
Os registros de violência contra a mulher seguem elevados no Sul de Minas em 2025 e, embora algumas cidades apresentem queda, o cenário regional ainda inspira atenção. Em Passos, dados oficiais apontam 900 ocorrências de violência doméstica e familiar contra mulheres entre janeiro e outubro deste ano. O número representa uma redução de 16 casos em comparação com o mesmo período de 2024, mas ainda mantém o município entre aqueles com maior volume absoluto de registros na região.
Em Passos, os crimes mais frequentes continuam sendo agressão física, lesão corporal, ameaça e violência psicológica. Para a Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher, os dados indicam que, apesar da leve queda, a violência permanece como um problema estrutural que exige resposta contínua do poder público e da sociedade.
A delegada da Delegacia da Mulher de Passos, Mariana Floravante, reforça que a denúncia é fundamental para interromper o ciclo de agressões. Segundo ela, qualquer tipo de violência, mesmo ameaças ou injúrias, deve ser encarada como situação de risco. “A mulher precisa procurar ajuda o mais rápido possível. Não deve esperar a agressividade aumentar. É essencial buscar a polícia e as instituições de apoio e denunciar”, orienta.
No contexto regional, os 164 municípios do Sul de Minas somaram 18.276 casos de violência contra mulheres nos primeiros dez meses de 2025. O total representa um aumento de 1,5% em relação ao mesmo período de 2024 e de 5,2% na comparação com 2023. As ocorrências mais registradas foram agressões físicas, ameaças e descumprimento de medidas protetivas.
Entre as maiores cidades da região, Poços de Caldas contabilizou 1.319 casos de violência doméstica e familiar contra mulheres no período analisado, superando em 31 registros o total de todo o ano de 2024. A média no município chega a cerca de quatro casos por dia. Já Varginha apresentou o maior crescimento percentual: foram 1.142 ocorrências entre janeiro e outubro, um aumento de 17,5% em relação ao ano passado, com predominância de violência psicológica, seguida por ameaça, lesão corporal e agressão física.
Na contramão da tendência regional, além de Passos, Pouso Alegre também registrou redução. O município contabilizou 1.123 casos nos dez primeiros meses do ano, 25 a menos que em 2024. As principais ocorrências foram lesão corporal, ameaça, violência psicológica e perseguição.
Especialistas avaliam que parte do aumento regional está relacionada à ampliação da rede de acolhimento e ao maior preparo das instituições para receber as vítimas. Para a socióloga e advogada Maria Cláudia da Arcadia, as mulheres estão mais conscientes sobre a violência e mais encorajadas a denunciar. “Há uma rede de apoio maior e estruturas públicas mais preparadas, o que contribui para esse panorama de maior consciência sobre a violência”, explica.
Ela ressalta, no entanto, que os números exigem mais do que registro estatístico. “Já temos dados e conhecemos o ciclo da violência. Agora é preciso transformar isso em políticas de prevenção. A mudança só virá com um projeto multidisciplinar, que envolva escolas, saúde primária e todas as áreas da política pública. Os homens também precisam participar dessa luta, porque as vítimas são as mulheres, mas os autores, em sua maioria, são homens”, conclui.