Pular para o conteúdo principal

Jornal Folha Regional

Boa Esperança vai ganhar campus do Instituto Federal do Sul de Minas

Boa Esperança vai ganhar campus do Instituto Federal do Sul de Minas – Foto: Angelo Miguel/MEC

O Ministério da Educação (MEC) autorizou a criação do Campus Boa Esperança do Instituto Federal do Sul de Minas Gerais (IFSULDEMINAS) nesta quarta-feira, 13 de maio. O anúncio ocorreu durante visita do ministro da Educação, Leonardo Barchini, ao local onde será instalado o novo campus, que terá capacidade de atender 800 estudantes. Com ele, a Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica chega a 727 unidades. Também esteve presente na cerimônia o reitor do instituto, Cleber Ávila Barbosa, e o secretário de Educação Profissional e Tecnológica do MEC, Marcelo Bregagnoli.

O empreendimento, que antes funcionava como um polo do Sistema Universidade Aberta do Brasil (UAB) ligado ao IFSULDEMINAS, em parceria com a Prefeitura de Boa Esperança, tem área total de aproximadamente 20 mil metros quadrados. Na área construída, de 4,6 mil metros quadrados, há salas de aula, biblioteca, restaurante estudantil, laboratórios de informática e de ciências, auditório, ginásio poliesportivo, quadra descoberta e sanitários. O imóvel foi cedido pelo município ao IFSULDEMINAS, que agora fará adequações estruturais para novo uso. 

Durante a solenidade, o ministro Leonardo Barchini destacou o significado da conquista para a comunidade local e para a expansão da Rede Federal. “Hoje é um dia muito especial para nós, que, finalmente, depois desses anos de luta, conseguimos transformar o polo em Instituto Federal. Teremos toda uma gama de recursos disponíveis para que os nossos estudantes possam ter a melhor formação possível e estejam preparados para o mundo do trabalho e para os desafios do século 21”. 

Barchini também fez os primeiros anúncios de novos investimentos para o Campus Boa Esperança. “Teremos mais três obras para o Instituto Federal: a primeira será uma biblioteca, com R$ 1,8 milhões em investimentos; a segunda, um restaurante estudantil; e a terceira, um novo conjunto de salas”, afirmou. 

”Teremos mais três obras para o Instituto Federal: a primeira será uma biblioteca, com R$ 1,8 milhões em investimentos; a segunda, um restaurante estudantil; e a terceira, um novo conjunto de salas” Leonardo Barchini, ministro da Educação.

Para o reitor Cleber Ávila Barbosa, a criação da nova unidade marca um momento histórico para a instituição. “Isso é algo memorável e que ficará para sempre na história da nossa instituição. Um novo campus é algo imensurável acerca de conquistas, oportunidades, pesquisa, extensão e desenvolvimento.” 

Desde 2009, o polo ofertou mais de 900 vagas em cursos técnicos de cafeicultura e administração a distância. Com a efetivação da unidade, a instituição planeja ofertar cursos técnicos presenciais, integrados e subsequentes, de agropecuária, administração e informática. A expectativa é que as aulas se iniciem em agosto de 2026. 

Estudante do IFSULDEMINAS, Maria Fernanda Teixeira ressaltou o significado do novo campus para a expansão da educação pública e para a trajetória da instituição na região. “Me sinto privilegiada por fazer parte desse momento histórico de expansão da Rede Federal. Compartilho da ideia de que a educação não deve ser vista como um gasto, mas como um investimento. O campus de Itajubá já não é mais o filho caçula, porque hoje nasce o Campus Boa Esperança”. 

O município de Boa Esperança (MG) se destaca pela diversidade econômica, sendo um polo estratégico para o agronegócio, a pecuária leiteira, a produção de café, o turismo e o comércio, e pela localização que facilita a integração com outros polos produtivos. A expansão da Rede Federal para a cidade é fruto do diálogo constante com as prefeituras da região. 

IFSULDEMINAS – O Instituto Federal do Sul de Minas Gerais nasceu a partir da fusão das escolas agrotécnicas das cidades de Inconfidentes, Machado e Muzambinho (MG), tradicionalmente reconhecidas pela qualidade na oferta de educação profissional e tecnológica na região. Atualmente, o instituto possui um polo de inovação e nove campi, sendo eles: Inconfidentes; Machado; Muzambinho; Passos; Poços de Caldas; Pouso Alegre; Carmo de Minas; Três Corações; e Itajubá, esse último em implementação pelo plano de expansão dos mais de 100 campi de institutos federais pelo Brasil. O IFSULDEMINAS oferta, anualmente, cerca de 45 mil vagas em 316 cursos e, no total, estão matriculados aproximadamente 66 mil alunos na instituição, incluindo qualificações profissionais. 

Ex-aluna do curso técnico em meio ambiente do IFSULDEMINAS, Darliane Silva destacou a importância da transformação do antigo polo em um campus permanente para ampliar as oportunidades educacionais. “Era um polo, e agora a cidade ganha um campus. Isso vai evoluir mais a nossa região e trazer mais educação para a nossa cidade.” 

Investimentos MEC – Por meio do Novo Programa de Aceleração do Crescimento (Novo PAC), o MEC prevê recursos para a consolidação dos institutos federais, com investimento de R$ 1,4 bilhão. Essa ação tem como foco os campi que ainda não possuem infraestrutura completa. Durante a consolidação, as prioridades para investimento são a construção de restaurantes estudantis, bibliotecas, blocos de salas de aula e laboratórios, quadras poliesportivas e unidades em instalações definitivas. Para o IFSULDEMINAS, são R$ 18,7 milhões de investimentos na ação de consolidação. Entre 2023 e 2025, foram repassados R$ 17,6 milhões, já inclusos os aditivos no valor de R$ 1,1 milhão. Ainda estão previstos outros R$ 2,2 milhões. 
 
Já para a expansão dos institutos federais, o governo federal investe R$ 2,5 bilhões pelo Novo PAC em todo o país. A previsão é criar mais de 155 mil novas vagas de educação profissional e tecnológica, majoritariamente de cursos técnicos integrados ao ensino médio. Cada campus, incluindo o de Itajubá, do IFSULDEMINAS, recebe investimento médio de R$ 25 milhões e terá capacidade de atender, em média, 1.400 estudantes. 

Projeto de lei fixa limite de R$ 500 mil de dinheiro público para cachês de shows e rodeios em MG

Projeto de lei fixa limite de R$ 500 mil de dinheiro público para cachês de shows e rodeios em MG – Foto: reprodução

Um projeto de lei (PL) para limitar o uso de dinheiro público no custeio de shows e rodeios conquistou apoio unânime de parlamentares, produtores de eventos e representante das prefeituras mineiras, durante audiência pública realizada na última terça-feira (12) pela Comissão de Cultura da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG).

É o PL 5.656/26, de autoria conjunta dos deputados Antonio Carlos Arantes (PL) e Professor Cleiton (PV), e que resultou da fusão de outros duas propostas anteriores apresentadas individualmente pelos mesmos deputados, sobre o mesmo tema: os PLs 5.511/26 e 5.513/26, que agora serão abandonados.

De acordo com Professor Cleiton, o texto cria normas para utilização de recursos públicos na contratação de artistas, bandas ou grupo artístico para realização de shows, rodeios, festividades e eventos culturais no Estado. O limite é de R$ 500 mil por apresentação, ou 1% da receita corrente líquida do município.

Esse limite inclui cachê artístico, despesa com transporte até chegar na cidade do evento, alimentação de artista, banda, produção e demais envolvidos no evento e qualquer outra despesa específica para realização do espetáculo que não atenda as demais apresentações.

As defesas com hospedagem e translado não estão incluídas e tem um limite extra de 10% do valor total. Para eventos realizados no Carnaval e Reveillon, o limite geral é duas vezes maior.

Outra determinação é que no mínimo 5% do valor gasto com a atração mais cara deve ser destinado à contratação de artistas mineiros. O projeto de lei também traz regras específicas para municípios com Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) menor.

De acordo com Professor Cleiton, a proposta nasceu de uma demanda dos próprios produtores de eventos, que vem se queixando de estarem sendo sufocados pelos valores exagerados que vem sendo monopolizados pelos artistas mais famosos.

“Nosso mercado está colapsando”, afirmou o produtor de eventos João Wellington Esteves. “O artista leva o dinheiro todo da festa e sobra pouco para a estrutura. A coisa está desequilibrada”. Ele disse representar um grupo de 173 produtores de eventos que defendem uma regulamentação.

O divisor de águas da inflação nos cachês artísticos, segundo Esteves, foi a pandemia. Com a retomada dos eventos, que estavam represados, a demanda aumentou e os valores dispararam. “A planilha de 2023 para cá custa três ou quatro vezes mais. Artista que em 2023 era R$ 200 mil, hoje é R$ 600 ou R$ 700 mil”, declarou ele.

O deputado Antonio Carlos Arantes disse que sua iniciativa surgiu de dificuldades enfrentadas pelos rodeios, que tem um custo muito inferior aos shows de artistas mais conhecidos. “Um vereador falou de um show no Nordeste em que foi pago R$ 1,2 milhão para o Wesley Safadão, que eu não pagaria R$ 10,00. Num lugar em que está faltando água para as comunidades! É um escárnio com o dinheiro público”, declarou o deputado.

Ele afirmou que discussões semelhantes já estão ocorrendo em Estados como a Bahia e Pernambuco, mas não na forma de projeto de lei, mas por meio de termos de ajustamento de conduta (TACs). “Tudo na vida tem que ter limite”, defendeu.

Representante da AMM apoia projeto mas aponta obstáculo jurídico

O representante da Associação Mineira de Municípios (AMM), o consultor jurídico Wederson Siqueira, destacou que a entidade foi consultada e colaborou na elaboração do projeto. “Foi um projeto construído a muitas mãos”, afirmou. Ele advertiu, no entanto, que a proposta pode enfrentar dificuldades jurídicas.

“A Lei federal 14.133 (de 2021) estabelece as regras gerais de licitação e compras públicas e diz que o município é competente para estabelecer as suas regras”, afirmou Siqueira. Segundo esta regra, uma lei estadual poderia regulamentar recursos do Estado utilizados para custear eventos, inclusive emendas parlamentares, mas não poderia instituir limites para gastos dos municípios.

O consultor jurídico sugeriu que a Assembleia conduza o debate sobre o projeto de lei de forma articulada com o Ministério Público Estadual e o Tribunal de Contas do Estado, de forma que, se a proposta legislativa encontrar obstáculos, a ideia possa prosperar na forma de um Termo de Ajustamento de Gestão (TAG).

O deputado Professor Cleiton, no entanto, lembrou que um Termo de Ajustamento não teria o mesmo alcance que uma lei. “O termo assina quem quer, enquanto a Lei vale para todos”, disse o parlamentar.

Além dos autores do projeto, outros parlamentares também declararam apoio à proposta durante a reunião. “Essa lei pode se tornar exemplo para o Brasil inteiro”, afirmou o deputado Mauro Tramonte (Republicanos), que também preside a Comissão Extraordinária de Turismo e Gastronomia da ALMG.

O deputado Bim da Ambulância (Avante) defendeu que o percentual reservado para a contratação de artistas mineiros seja elevado de 5% para 10% e elogiou a apresentação do projeto. “Isso vem moralizar esse descaso com o dinheiro público neste segmento”, disse.

O deputado Ricardo Campos (PT) destacou o caráter suprapartidário do projeto de lei. “Quando algum colega apresenta um projeto que é bom para o povo, não tem bandeira partidária, todo mundo tem que apoiar”, afirmou.

Lula anuncia fim da “taxa das blusinhas” após quase dois anos de cobrança sobre compras internacionais

Lula anuncia fim da “taxa das blusinhas” após quase dois anos de cobrança sobre compras internacionais – Foto: divulgação

O governo federal oficializou o fim da chamada “taxa das blusinhas”, nome popular dado ao imposto de importação de 20% aplicado sobre compras internacionais de até US$ 50 realizadas por meio do programa Remessa Conforme.

A decisão foi anunciada nesta terça-feira (12) e passa a valer a partir desta quarta-feira (13). A mudança foi formalizada por meio de uma Medida Provisória assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e regulamentada em portaria do Ministério da Fazenda. As medidas foram publicadas em edição extra do Diário Oficial da União.

Segundo o governo, a isenção vale apenas para os tributos federais. O ICMS, imposto estadual que também incide sobre essas compras, permanece sendo cobrado normalmente. Atualmente, dez estados aplicam alíquota de 20% sobre encomendas internacionais de pequeno valor.

O anúncio foi feito pela ministra Miriam Belchior, que classificou a medida como um avanço para consumidores que realizam compras internacionais de baixo valor.

A tributação havia começado em agosto de 2024, após aprovação do Congresso Nacional e sanção do presidente Lula. À época, a medida foi defendida por setores da indústria brasileira, que alegavam concorrência desigual com plataformas internacionais, especialmente após o crescimento das compras online durante a pandemia.

Mesmo com críticas de consumidores, a cobrança vinha ampliando a arrecadação federal. Dados da Receita Federal apontam que, entre janeiro e abril de 2026, o imposto gerou R$ 1,78 bilhão aos cofres públicos, alta de 25% em relação ao mesmo período do ano anterior, quando o valor arrecadado foi de R$ 1,43 bilhão.

Em 2025, a arrecadação total com a chamada “taxa das blusinhas” chegou a R$ 5 bilhões, contribuindo para o esforço do governo em atingir as metas fiscais previstas para este ano.

A possível extinção do imposto já vinha sendo discutida internamente no governo. Na última semana, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, confirmou que o tema estava em debate, embora tenha defendido a manutenção do programa Remessa Conforme.

A decisão provocou reação negativa de representantes da indústria nacional. A Confederação Nacional da Indústria afirmou que a medida pode prejudicar o setor produtivo brasileiro e favorecer fabricantes estrangeiros, especialmente da China.

Já a Associação Brasileira do Varejo Têxtil classificou o fim da cobrança como um retrocesso econômico e criticou o que considera uma vantagem competitiva para plataformas internacionais em relação às empresas brasileiras.

A Frente Parlamentar Mista em Defesa da Propriedade Intelectual e Combate à Pirataria também criticou a mudança, argumentando que a isenção amplia a concorrência desleal com o comércio nacional.

Além dos impactos na arrecadação, a cobrança do imposto havia afetado diretamente os Correios. Segundo dados financeiros da estatal, a participação das receitas com encomendas internacionais caiu de 22% em 2023 para 7,8% em 2025.

A redução ocorreu após a criação do Remessa Conforme, que encerrou o monopólio dos Correios na distribuição de encomendas internacionais e ampliou a atuação de empresas privadas no setor.

Em documento interno, a Diretoria Econômico-Financeira dos Correios avaliou que as mudanças evidenciaram dificuldades financeiras da empresa diante das transformações do mercado de comércio eletrônico internacional.

EPR Sul de Minas registra queda de 64% em acidentes fatais nas rodovias

EPR Sul de Minas registra queda de 64% em acidentes fatais nas rodovias – Foto: reprodução

A EPR Sul de Minas divulgou um balanço que aponta redução nos índices de acidentes nas rodovias sob sua administração nos primeiros quatro meses de 2026. Conforme os dados da concessionária, houve queda de 64% nos acidentes com vítimas fatais em comparação com o mesmo período do ano passado.

O levantamento também mostra diminuição de 4% no número geral de acidentes e redução de 10% nas ocorrências com feridos nas oito rodovias administradas pela empresa, que abrangem mais de 450 quilômetros e interligam 22 municípios do Sul de Minas.

Segundo a concessionária, os resultados estão ligados às ações realizadas nas áreas de infraestrutura, operação e conscientização no trânsito. Desde o início da concessão, foram executados cerca de 5 milhões de metros quadrados de melhorias no pavimento, além da instalação de mais de 10 mil placas de sinalização e 59 mil metros de defensas metálicas.

Outro destaque é o programa de iluminação de trevos, que já contemplou 13 interseções e deve avançar até o fim do ano. Entre as intervenções recentes, estão a implantação de 1,4 quilômetro de acostamento na BR-459, em Caldas, e obras na MG-290.

Na rodovia MG-290, a EPR realizou a correção de uma curva considerada crítica e implantou acostamento entre os quilômetros 37 e 38, em Borda da Mata. Já entre os quilômetros 87 e 89, em Jacutinga, foi construída uma rotatória alongada, cuja entrega está prevista para este mês.

Além das obras, a concessionária reforça as ações educativas durante o Maio Amarelo, campanha internacional voltada à conscientização para redução de acidentes de trânsito. Ao longo do mês, serão promovidas atividades em escolas, empresas, órgãos públicos e comunidades da região, com orientações sobre direção defensiva e comportamento seguro nas rodovias.

O gerente de Operações da EPR Sul de Minas, Marcelo Aguiar, destacou que os números refletem o impacto das medidas adotadas pela concessionária para ampliar a segurança viária.

A empresa informou ainda que seguirá monitorando os indicadores e realizando intervenções em pontos considerados críticos, buscando manter a redução nos acidentes nas rodovias administradas.

Cronograma das blitze educativas do Maio Amarelo

  • 20/05 – das 9h às 11h: km 123 da BR-459, no posto da PMRv, em Santa Rita do Sapucaí
  • 21/05 – das 9h às 11h: BSO 02, km 161 da BR-459, em Itajubá
  • 22/05 – das 9h às 11h: posto da PRF, km 11 da BR-459, em Poços de Caldas
  • 25/05 – das 9h às 11h: balança no km 41 da MG-455, em Andradas
  • 27/05 – das 9h às 11h: km 5 da MG-290, em Pouso Alegre
  • 29/05 – das 7h30 às 10h: Praça João Pinheiro, em Pouso Alegre
  • 29/05 – das 9h às 11h: posto da PRF no km 68 da BR-459, em Senador José Bento

Estação seca já multiplica incêndios e riscos à saúde em MG

Estação seca já multiplica incêndios e riscos à saúde em MG – Foto: reprodução

O ano começou com baixa incidência de incêndios florestais em Minas Gerais em relação a 2025, mas houve um aumento súbito em abril, comparado ao mesmo mês do ano passado. E o risco de queimadas cresce, à medida em que o período de seca avança. No quarto mês de 2025, houve 340 ocorrências. Em abril deste ano, o estado somou 918 registros, o que representa uma alta de 170%. Desses, 42 foram em Belo Horizonte, contra 37 no mesmo mês do ano passado, um aumento de 13,5%. Aliados ao início da estiagem, os feriados prolongados são os principais fatores para a alta nos casos, o que preocupa o Corpo de Bombeiros Militar (CBMMG). Depois da semana santa, Tiradentes e Dia dos Trabalhadores, há mais um feriadão à vista, o Corpus Christi, no início de junho, que pode elevar os riscos.

Baixa umidade do ar, escassez de chuvas, com o consequente ressacamento da vegetação, descuido e até ações criminosas formam o combo das queimadas. “Estamos em uma crescente. O período de estiagem, junto com essa combinação de fatores, começa a se estabelecer de maneira mais evidente a partir de abril”, lembra o porta-voz do Corpo de Bombeiros, tenente Henrique Barcellos. Desde o início da seca, e da sequência de feriados prolongados, os militares estão de prontidão para novos incêndios – sobretudo em unidades de conservação (UCs).

“Esses períodos de feriado acabam coincidindo com o aumento de ocorrências em parques, unidades de conservação (UCs), em áreas de amortecimento, porque as pessoas buscam esses locais para fazer trilhas e ecoturismo. E, infelizmente, até de maneira inadvertida, acabam deixando para trás uma fonte de ignição, um fogareiro, uma fogueira mal apagada”, explica.

Segundo Barcellos, muitos frequentadores de parques estaduais, onde há áreas protegidas, não se atentam para cuidados como apagar as fogueiras, o que pode acarretar incêndios. Outros comportamentos, como queimar lixo, limpar lotes ou gerar um incêndio à margem de rodovias próximas às UCs também preocupam a corporação.

Eventos recentes ilustram a situação, que tende a se agravar nos próximos meses. Na noite 26 de abril, um incêndio consumiu uma área de 4 mil metros quadrados de vegetaçãoem um lote vago no Bairro Santa Luzia, em Juiz de Fora, na Zona da Mata Mineira. De acordo com o Corpo de Bombeiros, as chamas atingiram um bambuzal. No local, havia grande concentração de restos vegetais, favorecendo a propagação do fogo. Os militares usaram 15 mil litros de água para combater o incêndio, cujas causas são investigadas.

Estiagem

No acumulado do ano, o total de incêndios ainda é inferior ao de igual período do ano passado. Levantamento feito pelo CBMMG mostra que os incêndios em vegetação no estado diminuíram 46,55% no primeiro quadrimestre de 2026, quando houve 1.960 ocorrências, comparado com igual período do ano passado (3.667). Em Belo Horizonte, a redução foi ainda mais expressiva – de 155 queimadas nos quatro primeiros meses de 2025, o número caiu 65,16% neste ano, com 54 registros. O recuo, que ocorreu, de fato, até março, é atribuído pelo Corpo de Bombeiros ao período chuvoso, que teve um ponto crítico em Minas Gerais no início deste ano. Entretanto, o sinal se inverteu em abril. Em maio, que já começou com um feriadão, foram registrados, até ontem, 423 incêncios em Minas Gerais , sendo 44 na Região Metropolitana de Belo Horizonte e 21 apenas na capital do estado. No ano passado, as ocorrências somaram 1.185 em Minas nos 31 dias do quinto mês do ano, ainda segundo dados do Corpor de Bombeiros. E as previsões meteorológicas apontam para o aprofundamento da estiagem.

Previsão do tempo

De acordo com o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), as previsões meteorológicas indicam que o fenômeno El Niño deve impor seus efeitos com maior intensidade no segundo semestre. A previsão é de que haja maior frequência de ondas de calor e baixa umidade na Região Sudeste. O Cemanden não fala especificamente de Minas, mas outras previsões indicam que a situação deve piorar no estado.

Com a estação seca – que vai do outono ao fim do inverno em Minas Gerais–, a previsão é de pouca chuva até o início de outubro no estado, com possibilidade apenas de pancadas fracas e rápidas em algumas regiões, aponta o meteorologista Lizando Gemiacki, do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). No Triângulo Mineiro e no Sul de Minas ainda pode chover um pouco mais, mas os volumes já diminuíram bastante para esta época do ano, informa.

A umidade do ar ainda não deve atingir níveis tão baixos em maio, mas pode chegar próximo dos 30% nas horas mais quentes do dia, principalmente no fim do mês, segundo o meteorologista. O cenário tende a piorar até agosto e setembro, meses considerados mais críticos, quando os índices podem atingir entre 12% e 15%. As regiões Norte e Nordeste de Minas, incluindo áreas do Vale do Jequitinhonha, costumam registrar os menores índices de umidade antes das demais regiões do estado. Em Montes Claros, por exemplo, os índices já podem se aproximar de 30% ao longo deste mês.

Ele ainda informou que uma massa de ar frio deve provocar queda nas temperaturas no Sul de Minas e deixar o clima mais ameno na Zona da Mata. No restante do estado, a tendência é de temperaturas estáveis, com predomínio de uma massa de ar quente e seca, condição considerada comum para o período. Outra massa de ar frio pode chegar no fim do mês, mas a previsão ainda depende das próximas atualizações meteorológicas.

Secura e fumaça

Além de apresentar risco às áreas de vegetação, o aumento de queimadas acende um alerta para a saúde. De acordo com a médica pneumologista Michele Andreata, a baixa umidade compromete diretamente a defesa natural das vias aéreas, pois o ar mais seco resseca a mucosa respiratória, reduz a eficácia do muco e dos cílios que funcionam como barreira contra vírus, bactérias e partículas inaladas. Quando somado ao avanço das queimadas, o risco de agravamento dos quadros respiratórios é ampliado.

“Com o aumento das queimadas, há uma elevação significativa na concentração de poluentes no ar, como material particulado fino, monóxido de carbono e substâncias tóxicas. Esse conjunto favorece a inflamação das vias respiratórias, piora doenças pré-existentes como asma, bronquite e DPOC (doença pulmonar obstrutiva crônica), e aumenta a incidência de infecções respiratórias, especialmente em crianças, idosos e pessoas com comorbidades. Além disso, o El Niño tende a intensificar períodos de seca, prolongando a exposição a esse ambiente desfavorável”, diz a especialista.

Andreata explica que as queimadas liberam grande quantidade de poluentes que, ao serem inalados, atingem diretamente o sistema respiratório. O material particulado fino, que vem dos incêndios florestais, mas também da emissão por veículos motores a diesel e gasolina, queima de lixo e combustíveis e indústrias, penetra profundamente nos pulmões. Essa substância consegue alcançar a corrente sanguínea e desencadear processos inflamatórios que podem levar a crises de asma, agravamento de doenças pulmonares crônicas e infecções respiratórias.

Os sintomas incluem tosse, ardor nos olhos, irritação na garganta, falta de ar e sensação de cansaço. A médica ressalta que quem deseja se proteger deve evitar a exposição direta à fumaça, manter ambientes internos fechados nos períodos de maior poluição, utilizar umidificadores ou bacias com água para amenizar o ressecamento do ar, manter boa hidratação e, quando necessário, utilizar máscaras com boa vedação, como as do tipo PFF2, especialmente para grupos de risco. Também é importante redobrar a atenção com a higiene nasal, que ajuda a remover partículas inaladas, além de manter o acompanhamento médico em caso de doenças respiratórias pré-existentes.

Emergência

Diante do cenário climático, os casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) também crescem. Até a última quarta-feira (22/4), a Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG) contabilizou 8.247 notificações e 379 mortes no estado, sendo que BH concentra a maior parte delas (98). Ainda no dia 22, a Prefeitura de BH (PBH) anunciou a abertura de novos cinco leitos pediátricos no Hospital Odilon Behrens, no Bairro São Cristóvão, na Região Noroeste, para reforçar o combate de doenças respiratórias no período.

Os novos leitos se somam a outros cinco disponibilizados na semana anterior, reforçando a assistência das crianças no município. De acordo com a PBH, a ampliação ocorrerá gradualmente, conforme a demanda assistencial, e pode chegar a 20 leitos. O número de internações pediátricas por questões respiratórias no Odilon Behrens aumentou cerca de 53% no primeiro trimestre de 2026, comparado ao mesmo período do ano passado, saindo de 175 para 268. Já em abril, até ontem, foram 193 internações, o que põe em evidência a escalada das enfermidades.

No início do mês, o Hospital Infantil João Paulo II recebeu sete novos leitos na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), 19 de enfermaria, dois consultórios médicos de pronto atendimento e oito leitos em salas de decisão clínica. A medida responde ao crescimento da demanda que costuma ocorrer entre março e maio, época em que o hospital registra aumento médio de 47% nos atendimentos de pronto-socorro e de 40% nas internações.

A capital e outros oito municípios decretaram situação de emergência em decorrência da alta de quadros de SRAG, que começou de forma antecipada no país, segundo a Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica (Abramed). Além de BH, entraram em situação de emergências: Araguari, no Triângulo Mineiro; Caratinga, no Rio Doce; Contagem, Pedro Leopoldo e Ribeirão das Neves, na Região Metropolitana; Diamantina, no Jequitinhonha; Montes Claros, no Norte de Minas, e Unaí, no Noroeste.

Prevenção

Para combater casos graves e internações por SRAG, o mais importante é se prevenir por meio da vacinação. Neste ano, a meta do Programa Nacional de Imunizações (PNI) é alcançar 90% de cobertura vacinal do público-alvo. Nos últimos dois anos a cobertura vacinal contra a influenza no estado ficou em torno de 60%. Minas Gerais recebeu cerca de 3,2 milhões de doses do imunizante contra a gripe, que foram distribuídas para todos os municípios. A campanha de vacinação contra a gripe conta com doses disponíveis para crianças de 6 meses a 5 anos, gestantes, idosos, mulheres no pós-parto, trabalhadores da saúde, pessoas com deficiência permanente e caminhoneiros.

Os locais de vacinação de bebês e crianças contra a bronquiolite também foi ampliado em Belo Horizonte. Além do Centro de Referência em Imunobiológicos Especiais (CRIE), outras nove unidades de saúde passam a ser referência na vacinação. Os endereços e horários de funcionamento podem ser consultados no site da prefeitura. Desde janeiro foram aplicadas mais de 1,2 mil doses na capital. Fazem parte do grupo elegível os bebês prematuros menores de 6 meses (até 5 meses e 29 dias) que tenham recebido alta hospitalar. (Colaborou Fernanda Santiago)

Homem mata criança autista de 4 anos por causa de música alta em MG

Homem mata criança autista de 4 anos por causa de música alta em MG – Foto: redes sociais

Um homem de 23 anos confessou ter espancado até a morte uma criança de 4 anos com Transtorno do Espectro Autista (TEA) pois ela “ouvia música muito alta”. A vítima foi identificada como Brenner Antony da Silva, de 4 anos. O suspeito foi preso no dia do crime, que ocorreu na noite do último domingo (10), em Frutal (MG).

Antes da agressão, o suspeito invadiu a casa onde a criança vive com a família, amarrou o cachorro da avó e o jogou em um lago. Mais tarde o animal foi encontrado pela Polícia Militar (PMMG), já sem vida.

Em seguida, a mãe da criança, de 32 anos, afirma que o invasor, que portava uma faca e uma ripa de madeira, anunciou um assalto e tentou levar a televisão da casa. A mulher disse que foi agredida e amarrada em um dos cômodos. Ela afirma ter tentado negociar com o suspeito, oferecendo fazer um Pix para que ele fosse embora sem machucar seu filho.

Devido ao episódio, a criança entrou em crise e ficou agitada, e o ladrão teria batido na cabeça dela com a ripa de madeira.

Depois do crime, ele fugiu levando o menino dentro de um saco de lixo preto e abandonou a vítima, ainda com vida, a cerca de 150 metros da casa.

Ao chegarem na casa, os militares encontraram manchas de sangue espalhadas pelos cômodos. A mãe e o menino foram socorridos e levados para o Hospital Frei Gabriel. A criança deu entrada em estado grave, com traumatismo craniano, foi intubada, mas não resistiu.

O suspeito foi localizado pouco depois, caminhando próximo a uma praça, onde moradores tentavam agredi-lo com enxadas e pedaços de madeira.

Segundo a PMMG, ele apresentava escoriações no rosto e nas pernas, resistiu à prisão e precisou ser contido com uso de gás de pimenta. 

Ainda conforme a polícia, o homem confessou o crime e afirmou que cometeu o ato porque “perdeu a cabeça”. Ele teria sido motivado pelo sentimento de vingança, já que foi vizinho das vítimas e afirmou que o menino ouvia música muito alta.

A Polícia Civil fez perícia no imóvel. O suspeito foi encaminhado ao hospital e, depois de medicado, levado para a delegacia.

Operação da Receita Federal apreende mais de R$ 1,2 milhão em mercadorias em Passos

Operação da Receita Federal apreende mais de R$ 1,2 milhão em mercadorias em Passos – Foto: divulgação/Receita Federal

Uma operação conjunta da Receita Federal e da Polícia Militar de Minas Gerais resultou na retenção de mercadorias avaliadas em mais de R$ 1,2 milhão em Passos, no Sul de Minas, nesta terça-feira (12). A ação, denominada “Operação Atacado Central”, teve como alvo oito estabelecimentos comerciais da cidade.

Durante a fiscalização, foram apreendidos smartphones, roupas, calçados, bebidas alcoólicas, perfumes e diversos equipamentos eletrônicos. Segundo a Receita Federal, os comerciantes terão prazo para apresentar documentação que comprove a regularidade da aquisição dos produtos. Caso isso não aconteça, poderá ser decretado o perdimento das mercadorias.

Além da retenção dos itens, os responsáveis pelos estabelecimentos poderão responder por descaminho. A Receita informou que será encaminhada ao Ministério Público uma Representação Fiscal com Fins Penais. O crime prevê pena de um a quatro anos de reclusão, conforme o Código Penal.

De acordo com a Receita Federal, levantamentos realizados há mais de um ano apontaram que empresas da cidade estariam comercializando produtos falsificados e contrafeitos como se fossem originais, o que caracterizaria concorrência desleal e indução do consumidor ao erro.

A operação contou com a participação de 15 servidores da Receita Federal, entre auditores-fiscais, analistas tributários e administrativos, além de 24 policiais militares.

Ainda segundo os órgãos envolvidos, a ação faz parte de um trabalho contínuo realizado em todo o estado de Minas Gerais para combater a comercialização de mercadorias introduzidas ilegalmente no país. Entre as irregularidades investigadas estão contrabando, descaminho e falsificação, práticas que provocam prejuízos milionários com sonegação de impostos e também podem estar relacionadas a crimes como lavagem de dinheiro e corrupção.

A Receita Federal destacou ainda que produtos estrangeiros só podem ser comercializados no Brasil após atender exigências legais, como importação regular, certificações do Inmetro, homologação da Anatel e controle sanitário da Anvisa.

Segundo os órgãos fiscalizadores, a iniciativa também busca conscientizar comerciantes e consumidores sobre os impactos do mercado ilegal, que afeta a arrecadação de impostos, a concorrência entre empresas e até a saúde pública.

Operação da Receita Federal apreende mais de R$ 1,2 milhão em mercadorias em Passos – Vídeo: Pedro Henrique Machado

Sindicato vê falhas no credenciamento da Aegea e Sabesp e pede suspensão da privatização da Copasa

Sede da Copasa – Foto: Foto: Divulgação/Copasa

O Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Purificação e Distribuição de Água e em Serviços de Esgotos do Estado de Minas Gerais (Sindágua-MG) enviou uma denúncia ao Tribunal de Contas do Estado (TCE-MG) pedindo a suspensão de todos os atos relacionados à privatização da Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa). O pedido leva em consideração irregularidades que teriam sido cometidas no processo de credenciamento das empresas Aegea e Sabesp para o leilão das ações da estatal.

A denúncia foi enviada ao TCE nesta segunda-feira (11/5), após a confirmação dos dois grupos como os participantes do certame.  Sobre a escolha da Aegea e da Sabesp, o sindicato cita que houve falhas no processo de convocação para credenciamento. A Aegea, inclusive, é alvo de uma Comissão Processante, na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul, que vai apurar denúncias relacionadas à qualidade da água. 

Segundo a documento, o Manual de Participação na Etapa Prévia do Processo de Seleção do Investidor de Referência na B3, que foi publicado pelo governo de Minas, tinha “barreiras de acesso de extraordinária severidade”. A entidade sindical critica que o período de cadastramento, de apenas 14 dias corridos – entre 24 de abril e 8 de maio – era “manifestamente insuficiente para que potenciais compradores internacionais realizem a due diligence mínima necessária, obtenham as autorizações corporativas internas de seus respectivos conselhos de administração, estruturem consórcios e providenciem a volumosa documentação exigida”. 

Conforme o sindicato, além do prazo considerado aquém, a necessidade de apresentação de carta de fiança bancária no valor de R$ 7 bilhões é um instrumento de obtenção “extraordinariamente difícil” no atual ambiente de restrição de crédito no país. Outro ponto considerado irregular é a comprovação de um histórico de investimentos em infraestrutura na casa dos R$ 6,3 bilhões, que teria de ser realizado por cinco anos consecutivos em um intervalo de 20 anos. 

“Requisito que, pela concentração temporal exigida, restringe na prática a participação a um número muito reduzido de grupos no cenário nacional e internacional. A combinação desses três elementos não opera como filtro de qualidade dos participantes: opera como barreira de exclusão que, ao reduzir artificialmente o universo de concorrentes elegíveis, compromete o mecanismo de formação de preço pelo qual o Estado poderia obter o valor justo pelo seu patrimônio”, diz a denúncia. 

Diante dos argumentos, o sindicato diz que o modelo escolhido para a privatização da Copasa foi estruturado em “fragilidades institucionais e financeiras” que comprometem a legitimidade do processo. A denúncia se dá horas depois de o governador Mateus Simões (PSD) ter dito, em entrevista, que a escolha da Aegea e da Sabesp traziam tranquilidade ao Executivo. Ele falou sobre o assunto na manhã desta segunda, após ser questionado pela reportagem. 

“São as duas maiores operadoras de infraestrutura de saneamento do Brasil. Se somar as operações picadas, elas são maiores que a Copasa. A Sabesp está junto com a Equatorial e tem uma operação enorme. A Aegea coordena mais consumidores do que a Copasa tem, então isso nos deu muita tranquilidade”, comentou.

Outros problemas 

Na petição, o sindicato ainda citou um risco aos Fundos Estadual e Municipal de Saneamento. De acordo com a denúncia, não há, até então, “salvaguardas jurídicas” que garantem a manutenção dos mecanismos. A preocupação, inclusive, se arrasta desde as discussões sobre a privatização da Copasa durante a tramitação do projeto de lei na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG). 

À época, inclusive, a reportagem mostrou que prefeitos temiam perder acesso aos recursos e pediam mais diálogo com o governo do estado sobre o assunto. Na denúncia, o sindicato diz que o fundo, em alguns casos, é a única alternativa dos municípios para financiamento de obras de saneamento. Pela regra atual, mensalmente a Copasa repassa às prefeituras 4% da receita operacional líquida apurada na cidade para intervenções envolvendo abastecimento de água, esgotamento sanitário e gestão de resíduos sólidos. 

“Sem cláusula expressa nos novos contratos de concessão que obrigue a operadora privada a manter o repasse de 4% da Receita Operacional Líquida municipal ao FMS, a obrigação deixa de ter caráter vinculante e passa a depender da boa vontade do concessionário ou de litígio judicial — inversão inaceitável para uma política pública de direitos fundamentais”, critica o sindicato na petição.

O sindicato ainda alerta para um risco de “irreversibilidade” das falhas apontadas, caso a privatização avance. “A irreversibilidade da operação de desestatização, uma vez consumada, torna essas garantias condição jurídica inafastável, e não mero protocolo de boa vontade. Não há mecanismo jurídico ordinário que permita ao Estado de Minas Gerais, após a transferência do controle acionário, impor retroativamente ao adquirente privado obrigações que não foram pactuadas como condição do processo”, diz trecho da denúncia. 

O que dizem TCE e Copasa?

A reportagem pediu esclarecimentos sobre os pontos apresentados pelo Sindágua-MG à Copasa. A companhia reafirmou compromisso com a legalidade, transparência e governança e disse estar à disposição de órgãos de controle para prestar os esclarecimentos necessários.

“Ressaltamos que a Copasa não comenta rumores de mercado sobre potenciais interessados no processo de desestatização. Ressaltamos que todas as informações oficiais sobre o cronograma da oferta e as etapas relacionadas ao Tribunal de Contas (TCE) são divulgadas tempestivamente por meio dos canais oficiais de Relações com Investidores e comunicados ao mercado, em estrita observância às normas da CVM e às regras de governança aplicáveis”, diz posicionamento enviado à reportagem.

Em nota, o Tribunal de Contas do Estado informou que recebeu o pedido. A admissibilidade da denúncia está sendo analisada pela presidência do órgão.

Homem é morto a facadas durante confusão em praça de Bom Jesus da Penha

Homem é morto a facadas durante confusão em praça de Bom Jesus da Penha – Foto: reprodução/redes sociais

Um homem de 38 anos foi morto a facadas na madrugada deste domingo (10), na praça central de Bom Jesus da Penha, no Sul de Minas. O crime aconteceu durante uma confusão envolvendo familiares e amigos de pessoas que já haviam se envolvido em uma briga momentos antes no mesmo local.

Segundo informações da Polícia Militar, a primeira ocorrência foi registrada por volta de 0h30, quando dois homens foram detidos por lesão corporal após uma discussão na praça. Enquanto os militares realizavam o registro da ocorrência, uma nova confusão começou entre pessoas ligadas aos envolvidos.

Durante o tumulto, Paulo Henrique Silva acabou sendo atingido por golpes de faca na região do tórax e das axilas. Ele chegou a ser socorrido e levado ao hospital da cidade, mas já chegou sem sinais vitais, conforme informou a equipe médica. A vítima apresentava quatro perfurações na altura do peito.

Após o crime, a PM iniciou buscas com apoio de equipes de cidades vizinhas e conseguiu localizar o suspeito, de 25 anos. Ele foi preso em flagrante, mas a identidade não foi divulgada pelas autoridades.

Ainda conforme a polícia, parentes e amigos da vítima foram até a residência do suspeito e tentaram agredi-lo. Diante da situação, os militares precisaram montar um cerco de segurança para evitar o linchamento e retirar o homem do local. Em seguida, ele foi encaminhado para a delegacia de plantão em Guaxupé.

A faca utilizada no homicídio foi encontrada pelos policiais em um terreno baldio durante as buscas. A área foi isolada para os trabalhos da perícia técnica.

O corpo de Paulo Henrique Silva foi sepultado às 10h deste domingo, no cemitério de Bom Jesus da Penha.

Prefeitura de Bambuí admite erro e diz que pacientes receberam água destilada no lugar da vacina da gripe

Prefeitura de Bambuí admite erro e diz que pacientes receberam água destilada no lugar da vacina da gripe – Foto: reprodução

A Prefeitura de Bambuí, município localizado no Centro-Oeste mineiro, a cerca de 190 quilômetros de Passos, informou por meio de nota oficial que houve uma falha durante a campanha de vacinação contra a gripe realizada no município.

Segundo o comunicado divulgado nas redes sociais da administração municipal, o problema ocorreu na última segunda-feira (4), durante atendimentos feitos a pacientes acamados vinculados ao PSF Aparecida dos Açudes.

De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde, parte dos pacientes recebeu aplicação de água destilada em vez da vacina contra a influenza. A prefeitura destacou, porém, que não há riscos à saúde das pessoas atendidas.

Ainda conforme a nota, a água destilada utilizada é um produto estéril empregado rotineiramente na área da saúde para preparo e diluição de medicamentos e vacinas, sem presença de substâncias tóxicas ou prejudiciais ao organismo. O município ressaltou que o problema consistiu na não aplicação do imunizante contra a gripe, e não na administração de uma substância perigosa.

A prefeitura informou que 42 pacientes acamados foram atingidos pela falha. Após a identificação do caso, a Secretaria de Saúde iniciou procedimentos de apuração e adotou medidas administrativas imediatas.

A técnica de enfermagem responsável pela aplicação foi desligada das funções. Segundo a administração municipal, ela era funcionária de uma empresa terceirizada contratada pela prefeitura. O Executivo não informou detalhes sobre a conduta da profissional.

O município afirmou ainda que todos os pacientes envolvidos estão sendo comunicados e receberão a dose correta da vacina em suas próprias residências.

Além disso, a Secretaria de Saúde informou que está reforçando os protocolos de conferência, armazenamento e aplicação de vacinas em toda a rede municipal, com o objetivo de evitar novos episódios semelhantes.

Em nota, a prefeitura afirmou compreender a preocupação da população e declarou que a situação está sendo tratada com “transparência, responsabilidade e rapidez”, reforçando o compromisso com a saúde pública e a segurança dos pacientes.

O caso ganhou repercussão após a divulgação oficial do município. Segundo o Ministério da Saúde, o processo de distribuição de vacinas no Brasil envolve um sistema logístico rigoroso, realizado em parceria entre União, estados e municípios. As doses são armazenadas sob temperaturas controladas, transportadas por vias aérea e terrestre e monitoradas em tempo real para garantir a qualidade dos imunizantes até a aplicação nas unidades de saúde.

Jornal Folha Regional
Privacy Overview

This website uses cookies so that we can provide you with the best user experience possible. Cookie information is stored in your browser and performs functions such as recognising you when you return to our website and helping our team to understand which sections of the website you find most interesting and useful.