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Jornal Folha Regional

Vacina contra a dengue: veja quando começa o calendário nacional

Vacina contra a dengue: veja quando começa o calendário nacional – Foto: reprodução

Dourados, em Mato Grosso do Sul, se tornou na última quarta-feira (3) a primeira cidade do mundo a iniciar um processo de vacinação em massa contra a dengue. Isso só foi possível graças à parceria com a farmacêutica Takeda.

O Brasil passará a adotar só no mês que vem a vacina como parte do calendário nacional. A previsão é de que cerca de 3,1 milhões de pessoas possam ser vacinadas neste primeiro ano da campanha, já que a Takeda conseguirá entregar cerca de 6,2 milhões de doses em 2024 – 1,2 milhão por meio de doação e 5 milhões pelo contrato de compra – e o esquema vacinal completo envolve duas doses.

A prefeitura local divulgou que a primeira dose foi aplicada em Francisleine Costa, mãe do adolescente Julio Cesar da Costa, de 15 anos, que morreu de dengue em 2023. “Meu filho foi enterrado no dia do aniversário. Agora a vacina veio e eu estou fazendo campanha para que todos se vacinem para que não passem pela mesma dor. Estou contente por Dourados ser a primeira cidade a prestar esse serviço ao público.”

A gestão municipal relatou alta procura no primeiro dia de imunização. Foram distribuídas inicialmente 90 mil doses do imunizante Qdenga. Mas a farmacêutica garantiu o oferecimento de 150 mil doses, suficientes para todos os douradenses entre 4 e 59 anos.

A imunização faz parte de um projeto da farmacêutica em parceria com o pesquisador Julio Croda, da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), que busca avaliar a proteção conferida fora de laboratório, em uma população real. “É um quantitativo de 300 mil doses disponíveis que vence em agosto deste ano e serão utilizadas para esse estudo, o primeiro do tipo para essa vacina a nível mundial”, afirmou Croda ao jornal O Globo. A Takeda, por sua vez, afirmou que a iniciativa teve início antes mesmo da compra de doses pelo governo federal.

Prevalência

Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) sobre o número de casos de dengue em 2023, divulgado pelo Estadão há dez dias, apontam o Brasil como o país com maior incidência da doença. Ao todo, foram 2,9 milhões de casos até 11 de dezembro – mais da metade dos mais de 5 milhões registrados mundialmente. De acordo com a entidade, vive-se um patamar histórico para a dengue.

A OMS alertou sobre o fato de a doença também ter se espalhado para países onde historicamente não circulava, como França, Itália e Espanha. Entre as razões para a disseminação está a crise climática, que tem elevado a temperatura mundial e permitido que o mosquito transmissor da dengue, o Aedes aegypti, sobreviva em ambiente onde antes isso não ocorria – dessa maneira, ele consegue se reproduzir cada vez mais.

O fenômeno El Niño, que chegou agora ao seu auge, também acentuou os efeitos do aquecimento global das temperaturas e das alterações climáticas, e a previsão é de que seus efeitos, incluindo ondas de calor inéditas, persistam até maio ou junho. O Ministério da Saúde do Brasil já projeta um aumento de casos da doença neste ano – e, por isso, adotará a aplicação da vacina de forma geral, algo também inédito no mundo.

Mortes

Os dados da OMS alertam, ainda, para o número de casos graves da dengue: ao todo, 5 mil pessoas morreram pela doença neste ano em todo o mundo. No Brasil, 1.474 casos, ou 0,05% do total de registros, são da versão hemorrágica, que pode matar.

UFMG busca voluntários de até 85 anos para vacina da covid: ‘ou a pesquisa para’

UFMG busca voluntários de até 85 anos para vacina da covid: ‘ou a pesquisa para’ – Foto: reprodução

A vacina SpiN-TEC – contra a Covid-19 e a única 100% brasileira a chegar à fase de testes em humanos – precisa de voluntários para continuar avançando. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) liberou a pesquisa para mais uma bateria de testes. Para isso, a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) procura homens e mulheres de 18 a 85 anos que atendam aos critérios de seleção (veja lista abaixo). São necessários novos 360 participantes. “Se os voluntários não aparecerem, a pesquisa para”, alerta Helton Santiago, diretor clínico do CTVacinas.

Este é o último estágio de testagem da vacina antes que ela possa, finalmente, chegar aos braços dos brasileiros. Os testes clínicos (ou seja, em humanos) funcionam em três fases. A primeira já foi superada pela SpiN-TEC, que se mostrou segura e eficaz. “A pesquisa clínica não se faz sem os voluntários. É muito importante que as pessoas que queiram contribuir com a ciência, que queiram contribuir com o desenvolvimento científico brasileiro, se voluntariem”, reforça Santiago.

Critérios para participação como voluntário da SpiN-TEC:

  • possuir entre 18 e 85 anos;
  • ter recebido as doses iniciais de CoronaVac ou AstraZeneca, além do reforço com Pfizer ou AstraZeneca antes de maio (ou seja, há pelo menos 6 meses);
  • não ter contraído covid-19 ou contraído a doença no máximo até maio (ou seja, há pelo menos 6 meses);
  • ter disponibilidade para participar de acompanhamentos presenciais em Belo Horizonte.
  • pessoas com doenças crônicas controladas (como hipertensão, diabetes e outras) podem se inscrever – passarão por uma avaliação médica para conferir se podem ou não participar dos testes clínicos, assim como todos os inscritos.

Quero participar. Como me inscrevo? 

Caso você atenda a todos os critérios, faça a sua inscrição aqui. Se preferir, pode ligar ou chamar no WhatsApp pelo número (31) 9 9972-0292 – ou, ainda, ligar no telefone (31) 3401-1152.

Quando começa a terceira e última fase?

Nesta segunda etapa, a SpiN-TEC passa por comprovações de segurança  e de imunogenicidade (capacidade de provocar uma resposta imune no corpo). As expectativas, segundo o coordenador dos testes clínicos da SpiN-TEC, Helton Santiago, são de que o recrutamento e vacinação dos 360 voluntários termine em fevereiro de 2024.

(com assessoria da UFMG)

Vacina Calixcoca, contra a dependência de cocaína e crack, desenvolvida com apoio da Fapemig, vence Prêmio Euro

Vacina Calixcoca, contra a dependência de cocaína e crack, desenvolvida com apoio da Fapemig, vence Prêmio Euro – Foto: divulgação

A pesquisa da vacina Calixcoca, solução terapêutica contra a dependência de cocaína e crack, é a iniciativa destaque da segunda edição do Prêmio Euro Inovação na Saúde. A cerimônia de entrega foi realizada na noite da última quarta-feira (18), em São Paulo. 

A equipe da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) conquistou a premiação de 500 mil euros (cerca de R$ 2,6 milhões). O prêmio é organizado pela multinacional farmacêutica Eurofarma, que atua em mais de 20 países.

O coordenador da pesquisa, professor Frederico Garcia, do Departamento de Psiquiatria da Faculdade de Medicina, agradeceu à sociedade brasileira que apoiou a campanha. “Desenvolver ciência na América Latina não é fácil. A UFMG é, hoje, uma universidade que está fazendo a diferença. Só temos a agradecer o apoio da nossa reitora, Sandra Regina Goulart Almeida, e do nosso pró-reitor de Pesquisa, Fernando Reis”, celebrou. 

Mais votada por médicos de 17 países, a Calixcoca superou outras 11 iniciativas inovadoras no campo da saúde desenvolvidas na América Latina, entre elas a SpiN-Tec, vacina contra a covid-19 (também da UFMG), e o fitoterápico para tratamento da diabetes mellitus e obesidade, desenvolvido na Universidade de Uberaba (Uniube). Ambos foram agraciados com 50 mil euros por terem ficado entre os finalistas.  

Todas as três pesquisas receberam apoio do Governo de Minas, por meio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig), para o seu desenvolvimento. Em julho, o secretário de Saúde de Minas Gerais, Fábio Baccheretti, também anunciou o aporte de R$ 10 milhões para avanços no projeto da Calixcoca durante visita da ministra Nísia Trindade à UFMG. A vacina também conta com financiamento do Governo Federal e com verbas de emendas parlamentares.  

Inovação

Em entrevista concedida à Fapemig, Frederico Garcia, coordenador do projeto, destacou as inovações da pesquisa. 

Uma delas é a utilização de uma molécula sintética como plataforma de vacinas. “As vacinas convencionais normalmente utilizam plataforma proteica, que pode ser uma proteína de vírus ou bactéria. A gente dá um passo importante ao usar uma molécula totalmente sintética para fazer uma plataforma vacinal. Existem vantagens: você controla todo ciclo de produção de maneira mais simples; tem um custo menor do que as vacinas proteicas; não precisa de cadeia fria para transporte e nem de refrigeração para a estocagem”, destaca. 

Segundo o pesquisador, outra vantagem, quando comparada a vacina anticocaína em desenvolvimento nos Estados Unidos, é que o resultado obtido pela equipe é melhor do ponto de vista de quantidade de anticorpos produzidos, o que, acredita-se, vá se manter em humanos também. Garcia salienta, ainda, a comprovação, pelos estudos pré-clínicos, da segurança e da eficácia do imunizante. “A vacina é uma solução que propicia aos pacientes com dependência voltar a realizar seus sonhos. O próximo passo é iniciar os estudos com humanos”, diz.

Dependência

No discurso de agradecimento, o professor ressaltou o compromisso com os pacientes que sofrem com a dependência química. “Sabemos como é difícil ter uma pessoa dependente em casa, como é sofrido para um acometido pela dependência ter que lidar com a ambivalência de usar ou não droga e como é ainda mais difícil para uma gestante dependente proteger seu feto e lidar com a dor da abstinência. Temos a missão de cuidar dessas questões”, finalizou. 

Além de Frederico Garcia, os estudos reúnem os professores Maila de Castro, da Faculdade de Medicina, Gisele Goulart, da Faculdade de Farmácia, Ângelo de Fátima, do Instituto de Ciências Exatas, e os pesquisadores Paulo Sérgio de Almeida, Raissa Pereira, Sordaini Caligiorne, Brian Sabato, Bruna Assis, Larissa do Espírito Santo e Karine Reis, vinculados ao Núcleo de Pesquisa em Vulnerabilidade e Saúde (NAVeS).

Confira a cerimônia transmitida pelo canal da Eurofarma Brasil no YouTube.

https://www.youtube.com/watch?v=Kg2CRAznKoI&ab_channel=EurofarmaBrasil

Começam os testes de nova possível vacina contra o HIV em humanos

Vacina contra o HIV é testada em humanos — Foto: RF._.studio/Pexels/Reprodução

Uma nova vacina experimental contra o vírus da imunodeficiência humana (HIV) começa a ser testada em humanos, conforme anunciou, na quarta-feira (20), a companhia norte-americana de imunologia Vir Biotechnology. A empresa espera ter os dados iniciais do teste de fase 1 no segundo semestre de 2024.

“O primeiro participante foi dosado em um ensaio de fase 1 avaliando a segurança, reatogenicidade (capacidade de gerar reação) e imunogenicidade (resposta imune ao corpo) do VIR-1388, uma nova vacina experimental de células T para a prevenção do vírus da imunodeficiência humana (HIV)”, disse a Vir Biotechnology.

O imunizante VIR-1388 é baseado na plataforma vetorial do citomegalovírus humano (HCMV) e foi projetado para estimular o corpo a produzir células imunológicas conhecidas como células T, que reconhecem várias proteínas do HIV de uma forma diferente em relação às vacinas contra o HIV pesquisadas anteriormente.

“O VIR-1388 foi desenvolvido usando aprendizados aplicados do VIR-1111, a vacina experimental inicial de células T do HIV com prova de conceito da empresa, baseada no HCMV”, relatou a companhia.

“O HIV continua a ser um grande desafio de saúde pública global, sem vacinas aprovadas, apesar de décadas de esforços de investigação”, disse Carey Hwang, vice-presidente sênior de investigação clínica da Vir Biotechnology.

“O início do nosso primeiro ensaio clínico avaliando o VIR-1388 é um marco importante na nossa busca pelo desenvolvimento de uma vacina contra o HIV, e estamos gratos a todos os nossos parceiros pelo seu apoio a este ensaio de fase 1.”

O ensaio é apoiado pelo Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas (NIAID), parte dos Institutos Nacionais de Saúde e pela Fundação Bill & Melinda Gates.

O NIAID forneceu financiamento durante todo o ciclo de vida de desenvolvimento do produto VIR-1388, enquanto a fundação apoiou o desenvolvimento da empresa de terapias para o tratamento do HIV, a prevenção da tuberculose e a prevenção da malária.

O que se avalia na fase 1

O ensaio de fase 1 randomizado, duplo-cego e controlado por placebo está avaliando a segurança, reatogenicidade e imunogenicidade de três doses diferentes de VIR-1388 em comparação com placebo, segundo a empresa. Ele será realizado em locais nacionais e internacionais dentro da rede de ensaios de vacinas contra o HIV, financiado pelo governo federal.

Será testado, inicialmente, em um grupo menor para avaliar os possíveis efeitos colaterais graves. Cerca de 100 pessoas devem ser divididas em grupos, com três deles recebendo dosagens diferentes e um quarto, tomando placebo.

“O ensaio foi concebido para inscrever aproximadamente 95 participantes com idades entre 18 e 55 anos que não vivem com HIV, com anticorpos específicos para o HCMV existentes e com boa saúde geral, conforme determinado pelo histórico médico, exame físico e testes laboratoriais”, completou a Vir Biotechnology.

Um estudo opcional de acompanhamento de longo prazo aumentará a participação no estudo por até três anos após a primeira dose ser administrada no participante.

Vetor HCMV

O vetor HCMV é uma versão enfraquecida do vírus projetada para entregar o material da vacina contra o HIV ao sistema imunológico sem causar doença nos participantes do ensaio. Ele está presente em grande parte da população global há séculos. A maioria das pessoas que vivem com HCMV não apresentam sintomas e não sabem que têm o vírus.

“O HCMV permanece detectável no corpo durante toda a vida, o que sugere que tem potencial para transmitir e depois ajudar com segurança o corpo a reter o material da vacina contra o HIV durante um longo período de tempo, superando potencialmente a diminuição da imunidade observada com vetores de vacina de vida mais curta”, explicou a empresa.

De acordo com o Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/AIDS (UNAIDS), aproximadamente 1,5 milhões de pessoas foram recentemente infectadas pelo HIV e cerca de 650 mil pessoas em todo o mundo morreram de causas relacionadas com a Aids em 2021.

Anvisa autoriza novos testes da 1ª vacina 100% nacional contra a Covid

Anvisa autoriza novos testes da 1ª vacina 100% nacional contra a Covid – Foto: reprodução

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou na última sexta-feira (1º), o início de uma nova etapa do ensaio clínico com a SpiN-Tec – a primeira vacina 100% nacional contra a covid-19, desenvolvida pelo Centro de Tecnologia de Vacinas (CTVacinas) da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). O objetivo é que o imunizante esteja disponível até o fim de 2024.

Em nota, a Anvisa informou que o início da primeira fase do ensaio clínico foi autorizado pela agência em outubro do ano passado e, com base nos resultados preliminares de segurança e imunogenicidade obtidos, foi autorizado o prosseguimento do teste. “O objetivo dessa nova fase é obter dados adicionais de segurança e imunogenicidade, utilizando a dose que apresentou o melhor desempenho na primeira fase”, informa a nota.

Nessa nova fase serão incluídas 372 pessoas saudáveis de ambos os sexos, com idade entre 18 e 85 anos, que já tenham completado o esquema vacinal primário contra a covid-19 e pelo menos uma dose de reforço há pelo menos seis meses. Pessoas que tiveram covid-19 há pelo menos seis meses também podem participar do estudo.

O ensaio clínico, de acordo com a Anvisa, está sendo realizado em três centros em Belo Horizonte: na Faculdade de Medicina da UFMG, no Centro Freire de Pesquisa Clínica e no Centro Infection Control. A segunda etapa vai começar tão logo os voluntário sejam reunidos pelos centros de pesquisa.

Os resultados da primeira fase de testes da SpiN-Tec foram divulgados pela Fiocruz em maio deste ano. Os dados preliminares não indicaram problemas de segurança e apontaram resposta imunológica ao vírus.

A vacina SpiN-Tec consiste na fusão de duas proteínas (S e N), que resultam em uma proteína quimera. Essa associação confere à nova vacina um diferencial em relação aos demais imunizantes, que contemplam apenas a proteína S. Desta forma, os desenvolvedores do novo imunizante esperam oferecer uma proteção mais ampla contra possíveis novas variantes.

Vacina contra a dengue deve chegar ao SUS até final de 2025, diz secretário de Saúde de MG

Vacina contra a dengue deve chegar ao SUS até final de 2025, diz secretário de Saúde de MG – – Foto: Fábio Baccheretti / redes sociais

O secretário de Saúde de Minas Gerais, Fábio Baccheretti, projeta que a vacina contra a dengue deve chegar ao Sistema Único de Saúde (SUS) até o final de 2025. A informação foi repassada a ele durante reunião do Ministério da Saúde com o Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass). A entidade é presidida pelo secretário mineiro.

De acordo com Baccheretti, há uma negociação em curso para a compra da vacina da farmacêutica Takeda. Porém, o custo atual é de R$ 180 por dose, valor considerado “muito caro” pelo secretário. Outra alternativa é a vacina em desenvolvimento pelo Instituto Butantan, cuja perspectiva é que esteja pronta até o fim de 2025.

“A expectativa é que [seja disponibilizada a vacina à população] no final de 2025, se avançar a vacina do Butantan. Se conseguirmos um valor menor para essa vacina da Takeda, a gente pode conseguir incorporar isso antes”, afirmou Baccheretti, citando 2024 como horizonte.

O secretário de Saúde avalia que a vacina contra a dengue vai mudar o panorama de enfrentamento à doença, reduzir internações e óbitos e diminuir os custos para o poder público. Ele ressalta, no entanto, que há outras “armas” para enfrentar a dengue.

“Em Minas, por exemplo, temos mosquitos com a bactéria Wolbachia. A biofábrica está sendo construída e deverá ficar pronta em agosto do próximo ano. Também temos a atuação de drones para aplicação de larvicida em vários locais do estado”, concluiu o secretário. (Itatiaia)

Governo de Minas vai investir R$ 10 milhões em vacina para o tratamento de cocaína e crack

Governo de Minas vai investir R$ 10 milhões em vacina para o tratamento de cocaína e crack – Foto: Fábio Marchetto

O Governo de Minas Gerais, por meio da Secretaria de Estado de Saúde (SES-MG), anunciou na manhã desta sexta-feira (21) o investimento de R$ 10 milhões para a pesquisa da Calixcoca, vacina terapêutica para o tratamento da dependência de cocaína e crack que vem sendo desenvolvida pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) desde 2015.

O anúncio foi feito durante evento realizado no campus Pampulha da universidade, em Belo Horizonte, em visita da ministra da Saúde, Nísia Trindade, que contou com a presença da reitora da UFMG, Sandra Regina Goulart Almeida, do prefeito de Belo Horizonte, Fuad Noman, do secretário Nacional de Atenção Especializada à Saúde, Helvécio Miranda Magalhães, e do secretário Municipal de Saúde, Danilo Borges Matias, além de deputados, gestores públicos e servidores da instituição federal.

“Serão R$ 10 milhões disponibilizados à UFMG para que não percamos tempo e a universidade consiga iniciar as pesquisas clínicas em humanos, a fim de disponibilizar o mais breve possível para a população brasileira essa vacina tão fundamental e inovadora. Minas Gerais tem muito que se orgulhar”, comemorou o secretário de Estado de Saúde, Fábio Baccheretti.

Ele também destacou que o Governo de Minas já investiu R$ 30 milhões para a construção do Centro Nacional de Vacinas (CNVacinas) no Parque Tecnológico de Belo Horizonte (BHTec) e reforçou a importância de mais um investimento na viabilização de pesquisas de novas vacinas.

Durante sua visita, a ministra da Saúde, Nísia Trindade, também anunciou um investimento de R$ 180 milhões para as políticas de saúde em Minas Gerais, além da retomada do programa Mais Médico no estado e novos aportes para o Samu 192.

“Essa é uma visita para a construção de uma agenda de trabalho envolvendo a gestão do estado, município e Ministério da Saúde em conjunto com as instituições de ciência e tecnologia do estado e as instituições do Sistema Único de Saúde”, salientou a ministra.

“Queremos, sobretudo, pensar num futuro em que possamos avançar para o financiamento adequado do nosso Sistema Único de Saúde e para a integralidade, reforçando o cuidado com a saúde de toda a população, a integração entre atenção primária e atenção especializada e o fortalecimento do grupo executivo do Complexo Econômico Industrial da Saúde”, concluiu Trindade.

Nova vacina contra a dengue chega a laboratórios em BH; veja quanto custa

Nova vacina contra a dengue chega a laboratórios em BH; veja quanto custa – Foto: divulgação

A nova vacina contra a dengue chegou a laboratórios privados de Belo Horizonte e está disponível para pessoas de quatro a 60 anos. A novidade do imunizante, chamado Qdenga, é que ele pode ser aplicado em pessoas que nunca tiveram dengue, diferentemente da vacina que já existia para quem teve a doença alguma vez na vida, a Dengvaxia. A Qdenga chega em um momento preocupante em Minas Gerais. O Estado registrou 139 mortes por dengue em 2023 até o final de junho, mais do que o dobro de todo 2022.

A nova vacina contra a dengue é aplicada em duas doses, com intervalo de três meses entre elas, e o combo tem uma eficácia de 80,2% contra a infecção. Ela foi aprovada em março pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e ainda não tem data para ser incorporada ao Sistema Único de Saúde (SUS).

O epidemiologia do Hermes Pardini, José Geraldo Ribeiro, explica o mecanismo da Qdenda: “Indivíduos residentes em áreas endêmicas podem, ao longo de suas vidas, ser infectados pelos quatros tipos de vírus. Essa nova vacina é composta por versões atenuadas desses sorotipos do vírus causador da dengue. Ou seja, nela, estão vírus vivos enfraquecidos. Depois da aplicação, o sistema imunológico identifica esses sorotipos atenuados como estranhos e começa a produção de anticorpos contra eles. Quando a pessoa for exposta ao vírus, o sistema imunológico vai reconhecê-lo e pode produzir mais anticorpos para neutralizar o agente infeccioso antes que ele cause a dengue”.

Quem teve dengue também pode receber a vacina. Ela não protege contra os vírus Zika e Chikungunya, também transmitidos pelo mosquito Aedes aegypti. O imunizante é contraindicado para pessoas imunossuprimidas — que vivem com HIV, por exemplo —, gestantes e quem estiver amamentando. 

Confira o preço da nova vacina contra a dengue em BH

Laboratório São Marcos

  • R$ 465 cada dose, em até sete vezes no cartão de crédito, ou R$ 900 o pacote com as duas doses.

Laboratório Lustosa

  • R$ 441 cada dose em até cinco vezes no cartão de crédito.

Laboratório Hermes Pardini

  • R$ 484,00 cada dose e R$ 890 o pacote com as duas doses, dividido em dez vezes sem juros.

Laboratório Axial

  • R$ 399 cada dose.

Nova vacina contra a dengue chega ao Brasil na próxima semana

A Associação Brasileira de Clínicas de Vacinas (ABCVAC) informou que uma nova vacina contra a dengue deve chegar ao Brasil na próxima semana. Composta por quatro diferentes sorotipos do vírus causador da doença, a Qdenga, da empresa Takeda Pharma Ltda., foi aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em março. De acordo com o órgão regulador, a dose confere ampla proteção contra a dengue.

Em nota, a ABCVAC informou que o preço da vacina, disponível inicialmente apenas em laboratórios particulares, deve variar entre R$ 350 e R$ 500 para o consumidor final, dependendo do estado. Em São Paulo, por exemplo, o Preço Máximo ao Consumidor (PMC) autorizado pela Anvisa para as clínicas é R$ 379,40.

“As clínicas devem utilizar esse parâmetro na composição da sua precificação final, que também inclui o atendimento, a triagem, a análise da caderneta de vacinação, as orientações pré e pós-vacina, além de todo o suporte que os pacientes necessitam para se informar corretamente sobre a questão da vacinação”, destacou a ABCVAC.

Indicação

De acordo com a Anvisa, a vacina é indicada para crianças acima de 4 anos de idade, adolescentes e adultos até 60 anos de idade. A Qdenga, portanto, é a primeira dose aprovada no Brasil para um público mais amplo, já que o imunizante aprovado anteriormente, a Dengvaxia, só pode ser utilizado por quem já teve dengue.

A nova vacina estará disponível para administração via subcutânea em esquema de duas doses, com intervalo de três meses entre as aplicações.

“A concessão do registro pela Anvisa permite a comercialização do produto no país, desde que mantidas as condições aprovadas. A vacina, contudo, segue sujeita ao monitoramento de eventos adversos, por meio de ações de farmacovigilância sob a responsabilidade da empresa”, informou.

A eficácia contra a dengue para todos os sorotipos combinados entre indivíduos soronegativos (sem infecção anterior pelo vírus) foi de 66,2%. Já para indivíduos soropositivos (que tiveram infecção anterior pelo vírus), o índice foi de 76,1%.

“A demonstração da eficácia da Qdenga tem suporte principalmente nos resultados de um estudo de larga escala, de fase 3, randomizado e controlado por placebo, conduzido em países endêmicos para dengue com o objetivo de avaliar a eficácia, a segurança e a imunogenicidade da vacina”, informou a Anvisa.

Vacina Calixcoca da UFMG promete tratar dependência de cocaína e crack

A Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) está desenvolvendo uma vacina chamada Calixcoca, que promete ser eficaz no tratamento da dependência de cocaína e seus derivados, como o crack. A pesquisa, em andamento desde 2015, já fez testes pré-clínicos em ratos, nos quais foi observada a produção de anticorpos anticocaína no organismo dos animais. Atualmente, os cientistas buscam recursos para dar início aos estudos em humanos.

Os testes em ratos mostraram que os anticorpos produzidos pela Calixcoca impedem, por meio de uma molécula sintética, que a cocaína atravesse a barreira hematoencefálica dos pacientes, evitando assim que a substância atinja o sistema nervoso central e o cérebro. Frederico Garcia, pesquisador responsável pelo desenvolvimento da vacina anticocaína e professor do Departamento de Saúde Mental da Faculdade de Medicina da UFMG, acredita que, em humanos, esse efeito possa impedir a percepção dos efeitos da droga e, consequentemente, a compulsão pelo seu consumo.

A Calixcoca é uma das finalistas do Prêmio Euro de Inovação em Saúde – América Latina, promovido pela farmacêutica Eurofarma, que concederá 500 mil euros ao grande destaque desta edição. Além disso, outros 11 premiados também receberão 50 mil euros para continuar suas pesquisas.

Proteção de gestantes

A vacina também demonstrou eficácia na proteção de gestantes, reduzindo abortos espontâneos e possibilitando o ganho de peso dos fetos, além de protegê-los da dependência adquirida pela mãe. Frederico Garcia explica que os filhotes apresentavam anticorpos anticocaína no sangue, transmitidos pela placenta e pelo leite materno. Eles não demonstraram sinais de abstinência e eram menos sensíveis à cocaína em comparação aos filhotes de animais não vacinados.

A ideia para desenvolver a vacina surgiu do sofrimento de gestantes dependentes de crack que procuravam atendimento na universidade. Garcia e Angelo de Fátima, do departamento de Química da UFMG, trabalharam juntos na criação da nova molécula que está sendo desenvolvida.

A Calixcoca possui uma molécula inovadora, diferente de outras vacinas similares em desenvolvimento por instituições como a John Cristal e a Georg Koob, ambas nos Estados Unidos. A molécula sintética não proteica facilita e barateia a produção, além de simplificar a cadeia logística por não exigir cadeia fria. Garcia menciona que já foi contatado por pesquisadores de outros países interessados em parcerias.

A plataforma utilizada pela vacina da UFMG também pode ajudar no tratamento da dependência de outras drogas. Há projetos para vacinas contra opioides e metanfetaminas, mas os recursos ainda estão sendo buscados.

Dados do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNOD) indicam que, dos cerca de 275 milhões de usuários de crack e cocaína em todo o mundo, 36 milhões sofrem de transtornos associados ao uso dessas substâncias. No Brasil, a cocaína e o crack representam 11% de todos os tratamentos de dependência, sendo a maior parcela entre as drogas ilegais.

Frederico Garcia acredita que a vacina Calixcoca poderá auxiliar no tratamento e recuperação de pessoas dependentes e suas famílias, impactadas por essa grave doença.

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