
Após três anos de pesquisas realizadas em 97 pontos distribuídos pela bacia do Lago de Furnas, um estudo inédito da AXIA Energia traçou um amplo diagnóstico sobre as condições ambientais de um dos principais reservatórios do Sul de Minas. O levantamento identificou uma elevada diversidade de espécies aquáticas, mas também constatou fatores que acendem um alerta para a conservação da região.
Os resultados foram reunidos no livro “Ecologia e Pesquisa Transdisciplinar no Setor Elétrico”, que apresenta análises realizadas em rios, no reservatório e em áreas do entorno, abrangendo 35 municípios. O trabalho contou com a participação de 28 pesquisadores e recebeu investimento de R$ 6,3 milhões.
Considerado um dos mais completos já realizados na região, o estudo avaliou aspectos como a qualidade da água, a conservação da vegetação ciliar, a presença de espécies aquáticas e os impactos provocados pelas diferentes formas de ocupação do solo.
Segundo o diretor de Licenciamento Ambiental e Condicionantes da AXIA Energia, Jader Fernandes, o grande diferencial da pesquisa foi a abordagem integrada de todos esses elementos.
“O livro revela que a região de Furnas é um território vivo e interdependente, onde biodiversidade, qualidade da água, atividades econômicas e comunidades estão diretamente conectadas.”
Entre os principais resultados está o registro de uma ampla variedade de organismos aquáticos, incluindo peixes, moluscos, crustáceos e plantas distribuídos em diferentes áreas da bacia.
Ao mesmo tempo, os pesquisadores identificaram sinais de pressão ambiental que podem comprometer esse equilíbrio. Entre os principais fatores estão o avanço do uso da terra nas áreas próximas ao lago, a redução da vegetação nas margens, a presença de espécies exóticas e o risco de degradação da qualidade da água em trechos mais impactados. Segundo o estudo, esses fatores ajudam a explicar alterações percebidas pela população, como mudanças na coloração da água, diminuição de determinadas espécies e reflexos sobre atividades como pesca e turismo.
A pesquisa também destaca que as condições ambientais do reservatório influenciam diretamente a rotina de quem vive ou trabalha na região. Setores ligados ao turismo, à piscicultura e ao lazer dependem da qualidade dos recursos naturais, e o monitoramento contínuo pode oferecer mais segurança para essas atividades, indicando, por exemplo, áreas mais adequadas para criação de peixes e exploração turística.
Além da produção científica, o projeto desenvolveu ações de educação ambiental e iniciativas de ciência cidadã em escolas públicas, buscando aproximar a população das questões relacionadas à preservação do lago.
As informações obtidas já estão sendo utilizadas no processo de licenciamento ambiental da Usina Hidrelétrica de Furnas e deverão servir de base para futuros empreendimentos na região.
“O diagnóstico permite identificar áreas mais sensíveis e orientar decisões que causem menor impacto ambiental”, afirma Fernandes.
A expectativa é que o levantamento também contribua para a elaboração de políticas públicas voltadas à conservação ambiental e ao uso sustentável dos recursos naturais.
Ao consolidar estudos que antes estavam dispersos, a publicação oferece um panorama abrangente sobre a situação do Lago de Furnas e reforça um dos principais desafios da região: conciliar a geração de energia com a preservação ambiental e o desenvolvimento econômico. Para os pesquisadores, esse equilíbrio depende cada vez mais do investimento em ciência e do monitoramento permanente dos ecossistemas.

