O que temos dificuldade aqui é com a transparência desses dados. Não sabemos como foram os estudos pré-clínicos, que moléculas são essas, como vão ser os testes clínicos. Países sérios cadastram todos os estudos clínicos na plataforma clinicaltrials, por exemplo — diz Kfouri.

No final do ano passado, porém, Skvortsova já havia dito que, com o fim dos testes pré-clínicos, eles estavam “prontos para começar a implementar esta vacina na prática já em 2025”. O próprio presidente russo, Vladimir Putin, já disse ter altas expectativas para o imunizante, que seria uma “inovação”.

À revista americana Newsweek, David James Pinato, médico oncologista e pesquisador clínico do Imperial College London, no Reino Unido, também afirmou que, baseado no que há disponível, do ponto de vista científico, é impossível compreender de fato em que estágio de desenvolvimento se encontra a vacina:

— Se os estudos em animais foram concluídos, a primeira autorização que poderia acontecer seria utilizar essa vacina no contexto de um ensaio clínico em ambiente de pesquisa, certamente não em uso clínico. Mas não consegui realmente encontrar muita informação sobre há quanto tempo esse tratamento vem sendo testado, onde os resultados foram apresentados, se houve algum tipo de revisão por pares desses resultados, se estamos convencidos de que esse tipo de tecnologia será realmente implementado em humanos.

A dose foi desenvolvida em conjunto por cientistas do Centro Nacional de Pesquisa em Epidemiologia e Microbiologia Gamaleya, do Instituto de Pesquisa Oncológica Hertsen de Moscou e do Centro de Pesquisa do Câncer Blokhin.

De acordo com Skvortsova, nos testes pré-clínicos a vacina foi segura e levou a uma redução no tamanho dos tumores e uma desaceleração na sua progressão, que teria variado de 60% a 80%, dependendo das características da doença. Além disso, a pesquisa teria indicado um aumento nas taxas de sobrevivência.

Inicialmente, o alvo da vacina é o câncer colorretal, também conhecido como câncer de intestino, mas a autoridade disse que há avanços promissores no desenvolvimento de versões para glioblastoma, um câncer cerebral grave, e melanoma, câncer de pele mais letal.

A dose utiliza a tecnologia de RNA mensageiro (RNAm), a mesma empregada nos imunizantes contra a Covid-19 e que vem sendo estudada por outras farmacêuticas para o combate a tumores. Porém, diferente de como foi com a Covid-19, trata-se de uma vacina terapêutica, e não preventiva. Isso porque induz a produção de anticorpos para combater o tumor, e não para evitar o desenvolvimento da doença.

Para isso, retira-se uma proteína (antígeno) do tumor de determinado paciente que, então, é utilizada na formulação de uma dose para apresentá-la ao sistema imunológico. Dessa forma, a vacina faz com que ele reconheça o material genético daquele câncer e produza defesas contra ele — algo que não acontece naturalmente porque as células cancerígenas têm uma capacidade de “se esconder” do sistema imune.

Outros laboratórios que também desenvolvem vacinas terapêuticas para o câncer com a tecnologia de RNAm têm publicado os resultados dos testes em revistas científicas. A mais avançada, na última etapa dos estudos, é uma contra o melanoma, câncer de pele mais agressivo, da americana Moderna em parceria com a MSD.

Dados da fase 2, publicados no The Lancet, mostraram que a vacina proporcionou uma redução de 49% no risco de morte ou recorrência, e de 62% no de morte ou metástase. Além disso, o laboratório americano está nos estágios finais dos estudos clínicos de uma vacina contra o câncer de pulmão de células não pequenas e de câncer de bexiga.

No Brasil, a Fiocruz também tinha um projeto de vacina para tratamento do câncer com RNAm, mas que foi pausado para direcionar o foco para a pandemia da Covid-19. Neste ano, os pesquisadores retomaram o estudo. Em estágio ainda muito inicial, já selecionaram proteínas de um tipo de câncer de mama.

Especialistas ouvidos pelo GLOBO avaliam que as primeiras doses contra o câncer devem receber uma aprovação no mundo até 2030, com base no andamento e na divulgação dos testes clínicos. A vacina russa, no entanto, não tem transparência em relação aos dados dos estudos ou a uma possível análise do órgão regulador do país.

Santa Casa de Passos confirma participação na Expo-Hospital Brasil 2025, o maior encontro da Saúde de Minas Gerais

Santa Casa de Passos confirma participação na Expo-Hospital Brasil 2025, o maior encontro da Saúde de Minas Gerais – Foto: divulgação

A Santa Casa de Passos (MG) está oficialmente confirmada como uma das instituições presentes na Arena Conexão Saúde, área de destaque da Expo-Hospital Brasil, o maior encontro do setor de saúde de Minas Gerais. O evento acontecerá de 23 a 25 de setembro de 2025, no moderno Expominas, em Belo Horizonte. 

A presença da Santa Casa de Passos reforça sua atuação ativa em iniciativas que promovem inovação, conhecimento e melhorias na gestão hospitalar. Instalado no Módulo 09 da arena, o hospital estará bem posicionado para receber colaboradores, profissionais do setor e demais participantes, permitindo uma interação direta com as últimas tecnologias e soluções em saúde.

A Expo-Hospital Brasil é reconhecida como referência no setor, reunindo um público altamente qualificado composto por gestores, diretores hospitalares, fornecedores, especialistas em tecnologia médica, infra-estrutura hospitalar e demais stakeholders do segmento. Ao longo de três dias, congressos, workshops e exposições oferecem um ambiente dinâmico para networking, aprendizado e fechamento de parcerias estratégicas.

Além do perfil técnico, o evento representa uma valiosa oportunidade para a Santa Casa de Passos reforçar sua visibilidade e estreitar relações no mercado de saúde de Minas Gerais, consolidando sua marca e fortalecendo seu posicionamento em inovação e qualidade assistencial.

Santa Casa de Passos confirma participação na Expo-Hospital Brasil 2025, o maior encontro da Saúde de Minas Gerais – Foto: divulgação

Vacina da dengue tem 67,5% de eficácia contra internação de adolescentes

Vacina da dengue tem 67,5% de eficácia contra internação de adolescentes – Foto: reprodução

Um estudo internacional comprovou a eficácia da vacina TAK-003, conhecida como Qdenda, no combate à dengue em adolescentes. A pesquisa foi conduzida no Brasil por pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul (UFMS) e foi publicada na terça-feira (19) na renomada revista científica The Lancet Infectious Diseases.

A vacina já foi aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para pessoas de quatro a 60 anos e introduzida no Sistema Único de Saúde (SUS) em 2023. Atualmente, ela é aplicada gratuitamente na população de 10 a 14 anos, faixa etária que concentra o maior número de hospitalizações por dengue após os idosos.

O estudo foi realizado durante a epidemia histórica de dengue que atingiu o país em 2024, matando mais de seis mil pessoas, segundo o Ministério da Saúde. Foram verificados mais de 92 mil testes de jovens na faixa etária em foco no estado de São Paulo. A pesquisa utilizou o método “teste-negativo” (padrão em estudos de vacinas) e cruzou dados de vigilância epidemiológica com registros de vacinação.

Segundo os resultados da pesquisa, uma única dose oferece 50% de proteção contra casos sintomáticos de dengue, e 67,5% contra hospitalizações. Já a segunda dose aumentou a eficácia contra sintomas para 61,7%, com proteção já a partir do oitavo dia após a aplicação da primeira dose.

Além disso, o trabalho confirmou que a vacina é eficaz contra os sorotipos 1 e 2, predominantes na epidemia de 2024. A análise pontuou, ainda, que a proteção da primeira dose diminuiu após 90 dias, trazendo à tona a necessidade de completar o esquema vacinal de duas doses para garantir a proteção prolongada.

Segundo Júlio Croda, pesquisador da Fiocruz Mato Grosso do Sul e coordenador do estudo, essa é a primeira evidência significativa, para além dos ensaios clínicos, de que a vacina TAK-003 é eficaz. “Isso pode salvar vidas e desafogar os hospitais durante epidemias”, afirma.

Na visão dos pesquisadores, com a expansão da dengue impulsionada pelas mudanças climáticas, a evidência brasileira pode influenciar políticas públicas e recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS) para uso da TAK-003 em campanhas emergenciais e proteção de viajantes para áreas endêmicas.

Hepatites virais causam mais de mil mortes em 2024 no Brasil

Hepatites virais causam mais de mil mortes em 2024 no Brasil – Foto: reprodução

O Brasil registrou em 2024 mais de 34 mil casos diagnosticados de hepatite viral, com cerca de 1,1 mil mortes diretas. A doença atinge o fígado e pode ser causada por cinco sorotipos de vírus: A, B, C, D e E.

Os tipos mais prevalentes no Brasil são o B e C e a maior parte dos casos é crônica: o vírus permanece silencioso dentro do organismo por décadas, causando danos acumulados no órgão, até provocar quadros graves como fibrose cística, cirrose ou mesmo câncer, e só então desenvolve sintomas.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) estabeleceu como meta a redução da incidência de hepatite B e V em 90%, com redução de 65% da mortalidade até 2030. Por isso, o dia de hoje – 28 de julho – foi eleito como Dia Mundial de Luta Contra as Hepatites Virais.

Prevenção

“A boa notícia é que as hepatites virais podem ser prevenidas, como explica o infectologista Pedro Martins, professor da Afya Educação Médica. “Geralmente dividimos as Hepatites A e E como hepatites de transmissão fecal-oral, ao levar água ou alimentos contaminados com fezes à boca, enquanto as hepatites B, C e D são de transmissão parenteral, ocorrendo predominantemente a partir do contato com sangue contaminado, ao compartilhar objetos de uso pessoal como alicates de unha, lâminas de barbear ou escovas de dentes ou durante o sexo desprotegido. A Hepatite A pode ser transmitida no sexo oral onde há contato da boca com o ânus e as Hepatites B, C e D, durante a penetração”, afirma..

Outra importante forma de prevenção é a vacinação. Atualmente, o Sistema Único de Saúde disponibiliza gratuitamente as vacinas contra a hepatite A e B, mas a segunda também protege contra o vírus do tipo D, já que ele só infecta quem tem hepatite B. Os dois imunizantes fazem parte do calendário básico de vacinação das crianças.

A primeira dose da vacina contra a hepatite B deve ser tomada logo após o nascimento, e outras três doses são administradas aos 2, 4 e 6 meses de vida. Gestantes também devem se vacinar, caso não possam comprovar que foram devidamente imunizadas, porque a doença pode ser transmitida durante a gravidez, parto ou amamentação.

Casos têm queda

A vacinação tem contribuído para a diminuição dos casos. Em 2013 a taxa de detecção de hepatite B a cada 100 mil habitantes era de 8,3 e caiu para 5,3 em 2024. De acordo com o vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunização, Renato Kfouri, a erradicação da doença é possível caso o país consiga manter altos índices de vacinação.

“Não há reservatório do vírus da hepatite B que não seja o ser humano. Então, você consegue, através da vacinação em 100%, eliminar a criação de novos portadores crônicos, e com isso, consequentemente não tem mais onde se infectar pelo vírus B. A partir da introdução da vacina na pediatria, nós estamos acumulando pessoas vacinadas ao longo do tempo, e já temos aí mais de 30 anos anos de vacinação aqui no Brasil, então, a gente caminha para uma geração sem vírus de hepatite B, que é uma vacina altamente eficaz”, assegura Kfouri.

Eficácia da vacina

A vacina contra a hepatite A também demonstrou sua eficácia. Em 2013, 903 crianças menores de 5 anos foram infectadas pelo vírus no Brasil. A partir de 2014, com a entrada no imunizante no calendário básico infantil, houve redução consistente de novas infecções, e, em 2024, apenas 16 casos foram registrados nesse público, uma redução de mais de 98%.

No entanto, os casos vêm subindo na faixa etária entre 20 e 39 anos, especialmente entre homens. Após o Ministério da Saúde identificar surtos da doença entre a população de homens que fazem sexo com homens, em maio deste ano, a vacinação foi ampliada para os usuários de PrEP (profilaxia pré-exposição).

Infelizmente, ainda não há vacina para a hepatite C, tipo mais comum e com maior letalidade de hepatite viral. Em 2024, o Brasil anotou 19.343 novos diagnósticos da doença e 752 óbitos diretos. Mas a infecção pode ser confirmada por testes de laboratório e tratada com antivirais que tem taxa de cura superior a 95%.

“Quando o tratamento consegue ser iniciado de forma oportuna, as consequências são mínimas. Mas quando a infecção permanece por anos sem tratamento, pode evoluir para cirrose hepática e câncer de fígado, mesmo naquelas pessoas que não tem hábito de consumir bebidas alcoólicas”, afirma o infectologista Pedro Martins. 

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