
A Câmara Municipal de Nova Resende (MG) instaurou uma Comissão Processante (CP) para investigar a conduta do vereador Odair Braz de Azevedo (PL), acusado de abuso de poder, intimidações contra servidoras públicas e quebra de decoro parlamentar. Durante os depoimentos, também surgiu uma denúncia de assédio sexual contra o parlamentar.
Denúncias de intimidação
As primeiras acusações partiram de três funcionárias da Secretaria de Saúde, entre elas a secretária Gislaine Dilva Pereira Gueles e a coordenadora administrativa Letícia Cristina Silva Bachião. Elas relataram que o vereador, que também atua como motorista da prefeitura, procurou a secretaria para questionar seu afastamento das funções e teria reagido de forma agressiva.
De acordo com as servidoras, ele teria usado a condição de homem e de vereador para intimidá-las, afirmando que possuía voz perante a população e que elas não eram nada, além de ameaçar transformar a vida delas em um inferno. As funcionárias afirmaram ter se sentido ameaçadas e intimidadas, destacando que a denúncia busca servir como exemplo para que situações semelhantes não se repitam, sobretudo no trato com mulheres no serviço público.
Posição do vereador e da prefeitura
O vereador negou ter ofendido as servidoras. Segundo ele, o episódio se tratou de um mal-entendido durante a cobrança de horas extras referentes a plantões de fim de semana, que não teriam sido pagas. Odair afirmou que foi recebido de forma incorreta e que apenas reivindicava seus direitos, mas que a situação acabou sendo interpretada de maneira distorcida. Ele declarou ainda que enxerga o processo como resultado de perseguição política.
A prefeitura informou que o pagamento de gratificação para funcionários em regime de plantão está previsto em lei municipal de 2022 e que esses plantões ocorrem apenas uma vez a cada dois meses ou em intervalos maiores.
Acusação de assédio sexual
Durante os depoimentos à CP, realizados na última sexta-feira (15), a servidora pública Tatiane Luiza Américo relatou ter sido vítima de assédio sexual por parte de Odair entre 2020 e 2021, quando trabalhava na prefeitura. Segundo ela, o vereador fazia comentários de cunho sexual, cochichava expressões ofensivas em seu ouvido, realizava gestos obscenos e chegou a apalpar partes do seu corpo.
A servidora também contou que o vereador depositou R$ 1,5 mil em sua conta e posteriormente afirmou que ela teria de “pagar a dívida” acompanhando-o até uma cidade vizinha. O advogado da funcionária confirmou que uma denúncia sobre o caso foi encaminhada ao Ministério Público no mesmo dia do depoimento.
Caminhos da investigação
O presidente da CP, vereador Roberto Guelere (PSDB), informou que a Câmara deverá buscar orientação jurídica sobre como proceder em relação à nova acusação, o que pode incluir o envio do caso ao Ministério Público, à Polícia Civil ou até a abertura de um novo processo de cassação.
Odair, por sua vez, afirmou não ter conhecimento oficial das denúncias de assédio e sustentou que não existem registros formais sobre o caso. Ele voltou a afirmar que é vítima de perseguição política.